A (nem sempre) deliciosa vida de Nina – Episódio 7

Vida, tenho que falar rápido e baixinho porque tô escondida. Escondida nas cobertas da minha cama. Bom que o tempo tenha esfriado, que o outono tá chegando de vez, porque me deu uma desculpa pra me enfiar debaixo das cobertas e não sair dali mais – pelo menos não enquanto Renato tá em casa.

Eu não sei como lidar. Não sei, não sei, não sei. A gente acha que o tempo passa, a gente cresce e amadurece e aprende a viver as situações complicadas, mas isso não é verdade! Mas a culpa é toda minha, não é Vida, que fui inventar de transar com um ex meu que mora somente no quarto ao lado! Ai Nina, e você aí, pensando que já era adulta, que estava sábia, que podia sair por aí espalhando ensinamentos. Vai ver isso aconteceu exatamente pra eu baixar um pouco minha bola. Eu aconteci, né, já que a atitude foi minha, a escolha foi minha de ir na porta vizinha e pedir um cantinho pra mim. Realmente não sei o que fazer. Eu não posso passar o resto da minha vida trancada no quarto em baixo do lençol. Ou posso?

gatinho-escondido

Eu saí, Vida. Aproveitei que escutei a porta bater e tirei meus pézinhos da cama, um de cada vez, suavemente. Devagar caminhei até a sala, nenhum sinal de viv’alma. Dei um suspiro, ainda bem, Vida, ainda bem! Eu, de camisolão e meia de bichinho, fui até a cozinha pra pegar um copo de leite quente. Morno, quente de verdade não gosto. Eu já estava voltando pro quarto quando dei de cara com ele. Susto. O copo quase foi ao chão.

– Leite morno? – ele perguntou, mostrando que ainda lembra. Dando sinais de que aquilo de noites passadas merece uma repetição, certeza que ele pensava isso.

– É. – respondi, já indo embora.

Mas ele parou na minha frente. Ou pelo menos pareceu. Ou pelo menos foi o que entendi. Parou na minha frente porque queria de novo, ia tirar o copo da minha mão, jogar no chão sem nem ligar para os cacos de vidro (apesar de saber que bagunça me enlouquece), me puxar pelo blusão e apertar minha bunda por baixo dele. Eu sabia, eu tinha certeza, meu coração até disparou por causa disso. Ai, mamãe santinha, não faz isso comigo!

Fechei os olhos, já esperando sua mão quentinha, já esperando seus lábios contra minha pele, já esperando aquele aperto que só ele sabe dar, já esperando…

– Sobrou leite? Tava a fim também. – ele disse, antes de passar por mim e ir em direção à geladeira.

Abri os olhos, vermelha por completo, ainda suando, ainda tremendo (o leite até respingou no chão).

– Aham, tá na porta. – foi o que respondi antes de correr de volta pro meu quarto.

Ai, Vida, como lidar? COMO?

Nina. 

2 comentários sobre “A (nem sempre) deliciosa vida de Nina – Episódio 7

    • A Nina com certeza espera que o amadurecimento chegue rápido pra ela! hahahaha
      Obrigada pelo comentário! E depois dá uma olhada (se te interessar) nos outros episódios da Nina por aqui.
      Beijos!

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