12 Anos de Escravidão

Eu ia escrever sobre os filmes indicados ao Oscar na ordem que os vi, mas acabei de ver 12 Anos de Escravidão e, bem PRECISO falar dele AGORA, antes que os pensamentos me fujam e eu pare de chorar. Não, sério, agora eu até já consegui, mas chorei o filme INTEIRO e quando acabou eu ainda chorava. In fact, eu chorava enquanto descia as escadas rolantes do shopping, perguntem ao namorado!

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Lembram que eu tinha falado que eu tinha que assistir todos os filmes indicados ao Oscar pra poder dar minha opinião? Esqueçam essa baboseira, porque 12 Years a Slave (no original) TEM QUE ganhar o Oscar. Já tô torcendo por ele na categoria de melhor filme, melhor direção, melhor atriz coadjuvante e melhor ator (sim, esqueçam Leonardo DiCaprio e dêem olá para Chiwetel Ejiofor).

Chiwetel Ejiofor

Chiwetel Ejiofor

O filme está concorrendo a 9 Oscars: além de melhor filme, concorre a melhor ator (Chiwetel Ejiofor), melhor direção (Steve McQueen, mesmo diretor do ótimo Shame), melhor ator coadjuvante (Michael Fassbender), melhor atriz coadjuvante (Lupita Nyong’o), melhor roteiro adaptado (do livro 12 Anos de Escravidão, de Soloman Northup) , melhor figurino, melhor montagem e melhor design de produção. De todas essas indicações, a única que aceito que ele não ganhe é melhor ator coadjuvante, apesar de Michael Fassbender estar muito bem no filme (e lindo, apesar do personagem dele ser um filho da puta, desculpe as palavras). Todo o elenco, aliás, está primoroso, com atuações fascinantes. Como namorado disse enquanto descíamos as escadas do shopping (sim, aquela hora em que eu ainda chorava), é um filme que exige muito dos atores, muito mais do que qualquer um dos outros filmes que vimos até agora (O Lobo de Wall Street, Ela, Trapaça). E eles passam, muitas vezes sem dizer uma palavra, exatamente o que estão sentindo no momento –  e você sente junto. Queria realçar aqui a iniciante (pelo menos eu nunca a havia visto) Lupita Nyong’o, que arrebata com sua atuação que toca a alma e faz doer.

Lupita Nyong'o

Lupita Nyong’o

O filme trata da história real de um homem negro, livre, que é sequestrado e vendido como escravo, e assim ele vive por 12 anos – por isso o nome do filme, claro. Imaginem a dor de uma pessoa livre repentinamente se ver como um escravo, sem poder fazer nada a respeito. Como eu já disse, a atuação de Chiwetel demonstra toda essa dor, mas não é só sua atuação que facilita o espectador a sentir essa dor. Tudo no filme, da duração das cenas, à fotografia, à mixagem do som, à montagem das cenas, tudo permite com que nós percebamos facilmente essa dor que não só o personagem principal, mas todos, sentem. Não vou dar spoiler e dizer como ela é, mas tem uma cena que se prolonga por tanto tempo que é angustiante. Não consegui ficar olhando para a tela, tive que desviar meu olhar. Steve McQueen faz tudo propositalmente pra você sentir o que ele quer que você sinta – e não tem como não sentir. É uma obra prima.

Chiwetel Ejiofor e Michael Fassbender

Chiwetel Ejiofor e Michael Fassbender

Tenho medo de dizer mais coisas e acabar dando spoiler, contando mais do que devia (como já fiz duas vezes com namorado sem querer, na mesma semana). Mas preciso dizer que achei genial o fato do som de uma cena continuar na cena seguinte, como se fosse algo que ficou gravado na memória do personagem e ele não consegue esquecer. Porque, de fato, quem consegue esquecer as coisas terríveis que se passa quando se é um escravo?

Meu queridíssimo Paul Dano fazendo um papel que me deu vontade de cuspir na cara dele

Meu queridíssimo Paul Dano fazendo um papel que me deu vontade de cuspir na cara dele

É um filme sensível, chocante, real e muito, muito emocionante. Não esqueça de levar várias caixas de lenço de papel quando for assistir. Nem de comemorar muito quando ele ganhar suas merecidíssimas estatuetas (assim espero).

O diretor Steve McQueen dando direções para Lupita (virei fã dela!)

O diretor Steve McQueen dando direções para Lupita (virei fã dela!)

2 comentários sobre “12 Anos de Escravidão

  1. Felipe disse:

    Concordo que as atuações foram brilhantes e que exigiu muito dos atores (físico e psicologicamente). Fiquei muito impactado durante todas as cenas de violência (desde um empurrão ao momento do tronco, terrível).
    Valeu o Oscar de melhor filme mesmo com uma concorrência forte. Só achei que a edição, a fotografia e o roteiro não estavam muito afiados e em sintonia. Mas quero ir no cinema mais uma vez para testemunhar o choque no rosto das pessoas (e os comentários estúpidos, resquícios da ignorância humana).

    • Jura que vc ouviu comentários estúpidos? Eu, graças a deus, não ouvi nada. Talvez seja pq chorei do início ao fim e meus ouvidos se fecharam. Mas eu achei tudo afinadinho sim, do roteiro à edição.

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