Do que você precisa?

Acabei de ver um filme do Woody Allen chamado A outra (ou Another woman, no original) e uma frase me pegou de jeito. Tão de jeito que não consegui parar de pensar nela desde o momento que a ouvi.

“I do need something. Only I don’t know what it is exactly.” (“Eu preciso de alguma coisa sim. Só que não sei do que exatamente”, em tradução livre)

Não sei vocês, mas é exatamente assim que me sinto! EXATAMENTE!

Eu sempre achei que fosse ser aquela pessoa que faria muito sucesso quando “crescesse”. Sabe, você cresce sendo filha única, todo mundo te diz que você tem inúmeros talentos, que tem muito potencial, que com certeza você terá um futuro brilhante. Só que a realidade acontece, você chega aos 30 anos e não é nada daquilo que você previu. Confesso, muito disso foi culpa minha. Eu sempre achei que, por ser muito talentosa, as oportunidades apareceriam na minha frente como mágica e em pouco tempo eu seria super bem sucedida porque não é isso que acontece com pessoas talentosas? Elas simplesmente acontecem? Voam? Brilham? Não, queridinhos, não é bem assim, e ha uns cinco anos atrás, mais ou menos, percebi isso. E comecei a me movimentar. Mas as coisas nunca parecem sair muito do lugar. Eu tenho dois livros publicados? Tenho. Isso é algo raro? É. Fico super feliz com isso? Fico. Mas quem leu mesmo os meus livros além da minha família? (porque nem amigos posso contar que tenham lido) Conheço poucos. E eu esperava mais. E eu queria mais pra mim. Ainda quero, porque sei que posso. E continuo tentando.

“Mas Livia, o que isso tem a ver com a frase do filme?” Tem a ver que talvez o motivo por eu não ter chegado “lá” ainda seja porque eu não sei bem o que quero. Eu tenho uma ideia. Sei do que não gosto, o que já é meio caminho andado pra escolher algo. E sei do que gosto que, infelizmente, são muitas coisas, o que me faz não me focar muito em nada. Ultimamente, tenho focado na minha escrita, apesar de no Brasil ser difícil viver de livros. E no blog. E no meu canal. E tenho colocado em prática projetos paralelos também, como minha lojinha de cadernos e outras ideias que ainda não estão tão concretizadas para falar por aqui. Ou seja, eu tenho me movimentado, tenho me mexido, apesar de muitas pessoas acharem que não (e eu sei que muitas pessoas acham que não). E por muitas pessoas acharem que não, me sinto péssima. Se fossem pessoas aleatórias, eu não teria problema nenhum com o que pensam sobre mim (mentira, mas vamos fingir que é verdade), mas são amigos próximos. E isso me entristece. E me faz pensar se não tá na hora de esquecer os sonhos e as coisas que gosto pra fazer, trabalhar em qualquer coisa que me sustente. E aí entra esse filme maravilhoso de novo.

Marion: E então disseram que eu ficaria traumatizada ao chegar aos 50, e eles estavam certos. Vou falar a verdade, acho que nunca me recuperei desde que fiz 50 anos. Hope: Ah, mas poxa, 50 não é tão velha assim. Marion: Não, eu sei, mas é que... De repente, você olha e vê como sua vida está. Hope: Sua vida é boa, não é? Marion: Bem, eu achava que sim. Mas aí tem as chances que passaram e você não pode mais recuperá-las.

Marion: E então disseram que eu ficaria traumatizada ao chegar aos 50, e eles estavam certos. Vou falar a verdade, acho que nunca me recuperei desde que fiz 50 anos.
Hope: Ah, mas poxa, 50 não é tão velha assim.
Marion: Não, eu sei, mas é que… De repente, você olha e vê como sua vida está.
Hope: Sua vida é boa, não é?
Marion: Bem, eu achava que sim. Mas aí tem as chances que passaram e você não pode mais recuperá-las.

O filme é sobre uma mulher de 50 anos que se vê desanimada com sua própria vida e repensando tudo que fez pra chegar até ali e se o rumo que está tomando é mesmo o que ela quer tomar ou se somente um resultado de situações que a levaram sem querer – e sem ela escolher muito – até ali. Marion, a mulher em questão, acabou fazendo escolhas que eram “certas” na visão da sociedade e até na visão equivocada que ela tinha do mundo, mas que não a satisfaziam. E isso me fez pensar muito na minha situação atual. Será que é preciso desistir dos meus sonhos? Será que é mais importante ganhar dinheiro do que ser feliz? Fazer qualquer coisa pra conseguir pagar contas de casa e, lá no fundo, me sentir angustiada e infeliz é realmente viver? Ou só sobreviver? Eu quero viver ou sobreviver? Estou vivendo ou sobrevivendo? (uma pergunta que me faço constantemente) E o que é viver pra mim? E como viver de verdade? São tantas perguntas que seguem sem respostas, mas essa, que Marion se pergunta e eu também, “é melhor ganhar dinheiro e viver infeliz ou se ferrar e ser feliz”, tem uma resposta muito clara na minha cabeça. Na verdade, no meu coração, porque minha cabeça continua me dizendo que é precisa pagar contas.

Mas eu sei que não quero olhar pra trás, vinte anos pra frente, e pensar que só tenho arrependimentos. Que eu devia ter escolhido o caminho pra minha felicidade, e não me contentado com qualquer empreguinho ou qualquer outra coisa furreca só pra me enquadrar nos padrões sociais ou no que os outros esperam de mim. Então vou tentando construir minha felicidade como dá, mesmo aos poucos, mesmo devagar, mas com muita convicção e dedicação. E tentando me descobrir cada vez mais.

*desculpem-me pelo teor de desabafo do texto, mas ele precisava sair, senão eu ia pirar.

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Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

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Boa notícia!

Não, eu não tenho uma boa notícia pra dar. Quer dizer, até tenho, mas não relacionada a mim, e sim ao mundo. E não é só uma boa notícia, são várias! E pra nossa sorte, estão todas reunidas num Tumblr maravilhoso chamado a boa notícia do dia. (sim, assim mesmo, tudo em minúsculo, e com pontinho final no fim)

A logo do tumblr.

A logo do tumblr.

Eu tenho a mania de, assim que eu acordo, pegar meu celular e entrar no Facebook. Mania horrível, eu sei, mas manias são manias e geralmente são ruins. Enfim, entrei no Facebook e a primeira coisa que vi foi uma postagem de uma amiga que dizia: “A internet nos tirou a ilusão que tínhamos da humanidade.” Não foi a primeira vez que vi alguém falar algo parecido e até eu já cheguei a dizer algo desse tipo. Mas se você parar pra pensar, isso é só uma questão de escolha. Porque sim, com a internet, todo mundo se sente mais livre para dizer sua opinião, e com isso muita gente que pensa atrocidades ou algo diferente do que nós pensamos ou do que consideramos ser o certo também tem essa mesma liberdade de se expressar. E ler opiniões que discordamos imensamente nos deixa tristes e infelizes com o mundo. Mas será que não é só uma questão de estarmos olhando para o lugar errado? Porque do mesmo jeito que essas pessoas tem liberdade, as pessoas que pensam como a gente e fazem coisas que achamos legais e que são super exemplo de vida também tem um espaço maior para se expressar e mostrar o trabalho legal que fazem. Vide as inúmeras ongs de proteção aos animais que descobrimos existir via redes sociais. Ou outras que só puderam existir por causa delas. É óbvio que a mídia vai preferir divulgar notícias que choquem e que nos deixem mal. Resta a nós escolher se queremos fazer isso também. E se queremos só ler notícias desse tipo. Porque a internet nos dá esse poder de escolha, de buscar o que queremos ler. E não me vem dizer que não tem notícia boa por aí porque isso é mentira deslavada!

Senhorinha que salvou 100 cães na China.

Senhorinha que salvou 100 cães na China.

Mas se você ainda acha que só existe notícia ruim por aí, te dou uma boa: existe um lugar que foi criado somente para a divulgação de notícias que vão deixar seu coração mais quentinho. Que vai te fazer ter esperança na humanidade. São notícias como “Idosa se alfabetiza aos 67 anos, e, aos 79, se forma em universidade do Rio“, ou “Noiva surpreende avó com convite para ser madrinha de casamento“, ou “Artista inventa ferramenta que permite que crianças com deficiência consigam pintar“, ou “Aposentada gasta fortuna para salvar 100 cães de festival da China” (foto acima), ou “Flagra de funcionária dando sorvete a deficiente físico comove redes sociais“, e só notícias boas desse estilo. As autoras do tumblr disseram que criaram o site em 2012 para mostrar as coisas boas que aconteceram naquele ano, mas o site ganhou vida própria, muita gente gostou (quem não gostaria?), então elas não pararam mais. Hoje, continuam alegrando nossos dias com notícias boas e felizes todos os dias. E uma notícia melhor ainda: você também pode mandar notícias boas para o site e ser alguém que coloca um sorriso no rosto de outra pessoa.

A avó que foi convidada pela neta pra ser madrinha do casamento. Vê se uma foto dessa não te deixa mais feliz?

A avó que foi convidada pela neta pra ser madrinha do casamento. Vê se uma foto dessa não te deixa mais feliz?

Por isso acho que é tudo uma questão de escolha. A gente pode escolher que tipo de notícia quer ler e escolher se queremos nos revoltar, ficar irritados, achar que o mundo é uma droga, ou perceber que existe sim esperança porque ainda há muita gente boa no mundo. Basta procurar. E o melhor mesmo é ser uma dessas pessoas.

Tumblr: http://aboanoticiadodia.tumblr.com/

Página do facebook: https://www.facebook.com/aboanoticiadodia?fref=ts

Moradores de rua de Cabo Frio (RJ) vão ao cinema pela primeira vez.

Moradores de rua de Cabo Frio (RJ) vão ao cinema pela primeira vez.

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Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, baseado numa fanfic que escrevi de Mcfly, publicado em 2013)

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Sobre a necessidade dos filmes “ruins”

Eu já estou há 5 meses sem trabalhar, o que significa que fico muito tempo em casa, o que significa que eu fico angustiada e nervosa e ansiosa e deprê costumeiramente (porque uma coisa e você trabalhar e ter um tempo pra fazer nada, outra e esse tempo perdurar para sempre). E eu ainda tenho insônia, o que piora tudo ainda mais. E essa semana eu ainda estava doente, o que piorou minha insônia. Mas Livia, essa avalanche de coisas ruins vai ter um fim e tem um propósito ou, pelo menos, uma ligação com o tema do post?, você me pergunta. Vai sim, padawan, paciência tenha.

E numa noite dessas (mais exatamente, dois dias atrás) de insônia gripada e ansiedade extrema, eu percebi que não podia deixar isso tomar conta de mim e liguei a televisão (depois de varias tentativas frustradas de escrever algo). Como não tinha nada interessante passando e eu não tava a fim de ligar o videogame (para entrar no Netflix), procurei um filme pra ver no Now da Net (pra quem não tem, e tipo um Netflix da Net, de programas dos canais da Net, mas você paga por filme que assiste, porem, tem filmes grátis também, no caso, era entre esses filmes que eu procurava um). Eu tinha um objetivo em mente: encontrar um filme idiota que me fizesse rir e tirasse todos os problemas da minha cabeça. Encontrei o filme Vizinhos, que eu já tinha visto trailer um tempo atrás e sabia ser exatamente assim, e ainda tinha o plus de ter Seth Rogen, ator que adoro. Outro plus foi ter Zac Efron assim como esta na foto, mas isso só soube depois de já ter dado play.

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Hey-yo!!!!

O filme atingiu em cheio meu objetivo. Obviamente, não da pra esperar um filme super cheio de mensagens boas e que você sai pensando varias coisas sobre a vida, o universo e tudo mais. Mas consegue sim te fazer rir, e como era isso que eu queria, por mim a missão foi super bem cumprida.

So pra contextualizar, Neighbors (no original) conta a historia de um casal de 30 e poucos anos que tem uma filha pequena e acabou de comprar uma casa em um bairro legal. So que, pouquíssimo tempo de se mudarem, a casa ao lado e ocupada por uma fraternidade (olha que merda!) barulhenta. Como eles estão naquela fase da vida de tentar se afastar do rotulo de velhos (aquela fase horrorosa que você ainda se considera jovem, mas os jovens de verdade já te consideram velhos, e você quer se manter jovem, mas não tem mais atitudes de jovem e… ah! pra resumir, a faixa dos 30. I`m there!), se aproximam dos presidentes da fraternidade (Zac Effron e o adorável – adorável porque eu adoro ele – Dave Franco, sim, irmão de James Franco) pra mostrar que são cool, mas ao mesmo tempo querem pedir pra eles maneirarem na zoeira. A melhor cena pra mim e a dos dois treinando o jeito que vão chegar para falar com os garotos. Me escangalhei de rir! Ok que qualquer coisa que o Seth Rogen faz eu rio horrores (adoro o tipo de comédia que ele faz, e esse filme tem a cara dele, apesar do roteiro e da direção não serem dele).

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Poster do filme.

Enfim, pra resumir, eu adorei o filme, ri muito, e fui dormir muito mais tranquila e leve, mesmo tendo me identificado muito mais com o casal de 30 e blaus anos do que com os garotos da fraternidade, o que só indica que estou mesmo velha. Não que eu fosse me identificar com os caras de fraternidade quando era mais nova, porque sempre achei idiota essa ideia toda de fraternidade e de festas sem fim e de pessoas que só pensam em beber e em pegação. Se eu visse o filme há dez anos, me identificaria muito mais com o casal também, mesmo estando longe de ter filhos (o que continua sendo o caso hoje) e não tendo minha casa própria nem sendo casada.

Mas, voltando ao filme, exatamente por essa sensação de leveza que o filme me passou que filmes assim são necessários. Eles são os filmes que gosto mais de ver? Não. Eu escolheria esse filme num dia normal? Não. (se bem que como puxo sardinha pro Seth, eu veria sim, de qualquer jeito) Mas esse estilo de filme cabe exatamente em dias assim, quando tudo que você quer e precisa e rir e se divertir. Eu sou totalmente contra o movimento de que todos os filmes devem fazer você pensar e passarem uma lição e uma mensagem profundas. Eu acho que a maioria das pessoas só vê filme que não acrescenta muita coisa e deveria ver mais filmes que tem a qualidade melhor? Sim. Eu acho que, principalmente no Brasil, a maioria dos incentivos são dados a realizadores que produzem filmes de comédia e filmes que não tem uma qualidade técnica muito boa? Sim. Mas essa e uma discussão sobre a cultura no Brasil que não cabe discutir no momento. Mas isso não quer dizer que os filmes bobos não devam existir, porque as nossas mentes precisam descansar. Imagina se num dia como o que eu estava tendo quando vi Vizinhos eu buscasse um filme e só tivesse filmes que são considerados bons pela critica? Eu acho que não ia dormir com a mesma leveza. Sim, eu sei que também existem comédias excelentes e de melhor qualidade, como os filmes do Wes Andersen (falei um pouco sobre ele nesse post aqui), mas eu queria algo muito bobo e rapidinho, o que não e o caso. Então Vizinhos foi ideal pra minha cabeça e meu estado de espírito do momento. Esses filmes mais bobinhos são muito necessários!

Como eu disse uma vez sobre literatura, acho que deve haver um equilíbrio. Acho péssimo, como mencionei acima, pessoas que só assistem a esse tipo de filmes porque ficam muito limitados intelectualmente. Ha vários filmes maravilhosos que adicionam muito para nossa experiência de vida e o modo como enxergamos o mundo – e filmes como Vizinhos, sejamos sinceros, não estão incluídos nessa categoria. Mas eles tem sua função no mundo, que e divertir, distrair, fazer rir, e isso pode mudar pra melhor o dia de uma pessoa, exatamente como aconteceu comigo. Por isso, graças a todos os deuses existem esses filmes bobos pra inserir um pouco graça nas nossas vidas serias e colorir um pouco mais os dias.

Assim como ver Zac Efron também ajuda.


Gente, mudando um pouco de assunto, amanha tem aquele dia que gostamos de chamar de Dia dos Namorados, e se você ainda não sabe o que dar pro seu bo ou pra sua boo (alguém ainda usa essas expressões ridículas?), no meu canal no YouTube eu ensinei a fazer uma caixinha mega fácil e mega barata usando fotos de vocês dois. Super dica! Beijos!

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Sobre a vida, o universo e tudo mais

Acabei de ver um filme muito ruim chamado Casi Treinta (quase trinta, em espanhol). Pois se ele é muito ruim, por que você está falando dele aqui?, você pode estar pensando. Porque apesar de o roteiro ser ruim, os diálogos serem péssimos e os atores não saberem atuar, ele passa uma mensagem no final que, apesar de cliché, me atingiu certeiro por eu estar passando por um momento bem parecido, e eu sou daquelas que acha que tudo acontece por um motivo. Ou seja, eu não escolhi assistir esse filme, entre centenas de filmes que existem no Netflix, à toa.

casi 30

O filme (que está representado pelo cartaz aí de cima, só pra vocês saberem qual é e nunca ver, ou então ver só pra ter certeza por conta própria que é ruim) fala sobre um cara que tem uma vida de merda que ele não gosta muito por razões pessoais, faz uma viagem para sua cidade natal (seu amigo vai casar) e se dá conta de que está fazendo tudo errado porque não está seguindo seu sonho, e só seguindo seu sonho ele será feliz (sim, eu acabei de estragar o final pra vocês, mas falando sério, não valia a pena assistir anyway). E foi isso que me pegou, o detalhe que nossa geração (pelo menos a minha, dos “casi treinta” – ou, no meu caso, treinta) vive ouvindo desde que se entende por gente: você tem que seguir seus sonhos. Mas será que dá?

No caso do personagem principal (o filme é tão bom que nem me lembro do nome dele. ah! lembrei! Emilio), ele pôde viver seu sonho no final das contas porque tinha trabalhado muitos anos num emprego que ele odiava, mas que ele ganhava muito muito muito muito bem para fazer. Então é sim possível passar um ano sabático só escrevendo (no caso, o sonho dele era ser escritor), mesmo num país não muito bem financeiramente como o México, onde o filme se passa. Mas e se você não tem esse luxo? E se você não vem de família abastada, nem conseguiu juntar seu primeiro milhão, e provavelmente nunca conseguirá? Será que dá pra seguir seu sonho?

Eu sempre fui a primeira a repetir sem parar a premissa maior mais difundida por filmes, livros, séries, novelas e todas essas coisas que servem para nos entreter. Eu tinha um sonho – na verdade, eu tinha vários -, e eu tinha certeza de que iria realizá-los. Porque eu lutaria por eles e, obviamente, se a gente luta por algo, a gente consegue. Só que eu vivia no mundo da fantasia, e quando percebi que no mundo real não é bem assim, eu caí do cavalo bonito. E foi uma bela queda.

Um dos problemas para mim foi perceber qual era meu verdadeiro sonho um pouco tarde demais. Eu já estava fazendo faculdade de produção cultural (na verdade, estava mais perto do final do que do começo) quando percebi que meu sonho era trabalhar com cinema. Escrever para cinema. Mas por vários motivos, um deles sendo falta de informação, outro sendo falta de confiança em mim mesma, decidi terminar a faculdade que eu estava fazendo e só fazer cursos de roteiro. E eu fiz, vários, inúmeros – que não me levaram a lugar algum. Sabe, é muito difícil se inserir no mercado audiovisual, ainda mais quando se é apenas uma roteirista. Quando você quer dirigir ou produzir é um pouco mais fácil – veja bem, eu disse um pouco, porque continua sendo difícil. Fica ainda mais difícil quando você não frequentou uma faculdade de cinema e não fez contatos. Cinema é total movido por QI (quem indica), pelo menos é o que eu vejo (se você é de cinema e teve uma experiência diferente, me desculpe pela abobrinha que eu disse, e me conte sua experiência!) e se eu não conheço ninguém (nesses cursos que eu fazia eu quase não falava com as pessoas devido minha timidez), como entrar? Só que só percebi isso muito mais tarde, quando eu já estava formada em produção cultural e praticamente casada, ou seja, começando a montar uma vida a dois, ou seja, não dá mais pra ser egoísta e pensar só nos meus sonhos. Quando a gente vai morar sozinho, a gente precisa ganhar dinheiro. E todo mundo sabe que quando você está começando em algo o dinheiro é pouquíssimo, isso quando existe. Na área de audiovisual, é muito comum se trabalhar, no início, por nada, só pra ganhar experiência e começar a conhecer pessoas. E isso não era algo que eu podia fazer porque tinha uma casa para bancar. Ou seja, nesse caso, não dá pra seguir o sonho não, galera.

A realidade é muito diferente da expectativa, e às vezes só só percebe isso quando está lá, cara a cara com a realidade. Claro que muito vai das escolhas que você faz. Eu podia escolher dar adeus ao Raphael, ou segurar um pouco a ansiedade e casar com ele mais tarde. Mas, pra mim, ter a minha casa e morar com ele era mais importante – e continua sendo. Na verdade, foi muito bom eu ter saído de casa. Apesar de ficar longe dos meus gatos, melhorou muito a relação com minha mãe, aprendi a ser mais responsável (não totalmente ainda, mas tô caminhando), aprendi a enxergar mais a realidade das outras pessoas, já que só depois de ter que bancar uma casa sozinha (com Raphael) e ver o quanto isso é difícil me fez perceber que nem todo mundo tem a vida fácil que eu tinha antes de sair da casa dos meus pais. Amadureci muito casando, e tô aprendendo muito com essa experiência, tanto com Raphael quanto comigo mesma. Aliás, tô aprendendo e descobrindo mais coisas sobre mim que nunca seria possível se eu ainda fosse bancada por mãe e pai. Mas isso também significa frear os sonhos, colocar a cara inteira na realidade e perceber que nem tudo é do jeito que a gente quer, às vezes temos que fazer o que é preciso fazer, e não o que nossa cabecinha sonhadora sempre pensou que fosse seu futuro.

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Grafite do artista plástico (e brilhante) Banksy.

Mas como um dos personagens diz no final do filme (é, eu estraguei o filme totalmente pra vocês mesmo), nunca é tarde para tentar, então quem sabe, quando eu tiver mais estabilizada financeiramente, quando tiver pelo menos um pouquinho para dar uma chance ao sonho, eu não possa voltar para ele? Mesmo tendo bem mais do que casi treinta!

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A Salva-vidas

Às vezes eu fico sem saber se cabe escrever umas discussões filosóficas e existenciais aqui, mas aí depois eu penso que eu posso escrever o que eu quiser, já que esse espaço é meu, mesmo correndo o risco de ninguém ler. Mas vou correr o risco.

Na verdade, esse post é um pouco sobre o filme A Salva-vidas (The Lifeguard, no original) que eu vi há pouco tempo. Eu demorei a ver o filme porque, apesar de ser com a Kirsten Bell, atriz que eu adoro só porque fez Veronica Mars, o cartaz é a própria de maiô vermelho típico de salva-vidas, o que me remeteu a algo trash como um Baywatch da vida. Mas quando resolvi finalmente ver o filme, vi que não tem nada a ver com Baywatch. E mais uma vez a vida me joga na cara que é errado julgar as coisas pela capa. Ok vida, acho que dessa vez aprendi a lição. Ou não.

O tal poster do filme. Não tem cara de Baywatch do bem?

O tal poster do filme. Não tem cara de Baywatch do bem?

O filme é sobre uma mulher (Kirsten Bell) que percebe que sua vida está uma merda porcaria na “cidade grande” (NY), e volta para sua cidade natal. Uma grande fuga de sua realidade, essa é a verdade. No momento em que revê o cenário familiar do lugar em que cresceu, seu rosto já muda de expressão e ela se sente melhor. Porque todos sabemos o quanto é bom estar em um lugar onde você conhece cada pedaço e se sente protegida por causa disso, ainda mais quando você volta para casa dos seus pais. Quer mais proteção e familiaridade do que os pais? Aí ela arranja um emprego como salva-vidas de um condomínio, emprego esse que ela já tinha trabalhado quando bem mais nova (mais uma vez a tal segurança), e acha que tudo vai ficar bem. E não vou contar mais pra não dar spoilers. Mas esse filme me fez pensar muito sobre a minha vida. Primeiro porque a personagem tem 29 anos (e faz questão de deixar bem claro que são 29 anos, e não 30), como eu. E segundo porque ela está totalmente perdida e sem saber o que fazer da vida, como eu.

Sim, acho que muitos sabem que sou escritora e que até semana passada eu trabalhava em uma editora, ou seja, eu posso continuar trabalhando como assistente editorial em outra editora, e é exatamente para esses lugares que meus currículos estão sendo destinados. Mas quem disse que é só isso que quero fazer? Quem disse que não tenho outros interesses e quem disse que não quero trabalhar com coisas relacionados a esses outros interesses? E esse é um grande problema, os diversos interesses. Se eu gostasse somente de uma coisa, como minha mãe, que sempre soube que queria ser médica…

Meses atrás, tipo, muitos meses atrás mesmoOutro dia, estava conversando com uma amiga e chegamos a conclusão (bem, ela chegou, eu só concordei) que as pessoas que são mais capazes, as mais inteligentes e que parecem ter muitas facilidades e habilidades são as que mais têm dificuldade no mundo. É o que ocorre com a personagem do filme, que era a melhor aluna da classe quando adolescente. E é um pouco o que acontece comigo. Não estou dizendo que sou wow fantástica e super inteligente, o meu caso é mais o de ter várias habilidades. E isso não é legal. Não é legal não ter um foco. Quando você está fazendo uma coisa, você pensa que poderia estar fazendo outra, que talvez aquela terceira habilidade seria mais legal de fazer. E você fica nessa montanha-russa eterna. E isso complica ainda mais quando você é uma perfeccionista que não admite errar como eu. Porque você tem tantos interesses e quer fazer tudo ao mesmo tempo, e acaba não fazendo nada direito e se achando um fracasso. E não sabe o que fazer da sua vida. Porque é duro demais desistir de um interesse para focar totalmente em outro. E é mais duro ainda quando você vê pessoas se dando super bem em algum interesse seu, que sempre foi seu,  enquanto você está paralisada e perdendo sua identidade como pessoa que tem aquele interesse.

Esse filme realmente me tocou muito. Me fez refletir demais. Me fez pensar se talvez eu não tenha que parar de querer tudo e focar em uma coisa só, se não tenho que parar de ter medo de falhar e meter a cabeça de vez, se eu não tenho que tentar perceber o que mais amo de tudo que gosto e me focar nisso, e tentar meu melhor nisso e só nisso. Ou se não tenho que tentar fazer tudo, já que amo tudo, e ficar sem dormir tentando fazer tudo, já que isso que vai me fazer feliz. Mas dando 100% de mim, sem medo de fazer merda (oops, falei palavrão. sorry). Enfim, nada a ver com Baywatch mesmo, né?

É um filme que reflete muito a minha geração, a geração que está sendo adolescente por mais tempo e com muito medo de crescer. E que, ao mesmo tempo, se culpa horrores por ainda estar estagnado, por não ter seu milhão e não estar totalmente estável, coisa que nossos pais estavam quando tinham nossa idade. Mas temos que lembrar que eles são de outra geração, uma geração que não tinha opções. Nós temos, e é muito comum demorarmos mais tempo pra sair de casa, pra conseguir um emprego estável, pra parar de estudar (porque estamos cada vez nos especializando mais). Só não podemos nos perder nessa “facilidade” e segurança e ficarmos pra sempre na barra da saia de nossas mães e com medo de enfrentar um mundo que, let’s face it, não adianta a gente se esconder porque vamos ter que enfrentar algum dia. Só não precisamos perder nossa criatividade e criança interior, tudo dá para ser equilibrado.

E sério, vejam esse filme! É muito bom!

The world is a roller coaster and I am not strapped in. Maybe I should hold with care,but my hands are busy in the air. (Wish you were here, Incubus)

The world is a roller coaster and I am not strapped in. Maybe I should hold with care,but my hands are busy in the air. (Wish you were here, Incubus)