Do que você precisa?

Acabei de ver um filme do Woody Allen chamado A outra (ou Another woman, no original) e uma frase me pegou de jeito. Tão de jeito que não consegui parar de pensar nela desde o momento que a ouvi.

“I do need something. Only I don’t know what it is exactly.” (“Eu preciso de alguma coisa sim. Só que não sei do que exatamente”, em tradução livre)

Não sei vocês, mas é exatamente assim que me sinto! EXATAMENTE!

Eu sempre achei que fosse ser aquela pessoa que faria muito sucesso quando “crescesse”. Sabe, você cresce sendo filha única, todo mundo te diz que você tem inúmeros talentos, que tem muito potencial, que com certeza você terá um futuro brilhante. Só que a realidade acontece, você chega aos 30 anos e não é nada daquilo que você previu. Confesso, muito disso foi culpa minha. Eu sempre achei que, por ser muito talentosa, as oportunidades apareceriam na minha frente como mágica e em pouco tempo eu seria super bem sucedida porque não é isso que acontece com pessoas talentosas? Elas simplesmente acontecem? Voam? Brilham? Não, queridinhos, não é bem assim, e ha uns cinco anos atrás, mais ou menos, percebi isso. E comecei a me movimentar. Mas as coisas nunca parecem sair muito do lugar. Eu tenho dois livros publicados? Tenho. Isso é algo raro? É. Fico super feliz com isso? Fico. Mas quem leu mesmo os meus livros além da minha família? (porque nem amigos posso contar que tenham lido) Conheço poucos. E eu esperava mais. E eu queria mais pra mim. Ainda quero, porque sei que posso. E continuo tentando.

“Mas Livia, o que isso tem a ver com a frase do filme?” Tem a ver que talvez o motivo por eu não ter chegado “lá” ainda seja porque eu não sei bem o que quero. Eu tenho uma ideia. Sei do que não gosto, o que já é meio caminho andado pra escolher algo. E sei do que gosto que, infelizmente, são muitas coisas, o que me faz não me focar muito em nada. Ultimamente, tenho focado na minha escrita, apesar de no Brasil ser difícil viver de livros. E no blog. E no meu canal. E tenho colocado em prática projetos paralelos também, como minha lojinha de cadernos e outras ideias que ainda não estão tão concretizadas para falar por aqui. Ou seja, eu tenho me movimentado, tenho me mexido, apesar de muitas pessoas acharem que não (e eu sei que muitas pessoas acham que não). E por muitas pessoas acharem que não, me sinto péssima. Se fossem pessoas aleatórias, eu não teria problema nenhum com o que pensam sobre mim (mentira, mas vamos fingir que é verdade), mas são amigos próximos. E isso me entristece. E me faz pensar se não tá na hora de esquecer os sonhos e as coisas que gosto pra fazer, trabalhar em qualquer coisa que me sustente. E aí entra esse filme maravilhoso de novo.

Marion: E então disseram que eu ficaria traumatizada ao chegar aos 50, e eles estavam certos. Vou falar a verdade, acho que nunca me recuperei desde que fiz 50 anos. Hope: Ah, mas poxa, 50 não é tão velha assim. Marion: Não, eu sei, mas é que... De repente, você olha e vê como sua vida está. Hope: Sua vida é boa, não é? Marion: Bem, eu achava que sim. Mas aí tem as chances que passaram e você não pode mais recuperá-las.

Marion: E então disseram que eu ficaria traumatizada ao chegar aos 50, e eles estavam certos. Vou falar a verdade, acho que nunca me recuperei desde que fiz 50 anos.
Hope: Ah, mas poxa, 50 não é tão velha assim.
Marion: Não, eu sei, mas é que… De repente, você olha e vê como sua vida está.
Hope: Sua vida é boa, não é?
Marion: Bem, eu achava que sim. Mas aí tem as chances que passaram e você não pode mais recuperá-las.

O filme é sobre uma mulher de 50 anos que se vê desanimada com sua própria vida e repensando tudo que fez pra chegar até ali e se o rumo que está tomando é mesmo o que ela quer tomar ou se somente um resultado de situações que a levaram sem querer – e sem ela escolher muito – até ali. Marion, a mulher em questão, acabou fazendo escolhas que eram “certas” na visão da sociedade e até na visão equivocada que ela tinha do mundo, mas que não a satisfaziam. E isso me fez pensar muito na minha situação atual. Será que é preciso desistir dos meus sonhos? Será que é mais importante ganhar dinheiro do que ser feliz? Fazer qualquer coisa pra conseguir pagar contas de casa e, lá no fundo, me sentir angustiada e infeliz é realmente viver? Ou só sobreviver? Eu quero viver ou sobreviver? Estou vivendo ou sobrevivendo? (uma pergunta que me faço constantemente) E o que é viver pra mim? E como viver de verdade? São tantas perguntas que seguem sem respostas, mas essa, que Marion se pergunta e eu também, “é melhor ganhar dinheiro e viver infeliz ou se ferrar e ser feliz”, tem uma resposta muito clara na minha cabeça. Na verdade, no meu coração, porque minha cabeça continua me dizendo que é precisa pagar contas.

Mas eu sei que não quero olhar pra trás, vinte anos pra frente, e pensar que só tenho arrependimentos. Que eu devia ter escolhido o caminho pra minha felicidade, e não me contentado com qualquer empreguinho ou qualquer outra coisa furreca só pra me enquadrar nos padrões sociais ou no que os outros esperam de mim. Então vou tentando construir minha felicidade como dá, mesmo aos poucos, mesmo devagar, mas com muita convicção e dedicação. E tentando me descobrir cada vez mais.

*desculpem-me pelo teor de desabafo do texto, mas ele precisava sair, senão eu ia pirar.

Sem título2

_________♥_____________♡________

Segue eu!

Facebook * Twitter * Instagram * YouTube

Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

1535031_10202135446521247_1053149576_n1

2 comentários sobre “Do que você precisa?

  1. Gostei muito do post e me identifiquei! Muitas vezes me pego perguntando a mim mesma se esse é o rumo que minha vida deveria tomar. Eu não sei o que quero e essa é minha única certeza, pois nem mesmo sei que concurso tentar, para que área… E no meu espelho tem a seguinte frase, para me lembrar todos os dias: o que você gostaria de estar fazendo AGORA? Também fiquei curiosa para ver o filme. Tem no netflix? Risos. Beijos!

    Michelle
    http://keysha.blogspot.com

    • Querida, que felicidade ver seu comentário aqui! E não sabia que você pensava assim, temos que conversar sobre isso. E adorei a frase! 🙂
      Tem no Netflix sim o filme, foi por lá que assisti.
      Beijo!!!!!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s