Entrevista com blogueira – Fernanda Rodrigues

Achei que não fosse conseguir, mas ainda deu tempo de publicar a entrevista com a blogueira desse mês no dia 10! Rs E ainda bem, porque a blogueira desse mês é muito especial! Além de ter o nome de um dos meus ídolos da infância (eu era muuuuuuuuuito fã da atriz Fernanda Rodrigues por causa da novela Vamp, que eu, como todas as crianças, era apaixonada!), a Fernanda é uma fofa. Eu entrei em contato com ela pra saber se ela tinha interesse em resenhar o meu segundo livro, Coisas não ditas, porque achei o blog literário dela, o Nosso Clube do Livro, muito fofo! E gostei muito das resenhas dela e das outras meninas (que espero conseguir fazer entrevista também e colocar todas aqui!). Ela aceitou, eu mandei o livro, e depois de um tempo recebi um dos e-mails mais fofos que já li sobre o meu livro, confesso que até fiquei emocionada, porque quem não gosta de ver pessoas se identificando com algo que você escreveu? E aí a gente percebeu que tinha um gosto musical muito parecido, até do Greg Holden, que eu nunca tinha conhecido outra pessoa que gostasse, ela gostava! Agora a gente se tem no Facebook e ela faz postagens muito fofas e tira fotos lindas. E escreve coisas muito legais também, que você pode ler no blog pessoal dela, o Algumas Observações, e na entrevista abaixo. Ah! E aqui está a resenha que ela fez do Coisas não ditas! Agora só falta o Queria Tanto, né Fê? (hashtag Livia cara de pau! hahahahaha)
Foto tirada por Renato Rodrigues Souza, amigo da Fernanda, e gentilmente cedida por ela. :)

Foto tirada por Renato Rodrigues Souza, amigo da Fernanda, e gentilmente cedida por ela. 🙂

1. O que te levou a criar o blog?
Meu blog pessoal, o Algumas Observações, nasceu porque queria compartilhar a minha forma de sentir e captar o mundo. Isso acontece em forma de textos literários e não-literários. Já o meu blog literário, o Nosso Clube do Livro, nasceu de uma conversa com uma amiga minha, a Ana Caroline. Tanto ela quanto eu tínhamos (eu continuo tendo!) o desejo de participar de um clube do livro. Entretanto, na época nós não sabíamos onde havia um e não poderíamos fundar um presencial, porque ela mora em Aracaju, e eu em São Paulo. Logo, resolvemos abrir um blog em que todos pudessem falar sobre o universo literário. Ter um espaço na internet foi a solução para o nosso problema. Com o passar do tempo, duas amigas se juntaram a nós (a Camila e a Suelen) e, bem, dois anos depois, aqui estamos! 😉
2. Qual resenha mais gostou de fazer? E qual teve mais visibilidade?
Quando escrevo uma resenha, costumo postá-la nos dois blogs. Agora, qual a resenha que eu mais gostei de escrever? Puxa. Difícil. Geralmente eu AMO fazer resenhas dos livros que eu AMEI ler. O lado irônico disso é que, quanto mais eu gosto de um livro, mais é difícil escrever a resenha. Uma mini-resenha que me marcou foi a dos primeiros capítulos de Sons of Zeus, do Noble Smith, porque ele me mandou o texto original em inglês, em primeira mão para que eu escrevesse sobre o livro e postasse no Nosso Clube do Livro. Devorei o trecho e estou super curiosa para ler o livro todo (a obra será publicada por aqui com o nome de Filhos de Zeus, pela Editora Novo Conceito). As resenhas dos livros da Jennifer Egan e do Mia Couto também foram muito importantes para mim.
Agora, segundo as estatísticas do blog, a resenha que teve mais visibilidade é a do livro Ostra Feliz Não Faz Pérola, escrito por Rubem Alves. Este livro é de crônicas e é um presente que acalenta o coração. É muito lindo e vale à pena ser lido. É engraçado porque essa crônica assumiu o primeiro lugar há pouquíssimo tempo. Ela roubou o posto da resenha de Poemas Escolhidos de Gregório de Matos. Destaco este fato porque ele sempre me chamou muito a atenção. Em um país em que poucas pessoas gostam de ler poesia, ter esta resenha no ranking das mais lidas é muito legal mesmo. Como eu sou admiradora do Barroco em todos os seus campos e poetisa desde sempre, ficou muito feliz por saber que o público do blog se interessa por este gênero literário.
 
3. O que de mais positivo o blog te trouxe?
Eu destaco três pontos principais:
O primeiro deles diz respeito ao fato de eu não estar sozinha. Com o blog pessoal, descobri que aquilo que sinto e que, aparentemente, a sociedade recrimina, não é tão incomum assim. Há muitas pessoas que compartilham das mesmas opiniões que eu. Isso dá uma grande sensação de alívio. O mesmo acontece com os gostos literários. Sou muito crítica e não gosto de qualquer modinha (o autor tem que ser muito bom para me conquistar). É muito gostoso encontrar pessoas que compartilham das mesmas visões. 
O segundo se trata da conexão com as pessoas. Por causa do blog, eu fiz amizades que saíram da tela do computador e se tornaram parte do meu dia a dia. Também fiz contato com alguns autores, o que é muito rico para a minha vivência como escritora. Nada melhor do que compartilhar experiências.
Já o terceiro relaciona-se com o registro. No meu blog pessoal há vários momentos importantes da minha vida nos últimos seis anos e meio. Já no literário, há um histórico das minhas leituras e, de certa forma, do meu trabalho profissional (porque, embora eu não viva de nenhum dos blogs, procuro ter um compromisso como o de um trabalho. Essa é uma das formas de respeitar o meu leitor).
 
4. Quais livros tiveram mais impacto em sua vida e por quê?
Cada livro marcou a minha vida de uma forma. É muito complicado escolher um. Acho que A visita cruel do tempo, da Jennifer Egan, me marcou pelo fato da genialidade que ela emprega na estrutura que usou ao narrar a história. Acho que, para quem é escritor, ler este livro é uma aula de genialidade. Budapeste, do Chico Buarque, é uma história que me toca muito pelo desejo do reconhecimento que o Costa (Kósta) tem enquanto escritor. De biografia, li recentemente Eu sou Malala, da Malala Yousafzai, que mexeu comigo demais. Como professora que sou, dói ver tudo o que esta menina sofreu e ainda sofre só pelo fato de querer estudar. Por outro lado, é lindo ver como ela tem coragem para lutar. A arte de ouvir o coração, de Janphilipp Sendker, também é de uma sensibilidade incrível. E os livros do Mia Couto? Com o Mia aprendi que chorar é um ato lindo. Também não poderia deixar de citar os livros do Ziraldo, do Carlos Drummond de Andrade, do Pablo Neruda… Escolher um só, além de ser uma tarefa digna de Hércules, seria injusto com todos os autores que eu amo.
 
5. Você costuma ler mais autores estrangeiros ou nacionais? E para você, quais são as principais diferenças e semelhanças entre os autores nacionais e o estrangeiros?
O que me prende não é a nacionalidade do autor, mas a maneira como ele conta a sua história. Há autores nacionais ótimos, como há os ruins. O mesmo acontece com os estrangeiros. Também não acredito que número de vendas é sinônimo de um livro bom ou ruim. Há muitos autores que venderam milhões que não são tão bons quanto os mais desconhecidos. Acho que isso é muito relativo. Identificar semelhanças e diferenças na escrita também é algo complicado, porque depende muito da vivência de cada autor e sobre o que ele pretende escrever. Agora, um ponto que eu acho que é bastante distinto diz respeito às oportunidades de publicação. Pelo o que andei pesquisando – numa tentativa de publicar alguns dos meus textos no futuro -, publicar um livro na América do Norte ou na Europa é mais fácil do que aqui. Não sei se isso está relacionado ao fato de que nestes locais há um incentivo muito maior à leitura ou se é porque as pessoas têm uma renda maior por lá para bancar a publicação ou não, mas suspeito que estes fatores influenciem.
 
6. Quais são seus autores nacionais favoritos?
Meu Deus, mais uma pequena lista! hahahaha Vamos lá: Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis, Gregório de Matos, Ana Miranda, Ziraldo, Lygia Bojunga, Rubem Alves, Fabrício Carpinejar… Ah! São tantos! Difícil demais escolher só um!
 
7. Para você, qual o papel da literatura na vida de uma pessoa?
De novo, acho ruim escolher um só: o primeiro é de dar azas à imaginação e tirar o peso que a vida real às vezes nos impõe. Este é o sentido primário, que nos enche de prazer e que nos faz buscar um livro para ler. O segundo é nos tornar ágeis para perceber diversas situações e seus respectivos pontos de vistas diferenciados – que nem sempre são iguais aos nossos. Isso é primordial para fazer de um ser humano um cidadão que aprende, com os livros, a dialogar, a argumentar. Este poder que os livros têm livra muitas pessoas da submissão e da alienação.
 
8. E qual o papel da literatura na sua vida?
A literatura para mim é um refúgio, um alívio, uma inspiração, um transporte, uma rede social em que faço amigos e me apaixono, uma fonte de trabalho, uma forma de me desenvolver, de me expressar, de registrar quem eu sou. Na minha vida, a literatura é uma fênix, um elixir, que me renova e me alimenta e do qual eu serei sedenta, sempre.
Depois de ler essa entrevista até me deu vontade de parar de escrever! Como escreve bem essa menina! Hahahaha
E eu descobri agorinha mesmo que ela colocou meu livro como um dos melhores livros que ela leu em 2013! Obrigada, Fernanda! E obrigada pela entrevista! E se você quiser ler o motivo de ela achar o Coisas não ditas um dos melhores de 2013, e conhecer os outros 4 melhores, clique aqui.
Beijos pra todas! E não esqueçam de comentar e deixar uma menina feliz (eu)!

2 comentários sobre “Entrevista com blogueira – Fernanda Rodrigues

  1. A Fer é uma linda ❤ Conheci através de gosto musical em comum (Backstreet Boys <3), e sempre vejo os posts dela no face =D sempre muito especial em cada post, muito grata à ela por trazer mais cultura e arte no mundo eletronico =D Parabéns pela entrevista ❤ às duas! ^.~

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