Alice Maria (cap. 3)

Gente, eu até tentei escrever sobre outra coisa aqui no blog hoje, mas Alice tá muito afoita aqui pra saber a opinião de vocês sobre a vida dela, então eu fui obrigada a postar mais um capítulo. Tô adorando o feedback de vocês! Não parem de comentar não, please! 😉

Beijocas!

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Cena 3, interna, noite. Alice Maria, 26, caminha em seu apartamento extremamente bagunçado, só ela e seu gato amarelo Snoopy, que ronrona sem parar pelos seus pés enquanto ela quase chuta o gato por ele não parar de andar pelos seus pés. O espectador não sabe, mas Alice está tendo uma imensa batalha interna e seus órgãos não param de revirar porque 1)ela está grávida, o que, incrivelmente, é o que menos conta para a situação atual de seus órgãos, ou seja, o fato de eles estarem se revirando, e 2) ela não faz ideia de como contar para o pai da criança que essa criança é sua filha. Ou filho. Porque ela ainda não sabe. E ainda tem um motivo 3) para a “reviração” dos órgãos: ela não sabe se quer menino ou menina. O que não deveria ser uma preocupação tão grande, mas devido o estado em que ela se encontra, é a preocupação que resolve  se concentrar, dada que as outras preocupações são de um grau muito maior e Alice, ou seja, eu, não quer pensar nelas.

Vamos lá: nomes. Se for menino, pode ser… Não, vamos começar com os que não podem ser. Não pode ser Alan nem Álvaro, meus irmão e pai respectivamente, porque é total falta de criatividade uma criança ter o mesmo nome que outro alguém da família. Portanto, também não pode se chamar Rodrigo nem Miguel, pai e avô paterno da criança em questão. Também não tem como se chamar Bernardo, ou Fausto, ou Ulisses ou Estevão, porque, bem, são os nomes dos meus melhores amigos e eles estarão com ele o tempo todo. Sem contar que se eu colocar o nome de um, os outros três reclamarão pro resto da vida – principalmente se eu não colocar Fausto. Também não dá pra ser Gabriel. Não posso colocar no meu filho o nome do cara que eu fui apaixonada antes do pai dele. E Felipe é o nome do melhor beijo que dei até hoje, também não dá pra ser. Ok, vamos torcer pra ser menina, não é mesmo? Porque se for homem a criança vai ficar sem nome. Tá bom, nomes de meninas. Não pra Alice (por razões óbvias), não pra Amanda e Ana Maria (apesar de que tanto minha irmã quanto minha mãe iam amar serem “homenageadas”), e não pros nomes das minhas sisters from another misses, Elisa e Valentina. Também não pode ser Larissa (irmã do Rodrigo), nem Mônica (mãe). Não sei porque tô pensando nisso, tem que ser Elis. Sempre teve que ser Elis. E não importa o que Rodrigo vai dizer.

Ai meu Deus, o Rodrigo vai dizer algo. Pro Rodrigo dizer algo, ele tem que saber. E pra ele saber, eu tenho que contar.

Onde eu deixei minha bombinha de asma mesmo?

Ah é, eu não tenho asma.

Por quê????????????????????

 

“Mas Alice, você não disse que seus pais foram super compreensivos?” Valentina pergunta, me entregando um super chá gelado com um canudinho colorido cor de laranja.

“Uhum.” Respondo, dando um super gole no canudinho cor de laranja.

“E você não achava que eles não seriam?”

“Ela achava que seria um ‘tremendo desastre’” Elisa tenta imitar minha voz nas duas últimas palavras, mas essa voz aguda de taquara rachada que ela faz não tem nada a ver com a minha. Paro de tomar meu chá e bufo.

“Então…”

Valentina deixa a frase solta no ar e percebo que ela quer que eu complete de algum jeito. Mas eu não sei como ela quer que eu complete. Não de uma maneira que não termine com uma catástrofe no final.

“Então…” a imito, entonação de dúvida na voz.

“Pode ser que aconteça a mesma coisa com Rodrigo.”

A frase foi de Valentina, mas bufei mesmo assim. Elisa também.

“Você é tão inocente, Valentina… Ele vai ficar maluco!”

“Claro que não, Elisa! Rodrigo é tão legal. Eu tenho certeza que ele vai levar numa boa.”

Quase derrubo meu chá no tapete novo – e lindo – da Valentina depois dessa. Como ele pode levar numa boa a namorada grávida no meio de uma crise econômica no país? Como ele pode levar numa boa quando ele acabou de começar num trabalho novo e não tem estabilidade financeira nenhuma? E quando eu tenho que ter três empregos ao mesmo tempo só pra conseguir pagar as contas? Como ele pode levar numa boa? Digo tudo isso aos gritos pra Valentina antes de sair do apartamento dela, batendo a porta atrás de mim.

 

Subi andares e bati na porta. Fausto abriu, cara de sono, tinha acabado de acordar, fato, mesmo sendo duas horas da tarde. Esse é Fausto. E era dele que eu precisava.

“Não aguento mais a bondade de conto de fadas da Valentina, nem a super sinceridade da Elisa.” Eu disse, sentando na cama. Sim, Fausto tem uma cama na sala. Na verdade, ele tem tudo da sala, já que o apartamento dele é daqueles de um cômodo só. Dono do apartamento derrubou as paredes pra dar um clima mais único e descontraído ao lugar e blábláblá. Ficou a cara do Fausto. “Preciso de uma cerveja.”

“Você não bebe, Alice.” Ele disse, monocórdico.

“E daí?”

“Você tá grávida, Alice.” Mesmo tom de voz de antes.

“Dá pra todo mundo parar de me lembrar disso?”

E ele parou. E ficamos por duas horas assistindo um filme bobo, comendo pipoca e bebendo guaraná, e por essas duas horas eu fui somente Alice Maria, amiga de Fausto, cenógrafa de 26 anos que mora sozinha e não tem preocupações. Eu não disse que era de Fausto que eu precisava?

Alice Maria é personagem do livro Queria tanto, de minha autoria, publicado em 2011 pela editora Benvirá. Porém, a história que aparecerá aqui no blog de vez em quando não é a mesma do livro, é uma história totalmente nova, uma continuação, feita somente para vocês.

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Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

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