A (nem sempre) deliciosa vida de Nina – Episódio 6

Mamãe do céu, Vida, você não sabe o que aconteceu! Vou te contar! Deixa eu te contar? Pois bem, te conto.

Lembra que semana passada eu tava falando que a gente tem que ser quem a gente quer ser, que tem que fazer o que a gente quer fazer, que tem que dizer um foda-se bem grandão pros outros (sem ser mal educada, tá) caso eles não consigam entender o que você tá a fim de fazer? Então, Vida, eu disse um foda-se bem grandão pra tudo – e até pra mim – e fiz vuco-vuco com Renato.

Eu sei, eu sei!!!!!!!!! Eu fiz exatamente o que pouquíssimos dias atrás eu disse que não faria, que eu tinha certeza ter aprendido com a vida (você) que era errado fazer, que eu sabia ser um erro. Mas pessoas sábias e evoluídas espiritualmente também tem vontades, e tá tão difícil sair pra conhecer alguém (sabe, sem emprego, sem grana), e ele tava logo ali no quarto ao lado e eu tinha visto um videozinho pornô na internet… Não me aguentei. Não deu. Ou melhor, dei.

Não, eu não estou orgulhosa de mim. Mas também não sei se estou arrependida. Pelo menos, não 100%. Talvez amanhã eu me arrependa. Talvez eu me arrependa quando Renato achar que isso vai ser algo constante e tente novamente – e eu não consiga dizer não aos seus pedidos. Mas hoje, hoje ainda não estou arrependida. Porque foi bom, né? E eu tava precisada. Ah Vida, muito tempo sem um tchaca na butchaca, sem um corpo junto do meu, sem um abraço, uma pegada mais forte, a gente sente falta. No começo é fácil. No começo, eu pensava “Ah, por que minhas amigas reclamam tanto de falta de sexo? Nem é tão necessário assim, dá pra passar sem tranquilamente”. Mas o tempo vai passando, meses, anos, você não conhece outro homem, pelo menos não um que você ache válido se entregar desse jeito ou que você conheça ou confie nos hábitos higiênicos. Aí vai dando aquela esquentada na piriquita (desculpa o termo, Vida, mas acho que podemos não ter frescuras porque, afinal, você é minha vida), e apesar de você ter seus truques para aliviar, não é a mesma coisa que ter um corpinho pra chamar de seu. Aí você acaba cedendo pro corpinho que você já chamou de seu um dia, que você conhece as fraquezas (carinho na coxa dá cosquinha) e as delícias (já a orelhinha…) e ele conhece os seus (bem, quase tudo), que já sabe como é seu corpo e não vai arregalar aquele olhão quando descobrir a manchinha ali, bem na saboneteira, e que ainda sabe fazer uma massagem daquelas. Desculpe Vida, mas não tem como resistir. Muito menos depois de assistir vídeo erótico!

Então Vida, me processe, me julgue, faça o que quiser, mas foi o que aconteceu. E tô me sentindo até mais leve, pra falar a verdade (também, depois de duas vezes seguidas chegando no clímax, como não?). E agora estamos aí… esperando pra ver qual vai ser o próximo passo. Que eu espero que ele entenda que seja continuar agindo do mesmo jeito que estávamos antes.

Mas eu tô desesperada achando que isso não vai acontecer.

Da sua,

Nina.

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