Personagens quase reais

Dia desses, estava trocando e-mails conversando com uma amiga sobre como imaginamos nossos personagens. Nós duas escrevemos e estávamos conversando sobre isso, e então ela me perguntou o que eu fazia na hora de compor meus personagens: se eu tinha a imagem deles na minha cabeça, se eu desenhava como eles seriam, enfim, como era meu método de criação de personagem. Respondi a ela, claro, mas achei legal compartilhar isso com vocês também.

Antes de tudo, depois de escrever as primeiras linhas, geralmente eu faço uma mini biografia dos personagens. Aprendi isso nas aulas de roteiro cinematográfico que fiz e sigo isso até hoje. Acho muito bacana porque te ajuda a conhecer profundamente seu personagem. Sim, porque apesar de ele ser uma criação sua, ele tem vida própria, juro! Quantos personagens eu queria que seguissem um caminho mas, na hora de escrever, seguiram outro completamente diferente! Eles são serzinhos sapecas, esses personagens!

Continuando, nessa mini biografia escrevo sobre sua vida pré-história, ou seja, tudo (ou tudo que é importante pra história) que ajudou a criar e influenciou a personalidade dele: como foi a infância (feliz ou triste), se os pais são presentes, sua personalidade quando criança, como foi dua adolescência, que tipo de colégio estudou, primeiro beijo, namorados, amigos, primeira transa, acontecimentos que marcaram suas vidas. Além disso, tem os dados mais “concretos” (por falta de melhor palavra), que mais parece aqueles cadernos de perguntas do tempo de escola: nome e profissão dos pais, nome e idade dos irmão, faculdade que fez, trabalha em que atualmente, religião, time de futebol, cor preferida, manias, hobbies, música preferida, filme preferido, bandas e cantores preferidos, atores preferidos (muita ênfase na parte cultura porque eu acho que isso build a character – desculpa, tem expressões que eu não consigo MESMO traduzir), e por aí vai.

Nessa hora, também entra o aspecto físico da pessoa (sim, eu enxergo meus personagens como pessoas reais). Aí escrevo a cor dos olhos, cor do cabelo, tipo de cabelo (e se é pintado ou natural),  tipo físico, altura, tem tatuagem ou não, alguma marca que pode ter, se usa óculos/aparelho/lente de contato, tipo de roupa que usa. A parte anterior posso até fazer só para os personagens principais, mas a descrição da fisionomia faço com TODOS os personagens, mesmo aqueles que entram, dizem oi e tchau e vão embora. E não é trabalho nenhum pra mim, é uma diversão enorme! Não sei se todos os escritores fazem isso e se todos que fazem acham divertido, mas eu adoro! É a melhor parte (toda a biografia dos personagens é muito legal de se fazer).

Quanto a colocar a imagem que tenho na minha cabeça no “papel”, aí varia para cada personagem. Desenhar, como minha amiga me questionou, é impossível, porque só sei desenhar sol (com olho, nariz e sorriso), arvorezinha, casinha do lado e florzinha nascendo do morro (juro, é isso que desenho SEMPRE que pego um papel). Mas, às vezes, cato umas referências pela internet (geralmente relacionadas ao estilo de se vestir) e outras vezes o personagem vem prontinho na forma de uma pessoa famosa conhecida — mas, confesso, isso acontece mais com os personagens masculinos porque, né, quem não quer colocar sua personagem namorando o, digamos, Rodrigo Hilbert?

Exemplo: Queria Tanto

No meu primeiro livro, Queria Tanto, incrivelmente não pensei tanto em como a Alice Maria (a personagem principal, pra quem não leu) seria. A única coisa que pensei em relação a ela foi o corte de cabelo que ela faz logo nas primeiras páginas do livro, e era mais ou menos assim:

alice

O corte da Samaire Armstrong em The O.C. é o corte da Alice!

Já os outros personagens eu “montei” mais direitinho, muito porque já tinha uma certa imagem visual deles. A Elisa é igual a uma amiga que minha prima tinha quando a gente era adolescente e, ó que coincidência!, se chamava Elisa. O Ulisses é um garoto de mesmo nome que tinha no meu colégio. Eu tenho a imagem do Fausto exata na minha cabeça que eu tenho certeza que é de alguém que já vi algum dia na vida, só não faço ideia aonde. A Valentina é uma junção de todas as meninas ripongas lindas que vi pelo mundo e o Estevão, eu juro, é um gato, mas ele não veio de ninguém específico não, é outra junção de pessoas que vi na vida. Acho que o Bernardo é o único que não “copiei” de ninguém específico nem é nenhuma junção.

Agora o Rodrigo, ah o Rodrigo é uma pessoa específica, em uma fase muito específica. Ele já veio pronto e, no momento que o personagem dele surgiu no papel, ele já surgiu com a cara dele e, creio eu, que todos que leram o livro vão concordar que ele É o Rodrigo. A amiga que eu citei lá começo concordou! Mas enfim, sem mais delongas, o Rodrigo é o Dudu Azevedo! Quem é ele?, você pode perguntar. É esse aqui:

Dudu fotos Azevedo

Dudu Azevedo

Maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaas, não é o Dudu Azevedo genérico não, é o Dudu Azevedo quando ele fazia o personagem Querubim na novela Como uma onda. Vejam uma foto dele na época e me digam se não é o Rodrigo?????

gravacao_comoumaonda_18

Rodrigo mais novinho

DuduAzevedo-333-globo

Rodrigo com barba!

Bem, é isso, gente. O meu processo de criação é desse jeito, mas sei que cada processo é diferente então, se você também escreve, me conta o seu! E me digam o que acharam do “Rodrigo” e do corte da Alice! Uma próxima vez falo sobre como foi o processo de criação do Coisas não ditas — esse é beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeem extenso! hahahahaha

Beijos!

2 comentários sobre “Personagens quase reais

  1. Marina Carino disse:

    huahuahua poxa, pra mim ainda é a jen lawrence! xP até porque ela também tem aquele jeito maluquinha…rs. Adorei o post, até porque quando eu li o livro me perguntava se os amigos da alice eram baseados em alguém da galera que eu conhecia! rs Sabia que isso de desenhar sol, casa, árvore é base de um teste psicológico dos mais usados? uhauhaau Acho que todos intuitivamente desenhamos essas coisas xD Sobre os personagens ganharem vida, nunca esqueço da palestra que vi com a Lygia Fagundes Telles (uma das minhas preferidas) na bienal, onde ela dizia que as personagens vinham dar pitaco e pedir satisfação quando não gostavam do desenrolar da história. Ela disse que uma das mais famosas dela nunca a perdoou por ter morrido no romance. ❤

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