Alice Maria (cap. 4)

(e às 23:46 de uma 5a feira, ela surge de volta. com vocês, Alice Maria)

*

Faltam dois dias pro ano novo, estamos todos no apartamento de Ulisses e Elisa, decidindo como será o ano novo. Na verdade, como vamos para o ano novo, que esse ano não será no apartamento de Ulisses (e Elisa), como todo ano, e sim na casa de Fausto em Búzios (“Foi um ano difícil, a gente tem que pelo menos terminar ele com uma festa de arromba”, disse alguém que não lembro quem foi). Não consigo parar de olhar pra Bernardo, sentado ao lado de Daniela, batendo altos papos. Como pode Bernardo, sabendo que somos todos inimigos declarados de Daniela (a garota quase expulsou Elisa da própria casa por ciúmes do Ulisses!), ter ficado amigo dela? “Ela não é tão ruim quando se conhece melhor”, disse ele. Não importa! Você não devia sequer ter querido conhece-la, pra começo de conversa, eu disse. Ou não disse, talvez tenha ficado somente na minha cabeça. Não, eu provavelmente disse. Mas ainda assim Bernardo não me ouviu e agora fica aí, de amizade com o inimigo. Traidor! Tô com tanta raiva que nem escuto quando Elisa pergunta se minha irmã vai mesmo com a gente pra Búzios, como ela tinha dito da última vez que encontrou a galera. Só reparo quando Elisa enfia a cabeça bem na minha frente e grita:

“Aliceeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!”

Dou uma breve golfada para dentro da boca devido ao susto. Os outros riem. Daniela também. Ah, eu quebro todos os seus dentinhos , um a um, e faço você engolir! Os outros são meus melhores amigos desde sempre, já você…

“Sua irmã vai com a gente?” Elisa repete, provavelmente mais enfática que da última vez.

“Vai, cruzes.” Respondo, soltando a perna de Rodrigo, que agarrei automaticamente quando Elisa berrou na minha cara. Logo depois, ele puxa a perna pra cima da cadeira que está sentado. Será que tem alguma ligação?

“Então somos onze.”

“Doze.” Diz Valentina de sua cadeira. “Meu irmão também vai porque meus pais vão pra uma festa de adultos.

Todos reparamos na irritação na voz de Valentina, mas decidimos ignorar para não deixar a situação ainda pior. A gente sabe que Valentina odeia a pouca atenção que seus pais dão ao Lucca e ela tá super certa – se é pra ter filho, é pra cuidar (ai meu deus, se é pra ter filho, é pra cuidar!!!!!!!!!!!!!!!) – , mas melhor não incentivar pra ela não se entristecer mais ainda.

“Mais alguém que não tinha avisado antes que ia e agora decidiu que vai, mesmo a gente já tendo comprado tudo pro ano novo?”

Tenho até medo de levantar o dedo pra falar que meu irmão vai com a namorada, mas tenho que fazer, mesmo tendo que enfrentar o olhar fuzilante de Elisa.

“Mas ele vai de carro, então, na verdade, mais ajuda do que atrapalha.” Adiciono.

Não adianta. Elisa bufa. Me lembrou alguém…

Portanto, assim vamos no dia 31: Valentina, Estevão e Lucca no carro do Ulisses;  Bernardo e a namorada (Érika) no carro da recém bff do Bernardo (ew!); Amanda e Julia, minha “cunhada”, no carro do Alan; e eu, Rodrigo e Elisa com Fausto. Eu só rezava pro Fausto e pra Elisa não darem com a língua nos dentes no caminho, e nem ninguém falar NADA durante a estada em Búzios.

 

Magicamente, conseguimos todos acordar cedo para a viagem no dia 31. Saímos um pouco mais tarde que o esperado (às sete, em vez de cinco, como Estevão sugeriu), mas ainda cedo. Não sei como consegui acordar às seis da manhã depois de ter dormido às quatro, isso porque Rodrigo dormiu em casa e quis fazer coisas e eu não quis (pois é, nunca achei que isso fosse possível) porque senão, bem, ele iria ver minha barriga. E com isso fiquei pensando que eu teria que contar logo, antes que eu pareça uma grávida de verdade – e antes também de ouvir algum telefonema da minha mãe, que desde que soube, me liga todo dia, perguntando como estou me sentindo e com várias dicas de como passar uma gravidez tranquila – e com isso a insônia imperou, claro. Não sei mais que desculpa dar, não sei mais como agir, e isso está me dando nos nervos. Talvez tenha sido por isso que passei tão mal durante o caminho até Búzios porque, até então, eu não tinha ficado nem enjoada. Fausto e Elisa se entreolhavam toda vez que eu pedia pra parar o carro pra vomitar (ODEIO vomitar em saquinhos, só me faz querer vomitar mais ainda, com aquela gosma tão perto do meu nariz e o cheiro que fica impregnado ali dentro), mas Rodrigo não desconfiou de nada. Achou só que eu tinha comido alguma coisa estragada – ainda bem.

Por causa dessas paradas, chegamos mais tarde que o resto das pessoas. O que foi bom, porque escapamos de pelo menos duas horas de arrumação, já que eles acharam que “se Fausto chegar e as coisas não estiverem em ordem, ele vai dar um chilique”. O que era verdade. Porém, fui liberada da arrumação. Fausto disse que depois de fazer tanto esforço pra colocar tanta coisa pra fora, eu precisava de um tempo pra recalibrar. Não me opus, obviamente. Por isso, deixei minhas coisas no quarto que eu dividiria com Rodrigo, meus irmãos e Julia (a casa era grande, mas não infinita), e fui pegar um ar na beira da piscina.

*

“De onde você acha que surgiu o vento?”

“A gente já teve essa conversa, Alice.”

Olho para o céu. E então para Fausto. E tento outra conversa.

“Você acha que a gente vai confundir estrela com fogos de novo?”

“Isso não vai colar dessa vez, Alice.”

Cara confusa da minha parte.

“Você não vai ficar falando de assuntos aleatórios pra fugir dos seus problemas, ainda mais quando eles são in-fugíveis.”

Cara irritada da minha parte.

“Não é mais fácil resolver tudo logo?”

Cara de ódio da minha parte.

Levanto e vou ajudar a arrumar a casa. Melhor do que ouvir o sermão de Fausto. Decepção.

 

Depois disso, passo o dia emburrada. Entristecida. Amuada. Como você quiser chamar. Finjo escutar conversas que, na verdade, estão passando batidas por mim. Me concentro em atividades que só faço para fugir de qualquer contato humano. Não quero conversar. Não quero estar na presença de outras pessoas, nem de Lucca, que afasto com peso no coração quando vem me chamar pra jogar videogame. Eu amo essa criança, mas não tô conseguindo lidar. E eu não quero lidar com porra nenhuma. Por que Fausto foi falar isso? Logo ele, cheio dos problemas pra resolver e só empurra com a barriga. Barriga… Melhor pensar em outra coisa.

 

Alice Maria é personagem do livro Queria tanto, de minha autoria, publicado em 2011 pela editora Benvirá. Porém, a história que aparecerá aqui no blog de vez em quando não é a mesma do livro, é uma história totalmente nova, uma continuação, feita somente para vocês.

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Alice Maria (cap. 3)

Gente, eu até tentei escrever sobre outra coisa aqui no blog hoje, mas Alice tá muito afoita aqui pra saber a opinião de vocês sobre a vida dela, então eu fui obrigada a postar mais um capítulo. Tô adorando o feedback de vocês! Não parem de comentar não, please! 😉

Beijocas!

_________________*________________________*___________

Cena 3, interna, noite. Alice Maria, 26, caminha em seu apartamento extremamente bagunçado, só ela e seu gato amarelo Snoopy, que ronrona sem parar pelos seus pés enquanto ela quase chuta o gato por ele não parar de andar pelos seus pés. O espectador não sabe, mas Alice está tendo uma imensa batalha interna e seus órgãos não param de revirar porque 1)ela está grávida, o que, incrivelmente, é o que menos conta para a situação atual de seus órgãos, ou seja, o fato de eles estarem se revirando, e 2) ela não faz ideia de como contar para o pai da criança que essa criança é sua filha. Ou filho. Porque ela ainda não sabe. E ainda tem um motivo 3) para a “reviração” dos órgãos: ela não sabe se quer menino ou menina. O que não deveria ser uma preocupação tão grande, mas devido o estado em que ela se encontra, é a preocupação que resolve  se concentrar, dada que as outras preocupações são de um grau muito maior e Alice, ou seja, eu, não quer pensar nelas.

Vamos lá: nomes. Se for menino, pode ser… Não, vamos começar com os que não podem ser. Não pode ser Alan nem Álvaro, meus irmão e pai respectivamente, porque é total falta de criatividade uma criança ter o mesmo nome que outro alguém da família. Portanto, também não pode se chamar Rodrigo nem Miguel, pai e avô paterno da criança em questão. Também não tem como se chamar Bernardo, ou Fausto, ou Ulisses ou Estevão, porque, bem, são os nomes dos meus melhores amigos e eles estarão com ele o tempo todo. Sem contar que se eu colocar o nome de um, os outros três reclamarão pro resto da vida – principalmente se eu não colocar Fausto. Também não dá pra ser Gabriel. Não posso colocar no meu filho o nome do cara que eu fui apaixonada antes do pai dele. E Felipe é o nome do melhor beijo que dei até hoje, também não dá pra ser. Ok, vamos torcer pra ser menina, não é mesmo? Porque se for homem a criança vai ficar sem nome. Tá bom, nomes de meninas. Não pra Alice (por razões óbvias), não pra Amanda e Ana Maria (apesar de que tanto minha irmã quanto minha mãe iam amar serem “homenageadas”), e não pros nomes das minhas sisters from another misses, Elisa e Valentina. Também não pode ser Larissa (irmã do Rodrigo), nem Mônica (mãe). Não sei porque tô pensando nisso, tem que ser Elis. Sempre teve que ser Elis. E não importa o que Rodrigo vai dizer.

Ai meu Deus, o Rodrigo vai dizer algo. Pro Rodrigo dizer algo, ele tem que saber. E pra ele saber, eu tenho que contar.

Onde eu deixei minha bombinha de asma mesmo?

Ah é, eu não tenho asma.

Por quê????????????????????

 

“Mas Alice, você não disse que seus pais foram super compreensivos?” Valentina pergunta, me entregando um super chá gelado com um canudinho colorido cor de laranja.

“Uhum.” Respondo, dando um super gole no canudinho cor de laranja.

“E você não achava que eles não seriam?”

“Ela achava que seria um ‘tremendo desastre’” Elisa tenta imitar minha voz nas duas últimas palavras, mas essa voz aguda de taquara rachada que ela faz não tem nada a ver com a minha. Paro de tomar meu chá e bufo.

“Então…”

Valentina deixa a frase solta no ar e percebo que ela quer que eu complete de algum jeito. Mas eu não sei como ela quer que eu complete. Não de uma maneira que não termine com uma catástrofe no final.

“Então…” a imito, entonação de dúvida na voz.

“Pode ser que aconteça a mesma coisa com Rodrigo.”

A frase foi de Valentina, mas bufei mesmo assim. Elisa também.

“Você é tão inocente, Valentina… Ele vai ficar maluco!”

“Claro que não, Elisa! Rodrigo é tão legal. Eu tenho certeza que ele vai levar numa boa.”

Quase derrubo meu chá no tapete novo – e lindo – da Valentina depois dessa. Como ele pode levar numa boa a namorada grávida no meio de uma crise econômica no país? Como ele pode levar numa boa quando ele acabou de começar num trabalho novo e não tem estabilidade financeira nenhuma? E quando eu tenho que ter três empregos ao mesmo tempo só pra conseguir pagar as contas? Como ele pode levar numa boa? Digo tudo isso aos gritos pra Valentina antes de sair do apartamento dela, batendo a porta atrás de mim.

 

Subi andares e bati na porta. Fausto abriu, cara de sono, tinha acabado de acordar, fato, mesmo sendo duas horas da tarde. Esse é Fausto. E era dele que eu precisava.

“Não aguento mais a bondade de conto de fadas da Valentina, nem a super sinceridade da Elisa.” Eu disse, sentando na cama. Sim, Fausto tem uma cama na sala. Na verdade, ele tem tudo da sala, já que o apartamento dele é daqueles de um cômodo só. Dono do apartamento derrubou as paredes pra dar um clima mais único e descontraído ao lugar e blábláblá. Ficou a cara do Fausto. “Preciso de uma cerveja.”

“Você não bebe, Alice.” Ele disse, monocórdico.

“E daí?”

“Você tá grávida, Alice.” Mesmo tom de voz de antes.

“Dá pra todo mundo parar de me lembrar disso?”

E ele parou. E ficamos por duas horas assistindo um filme bobo, comendo pipoca e bebendo guaraná, e por essas duas horas eu fui somente Alice Maria, amiga de Fausto, cenógrafa de 26 anos que mora sozinha e não tem preocupações. Eu não disse que era de Fausto que eu precisava?

Alice Maria é personagem do livro Queria tanto, de minha autoria, publicado em 2011 pela editora Benvirá. Porém, a história que aparecerá aqui no blog de vez em quando não é a mesma do livro, é uma história totalmente nova, uma continuação, feita somente para vocês.

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Alice Maria (cap. 2)

Se tem uma coisa que não sei fazer é disfarçar. E fui a pessoa mais ridícula do mundo tentando disfarçar pros meus pais que não, nada estava errado. Ansiosa, eu? Imagina! Tô super normal, feliz, olha, hoje é Natal, quanta comida, vamos comer e não falar mais nada? Mas claro, não consegui esconder nada dos meus irmãos. Sabe-se lá como – nem foi pelos meus dedos tremendo de nervoso, nem minha expressão constantemente alerta -, eles me questionaram, ou melhor, me interrogaram para saber o que diabos estava acontecendo que eu parecia o demônio da tasmânia, ou seja, não parava quieta. E claro, claro, que eu tive que chorar. Ridícula mania de chorar a cada percalço no caminho. Eu tenho 26 anos na cara, pelo amor de Deus, já tinha que ter aprendido a controlar esse choro compulsivo. Se eu não consigo me controlar, como vou conseguir criar uma criança. Ai meu santo cristinho, mais choro de soluçar.

Amanda fechou a porta do nosso ex-quarto (ex meu, ainda dela) enquanto Alan segurava meus braços com as duas mãos, tentando me acalmar. Só faltou balançar, igual em filme. Filme ruim, né, mas ainda assim, filme. Mas ele não me balançou, ele só olhou diretamente nos meus olhos e esperou que eu parasse com “essa palhaçada”, segundo as palavras de Amanda. Ah é, quando eu tô chorando é palhaçada, mas quando ela me liga desesperada aos prantos porque Rafael, namorado dela, queria transar menos porque estava precisando estudar mais, aí tudo bem, né?

“Alice, pelo amor de Deus, fala logo o que tá acontecendo senão eu vou achar que você tá morrendo.”

Desde que sofreu um acidente que deixou ele gravemente ferido, alguns anos atrás, Alan tá assim, dramático. Ok que ele ficou mais próximo da gente, se tornou bem mais carinhoso, mais presente, mas podia ter maneirado na dose de dramaticidade. Bem, eu não posso falar nada, vide a situação em que nos encontramos no momento.

Mas resolvo cooperar. Ou ao menos tento. Experimento colocar em prática o que li sobre a “respiração cachorrinho” – acho que preciso intensificar minhas leituras sobre gravidez porque não posso continuar chamando tudo de nome de animais – e aos poucos consigo me acalmar.

“Agora que parou esse escândalo, dá pra falar?” Amanda pergunta. No que começo a chorar tudo outra vez.

*

Alguns (muitos) minutos – e uma ida de Alan à sala para garantir aos meus pais que está tudo bem, só estamos tendo um “papo de irmãos” (só ele pra fazer com que acreditassem nessa frase estúpida mesmo) -, consigo, enfim, parar de verter lágrimas  suficiente pra contar o que está acontecendo. Explico, pausadamente, mais para meu benefício do que para o deles, já que não sei como reagiria caso contasse tudo de uma vez, que a irmã estúpida deles esqueceu de tomar pílula e aí…

“Você tá grávida??????”

“Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!” meu shhh é quase tão enfático quanto a exclamação de Amanda, então meus pais poderiam muito bem ter ouvido ambos lá da sala. Mas como sabemos que depois da ceia do Natal meu pai sempre dorme e minha mãe aproveita pra ver algum filme na tv sem a interrupção de seu amado esposo, fico mais tranquila. Por dois segundos.

“O que você vai fazer?” Amanda pergunta.

“O que eu vou fazer?” hiperventilo. “O que eu vou fazer, gente?” repito, as lágrima a beira de saírem de novo.

Alan e Amanda ficam me olhando com a mesma cara de interrogação, cara de duas pessoas que não sabem como reagir a uma pessoa desesperada que eles sabiam que não poderia ficar prenha no momento porque, bem, a grana é curta, não é mesmo? Mas que também não vai tirar a criança porque, bem, aborto não é uma opção pra mim, a criança já tá aqui dentro, já é uma pessoa, e como tirar uma pessoa minha? A solução é mesmo me curvar num cantinho e nunca mais sair dali. Mas como não é possível, o que me resta é chorar. E é o que faço, mais uma vez, enquanto os dois continuam me olhando sem saber o que fazer, talvez pelo fato de saberem que odeio ser consolada com abraços. Mas tem horas que é necessário.

“Dá pra vocês dois me abraçarem logo?”

Meu pedido é prontamente atendido.

Alice Maria é personagem do livro Queria tanto, de minha autoria, publicado em 2011 pela editora Benvirá. Porém, a história que aparecerá aqui no blog de vez em quando não é a mesma do livro, é uma história totalmente nova, uma continuação, feita somente para vocês.

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Alice Maria

“Mas é claro que dá, Alice!” foram as palavras gritadas de Elisa enquanto eu me desesperava me olhando no espelho. Pela expressão em seu rosto, ela estava se esforçando ao máximo para não me dar umas sacudidas. “Você acha que o que, seus pais são cegos?”

“Mas Rodrigo não percebeu nada até agora.” eu disse, os olhos marejados, a ansiedade aumentando, a ânsia de vômito crescendo…

“Porque o Rodrigo tem algum problema visual, só pode ser!” Elisa, sempre tão sutil. “E vocês tão há quanto tempo sem fazer sexo? Porque pra ele não ter percebido…” Eu não disse? Sutileza a nível máximo.

“Um tempo aí…” minha resposta.

“Desde que essa criança foi gerada?”

Flashback para explicar a cena atual.

Alice, vulgo eu, e Rodrigo, vulgo namorado, na cama, prestes a… Ah, vocês entenderam. A vontade é imensa, a excitação é múltipla, e a disposição para sair e comprar uma camisinha que está em falta em casa é zero, portanto, decidimos fazer sem. “Você tá tomando pílula mesmo…”, diz ele. No que concordo, afinal, o desejo é sempre maior do que qualquer prudência. Só esqueci de dizer, e também esqueci como um todo, que eu não tinha tomado todos os dias certinho. O que posso fazer? Esqueci. E deu no que deu. Depois de dar. Putz, trocadilho infame.

Enfim, voltando ao presente…

“Três meses sem transar?????” Elisa, estupefata.

Elisa tem tido o costume de ficar estupefata com tudo que falo. “Tô grávida.” Elisa estupefata. “Não contei pro Rodrigo.” Elisa estupefata. “Não Elisa, pelo amor de Deus, não conta pra ele.” Elisa estupefata e puta da vida que vai ter que guardar mais um segredo.

“Três meses e meio.” digo porque, segundo a médica, é quanto tempo estou grávida.

“O que você tá fazendo com esse coitado, Alice?”

“O que?” digo, indignada. “Só porque ele é homem não pode ficar muito tempo sem sexo?”

“NINGUÉM deveria ficar tanto tempo sem sexo, Alice!”

Bufo. Tenho tido o costume de bufar quando Elisa fala. “Alice, você precisa contar pro Rodrigo.” Bufo. “Alice, pelo amor de Deus, eu vou contar pro garoto. O filho não é só seu.” Bufo. “Ok, Alice, faz o que você quiser. É você que tá grávida, não eu.” Bufo. Só pelo costume.

“Esse não é o foco agora, Elisa. O foco é como eu vou disfarçar esse negócio aqui” aponto para minha barriga estufada de bebê, e não de comer demais, como sempre aconteceu, que impede que eu feche o zíper da calça. “no Natal com meus pais!”

“Diz pra eles que deu uma engordada.”

Bufo. Merecidamente.

Alice Maria é personagem do livro Queria tanto, de minha autoria, publicado em 2011 pela editora Benvirá, e dará as caras por aqui de vez em quando.

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Eu escrevo!

Ok, esse post talvez seja visto meio de nariz torcido por algumas pessoas, mas é algo que preciso gritar pro mundo: EU ESCREVO!!!!!!! Na verdade, sou escritora, e tenho dois livros publicados pela editora Benvirá: Queria tanto e Coisas não ditas. Por que estou dizendo isso agora? Porque eu acho só agora, finalmente, eu me aceitei como escritora. Como escritora do tipo de livros que escrevo. Confuso? Explico.

Meus dois livros lindos, lado a lado, em um dos book signings que fiz, na livraria Eldorado.

Meus dois livros lindos, lado a lado, em um dos book signings que fiz, na livraria Eldorado.

Eu sempre escrevi romance, o que muita gente chama de chicklit. E eu nunca aceitei muito bem isso. Eu queria ser aquela escritora que escreve coisas profundas, filosóficas, que “fazem pensar”. Escrever livros com tramas complexas e que fossem bem faladas pela crítica. Mas a crítica não vê com bons olhos os livros de romance. E por isso eu também não via. Mas depois de muito tempo percebi que isso era uma grande besteira. Eu via autores brasileiros como a Babi Dewet e a Iris Figueiredo, que também escrevem o mesmo tipo de literatura que escrevo (só que o público delas é um pouco mais novo), super orgulhosas de seus livros e eu pensava por que também não podia ter orgulho dos meus livros. Afinal, eu me matei de escrever durante meses seguidos, trabalhando com muita dedicação nas minhas histórias, meus personagens, e não vou ter orgulho disso? E não é que eu não gostasse dos meus livros, eu era (e sou) apaixonada por cada personagem meu, mas eu achava que tinha que escrever coisas que tinham um peso maior, sabe? Porque os outros diziam que o que eu escrevia não era importante. Mas quem são os outros pra dizer o que é ou não importante? E quem são os outros pra dizer que o que escrevo não pode tocar as vidas de outras pessoas e ter um impacto positivo?

Meus amigos lindos, sempre presentes nos lançamentos, sempre me dando apoio - mesmo quando eu não me dava.

Meus amigos lindos, sempre presentes nos lançamentos, sempre me dando apoio – mesmo quando eu não me dava.

E pode! Quando comecei a receber mensagens na minha página de pessoas que tinham lido meus livros e que tinham adorado, e que me disseram que meus livros tinham deixado suas vidas mais felizes, eu comecei a perceber que meu pensamento anterior era uma imensa besteira. E fiquei mais feliz ainda quando recebi a mensagem de uma menina dizendo que meu livro Coisas não ditas deu à ela a força para continuar escrevendo suas próprias histórias. E aí eu percebi que tava fazendo a coisa certa. Que era por isso que escrevi, e que eu não tinha que ter vergonha ou menos orgulho dos meus livros, porque eu estava conseguindo o meu objetivo: tocando vidas de pessoas. E eu sigo até hoje querendo saber da história dessa menina, que até decidiu fazer faculdade de letras por causa do meu livro, e fico torcendo muito por ela. E por todo mundo que quer ser escritor, principalmente aqui no Brasil, um país que a cultura é tão desvalorizada e é muito difícil viver de livros. Mas vale muito à pena quando você ouve histórias como a dessa menina (não citarei nomes por questão de privacidade mesmo).

Minha família maravilhosa - esses então, totalmente sem palavras pro nível de apoio e animação.

Minha família maravilhosa – esses então, totalmente sem palavras pro nível de apoio e animação.

Por isso, hoje eu vim aqui dizer que sou escritora, que escrevo romances, e que tenho muito orgulho deles! Dos dois já publicados e dos que ainda estão guardados, esperando uma avaliação ou serem mandados para editoras. E eu ficaria imensamente feliz se vocês lessem eles também – e depois viessem me contar o que acharam, mesmo se não gostarem tanto.

Beijocas!

Eu no lançamento de Queria tanto na Bienal do Rio em setembro de 2011, e assinando o Coisas não ditas no evento da Eldorado, em setembro de 2013.

Eu no lançamento de Queria tanto na Bienal do Rio em setembro de 2011, e assinando o Coisas não ditas no evento da Eldorado, em setembro de 2013.

Onde vocês podem encontrar meus livros, caso interesse: nas livrarias físicas e virtuais. Pra facilitar, deixo aqui alguns links pra vocês, só clicar nos nomes dos livros.

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, baseado numa fanfic que escrevi de Mcfly, publicado em 2013)

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Tem dois vídeos no meu canal falando um pouco sobre cada um dos meus livros, se interessar vocês. E se gostarem, se inscrevam no canal! 🙂

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Personagens quase reais

Dia desses, estava trocando e-mails conversando com uma amiga sobre como imaginamos nossos personagens. Nós duas escrevemos e estávamos conversando sobre isso, e então ela me perguntou o que eu fazia na hora de compor meus personagens: se eu tinha a imagem deles na minha cabeça, se eu desenhava como eles seriam, enfim, como era meu método de criação de personagem. Respondi a ela, claro, mas achei legal compartilhar isso com vocês também.

Antes de tudo, depois de escrever as primeiras linhas, geralmente eu faço uma mini biografia dos personagens. Aprendi isso nas aulas de roteiro cinematográfico que fiz e sigo isso até hoje. Acho muito bacana porque te ajuda a conhecer profundamente seu personagem. Sim, porque apesar de ele ser uma criação sua, ele tem vida própria, juro! Quantos personagens eu queria que seguissem um caminho mas, na hora de escrever, seguiram outro completamente diferente! Eles são serzinhos sapecas, esses personagens!

Continuando, nessa mini biografia escrevo sobre sua vida pré-história, ou seja, tudo (ou tudo que é importante pra história) que ajudou a criar e influenciou a personalidade dele: como foi a infância (feliz ou triste), se os pais são presentes, sua personalidade quando criança, como foi dua adolescência, que tipo de colégio estudou, primeiro beijo, namorados, amigos, primeira transa, acontecimentos que marcaram suas vidas. Além disso, tem os dados mais “concretos” (por falta de melhor palavra), que mais parece aqueles cadernos de perguntas do tempo de escola: nome e profissão dos pais, nome e idade dos irmão, faculdade que fez, trabalha em que atualmente, religião, time de futebol, cor preferida, manias, hobbies, música preferida, filme preferido, bandas e cantores preferidos, atores preferidos (muita ênfase na parte cultura porque eu acho que isso build a character – desculpa, tem expressões que eu não consigo MESMO traduzir), e por aí vai.

Nessa hora, também entra o aspecto físico da pessoa (sim, eu enxergo meus personagens como pessoas reais). Aí escrevo a cor dos olhos, cor do cabelo, tipo de cabelo (e se é pintado ou natural),  tipo físico, altura, tem tatuagem ou não, alguma marca que pode ter, se usa óculos/aparelho/lente de contato, tipo de roupa que usa. A parte anterior posso até fazer só para os personagens principais, mas a descrição da fisionomia faço com TODOS os personagens, mesmo aqueles que entram, dizem oi e tchau e vão embora. E não é trabalho nenhum pra mim, é uma diversão enorme! Não sei se todos os escritores fazem isso e se todos que fazem acham divertido, mas eu adoro! É a melhor parte (toda a biografia dos personagens é muito legal de se fazer).

Quanto a colocar a imagem que tenho na minha cabeça no “papel”, aí varia para cada personagem. Desenhar, como minha amiga me questionou, é impossível, porque só sei desenhar sol (com olho, nariz e sorriso), arvorezinha, casinha do lado e florzinha nascendo do morro (juro, é isso que desenho SEMPRE que pego um papel). Mas, às vezes, cato umas referências pela internet (geralmente relacionadas ao estilo de se vestir) e outras vezes o personagem vem prontinho na forma de uma pessoa famosa conhecida — mas, confesso, isso acontece mais com os personagens masculinos porque, né, quem não quer colocar sua personagem namorando o, digamos, Rodrigo Hilbert?

Exemplo: Queria Tanto

No meu primeiro livro, Queria Tanto, incrivelmente não pensei tanto em como a Alice Maria (a personagem principal, pra quem não leu) seria. A única coisa que pensei em relação a ela foi o corte de cabelo que ela faz logo nas primeiras páginas do livro, e era mais ou menos assim:

alice

O corte da Samaire Armstrong em The O.C. é o corte da Alice!

Já os outros personagens eu “montei” mais direitinho, muito porque já tinha uma certa imagem visual deles. A Elisa é igual a uma amiga que minha prima tinha quando a gente era adolescente e, ó que coincidência!, se chamava Elisa. O Ulisses é um garoto de mesmo nome que tinha no meu colégio. Eu tenho a imagem do Fausto exata na minha cabeça que eu tenho certeza que é de alguém que já vi algum dia na vida, só não faço ideia aonde. A Valentina é uma junção de todas as meninas ripongas lindas que vi pelo mundo e o Estevão, eu juro, é um gato, mas ele não veio de ninguém específico não, é outra junção de pessoas que vi na vida. Acho que o Bernardo é o único que não “copiei” de ninguém específico nem é nenhuma junção.

Agora o Rodrigo, ah o Rodrigo é uma pessoa específica, em uma fase muito específica. Ele já veio pronto e, no momento que o personagem dele surgiu no papel, ele já surgiu com a cara dele e, creio eu, que todos que leram o livro vão concordar que ele É o Rodrigo. A amiga que eu citei lá começo concordou! Mas enfim, sem mais delongas, o Rodrigo é o Dudu Azevedo! Quem é ele?, você pode perguntar. É esse aqui:

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Dudu Azevedo

Maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaas, não é o Dudu Azevedo genérico não, é o Dudu Azevedo quando ele fazia o personagem Querubim na novela Como uma onda. Vejam uma foto dele na época e me digam se não é o Rodrigo?????

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Rodrigo mais novinho

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Rodrigo com barba!

Bem, é isso, gente. O meu processo de criação é desse jeito, mas sei que cada processo é diferente então, se você também escreve, me conta o seu! E me digam o que acharam do “Rodrigo” e do corte da Alice! Uma próxima vez falo sobre como foi o processo de criação do Coisas não ditas — esse é beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeem extenso! hahahahaha

Beijos!

Ano Novo e Promoção

Olá enfermeira! Ai, sei nem se devia começar o post assim, isso denuncia a idade. Acho que vai ter um bando de gente que não vai fazer ideia do que tô falando… Hahahahaha Pra quem não sabe, essa frase inicial vem de um desenho animado dos anos 90 (ou seja, quando eu era uma pequena criança, e não uma pequena adulta, como hoje em dia) chamado Animaniacs – que era o máximo! Juro fazer um post sobre eles mais pra frente (pra quem ficou curioso – ou nostálgico – pode matar um pouco a vontade aqui).

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Mas, deixando de falar sobre um dos melhores desenhos já feitos e voltando ao assunto, mais um novo ano se inicia e, dessa vez, não vou prometer escrever sempre no blog porque é uma promessa que não sei se vou conseguir cumprir. Mas posso prometer que tentarei ao máximo. Aliás, vocês costumam fazer resoluções de ano novo? E geralmente faço, mas esse ano decidi não fazer. No final de cada ano, eu acabava não cumprindo metade das coisas que havia dito que faria. Então, esse ano eu só pretendo continuar tratando os outros bem, ajudando a quem precisar, fazendo o bem, escrevendo e, claro, me divertindo. Acho que o resto é lucro, certo? Ainda mais quando se tem tantas pessoas maravilhosas na vida como eu tenho.

Espero que vocês tenham um 2014 fantástico e cheio de realizações. E sabe o que pode fazer seu ano ficar um pouco mais mágico? Meu livro! Pouco modesta, né? HAhahahahahaha A Iana do blog Utopia Incessante tá fazendo um promoção onde você pode ganhar, além do meu livro Queria Tanto, mais 3 livros. Três livros, assim, de bandeja? Eu não perderia! Mas corre porque a promoção só vai até dia 10 de janeiro! Pra entrar no blog da Iana e saber como participar, é só clicar aqui.

Beijocas e até mais!