El Cuento de Jaciara

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Jaciara saiu para ver o dia. Não havia dia. Só sombras ao redor, que a puxavam a medida que caminhava. A cada rua, um vulto diferente. Jaciara tentava virar à esquerda, uma luz escura a puxava para a direita. Quando ia para a direita, seguravam seu pé, a mantendo imóvel. Uma hora, até taparam seus olhos, impedindo-a de vislumbrar qualquer fiapo de luz que sobrara.

Jaciara tentou correr. Desvencilhando-se das sombras, partia para um lado e para o outro, na esperança de que, ao caminhar sem rumo certo, e em zigue-zague, conseguisse despistar os vultos. Mal sabia ela que era impossível — por não serem reais, elas, as sombras, estão em todo lugar.

A sensação de desamparo, o profundo desespero, a angústia de sentir-se perdida a levaram a desistir. E gritou, em alto e bom som, para que todos, todos os que não estavam presentes, todos na rua vazia, pudessem ouvir: “Ok, eu desisto!”.

E então as sombras começaram a dissipar. Lentamente, se arrastaram, lânguidas, pelo chão até dissolverem pelas frestas de qualquer superfície. Jaciara observou, exausta, a noite virar dia. Mas já era tarde.

Jaciara marchou, cansada, sem vida, de volta para casa. Lá era mais seguro.

E nunca mais saiu.

(um conto curto pra passar o dia…)

 

*Foto retirada daqui.

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