30 LIVROS EM 1 ANO – Dias roucos e vontades absurdas (Vivian Pizzinga) – LIVRO 27

Começo dizendo que será muito difícil fazer uma resenha desse livro, e ainda mais uma resenha adequada, no nível que o livro merece, porque, como já deve ter dado para perceber, eu AMEI Dias roucos e vontades absurdas, entrou até pra minha lista de melhores livros do ano, e pra mim é muito difícil falar sobre coisas que gostei tanto. Mas depois dessa frase imensa, vou tentar dizer um pouquinho do que esse livro de contos me fez sentir.

The Blurb (retirada do site da editora Oito e meio, porém, bastante editada): Como diria o Dr. Freud para o Dr. Jung: um pouco de neurose é fundamental para a saúde mental. Mas a questão é: qual medida seria razoável, com quanto de neurose se atinge um mínimo de sanidade? Entre o absurdo das vontades e a rouquidão dos dias, os personagens se dividem: se a loucura é uma sensação térmica, uma hora faz calor, outra hora faz frio. Uma autoanálise permanente só traria incertezas ainda mais dramáticas.

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Olha essa capa sensacional!

Preciso começar dizendo que Vivian Pizzinga, a autora do livro, é psicóloga. Sim, começo assim porque enquanto lia o livro não conseguia parar de pensar como uma pessoa sabia explicar tão bem o ser-humano – e suas neuroses – como ela. Quando soube que ela é psicóloga entendi tudo (principalmente porque tenho uma amiga psicóloga que me diz, às vezes, coisas como as de alguns textos). Em seguida, preciso dizer que sou completamente viciada no estudo do comportamento humano, chegando a me perguntar, dia sim, dia não, por que eu não cursei psicologia na faculdade (teria amado, com certeza). E em terceiro, é necessário dizer que faço terapia desde os 14 anos de idade (hoje tenho 30), e me tornei, por causa disso, uma grande analisadora das pessoas (não, eu não fico falando disso com as pessoas porque sei que elas não gostam – a não ser com minha amiga psicóloga. mas pode ter certeza que se algum dia eu te conheci, eu te analisei internamente). Portanto, fica muito claro porque eu fiquei tão apaixonada por esse livro, livro onde a autora expõe, de forma muito clara, nua, crua e cheia de neuroses, a forma como as pessoas agem, pensam, se comunicam e se relacionam. Prato cheio para minha curiosidade insaciável sobre o comportamento e a mente humanos.

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Trecho do meu conto favorito, que dá nome ao livro.

Sabe aquela máxima de que “de perto ninguém é normal”? Nesse livro, isso fica bem claro. São modos de agir que mostram que não existe o “certo”, o “normal”, só o que há é o jeito de cada um e todos eles são possíveis, nenhum está errado, você pode fazer o que quiser. Ok, alguns personagens de alguns contos agem de uma forma condenável, quer dizer, vão contra as leis impostas pela sociedade e lei é lei, né? Mas tirando eles, fica muito claro que tudo depende da forma como você observa uma situação, tudo é explicável e nada é condenável.

A escrita da Vivian também é absurdamente boa. Ela mescla a formalidade e a informalidade e em momento nenhum soa pretensiosa ou forçada. Apesar do assunto tratado (a loucura, a sanidade, a saúde mental), é uma leitura leve, fluida, que você não tem vontade de largar e quer devorar tudo de uma só vez. Fiquei muito impressionada e positivamente surpresa com o livro, ainda mais porque eu havia desistido de lê-lo uma vez porque não gostei do primeiro conto (pois é, nem tudo são beija-flores e arco-íris) e não tive, na época, vontade de continuar. Cheguei a quase dá-lo várias vezes. Ainda bem que não o fiz. Porque é daqueles livros que quero na minha estante pra sempre, pra sempre reler e, com certeza, cada vez que o fizer as palavras terão significados totalmente diferentes, de acordo com o momento da vida. Falando em vida, esse é, com certeza, um dos melhores que li nela. O livro é da editora Oito e meio e custa, em média, 35 reais.

Ah! Ele já tá aqui, separadinho, pra emprestar praquela minha amiga psicóloga que falei que, com certeza absoluta, vai amar! Mas eu quero ele de volta depois, viu Marina? 😉

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A autora, Vivian Pizzinga. Essa foi a melhor foto que encontrei dela, sorry!

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Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

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Vende-se uma geladeira azul (Rafael Cal) – LIVRO 26

Hoje vou falar de um livro que na verdade é uma peça de teatro, que foi vencedora de 2014 do Núcleo de Dramaturgia SESI Cultural, mas se saiu em formato de livro, então é livro (assim como as peças de Shakespeare, ou vocês não contam Rei Lear e etc como livro?). E o mais legal é que é de uma pessoa que eu conheço! Ok, conheci muito brevemente, num curso de roteiro que fiz, mas a internet tá aí pra aproximar as pessoas e descobri pelo Facebook que o Rafael escreveu essa peça e faz pouco que ela saiu em formato digital, nesse link aqui, dando oportunidade pra quem não assistiu a peça, como eu, de conhecê-la. E cara, eu adorei! E fiquei pensando “por que eu não fui assistir a peça quando tava em cartaz???”

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A história de Vende-se uma geladeira azul é, basicamente, a história de três irmãos, Anna, Bernardo e João, que se reencontram depois de um tempo por causa da morte de sua avó e para receber a herança da mesma, que descobrem ser somente uma geladeira. Azul, no caso. E aí vem todos os percalços que pensar o que fazer com aquela geladeira velha -e azul – causam. Parece uma história boba, mas não é. Em poucas páginas (são apenas 90 e poucas páginas, se não me engano), dá pra entender todos os nós e origens dessa relação entre os três – ajuda o fato de ter flashbacks dos irmãos quando crianças. Eu gostei muito da linguagem, fácil e informal (todo mundo sabe que adoro linguagem informal), e com jogos de palavras e situações muito interessantes. Gostei muito mesmo da modernidade e do ritmo do texto, me surpreendi. Positivamente. E ficarei no aguardo de mais peças e textos do Rafael Cal por vir.

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O autor da obra.

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Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

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Lucia McCartney (Rubem Fonseca) – LIVRO 25

Sim sim, mais um livro de continhos. Aliás, continhos não, Contos, com C maiúsculo, porque não tem nada de inho nesses contos. São bem picantes, indeed. Mas já era de se esperar vindo de Rubem Fonseca, não é mesmo? Eu estava há séculos querendo ler algo dele, desde que uma amiga minha deu um livro dele pra um amigo achando que era algo light e deu um mega rolo no final das contas. Mas essa história é outra e não está em nenhum dos contos presentes em Lucia McCartney, coletânea de contos de 1967 que transformou o autor em best-seller.

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Todos os contos do livro retratam personagens considerados marginais, não no sentido que usamos hoje, de ladrões, assassinos e etc, mas personagens à margam da sociedade e que fazem coisas que a sociedade repudia. Rubem Fonseca nos mostra o que se passa na cabeça dessas pessoas e dá humanidade à um núcleo de ser humanos que, na maioria das vezes, nem sequer são considerados como tal. Nos faz ver o motivo de suas ações que, é verdade, nem sempre concordamos. Mas às vezes sim. O que só nos mostra como somos hipócritas e pré-julgadores. E espere sim muito, muito, sexo.

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Meu sonho ter uma biblioteca como essa aí atrás do Rubem Fonseca.

São contos de humor ácido, de escrita informal (graças! adoro!), e que mostra toda a violência, falta de pudor e às vezes até a ingenuidade do ser humano. E retrata como aquela galera que ganha muito mais que nós, reles mortais, pode ser muito mais sacana e idiota do que já sabíamos que eles podem ser. Enfim, é um livro para se ler. Leitura obrigatória. Bom demais.

Comprei o meu exemplar digital pela amazon, e foi barato demais, uns seis reais. Mas estava em época de Black Friday. Porém, não acredito que seja difícil encontrar o livro por preços baixos, não. Ah! Ele foi lançado pela editora Agir.

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Venha ver o pôr-do-sol & outros contos (Lygia Fagundes Telles) – LIVRO 24

Sim, eu assumo: na reta final do projeto, comecei a ler vários livros de contos porque eu estava com medo de não conseguir chegar aos 30 livros, que era meu objetivo final, e contos são mais rápidos de ler. Por isso, fiquei muito feliz e contente quando minha amiga me emprestou esse livro da Lygia Fagundes Telles, autora que ela adora e eu estava, na verdade, bem curiosa pra conhecer de tanto que ela falava (isso depois de eu parar de confundi-la com a Lygia Bojunga Nunes, autora de livros infantis que eu amava quando era criança). Eu li Venha ver o pôr do sol & outros contos muito rápido mesmo, já que os contos são curtos e fáceis de serem lidos – e interessantes. Bem, alguns. Não posso dizer que amei o livro. Achei o livro todo bem ok. São contos legaizinhos e bom de passar o tempo, mas não achei nada espetacular (desculpa, Marina!).

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Confesso que não sou muito fã de clássicos. Livros clássicos, autores clássicos, pele menos, não os brasileiros (tirando Machado de Assis, que sou apaixonada, e Monteiro Lobato). Gosto muito da literatura atual, de escritores jovens e com linguagem mais informal. Talvez por isso não tenha ficado tão fã assim do livro de Lygia, autora super de renome, ganhadora não só uma, mas duas vezes, do prêmio Jabuti. Lygia também é autora do famoso Ciranda de pedra, que depois foi transformado em novela. Mas não é de Lygia e muito menos de outros livros dela que estou aqui para falar, e sim desse livro específico de contos.

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Como o livro é de 1988, preferi colocar uma foto mais antiga de Lygia também.

O livro tem contos bem dark, clima não muito comum para mulheres escreverem, muito menos naquela época. É algo bem interessante e diferente, difícil de ser encontrado até na literatura aqui do país. Isso achei bem legal, essa peculiaridade e que torna sua escrita única. Porém, como todo livro de contos, alguns são mais legais e outros menos. Gostei, particularmente, de um intitulado Natal na barca. Foi o que mais me tocou e alguns trechos mexeram bastante comigo. Mas acho que nenhum outro me moveu internamente como esse. Por isso, não achei o livro sensacional, porque pra eu considerar um livro muito bom, ele tem que transformar ou tocar alguma coisa em mim, e esse, além do conto acima citado, não fez.

“Como não bastasse a pobreza que espiava pelos remendos da sua roupa, perdera o filhinho, o marido, e ainda via pairar uma sombra sobre o segundo filho que ninava nos braços. E ali estava sem a menor revolta, confiante. Intocável.Apatia? Não, não podiam ser de uma apática aqueles olhos vivíssimos e aquelas mãos enérgicas.”

Trecho do conto Natal na barca.

Ainda quero ler mais coisas da Lygia porque confio muito nas indicações da minha amiga que me emprestou o livro. Mas esse, infelizmente, não tocou o fundo do meu âmago. Ah! O livro saiu por aqui pela editora Ática, mas entrei no site de várias livrarias e ele se encontra indisponível. Se você tiver interesse de ler, acho que a solução vai ser catar em alguma biblioteca ou pegar emprestado de algum amigo, como eu fiz. 🙂

The Blurb (retirado do Skoob): Oito textos envolventes falam, com sensibilidade, de pessoas comuns, cujas vidas são abaladas por fatos insólitos ou dramáticos.

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Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

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ARTEMIS FOWL – O MENINO PRÓDIGO DO CRIME E UMA AVENTURA NO ÁRTICO (EOIN COLFER) – LIVROS 22 e 23

E agora começa a corrida contra o tempo pra falar de todos os livros que faltam eu falar nesse projeto de 30 livros em um ano que, sim, eu consegui chegar ao objetivo! Li todos os 30 livros que me comprometi ler – e agora será uma maratona alucinada para falar de todos eles ainda em 2015! Então sem mais delongas, vamos falar do livro número 21. Ou melhor, dos livros 21 e 22.

Tô há muito tempo pra ler Artemis Fowl, desde que saiu o primeiro livro (o que significa que tem muito tempo mesmo, já que o primeiro livro da série saiu em 2001). Mas confesso que no começo não li porque me sentiria traindo meu querido e amado Harry Potter, já que quando foi publicado Artemis, a mídia começou a fazer um paralelo com Harry Potter, colocando os dois como concorrentes. O que não tem nada a ver, já que a história e todo o contexto são totalmente diferentes. Então, aproveitei que minha amiga estava vendendo os quatro primeiros livros da série (de 8 livros) e comprei (os 4 por 15 reais!) pra conhecer, finalmente, a história desse garoto “malvado” (que, na verdade, sente mais falta dos pais do que é mau, tudo mecanismo de defesa).

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Sinopses (retiradas do Skoob): O menino Artemis Fowl é, com apenas 12 anos de idade , um verdadeiro gênio do crime. Muita magia e ação compõem esta trama que conquistou jovens e adultos. Após o desaparecimento misterioso de seu pai, o garoto fará de tudo para recuperar a fortuna da família. (O menino pródigo do crime)/ Artemis está ainda mais rico, por conta do ouro que roubou do povo das fadas, mas uma coisa ainda preocupa o astuto criminoso mirim – o desaparecimento de seu pai, o Sr. Fowl, feito prisioneiro pela máfia russa por dois anos e oficialmente dado como morto. Mas o coração de Artemis Jr. se nega a acreditar no fim trágico do pai. (Uma aventura no ártico)

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Eoin Colfer, autor da série. Ele não tem cara de elfo?

Quando iniciei a leitura, não estava gostando. Achei até que só leria o primeiro e não continuaria a ler a série, porque achei o livro bem infantil, ao contrário do que acho Harry Potter. Mas, como eu disse, as duas séries são bem diferentes, então não dá pra ficar fazendo essa comparação entre elas. Porém, com o passar das páginas, os personagens foram me conquistando (principalmente Potrus, o centauro, e a elfa Holly) e fiquei com vontade de ler os próximos. Mas, ainda assim, não acho o livro tão bem escrito (porém, acredito que seja um problema de tradução), e mais infantil mesmo, mesmo o personagem principal, Artemis Fowl, sendo mais malvado. Acontece que, pra mim, Artemis é só um pretexto pra contar a história, porque ele é mais coadjuvante do que principal, o foco é mais nos personagens da polícia do mundo das fadas, a LEPrecon. Aliás, sensacionais as tiradas de vocabulário.

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Desenho da Holly Short que minha amiga fez no livro. Adoro encontrar esse tipo de coisa nos livros, torna o livro especial e cheio de personalidade.

Uma coisa muito interessante é que Eon mostra o mundo das fadas todo tecnológico, totalmente ao contrário do que estamos acostumados a ver nas histórias, e achei essa uma ótima ideia do autor. Gostei mais do primeiro livro do que do segundo, e o segundo livro tem ainda menos Artemis do que o primeiro. Agora preciso ler o restante da série pra ver se Artemis aparece mais ou se ele vai sumindo mais ainda. Acredito que fique mais interessante, já que ele vai envelhecendo a cada livro (nisso sim há semelhança com Harry Potter).

Artemis Fowl foi lançado por aqui pela editora Record e tá numa média de R$30.

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Poesia em forma de pessoa – Feira do Lavradio, parte 2

Das coisas mais gostosas da vida é conhecer pessoas do bem, pra cima, generosas e simpáticas. E foi isso que aconteceu sábado passado, em mais uma ida à Feira do Lavradio. Eu já tinha prestado atenção na barraca do Marcelo na primeira vez que fui na feira esse mês, dia 05. Mostrei pra minha mãe e ela também ficou encantada. Mas acabamos não parando, devido a diversos fatores. Nesse sábado, porém, em que fui na feira para ir em barracas específicas e foi muito mais rápido, passei na frente de novo, lembrei da beleza que é o trabalho do Marcelo e resolvi parar. Ainda bem.

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A barraquinha de Marcelo, com suas obras surpreendentes.

Marcelo é uma pessoa fantástica. No pouco tempo em que conversei com ele, senti uma energia tão boa que me deu vontade de não parar a conversa. Mas estava muito calor, até para mim que, geralmente, não sinto muito calor, e eu tinha hora, então tive que ir. Mas vou te falar, foram minutos que vão se estender pela minha vida toda, provavelmente, porque ele deixou uma vibe tão gostosa no ar que não tem como esquecer. Marcelo é simpático, tem um pensamento e ideias sobre a vida que se todo mundo pensasse igual, o mundo seria bem melhor. Sabe positivo? Então, isso. Pelo pouco que conversamos, entendi que ele veio de uma ilha pequena, é artista de rua, tinha uma mãe que amava muito e que já faleceu, e mesmo diante das dificuldades tenta levar a vida numa boa. Porque é sabido as dificuldades de artistas de rua, é difícil ser artista no Brasil, não importa onde. E olha, a obra dele é boa, viu? É tudo lindo. São aquarelas e blusas pintadas com misturas de cores lindas e imagens de mulheres de arrepiar. Tem que ser muito sensível pra pintar assim, vou dizer. E ter um olhar… Fico muito feliz em dizer que sou a orgulhosa dona de uma dessas blusas aí da foto e não liguei de dar R$60 por ela, é arte! As aquarelas não sei quanto são, mas vai na feira da Praça São Salvador, em Laranjeiras, em algum domingo (das 09h às 15h) que Marcelo estará por lá, como todo domingo. E com certeza ele terá um sorriso e palavras de gratidão para lhe dar em troca.

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A pessoa incrível que é Marcelo e eu.

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Falando em Lavradio, esse sábado voltei na barraca da Incomun., que já tinha falado por aqui, e acabei levando mais (muitos) brinquinhos. Tô mais apaixonada ainda pelas peças de lá! Quase mandando e-mail pra encomendar mais!

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Os dois brincos que comprei esse sábado nas pontas e o do meio é o que comprei na primeira vez que fui.

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Alice Maria

“Mas é claro que dá, Alice!” foram as palavras gritadas de Elisa enquanto eu me desesperava me olhando no espelho. Pela expressão em seu rosto, ela estava se esforçando ao máximo para não me dar umas sacudidas. “Você acha que o que, seus pais são cegos?”

“Mas Rodrigo não percebeu nada até agora.” eu disse, os olhos marejados, a ansiedade aumentando, a ânsia de vômito crescendo…

“Porque o Rodrigo tem algum problema visual, só pode ser!” Elisa, sempre tão sutil. “E vocês tão há quanto tempo sem fazer sexo? Porque pra ele não ter percebido…” Eu não disse? Sutileza a nível máximo.

“Um tempo aí…” minha resposta.

“Desde que essa criança foi gerada?”

Flashback para explicar a cena atual.

Alice, vulgo eu, e Rodrigo, vulgo namorado, na cama, prestes a… Ah, vocês entenderam. A vontade é imensa, a excitação é múltipla, e a disposição para sair e comprar uma camisinha que está em falta em casa é zero, portanto, decidimos fazer sem. “Você tá tomando pílula mesmo…”, diz ele. No que concordo, afinal, o desejo é sempre maior do que qualquer prudência. Só esqueci de dizer, e também esqueci como um todo, que eu não tinha tomado todos os dias certinho. O que posso fazer? Esqueci. E deu no que deu. Depois de dar. Putz, trocadilho infame.

Enfim, voltando ao presente…

“Três meses sem transar?????” Elisa, estupefata.

Elisa tem tido o costume de ficar estupefata com tudo que falo. “Tô grávida.” Elisa estupefata. “Não contei pro Rodrigo.” Elisa estupefata. “Não Elisa, pelo amor de Deus, não conta pra ele.” Elisa estupefata e puta da vida que vai ter que guardar mais um segredo.

“Três meses e meio.” digo porque, segundo a médica, é quanto tempo estou grávida.

“O que você tá fazendo com esse coitado, Alice?”

“O que?” digo, indignada. “Só porque ele é homem não pode ficar muito tempo sem sexo?”

“NINGUÉM deveria ficar tanto tempo sem sexo, Alice!”

Bufo. Tenho tido o costume de bufar quando Elisa fala. “Alice, você precisa contar pro Rodrigo.” Bufo. “Alice, pelo amor de Deus, eu vou contar pro garoto. O filho não é só seu.” Bufo. “Ok, Alice, faz o que você quiser. É você que tá grávida, não eu.” Bufo. Só pelo costume.

“Esse não é o foco agora, Elisa. O foco é como eu vou disfarçar esse negócio aqui” aponto para minha barriga estufada de bebê, e não de comer demais, como sempre aconteceu, que impede que eu feche o zíper da calça. “no Natal com meus pais!”

“Diz pra eles que deu uma engordada.”

Bufo. Merecidamente.

Alice Maria é personagem do livro Queria tanto, de minha autoria, publicado em 2011 pela editora Benvirá, e dará as caras por aqui de vez em quando.

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