Alice Maria

“Mas é claro que dá, Alice!” foram as palavras gritadas de Elisa enquanto eu me desesperava me olhando no espelho. Pela expressão em seu rosto, ela estava se esforçando ao máximo para não me dar umas sacudidas. “Você acha que o que, seus pais são cegos?”

“Mas Rodrigo não percebeu nada até agora.” eu disse, os olhos marejados, a ansiedade aumentando, a ânsia de vômito crescendo…

“Porque o Rodrigo tem algum problema visual, só pode ser!” Elisa, sempre tão sutil. “E vocês tão há quanto tempo sem fazer sexo? Porque pra ele não ter percebido…” Eu não disse? Sutileza a nível máximo.

“Um tempo aí…” minha resposta.

“Desde que essa criança foi gerada?”

Flashback para explicar a cena atual.

Alice, vulgo eu, e Rodrigo, vulgo namorado, na cama, prestes a… Ah, vocês entenderam. A vontade é imensa, a excitação é múltipla, e a disposição para sair e comprar uma camisinha que está em falta em casa é zero, portanto, decidimos fazer sem. “Você tá tomando pílula mesmo…”, diz ele. No que concordo, afinal, o desejo é sempre maior do que qualquer prudência. Só esqueci de dizer, e também esqueci como um todo, que eu não tinha tomado todos os dias certinho. O que posso fazer? Esqueci. E deu no que deu. Depois de dar. Putz, trocadilho infame.

Enfim, voltando ao presente…

“Três meses sem transar?????” Elisa, estupefata.

Elisa tem tido o costume de ficar estupefata com tudo que falo. “Tô grávida.” Elisa estupefata. “Não contei pro Rodrigo.” Elisa estupefata. “Não Elisa, pelo amor de Deus, não conta pra ele.” Elisa estupefata e puta da vida que vai ter que guardar mais um segredo.

“Três meses e meio.” digo porque, segundo a médica, é quanto tempo estou grávida.

“O que você tá fazendo com esse coitado, Alice?”

“O que?” digo, indignada. “Só porque ele é homem não pode ficar muito tempo sem sexo?”

“NINGUÉM deveria ficar tanto tempo sem sexo, Alice!”

Bufo. Tenho tido o costume de bufar quando Elisa fala. “Alice, você precisa contar pro Rodrigo.” Bufo. “Alice, pelo amor de Deus, eu vou contar pro garoto. O filho não é só seu.” Bufo. “Ok, Alice, faz o que você quiser. É você que tá grávida, não eu.” Bufo. Só pelo costume.

“Esse não é o foco agora, Elisa. O foco é como eu vou disfarçar esse negócio aqui” aponto para minha barriga estufada de bebê, e não de comer demais, como sempre aconteceu, que impede que eu feche o zíper da calça. “no Natal com meus pais!”

“Diz pra eles que deu uma engordada.”

Bufo. Merecidamente.

Alice Maria é personagem do livro Queria tanto, de minha autoria, publicado em 2011 pela editora Benvirá, e dará as caras por aqui de vez em quando.

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Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

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4 comentários sobre “Alice Maria

    • Oi Rodrigo! Como eu disse pra Carol no comentário acima, essa história da Alice aqui no blog é totalmente diferente da do livro, não é a mesma não. Mas fico muito feliz que gostou! 🙂
      Beijoca!

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