A (nem sempre) deliciosa vida de Nina – Episódio 9

(antes de ler esse episódio, leia o anterior, clicando aqui. eles são interligados)

Então Vida, segui os dois até o quarto. Não Vida, eu não sou vouyer, eu não ia assisti-los enquanto eles… Bem, você sabe. Mas minha curiosidade é maior do que qualquer bom senso, então fui atrás e espiaria até começarem as atitudes suspeitas.

Me senti ridícula do lado de fora da porta de Renato, ouvindo. Sim, ouvindo, porque ao contrário dos filmes, aqui é vida real, e ele fechou a porta. Sempre fiquei pensando quando via essas cenas em filmes, seriados, ou até quando lia em livros, como a pessoa tinha sido estúpida o suficiente para deixar a porta aberta. Renato não foi estúpido. Mas isso não me removeu do meu plano – se é que se pode chamar de plano uma ação realizada totalmente por impulso.

Tenho que dizer que nunca me senti tão não-eu quanto no momento. E na hora me veio a lembrança da ex do Renato que foi o motivo da nossa separação. Ficar ao lado de uma porta fechada, sabendo que lá dentro está rolando sexo e tentar ouvir qualquer fiapo de gemido (ou qualquer outro som) que pudesse vir a sair disso, e por um sutil ciúme era atitude dela, não minha. Será que agora que está morta ela entrou no meu corpo? Minutos depois de começar meu plano, o abortei e voltei para o meu quarto.

Percebi que estava sendo possessiva com uma pessoa que nem sequer era minha mais. Nunca foi, aliás. E me achei ridícula. Imatura. Imbecil. Idiota. Insensível. Ah não, insensível não. O que eu tinha que fazer era me recolher ao meu canto e aprender a lidar com um sentimento de solidão que eu vinha negando sentir. Sim, porque essa loucura toda por renato era isso, era solidão. Isso e o fato de que nosso término foi um péssimo término, sem o fim de um sentimento, mas por total indisponibilidade de estar numa situação complicada como era a minha com ele, sua mãe e sua ex. Eu não queria fazer o mesmo para essa garota nova que, aliás, era super simpática, caso eles começassem um relação mais duradoura. O problema não era com eles, era comigo. Eu que tinha que enfrentar sentimentos e pensamentos que eu fingia não ter fazia muito tempo já. Eu quero ter alguém, eu preciso de alguém, eu não gosto de ser sozinha – apesar de adorar fazer coisas sozinha e não depender de ninguém. Dúbio, né? Pois é, o ser humano é complexo mesmo.

Mas uma coisa foi boa nisso tudo. Eu percebi que estou mesmo mais madura – mesmo precisando ter uma atitude mega hiper super ultra infantil para perceber.

Nina.

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