Sharp Objects – a volta

Venho aqui por motivos de atualizações.

Meu último post foi sobre o primeiro episódio da série Sharp Objects, que estreou dia 08 de julho na HBO (se você não leu o post, pode clicar aqui). Eu disse que tinha gostado do episódio e que estava bem similar ao livro. Porém, exatamente por causa da série, eu voltei a ler o livro. Por quê, meu deus?

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Ontem estreou o quarto episódio, chamado Ripe (aqui no Brasil traduziram como Ranço, palavra que amo!). E eu já (re)li pouco mais que a metade do livro. E eu odiei esse quarto episódio exatamente por causa disso. Ok, odiar é um pouco forte e estou tentando parar de usar essa palavra, mas vamos dizer que foi um episódio que fiquei me contorcendo toda no sofá enquanto assistia.

Gente, eu sei que livro é um produto diferente de uma série. Sei que o meio é diferente (livro e tela), portanto mudanças são necessárias. Eu estudei isso, for God’s sake! Mas precisava mudar tanto? Precisava mudar nome de personagem (e um dos principais, inclusive)? Precisava mudar personalidade de personagem? Precisava aliviar o tom, quando a história toda foi feita exatamente pra te deixar angustiado e te fazer repensar a sociedade? Respondo: não precisava! Não vou entrar em mais detalhes porque pode ter gente que ainda não viu a série, que ainda não viu esse último episódio, mas me diz, pelo menos, por que mudaram o nome do detetive de Richard pra Casey? Qual a necessidade disso????

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Quando a gente adapta livros para as telas (seja de cinema, seja de casa), é óbvio que faremos mudanças, como eu disse acima. Eu mesma tô adaptando um livro que eu escrevi e tem algumas escolhas que faço que são necessárias pra obra funcionar na tela. Mas eu acho que tem escolhas que são feitas na série que não influenciariam em nada no entendimento e no funcionamento da obra (por que mudar o nome? Por quê??????????) e eu simplesmente não entendo por que foram feitas.

Por isso, uma recomendação: se você já leu o livro, não assista a série. Ou melhor, assista, porque tem coisas bem legais (como a atuação incrível da Amy Adams, mencionada por mim no último post), mas vá preparado pra se mexericar um pouco na cadeira por causa de mudanças feitas no seu livro que você tanto gostou (gente, é um dos meus livros preferidos da vida, imagina isso!).

E se você está vendo a série, uma sugestão também: LEIA O LIVRO! É muito melhor (Gillian Flynn rainha do suspense e das frases incríveis!)

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Print básico do meu story dessa madrugada do Instagram.

Sharp Objects

Em homenagem ao Dia do Escritor, que é hoje, venho falar de uma série que foi baseada em um livro. E não é qualquer livro não! É um dos meus livros favoritos de uma das minhas autoras favoritas: Objetos Cortantes, da Gillian Flynn (ou, no original, Sharp Objects). A série foi lançada no dia 08 de julho desse ano, ou seja, é super recente, e passa na HBO. Até agora já teve 3 episódios (e estão todinhos lá na HBO GO), mas vou falar somente do primeiro. A história é sobre uma repórter (Camille) que volta à sua cidade natal para cobrir o assassinato de uma adolescente e o desaparecimento de outra.

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Vou deixar pra falar mais sobre a equipe técnica da série quando for escrever sobre ela após o término da primeira temporada e vou focar mais no que uma pessoa sente quando vê um livro que ama representado na TV. E preciso dizer que quando fui assistir eu estava com medo. Até reproduzo aqui um trecho do que escrevi anos atrás, em 2015, quando tinha acabado de ler Objetos Cortantes e descobri que iriam fazer uma série baseada nele:

“Dizem por aí que Objetos Cortantes vai virar série. Eu não gostei da ideia. Acho que ele tem tudo pra ser um filme, mas série… Série é longa e precisa de mais material do que existe no livro (George R.R. Martin e suas centenas de páginas tudo bem, mas Objetos Cortantes não pede série). Vão acabar estragando o livro. Quero nem ver!”.

Portanto posso dizer que não era a pessoa mais animada ao colocar o primeiro episódio, intitulado Vanish (desaparecimento ou desaparecer, em português), pra ver. Porém, eu estava esperançosa, mais do que a Livia de 2015, ainda mais porque uma amiga que confio muito no gosto em séries, por ser parecido com o meu, já tinha visto e gostado. E tenho que dizer que gostei também.

A Gillian Flynn, como eu disse aqui no post sobre o livro, escreve MUITO BEM. E ela sabe passar imagens e sentimentos com suas palavras de forma primordial. E ela cria personagens que têm profundidade, que têm camadas, que têm humanidade. Fiquei com medo de não conseguirem transpor para a tela a personalidade da Camille tão bem quanto no livro. Mas, meu bem, eles escolheram a Amy Adams. E, deuses, como essa mulher é boa! Ela consegue passar, sem dizer nada, todos os conflitos internos da Camille, que é o aspecto mais interessante do livro. Só com o olhar dela, com o jeito como ela anda. Pra quem leu o livro fica ainda mais clara toda a personalidade dela, óbvio, e a gente se espanta em como a Amy está conseguindo retratar bem uma personagem tão densa.

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Amy Adams, como Camille.

Como Camille é a personagem principal, narradora do livro, ela é quem mais aparece nesse primeiro episódio e quem conseguimos conhecer melhor. Quanto aos outros personagens, só temos uma pequena mostra de quem é cada um, por isso não dá pra falar muito deles. A única coisa que me incomodou foi a irmã da Camille, Amma, que parece muito velha para a personagem. A Amma tem 13 anos (eu coloquei na cabeça que ela tinha 11, não sei por que) e a atriz que a interpreta, Eliza Scanlen, tem 19, então achei que não imprimiu a inocência e fragilidade física que a personagem do livro nos passa o tempo inteiro.

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Eliza Scanlen, a Amma.

O clima da série também está bastante condizente ao do livro. A tensão, a polaridade de uma cidade de interior, o contraste das cores, a iluminação, tudo está exatamente como a gente imagina enquanto lê. Eu li o livro em 2015, então não lembro com detalhes de tudo, mas enquanto a gente assiste, a imagem casa muito bem com a lembrança da história, então acho que eles acertaram nas escolhas. E eles parecem também estar revelando os mistérios aos poucos, e isso inclui a vida da Camille, o que aumenta o suspense, igualando mais ainda à atmosfera do livro.

Agora é esperar os próximos episódios e ver como vão conduzir a trama. Espero que eu continue sendo surpreendida positivamente!

Ah! Vale dizer que a criadora da série é uma mulher, Marti Noxon, que também escreve os roteiros.

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Gillian Flynn (esq) e Marti Noxon (dir).

E parabéns a todos os escritores pelo dia de hoje!