Metalinguagem

Acabei de passar quatro horas escrevendo um texto de quatro páginas (uma hora pra cada página, acho que tá bom, né). Foi um exercício para a pós que estou fazendo, de Escrita Criativa. Fazia tempos que eu não me dedicava à escrita desse jeito, me forçando a escrever qualquer coisa mesmo que não goste, e com um objetivo: chegar ao fim. Parece um objetivo óbvio, mas todo escritor saber que chegar ao fim nem sempre acontece. A gente começa, já o final… Às vezes ele não chega. E, no meu caso, nos últimos anos, essa tem sido a minha realidade: começar (quando isso) e não chegar ao fim. Tenho sofrido de um bloqueio criativo sinistro, que dura anos. Vida adulta, estresse, casamento, obrigações, separação, boletos a pagar, pouco dinheiro, correr atrás de emprego, tudo isso foi sugando minha energia criativa de um jeito que me vi vazia. Totalmente. Acho que esse modus operandi da gente, de ter que estar sempre ligado, sempre vendo alguma coisa, sempre fazendo alguma coisa, muita informação, pouco tempo pra processar tudo, também mexe com um escritor. Porque a gente precisa do ócio, a gente precisa do “fazer nada”, a gente precisa da cabeça vazia (não de ideias) de vez em quando e uma coisa que minha cabeça não esteve durante esses 4 últimos anos foi vazia. Era tanto problema e tanta pressão (interna, da sociedade, de pessoas próximas) que eu estagnei criativamente. Me era impossível pensar em qualquer coisa interessante pra escrever. Me é ainda, na verdade, mas acredito que esse texto de hoje seja o começo de algo.

Porque a escrita é algo incrível, amiguinhos: uma vez que começa, ela não deixa parar. Vocês acham que estou aqui escrevendo isso por que? Porque depois que terminei as quatro páginas do meu conto, meus dedos estavam ávidos por mais e as ideias estavam começando a borbulhar, sabe, tipo os frogs oblivious in this cosmic jacuzzi? (isso foi uma referência a música Warning, do Incubus, que, se vocês quiserem – se é que alguém ainda lê esse blog -, eu explico aqui e mostro a coisa incrível que é essa música). Mas como meus parafusos já estão fervendo de tanto pensar em uma história para o conto (porque é difícil desenferrujar depois de tanto tempo), não vim escrever ficção, e sim escrever sobre escrever, algo tão comum para escritores (escrever sobre a escrita). Ah, já é um começo, né?

Por isso estou aqui, em plena madrugada, tendo que acordar cedo no dia seguinte (também lido como hoje), mas digitando porque meus dedos parecem mesmo que não querem parar. E me surpreendendo com como o que dizem realmente é verdade: se você quer escrever, se você está travado, ou simplesmente quer começar a escrever algo, sente e escreva. Sem medo. Vai ser difícil, vai demorar, vai sair muita porcaria, mas eventualmente alguma coisa mais interessante vai começar a aparecer, você vai ficar animado com isso, e isso vai te dar força pra continuar e, no futuro, escrever textos menos merdas! Só não esqueça: persista. Persista muito. Persista mesmo quando você quiser desistir. Foi o que fiz hoje. Quis largar meu texto diversas vezes, quis deixar pra lá, quis não entregar o exercício, mas coloquei na minha cabeça que eu ia acabar e que se eu estou fazendo uma aula para estimular a escrita, é isso que eu tenho que fazer: escrever. E eu escrevi. Ficou do jeito que eu queria? Não. Achei que ficou bom? Não. Mas escrevi, e ficou um texto entendível (e bem estilo Douglas Adams, o que me orgulhou bastante). Daqui pra frente é só melhorar.

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