Nada sobre mim

É, eu sei, tô há séculos sem entrar por aqui. Desculpa, galera! Vida confusa. Não é desculpa, eu sei. Mas por isso que vim aqui com surpresa e coisa boa hoje! Sabe qual é?

TEM LIVRO NOVO MEU NA AMAZON!

nada

Publiquei pela plataforma online da Amazon meu mais novo livro, chamado Nada sobre mim que quem já leu disse que é o melhor que já escrevi! 🙂

“Mas Livia, como é que vou saber se quero ler, se nem sei do que fala?” Tudo bem, padawan, eu deixo aqui uma pequena provinha pra você.

 

Um quarto de hotel. Copos pela metade por todos os lados. Corpos espalhados tão displicentemente quanto os copos. Acordo com a cabeça latejando e consigo ver, com o pouco que abro dos olhos, duas meninas desconhecidas, seminuas (ou talvez totalmente nuas, não percebo direito desse ângulo), uma deitada no chão com o braço por cima de Anthony e a outra espremida em uma poltrona com Alan. Não vejo Thiago. Levanto a cabeça para procurá-lo e constato que a menina — ok, mulher, mas pra mim é difícil chamá-la de mulher já que teria de admitir que eu mesma sou uma adulta — que faz Anthony de travesseiro está de fato nua. E isso porque somos apenas uma bandinha de bar.

Thiago definitivamente não está no recinto. Decido ir atrás dele. No primeiro movimento, porém, desisto. Quanto a gente bebeu ontem? Não consigo me lembrar de nada, apesar da quantidade de copos responder que foi muito. O que lembro é de tocar num bar xexelento nessa cidade que não lembro o nome, só sei que não é a minha, de comprar vários packs de cerveja, devidamente tomadas desde o momento em que colocamos o pé de volta no quarto compartilhado do hotel. Não lembro de meninas. E lembro muito menos da hora em que dormi. Que horas são agora?

Escorrego o corpo lentamente pela cama até sentir o chão gelado. Puxo o pé rapidamente pra cima, antes de repetir o primeiro movimento, já sabendo a temperatura que vou encontrar. Quando sinto que consigo aguentar o frio, escorrego a outra perna e, aos poucos, feito uma pessoa sem coordenação — ou melhor, feito alguém com uma puta ressaca —, fico em pé. Onde é o banheiro mesmo? Porque é pra lá que eu preciso ir — IMEDIATAMENTE! O simples fato de ficar em pé faz meu corpo se conscientizar de toda bebida que consumiu no dia anterior — que significa algumas horas antes — e querer expurgá-la de uma só vez. Em três segundos atravesso o quarto inteiro — que, diga-se de passagem, não é nem um pouco grande. Parece que meu cérebro desesperado não tem nenhuma dificuldade em encontrar o banheiro.

Após ver a última gota daquela gosma nojenta atingir o vaso, ouço um gemido de dor. E assim foi desvendado o mistério do sumiço de Thiago. Ele está jogado, completamente torto, no espaço vazio embaixo da pia. E eu me pergunto: por quê? Mas eu mesma poderia estar na mesma posição no mesmíssimo lugar, então, como julgar? Ainda mais depois de ter colocado quatro litros (pelo menos) de álcool pra fora de mim.

— Ajuda? — pergunto, a voz rouca pós-vômito.

Thiago estende a mão e eu o ajudo a sair daquela posição desconfortável. Levanta-se, segurando-se em mim, e sem conseguir abrir os olhos, como eu minutos atrás. Abro o chuveiro e deixo Thiago sentado no chão, e ele nem se incomoda com a força da água grudando seu cabelo no rosto. Em pouco tempo ele estará bem novamente.

Ao voltar para o quarto, Alan e sua menina continuam dormindo profundamente, mas Anthony e sua mulher estão transando. Devem ter aproveitado que ela já estava nua. Decido, então, que é hora de deixar esse local devasso. Cato meus óculos escuros na bolsa, calço o tênis número 42 do Alan (o primeiro que acho no meio da bagunça) e saio. Não, não conheço nenhum cara lindo e romântico no lobby do hotel e nos apaixonamos perdidamente. Apenas sento no sol e faço nada. Algum tempo depois, aparece Thiago, já recuperado, apesar de ainda não conseguir abrir os olhos direito – o que vejo por baixo de seus óculos escuros.

— Tá há quanto tempo aí? — ele pergunta, sentando-se ao meu lado.

— Há exatamente… — olho no relógio, que não havia tirado no dia anterior.  — … uma hora e 22 minutos. As garotas ainda estão lá?

Thiago balança a cabeça positivamente, tirando um maço de cigarros do bolso da bermuda.

— Every fucking time. — eu digo.

— Every fucking time. — ele repete, antes de enfiar um cigarro apagado na boca e olharmos, os dois, para a rua vazia à nossa frente.

 

Foi uma provinha bem grande, hein! E se você gostou do que leu, é só baixar o aplicativo da Amazon no celular ou computador e procurar pelo livro. Tá somente 9 reais! Se você tiver Kindle, é mais fácil ainda, só procurar pelo livro na lojinha e pronto! Ou, pra facilitar, você pode clicar aqui.

E depois volte aqui pra dizer o que achou da história, ok?

Beijocas!

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Viagens: Paraty – Parte II – FLIP

A FLIP – ou Feira Literária Internacional de Paraty – acontece, esse ano, entre os dias 29 de junho e 03 de julho. Não conseguirei ir, infelizmente, mas fui por dois anos seguidos (2013 e 2014) e foi uma experiência maravilhosa! Um evento em que você respira cultura – e que todos presentes estão lá para fazer exatamente o mesmo e tão empolgados quanto você – por dias a fio não tem como não ser delicioso!

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Parte de fora da Tenda dos Autores, em 2013, cujo tema foi Graciliano Ramos – por isso o desenho da Baleia, personagem de Vidas Secas.

Como diz o nome, a FLIP é uma feira dedicada a literatura. Além da venda de livros (porém, os preços não são muito diferentes das livrarias, apesar de ter alguns descontos),  há vários debates e palestras, sempre com a literatura como pano de fundo, alguns de graça, outros pagando. Os eventos principais são sempre na Tenda dos Autores, cujo ingresso está a R$50, mas é possível acompanhar os debates de graça por telões colocados do lado de fora. Às vezes, os lugares do lado de fora acabam e você tem que ver as palestras em pé (ou sentado no chão), mas olha, vale a pena. Porque é cada palestra a debate interessante que você nem vai se importar de estar do lado de fora. Há programação para crianças (Flipinha), uma programação que é mais voltada para jovens (FlipZona) e a FlipMais é feita de outros eventos que não são debates e palestras, como teatro, apresentações musicais e oficinas, espalhados pela cidade. Os eventos da Flipinha, da FlipZona e da FlipMais são de graça, com ingressos distribuídos uma hora antes de cada evento. Os ingressos para a programação principal da FLIP estarão a venda no site Tickets for fun a partir do dia 03 de junho, às 12h.  Ah! E têm, claro, as apresentações de artistas que aproveitam o clima da FLIP de pura cultura e fazem performances no meio da rua, e autores independentes que levam seus livros para vender por lá. É maravilhoso!

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Declamação de poesia.

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Apresentação de violino.

Todo ano, a FLIP homenageia um autor, e esse ano a homenageada é a poeta Ana Cristina Cesar, que faz parte dos poetas marginais, movimento que surgiu durante a ditadura aqui no Brasil e propunha uma crítica ao conservadorismo da sociedade. E preciso dizer que fico muito feliz de ser uma mulher a homenageada da vez, ainda mais em uma época em que nós, mulheres, estamos lutando tão intensamente contra o imenso machismo que ainda existe na sociedade. Ter uma feira como a FLIP saudando a obra de uma mulher tão importante para a literatura é saber que um passo foi dado nesse luta.

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Ana Cristina e um de seus poemas, “Psicografia”. 

Já assisti muita palestra maravilhosa e debates enriquecedores na FLIP. Assisti um bate-papo com o documentarista Eduardo Coutinho um pouco antes de sua morte – e, até hoje, foi uma das melhores coisas que vi lá. Assisti palestras com Daniel Galera, Fernanda Torres, e vários outros autores maravilhosos. Assisti, em plena ebulição das manifestações, um debate sobre política e, claro, as manifestações que me agregou muito. E assisti também palestras e debates em um lugar que, infelizmente, acho que não existe mais, chamado Casa do Autor Roteirista, que era dedicado à arte de se escrever para o audiovisual e que foi o maior achado que fiz na FLIP. Foram aulas maravilhosas que tive lá, com informações que guardarei para sempre, mesmo se eu nunca trabalhar com cinema.

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Casa do Autor Roteirista e algumas das experiências que tive por lá – debate sobre humor (acima) com Marcos Caruso e Allan Sieber, e apresentações de Mariana Ximenes e Domingos Montagner.

 

 

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Tenda dos Autores do lado de fora, com a galera reunida pra ver Fernanda Torres (acima) e a Tenda do lado de dentro (abaixo) no debate sobre política.

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FLIP é lugar de discutir sobre manifestações e de fazer manifestações.

Pra resumir, a FLIP é um evento maravilhoso com um clima maravilhoso que é impossível não se envolver. Só de estar lá, com tanta gente pensando cultura e discutindo cultura já faz você ter um pouco de esperança que o mundo pode melhorar. E, no meu caso, me sinto em casa, com pessoas que são muito parecidas comigo e pensam como eu, o que é tão difícil de encontrar por aí. São dias pra deixar o coração quentinho e o cérebro mais cheio. Ou seja, não tem como ser ruim! Se você por acaso já foi na FLIP ou se for na desse ano, depois vem aqui me contar!

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Mais informações sobre a FLIP: http://flip.org.br/

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Alice Maria (cap. 4)

(e às 23:46 de uma 5a feira, ela surge de volta. com vocês, Alice Maria)

*

Faltam dois dias pro ano novo, estamos todos no apartamento de Ulisses e Elisa, decidindo como será o ano novo. Na verdade, como vamos para o ano novo, que esse ano não será no apartamento de Ulisses (e Elisa), como todo ano, e sim na casa de Fausto em Búzios (“Foi um ano difícil, a gente tem que pelo menos terminar ele com uma festa de arromba”, disse alguém que não lembro quem foi). Não consigo parar de olhar pra Bernardo, sentado ao lado de Daniela, batendo altos papos. Como pode Bernardo, sabendo que somos todos inimigos declarados de Daniela (a garota quase expulsou Elisa da própria casa por ciúmes do Ulisses!), ter ficado amigo dela? “Ela não é tão ruim quando se conhece melhor”, disse ele. Não importa! Você não devia sequer ter querido conhece-la, pra começo de conversa, eu disse. Ou não disse, talvez tenha ficado somente na minha cabeça. Não, eu provavelmente disse. Mas ainda assim Bernardo não me ouviu e agora fica aí, de amizade com o inimigo. Traidor! Tô com tanta raiva que nem escuto quando Elisa pergunta se minha irmã vai mesmo com a gente pra Búzios, como ela tinha dito da última vez que encontrou a galera. Só reparo quando Elisa enfia a cabeça bem na minha frente e grita:

“Aliceeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!”

Dou uma breve golfada para dentro da boca devido ao susto. Os outros riem. Daniela também. Ah, eu quebro todos os seus dentinhos , um a um, e faço você engolir! Os outros são meus melhores amigos desde sempre, já você…

“Sua irmã vai com a gente?” Elisa repete, provavelmente mais enfática que da última vez.

“Vai, cruzes.” Respondo, soltando a perna de Rodrigo, que agarrei automaticamente quando Elisa berrou na minha cara. Logo depois, ele puxa a perna pra cima da cadeira que está sentado. Será que tem alguma ligação?

“Então somos onze.”

“Doze.” Diz Valentina de sua cadeira. “Meu irmão também vai porque meus pais vão pra uma festa de adultos.

Todos reparamos na irritação na voz de Valentina, mas decidimos ignorar para não deixar a situação ainda pior. A gente sabe que Valentina odeia a pouca atenção que seus pais dão ao Lucca e ela tá super certa – se é pra ter filho, é pra cuidar (ai meu deus, se é pra ter filho, é pra cuidar!!!!!!!!!!!!!!!) – , mas melhor não incentivar pra ela não se entristecer mais ainda.

“Mais alguém que não tinha avisado antes que ia e agora decidiu que vai, mesmo a gente já tendo comprado tudo pro ano novo?”

Tenho até medo de levantar o dedo pra falar que meu irmão vai com a namorada, mas tenho que fazer, mesmo tendo que enfrentar o olhar fuzilante de Elisa.

“Mas ele vai de carro, então, na verdade, mais ajuda do que atrapalha.” Adiciono.

Não adianta. Elisa bufa. Me lembrou alguém…

Portanto, assim vamos no dia 31: Valentina, Estevão e Lucca no carro do Ulisses;  Bernardo e a namorada (Érika) no carro da recém bff do Bernardo (ew!); Amanda e Julia, minha “cunhada”, no carro do Alan; e eu, Rodrigo e Elisa com Fausto. Eu só rezava pro Fausto e pra Elisa não darem com a língua nos dentes no caminho, e nem ninguém falar NADA durante a estada em Búzios.

 

Magicamente, conseguimos todos acordar cedo para a viagem no dia 31. Saímos um pouco mais tarde que o esperado (às sete, em vez de cinco, como Estevão sugeriu), mas ainda cedo. Não sei como consegui acordar às seis da manhã depois de ter dormido às quatro, isso porque Rodrigo dormiu em casa e quis fazer coisas e eu não quis (pois é, nunca achei que isso fosse possível) porque senão, bem, ele iria ver minha barriga. E com isso fiquei pensando que eu teria que contar logo, antes que eu pareça uma grávida de verdade – e antes também de ouvir algum telefonema da minha mãe, que desde que soube, me liga todo dia, perguntando como estou me sentindo e com várias dicas de como passar uma gravidez tranquila – e com isso a insônia imperou, claro. Não sei mais que desculpa dar, não sei mais como agir, e isso está me dando nos nervos. Talvez tenha sido por isso que passei tão mal durante o caminho até Búzios porque, até então, eu não tinha ficado nem enjoada. Fausto e Elisa se entreolhavam toda vez que eu pedia pra parar o carro pra vomitar (ODEIO vomitar em saquinhos, só me faz querer vomitar mais ainda, com aquela gosma tão perto do meu nariz e o cheiro que fica impregnado ali dentro), mas Rodrigo não desconfiou de nada. Achou só que eu tinha comido alguma coisa estragada – ainda bem.

Por causa dessas paradas, chegamos mais tarde que o resto das pessoas. O que foi bom, porque escapamos de pelo menos duas horas de arrumação, já que eles acharam que “se Fausto chegar e as coisas não estiverem em ordem, ele vai dar um chilique”. O que era verdade. Porém, fui liberada da arrumação. Fausto disse que depois de fazer tanto esforço pra colocar tanta coisa pra fora, eu precisava de um tempo pra recalibrar. Não me opus, obviamente. Por isso, deixei minhas coisas no quarto que eu dividiria com Rodrigo, meus irmãos e Julia (a casa era grande, mas não infinita), e fui pegar um ar na beira da piscina.

*

“De onde você acha que surgiu o vento?”

“A gente já teve essa conversa, Alice.”

Olho para o céu. E então para Fausto. E tento outra conversa.

“Você acha que a gente vai confundir estrela com fogos de novo?”

“Isso não vai colar dessa vez, Alice.”

Cara confusa da minha parte.

“Você não vai ficar falando de assuntos aleatórios pra fugir dos seus problemas, ainda mais quando eles são in-fugíveis.”

Cara irritada da minha parte.

“Não é mais fácil resolver tudo logo?”

Cara de ódio da minha parte.

Levanto e vou ajudar a arrumar a casa. Melhor do que ouvir o sermão de Fausto. Decepção.

 

Depois disso, passo o dia emburrada. Entristecida. Amuada. Como você quiser chamar. Finjo escutar conversas que, na verdade, estão passando batidas por mim. Me concentro em atividades que só faço para fugir de qualquer contato humano. Não quero conversar. Não quero estar na presença de outras pessoas, nem de Lucca, que afasto com peso no coração quando vem me chamar pra jogar videogame. Eu amo essa criança, mas não tô conseguindo lidar. E eu não quero lidar com porra nenhuma. Por que Fausto foi falar isso? Logo ele, cheio dos problemas pra resolver e só empurra com a barriga. Barriga… Melhor pensar em outra coisa.

 

Alice Maria é personagem do livro Queria tanto, de minha autoria, publicado em 2011 pela editora Benvirá. Porém, a história que aparecerá aqui no blog de vez em quando não é a mesma do livro, é uma história totalmente nova, uma continuação, feita somente para vocês.

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And the Oscars went to – Parte II

Olá pessoas!

Muito tempo sem vir aqui! Mas foi por um bom motivo: consegui um emprego! E essa semana tive que resolver todas as coisas que temos que resolver antes de começar em um emprego novo, então não deu tempo de vir aqui escrever pra vocês. E, provavelmente, passarei a escrever menos no blog do que quando estava com tempo livre, claro, mas isso não quer dizer que não terão posts incríveis e interessantes (modesta eu, né?).

Enfim, sei que agora muito tempo já se passou desde que o Oscar foi ao ar, todo mundo já tá sabendo dos vencedores de todas as categorias, mas comigo promessa é dívida, então venho aqui falar sobre os vencedores das categorias técnicas – e explicar um pouquinho sobre elas.

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O grande vencedor das categorias técnicas foi Mad Max, o que significa que não posso opinar se concordo ou não com a vitória porque foi um dos únicos filmes indicados que eu não assisti. O filme ganhou em seis categorias: edição, figurino, cabelo e maquiagem, edição de som, mixagem de som e design de produção.Mas muita gente pode não sabe o que significa cada um desses prêmios. Fear not! Explicarei (com ajuda do Google) agora! Bem, cabelo e maquiagem e figurino é bastante óbvio, então, desses seis que Mad Max recebeu a estatueta, focarei em edição, design de produção, e edição e mixagem de som – e também falarei dos outros prêmios técnicos que não foram para Mad Max. Essa será uma explicação muito resumida dos processos, sem muito aprofundamento, ok?

Edição

Esse é um processo feito na pós-produção de um filme. Depois que ele já está todo gravado, um editor recebe todos os arquivos pra editá-lo. Hoje em dia, é um processo feito, em sua maioria, digitalmente (vide que as câmeras utilizadas são, geralmente, digitais). O editor pega todo o material gravado e seleciona as cenas que serão utilizadas (geralmente indicadas pelo diretor e utilizando o roteiro do filme), montando o produto final do filme.

Design de produção (ou direção de arte)

O diretor de arte é aquele profissional que cria a concepção artística de um filme. Ele é responsável pela concepção visual de um produto audiovisual e orienta toda a equipe de arte.

Edição de som

Em relação a som, já é um pouco mais difícil de explicar porque até alguns minutos atrás, nem eu sabia a diferença entre edição e mixagem de som! Mas, pedi ajuda aos universitários (aka marido), e eles me explicaram que o editor de som somente edita os diálogos, os organiza. Ele é responsável pelos diálogos somente, todos os outros sons existentes em um filme são responsabilidade do mixador.

Mixagem de som

Na mixagem, como eu disse acima, entra tudo: música, efeitos sonoros, e outros sons existentes no filme. O mixador organiza os sons para que o espectador ouça tudo. Porém, deve ficar atento pra um som não sobressair ao outro. Por exemplo, um som de um copo sendo colocado em cima da mesa não pode ser tão alto que o espectador não consiga ouvir o que o ator está falando.

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Os vencedores do Oscar. Acima: Jenny Beaven (figurino), Lesley Vanderwalt, Damien Martin e Elka Wardega (cabelo e maquiagem), Margaret Sixel (edição). Abaixo: Colin Gibson e Lisa Thompson (design de produção), Mark Mingini e David White (edição de som), Gregg Rudlof, Chris Jenkins e Ben Osmo (mixagem de som).

 

Continuando no tema som, vamos falar de trilha sonora original e melhor canção original, que muita gente confunde.

Canção original

Nessa categoria, o grande vencedor foi Sam Smith (que, de tão velha que sou, eu não conhecia) com a música Writings on the wall. Como era uma música do filme 007, já era quase certo que venceria, já que sempre que tem uma música do 007 no jogo, ela vence. Eu não conhecia nenhuma, mas das três que foram tocadas durante a premiação, torci para a que Lady Gaga interpretou, Til it happens to you. Pelo tema (estupro), algo muito relevante e que precisa ser comentado, pela performance da Lady Gaga (milhões de vezes melhor que o desafinado Sam Smith), pela letra. Maaaas, todos sabemos que o Oscar não é justo não é mesmo? Pelo menos, o tema foi comentado no palco – e pelo vice presidente dos EUA! Também rolou a polêmica de que as outras duas músicas concorrentes não foram apresentadas (Manta Ray e Simple song #3). Não sei o motivo dessa não apresentação, então não posso falar sobre. Mas o que posso falar é que o prêmio de melhor canção original é dado a uma música composta especialmente para um filme, música que, geralmente, é a música tema. E o prêmio é entregue para o compositor daquela música, e não para o intérprete (só que, muitas vezes, como foi o caso esse ano, o intérprete é também o compositor, junto com Jimmy Napes).

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Jimmy e Sam.

Trilha sonora original

A trilha sonora, diferente da canção original, é toda uma trilha sonora composta especialmente para o filme. Toda aquela “música de fundo”, como muita gente diz, mas que faz toda a diferença em um filme. É a trilha que, muitas vezes (se não todas as vezes), nos permite sentir determinada sensação durante um filme. As músicas que compõe a trilha sonora de um filme geralmente são orquestradas. Esse ano, o grande vencedor desse prêmio foi Ennio  Morricone, por Os oito odiados (de Tarantino). Ennio é muito conhecido por fazer a trilha sonora dos filmes de western spaghetti do cineasta Sergio Leoni, uma trilha de faroeste que todo mundo conhece. Ganhou esse ano seu primeiro Oscar, aos 87 anos, mesmo tendo mais de 500 trilhas compostas por ele (é sério, entra no imdb pra ver!). Coisa mais fofa e linda e emocionante seu discurso em italiano e foi muito bonito ver o respeito de todos no salão por ele.

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Efeitos especiais

E por último, um prêmio que foi super merecido. Na categoria efeitos especiais, que acho que todo mundo sabe que é o prêmio para os efeitos que não podem ser obtidos por meios normais de filmagem ou por ação ao vivo (segundo a wikipedia!), o filme vitorioso foi Ex-Machina e eu vibrei muito quando foi anunciado. Baita filme difícil de ser feito! Imagina você que foi preciso “fingir” que Alicia Vikander (sim, a vencedora do prêmio de melhor atriz coadjuvante) era uma robô durante o filme inteiro. Ela se movimentava, fazia ações dificílimas de depois sincronizar com os pedaços robô dela. Gente, aquilo foi de uma criatividade e inovação incrível! Não tinha como não vencer. E eu fiquei muito feliz de ver a equipe de efeitos visuais naquele palco segurando as estatuetas!

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Andrew Whitehurst, Paul Norris, Mark Williams Ardington e Sara Bennet, a equipe de efeitos visuais de Ex Machina.

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Alicia Vikander como a inteligência artificial do filme.

Pronto! Foram essas as categorias. Gostaram de saber um pouquinho mais sobre cada uma? Espero que sim! E se interessar vocês conhecer mais sobre esse mundo do cinema, só falar que escrevo mais aqui!

Beijocas e até semana que vem!

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Para os que seguem meu canal no YouTube, peço desculpas por não ter tido vídeo novo essa semana, mas o motivo foi o mesmo de não ter post essa semana: falta de tempo! Mas semana que vem tem (se tudo der certo)! Aliás, deixem nos comentários assuntos que vocês gostariam que eu falasse nos vídeos! 🙂

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(semtítulo)

E na calada da noite

ela aparece

e se mostra

e desabrocha

e o que era já não é mais

e o que achava já ficou pra trás

E no pintar dessas rimas pobres

ela se pendura e não perdura

porque já não gosta mais do que vê, do que faz, do que atrai

e desfaz o certo pra buscar o incorreto

e o que não tem certeza

e o que não é de sua natureza

Mas quem disse que somos só aquilo que já somos?

Quem disse que não somos o que ainda vamos ser

o que ainda vamos descobrir

o que ainda vamos viver

e experimentar?

E ela segue, ela não nega

Ela não teme, ela caminha

Ela não se esconde, ela já é

 

Mas só na calada da noite

Porque quando sai o dia

tudo volta ao normal

E ela volta a ser o que já não queria

Mas não tem jeito, já é dia

E o dia não é hora para os revolucionários

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Alice Maria (cap. 2)

Se tem uma coisa que não sei fazer é disfarçar. E fui a pessoa mais ridícula do mundo tentando disfarçar pros meus pais que não, nada estava errado. Ansiosa, eu? Imagina! Tô super normal, feliz, olha, hoje é Natal, quanta comida, vamos comer e não falar mais nada? Mas claro, não consegui esconder nada dos meus irmãos. Sabe-se lá como – nem foi pelos meus dedos tremendo de nervoso, nem minha expressão constantemente alerta -, eles me questionaram, ou melhor, me interrogaram para saber o que diabos estava acontecendo que eu parecia o demônio da tasmânia, ou seja, não parava quieta. E claro, claro, que eu tive que chorar. Ridícula mania de chorar a cada percalço no caminho. Eu tenho 26 anos na cara, pelo amor de Deus, já tinha que ter aprendido a controlar esse choro compulsivo. Se eu não consigo me controlar, como vou conseguir criar uma criança. Ai meu santo cristinho, mais choro de soluçar.

Amanda fechou a porta do nosso ex-quarto (ex meu, ainda dela) enquanto Alan segurava meus braços com as duas mãos, tentando me acalmar. Só faltou balançar, igual em filme. Filme ruim, né, mas ainda assim, filme. Mas ele não me balançou, ele só olhou diretamente nos meus olhos e esperou que eu parasse com “essa palhaçada”, segundo as palavras de Amanda. Ah é, quando eu tô chorando é palhaçada, mas quando ela me liga desesperada aos prantos porque Rafael, namorado dela, queria transar menos porque estava precisando estudar mais, aí tudo bem, né?

“Alice, pelo amor de Deus, fala logo o que tá acontecendo senão eu vou achar que você tá morrendo.”

Desde que sofreu um acidente que deixou ele gravemente ferido, alguns anos atrás, Alan tá assim, dramático. Ok que ele ficou mais próximo da gente, se tornou bem mais carinhoso, mais presente, mas podia ter maneirado na dose de dramaticidade. Bem, eu não posso falar nada, vide a situação em que nos encontramos no momento.

Mas resolvo cooperar. Ou ao menos tento. Experimento colocar em prática o que li sobre a “respiração cachorrinho” – acho que preciso intensificar minhas leituras sobre gravidez porque não posso continuar chamando tudo de nome de animais – e aos poucos consigo me acalmar.

“Agora que parou esse escândalo, dá pra falar?” Amanda pergunta. No que começo a chorar tudo outra vez.

*

Alguns (muitos) minutos – e uma ida de Alan à sala para garantir aos meus pais que está tudo bem, só estamos tendo um “papo de irmãos” (só ele pra fazer com que acreditassem nessa frase estúpida mesmo) -, consigo, enfim, parar de verter lágrimas  suficiente pra contar o que está acontecendo. Explico, pausadamente, mais para meu benefício do que para o deles, já que não sei como reagiria caso contasse tudo de uma vez, que a irmã estúpida deles esqueceu de tomar pílula e aí…

“Você tá grávida??????”

“Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!” meu shhh é quase tão enfático quanto a exclamação de Amanda, então meus pais poderiam muito bem ter ouvido ambos lá da sala. Mas como sabemos que depois da ceia do Natal meu pai sempre dorme e minha mãe aproveita pra ver algum filme na tv sem a interrupção de seu amado esposo, fico mais tranquila. Por dois segundos.

“O que você vai fazer?” Amanda pergunta.

“O que eu vou fazer?” hiperventilo. “O que eu vou fazer, gente?” repito, as lágrima a beira de saírem de novo.

Alan e Amanda ficam me olhando com a mesma cara de interrogação, cara de duas pessoas que não sabem como reagir a uma pessoa desesperada que eles sabiam que não poderia ficar prenha no momento porque, bem, a grana é curta, não é mesmo? Mas que também não vai tirar a criança porque, bem, aborto não é uma opção pra mim, a criança já tá aqui dentro, já é uma pessoa, e como tirar uma pessoa minha? A solução é mesmo me curvar num cantinho e nunca mais sair dali. Mas como não é possível, o que me resta é chorar. E é o que faço, mais uma vez, enquanto os dois continuam me olhando sem saber o que fazer, talvez pelo fato de saberem que odeio ser consolada com abraços. Mas tem horas que é necessário.

“Dá pra vocês dois me abraçarem logo?”

Meu pedido é prontamente atendido.

Alice Maria é personagem do livro Queria tanto, de minha autoria, publicado em 2011 pela editora Benvirá. Porém, a história que aparecerá aqui no blog de vez em quando não é a mesma do livro, é uma história totalmente nova, uma continuação, feita somente para vocês.

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30 LIVROS EM 1 ANO – Dias roucos e vontades absurdas (Vivian Pizzinga) – LIVRO 27

Começo dizendo que será muito difícil fazer uma resenha desse livro, e ainda mais uma resenha adequada, no nível que o livro merece, porque, como já deve ter dado para perceber, eu AMEI Dias roucos e vontades absurdas, entrou até pra minha lista de melhores livros do ano, e pra mim é muito difícil falar sobre coisas que gostei tanto. Mas depois dessa frase imensa, vou tentar dizer um pouquinho do que esse livro de contos me fez sentir.

The Blurb (retirada do site da editora Oito e meio, porém, bastante editada): Como diria o Dr. Freud para o Dr. Jung: um pouco de neurose é fundamental para a saúde mental. Mas a questão é: qual medida seria razoável, com quanto de neurose se atinge um mínimo de sanidade? Entre o absurdo das vontades e a rouquidão dos dias, os personagens se dividem: se a loucura é uma sensação térmica, uma hora faz calor, outra hora faz frio. Uma autoanálise permanente só traria incertezas ainda mais dramáticas.

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Olha essa capa sensacional!

Preciso começar dizendo que Vivian Pizzinga, a autora do livro, é psicóloga. Sim, começo assim porque enquanto lia o livro não conseguia parar de pensar como uma pessoa sabia explicar tão bem o ser-humano – e suas neuroses – como ela. Quando soube que ela é psicóloga entendi tudo (principalmente porque tenho uma amiga psicóloga que me diz, às vezes, coisas como as de alguns textos). Em seguida, preciso dizer que sou completamente viciada no estudo do comportamento humano, chegando a me perguntar, dia sim, dia não, por que eu não cursei psicologia na faculdade (teria amado, com certeza). E em terceiro, é necessário dizer que faço terapia desde os 14 anos de idade (hoje tenho 30), e me tornei, por causa disso, uma grande analisadora das pessoas (não, eu não fico falando disso com as pessoas porque sei que elas não gostam – a não ser com minha amiga psicóloga. mas pode ter certeza que se algum dia eu te conheci, eu te analisei internamente). Portanto, fica muito claro porque eu fiquei tão apaixonada por esse livro, livro onde a autora expõe, de forma muito clara, nua, crua e cheia de neuroses, a forma como as pessoas agem, pensam, se comunicam e se relacionam. Prato cheio para minha curiosidade insaciável sobre o comportamento e a mente humanos.

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Trecho do meu conto favorito, que dá nome ao livro.

Sabe aquela máxima de que “de perto ninguém é normal”? Nesse livro, isso fica bem claro. São modos de agir que mostram que não existe o “certo”, o “normal”, só o que há é o jeito de cada um e todos eles são possíveis, nenhum está errado, você pode fazer o que quiser. Ok, alguns personagens de alguns contos agem de uma forma condenável, quer dizer, vão contra as leis impostas pela sociedade e lei é lei, né? Mas tirando eles, fica muito claro que tudo depende da forma como você observa uma situação, tudo é explicável e nada é condenável.

A escrita da Vivian também é absurdamente boa. Ela mescla a formalidade e a informalidade e em momento nenhum soa pretensiosa ou forçada. Apesar do assunto tratado (a loucura, a sanidade, a saúde mental), é uma leitura leve, fluida, que você não tem vontade de largar e quer devorar tudo de uma só vez. Fiquei muito impressionada e positivamente surpresa com o livro, ainda mais porque eu havia desistido de lê-lo uma vez porque não gostei do primeiro conto (pois é, nem tudo são beija-flores e arco-íris) e não tive, na época, vontade de continuar. Cheguei a quase dá-lo várias vezes. Ainda bem que não o fiz. Porque é daqueles livros que quero na minha estante pra sempre, pra sempre reler e, com certeza, cada vez que o fizer as palavras terão significados totalmente diferentes, de acordo com o momento da vida. Falando em vida, esse é, com certeza, um dos melhores que li nela. O livro é da editora Oito e meio e custa, em média, 35 reais.

Ah! Ele já tá aqui, separadinho, pra emprestar praquela minha amiga psicóloga que falei que, com certeza absoluta, vai amar! Mas eu quero ele de volta depois, viu Marina? 😉

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A autora, Vivian Pizzinga. Essa foi a melhor foto que encontrei dela, sorry!

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Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

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