30 Livros em 1 Ano – Objetos cortantes (Gillian Flynn) – Livro 5

Hello, is it me you’re looking for?

Hoje vou falar sobre o melhor livro da vida até agora nesse projeto de 30 livros em 1 ano e, quiçá, um dos melhores livros que já li na vida. Sério, fiquei embasbacada com a capacidade de escrita da Gillian Flynn que, antes de ler esse livro, eu só conhecia como a autora de Garota exemplar, que eu não li, mas vi o filme. O livro é Objetos cortantes, e saiu por aqui, assim como todos os outros livros da autora, pela Editora Intrínseca (minha editora queridinha que, um dia, será meu local de trabalho, se os deuses me ouvirem). Ele conta a história de Camille, que retorna à cidade onde nasceu para cobrir o caso de uma menina assassinada e outra misteriosamente desaparecida. Desde que deixou a pequena Wind Gap, no Missouri, oito anos antes, Camille quase não falou com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã, praticamente uma desconhecida. Mas, sem recursos para se hospedar na cidade, é obrigada a ficar na casa da família e lidar com todas as reminiscências de seu passado. Entrevistando velhos conhecidos e recém-chegados a fim de aprofundar as investigações e elaborar sua matéria, a jornalista relembra a infância e a adolescência conturbadas. (sinopse retirada do Skoob)

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Quem já leu Garota exemplar ou ao menos viu o filme, sabe que Gillian Flynn gosta de uma atmosfera sombria e personagens femininas fortes e problemáticas, características que eu me relaciono e me interesso bastante. Não sou fã de personagens certinhos, bonzinhos e que parecem não ter nenhum defeito. Em Objetos cortantes, personagens assim são muito difíceis de se encontrar. Ainda bem. Todos eles são reais e relacionáveis – na medida do possível.

Objetos cortantes é um livro forte, intrigante e totalmente viciante! Eu li o livro todo numa livraria (porque, infelizmente livros são caros e a pessoa aqui tá sem dindim) e isso foi muito difícil, porque eu não podia levá-lo pra casa! Me peguei várias no meio do fim de semana (sábado e domingo não ia pra lá) sedenta de história porque eu tinha que saber como o livro continuava!!!!!!! Aí quando chegava 2a feira, eu corria pra livraria, agarrava meu livro, pedia meu café e só parava de ler porque já tinha ficado tarde e eu tinha que ir embora. Se eu pudesse, dormia no shopping lendo! Sério, ele é muito envolvente, a Gillian usa as palavras dela de forma perfeita pra te agarrar e te fazer ter vontade de saber o que vai acontecer na próxima frase, e na próxima, e na próxima, e na próxima, até você ter lido até o final!

Trecho (incrível) do livro.
Trecho (incrível) do livro.

A personagem principal também é super bem construída. Na verdade, todos os personagens são muito bem construídos, o que é difícil de se encontrar por aí porque, geralmente, os autores costumam construir muito bem os personagens principais e esquecer que precisam desenvolver os secundários também. Mas em Objetos cortantes, todos possuem detalhes e características profundas, como toda pessoa real. E por mais horripilantes que eles sejam, você consegue entender o motivo de cada um ser do jeito que é – o que não significa que você vai gostar deles (eu mesma odiei várias personagens). Mas Camille é impossível de ser odiada. Ela tem tantos problemas que você sente pena dela, e se sente como ela, e se relaciona com ela (ou talvez isso só aconteça comigo). Mas dá pra sentir todas suas sensações e sentimentos a medida que ela vai descobrindo as coisas que andam acontecendo em sua cidade natal e enxergando a verdade por trás de cada personagem. É foda, desculpe o teor da palavra, mas realmente não tenho outra pra explicar melhor o desenvolver da história e o próprio livro. Eu amei muito, mesmo, e talvez seja o primeiro livro sem ser saga (Harry Potter, Jogos Vorazes) que eu tenha lido tão intensamente e que me envolvi tanto com a história. Acho que 5 estrelas é pouco, eu daria mil!

A autora Gillian Flynn e a capa original do livro.
A autora Gillian Flynn e a capa original do livro.

Ah! Dizem por aí que Objetos Cortantes vai virar série. Eu não gostei da ideia. Acho que ele tem tudo pra ser um filme, mas série… Série é longa e precisa de mais material do que existe no livro (George R.R. Martin e suas centenas de páginas tudo bem, mas Objetos Cortantes não pede série). Vão acabar estragando o livro. Quero nem ver! Mas se resolverem fazer um filme, serei a primeira no cinema! Assim como quero ver o filme de Dark Places (Lugares escuros), segundo livro de Gillian Flynn (e que eu estou lendo agora!) e que estreará ainda esse ano por aqui, protagonizado pela Charlie Theron.

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30 Livros em 1 Ano – Não sou uma dessas (Lena Dunham) – Livro 4

Alô alô, W Brasil!

Hoje vim aqui cedinho porque fui acompanhar meus pais na rodoviária, aí voltei e pensei “por que não escrever agora no blog?”, então cá estou! Estou com várias ideias nessa cabeça of mine pra escrever por aqui, mas colocarei todas em prática com o tempo. Aguardem… hahuahuahua

Hoje venho com mais um livro da minha lista dos livros que li nesse ano e, man, esse foi um dos melhores so far! (nossa, tô muito língua inglesa hoje!) Eu já escrevi neste post aqui sobre Girls e como sou apaixonada pela série. Pois o quarto livro que li é da criadora/roteirista/diretora de Girls, Lena Dunham, e só por ser de autoria dela eu já sabia que iria gostar, já que Lena despeja muito dela em tudo que faz. E sendo Girls = Lena, não teria como não gostar do livro já que Livro = Lena também. Porém, ainda assim eu fui totalmente surpreendida pelo livro. Com a incrível semelhança da Lena Dunham comigo. Senti que, finalmente, havia encontrado alguém que entendia minhas peculiaridades, sendo a obra uma não-ficção sobre sua vida, quase uma biografia mesmo, porém não escrita com estética de biografia. #NemSouConfusaImagina

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Dito isso, preciso dizer que não é qualquer um que vai gostar do livro. Alguns – muitos, eu diria -, ficarão negativamente surpresos com ele. Chocados seria a palavra mais certa. Pessoas que acham que qualquer coisa diferente é uma anormalidade ficarão chocadas. Talvez, até algumas pessoas que estão acostumadas com o que não segue um padrão podem ficar chocados. Confesso que até eu me choquei com uma coisa ou duas, mas depois vi que estava sendo ridícula e parei. Isso porque Lena é única, original e faz coisas bem distintas do que são chamadas “normais”. É possível que achem que ela tem problemas psicológicos e emocionais e que precisa se tratar. Não que ela não precise, porque a medida que lemos o livro vemos que ela desenvolveu algumas síndromes durante a vida que precisam sim ser tratadas. Mas esse motivo é bem díspare do motivo que alguns darão para seu tratamento.

Explicamentos mais extensos sobre o livro: Lena é subversiva. Não para chocar, mas naturalmente. É sua essência. Ela é diferente e não se culpa ou nega sua diferença. Nisso diferimos porque, infelizmente, muitas vezes eu gostaria de ser como os demais pra ser um pouco melhor aceita. É verdade que ela já foi assim como eu, mas hoje em dia… Se aceita totalmente. E isso é inspirador.

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O livro é despretensioso. É uma narrativa de acontecimentos de sua vida, de todos os aspectos: profissional, amoroso, pessoal, etc. Ela fala sobre o que aprendeu com cada situação que viveu, sem querer impôr seus pensamentos sobre ninguém. Apenas expõe os fatos e seus aprendizados e quem quiser tirar alguma lição de suas palavras, que tire. Mas não parece ser seu objetivo. O livro parece um diário onde expurga os acontecimentos negativos para poder esquecer deles ao mesmo tempo em que percebe que eles foram necessários para ela estar onde está hoje. E também um lugar para ela deixar registrado o que de bom aconteceu para não esquecer de nada. Claro que são suposições minhas, posso estar totalmente errada – como vários professores de literatura ao interpretar poemas e trechos de livros clássicos. Mas é um livro leve, de escrita fluida e informal (do jeitinho que eu gosto), cheio de referências culturais que faz a gente perceber que não estamos sozinhos nesse mundo – com “a gente” quero dizer “excluídos e fora dos padrões”. E que, um dia, chegará a nossa vez, assim como chegou a dela.

Marquei várias passagens com as quais me identifiquei no livro (nunca tinha feito isso antes), e vou colocar as 10 de que gostei mais.

1. Fico pensando em quantas pessoas queridas assistem à televisão procurando sinais da própria destruição.

2. A realidade cruel da ansiedade é que você nunca acha que é boa o bastante.

3. A questão subtendida, nesses casos, é definitivamente como tenho coragem suficiente para expor meu corpo imperfeito, pois duvido que a mesma pergunta fosse feita a Blake Lively.

4. Não sou inveja da maneira tradicional – de namorados, bebês ou contas bancárias -, mas cobiço o jeito de ser de outras mulheres.

5. Sinto inveja das características masculinas, embora nem tanto dos homens. (…) O fato de serem tão livres do instinto de agradar às pessoas, algo que considero uma maldição da minha condição feminina.

6. E, no nosso trabalho, criamos um universo melhor ou mais claro. Ou, pelo menos, que faz mais sentido. Um lugar onde desejaríamos viver ou que poderíamos ao menos entender.

7. Ele me disse que as crianças populares nunca se tornam adultos interessantes e que as crianças interessantes nunca eram populares.

8. Era ansiosa e faminta: por arte nova, amigos novos, por sexo.

9. Penso bastante sobre o fato de que todos nós vamos morrer. Penso nisso nos momentos mais inoportunos.

10. (…) existe algo dentro de você – grande, explosivo, pronto para surpreender o mundo de maneira ruim se as pessoas não souberem lidar com você, mas preparado para se tornar uma coisa linda se alguém simplesmente prestar atenção. 

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Ah! Preciso fazer um aparte para as ilustrações que são super simples e bem propícias ao texto e a livro. A ilustradora é uma amiga de Lena que, inclusive, é citada em um dos capítulos (para conhecer mais sobre o trabalho dela, clique aqui). Aliás, muitos amigos, familiares e pessoas conhecidas são citadas em Não sou uma dessas. Queria muito saber o que elas acham de terem suas vidas contadas ao público desse jeito, mas elas já devem estar acostumadas, já que Lena parece não conter sua vida à, bem, sua vida. Ela parece precisar jogar tudo em seus produtos culturais. Talvez uma maneira de expurgar demônios, como eu tinha falado antes. Eu sei que adoraria fazer o mesmo, seria mais fácil me entender vendo minha vida em telas de TV e páginas de livro. E, preciso dizer, virei fã incondicional de Lena depois desse livro, mais ainda do que era quando só assistir a Girls!

Ilustração do livro.
Ilustração do livro.

O livro, intitulado Not that kind of girl, no original, é da Editora Intrínseca e custa, em média, R$29,90. Pra quem tem e-reader, tá em torno de uns R$18. Baratinho, né? Corre lá pra ler! E depois me diz o que achou!


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30 Livros em 1 Ano – Fim (Fernanda Torres) – Livro 3

O primeiro livro ruim que li nesse projeto de 30 livros em um ano foi esse: Fim, da Fernanda Torres.

Acho que nunca me decepcionei tanto com um livro. Sendo um livro da Fernanda Torres, atriz que adoro faz tempo (quem não, né?), eu esperava um livro a sua altura. Sabia que não seria de comédia, porque assisti um debate com ela na FLIP (Festa Literária Internacional de Parati) no ano passado e ela deixou bem claro que seu livro não era do estilo que as pessoas estavam acostumadas a vê-la, ou seja, não era um livro de comédia. E realmente não é. Mas ela podia ter dito que era chato, né?

Explico, porque “chato” é uma característica muito abrangente. E, pra isso, contarei a minha história com esse livro desde o começo (juro que não é longa, podem ler sem medo de ficar por aqui até amanhã!).

Um dia, estava eu na Livraria Saraiva e queria tomar um café no Café Baroni, cafeteria (ótima) dentro da livraria. Mas não tinha levado nenhum livro e não sabia se ia conseguir escrever algo, então fui catar um livro de lá pra ler. Dei de cara com Fim, que já estava há muito tempo querendo ler (por ser fã da Fernanda, como disse anteriormente), e levei comigo pra mesa. Comecei a ler. Li todo o primeiro capítulo, ou seja, toda a história de Álvaro (o livro é dividido por seus personagens principais). Nunca odiei tanto um personagem quanto aquele. Rabugento, chato, sem nenhuma qualidade positiva. Nenhuma! Não tinha uma característica sequer que me levasse a um pingo de identificação ou empatia. “Mas vou continuar.”, pensei, “Vai que os outros personagens são melhores!” Ah! Como eu estava enganada!

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O livro fala da vida (e morte) de 5 personagens: Álvaro, Ciro, Neto, Ribeiro e Sílvio. Cinco amigos que se conhecem quando jovens, moradores da zona sul do Rio de Janeiro e frequentadores das praias. Cada um totalmente diferente do outro, mas iguais em um aspecto: os cinco não prestam nem um pouquinho! Mas nem um pouco mesmo! Quando parece que um vai ser legal, fala uma coisa que dá vontade de colocar um alfinete na sua cadeira pra ele sentar em cima (isso, no mínimo). Outros personagens retratados são as mulheres desses cinco amigos e outros dois personagens secundários que aparecem pouco, mas que já conseguimos entender suas vidas. Tirando o padre, não há nenhum outro que passe empatia. Não para mim, pelo menos!

Fernanda deve ter tentado retratar que ninguém é normal de perto, que vivemos de aparências e que todos temos uma ponta de ruim dentro de nós. Isso ela realmente fez com maestria. Mas acho que até se superou, porque, pra mim, pareceu que eles só tem maldade! Eu gosto de ler um livro que eu consiga me identificar com algum personagem. Mesmo se o personagem não seja como eu, não aja como eu, não pense como eu, que eu consiga entender suas ações e motivações, sejam elas positivas ou negativas. Nesse livro, é impossível. Todos os personagens são extremamente egoístas, narcisistas, egocêntricos. Vaidosos e muitos são preconceituosos. Como gostar de um personagem assim? Foi muito difícil pra mim. Por isso, foi difícil chegar ao final do livro. Por isso, demorei tanto. Adiava sua leitura pois sabia que seria desgastante. No final, acabei conseguindo ter força de vontade maior e li metade do livro em três dias, tudo porque queria acabá-lo. Ajudou o fato de Fernanda deixar os personagens menos insuportáveis pro final, talvez até intencionalmente, não sei. Ajudou mais ainda eu pensar nesse projeto e pensar que, se não acabasse logo o livro, não conseguiria ler meus 30 livros em 2015. Então consegui. Com a certeza de que esse será um dos piores livros que li esse ano.

Outras opiniões pra vocês não ficarem só com a minha negativa.
Outras opiniões pra vocês não ficarem só com a minha negativa.

Sei que muitos gostarão dele. Alguns, somente por ser da Fernanda Torres. Outros, dirão que gostaram por estar super em alta (e por ser da Fernanda), mas na verdade, não terão gostado. Outros vão gostar e pronto. Vai do gosto de cada um, é claro. Mas eu não consigo entender como alguém pode admirar um livro com tantos personagens insuportáveis e que não acrescenta nada. Dou graças a Deus que terminou. Deus esse que a maioria dos personagens não acredita (não que esse seja um defeito deles, pelo amor!).

Se você já leu e gostou, me explique o motivo porque preciso entender! E se você ainda for ler, boa sorte!

Ah! O livro é da editora Companhia das Letras e custa, em média, R$22.

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30 Livros em 1 Ano – O lado bom da vida (Matthew Quick) – Livro 2

Hey soul sister!

Estive meio sumida no final de semana porque fiquei sem computador! Meu marido foi reformatar porque eu não faço ideia de como se mexe nesse negócio Fui reformatar meu notebook e deu um problema e fiquei sem ele por três dias! Quase morri! Mas agora ele está de volta e cá estou eu, escrevendo de novo! Ufa, crise de abstinência over, graças!

Hoje falarei de mais um livro, livro esse de um autor que ando meio viciada no momento, o Matthew Quick. Já li dois livros dele esse ano (O lado bom da vida e The Good Luck of Right Now), hoje comecei o terceiro (Quase uma rock star) e estou muuuuuuuuuito sedenta por Perdão, Leonard Peacock. Mas, porém, contudo, todavia, hoje falarei do primeiro citado – e também mais conhecido -: O lado bom da vida.

Matthew Quick aí pra vocês darem uma conferida nele. Ele não tem cara de que seria aquele amigo fabuloso que fala milhares de coisas engraçadas pra você?
Matthew Quick aí pra vocês darem uma conferida nele. Ele não tem cara de que seria aquele amigo fabuloso que fala milhares de coisas engraçadas pra você?

Esse livro de 2008 (mas que só foi lido por mim 7 anos depois de seu lançamento, até porque só foi lançado no Brasil em 2013, pela editora Intrínseca) que teve um filme baseado em sua história (só baseado mesmo, porque o filme é todo diferente e, desculpe a expressão, cagado) em 2013, é um dos livros mais identificáveis por mim da face da Terra (adicione a ele Carta para alguém bem perto, da Fernanda Young, O apanhador no campo de centeio que, aliás, é citado no livro, de J.D. Salinger, e Eu sou o mensageiro, de *suspiro* Markus Zusak) . “Isso quer dizer que você é maluca, Livia?” (já que o personagem principal do livro tem probleminhas mentais) Sim, isso quer dizer, sim. O QUE VOCÊ TEM COM ISSO? TEM CERTEZA QUE QUER IR CONTRA ALGUÉM LEVEMENTE (BASTANTE) DESPIROCADO? Mentira, gente, nem tô gritando…

Enfim, voltando à resenha do livro. O livro é realmente muito bom. E eu sei que falo muito isso das coisas, mas eu só falo muito isso das coisas que eu gosto de verdade, porque o que não gosto, eu não tenho vergonha de deixar claro que não gosto (como o livro que tô lendo agora, o terceiro do projeto, que até agora tô achando bem chato, mas isso é assunto para outro post). Mas ele é bom. Muito. Por que?, vocês me perguntam. Porque sim! Mentira, vou explicar.

Algumas capas do livro Silver Linings Playbook.
Algumas capas do livro Silver Linings Playbook.

Bem, só pra fazer um resumo do livro para quem não leu (e nem adianta falar que viu o filme, porque a história é BEM diferente), O lado bom da vida conta a história de Pat Peoples (adorei o nome, by the way), um homem de 30 e meios anos, meio que recém separado (na cabeça dele) de sua mulher, e que acaba de sair de uma instituição mental (apelidado “carinhosamente” por ele de Lugar Ruim). O sentido da vida dele pós-Lugar Ruim é reconquistar sua esposa, que ele não vê desde que entrou na instituição e, para isso, faz tudo que ele considera que ela gostaria que ele fizesse: perde peso, lê livros clássicos da literatura (sendo Nikki, sua esposa, professora de inglês) e, o mais importante de tudo, decide ver o lado bom da vida (daí o nome do livro) sendo positivo e agradável (e não tendo que ter sempre a razão, como fazia antes. Aiai, tão eu esse Pat Peoples). Porém, como não vive sozinho no mundo (apesar de mundo ideal de Pat só existir ele e Nikki), Pat precisa lidar com seus pais, seu irmão, seu terapeuta e também com Tiffany, irmã recém-viúva da esposa de um de seus melhores amigos, que decide começar a seguir Pat e não largar mais dele. Obviamente, Tiffany é vista por todos como mulher-problema, visto que diz o que quer, faz o quer e estar claramente passando por um difícil momento depois da morte de seu marido, Tommy.

Como dá para perceber, tanto Pat quanto Tifffany não estão em seu melhor momento mental. Ambos estão deprimidos e mentalmente não saudáveis. Acho incrível como o autor, Matthew Quick, consegue mostrar facilmente que Pat criou um mundo próprio na cabeça dele. E não importa o que as outras pessoas a seu redor falem, ele não acredita porque o mundo que criou é muito real. Apesar de totalmente desconexo. Ele não lembra de várias partes da sua vida pré-Lugar Ruim, e não consegue nem lembrar quantos anos ficou na instituição. Achei, inclusive, essa uma das partes mais sensacionais do livro e da criação dos personagens. Imagina você ter que conversar com uma pessoa sem mencionar tempo! É muito difícil! E é isso que a mãe de Pat, sempre tão protetora, sempre tão linda, sempre tão carinhosa e verdadeira (e tão mal explorada no filme) obriga todos a seu redor a fazer. Às vezes, isso acaba sendo prejudicial para o próprio Pat, mas conseguimos entender de onde está vindo esse desejo totalmente protetor da mãe: ela não quer que o filho sofra e ponto final. Ela trata Pat como uma criança porque, no momento, ele é uma criança. E isso fica bem claro no jeito de Pat se expressar, algo que me incomodou muito no começo do livro e que até achei que fosse um erro de tradução, uma tradução mal feita. Mas depois percebi que era intencional, pois era assim que Pat estava naquele momento: sendo uma criança, frágil como uma. Talvez por isso a pessoa com quem ele se sinta melhor (além de Tiffany) seja a filha bebê de seu amigo Ronnie, porque ele se identifica com ela e consegue entendê-la. E talvez ele sinta que ela também consegue entendê-lo porque, naquele momento, mais ninguém consegue.

“A vida não é um filme água com açúcar. A vida real, com frequência, acaba mal. A literatura tenta documentar essa realidade, enquanto nos mostra que é possível suportar isso com nobreza.” Trecho do livro O lado bom da vida. (super me identificando com o primeiro trecho dessa frase no dia de hoje)
“A vida não é um filme água com açúcar. A vida real, com frequência, acaba mal. A literatura tenta documentar essa realidade, enquanto nos mostra que é possível suportar isso com nobreza.” Trecho do livro O lado bom da vida. (super me identificando com o primeiro trecho dessa frase no dia de hoje)

Achei muito bonita e delicada como toda essa questão da doença mental é tratada por todos os personagens que permeiam o livro: dos que entendem e tentam ajudar aos que fingem que não existe e não conseguem lidar, como o pai de Pat, um sujeito totalmente fechado e avesso à “emocionalidades”. É incrível ver como uma pessoa é guiada na vida por coisas aparentemente sem valor, como um time (no caso, de futebol americano), e como o amor por um time pode modificar relações. Gostei muito dese aspecto do livro e me fez enxergar os fanáticos por futebol de uma maneira completamente diferente (mas continuo achando os que batem – e às vezes até matam! – nos outros por causa de um time totalmente babacas e idiotas).

Ver Pat enxergar essa realidade real, e não a realidade da cabeça dele, aos poucos e ver como ele lida com tudo é muito interessante. Nos faz perceber como lidamos com a nossa vida também. E, claro, a compreender um pouco mais aqueles que tem um pouco mais de dificuldade em viver a vida, que são mais sensíveis, que tem problemas, e a perceber que coisas como depressão, bipolaridade,anorexia, ansiedade exacerbada, e toda essas doenças da mente não são brincadeira. Até mesmo pra mim, que já enfrentei algumas dessas doenças (depressão e anorexia), foi importante, porque você acaba achando que esses problemas são só seus e os outros não sofrem tanto quanto você, e acaba desvalorizando os sentimentos de algumas pessoas, quando elas podem estar sofrendo tanto ou até mais que você. E desvalorizá-las com certeza não as ajuda. Talvez esse livro tenha me tocado tanto exatamente por isso, porque eu sei o que Pat sente. E a relação que se forma entre Pat e Tiffany também tem a ver com isso, porque um sabe o que o outro está sentindo – apesar de Tiffany entender Pat muito mais do que ele a entende, já que ele está naquele mundo obcecado do Pat onde só enxerga uma coisa: Nikki.

Fico com medo de dizer mais coisa e acabar dando spoiler dimais. Sei que é um livro antigo, que até já saiu filme (que, repito, não tem nada a ver com o livro!), mas sei que muitas pessoas podem ainda não ter lido, como eu, e não quero estragar mais nada para essas pessoas. Acabo, então, dizendo que é um puta livro, delicado e sincero, muito bem escrito e com personagens muito bem delineados, com função exata para cada um. E nenhum fio fica solto no final, o que também é um grande ponto. Só não espere um final cliché porque, afinal, não é um filme água com açúcar. 😉

A capa do livro aqui. Acho tão chato quando mudam a capa por causa do filme, fica tão sem graça.
A capa do livro aqui. Acho tão chato quando mudam a capa por causa do filme, fica tão sem graça.

Ah! Se vocês quiserem me ver falando sobre esse livro, fiz um vídeo sobre  a diferença entre o livro e o filme e coloquei lá no canal. Na época, eu ainda tinha o outro blog sobre o projeto 30 livros em um ano, então falo do blog lá, mas é só ignorar. hahahahahaha

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