Castelo Rá-Tim-Bum e Ausência

Oi Pessoas, quero me desculpar pela ausência por aqui, mas é que as coisas não estão fáceis. As coisas não tem sido fáceis. 2015 foi um ano que vou te contar, seria melhor que não tivesse existido. Não que não tenha acontecido coisas boas. Aconteceram, principalmente no quesito amizade. Mas nesse quesito, amizade, também aconteceram coisas bem ruins que não convém comentar por aqui. Mas, pra resumir, não foi um ano fácil em nenhuma área. Não foi um ano bom nem pro Brasil, e isso, obviamente, repercute na vida dos que aqui moram também. Não sei onde você mora, mas aqui no Rio tá difícil conseguir emprego, e estar desempregado quando se é recém-casado e recém-saído da casa dos seus pais não é uma coisa fácil, muito menos satisfatória, e muito menos tranquila, e dá uma sensação imensa de fracasso, sabe? Porque uma área afeta a outra que afeta a outra, e quando você vai ver, tá tudo bem ruim e parece que você não sabe fazer nada direito.

E aí dá desânimo, e aí você fica parada esperando todo esse caos sumir como por mágica, mas aí você lembra que não vai sumir por mágica, você que tem que resolver, e aí dá um desespero e um cansaço maior ainda do que você está sentindo por estar envolto em tantas emoções ao mesmo tempo e por sempre tentar, mesmo muitas vezes não sendo reconhecido pelos que estão mais próximos, e fracassar, e ter que tentar de novo, e fracassar, e não ter reconhecimento, e ter que enfrentar o julgamento dos outros… Enfim, é muita coisa, e por isso não tem me dado ânimo de escrever por aqui. O que é uma burrice, já que escrever me anima, mas somos todos paradoxais mesmo, não é? De qualquer jeito, peço desculpas pela ausência e prometo tentar escrever com mais frequência.

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Mas, mudando de assunto para algo (muito) mais interessante e divertido, tá rolando aqui no Rio, no CCBB, a exposição do Castelo Rá-Tim-Bum e ela está absolutamente fantástica! Eu amava Castelo Rá-Tim-Bum quando era criança, gostava tanto que quando a exposição estava em São Paulo, eu cogitei viajar só para ver (mas não rolou por questão de grana, as always). Mas ainda bem que veio pra cá, porque tá tudo incrível! Desde o momento que você passa pelas “portas do castelo”, você realmente se sente dentro dele. Eles conseguiram montar tudo de um jeito que você sente o clima do castelo e sente como se ele estivesse ali, a sua volta. Tá surreal de bom! Vou colocar algumas fotos aqui pra vocês terem uma ideia, mas já aviso que se você quiser ser surpreendido como eu fui, não as olhe e se deixe ser tomado pela energia maravilhosa do Castelo Rá-Tim-Bum quando visitar a exposição.

Ah! Me desculpem pela qualidade das fotos, mas é que foram todas tiradas de celular.

Na porta do Castelo com o Porteiro - que fala de verdade!

Na porta do Castelo com o Porteiro – que fala de verdade!

E aí você é logo recebido pelo Nino! Olha que incrível!

E aí você é logo recebido pelo Nino! Olha que incrível!

O Castelo é todo dividido pelos cômodos da casa, e, espalhados por eles, os personagens que os habitam. Como, por exemplo, o Gato Pintado na Biblioteca! E uma curiosidade incrível que eu não sabia e achei o máximo quando descobri (e está lá escrito na parede de biblioteca): o Gato era um gato de rua que andava pela região do Castelo em busca de comida e de um jornal para ler, até que foi encontrado por Nino e adotado! A partir daí, ele virou o “tomador de conta” da biblioteca. Não é lindo?

Nós na biblioteca e com o gato Pintado.

Nós na biblioteca e com o gato Pintado.

A sala do Tíbio e do Perônio vista pelo

A sala do Tíbio e do Perônio vista pelo “microscópio” deles.

Uma das salas, e a cozinha (acima), o quarto do Nino e o da Morgana (abaixo).

Uma das salas, e a cozinha (acima), o quarto do Nino e o da Morgana (abaixo).

Nas paredes, você encontra várias informações sobre a produção do programa e fotos. Coisas como desenhos dos figurinos (que também estavam lá), a montagem de cenários e fotos dos bastidores das gravações, que mostram quanto trabalho eles tiveram pra fazer o programa, quanto tiveram que se dedicar – e o quanto eles deviam se divertir muito fazendo tudo também!

Mapa do Castelo.

Mapa do Castelo.

Acima: Montagem da maquete do Castelo, identidade da Biba (curiosamente, a única identidade de personagem que havia). Abaixo: estudo do figurino da Caipora e foto dos bastidores.

Acima: Montagem da maquete do Castelo, identidade da Biba (curiosamente, a única identidade de personagem que havia).
Abaixo: estudo do figurino da Caipora e foto dos bastidores.

Os figurinos!

Os figurinos!

Mas admito que o que me deixou mais emocionada (e quase chorei) foi quando entrei no “ninho” dos passarinhos cantores. A música que a gente já sabe de cor (“passarinho, que som é esse?) toca sem parar e te leva diretamente de volta à infância. Eu, que sempre fui muito ligada à música desde criança (e principalmente na infância), amava quando passava esse quadro e ficava toda feliz quando acertava o instrumento que o passarinho estava tocando (que eu sempre achava que era o mesmo “passarinho”, mas que pessoa vai saber tocar todos aqueles instrumentos?). Então imaginem a minha emoção quando entrei no ninho deles, e mais, dentro dos ovinhos! Gente, eu parecia uma criança! Não conseguia parar de sorrir! (e pular)

Os pássaros cantores!

Os pássaros cantores!

Olha a cara de felicidade!

Olha a cara de felicidade!

Ah! E não posso esquecer de falar do nosso amigo rato, que nos ensinou a tomar banho direitinho e a nunca esquecer do pé, meu querido pé, que me aguenta o dia inteiro! Tenho certeza que até hoje você sabe cantar essa música inteirinha! (eu sei e vivo cantarolando ela por aí)

O ratomóvel do rato!

O ratomóvel do rato!

Eu a Marina na saída do rato e colocando meu rato Arry pra sair dali.

Eu a Marina na saída do rato e colocando meu rato Arry pra sair dali.

E pra quem não lembra do querido Ratinho (como não lembrar?):

Lá também tinha os bonecos originais de vários personagens, e imagina o que é ter do seu lado o personagem que você passou dias e dias da sua vida quando criança assistindo! Juro, é uma exposição sensacional e imperdível!

Os originais: o Porteiro, o Gato, o Mau (e minha amiga Priscila, que é apaixonada por ele), o Rato e os Dedinhos.

Os originais: o Porteiro, o Gato, o Mau (e minha amiga Priscila, que é apaixonada por ele), o Rato e os Dedinhos.

Adelaide e Celeste, que não eram as originais, mas merecem - e muito - estarem aqui!

Adelaide e Celeste, que não eram as originais, mas merecem – e muito – estarem aqui!

É tanta coisa fantástica que tem pela exposição que se eu ficar colocando fotos aqui, não vou parar nunca mais! Até porque tem várias partes que são interativas, e você pode tocar, mexer, abrir coisas que assistia Pedro, Biba, Zequinha, Nino abrindo na televisão… É incrível! E tem uns vídeos que ficam passando por lá que vão fazendo você lembrar de tudo e revirando sua memória e você vai ficando emocionado… E, claro, acaba cantando junto, como esse vídeo aqui:

Diz se não é impossível não cantar junto? (e cara, só agora descobri que a música é do Arnaldo Antunes e cantada por ele!) E, depois que você for na exposição, me diz se não está incrivelmente perfeita? Porque não importa qual era seu personagem preferido, ele estará lá! Os curadores fizeram um trabalho genial!

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Sala do Etevaldo, a mais lúdica de todas! (olha ele lá atrás!)

Sala do Etevaldo, a mais lúdica de todas! (olha ele lá atrás!)

Indo pro quarto do Nino!

Indo pro quarto do Nino!

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Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

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30 LIVROS EM 1 ANO – LUGAR NENHUM (NEIL GAIMAN) – LIVRO 17

Eu sempre ouvia várias pessoas falarem de Neil Gaiman. Marido falava de seus quadrinhos. Amigos falavam de seus livros. A crítica sempre falava positivamente dele. Então quando tive oportunidade de ler algo dele, não hesitei. E a oportunidade veio como um livro que meu pai pegou emprestado de um primo meu e eu roubei peguei emprestado também num dia que tava visitando a casa dos meus pais. O livro era Lugar nenhum, segundo livro do autor (em alguns lugares diz que é o primeiro, mas ele lançou uma comédia anteriormente). E eu levei pra minha casa como se não houvesse amanhã. Mas amanhã, um amanhã cheio de personagens fantásticos que imploravam pra ser lidos. Sério, eu não conseguia largar o livro e queria ler a cada segundo do meu dia.

Neil Gaiman, o criador do mundo maravilhoso de Lugar Nenhum.

Neil Gaiman, o criador do mundo maravilhoso de Lugar Nenhum.

Vamos começar falando que Neil é inglês, o que já é meio caminho andado para uma literatura de qualidade (convenhamos, tudo cultural que vem da Inglaterra é muito bom). E de fato, é. Todas essas pessoas falando bem dele não poderiam estar mentindo, né? (tudo bem que todo mudo fala bem de Chico Buarque e eu não gosto dele, mas enfim…) Mas admito que o livro é totalmente diferente do que eu esperava. Pode ter sido falta de pesquisa minha, mas a história tem um quê (um muito, na verdade) de fantasia que eu não esperava que tivesse. Personagens que não existem no “mundo real”, animais que falam (fiquei muito feliz de os ratos serem muito importantes na história, ando com uma paixão louca por eles desde que adotei um), um outro mundo que co-existe com o nosso e que seria o máximo se realmente existisse (não tanto para eles, já que são ignorados). Tá difícil de entender do que tô falando? Deixo para vocês, então, um pequena sinopse para se situarem.

The Blurb: Richard Mayhew, um jovem escocês, vive uma vida normal em Londres. Tem um bom emprego e vai se casar com a mulher ideal. Uma noite, porém, ele encontra na rua uma misteriosa garota ferida e decide socorrê-la. Depois disso, parecer ter se tornado invisível para todas as outras pessoas. As poucas que notam sua presença não conseguem lembrar exatamente quem ele é. Sem emprego, noiva ou apartamento, é como se Richard não existisse mais. Pelo menos não nessa Londres. Sim, porque existe uma outra, a Londres de Baixo. Constituída de uma espécie de labirinto subterrâneo, entre canais de esgoto e estações de metrô abandonadas, essa outra Londres é povoada por monstros, monges, assassinos, nobres, párias e decaídos – e é para lá que Richard vai. (fonte: Skoob)

Neil Gaiman e uma xícara de café (cappuccino, actually).

Neil Gaiman e uma xícara de café (cappuccino, actually).

Eu não tenho o hábito de ler histórias fantásticas, os livros que escolho pra ler são, geralmente, uma réplica da realidade, livros que discutem relações humanas e tal. Mas esse livro não deixa de discutir isso também e, parando pra pensar, talvez a crítica fique até mais clara do que em um livro cheio de realidade. Porque quando se fala de uma sociedade subterrânea que ninguém vê, a crítica social está escancarada nas páginas, não há nem entrelinhas para se entender, está muito claro.

Além dessa crítica da sociedade evidente no livro, a história em si também é muito interessante. Tanto que, como eu disse, é impossível você não querer devorar cada linha imediatamente em seguida da que você leu a anterior. Não dá vontade de parar nunca e você até fica triste de ter que dar uma pausa pra dormir (porque comer e tomar banho você pode fazer lendo. e sair de casa pra que, né?). E olha que eu demorei um pouco pra me acostumar com essa coisa toda de história fantástica, imagina se já estivesse acostumada (o que agora já estou). E além disso tudo que já falei, a história tem uma tensão que te deixa na beira da cadeira em vários momentos. Você quer ler pra saber o que vai acontecer porque você fica nervoso pra saber qual vai ser a próxima reviravolta e descoberta do pobre coitado do Richard, que se vê, do nada, nessa Londres que ele nunca tinha ouvido falar e que tem que lutar (às vezes, literalmente) pra entender como se vive ali. É muito espetacular!

Imagens da primeira versão da minissérie Neverwhere.

Imagens da primeira versão da minissérie Neverwhere.

Neverwhere (no original) começou como uma minissérie do canal britânico BBC, que foi televisionado em 1996 (e contava com o mais recente Doctor, Peter Capaldi, no elenco), e somente depois foi transformado em livro. Porém, agora houve uma regravação com seis episódios que será passado por lá no Natal, com atores como (nada mais, nada menos) Benedict Cumberbatch, Natalie Dormer (a Margaery Tyrell de Game of thrones) e o maravilhoso gato divino ótimo ator James McAvoy. Quero muuuuuito assistir! As duas versões, na realidade. E quero ler mais e mais livros de Neil Gaiman!

Elenco da versão que irá ao ar esse ano na Inglaterra.

Elenco da versão que irá ao ar esse ano na Inglaterra.

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Bebês!!!!! (ou o meu tipo favorito de bebês)

Pessoas gatas! Acabou o Festival do Rio e foram vários dias corridos (ou não tão corridos assim, mas foram vários dias nonetheless) de resenhas/críticas/sugestões de filmes. Portanto, imaginei que vocês estivessem um pouco cansados de indicações de filmes. Ou de livros. Ou de qualquer coisa relacionado a cultura. Ou não, né, já que esse é o assunto que mais falo na vida e vocês continuam entrando aqui. Ah, seus lindos!

Mas, mesmo assim, resolvi dar um descanso das atividades culturetes e colocar aqui pra vocês uma coisa – na verdade, várias coisinhas – que farão vocês dizerem “oooooooooown!”. Pelo menos é o que eu faço toda vez que olho essas fotos.

Dia 11 de outubro foi a festinha de aniversário de um dos meus sobrinhos e a comemoração foi num sítio delicioso aqui no Rio. A festa foi maravilhosa, as crianças se divertiram (tanto que nem consegui dar oi pro meu sobrinho aniversariante), a gente encheu a pança de comida gostosa, maaaaaas o que mais gostei foi dos bichinhos que tinham por lá! Pra quem não sabe, eu sou totalmente apaixonada por animais. Todos eles, dos menores ao maiores (menos insetos, e muito menos baratas). E quando tem um animal no recinto, não consigo fazer outra coisa que não querer agarrá-los. Nesse dia, infelizmente, não foi possível. O cachorrinho que tinha lá era muuuuuuuuito medroso e não chegou perto da gente nem quando oferecemos carne (ele pegava a carne da nossa mão e saía correndo). E os porquinhos da índia estavam todos dentro de uma gaiolinha, que eu quase abri pra entrar e abraçar cada um dos seis. Mas mesmo assim tirei inúmeras fotos que colocarei aqui pra vocês agora, pra vocês explodirem de tanta fofura!

Cachorro fofura-fura do sítio.

Cachorro fofura-fura do sítio.

Marido tentando se comunicar com ele, mas sem sucesso.

Marido tentando se comunicar com ele, mas sem sucesso.

A gente não conseguiu nem saber o nome dele porque os donos do sítio não estavam por perto. Mas eu queria, pelo menos, ter conseguido fazer um carinhozinho. Só que ele era medroso demais pra isso. 😦

Sempre lááááá longe.

Sempre lááááá longe.

Olha quantos porquinhos da índia! Tem um até olhando pra câmera!

Olha quantos porquinhos da índia! Tem um até olhando pra câmera!

Não me aguentei com essas gostosuras fofas e tirei muuuuuuuuuuitas fotos delas! Muitas mesmo. As que eu vou colocar aqui não são nem metade da quantidade de fotos que tirei.

Neném!

Neném!

Tava escondidinho.

Tava escondidinho.

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Lá também tinha alguns pássaros. Não tem tantas fotos deles porque 1. não me interesso tanto por pássaros e 2. é mais difícil tirar foto deles. Mas colocarei algumas aqui pra quem gosta.

Tô até agora tentando lembrar o nome desse pássaro.

Tô até agora tentando lembrar o nome desse pássaro.

Cacatuas!

Cacatuas!

Como eu disse, tem muuuuito mais foto! Mas fica pra uma próxima! Hahahahaha

Gostaram? Podem deixar que, com certeza, não será a última vez que colocarei fotos de animais por aqui. 🙂

Olha um Arry grande!

Olha um Arry grande!

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O Incêndio|Festival do Rio

Não sei porque demorei tanto tempo pra escrever sobre o último filme que assisti no Festival do Rio (que, infelizmente, acabou dia 14 de outubro, me deixando com somente cinco filmes assistidos, o que achei muito pouco). Na verdade, sei. Primeiro porque não tive tempo (as horas foram tão escassas que nem postei nenhum vídeo no meu canal do You Tube na 4a passada, o que peço desculpas). E segundo porque foi um filme que mexeu tanto comigo que fiquei meio sem saber o que escrever dele. Prova disso é que ele nem foi o último filme que vi no festival, e ainda sim escrevi sobre o último mesmo que assisti (Schneider vc Bax), mas sobre ele… Não deu. Mas hoje vai dar de algum jeito, mesmo tendo que espremer sentimentos que eu não tava muito a fim de mexer.

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El incendio (no original) é o retrato fiel da maioria dos casais de hoje. Na verdade, acho que é o que acontece em todas as relações que temos hoje em dia. Se resume em um principal problema: falta de comunicação. É incrível como as coisas acontecem entre o casal protagonista e eles não se comunicam. Cada um tem um problema específico e não conversa sobre esse problema com o outro. E isso resulta em que? Em frustração, raiva, irritabilidade, e tudo isso é jogado para cima do outro, resultando em brigas, brigas e mais brigas. O que acontece é que eles estão juntos, mas não estão juntos. Estão presentes no mesmo lugar, mas a cabeça está longe, não está ali, eles não compartilham uma vida de verdade visto que não se comunicam, não expressam suas vontades, seus problemas. E quando não dá mais pra segurar tudo, vem tudo como numa explosão. Seria tão mais fácil se desde o começo as coisas tivessem sido conversadas, não é mesmo? E a vida é exatamente assim. A gente nunca fala, por diversos motivos, e no fim dá tudo errado por causa dessa falta de diálogo. Nós é que acabamos dificultando tudo, quando poderia ser mais fácil. Afinal, um problema compartilhado sempre é mais fácil de ser levado, certo? O peso fica menor.

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Logo na primeira cena, é clara a distância entre o casal principal, mesmo estando lado a lado.

É um tema super atual, essa não-comunicação entre casais. Esse amor sem amor, esse não amor do amor, e a dificuldade em lidar com tudo isso. Em lidar com a decepção com o par, hoje em dia tão idealizado nas nossas cabeças (por causa de filmes, livros, contos de fadas, histórias da Disney). Estamos preparados para viver uma vida adulta compartilhada e ao mesmo tempo não estamos. Queremos apoio, mas ao mesmo tempo não contamos o que acontece com a gente. Queremos compreensão, mas ao mesmo tempo não compreendemos o outro. E digo “queremos” porque faço parte dessa geração, da geração dos vinte e tantos, trinta anos. E é exatamente como se relaciona o casal principal de O Incêndio que nos relacionamos, sempre olhando pra nós mesmos primeiro, depois para o outro, sempre tentando achar um culpado quando, na verdade, não é nenhum ou os dois. Uma distância estando perto. E é incrível a identificação com eles. Tão incrível que nos faz olhar para a própria vida e pensar que tá na hora de mudar tudo.

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Claro que além de o tema ser tão tocante, há também toda a parte técnica do filme que nos faz sentir tudo aquilo que o casal está sentindo. Os silêncios, a câmera, as atuações, o roteiro. Tudo feito com maestria. Fiquei muito chateada quando vi que perdi o diretor do filme, Juan Schnitman, que estava no Festival e abriu uma sessão, falando um pouco sobre o filme, no exato dia e no exato cinema em que assisti O Incêndio, porém em outro horário. Se eu soubesse que o filme era tão bom ou se ao menos eu tivesse pesquisado antes para ver se teria presença de convidados, eu poderia ter trocado a hora da sessão e ter ido mais tarde, para ouvir um pouquinho do que o diretor quis passar, e talvez ele pudesse também falar onde roteirista Agustina Liendo quis tocar as pessoas, se eu acertei um pouco na minha análise. Ah! É um filme argentino, e ele só mostrou, mais uma vez, como os argentinos sabem fazer um bom filme. E como sabem!

O casal Lucía e Marcelo.

O casal Lucía e Marcelo.

E pra terminar, uma pequena sinopse do filme, que não diz nada da intensidade que ele realmente tem, mas que me fez ter vontade de assisti-lo, então quem sabe não te dá vontade também? (se você não quis assistir até agora com tudo que falei)

​Lucía e Marcelo estão sitiados entre caixas e malas. Eles estão prestes a deixar o apartamento alugado em que moraram nos últimos anos para viver em um novo imóvel recém-comprado. Sem grandes explicações, a mudança é cancelada, adiando os planos do casal para o dia seguinte. Esse inesperado contratempo os força a ponderar sobre suas vidas e o seu relacionamento – e o que parecia ser o início de um futuro compartilhado torna-se um pesadelo. Nessas 24 horas da vida do casal, constrói-se um retrato de uma sociedade neurótica prestes a explodir. (retirado do site do Festival)

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Roupa de Festival:

Vestidinho que herdei da minha tia (mas era uma blusa), tênis Imaginarium.

Vestidinho que herdei da minha tia (mas era uma blusa), tênis Imaginarium.

Bolsa claquete e chaveiro oficial do Festival do Rio.

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Schneider vs Bax| Festival do Rio

Esse, sem dúvida, foi o filme mais diferente que vi no Festival so far. O filme conta a história de um assassino de aluguel (Schneider) que recebe um telefonema  (de Mertens, seu cliente) com um novo trabalho. Ele recusa, pois é seu aniversário e ele havia prometido a Lucy, sua esposa, ajudar nos preparativos para a comemoração. Mertens insiste que essa é uma tarefa importante e diz a Schneider que o alvo é o escritor Ramon Bax, que vive em um local isolado e é infanticida. Schneider aceita a missão, acreditando que será fácil e que estará em casa por volta da hora do almoço. Mas, o que parecia simples, será bem mais do que ele esperava. Lendo assim, parece que será um filme tenso, cheio de ação e violência, não é mesmo? Pois você está redondamente enganado e acho que foi o filme mais engraçado que já no num festival.

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Esse não era o filme que eu tinha escolhido pra ver ontem (dia 12), mas foi um dos filmes que marquei pra assistir. Como fui com marido e um amigo nosso, escolhemos um filme que achamos que esse nosso amigo ia gostar (drama não é com ele, por exemplo, muito menos romance). E foi saldo positivo pra todo mundo, porque nós três adoramos! Com produção holandesa e belga, não sabíamos muito o que esperar do filme, porque como ele não é de um lugar que estamos acostumados de assistir filmes, não sabíamos o clima e estilo dos filmes holandeses/belga. E olha, me surpreendeu muito o humor deles. E me agradou demais! Lembra um pouco o humor inglês, mas mais contido um pouco. Porém, é sensacional! Você não espera a sequência de acontecimentos que vai sucedendo na sua frente, e cada coisa que acontece é uma surpresa. Não é nem um pouco previsível. Nem um pouco mesmo!

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Tem umas cenas que dão uma angustiazinha no coração, mas logo depois passa, até porque é bem merecido tudo o que acontece. E cada personagem que vai entrando na trama tem um impacto na história e um motivo para estar ali, nada é de graça, nada é não pensado – apesar de, às vezes, parecer que sim. Mas eu gostei mesmo por ter um clima totalmente diferente do que eu esperava, e bem diferente de tudo que vemos por aí. E por ser algo que não é costumeiro de assistirmos, nem nos cinemas mais cults. É uma pena que ontem tenha sido o último dia que ele passou no Festival. Mas, se conseguirem, procurem para ver, porque é muitíssimo interessante!

Amigo, marido e eu horrorosa na foto de má qualidade do celular. Adoro quando levo pessoas no festival e elas gostam do filme!

Amigo, marido e eu horrorosa na foto de má qualidade do celular. Adoro quando levo pessoas no festival e elas gostam do filme!

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Roupa de Festival:

Blusinha por dentro (da Marisa), blusinha por fora (da Opção), shortinho jeans (não faço ideia daonde) e sandália (da Pontapé). Look simples.

Blusinha por dentro (da Marisa), blusinha por fora (da Opção), shortinho jeans (não faço ideia daonde) e sandália (da Pontapé). Look simples.

Blusa de asas.

Blusa de asas.

Sandália com meu pé inchado de picada de formiga e a bolsa que minha prima que mora na Inglaterra mandou pra mim. Muito amor!

Sandália com meu pé inchado de picada de formiga e a bolsa que minha prima que mora na Inglaterra mandou pra mim. Muito amor!

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Tradicional Bolos Caseiros

Chegar cedo pra ver um filme do Festival e ter uma hora pra fazer nada é mesmo uma ótima estratégia pra encontrar lugares novos pra se tomar um cafézinho. E o Tradicional Bolos Caseiros foi uma das melhores descobertas que fiz nessas incursões em busca de lugares pra passar o tempo. Meu filme (Mon Roi, que falei nesse post aqui) era no Roxy e obviamente cheguei cedo pra conseguir comprar (o medo de faltar ingresso sempre está presente durante o Festival do Rio). Como sei que o café do Roxy não é legal, fui atrás de um lugarzinho ali por perto pra tomar meu tradicional cappuccino. E aí dei de cara com essa lojinha amarelinha, linda, que eu não conhecia, e fui obrigada a entrar. Juro, foi como um imã, eu não consegui ir embora!

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Foto tirada da página do café.

Gente, vou dizer, dá água na boca entrar e ver a quantidade de bolos que eles tem. E a variedade. E não é só bolo doce não, tem bolo salgado também! Eu não sei vocês, mas eu sou muito mais fã de bolo do que de torta, e muito mais fã de salgado do que de doce, por isso esse lugar é o paraíso pra mim. Mas como eu tinha acabado de almoçar, não consegui provar nem um pedacinho sequer de bolo, nem mesmo os salgadinhos que eles também produzem eu não consegui comer. O que foi uma baita tristeza e também me deu certeza de que vou voltar lá um dia pra provar bolos vários! Mas meu cappuccino querido, meu companheirinho, estava uma delicinha. E foi cinco reais, a média de valor que se encontra por aí mesmo.

Cappuccino e a programação do Festival, lado a lado.

Cappuccino e a programação do Festival, lado a lado.

O lugar em si também é uma fofura e dá vontade de ficar lá dentro por muito tempo, só dá peninha de ficar porque é pequetito e aí parece que você tá segurando lugar de outras pessoas que querem entrar também – isso quando tá cheio, porque quando fui eu era a segunda de duas pessoas. O café é todo lindamente decorado e o que me chamou atenção principalmente foram as formas de bolo penduradas na parede e o relógio lindo.

Detalhes na decoração que fazem toda a diferença.

Detalhes na decoração que fazem toda a diferença.

O atendimento também foi muito bom, cheio de sorrisos. Adoro pessoas simpáticas! Sem dúvidas que voltarei brevemente levando familiares que adoram um bolo com café tanto quanto eu!

Os vários bolos!

Os vários bolos!

Endereços:

Av. Nossa Senhora de Copacabana, 959, loja C – Copacabana

Av. Afonso Arinos de Melo Franco, 222, bloco 2, loja 127 – Barra da Tijuca

Site: http://www.tradicionalboloscaseiros.com.br/

Belezinha de lugar!

Belezinha de lugar!

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Mon Roi| Festival do Rio

Raiva. Foi isso que senti durante todo o tempo em que eu assistia Mon Roi (quer dizer, a maior parte do tempo). E eu pensava em como Tony, a personagem principal (Marie-Antoinette, na verdade, apelido Tony), é burra. Burra, idiota, imbecil, cega, auto destrutiva. Principalmente isso: auto destrutiva. E o filme mostra isso claramente: quando uma pessoa quer se auto destruir, não importa o que falem para ela ou o que aconteça com ela, ela nunca vai parar. E Tony é prova viva (ou pelo menos ficcional) disso.

Tony e seu roi, ou rei, Georgio.

Tony e seu roi, ou rei, Georgio.

Desde o princípio, Tony sabe que está se envolvendo com um cafajeste. Georgio deixa bem claro que é um cafajeste, ele até se autointitula “o rei dos cafajestes” (por isso o nome do filme). Mas ainda assim ela insiste porque, vocês sabem, às vezes a gente tem mania de pensar que vamos mudar o outro, que vai ser diferente com a gente. E Georgio até parece realmente amá-la. Mas depois dos primeiros sinais de que nada vai ser diferente, gente, é hora de sair correndo. Mas não, Tony fica, por motivos absurdamente idiotas e impostos pela sociedade, ah, a sociedade imbecil sempre nos fazendo cometer atos estúpidos. Mas dá pra perceber que é um padrão de Tony, já que ela diz, logo no princípio do filme, que tem um ex-marido que era bem horrível com ela (isso antes de Georgio). Ou seja, é um padrão. É um padrão da personagem procurar pessoas que a tratarão mal. Por que? Porque por algum motivo ela é autodestrutiva, ela se sabota (e psicólogos podem assistir ao filme e me contar qual é esse motivo, porque não ficou claro para mim). E nossa, como dá raiva e dá vontade de sacudi-la e gritar na cara dela: vai embora, mulher!!!!!!!!!!!

Louis Garrel e Vincent Cassel com a diretora Maïwenn.

Louis Garrel e Vincent Cassel com a diretora Maïwenn.

E com certeza essa também era a vontade do personagem de (amorzinho) Louis Garrel, irmão da personagem e também psicólogo, que é quem cata os pedaços da Tony quando ela se desespera por causa de Georgio. Todos os atores estão maravilhosos em seus papéis (principalmente Vincent Cassel no papel de Georgio), mas fiquei impressionada com Louis porque nunca havia visto nenhum filme com ele onde ele não era o principal ou o galã, e olha, o bichinho manda bem em qualquer situação. A bondade e preocupação em seu olhar eram de emocionar. Mas claro que não posso deixar de elogiar a atuação de Emmanuelle Bercot, a intérprete da personagem principal, porque não é um papel fácil, é um papel de cheio de camadas, e ela conseguiu chegar a todos os extremos que o papel exigia com muita naturalidade. Incrível.

Tony toda ferrada tomando banho na clínica.

Tony toda ferrada tomando banho na clínica.

Mon Roi é contado todo por meio de flashbacks. Logo no início, Tony chega a uma clínica de reabilitação para cuidar de seu joelho, machucado em uma queda enquanto ela esquiava. Durante todo o período em que está lá, pensa sobre a relação – além de sofrer horrores com a recuperação de sua lesão. E sinceramente, ainda bem que tem esses períodos passados na clínica, porque não sei se eu aguentaria assistir todo o terror psicológico que Georgio faz em Tony sem esses intervalos leves – sim, eu disse que ver uma pessoa recuperando um lesão grave no joelho é algo leve, para você ver como é conturbada a relação dos dois.

Tony em um momento de descontração na clínica.

Tony em um momento de descontração na clínica.

O filme também trata de outros temas além do principal, como preconceito, vício, o culto à beleza, e você não sente que esses temas estão ali só pra “cumprir um papel” ou que poderiam ser mais explorados. Não sente porque eles são tocados de uma maneira bem natural, como acontece na vida. Ando com uma tendência a gostar mais de filmes que agem em torno de um assunto como agimos com eles na vida, dando importância e sabendo que são temas importantes de serem tratados, mas não fazendo de tudo um bicho de sete cabeças e tratando de um jeito irreal. Ando cada vez mais realista. hahahaha E claro que o fato de a diretora ser mulher mostra uma visão bem diferente de todos os assuntos, principalmente do relacionamento do casal principal, porque geralmente vimos tudo pelos olhos dos homens, mesmo quando a personagem principal é uma mulher. Mas quando a história é contada por uma mulher é totalmente diferente porque ela sabe verdadeiramente como é aquilo porque ela passa por aquilo, não é mesmo? Mas de jeito nenhum estou falando que um homem não consegue tocar nesses assuntos com qualidade também, ok?

Bem, resumindo, assistam Mon Roi, é ótimo! Mas vão preparados para sentir muita raiva!

Próximas sessões:

11/10 – 16:30 – Cinépolis Lagoon 6

13/10 – 13:15 – Estação NET Ipanema 2

13/10 – 21:40 – Estação NET Ipanema 2

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Hoje não tem foto da minha roupa de festival (esqueci de tirar), mas tem vídeo sobre o Festival, com dicas de coisas para se levar quando for assistir um filme. E se você ainda não é inscrito no canal, se inscreve lá, faça uma amiguinha feliz! E assim você também é avisado sempre que tiver um vídeo novo!

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Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

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