Filmes: Whiplash

Pareceu timing perfeito eu ter visto Whiplash na mesma semana que assisti o show do Foo Fighter chorando porque não estava lá pela TV. Porque eu nunca reparei tanto em um baterista quanto nesse show (mas, se tratando de Foo Fighters, eu prestaria atenção de qualquer jeito, porque o Taylor Hawkins… aiai…). E isso se deveu totalmente a Whiplash. Não que eu ignorasse os bateristas antes, eu até já fui apaixonada por um baterista de uma banda (beijo, Ben Gillies, do Silverchair). Mas reparei detalhes nesse show que eu nunca perceberia se não houvesse assistido Whiplash.

Ok, começaremos pela sinopse, mais uma vez tirada do site Omelete (sim, eu adoro eles): Milles Teller vive um baterista de jazz que frequenta uma das melhores escolas de música do mundo. Apaixonado pelo instrumento e desejando ser “grande”, ele abraça na primeira oportunidade a chance de trabalhar ao lado do temido maestro Fletcher (J.K. Simmons) em sua prestigiada banda. O professor, porém, tem métodos peculiares, especialmente aos olhos super protetores do mundo de hoje. E não tarda para que sangue e suor, literalmente, comecem a encharcar a bateria enquanto o novato é humilhado de inúmeras maneiras em prol da virtuose.

Poster oficial (e sensacional) do filme.

Poster oficial (e sensacional) do filme.

Pode parecer que o filme foca mais na relação entre aluno e professor, e até foca, mas acho que esse não é o essencial do filme. Pelo menos, não foi o que eu tirei dele. O que mais me tocou nesse filme foi a perseverança e a imensa força de vontade e determinação que esse moleque (porque ele tem apenas 19 anos) tem de ser o melhor do mundo. Porque, nas palavras do Fletcher, eles estão em NY, o que significa que são os melhores da América, e estão nos EUA, o que significa que são os melhores do mundo.

É incrível ver o quanto Andrew (o personagem principal) é apaixonado pelo instrumento que toca e por música, e como ele batalha pra superar suas dificuldades na bateria, chegando até a, como diz a sinopse, ter as mãos sangrando – e nem assim ele para! Isso me fez perceber o quanto os bateristas sofrem lá atrás do palco, e ninguém nem sequer vê, porque estão exaltando os vocalistas e guitarristas, que são geralmente os adorados pelo público. E nossa, como os bateristas são importantes! Sem eles (e sem os baixistas também, as a matter of fact), não haveria batida, e ficaria muito difícil para os guitarristas tocarem e os vocalistas cantarem. Eles dão o tempo da música. E como se esforçam pra fazer isso, ainda mais se for uma música mais rápida, que exige bem mais fisicamente. Porque eles tocam com o corpo todo, não sei se já perceberam. E foi isso que percebi vendo Taylor Hawkins tocar no domingo, e Whiplash com certeza me ajudou nessa clareza.

"Toca, desgraçado!"

“Toca, desgraçado!”

Ok, passado todo o aprendizado em relação a bateristas, vamos ao filme propriamente dito. É um filme muito bom. Não é um filme fantástico. Eu não achei, pelo menos (sei de muita gente que adorou!). Raphael (marido meu) nem entendeu a razão de ser indicado ao Oscar. Mas eu entendi. A edição é fenomenal. Não se vê por aí um filme com cortes como os desse. Como é um filme totalmente musical (o que significa que o tema é música, e não que os personagens saem cantando por aí), não tinha como não focar nessa questão. Por isso, vários cortes são no ritmo da música que está tocando no momento. Não sei se todos irão reparar nisso, eu já estou treinada para reparar porque Raphael (o mesmo marido que citei acima) faz exatamente isso com os vídeos que ele edita. Mas isso é fantástico. te deixa mais no clima da música e do filme, já que o tema do filme é música. Falando em música, que músicas maravilhosas que eles tocam! E não sei se todos os músicos do filme são músicos na “vida real” (provavelmente sim), mas eles são ótimos. Dei uma pesquisada e descobri que Miles Teller, o Andrew, realmente toca bateria, então minha admiração por ele cresceu mais um pouquinho (porque ele também é um bom ator).

A banda do filme.

A banda do filme.

J.K. Simmons, o carrasco Fletcher, está sensacional e te deixa com uma imensa raiva a cada cena. O jeito que ele interpreta o professor que exige, exige, exige e exige mais um pouquinho é absolutamente crível e nem um pouco caricato, e você sabe que existe gente como ele por aí. A criação dos personagens foi muito bem feita, porque nenhum dos dois é totalmente mau ou bom, cada um tem um lado que te dá vontade de dar um tapa na cara e também da abraçar o coraçãozinho deles. Ok, talvez o Fletcher um pouco menos.

A única coisa que me incomodou no filme foi a cor dele. Achei ele todo muito escuro. Sei que talvez seja a intenção, porque é um filme tenso e denso, e a cor escura te puxa pra esse lado da emoção, mas ainda assim me dava um certo desconforto olhar para a tela escura. Não sei se cinema a sensação seria diferente, pode muito bem ser a qualidade da tela da minha tv. Mas sei que não gostei. Ainda assim, não é um filme para se perder. Vejam, e me digam depois o que acharam.

Beijos e até o próximo filme!

Trailer oficial do filme:

Filme: O Grande Hotel Budapeste

Olá!!!!!

Eu queria fazer títulos mais legais e intrigantes, mas eles são óbvios e sem graça, como esse, do post que vou falar, adivinha sobre o que? O Grande Hotel Budapeste! Ê!!!!!!

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O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel, no original) é dos filmes mais sensacionais que já vi pelo simples motivo de ser totalmente diferente. O que, na verdade, já é algo que se espera do diretor Wes Anderson, vide seus outros filmes (Moonrise Kingdom, Viagem a Darjeeling, Os Excêntricos Tenenbaums, para citar alguns). É visível que ele tem uma preocupação para além de simplesmente contar uma história. Ele pensa em detalhes visuais também, o que é raro em Hollywood e é muito mais encontrado nos filmes independentes, que ainda se permitem ousar. Mas vamos à sinopse!

Sinopse: O filme conta a história de um lendário concierge em um famoso hotel na Europa entre as duas grandes guerras, e sua amizade com um jovem empregado que se torna seu protegido. A trama envolve o roubo e a recuperação de uma pintura renascentista inestimável, a batalha por uma fortuna de família e as lentas e então súbitas mudanças que atingiram a Europa durante a primeira metade do século XX. (texto retirado do site Omelete)

Ralph Fiennes como Gustave H. (sentado) e Tony Revolori como o lobby boy Zero.

Ralph Fiennes como Gustave H. (sentado) e Tony Revolori como o lobby boy Zero (à direita).

Falando em sinopse (ou seja, história), o filme está concorrendo ao Oscar com Melhor Roteiro Original (para quem não sabe, roteiro original é aquele que não é adaptado de nenhum outro material, como livros, peças etc, que já havia sido publicado anteriormente, diferente do roteiro adaptado) e super merece mesmo, porque não é qualquer um que faz uma história como essa. Os roteiristas do filme são o próprio Wes Anderson e Hugo Guiness. Porém, o diretor foi inspirados pelos escritos do autor austríaco Stefan Zweig (uma curiosidade: Stefan morreu aqui no Brasil, na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro). Outras categorias que O Grande Hotel Budapeste está concorrendo são: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Design de Produção (ou Direção de Arte), Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Cabelo e Melhor Trilha Sonora.

Quero dar ênfase a categoria Melhor Fotografia porque, pra mim, a fotografia foi o que mais se destacou no filme. Como disse Raphael (meu marido) pra mim, o Wes Anderson é um diretor com assinatura (uma marca própria), talvez um dos poucos hoje em dia (no mundo de Hollywood, pelo menos), e as cores que ele utiliza são características muito marcantes dele. Ele não usa uma cor em especial, como o Pedro Almodóvar, que sempre carrega no vermelho e em tons fortes, mas fica claro perceber a diferença nas cores que utiliza, bem puxada para tons mais claros e lavados, e que lembram algodão doce! Um exemplo:

Percebem?

Percebem? E sim, essa é a Saoirse Ronan, all grown up!

Ok que ele usa esses tons mais lavados nas cenas relacionadas à confeitaria, mas ainda assim a sutileza e escolha das cores com detalhe para cada cena fica bem claro enquanto se assiste ao filme. E como falei na confeitaria, outra curiosidade é que o próprio Wes Anderson trabalhou com o confeiteiro que fez todas as delícias do filme (juro, dá vontade de pular pra dentro da tela e comer tudo!) até chegar a um resultado perfeito que ele queria. Isso que é dedicação!

O doce "Cortesan au chocolat", carro-chefe da confeitaria do filme.

O doce “Cortesan au chocolat”, carro-chefe da confeitaria do filme. Dá água na boca só de olhar!

Eu passei o filme quase inteiro (se não inteiro) de boca aberta, e não por causa dos doces, mas por causa das cores, como já disse, e dos movimentos de câmera super diferentes. E posicionamentos da câmera, em ângulos não comumente utilizados. É por isso que o filme é tão especial, ele foi todo pensado, gente! Todo! Cada detalhe! Isso é foda demais!!!!!!!

Desculpem-me, me empolguei por um momento. Voltando à atividade normal…

Acredito que Wes Anderson é um diretor fenomenal por isso, por estudar e pensar cada detalhe, um pouco como Baz Lhurman (de Moulin Rouge) faz com seus filmes. Eu sei que ele não vai ganhar o Oscar, porque ninguém vence o Richard Linklater e seus 12 anos filmando Boyhood (não que eu não fique feliz por isso, porque amo Linklater também),  mas se ganhasse seria super justo. Vocês acreditam que ele filmou em três tamanhos de tela diferentes, um para cada linha do tempo (o filme conta 3 histórias diferentes, e cada uma se passa em um período)? Isso é fantástico! Quem pensa nesses detalhes hoje em dia? Além disso, ele enviou para as salas de exibição (lá de fora, claro) o formato de tela que o filme deveria se exibido, as configurações do áudio e o brilho da imagem. E do jeito que os atores estavam ótimos, inclusive o desconhecido Tony Revolori, demonstra que ele também é um ótimo diretor de atores.

Um exemplo de posicionamento de câmera que não é comum.

Um exemplo de posicionamento de câmera que não é comum.

Falando em atores, é notável a presença de vários atores que são presenças constantes nos filmes de Wes, como Adrien Brody, Tilda Swinton (apesar de ser impossível reconhecê-la no filme, não vou nem colocar foto pra vocês terem a mesma reação de surpresa que eu tive), Jason Schwartzman, e algumas participações especiais de peso (e também de atores que sempre estão nos filmes do Wes), como Owen Wilson (sim, eu gosto dele!), Bill Murray, Edward Norton, e vários outros atores fantásticos. Jude Law não é nem presença constante nos filmes dele, nem é um mega hiper ator, mas vê-lo sempre faz bem para os nossos corações de menininhas, então é com prazer que lhes informo que ele também está lá, lindo e de touquinha.

Jude Jude Jude Jude Jude Jude Jude!

Jude Jude Jude Jude Jude Jude Jude!

Eu tenho certeza absoluta que minha resenha sobre o filme não fez nem um pouco jus à obra prima que ele é, mas quera deixar bem claro, se ainda não deixei, que ele é um indicado obrigatório para se assistir! Porque é realmente um deleite para os olhos e uma ótima forma de se divertir porque, além de tudo, a história é bem engraçada.

Aproveitando que estamos no tema “And the Oscars goes to”, deixo meu vídeo sobre todos os filmes do Osar que quero ver, para vocês saberem quais são. E depois me digam quais já viram, quais querem ver e, principalmente, o que acharam de O Grande Hotel Budapeste!

Até o próximo post, espero que tenham gostado, e se gostaram, sigam o blog! E me sigam nas redes sociais, estarei por lá falando de filmes, livros e etc.

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Beijos!

Sobre memórias, amores e seu lugar no mundo

Alguma coisa acontece comigo quando entro no Estação Rio, antigo Espaço de Cinema, em Botafogo. Amo todos os cinemas do grupo Estação, por serem os melhores cinemas da cidade, e por passarem os melhores filmes sempre. Mas o Estação Rio… Ele é especial.

Dia perfeito: café, livro e o Estação Rio.

Dia perfeito: café, livro e o Estação Rio.

É só passar pelas portas de vidro que me sinto totalmente em casa. E eu digo totalmente mesmo! Percebi que é meu lugar favorito em todo o Rio de Janeiro. Me sinto muito bem lá, e me abate uma sensação tão boa que não dá vontade de sair nunca mais. Uma sensação de pertencimento, algo que, pra mim, é muito difícil de sentir.

Sempre me senti muito deslocada na maioria dos lugares em que eu ia. Sempre me senti muito diferente de todo mundo. Talvez por ter estudado onde estudei. Não sei, mas tenho uma teoria de que pessoas que estudaram em colégio como o meu (Cap. da UFRJ) ou o Pedro II tem uma cabeça um pouco diferente. Tanto no Cap. quanto no Pedro II, há uma diversidade muito grande. E você se acostuma com isso. E esses colégios promovem muito a discussão de assuntos diversos, principalmente cultura e política. E você cresce assim, curioso com o mundo, querendo saber um pouco de tudo, querendo falar de cultura, querendo aprender um bando de coisa nova, e é uma tendência (claro que não são todos os alunos, mas muitos) em colégios assim, pelo menos no Cap. (ou pelo menos as pessoas da minha turma), os alunos puxarem mais para o lado de humanas, e se interessarem por cultura, história, política, línguas, e coisas do tipo. E eu sou apaixonada por tudo isso (menos política, admito), e as pessoas com quem convivi da 1a série do 1o grau (quando eu tinha apenas 7 anos) até o terceiro ano também. A primeira vez que entrei em um cinema do grupo Estação foi com minha turma do colégio, e fazia parte da minha aula de história (fomos ver Tiros em Colombine, do Michael Moore, pra depois falar sobre isso em sala). Tudo era motivo para conversarmos e discutirmos, em aula. É um colégio que mexe com seu raciocínio, com seu poder de questionar e pensar, e também de querer saber sempre mais, e sempre ir em busca do novo, do diferente. Então, no Cap, eu me sentia em casa. PS. Estudantes do Cap. eram assíduos frequentadores dos cinemas do grupo Estação.

O Estação.

O Estação.

Quando fui pra faculdade, já não me sentia mais tão acolhida quanto no Cap. As pessoas eram super mente aberta, como as pessoas do Cap.? Sim. E isso era maravilhoso. Também encontrei pessoas abertas a discussões, que amavam ser estimuladas mentalmente. Mas tinham certos aspectos que eu não gostava, e eu também não era muito como eles, pessoas que gostavam de sair à noite, beber e usar algumas drogas. O que fazia eu não sair tanto com eles. Mas eu fiz minhas amizades na faculdade, pessoas como eu e que amavam cultura como eu, mas não eram amantes da noite. Mas, mesmo não me dando tão bem com a maioria da galera da faculdade, eu adorava as conversas filosóficas, as pessoas totalmente diferentes umas das outras, pessoas que não seguiam padrões e viviam suas vidas sem ligar para o julgamento da sociedade. Pessoas frequentadoras do grupo Estação (hehe).

Mas quando saí da faculdade e comecei a frequentar mais  “mundo real” e sair desse meu grupinho de pessoas “pra frentex”, como diriam meus pais, foi um choque. Percebi que o mundo não era tão culturalmente rico e curioso e nem mente aberta quanto eu estava acostumada. E comecei a me sentir totalmente um peixe fora d’água (o que fez eu desenvolver um sistema de defesa por ser olhada com estranheza por várias pessoas, mas isso é outro assunto), com meus gostos diferentes, roupas diferentes, jeito de falar diferente, prioridades diferentes. Eu não era o que as pessoas esperavam de mim, ainda mais porque eu tenho uma aparência delicada, de menina boazinha e meiga.

Comecei a perceber que a maioria das pessoas achava filme francês chato (quando tinha visto algum) e que não sabia quem era Alejandro Iñárritu (meu diretor preferido), e muito menos quem era Guillermo Arriaga (roteiristas, sempre esquecidos…). E me consideravam pedante e me metida quando eu falava dessas coisas que eu gostava, achando que eu queria mostrar que eu sabia mais que todo mundo quando, na verdade, eram as coisas sobre as quais eu sempre conversei até então. Então, fui me fechando e tentando me adequar a esse novo mundo. O que não me faz assim muito bem porque, todos sabem, é péssimo você ter que reprimir seu verdadeiro “eu”.

E por isso é tão bom estar no Estação Rio, o lugar que passei tantas tardes da minha vida, escrevendo, tomando um café, e claro, abrindo ainda mais minha mente com seus filmes. O lugar onde sinto que posso ser eu mesma. Um lugar cheio de diversidade. O lugar onde há tantas pessoas parecidas comigo e que entendem meu fascínio por cultura e filmes “alternativos”.

Um dos filmes "alternativos" que em breve estará em cartaz no Estação - e que quero muito ver!

Um dos filmes “alternativos” que em breve estará em cartaz no Estação – e que quero muito ver!

Claro que hoje conheço outras pessoas com o mesmo fervor por conhecimento, cultura e tudo que existe de diferente que eu. Claro que tenho pessoas com quem trocar informações e conversar sobre filmes do mundo todo e que eu se falar sobre o Iñarritu saberão quem é, eu casei com uma pessoa assim também (porque, se ele não fosse assim, eu não teria casado com ele, claro). Mas eu ainda me sinto flutuar toda vez que entro no Estação Rio, esse lugar tão cheio de memórias boas. E espero que essa sensação não passe nunca.

PS. Escrevi esse texto quando estava no Estação Rio e, logo após terminar de escrever, entraram umas crianças, infectando meu lugar favorito com gritos e correrias e o meu coração de raiva e vontade de estrangulá-los.

E vocês? Qual o lugar favorito na cidade de vocês? Por que? Conte pra mim nos comentários, adoro saber essas curiosidades! E não esqueça de seguir o blog!

Beijos!

Pra ir: Restaurante Forneria Santa Filomena

Fui num lugar fodérrimo hoje!

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Fomos comemorar o aniversário de uma tia minha e combinamos de ir ao Aconchego Carioca, na Praça da Bandeira. Chegando lá, a fila estava imensa e o calor idem, portanto decidimos não ficar por lá – e ir atrás de um restaurante vazio e com ar condicionado. Não demos nem dez passos e vimos uma plaquinha escrito: Santa Filomena. Pensamos: “Vamos lá ver, né, não custa nada.” E ainda bem que fomos. A casa já é uma fofura, e entrando fui achando tudo cada vez mais fofo. Tudo bem colorido, com espelhos nas paredes de cores fortes e móveis charmosos. E, da porta, dava pra ver o lado de dentro e vi as bolinhas coloridas na parede do salão principal e pensei na hora: quero comer aqui. Ainda bem que a família toda aceitou porque tinha ar condicionado!

A entrada do restaurante

A entrada do restaurante.

Decoração do Santa Filomena.

Decoração do Santa Filomena. 

Lá dentro, vi que tudo era ainda mais lindo e fofo do que eu tinha achado na porta. Eles usam móveis e objetos do tipo que se usava antigamente, como coadores de café de pano, e você se sente totalmente em casa por causa disso. Dá um clima super aconchegante. No site deles, explicam que é essa mesma a intenção: ” Servimos comida afetiva, aquela que nos traz boas memórias, e nos faz fechar os olhinhos, mas modernizada pela nossa cozinha. Em todos os detalhes é possível notar a mão humana, o artesanal, e o carinho com que produzimos. Da fachada ao assento, e principalmente nos pratos, a nossa vontade é que você se sinta bem, e que a experiência do gosto seja completa.” E nossa, como tudo faz mesmo você fechar os olhinhos.

Raphael e os coadores de  café. O café é feito na hora e na sua xícara.

Raphael e os coadores de café. O café é feito na hora e na sua xícara.

As canequinhas fofas e com cara de antigamente.

As canequinhas fofas e com cara de antigamente.

O atendimento foi maravilhoso. A garçonete era muuuuuuuuuuuuuuuuito simpática e atenciosa. Ela até trouxe pra gente um chá, que é de produção própria, pra todo mundo provar, totalmente “de grátis”! Achei isso muito legal. Além do chá de fabricação própria, eles também tem um mate e um refrigerante feitos nos restaurante. O mate é com canela, e esse foi o único motivo pelo qual pedi o chá preto com limão e não ele, porque não suporto canela. Mas meu pai pediu o mate e adorou. Raphael pediu o refrigerante artesanal, que é de tamarindo com limão. Provei e achei refrescante, mas não tomaria a jarra inteira. De bebidas eles também tem as coisas de sempre (sucos, refrigerantes etc), e também cervejas “gourmet”, dessas que todo mundo anda bebendo (e que não entendo nada porque não bebo). Cerveja foi outra coisa que a garçonete trouxe num copinho pra gente provar de graça. Mas não gostei nem um pouco. Talvez porque não goste de cerveja.

O refrigerante e o mate - com gás - deles.

O refrigerante e o mate – com gás – deles.

Eles tem diversas opções de entradas, e pedimos quase todas! Eu e Raphael pedimos bruschettas (eu de cogumelo, ele de linguiça com cebola caramela), minha mãe pediu um couvert que vem com pão, pastas e linguiça, e minha tia pediu um mix de empadas abertas. Você pode pedir essas empadas por unidade ou nesse mix, que vem uma de cada sabor. Provei a de carne seca com catupiry e era deliciosa! Aliás, as bruschettas também podem ser pedidas por unidade, meia porção (3) ou porção inteira (com 6). E puta que pariu putz grila, que bruschetta deliciosa! Quase fui ao céu quando dei a primeira mordida na minha. Tava tão boa que até cogitei fazer meu almoço só de bruschettas variadas, mas me convenceram a pedir um dos pratos que fiquei de olho. E ainda bem que me convenceram porque também estava divino! Comi um risoto de abóbora com manteiga de alho negro que, por sinal, nunca tinha ouvido falar na vida. Não dava pra sentir muito o gosto da manteiga de alho negro, mas ainda assim o risoto estava perfeito! Eu sou mega fã de abóbora e acho difícil alguma coisa feita com ela ficar ruim, então talvez seja suspeita pra falar, mas realmente achei um dos melhores risotos que já comi na vida, e olha que já comi vários risotos!

O couvert e as bruschettas.

O couvert e as bruschettas.

Meu pai, Raphael e a aniversariante dividiram uma feijoada que, claro, eu provei. Nossa, muito boa, e olha que nem gosto de feijoada! Mas é que ela não tinha cara daquelas feijoadas pesadas, e de fato não estava. Provei também a farofa que vinha junto e a couve, ambas deliciosas. Também acompanhava um arroz que, a medida que acabava, eles traziam mais (sem cobrar extra) e uma porção de linguiça). E tudo vinha numa panelinhas pequeninas foférrimas que deixava tudo mais gracioso. Adorei! Esses restaurantes que capricham nesses detalhes sempre ganham pontos comigo. Como no final ninguém conseguia comer mais sobremesas, por ter enchido as panças de comida, pedimos somente um café, que foi filtrado num filtro de pano e em cada xícara separadamente. Ah! Minha tia pediu um brigadeiro de caneca que era de chocolate belga com farofa de castanha do pará que, obviamente, eu provei. E gostei. Mas dispensaria a farofa de pará.

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Como tudo lá era bonitinho, eu tinha certeza de que o banheiro também seria, e levei meu celular pra tirar foto de lá. E de fato era, e tirei fotinhos pra vocês comprovarem a gracinha que era. Olha só e veja se não concorda.

collageMovelzinho onde ficavam os coadores de cafés. Lindo, lindo, lindo. E eu sei, nada a ver com o banheiro.

Movelzinho onde ficavam os coadores de cafés. Lindo, lindo, lindo. E eu sei, nada a ver com o banheiro.

Pra resumir, tô apaixonada pelo lugar e quero voltar logo. Já vi no site (clique aí do lado pra entrar no site também) que eles tem pizzas e sanduíches à noite, então com certeza vou sugerir aos amigos pra irmos lá algum dia. Já é um dos meus lugares favoritos dos últimos tempos por causa do ótimo atendimento, comida super saborosa e clima aconchegante. Amei!

Meu pai fazendo palhaçada na entrada do restaurante. Essa é minha família (e eu amo muito!).

Meu pai fazendo palhaçada na entrada do restaurante. Essa é minha família (e eu amo muito!).

Endereço: Rua Santa Filomena, 10 – Praça da Bandeira
Telefone: 3518-2053
De 12 às 23:00, de terça a sábado
Domingos de 12:00 às 22:00