A grande aposta

A grande aposta tem um pequeno e sutil problema: o tema. Mercado financeiro/imobiliário realmente é um assunto de extremo tédio pra mim, e é sobre isso que o filme fala. Portanto, vocês já devem saber o que achei dele, né? Mas antes de eu explicar detalhadamente o que achei dele, vamos aos dados do filme.

A grande aposta (The big short)

Indicações: Melhor filme, Melhor ator coadjuvante (Christian Bale), Melhor direção (Adam McKay), Melhor roteiro adaptado (Adam McKay, Charles Randolph), Melhor edição.

Sinopse: O filme, adaptação do livro The Big Short: Inside the Doomsday Machine, conta a história de quatro homens que anteciparam a crise imobiliária e econômica dos Estados Unidos em 2008. Eles resolvem fazer um investimento, mas acabam no “mercado negro” bancário onde precisam questionar a tudo e a todos. (retirada do Omelete)

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Cartaz do filme.

Ok, como já era de se esperar pelo que falei acima, eu achei o filme excruciante. Passei as duas horas e dez minutos de duração torcendo pra que acabasse logo (ok, não tudo isso, porque no começo eu não sabia que seria tão chato). Tema entediante, cheio de jargões próprios que não importa a quantidade de pessoas famosas que eles coloquem pra explicar sobre o assunto, continuam sendo impossíveis de se entender. Mas, confesso, achei genial colocarem Selena Gomez (minha long lost little sister), Margot Robbie (homens pirarão com essa mulher linda dentro de uma banheira de espuma) e mais algumas pessoas conhecidas (mais por americanos do que por nós, brasileiros) para explicar um linguajar específico de uma área de forma simples – ou menos difícil (e que não adiantou muito pra mim porque, bem, quando não me interesso por um assunto é muito difícil manter o foco). Mas, apesar disso, não gostei do filme e achei extremamente cansativo assisti-lo até o fim, mesmo sendo um longa com Ryan Gosling, meu amorzinho (bem, um dos) – apesar de terem conseguido enfeiar bastante Ryanzinho (kudos pra equipe de maquiagem e cabelo, porque é uma tarefa bem difícil).

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Ryan Gosling feioso no filme VS Ryan Gosling lindo da vida real. Ainda bem que não é o contrário, né?

Porém, há harmonia no caos, o que significa que é possível ver aspectos positivos num filme de assunto tão zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. E todos os aspectos positivos estão concorrendo ao Oscar, porque sim, haveria de ter um motivo para essas indicações, não é mesmo? Vamos comentá-los um por um.

  1. Melhor Filme

Yes, baby, o filme realmente merecia indicação por ser um filme pensado detalhadamente, o que é algo que eu me importo muito. Cada corte, cada ângulo de câmera, cada piada inserida, tudo tem seu timing exato e tudo está ali por um motivo, não são somente cenas jogadas que parecem não ter a ver com o todo e você fica pensando “tá, mas e daí?”. O que nos leva à segunda indicação.

2. Melhor direção

Se o filme está tão tecnicamente perfeito, é porque tem a mão do diretor aí. Foi ele que pensou nos detalhes do filme (claro, em conjunto com sua equipe) e o fez ficar tão fenomenal. “Mas Livia, se você achou o filme um saco, como pode dizer que ele é fenomenal?” Tecnicamente falando, pequeno gafanhoto, tecnicamente falando (eu nunca daria um prêmio pra esse roteiro, por isso nem comentarei sobre essa indicação). As inserções das cenas dos famosos, como falei anteriormente, que além de deixarem mais fluidas cenas que poderiam ser explicativas e chatas, foram uma ótima solução que outro diretor poderia não ter pensado. Há também os momentos engraçados, como quando os personagens falam diretamente para a câmera, o que me lembrou MUITO O Lobo de WallStreet,  e descontraem o filme de temática pesada. Os cortes rápidos me incomodaram um pouco (o que significa que também não concordo totalmente com a indicação de melhor edição), fiquei um pouco tonta (se você tiver problema de labirinto, não assista ao filme, ou vire para o outro lado, como eu fiz), mas tirando isso, acho que o diretor fez escolhas muito boas, como na apresentação de todos os personagens. Além do fato dos atores estarem atuando tão bem (alguns melhores que outros, como todo filme), o que também mostra que tem dedo do diretor aí. Sem contar que antes desse filme, Adam McKay havia feito, em sua maioria, filmes de comédia (que, todos sabemos, acabam sendo ignorados pela Academia, que adora um drama), então foi um belo início nos longas mais “maduros”, digamos assim.

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Adam McKay dirigindo Christian Bale no filme.

3. Melhor ator coadjuvante

Vou te dizer que discordo e concordo ao mesmo tempo dessa indicação do Christian Bale. Acho sim que ele está ótimo no filme, interpretando no ponto o cara excêntrico que tem ideias geniais e todo mundo vai contra e acha que ele é maluco (juro que não consegui entender como um cara desses pode ser casado, ele só pensa em trabalho!). As expressões faciais, o jeito de falar e até como se movimenta não escrachadas, são maneiras únicas de uma pessoa com personalidade tão única se portar no mundo, ele interpretou de um jeito que não ficou ridículo e nem estereotipado. Então sim, é uma atuação digna de Oscar. Mas eu queria muito, muito mesmo, que o indicado fosse Steve Carrel, porque pra mim ele está maravilhoso no papel do único cara que tem coração nesse mundo horroroso da economia. A maioria das pessoas está acostumado a ver Steve em papéis cômicos (tanto que todos pra quem eu falei que ele está ótimo no filme me perguntaram se era um papel sério), então esquecemos como ele pode ser maravilhoso como um personagem que não faz piadas. E ele arrasa. Eu sou muito fã do Steve, então talvez não seja a melhor pessoa pra opinar, mas acho que ele merecia sim a indicação de melhor ator coadjuvante, até porque acho o personagem dele mais importante que o de Christian (e ele aparece bem mais). E agora Carrel se redimiu, ao meu ver, depois do insuportável Foxcacther do ano passado (não importa que ele foi indicado por esse filme nem 2015, o filme era um saco!).

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Carrel em cena.

Do mais, os outros atores também estão ótimos, dos mais conhecidos aos mais desconhecidos (apesar de Brad Pitt estar meio nhé pra mim, nem fede, nem cheira). E tem cenas que até as pessoas que não suportam esse mercado (tipo eu) dão umas risadas. Mas eu não veria esse filme de novo. Nunca mais, na verdade. Tá achando que tô exagerando na chatice? É porque você não viu que o filme é TODO sobre o mercado financeiro, sem focar nem um tico na vida particular desses caras e em como seus trabalhos influenciam na vida deles (ok, fala um pouco disso, mas é bem superficialmente), o que seria bem mais interessante. Ainda sem acreditar? Então saca só!

Viu?

Ah! A grande aposta já tá nos cinemas por aqui (e foi onde eu vi, sim, eu gastei horrores de dinheiro pra ver esse filme chato), então se você quiser ter a experiência da telona, corre antes que ele saia de cartaz! E até o próximo filme! (o que? O Oscar tá chegando eu não vou saber falar de outro assunto por aqui!)

@thebigshort-Its-about-to-get-even-hotter-with-@SelenaGomez

Seleninha querida em ação! Acharam que eu tava de sacanagem, né? Não! Ela tá lá mesmo, ensinando o que é uma… O que era mesmo?

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