A (nem sempre) deliciosa vida de Nina – Episódio 4

É Vida, Renato se mudou mesmo. E agora a casa tá uma bagunça. Eu não lembrava dele ser tão bagunceiro. Acho que tudo muda quando você mora com alguém, né? Por isso eu nunca quis morar com amigos porque sabia que na hora que dividíssemos o mesmo teto, tudo mudaria. Mas é diferente com ex-namorado, não tem a pressão de ter que continuar a relação, até porque ela já se perdeu mesmo. O negócio é só dividir as contas e se rolar uma amizade, ótimo! Estou me contradizendo em relação ao meu último texto? Pode ser. Mas, bem, as pessoas são assim, mudam o tempo todo – exceto as que não mudam.

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Agora ele tá lá, no quartinho que até dois dias atrás era minha biblioteca, jogando videogame. Nunca entenderei o fascínio pelo videogame. Qual a graça de se passar dias e mais dias jogando o mesmo jogo? É diferente de jogo de tabuleiro, que você só joga de vez em quando e sempre com mais gente, que é o que deixa a coisa toda divertida – ver as pessoas perder. Porque se não for pra ganhar, por que jogar? Outra coisa que não entendo no videogame: se você tenta uma, duas, três vezes e não consegue fazer a porcaria do bonequinho andar e olhar pra frente ao mesmo tempo, por que continuar? Mas enfim, I digress.

Pra falar a verdade, pra ser bem sincera mesmo, tô morrendo de medo dessa nova configuração de vida. Eu tô morando com meu ex-namorado. Meu ex-namorado! O que eu estava pensando quando falei “tenho uma ótima ideia, por que você não divide o apartamento comigo?” Sabe no que eu tava pensando? Em nada! Certamente não em todas as implicações e complicações que podem acontecer a partir do momento que você divide o mesmo teto que seu ex-namorado. Não, eu não sinto mais nada por ele romanticamente falando. Mas será que vou gostar de vê-lo com outras garotas? Porque com certeza vão rolar outras garotas, ele não foi castrado. Será que vou gostar de ouvir o que ele vai fazer com as outras garotas no quarto ao lado? Porque rola um certo orgulho, algo do tipo “como você pode ter me esquecido?”. Não tem nada a ver com possessividade, igual a cascavel, é questão de orgulho mesmo. De pensar que aquela pessoa já te amou imensamente, que você era tudo na ida dela, e agora ela te esqueceu, você não é nada pra ela. Isso mexe com o ego. Ainda mais porque não anda rolando nada muito empolgante nesse aspecto da minha vida. Se pelo menos estivesse, eu podia jogar na cara: “Olha só, eu também nem penso mais em você.” Apesar de eu realmente não pensar, ele precisa saber que eu não penso! Ai Vida, eu tô ficando maluca de novo, não tô? E eu achando que eu tinha me transformado numa pessoa mega centrada… Mas, como eu disse, as pessoas se transformam, certo?

Ai, pera aí que ele tá me chamando pra jogar videogame com ele. E eu mal posso esperar pra acabar com ele em… seja lá o nome do jogo chato que ele está jogando.

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Nina.

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