Oscar 2018 – Parte 2

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Oi pessoas! Como prometido, hoje vem a segunda parte sobre o Oscar, dessa vez falando sobre os atores. Ainda ficou faltando muita coisa sobre as categorias mais técnicas, mas como tem muito filme que eu não vi indicado para essas categorias, achei melhor não dar minha opinião. Só digo uma coisa: Em ritmo de fuga TEM QUE ganhar nas categorias de edição e mixagem de som e de melhor montagem, porque aquilo ali foi foda! A junção perfeita da música com a ação tá boa demais e não é qualquer um que faz aquilo não!

Melhor Atriz

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Uma foto da Meryl só pra gente admirar essa atriz sensacional mesmo.

Não pode haver Oscar sem Meryl Streep indicada, não é minha gente? E esse não é diferente: lá está ela, plena, maravilhosa, entre as indicadas ao Oscar de melhor atriz em 2018. Porém, não acredito que ganhe, até porque The Post não foi um filme muito comentado. Quem vai ganhar? Minha sugestão é a Frances McDormand, de Três anúncios para um crime. A personagem dela é muito densa, intensa, e a atriz ganhou no Globo de Ouro o prêmio de melhor atriz em filme de drama que, como sabemos, o Oscar geralmente dá preferência em relação aos filmes de outros estilos. Frances está maravilhosa nesse filme? Está. Se ela ganhar, ela vai merecer levar a estatueta pra casa? Vai. Mas eu estou torcendo pela Sally Hawkins, de A forma da água. Ela interpreta uma mulher muda, não fala durante o filme todo, ou seja, precisa passar toda a intenção de sua personagem no olhar, expressão, movimento do corpo, e ela consegue! Ela está perfeita! Se eu fosse escolher, dava o Oscar pra Sally sem pensar duas vezes!

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Frances McDormand em Três anúncios para um crime.

Indicadas:

  • Frances McDormand (Três anúncios para um crime)
  • Margot Robbie (Eu, Tonya)
  • Meryl Streep (The post)
  • Sally Hawkins (A forma da água)
  • Saoirse Ronan (Lady Bird)
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Sally Hawkins em A forma da água.

Melhor Ator

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Daniel Kaluuya em Corra!.

Lá vem uma categoria que não posso opinar muito, já que só vi dois filmes indicados (Corra! e Me chame pelo seu nome). Mas posso dizer que Timothée Chalamet, de Me chame pelo seu nome, está incrivelmente incrível nesse filme. O garoto é novo e faz um personagem super cheio de camadas e complicado – e arrasa! Porém, não acho que ele vá ganhar. Além de ser muito novo, temos Daniel Kaluuya na parada, que está muito, muito, muito bom em Corra!. Se eu fosse escolher, ganharia ele. E pode ser até que ganhe mesmo, já que recebeu um prêmio no Globo de Ouro. Porém, ainda temos Gary Oldman na disputa, por seu Churchill em O destino de uma nação, e aí é que a coisa complica. Primeiro porque o filme é um típico filme que americano gosta de premiar: sobre guerra, sobre a Segunda Guerra, tem uma ação contra nazistas. Pronto, prato cheio para o Oscar. Mas, além disso, Gary Oldman se transformou completamente fisicamente para o papel, que é algo que a Academia adorava premiar (vide Charlize Theron em Monster, Nicole Kidman em As horas, entre outros). Vamos ver se vão continuar seguindo essa linha. Por isso fico na dúvida de para quem vão dar a estátua dourada, mas meu coração está em Daniel (mas se Timothée ganhar também vou ficar bem feliz!).

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Acreditem, esse é o Gary Oldman em O destino de uma nação.

Indicados:

  • Daniel Day-Lewis (Trama fantasma)
  • Daniel Kaluuya (Corra!)
  • Denzel Washington (Roman J. Israel, Esq)
  • Gary Oldman (O destino de uma nação)
  • Timothée Chalamet (Me chame pelo seu nome)
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Não podia deixar de colocar meu fofo-mór, né, gente? Timothée Chalamet em Me chame pelo seu nome. Não dá vontade de apertar?

Melhor Atriz Coadjuvante

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Allison Janney em Eu, Tonya.

Nessa categoria, duas atrizes poderiam facilmente ganhar o Oscar e eu não faço ideia de quem a Academia vai escolher. Talvez eles tendam mais pra Laurie Metcalf, de Lady Bird, mas, sinceramente, eu tenderia mais pra Allison Janney, de Eu, Tonya. O papel da Laurie é mais significativo no filme, já que Lady Bird é praticamente sobre a relação da Lady Bird com a mãe, e ela aparece bem mais do que a Allison em Eu, Tonya. Mas a importância que a personagem da Allison tem é tão grande quanto a de Laurie, e a Allison arrasa nas poucas cenas em que aparece. Além desses dois filmes, só assisti A forma da água, e a Octavia Spencer está ótima como sempre, mas a personagem dela não tem tanta relevância (apesar de também ter) quanto às de Allison e Laurie, por isso acredito que fique entre as duas.

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Laurie Metcalf em Lady Bird.

Indicadas:

  • Allison Janney (Eu, Tonya)
  • Laurie Metcalf (Lady Bird)
  • Lesley Menville (Trama fantasma)
  • Mary J. Blidge (Mudbound)
  • Octavia Spencer (A forma da água)
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Octavia Spencer em A forma da água.

Melhor Ator Coadjuvante

É raro colocarem dois atores do mesmo filme disputando a mesma categoria, mas esse ano aconteceu com Sam Rockwell e Woody Harrelson, ambos de Três anúncios para um crime. E eu tenho quase certeza de que o primeiro leva o prêmio. No caso, se isso acontecer mesmo, eu concordo 100% com a escolha. O personagem do Sam é muito mais difícil que o personagem de Woody, e Sam interpreta com maestria. Ah, a vontade de socar a tela toda vez que ele aparecia! Não assisti Projeto Flórida (mas ouvi falar muito bem) nem Todo o dinheiro do mundo, mas não acho que os atores vão conseguir ganhar do Sam, não.

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Woody Harrelson em Três anúncios para um crime.

Indicados:

  • Christopher Plummer (Todo o dinheiro do mundo)
  • Richard Jenkins (A forma da água)
  • Sam Rockwell (Três anúncios para um crime)
  • Willem Dafoe (Projeto Flórida)
  • Woody Harrelson (Três anúncios para um crime)
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Sam Rockwell em Três anúncios para um crime.

 

Pronto. Essas são minhas apostas sobre as categorias que posso opinar. Tô louca pra chegar domingo logo pra ver se acertei ou não nos meus palpites (até porque participei de uma promoção pra ganhar cinema de graça de acordo com os acertos que eu fizer, então quero muito estar certa!). E vocês? Concordam com meus palpites? Discordam? Quem vocês acham que vai ganhar? Quem vocês querem que ganhe? Deixem as respostas aí nos comentários!

Lembrando que o Oscar é esse domingo, dia 04 de março, e será apresentado pelo Jimmy Kimmel, que já apresentou a premiação no ano passado. A TNT vai começar a exibir a chegada dos atores no tapete vermelho às 20:30, mas a cerimônia em si só começa às 22h (e sabe-se lá que horas acaba!). Se você é como eu e não suporta ouvir a tradução simultânea, dá pra colocar o áudio no original e ouvir em inglês!

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Jimmy Kimmel.

Beijos e até domingo!

PS. O pessoal do Choque de Cultura já disse, no último vídeo deles, que vai comentar o Oscar, mas ainda não informaram onde especificamente. Então fiquem ligados nas redes sociais deles e do Omelete, porque com certeza vai ser hilário! (Atualização: Saiu há umas horas uma notícia no Instagram do Omelete dizendo que a transmissão do Choque de Cultura será no canal do próprio Omelete.)

Oscar 2018

É uma tradição aqui no blog escrever sobre os filmes indicados ao Oscar. Porém, como há de se perceber, faz muito tempo que não escrevo nada aqui no blog. Portanto. em vez de falar sobre cada filme indicado, vou comentar quais são minhas apostas em cada categoria (as que eu tiver como inferir sobre), e mais tarde eu escrevo um pouquinho sobre cada filme. Então vamos lá, categoria por categoria.

Melhor Filme

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Essa é a categoria-mór, a mais esperada da noite. São 9 filmes indicados (já se foi a época que eram só 5 filme nessa categoria), e eu só assisti a 5, mas, pra falar a verdade, acho que só tem 2 (talvez 3) verdadeiramente no páreo. Os filmes são:

  • A forma da água
  • Corra!
  • Dunkirk
  • Lady Bird
  • Me chame pelo seu nome
  • O destino de uma nação
  • The post
  • Trama Fantasma
  • Três anúncios para um crime

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Se o Oscar dependesse da minha votação, ganharia Me chame pelo seu nome. Mas como não depende, eu tenho quase certeza que ganha A forma da água, que me deixaria bem feliz também, porque o filme maravilhoso. Só não dou certeza absoluta porque acho que talvez Três anúncios para um crime também pode ganhar, já que ele foi tão ovacionado no Globo de Ouro. O outro filme que acho que pode ser considerado também é Corra!, já que o Oscar anda combatendo preconceitos (ainda bem!), e o filme é realmente incrível! Tem gente falando de Dunkirk, por ser um filme bem ao estilo Oscar, de guerra e tal, mas não acho que leve a estatueta esse ano. Ainda bem. Esse é um filme que não tive a mínima vontade de assistir, chega de assistir americano vangloriando guerra.

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Melhor Diretor

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Greta Gerwig.

A categoria de melhor diretor já está praticamente ganha pelo Guillermo Del Toro, né gente? Eu queria muito que a Greta Gerwig ganhasse. Ela seria a segunda diretora, nos 90 anos de premiação, a ganhar a categoria (a única ganhadora, até hoje, foi Kathryn Bigelow, por Guerra ao terror, e ela é somente a 5a mulher a ser indicada a categoria em toda história do Oscar! Tá achando que o Oscar é justo? Não é, não! Mas não acho que Greta vá ganhar, porque, como eu disse, a estatueta já está praticamente nas mão de Del Toro. Se eu acho que ele merece? Pra caramba! A forma da água é uma obra-prima, tecnicamente perfeito, um filmão, e ainda é superoriginal e crítico. Mas que eu queria que a Greta ganhasse, ah, eu queria!

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Guillermo Del Toro

Indicados:

  • Christopher Nolan (Dunkirk)
  • Greta Gerwig (Lady Bird)
  • Guillermo Del Toro (A forma da água)
  • Jordan Peele (Corra!)
  • Paul Thomas Anderson (Trama Fantasma)

 

Melhor Roteiro Adaptado

Indicados:

  • A grande jogada (Aaron Sorkin)
  • Artista do desastre (Scott Neustadter e Michael H. Weber)
  • Logan (Scott Frank, James Mangold e Michael Green)
  • Me chame pelo seu nome (James Ivory)
  • Mudbound (Virgil Williams and Dee Rees)
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James Ivory, o roteirista de Me chame pelo seu nome.

Nessa categoria, não preciso nem pensar duas vezes: Me chame pelo seu nome VAI ganhar. “Ai Livia, como você pode dizer isso, se você nem viu os outros filmes?”. É verdade, não vi. Aliás, assisti Logan, mas, né, o filme é bom e tal, mas nem se compara. Eu queria ter conseguido ver Mudbound, porque é o único que acho que pode conseguir se equiparar um pouco ao Call me by your nome (no original) em questão de roteiro. Mas tirando ele, não tem pra ninguém. É um roteiro muito bem construído, sem nada fora do lugar, com diálogos incríveis, silêncios no lugar certo, também uma obra-prima (mas sem ser filmão, ou seja, é um filme independente, simples, e completamente maravilhoso). Já ganhou. E se não ganhar, é roubo!

Melhor Roteiro Original

Nessa categoria, assisti a quase todos os filmes; só deixei escapar Doentes de amor. Mas os outros quatro eu assisti e vou te dizer que é uma das categorias mais difíceis de escolher um candidato. Olha quem tá no páreo:

  • A forma da água (Guillermo Del Toro)
  • Corra! (Jordan Peele)
  • Doentes de amor (Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani)
  • Lady Bird (Greta Gerwig)
  • Três anúncios para um crime (Martin McDonagh)
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Jordan Peele, roteirista de Corra!.

Gente, se vocês viram esses filmes, vocês sabem que os roteiros são incríveis! Cada um de um jeito diferente, cada um de um estilo diferente, mas são todos igualmente bem construídos, assim como Me chame pelo seu nome. Eu, obviamente, mais uma vez, gostaria de ver a Greta vencedora, porque nunca se viu um filme sobre “coming of age” (algo como um adolescente virando um adulto) de uma mulher. Geralmente, nesses filmes, o personagem principal é sempre um garoto virando um homem. E, além disso, o roteiro é tão sutil, tão leve, e tão real e verdadeiro que já merecia o Oscar só por isso, por passar um período tão conturbado da vida de uma pessoa de uma maneira tão delicada. E cara, é o primeiro roteiro dela! Como ela conseguiu fazer um filme tão bom de primeira eu não sei! Mas, porém, contudo, não acho que ela ganhe. Eu tinha certeza que Guillermo Del Toro ia ganhar esse prêmio, até surgir a polêmica do plágio (o filho de um dramaturgo alega que a história do filme é copiada de uma peça de seu pai de 1969). Agora já não sei mais nada! Como os roteiros de Três anúncios para um crime e Corra! também são sensacionais, acho que qualquer um pode – e merece- levar esse prêmio.

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Martin McDonagh, roteirista de Três anúncios para um crime.

Melhor Fotografia

Indicados:

  • A forma da água (Dan Laustsen)
  • Blade Runner 2049 (Roger Deakins)
  • Dunkirk (Hoyte van Hoytema)
  • Mudbound (Rachel Morrison)
  • O destino de uma nação (Bruno Delbonnel)

Essa é outra categoria que não posso dar muita sugestão, já que só assisti a um filme indicado (A forma da água). Porém, acho válido, muito válido, informar que essa é a PRIMEIRA VEZ que uma mulher é indicada ao prêmio de melhor fotografia. Você acha que é porque não existe mulheres fotógrafas boas? Não. É pelo simples de que não dão oportunidade e, quando dão oportunidade, a Academia opta por escolher o seu grupinho de sempre. Agora começamos a ver nas indicações um grupo mais heterogêneo porque, depois de anos e anos, resolveram modificar os membros da Academia, adicionando pessoas mais variadas e retirando do poder os mesmo homens brancos de sempre, que tinham, em sua maioria, o mesmo gosto para filmes (por que vocês acham que filmes de guerra e que exaltavam o poderio americano sempre ganhavam?). E, aos poucos, vamos vendo o resultado dessa mudança. E que isso vá se ampliando cada vez mais.

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Rachel Morrison, fotógrafa de Mudbound.

Minha aposta? Ah, gente, não sou capaz de opinar (afinal, não posso opinar assistindo somente a um filme da categoria). Mas eu não ficaria triste se a Rachel ganhasse.

 

Como não quero fazer um post gigante (apesar de já estar), deixo para falar das categorias de melhor atriz/ator principal e coadjuvante em outro post. E também de outras categorias mais técnicas. Ah! Se você quiser que eu explique melhor alguma coisa relacionada ao Oscar, só me pedir. Mas também tenho alguns posts antigos que falam um pouquinho sobre o que é cada categoria, só clicar aqui.

Beijos e até a próxima!

Nostalgia

Tenho saudade da adolescência quando tudo era mais intenso e tudo ficava: toda música, todo filme; tudo perfurava a alma e pedia seu espaço. Pedia não, ordenava. E era lindo. Tipo essa música. Que significava. Tinha um por quê. Um sentido. E ainda tem, ainda significa. Significa adolescência. E esperança (que talvez sejam sinônimos).

 

Ode a loucura

Somos todos loucos ou somos todos poucos.

Ou loucos e poucos?

Ou somos loucos e roucos?

E poucos?

Pouco roucos?

Pouco loucos?

Não sei. Você sabe?

Alguém sabe alguma coisa?

Alguém tem ideia do que tá fazendo aqui?

De como seguir? Que caminho andar? Como percorrer?

É tanta incerteza que é melhor mesmo ser louco.

Muito ou pouco. Rouco ou … Alto?

Tanto faz. O que importa é seguir tentando aos poucos.

Sendo louco.

Viagens: Paraty – Parte II – FLIP

A FLIP – ou Feira Literária Internacional de Paraty – acontece, esse ano, entre os dias 29 de junho e 03 de julho. Não conseguirei ir, infelizmente, mas fui por dois anos seguidos (2013 e 2014) e foi uma experiência maravilhosa! Um evento em que você respira cultura – e que todos presentes estão lá para fazer exatamente o mesmo e tão empolgados quanto você – por dias a fio não tem como não ser delicioso!

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Parte de fora da Tenda dos Autores, em 2013, cujo tema foi Graciliano Ramos – por isso o desenho da Baleia, personagem de Vidas Secas.

Como diz o nome, a FLIP é uma feira dedicada a literatura. Além da venda de livros (porém, os preços não são muito diferentes das livrarias, apesar de ter alguns descontos),  há vários debates e palestras, sempre com a literatura como pano de fundo, alguns de graça, outros pagando. Os eventos principais são sempre na Tenda dos Autores, cujo ingresso está a R$50, mas é possível acompanhar os debates de graça por telões colocados do lado de fora. Às vezes, os lugares do lado de fora acabam e você tem que ver as palestras em pé (ou sentado no chão), mas olha, vale a pena. Porque é cada palestra a debate interessante que você nem vai se importar de estar do lado de fora. Há programação para crianças (Flipinha), uma programação que é mais voltada para jovens (FlipZona) e a FlipMais é feita de outros eventos que não são debates e palestras, como teatro, apresentações musicais e oficinas, espalhados pela cidade. Os eventos da Flipinha, da FlipZona e da FlipMais são de graça, com ingressos distribuídos uma hora antes de cada evento. Os ingressos para a programação principal da FLIP estarão a venda no site Tickets for fun a partir do dia 03 de junho, às 12h.  Ah! E têm, claro, as apresentações de artistas que aproveitam o clima da FLIP de pura cultura e fazem performances no meio da rua, e autores independentes que levam seus livros para vender por lá. É maravilhoso!

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Declamação de poesia.
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Apresentação de violino.

Todo ano, a FLIP homenageia um autor, e esse ano a homenageada é a poeta Ana Cristina Cesar, que faz parte dos poetas marginais, movimento que surgiu durante a ditadura aqui no Brasil e propunha uma crítica ao conservadorismo da sociedade. E preciso dizer que fico muito feliz de ser uma mulher a homenageada da vez, ainda mais em uma época em que nós, mulheres, estamos lutando tão intensamente contra o imenso machismo que ainda existe na sociedade. Ter uma feira como a FLIP saudando a obra de uma mulher tão importante para a literatura é saber que um passo foi dado nesse luta.

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Ana Cristina e um de seus poemas, “Psicografia”. 

Já assisti muita palestra maravilhosa e debates enriquecedores na FLIP. Assisti um bate-papo com o documentarista Eduardo Coutinho um pouco antes de sua morte – e, até hoje, foi uma das melhores coisas que vi lá. Assisti palestras com Daniel Galera, Fernanda Torres, e vários outros autores maravilhosos. Assisti, em plena ebulição das manifestações, um debate sobre política e, claro, as manifestações que me agregou muito. E assisti também palestras e debates em um lugar que, infelizmente, acho que não existe mais, chamado Casa do Autor Roteirista, que era dedicado à arte de se escrever para o audiovisual e que foi o maior achado que fiz na FLIP. Foram aulas maravilhosas que tive lá, com informações que guardarei para sempre, mesmo se eu nunca trabalhar com cinema.

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Casa do Autor Roteirista e algumas das experiências que tive por lá – debate sobre humor (acima) com Marcos Caruso e Allan Sieber, e apresentações de Mariana Ximenes e Domingos Montagner.

 

 

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Tenda dos Autores do lado de fora, com a galera reunida pra ver Fernanda Torres (acima) e a Tenda do lado de dentro (abaixo) no debate sobre política.
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FLIP é lugar de discutir sobre manifestações e de fazer manifestações.

Pra resumir, a FLIP é um evento maravilhoso com um clima maravilhoso que é impossível não se envolver. Só de estar lá, com tanta gente pensando cultura e discutindo cultura já faz você ter um pouco de esperança que o mundo pode melhorar. E, no meu caso, me sinto em casa, com pessoas que são muito parecidas comigo e pensam como eu, o que é tão difícil de encontrar por aí. São dias pra deixar o coração quentinho e o cérebro mais cheio. Ou seja, não tem como ser ruim! Se você por acaso já foi na FLIP ou se for na desse ano, depois vem aqui me contar!

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Mais informações sobre a FLIP: http://flip.org.br/

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Alice Maria (cap. 4)

(e às 23:46 de uma 5a feira, ela surge de volta. com vocês, Alice Maria)

*

Faltam dois dias pro ano novo, estamos todos no apartamento de Ulisses e Elisa, decidindo como será o ano novo. Na verdade, como vamos para o ano novo, que esse ano não será no apartamento de Ulisses (e Elisa), como todo ano, e sim na casa de Fausto em Búzios (“Foi um ano difícil, a gente tem que pelo menos terminar ele com uma festa de arromba”, disse alguém que não lembro quem foi). Não consigo parar de olhar pra Bernardo, sentado ao lado de Daniela, batendo altos papos. Como pode Bernardo, sabendo que somos todos inimigos declarados de Daniela (a garota quase expulsou Elisa da própria casa por ciúmes do Ulisses!), ter ficado amigo dela? “Ela não é tão ruim quando se conhece melhor”, disse ele. Não importa! Você não devia sequer ter querido conhece-la, pra começo de conversa, eu disse. Ou não disse, talvez tenha ficado somente na minha cabeça. Não, eu provavelmente disse. Mas ainda assim Bernardo não me ouviu e agora fica aí, de amizade com o inimigo. Traidor! Tô com tanta raiva que nem escuto quando Elisa pergunta se minha irmã vai mesmo com a gente pra Búzios, como ela tinha dito da última vez que encontrou a galera. Só reparo quando Elisa enfia a cabeça bem na minha frente e grita:

“Aliceeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!”

Dou uma breve golfada para dentro da boca devido ao susto. Os outros riem. Daniela também. Ah, eu quebro todos os seus dentinhos , um a um, e faço você engolir! Os outros são meus melhores amigos desde sempre, já você…

“Sua irmã vai com a gente?” Elisa repete, provavelmente mais enfática que da última vez.

“Vai, cruzes.” Respondo, soltando a perna de Rodrigo, que agarrei automaticamente quando Elisa berrou na minha cara. Logo depois, ele puxa a perna pra cima da cadeira que está sentado. Será que tem alguma ligação?

“Então somos onze.”

“Doze.” Diz Valentina de sua cadeira. “Meu irmão também vai porque meus pais vão pra uma festa de adultos.

Todos reparamos na irritação na voz de Valentina, mas decidimos ignorar para não deixar a situação ainda pior. A gente sabe que Valentina odeia a pouca atenção que seus pais dão ao Lucca e ela tá super certa – se é pra ter filho, é pra cuidar (ai meu deus, se é pra ter filho, é pra cuidar!!!!!!!!!!!!!!!) – , mas melhor não incentivar pra ela não se entristecer mais ainda.

“Mais alguém que não tinha avisado antes que ia e agora decidiu que vai, mesmo a gente já tendo comprado tudo pro ano novo?”

Tenho até medo de levantar o dedo pra falar que meu irmão vai com a namorada, mas tenho que fazer, mesmo tendo que enfrentar o olhar fuzilante de Elisa.

“Mas ele vai de carro, então, na verdade, mais ajuda do que atrapalha.” Adiciono.

Não adianta. Elisa bufa. Me lembrou alguém…

Portanto, assim vamos no dia 31: Valentina, Estevão e Lucca no carro do Ulisses;  Bernardo e a namorada (Érika) no carro da recém bff do Bernardo (ew!); Amanda e Julia, minha “cunhada”, no carro do Alan; e eu, Rodrigo e Elisa com Fausto. Eu só rezava pro Fausto e pra Elisa não darem com a língua nos dentes no caminho, e nem ninguém falar NADA durante a estada em Búzios.

 

Magicamente, conseguimos todos acordar cedo para a viagem no dia 31. Saímos um pouco mais tarde que o esperado (às sete, em vez de cinco, como Estevão sugeriu), mas ainda cedo. Não sei como consegui acordar às seis da manhã depois de ter dormido às quatro, isso porque Rodrigo dormiu em casa e quis fazer coisas e eu não quis (pois é, nunca achei que isso fosse possível) porque senão, bem, ele iria ver minha barriga. E com isso fiquei pensando que eu teria que contar logo, antes que eu pareça uma grávida de verdade – e antes também de ouvir algum telefonema da minha mãe, que desde que soube, me liga todo dia, perguntando como estou me sentindo e com várias dicas de como passar uma gravidez tranquila – e com isso a insônia imperou, claro. Não sei mais que desculpa dar, não sei mais como agir, e isso está me dando nos nervos. Talvez tenha sido por isso que passei tão mal durante o caminho até Búzios porque, até então, eu não tinha ficado nem enjoada. Fausto e Elisa se entreolhavam toda vez que eu pedia pra parar o carro pra vomitar (ODEIO vomitar em saquinhos, só me faz querer vomitar mais ainda, com aquela gosma tão perto do meu nariz e o cheiro que fica impregnado ali dentro), mas Rodrigo não desconfiou de nada. Achou só que eu tinha comido alguma coisa estragada – ainda bem.

Por causa dessas paradas, chegamos mais tarde que o resto das pessoas. O que foi bom, porque escapamos de pelo menos duas horas de arrumação, já que eles acharam que “se Fausto chegar e as coisas não estiverem em ordem, ele vai dar um chilique”. O que era verdade. Porém, fui liberada da arrumação. Fausto disse que depois de fazer tanto esforço pra colocar tanta coisa pra fora, eu precisava de um tempo pra recalibrar. Não me opus, obviamente. Por isso, deixei minhas coisas no quarto que eu dividiria com Rodrigo, meus irmãos e Julia (a casa era grande, mas não infinita), e fui pegar um ar na beira da piscina.

*

“De onde você acha que surgiu o vento?”

“A gente já teve essa conversa, Alice.”

Olho para o céu. E então para Fausto. E tento outra conversa.

“Você acha que a gente vai confundir estrela com fogos de novo?”

“Isso não vai colar dessa vez, Alice.”

Cara confusa da minha parte.

“Você não vai ficar falando de assuntos aleatórios pra fugir dos seus problemas, ainda mais quando eles são in-fugíveis.”

Cara irritada da minha parte.

“Não é mais fácil resolver tudo logo?”

Cara de ódio da minha parte.

Levanto e vou ajudar a arrumar a casa. Melhor do que ouvir o sermão de Fausto. Decepção.

 

Depois disso, passo o dia emburrada. Entristecida. Amuada. Como você quiser chamar. Finjo escutar conversas que, na verdade, estão passando batidas por mim. Me concentro em atividades que só faço para fugir de qualquer contato humano. Não quero conversar. Não quero estar na presença de outras pessoas, nem de Lucca, que afasto com peso no coração quando vem me chamar pra jogar videogame. Eu amo essa criança, mas não tô conseguindo lidar. E eu não quero lidar com porra nenhuma. Por que Fausto foi falar isso? Logo ele, cheio dos problemas pra resolver e só empurra com a barriga. Barriga… Melhor pensar em outra coisa.

 

Alice Maria é personagem do livro Queria tanto, de minha autoria, publicado em 2011 pela editora Benvirá. Porém, a história que aparecerá aqui no blog de vez em quando não é a mesma do livro, é uma história totalmente nova, uma continuação, feita somente para vocês.

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And the Oscars went to – Parte II

Olá pessoas!

Muito tempo sem vir aqui! Mas foi por um bom motivo: consegui um emprego! E essa semana tive que resolver todas as coisas que temos que resolver antes de começar em um emprego novo, então não deu tempo de vir aqui escrever pra vocês. E, provavelmente, passarei a escrever menos no blog do que quando estava com tempo livre, claro, mas isso não quer dizer que não terão posts incríveis e interessantes (modesta eu, né?).

Enfim, sei que agora muito tempo já se passou desde que o Oscar foi ao ar, todo mundo já tá sabendo dos vencedores de todas as categorias, mas comigo promessa é dívida, então venho aqui falar sobre os vencedores das categorias técnicas – e explicar um pouquinho sobre elas.

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O grande vencedor das categorias técnicas foi Mad Max, o que significa que não posso opinar se concordo ou não com a vitória porque foi um dos únicos filmes indicados que eu não assisti. O filme ganhou em seis categorias: edição, figurino, cabelo e maquiagem, edição de som, mixagem de som e design de produção.Mas muita gente pode não sabe o que significa cada um desses prêmios. Fear not! Explicarei (com ajuda do Google) agora! Bem, cabelo e maquiagem e figurino é bastante óbvio, então, desses seis que Mad Max recebeu a estatueta, focarei em edição, design de produção, e edição e mixagem de som – e também falarei dos outros prêmios técnicos que não foram para Mad Max. Essa será uma explicação muito resumida dos processos, sem muito aprofundamento, ok?

Edição

Esse é um processo feito na pós-produção de um filme. Depois que ele já está todo gravado, um editor recebe todos os arquivos pra editá-lo. Hoje em dia, é um processo feito, em sua maioria, digitalmente (vide que as câmeras utilizadas são, geralmente, digitais). O editor pega todo o material gravado e seleciona as cenas que serão utilizadas (geralmente indicadas pelo diretor e utilizando o roteiro do filme), montando o produto final do filme.

Design de produção (ou direção de arte)

O diretor de arte é aquele profissional que cria a concepção artística de um filme. Ele é responsável pela concepção visual de um produto audiovisual e orienta toda a equipe de arte.

Edição de som

Em relação a som, já é um pouco mais difícil de explicar porque até alguns minutos atrás, nem eu sabia a diferença entre edição e mixagem de som! Mas, pedi ajuda aos universitários (aka marido), e eles me explicaram que o editor de som somente edita os diálogos, os organiza. Ele é responsável pelos diálogos somente, todos os outros sons existentes em um filme são responsabilidade do mixador.

Mixagem de som

Na mixagem, como eu disse acima, entra tudo: música, efeitos sonoros, e outros sons existentes no filme. O mixador organiza os sons para que o espectador ouça tudo. Porém, deve ficar atento pra um som não sobressair ao outro. Por exemplo, um som de um copo sendo colocado em cima da mesa não pode ser tão alto que o espectador não consiga ouvir o que o ator está falando.

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Os vencedores do Oscar. Acima: Jenny Beaven (figurino), Lesley Vanderwalt, Damien Martin e Elka Wardega (cabelo e maquiagem), Margaret Sixel (edição). Abaixo: Colin Gibson e Lisa Thompson (design de produção), Mark Mingini e David White (edição de som), Gregg Rudlof, Chris Jenkins e Ben Osmo (mixagem de som).

 

Continuando no tema som, vamos falar de trilha sonora original e melhor canção original, que muita gente confunde.

Canção original

Nessa categoria, o grande vencedor foi Sam Smith (que, de tão velha que sou, eu não conhecia) com a música Writings on the wall. Como era uma música do filme 007, já era quase certo que venceria, já que sempre que tem uma música do 007 no jogo, ela vence. Eu não conhecia nenhuma, mas das três que foram tocadas durante a premiação, torci para a que Lady Gaga interpretou, Til it happens to you. Pelo tema (estupro), algo muito relevante e que precisa ser comentado, pela performance da Lady Gaga (milhões de vezes melhor que o desafinado Sam Smith), pela letra. Maaaas, todos sabemos que o Oscar não é justo não é mesmo? Pelo menos, o tema foi comentado no palco – e pelo vice presidente dos EUA! Também rolou a polêmica de que as outras duas músicas concorrentes não foram apresentadas (Manta Ray e Simple song #3). Não sei o motivo dessa não apresentação, então não posso falar sobre. Mas o que posso falar é que o prêmio de melhor canção original é dado a uma música composta especialmente para um filme, música que, geralmente, é a música tema. E o prêmio é entregue para o compositor daquela música, e não para o intérprete (só que, muitas vezes, como foi o caso esse ano, o intérprete é também o compositor, junto com Jimmy Napes).

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Jimmy e Sam.

Trilha sonora original

A trilha sonora, diferente da canção original, é toda uma trilha sonora composta especialmente para o filme. Toda aquela “música de fundo”, como muita gente diz, mas que faz toda a diferença em um filme. É a trilha que, muitas vezes (se não todas as vezes), nos permite sentir determinada sensação durante um filme. As músicas que compõe a trilha sonora de um filme geralmente são orquestradas. Esse ano, o grande vencedor desse prêmio foi Ennio  Morricone, por Os oito odiados (de Tarantino). Ennio é muito conhecido por fazer a trilha sonora dos filmes de western spaghetti do cineasta Sergio Leoni, uma trilha de faroeste que todo mundo conhece. Ganhou esse ano seu primeiro Oscar, aos 87 anos, mesmo tendo mais de 500 trilhas compostas por ele (é sério, entra no imdb pra ver!). Coisa mais fofa e linda e emocionante seu discurso em italiano e foi muito bonito ver o respeito de todos no salão por ele.

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Efeitos especiais

E por último, um prêmio que foi super merecido. Na categoria efeitos especiais, que acho que todo mundo sabe que é o prêmio para os efeitos que não podem ser obtidos por meios normais de filmagem ou por ação ao vivo (segundo a wikipedia!), o filme vitorioso foi Ex-Machina e eu vibrei muito quando foi anunciado. Baita filme difícil de ser feito! Imagina você que foi preciso “fingir” que Alicia Vikander (sim, a vencedora do prêmio de melhor atriz coadjuvante) era uma robô durante o filme inteiro. Ela se movimentava, fazia ações dificílimas de depois sincronizar com os pedaços robô dela. Gente, aquilo foi de uma criatividade e inovação incrível! Não tinha como não vencer. E eu fiquei muito feliz de ver a equipe de efeitos visuais naquele palco segurando as estatuetas!

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Andrew Whitehurst, Paul Norris, Mark Williams Ardington e Sara Bennet, a equipe de efeitos visuais de Ex Machina.
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Alicia Vikander como a inteligência artificial do filme.

Pronto! Foram essas as categorias. Gostaram de saber um pouquinho mais sobre cada uma? Espero que sim! E se interessar vocês conhecer mais sobre esse mundo do cinema, só falar que escrevo mais aqui!

Beijocas e até semana que vem!

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Para os que seguem meu canal no YouTube, peço desculpas por não ter tido vídeo novo essa semana, mas o motivo foi o mesmo de não ter post essa semana: falta de tempo! Mas semana que vem tem (se tudo der certo)! Aliás, deixem nos comentários assuntos que vocês gostariam que eu falasse nos vídeos! 🙂

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