Filmes: Boyhood

Olá criançada, o Bozo chegou! Não, na verdade foi só a Livia mesmo e vim aqui para falar de mais um filme indicado ao Oscar que assisti.

Pôster do filme.

Pôster do filme.

Antes de tudo, preciso dizer que não tem como esse filme não ganhar o Oscar de Melhor Filme. Como acho que já havia dito por aqui, um filme que foi gravado durante 12 anos com os mesmo atores, acompanhando suas evoluções, tanto físicas quanto profissionais, não tem como passar batido pela Academia. É ousado demais para não ganhar e, sinceramente, se outro filme sair com a estatueta de Melhor Filme, eu desacredito de vez no Oscar.

Porém, contudo, todavia, antes que comece a desfiar meus comentários mais profundos sobre o filme, vamos à sinopse: O filme conta a história de um casal de pais divorciados (Ethan Hawke e Patricia Arquette) que tenta criar seus filhos (Ellar Coltrane e Lorelei Linklater) . A narrativa percorre a vida do menino durante um período de doze anos, da infância à juventude, e analisa sua relação com a família conforme ele vai amadurecendo. (sinopse retirada do site Omelete, porém modificada um pouco por mim)

Os 4 atores principais do filme e o diretor, Richard Linklater, de jeans e camisa preta.

Os 4 atores principais do filme e o diretor, Richard Linklater, de jeans e camisa preta.

Como falar do filme sem estragar tudo para os que não viram? Eu já acho que colocar a foto das crianças já crescidas é um mega estraga-prazer! Mas, na verdade, tudo que é preciso saber é que é um filme sobre a vida em si, e como, muitas vezes, por mais que tentemos, não conseguimos alterar a trajetória das nossas vidas facilmente. Essa, pela menos, é a premissa da vida da mãe de Mason e Samantha (as crianças), que só se ferra, coitada. Mason, em quem o filme é focado, já tem oportunidade de fazer tudo um pouco diferente, apesar de muitas vezes ser levado pela vida pelo simples fato de que não tem idade para escolher muita coisa. Gostei muito de uma crítica que li no site Omelete (mais uma vez ele, sim, eu gosto muito do site, e do canal, e de tudo deles), que dizia que o filme “é menos sobre a história de um menino, e mais sobre o passar do tempo, sobre coincidências, sobre como a vida de todos nós daria, sim, um filme”. E é exatamente isso, é um filme que mostra a vida como ela é, sem extrapolar para o muito dramático ou para a comédia, mas um filme real. Não dava pra se esperar menos de um filme que foi gravado quase que no tempo real.

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As etapas da vida do menino Ellar Coltrane, intérprete do personagem central do filme, Mason.

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Lorelei Linklater, a Samantha, irmã de Mason, do início ao fim das filmagens.

O filme, aliás, foi gravado em um total de 39 dias espaçados em 12 anos, em uma média de 3 ou 4 dias de filmagem por ano. E eu não consigo parar de pensar como foi esse processo para as crianças. Porque os adultos já eram pessoas formadas, já eram adultos, já sabiam que queria fazer isso como profissão. Mas, e as crianças? Pensei se elas, em algum momento, não quiseram desistir ou pensaram que não era aquilo que queriam fazer pelo resto de suas vidas. Elas passaram pelo período mais sombrio e cheio de dúvidas durante as gravações, que é a adolescência. Será que eles não questionaram tudo isso? Talvez por gravarem tão pouco tempo em cada ano essas dúvidas não tenham surgido, mas se surgiram, como será que lidaram com isso? Enfim, isso não tem nada a ver com a qualidade do filme, mas eu sempre me vejo a voltas com questionamentos desse teor.

(trailer oficial do filme)

Bem, mudemos de assunto antes que vocês mudem de blog! Eu gostei do filme porque é um filme leve, apesar de tudo, onde você vê a vida como ela é. Confesso que não prestei muita atenção em aspectos técnicos, mas pelo que conheço de Linklater, esses aspectos nem são o foco dele como diretor. Ele sempre tenta fazer filmes que façam você pensar, questionar a vida e refletir (vide Waking Life, filme maravilhoso, e a trilogia Antes do…), e nisso ele acertou em cheio.

Ethan Hawke, bem novinho no início do filme, com seus "filhos" Ellar e Lorelei.

Ethan Hawke, bem novinho no início do filme, com seus “filhos” Ellar e Lorelei.

Não tenho muito mais o que falar e percebi que foi a pior resenha de filme que já fiz! hahahaha Mas realmente Boyhood é um filme para ser visto, e não falado. Mas como ninguém consegue falar melhor do filme quanto o próprio diretor, deixo vocês com um relato de Richard Linklater. E até a próxima!

“Eu queria mostrar os momentos de amadurecimento que vemos nos filmes, mas numa produção só. Queria capturar como lembramos da vida, como o tempo passa. Não queria uma história dramática, às vezes há momentos dramáticos no filme, como acontece em nossas vidas, mas não é assim na maior parte do tempo. Tentamos ser o mais próximos possível da realidade.”

Patricia Arquette, que interpreta a mãe, em cena com as crianças.

Patricia Arquette, que interpreta a mãe, em cena com as crianças.

Ah! Um pequeno PS. Vocês já devem ter percebido pelo sobrenome, mas Lorelei Linklater, que interpreta Samantha, é filha do diretor, Richard Linklater. Segue um vídeo onde Richard diz como foi dirigi-la no filme.

Preciso comentar também como achei fantástico sermos localizados no tempo pela música. Podemos perceber exatamente o período temporal em que estamos por causa da música que toca ao fundo. E a trilha sonora é realmente demais!

Por algum motivo que meu consciente desconhece, achei essa foto linda e tive que colocar aqui.

Por algum motivo que meu consciente desconhece, achei essa foto linda e tive que colocar aqui.

2 comentários sobre “Filmes: Boyhood

  1. Pois eu achei a resenha muito boa!
    E posso falar porque assisti ao filme também e até então não tinha conseguido definir direito o que tinha achado dele, mas lendo seu texto agora me identifiquei com suas opiniões. Só não sei se concordo que mereça o Oscar, mas talvez ganhe por conta de ser um projeto diferente e que ao mesmo tempo agradou ao público, e eles costumam vangloriar isso… enfim, veremos!

    Beijo!

    Clá

    • Poxa, que bom que achou boa a resenha! Eu, lendo novamente aqui, só achei pior! hahahahaha Obrigada!

      Sobre ganhar o Oscar, acho que deva ganhar o prêmio por causa do projeto mesmo, de filmar por 12 pra mostrar a realidade do crescimento, do amadurecimento que, de algum jeito, fica à mostra na atuação. É por isso, e nem pelo filme em si, porque a história é a história de uma vida, sem muito frufru. Como eu disse, nada especial tecnicamente, só a ideia (e execução) de um projeto tão ousado já merece Oscar, na minha opinião.

      Beijão!

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