Roma – Crítica

Roma é um puta filme! Desculpa a linguagem, mas é tudo isso que as pessoas estão falando mesmo: uma obra-prima. Mas antes de eu falar mais sobre esse filmaço, aí vão as categorias pelas quais eles está indicado – e não são poucas (junto com A favorita, Roma é o filme com mais indicações ao Oscar desse ano).

Melhor Filme

Melhor Filme Estrangeiro

Melhor Roteiro Original

Melhor Direção (Alfonso Cuarón)

Melhor Atriz (Yalitza Aparicio)

Melhor Atriz Coadjuvante (Marina de Tavira)

Melhor Direção de Fotografia

Melhor Direção de Arte

Melhor Edição de Som

Melhor Mixagem de Som

roma-filme-da-netflix-dirigido-por-alfonso-cuaron-e-forte-candidato-ao-oscar

Vamos falar das coisas boas do filme. Fotografia: check! Atuações boas: check! Roteiro bem escrito: check! Filme em preto e branco: check!

Ok, filme em preto e branco não é necessário pra um filme ser bom, mas dá todo um estilo e charme, né? E no caso desse filme, era um dos quesitos primordiais do diretor, Alfonso Cuarón (também conhecido por dirigir Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban, Gravidade e, o meu favorito, Y tú mamá también, filme que me apresentou dois amores de minha vida, Diego Luna e Gael García Bernal. Ah! E também um clássico da infância da minha geração, A princesinha). Os outros eram que o filme fosse todo retirado de suas memórias e que fosse centrado em Cleo, personagem inspirada em sua babá desde os 9 meses de idade, Liboria Rodríguez (Libo). Isso porque o filme é uma reprodução de suas memórias de infância, tendo a babá como a narradora do filme, já que as situações são contadas pelo seu ponto de vista, ou seja, acompanhamos as cenas da perspectiva de Cleo. Porém, conseguimos entender também como foi fazer parte de uma família mexicana de classe média (alta, ao meu ver) dos anos 70 – e como era trabalhar para tal.

Tem muita gente comparando Roma (que, aliás, é o nome do bairro onde a família mora, situado na Cidade do México, no México) com o nosso Que horas ela volta, mas eu não posso dar minha opinião sobre isso porque não assisti (ainda) o filme brasileiro, mas do pouco que sei dele, Roma tem similaridade na crítica contundente às disparidades sociais que existem no país. E isso fica claro durante o filme inteiro, com cenas intencionalmente iguais, porém com personagens diferentes, ou seja, a mesma situação vivida por personagens de classe média e depois por personagens de classe baixa. E não tem como não se chocar ou não ficar tocado em algum jeito por isso. Ainda mais pra nós, brasileiros, que sabemos que acontece a mesmíssima coisa por aqui.

A história, como eu disse, gira em torno da vida de Cleo, uma mulher jovem vinda de um povoado indígena e trabalha na casa dessa família de classe média que se consiste em mãe, pai, 4 filhos e um cachorro. Mas a figura paterna é praticamente ausente em todo filme – fisicamente, porque seu nome e sua presença são notados por várias vezes durante o longa. A ausência física, porém,é um dos focos do filme. Assim como o modo como Cleo enxerga tudo.

Cleo foi interpretada pela atriz iniciante Yalitza Aparicio, que está muito bem, visto que é um filme difícil e sem roteiro. Sim, Cuarón só dava a situação para seus atores e eles improvisavam, o que não é fácil para atores iniciantes, e talvez por isso uma das críticas que ouvi foi que a personagem não reage a nada. Mas achei que todas suas reações são bem condizentes a uma mulher do interior vindo para cidade grande e naquela época. Mereceu mesmo a indicação, assim como a de Marina de Tavira, a mãe que às vezes a gente odeia e às vezes a gente se compadece porque a situação em que elase encontra não é fácil, não. Aliás, acho que essa filme é uma baita crítica ao machismo também.

Ao meu ver, é uma ótima releitura da época (inclusive mostrando muito bem um episódio que marcou a história do México), de como a sociedade se portava, de como a mesma ação pode afetar várias pessoas de formas diferentes.

Além do mais, é um filme bonito mesmo. Mas alguns podem reclamar do seu ritmo. Pessoalmente, não achei o filme parado e em várias cenas fiquei com o coração na mão, sentada na ponta do sofá (vale lembrar que o filme está disponível no Netflix, porque Cuarón sabia que teria dificuldade para distribui-lo). Mas sei que algumas pessoas terão dificuldade de assisti-lo. Isso é questão de gosto (e um pouco de costume), não tem jeito. Mas acho que todo mundo deveria ao menos tentar assistir, porque é um filme arraso!

Um comentário em “Roma – Crítica

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s