Trumbo

Indicações: Melhor ator (Bryan Cranston).

Sinopse: O roteirista Dalton Trumbo tem uma história singular em Hollywood: apesar de ter escrito algumas das histórias de maior sucesso da época, como A Princesa e o Plebeu, ele se recusou a cooperar com o Comitê de Atividades Antiamericanas do congresso e acabou preso e proibido de trabalhar. Mesmo quando saiu da prisão, Trumbo demorou anos para vencer o boicote do governo, sofrendo com uma série de problemas envolvendo familiares e amigos próximos. (sinopse do filme Adorocinema)

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Trumbo é aquele filme que a gente sabe exatamente porque não foi indicado para mais categorias além de melhor ator: ele é uma denúncia e crítica ao próprio sistema de Hollywood. Não somos bobos de achar que arte e política não se misturam (apesar de os artistas tentarem ao máximo que isso não aconteça), ainda mais numa indústria endinheirada como Hollywood. Grande parte dos produtores, executivo e tal pensam mais nos lucros do filme do que na qualidade dele, e pra isso às vezes precisam ter dedinhos na política. Sem contar que pessoas que só pensam em dinheiro geralmente apoiam um lado da política que o outro lado dos artistas não apoiam. Pois bem, para muitos da época, o roteirista Dalton Trumbo tinha os dedinhos do lado errado da política: ele era comunista. E não escondia de ninguém. E por isso, ele e mais outros roteiristas, também comunistas, foram colocados na lista negra de Hollywood. E simplesmente por ser comunista, Trumbo foi preso. E simplesmente por serem comunistas, os dez da lista negra de Hollywood não conseguiam mais trabalho, mesmo a qualidade de seus trabalhos sendo reconhecida. Totalmente screwed up? Pois é.

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The Hollywood ten.

O filme conta sobre a vida de Trumbo, profissional e pessoal, e falando também dos outros roteiristas. Na verdade, mostra como esse boicote a eles afetou suas vidas. Aliás, falando em vida pessoal, Diane Lane foi totalmente injustiçada ao não ser indicada ao prêmio de melhor atriz coadjuvante porque ela está muito boa no papel da esposa de Trumbo, Cleo: forte, determinada, dedicada e alicerce de sua família. Diane Lane atua muito melhor que Rooney Mara, por exemplo, indicada ao prêmio por Carol, e seu papel é mais importante e significativo do que o de Rachel McAdams (outra indicada) em Spotlight. Também senti falta da indicação para melhor roteiro adaptado (o filme é adaptação da biografia do roteirista, escrita por Bruce Cook), mas essa ausência nós sabemos o motivo: o tema político denunciando a indústria de Hollywood, caso que, aliás, eu nem sabia haver acontecido (pra ver o quanto eles escondem de sua história pra não denegrir sua imagem).

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Bryan Cranston e Diane Lane.

Bryan Cranston está merecidamente no páreo para o prêmio de melhor ator, porque sua performance como o personagem principal desse filme está de arrasar. Desde Breaking Bad já sabemos o quanto ele pode ser bom, e no filme não é diferente. É claro que ele tenta ao máximo parecer o roteirista, pelo jeito de se movimentar, por seus gestos, pelo modo de falar e até na postura. Mas, além disso, sua performance é emocionante mesmo.

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Dalton Trumbo (esq.) e Bryan Cranston interpretando-o (dir.).

Ah! Preciso destacar minha surpresa ao ver Elle Fanning, a irmã mais nova da (diva) Dakota Fanning, all grown up! Tô tendo vários sustos em relação a idade das atrizes nesse Oscar. Isso quer dizer que tô ficando velha? (por favor, não responda) E pra mim também foi muito estranho ter raiva da Helen Mirren porque, for God’s sake, é a Helen *diva* Mirren! Mas a personagem dela… Odiosa!

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Elle Fanning (esq.) e Helen Mirren (dir.).

Enfim, é um filme muito bom, com uma história ótima que se desenrola de maneira a querer saber logo o que acontecerá em seguida (e olha, não é previsível). Um filme pra se discutir e pensar sobre o papel da arte e sobre a influência que a política deve ou não ter sobre ela. E se as crenças políticas de um artista deve ou não influenciar na escolha dele para um trabalho (para mim, a resposta é não). Amei o filme, e amei mais ainda por ser sobre um roteirista que além de eu me identificar pela profissão, me identifico mais ainda por ser considerado meio que rebelde.

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4 comentários sobre “Trumbo

  1. Debb Cabral disse:

    Que máximo! Eu sabia bem pouco sobre a história do filme e fiquei muito interessada depois dessa sua resenha. É interessante essa reflexão sobre a nossa ética em relação ao poder.
    Ser e pensar diferente não agrada quem está no comando, por isso a resistência deve ser sempre reverenciada.

    Beijão!
    Debb
    http://www.gatoqueflutua.com.br

  2. Denise disse:

    Se não fosse seu post, jamais me interessaria em ver este filme. Pela foto da divulgação, achei que o personagem seria antipático e sem carisma. Bem o oposto, né ? Torci por ele, pela família e pela carreira dele o tempo todo. Gostei muito.
    bjs

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