Cine Café & Bistrô

Fato: Festival do Rio é sinônimo de tomar muito café. Não pra ficar acordada, mas porque, geralmente, vejo mais de um filme em um dia e entre filmes sempre rola um tempinho livre que é gasto onde? Em uma cafeteria, tomando um café e lendo um bom livro (isso quando não estou desesperadamente lendo a programação para ter certeza de que os filmes escolhidos são os filmes certos para assistir). Então nada melhor do que falar sobre elas por aqui também nessas semanas de Festival, não é mesmo? E a primeira que fui foi a Cine Café, que fica na galeria do cinema São Luiz.

Logo de cara, tive uma experiência ruim. Não com o café, mas com a galeria. Ou melhor, com o segurança da galeria, que veio me falar que eu não podia tirar foto do letreiro sem permissão. Primeira vez que isso me acontece no Rio (já havia me acontecido em São Paulo uma vez e fiquei tão revoltada quanto desta) e achei a coisa mais idiota do mundo. Mas tudo bem, eu já tinha tirado duas fotos mesmo (uma delas, você vê abaixo). Mas, apesar da minha irritação, marido conseguiu me acalmar resolvi esquecer da situação pra eu aproveitar bem a refeição. E ajudou bastante o fato de eu saber de antemão que teria dez reais de desconto na conta final, porque ganhei cupom de desconto quando comprei meu ingresso pro filme do Festival, o que adorei!
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O café estava cheio, então demorou pra algum garçom reparar que estávamos chamando. Mas preciso dizer que fiquei sentada lá dentro esperando marido marido chegar por uns quinze minutos, e durante esse tempo fui atendida por uma garçonete sem ao menos chamar, então não podemos falar mal do atendimento, não é mesmo? Pelo menos, enquanto esperávamos, pudemos prestar atenção na decoração do local, que era super legal, com tema de cinema, claro, e vários quadrinhos relacionados a filmes. Queria ter conseguido tirar uma foto melhor, mas admito que depois da bronca que levei do segurança, fiquei com um certo receio de tirar qualquer outra foto que não fosse das comidas que pedimos.

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Estão vendo os quadrinhos ali do lado direito?

Falando em comida, as nossas estavam deliciosas. Pedi um panini no pão de queijo de queijo e tomate que estava to die for. Tostadinho no ponto, com queijo derretido… Sensacional, boca saliva só de pensar. Marido pediu torrada petrópolis, que veio com queijo parmesão em cima, que ele também falou que estava muito gostoso. Único problema, pra gente, foi o valor. Ele achou meu panini caro (foi $6,90, o que eu, particularmente, não acho caro) e eu achei a torrada dele cara (custou $8,90), o que eu não acharia se viesse ao menos duas torradas, mas veio uma só mesmo. Também pedi um croissant napolitano (queijo, presunto, tomate e azeitona) que estava no mostrador e fiquei namorando desde que cheguei. Como depois do panini continuei com fome, pedi ele também. Não lembro do valor, mas lembro que estava gostoso, porém menos do que eu esperava – mas só porque não sou tão fã de azeitona.

Panini que tava tão bonito que não consegui esperar pra tirar foto antes de comer.
Panini que tava tão bonito que não consegui esperar pra tirar foto antes de comer.
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A fatia única da torrada petrópolis do marido.
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O croissant que ficou me encarando até eu comê-lo.

O que realmente me decepcionou no café foi o próprio café. Pedi meu cappuccino de sempre e ele estava muito doce, até marido, que aguenta coisas mais doces do que eu (tudo eu acho muito doce), achou muito doce. Mas isso porque ele foi feito com pó de cappuccino, com certeza, e eu não sou nem um pouco feliz com pó anteriormente preparados que você só mistura com leite. Se for pra tomar cappuccino em pó, eu compro e faço em casa, não é mesmo? Mas no geral gostei de lá. E pretendo voltar pra provar as outras inúmeras coisas que eles tem no cardápio, como sanduíches, quiches, saladas e outras variedades de cafés (que espero não serem de pózinho!).

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Bonito, mas não tão gostoso quanto parece.

Endereço: Rua do Catete, 311, sala 110.
Cartões: todos.

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Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

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“Pa vê ou pa comê?” Porque não tá dando pra fazer as duas coisas, não!

Eu amo os cinemas do grupo Estação. Amo mesmo, com todas as minhas forças e coração (você pode entender melhor a intensidade do meu amor nesse post aqui). Mas, infelizmente, hoje em dia está muito difícil ir aos cinemas do grupo Estação. Pelo menos, pra uma pessoa desempregada sem renda nenhuma – e sem nenhuma forma de meia entrada.

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Semana passada, li no Facebook a indicação de um amigo sobre o novo filme do diretor francês François Ozon. Fingi que lembrava quem era o diretor (apesar de reconhecer o nome, não lembrava seus outros filmes, mas agora procurando por ele, vi que fez 8 Mulheres, filme que amei!) e fui. Na verdade, pra mim, tanto faz o diretor, o que importa é que o filme é francês. Sim, sou obcecada por cinema francês (obsessão que, um dia, ainda rendará um post), e esse ainda tinha o plus de ter meu queridinho Romain Duris. Achei o filme passando no Estação Net Botafogo e fui, no impulso, sem nem ver se estava passando em outro cinema – eu já estava feliz por poder ir em algum cinema do Estação e fingi que as outras salas de cinema não existiam (depois vi que também estava passando no Itaú Arteplex, ou seja lá o nome que aquele complexo de cinemas em Botafogo tem agora).

Eu esperando pelo filme - e não muito feliz com tudo que tive que pagar.
Eu esperando pelo filme – e não muito feliz com tudo que tive que pagar. (desculpa pela qualidade da foto, a câmera do meu celular não é boa)

E lá fui eu, feliz, contente e pobre – pois não se deixa de ser pobre quando se sai de casa, mesmo o destino sendo a zona sul (pra quem não é do Rio, a zona sul aqui é a parte mais cara da cidade) – assistir Uma nova amiga. Cheguei, entrei na fila, disse o nome do filme e horário que queria. Depois da bilheteira perguntar “meia entrada de que?”, apesar de eu já ter falado que a minha era inteira, repeti que não tinha meia entrada e, então, depois de escolher meu lugar, ela me falou o quanto eu tinha que pagar: TRINTA REAIS! Meu queixo caiu e eu travei. Eu não estava esperando algo tão caro at all! Mesmo sabendo que tinha escolhido um dos piores dias da semana pra se ir ao cinema (6a feira), eu achava que o ingresso seria, no máximo, uns vinte e poucos reais, valor que paguei da última vez que fui no mesmo cinema, alguns poucos meses atrás. E pra piorar tudo: só aceitava débito e dinheiro. Visto que minha conta está quase zerada – só não está zerada por bondade da minha mãe -, paguei em dinheiro porque, por sorte, tinha o suficiente (dinheiro que “ganhei” no brechó).

Parte fofa em frente à sala maior - e meus pés no espelho, porque esse chão quadriculado é super fotografável!
Parte fofa em frente à sala maior – e meus pés no espelho, porque esse chão quadriculado é super fotografável!

Quem conhece esse cinema do grupo Estação em particular sabe que as instalações e estrutura não são lá as melhores. Tem mosquitinho, tem sala congelante, tem sala pequenina que de tão pequena você se sente meio claustrofóbica. Mas sendo grupo Estação, ou seja, você sabe que a qualidade do filme é sempre boa, você ignora esses pequenos detalhes. Mas não por esse preço, né? Pelo menos, meu filme estava passando na maior e melhor sala de lá (são três, se não me engano), então até que não foi desconfortável e consegui assistir o filme de uma distância boa (não gosto de ficar muito perto da tela). Há um tempo atrás, eu até evitava ir nessas salas no Estação porque eu sabia que não eram as melhores e eu achava muito pequenas as salas (tirando essa que fui, mas sempre esquecia de sua existência). Só que o meu queridinho Espaço de cinema (ou seja lá como ele se chama agora – Estação Net Rio, na verdade) entrou em reforma e só me restou o Estação Net Botafogo (ok, sei que tem na Gávea e em Ipanema, mas Botafogo é muito mais fácil de chegar). Sem contar que lá é onde todos os filmes que já saíram de todos os outros cinemas ficam passando por mais tempo, então, às vezes, não tem nem opção.

A sala que estava passando o filme era a maior que tem por lá - ainda bem!
A sala que estava passando o filme era a maior que tem por lá – ainda bem!

Ok, não tem como negar que a qualidade dos filmes que passam nos Estações é maravilhosa. Em nenhum outro lugar aqui no Rio conseguimos encontrar filmes que não são blockbusters comerciais porque, além das salas de cinema do Estação (e as do Itaú, que já mencionei antes), só temos os Kinoplex e Cinemarks da vida nos shopping e, como todos sabem, passam o mesmo filme em várias salas, e sempre esses mais comerciais, pra ganharem bastante grana. (ai, como sinto falta de mais cinemas de rua…) E sei que as salas do Estação quase fecharam as portas há um tempo por falta de verba e, agora que foram compradas por grandes empresas e tudo está sendo reformado e melhorado, o valor do ingresso aumentaria (sem contar toda essa polêmica da meia entrada que, inevitavelmente, faz todos esses lugares aumentarem seus preços). E sei também que as salas do Estação são frequentadas pela elite intelectual do Rio de Janeiro que, em sua maioria, também é a elite econômica/financeira. Mas, ainda assim, é caro demais pra uma simples desempregada como eu – e também pra galera que trabalha com cultura e que não ganha bem e que, com certeza, também frequenta esses lugares. O que me deixa bem triste porque, provavelmente, não poderei ir ao cinema por bastante tempo – porque me recuso a fazer carteirinha falsa.

Pipoca do cinema e pipoca do lado de fora.
Pipoca do cinema e pipoca do lado de fora.

O pior é que até o café é caro, então não dá pra ver filme e comer, você tem que escolher um dos dois. Pra vocês terem ideia, nesse dia, como cheguei cedo pro filme e ia esperar mais de uma hora pra ele começar, resolvi fazer um lanche. Não queria ir muito longe e os lugares ali por perto estavam cheios, então resolvi comer algo ali no café do Estação mesmo. Comi um pastelzinho pequeno de peito de peru (que, ok, estava uma delícia) e uma xícara pequena (do tamanho de uma xícara de cafézinho) de cappuccino e gastei 11 reais. Aí você pensa: “Vou comer uma pipoca então”. Não adianta, queridos, porque até o pipoqueiro que fica em frente ao cinema é caro – os saquinhos vão de 8 a 12 reais! Complicado.

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Tá difícil ter cultura de qualidade aqui no Rio de Janeiro… (Ou vai ver eu que tenho que escolher uma profissão qualquer que pague muito bem em vez de tentar fazer o que eu amo – que, no momento, nem vaga tem! Sim, eu tô frustrada!)

PS. Aliás, o filme é maravilhoso! Super recomendo, faz pensar pra caramba e todos os atores estão fantásticos! Vejam! Só não num cinema do Estação – a não ser que não ligue de pagar 30 reais.

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Filmes: Selma e Sniper AMericano

O Oscar é amanhã!!!!!!!!!!!!! Uhu!!!!! E enquanto procurava pratos deliciosos pra fazer na noite da festa mais importante do ano (festa, porque o evento é o Festival do Rio!), pra deixar a minha noite com marido igual a um evento de gala, lembrei que faltavam ainda dois filmes indicados ao prêmio de Melhor Filme que eu ainda não havia falado por aqui! #QueGafe Então vamos à eles!

Primeiro, uma pequena introdução a eles.

Selma

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Sinopse (do site Omelete): A trama segue a campanha real que tomou espaço na cidade de Selma, no Alabama, onde cidadãos negros tiveram seus direitos a voto negados sistematicamente. O caso chamou atenção e ganhou envolvimento de Martin Luther King Jr. (David Oyelowo).

Indicações: Além de Melhor Filme, está indicado somente para Melhor Música (Glory, de John Legend e o rapper Commom). O que acho bem injusto, pois pelo menos a diretora Ava DuVernay deveria ser indicada a Melhor Direção.

Sniper Americano

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Sinopse (pelo site Omelete): Clint Eastood dirige a adaptação ao cinema da autobiografia de Chris Kyle. Com cerca de 160 mortes no currículo, Kyle foi considerado “o mais letal atirador da história do exército dos EUA”.

Indicações: Além de prêmio de Melhor Filme, concorre aos prêmios de Melhor Ator (Bradley Cooper), Melhor Roteiro Adaptado (Jason Hall), Melhor Edição, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som (como todos os filmes de guerra, que são sempre indicados nas categorias de áudio por causa dos tiros e etc).

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Vi os dois filmes no mesmo dia, o que me deu um panorama legal e muito louco de como funciona o país do Oscar. Claro que essa é uma visão minha, portanto particular, o que não descreve como o país realmente é, e sim como eu enxerguei as coisas devido aos dois filmes. Mas o que me chocou foi como uma nação consegue enxergar em um homem que mata centenas de pessoas como profissão um herói, e condena um homem que só lutava pelos direitos de seres humanos. Claro que, hoje em dia, Martin Luther King, personagem principal de Selma (depois da cidade de Selma que, no filme, é apresentada como personagem e não tem nem como não enxergá-la como tal) também é considerado um herói. Ainda bem, porque ele foi, um dos maiores. Mas hoje em dia o tal sniper também é considerado herói, mesmo tendo matado não sei quantas pessoas, de criança a adulto. E não sei se todos eram culpados. Nunca saberei, na verdade. E o governo de lá aplaude pessoas como ele, enquanto na década de 60 o governo enxergava Dr. King como um arruaceiro, mesmo sua luta sendo pacífica. Mas enfim, não estou aqui para falar de política, né? Mas realmente achei irônico assistir os dois filmes no mesmo dia, um seguido do outro (com pausa para gordice no meio).

Bradley Cooper e o diretor do filme, Clint Eastwood, venerado por muitos (inclusive meu marido).
Bradley Cooper e o diretor do filme, Clint Eastwood, venerado por muitos (inclusive meu marido).

Eu não gostei de American Sniper (no original). Geralmente, não gosto mesmo de filmes de guerra, mas existem raras exceções, como Atrás das Linhas Inimigas, filme de 2001. Esse, porém, não foi uma delas (das exceções). Talvez eu ter visto o filme esperando que não gostaria foi um motivo para não ter gostado, ou talvez eu só tenha um bom sexto sentido mesmo (outro filme desse Oscar que eu sentia que ia ser ruim era Foxcatcher, e eu odiei como há muito tempo não odiava um filme). Mas era um filme indicado ao Oscar de Melhor Filme, e eu tinha que ver todos os filmes indicados a Melhor Filme. E assisti. E não gostei.

Eu até esperava ser surpreendida por Sniper Americano, já que o diretor é Clint Eastwood e ele costuma nos dar filmes muito bons, muito bem planejados e pensados. Mas o que eu vi foi só uma sequência de tiros e a vontade de um homem de continuar numa guerra atirando em pessoas. Claro que, além disso, há a vida de Chris Kyle, o personagem principal, e toda sua dificuldade em afastar sua mente do mundo da guerra e voltar à sua vida real, com sua esposa e seus filhos. Há, também, a amizade entre os soldados e o forte sentimento de vingança quando algo acontece com um dos seus. Mas achei uma parte pouco explorada. Veja bem, não foi mal explorada, pois acho que, quando apareciam, conseguíamos entender com facilidade o que o personagem e sua esposa e seus amigos de SEAL sentiam. Só foi pouco mostrada mesmo e, para mim, era a parte mais interessante. Mas como contar a história de um sniper sem mostrar ele atirando em pessoas de distâncias imensas, certo? E como não me anima ver guerras (odeio violência, odeio guerras, acho totalmente desnecessárias), eu não gostei do filme. Tiveram algumas partes que eu nem sequer olhei para a tela e fiquei muito mais entretida com meu celular (portanto, não posso nem mesmo criticar o aspecto técnico do filme porque não prestei atenção). Porém, teve uma cena que não teve como não prestar atenção. E foi, para mim e para todos os que assistiam o filme comigo (todos cinéfilos) a mais chocante do filme inteiro.

Cena mais chocante do filme.
Cena mais chocante do filme.

Percebam a imagem acima. Percebam a a criança no colo de Bradley Cooper. Percebam que é um f%*#ing BONECO!!! Não acreditamos quando vimos! Eu já tinha lido sobre essa cena e sobre como fica claro que aquela criança é falsa, mas ver é totalmente diferente. Porque quando você só lê sobre, você pensa: “Ah ser tão ruim, as pessoas estão exagerando”. Mas é MUITO ruim!!!!!!!!! É muito perceptível!!!! É muito ridículo!!!!! Esse filme foi indicado ao OSCAR e ele tem um erro tão simples e consertável desses! É lógico que sabemos que nem todos os bebês que aparecem em filmes são verdadeiros. Há uma grande quantidade de bonecos ou até computação gráfica. Mas a produção – e o diretor – tem que se certificar de que não vai dar pro espectador perceber que aquilo não é um bebê de verdade!!!!!! Porque tudo que quem assiste um filme menos quer é ser tirado de dentro daquela história de modo tão abrupto como esse! Porque é um modo abrupto, ninguém tem um filho boneco! Gente, é um filme do Clint Eastwood, o cara tem nome, e além do mais, é uma big produção. Como deixar passar um erro tão bobo e básico? Isso respondeu à pergunta que fizemos aqui em casa se o Mr. Eastwood ainda fica em set durante todo o processo do filme ou se deixa os assistentes fazerem seu trabalho por ele, dado sua idade avançada (ele está com 85 anos). Aí está a resposta. Ou então ele está tão caduquinho que nem percebeu essa “pequena” falha. Vai saber?

Sienna Miller, totalmente irreconhecível em Sniper Americano (mostrando como a cor de cabelo pode transformar uma pessoa), em uma das cenas mais angustiantes do filme.
Sienna Miller, totalmente irreconhecível em Sniper Americano (mostrando como a cor de cabelo pode transformar uma pessoa), em uma das cenas mais angustiantes do filme.

Selma é um filme lindíssimo. Emocionante. De arrepiar. Eu posso ser suspeita por ter gostado tanto desse filme porque sou muito sensível a filmes de injustiça, eles mexem muito comigo. E preconceito por causa de cor é uma das maiores injustiças que existem e me revolta. Todo o tema tratado no filme me é de interesse enorme e preciso, ainda, estudar muito mais sobre. Preciso me preparar antes, porém, porque sei que vou passar dias sofrendo de coração apertado. Tive uma crise de choro quando o filme acabou que não tenho desde 12 Anos de Escravidão (alguma semelhança no tema?). Porém, o que sofro vendo e endo sobre isso não é nada em comparação a tudo que os negros passaram nos Estados Unidos (e no mundo, pra falar a verdade). O que choca mais é saber que o filme se passa na década de 60, ou seja, muito pouco tempo atrás. Há 50 anos atrás, os negros americanos tinham que frequentar locais separados dos brancos POR LEI e nem sequer tinham o direito de votar. E é sobre esse último fato que o filme fala.

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Nos é mostrada a luta de Selma, uma cidade no sul dos Estados Unidos (sempre o sul, a parte mais preconceituosa dos Estados Unidos – até hoje, infelizmente), para que os negros possam votar. Essa luta chama a atenção de Martin Luther King, que há anos já praticava sua luta pacífica pelos direitos dos negros. No ano que o filme se passa, por exemplo, não havia mais segregação entre negros e brancos nos ônibus, por exemplo, e Martin foi essencial para que isso acontecesse (gente, não consigo imaginar isso, não entra na minha cabeça um ônibus separado pela cor da pessoa!!!!!). Então, ele vai até a cidade e se junta com pessoas que já estavam nessa luta. Fala com o presidente, organiza reuniões, marchas e estratégias para que consigam esse direito. E não vou falar mais para, como sempre, não dar spoilers (apesar de ser uma história real, muita gente não conhecia, como eu).

Martin Luther King, interpretado por David Oyelowo, e o então presidente Lydon Johnson, personagem de Tom Wilkinson.
Martin Luther King, interpretado por David Oyelowo, e o então presidente Lydon Johnson, personagem de Tom Wilkinson.

É revoltante ver como o prefeito da cidade de Selma pouco se importa com os direitos nos negros. Quando eles saem para reivindicar o que é deles por direito, o voto, e são confrontados, não pude deixar de pensar nos protestos aqui do Brasil e em como a polícia tratava os manifestantes. É a mesma violência, a mesma imposição do poder, a mesma vontade de calar os que estão ali para garantir algo que já deveria ser deles há muito tempo. É patético e covarde. O que fizeram com os manifestantes de Selma é covarde. É inumano. É absurdo. Não entendo como a diretora desse filme não foi indicada ao Oscar. Um filme é feito para nos transportar para dentro dele e para sentirmos na pele o que os personagens estão sentindo. Esse filme consegue o feito com maestria. É impossível não sentir o que eles sentem, não sofrer com sua dor, não querer estar lado a lado com eles na ponte e nas ruas. Isso só foi possível porque a diretora Ava DuVernay soube dirigir bem os atores e montar a atmosfera propícia para essas sensações. Acho, por exemplo, que ela merece muito mais estar na lista de indicados do que o diretor de Foxcatcher, Bennet Miller. O que só me faz pensar que a luta que vemos em Selma ainda não está terminada. Nem a luta começada pelas feministas. Tirando a diretora de A Hora Mais Escura, Kathryn Bigelow, há quanto tempo não vemos o nome de uma mulher na lista dos indicados a Melhor Direção do Oscar? #PraPensar

A diretora Ava DuVernay com Oprah Winfrey, produtora (e atriz) do filme, e o ator David Oyelowo.
A diretora Ava DuVernay com Oprah Winfrey, produtora (e atriz) do filme, e o ator David Oyelowo no set de filmagem.

Acho bem injusto um filme tão bom e tocante e bem feito como esse ter tão poucas indicações ao Oscar. Infelizmente, é quase certo que ele não ganhe como Melhor Filme, que deve ser proeza de Boyhood (na minha opinião), mas vamos para, pelo menos, ganhar na única outra categoria em que foi indicado (Melhor Canção), porque ele precisa ganhar algum prêmio para simbolizar sua importância. Porque ele é um filme muito importante. E quem viu com certeza concorda comigo.

Imagem real de Selma e dos que lutaram por seus direitos.
Imagem real de Selma e dos bravos que lutaram por seus direitos.

Filmes: A Teoria de Tudo e O Jogo da Imitação

Olá pessoas bonitas!

Vim hoje falar não só de um filme, mas de dois filmes indicados ao Oscar: A Teoria de Tudo e O Jogo da Imitação. Ambos estão indicados ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Ator (Benedict Cumberbatch, por O Jogo da Imitação, e Eddie Redmayne por A Teoria de Tudo que, com toda certeza, ganhará o prêmio), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora. A Teoria de Tudo também concorre na categoria de Melhor Atriz (Felicity Jones), e O Jogo da Imitação nas categorias Melhor Diretor (Morten Tyldum), Melhor Atriz Coadjuvante (Kiera Knightley), Melhor Edição e Melhor Design de Produção (antigamente conhecida como melhor direção de arte).

Resolvi falar dos dois filmes em um só post pois ambos retratam a vida de uma pessoa real, mas, principalmente, para mostrar o poder da expectativa. Explico.

Pôster do filme "A Teoria de Tudo".
Pôster do filme “A Teoria de Tudo”.

Muitos amigos meus viram A Teoria de Tudo antes de mim. E todos eles tiveram a mesma opinião: o filme é foda. Além disso, havia visto trechos do filme e gostei bastante do que vi. E, claro, um filme sobre a vida do gênio Stephen Hawking, tão famoso e festejado – apareceu até em The Big Bang Theory! – haveria de ser muito interessante. Do outro lado, tínhamos O Jogo da Imitação, filme que eu não tinha ouvido falar nada a respeito, que eu não vi trecho nenhum antes (só um cartaz imenso no Estação Rio), sobre uma pessoa que eu até conhecia o nome, mas não fazia ideia de quem era! Único fator positivo desse filme pra mim era o fato de ser protagonizado pelo Sherlock Benedict Cumberbatch. Ou seja, eu estava esperando muito de A Teoria de Tudo e nada de O Jogo da Imitação. E o que aconteceu depois que assisti os dois? Amei o segundo, achei o primeiro super bleh.

Sim, eu culpo a expectativa por esse resultado. Não totalmente, mas culpo. Se meus amigos não tivessem falado tão bem do filme sobre Hawking e não estivesse esperando nada dele, como antes de começarem a elogiá-lo, eu talvez tivesse gostado mais. E o contrário também vale: talvez, se eu conhecesse pessoas que tivessem assistido O Jogo da Imitação antes de mim e tivessem falado muuuuuuuuuito bem dele (só uma amiga já tinha visto e disse que era bom, a mesma que disse que até chorou em A Teoria de Tudo), meu coração não teria batido tão forte por ele. Vai saber! Só sei que foi assim.

Pôster do filme "O Jogo da Imitação".
Pôster do filme “O Jogo da Imitação”.

E agora eu tenho um filme que amei e outro que achei legalzinho. Sim, porque não desgostei de A Teoria de Tudo, só achei comum. E creio só ter sido indicado ao Oscar por falar sobre Stephen Hawking e pela atuação maravilhosa de Eddie Redmayne, um desconhecido até então (porém, não para os que gostam de musicais, como eu, e já tinham visto ele sing his heart out cantar lindamente em Les Miserables) que vem papando todos os prêmio pelos quais foi indicado até então (Globo de Ouro, BAFTA, SAG Awards, só para citar os mais conhecidos) e, como eu já disse acima, vai ganhar o Oscar. Se ele não ganhar, eu pago uma prenda. Juro! Imagine você interpretar uma pessoa que vai perdendo os movimentos do corpo com o tempo, inclusive a capacidade de falar. Ele atuou de uma maneira esplendorosa, sem ficar forçado ou falso. Parecia de verdade que ele tinha aquela (horrorosa) doença. E não é isso que atores tem que fazer, nos fazer acreditar que eles são aquilo que nos mostram na tela, por mais difícil que seja o papel? Sabemos também que muitos atores não conseguem (Malhação tá aí pra nos mostrar isso), mas Mr. Redmayne alcançou o objetivo com perfeição! Virei fã dele depois de vê-lo atuar nesse filme – mas claro que ele ser um inglês ruivo fofucho que dá vontade de apertar também influencia um pouco! (Ruivos unidos jamais serão vencido! Eu posso gritar isso porque sou uma ex-ruiva! hahahahaha)

Ai, se eu agarro!
Ai, se eu agarro!

Do mais, além de Eddie e seu brilhantismo, o filme é meio morno. Primeiro, porque pensei que fosse focar na vida de Stephen Hawking e em sua batalha para vencer a doença que lhe deu somente dois anos de vida (spoiler! sorry! mas nem faz tanta diferença essa informação) e continuar trabalhando, mas o filme é totalmente centrado na relação entre Stephen e sua primeira esposa, Jane. Só depois de assisti-lo que descobri que ele foi baseado na biografia da esposa, ou seja, a doença e a vida de Stephen pelos olhos dessa mulher que tanto sofreu, é verdade, e foi mega injustiçada (com certeza, machistas terão raiva dela). Mas mesmo ela tendo sido uma mulher mega forte que lidou com uma doença tão devastadora por tanto tempo, o romance entre os dois não é o mais interessante na vida de Stephen, e muito menos o jeito meloso como foi passado – e olha que eu gosto de romances, choro e tudo (ok que ultimamente não tenho gostado muito deles porque são todos iguais). Então, pela fato de que poderia ser mais interessante, não gostei muito e achei um filme normal, sem nenhum fator tchan (exceto, repito, Eddie).

Capa da biografia de Jane Wilde, primeira esposa de Stephen Hawking, livro em que o filme foi inspirado.
Capa da biografia de Jane Wilde, primeira esposa de Stephen Hawking, livro em que o filme foi inspirado.

O Jogo da Imitação, ah, esse sim é um filme com um assunto empolgante! E olha que eu odeio matemática! O filme conta a história do matemático e físico (para citar algumas de suas formações) Alan Turing no período da II Guerra Mundial, quando trabalhou para a Coroa Britânica (aka A Rainha)  tentando descobrir o código por trás de uma famosa e até então indecifrável máquina utilizada pelos nazistas. Confesso que o assunto é de extrema importância para mim, o assunto sendo ver os nazistas se ferrarem. Sendo de família judaica, tudo relacionado ao tema me toca profundamente (ainda mais por ter membros da família que fugiram de seus países por causa da guerra). E ver um grupo de pessoas dedicado em decifrar um código e, fazendo isso, eles ferrariam os nazistas, foi emocionante. Mas, além disso, poder assistir a mente brilhante de Alan Turing funcionar foi  estimulante.

Benedict Cumberbatch (ótimo, como sempre, e com sua voz grossa deliciosa, como sempre), em cena como Alan Turing.
Benedict Cumberbatch (ótimo, como sempre, e com sua voz grossa deliciosa, como sempre), em cena como Alan Turing.

O cara (o cara sendo Alan Turing) foi uma das pessoas mais importantes para o fim da II Guerra e ninguém sabe quem ele é. Pior, ele teve uma vida de merda, mesmo fazendo o que fez. E está tudo lá, no filme, e você entra totalmente na vida de um gênio e nas atividades de uma Guerra que nem experienciou (graças a Deus!). E é um filme que, com certeza, te faz refletir várias coisas, sobre a vida, sobre a política, sobre como a moral da sociedade é uma grande porcaria para quem vive nela, enfim… Não quero falar mais porque senão vou dar spoilers imensos, mas quem viu sabe do que estou falando, e quem vai ver entenderá depois.

Propositalmente, não quero falar dos aspectos técnicos dos filmes porque queria focar mais no que o filme passa pra gente e em como uma história pode tocar. E em relação a isso, creio que ambos conseguem, mas O Jogo da Imitação ultrapassa qualquer expectativa e emociona muito, muito mesmo. É a história acontecendo na frente dos seus olhos, cara!!!!!

Os atores da equipe de Alan Turing, todos atuando muito bem, aliás - até a Kiera Knightley!
Os atores da equipe de Alan Turing, todos atuando muito bem, aliás – até a Kiera Knightley!

Gostaram da resenha? Não gostaram? Deixem suas opiniões sobre os filmes nos comentários. Eu gosto de saber o que estão pensando! E lembrem-se: o Oscar está chegando, faltam só 12 dias!

Beijos!

Ah! Aí vão os trailers dos dois filmes, pra vocês poderem decidir se querem ver ou não! Eu não deixaria passar se fosse vocês, pelo menos não O Jogo da Imitação! 😉

Filmes: Whiplash

Pareceu timing perfeito eu ter visto Whiplash na mesma semana que assisti o show do Foo Fighter chorando porque não estava lá pela TV. Porque eu nunca reparei tanto em um baterista quanto nesse show (mas, se tratando de Foo Fighters, eu prestaria atenção de qualquer jeito, porque o Taylor Hawkins… aiai…). E isso se deveu totalmente a Whiplash. Não que eu ignorasse os bateristas antes, eu até já fui apaixonada por um baterista de uma banda (beijo, Ben Gillies, do Silverchair). Mas reparei detalhes nesse show que eu nunca perceberia se não houvesse assistido Whiplash.

Ok, começaremos pela sinopse, mais uma vez tirada do site Omelete (sim, eu adoro eles): Milles Teller vive um baterista de jazz que frequenta uma das melhores escolas de música do mundo. Apaixonado pelo instrumento e desejando ser “grande”, ele abraça na primeira oportunidade a chance de trabalhar ao lado do temido maestro Fletcher (J.K. Simmons) em sua prestigiada banda. O professor, porém, tem métodos peculiares, especialmente aos olhos super protetores do mundo de hoje. E não tarda para que sangue e suor, literalmente, comecem a encharcar a bateria enquanto o novato é humilhado de inúmeras maneiras em prol da virtuose.

Poster oficial (e sensacional) do filme.
Poster oficial (e sensacional) do filme.

Pode parecer que o filme foca mais na relação entre aluno e professor, e até foca, mas acho que esse não é o essencial do filme. Pelo menos, não foi o que eu tirei dele. O que mais me tocou nesse filme foi a perseverança e a imensa força de vontade e determinação que esse moleque (porque ele tem apenas 19 anos) tem de ser o melhor do mundo. Porque, nas palavras do Fletcher, eles estão em NY, o que significa que são os melhores da América, e estão nos EUA, o que significa que são os melhores do mundo.

É incrível ver o quanto Andrew (o personagem principal) é apaixonado pelo instrumento que toca e por música, e como ele batalha pra superar suas dificuldades na bateria, chegando até a, como diz a sinopse, ter as mãos sangrando – e nem assim ele para! Isso me fez perceber o quanto os bateristas sofrem lá atrás do palco, e ninguém nem sequer vê, porque estão exaltando os vocalistas e guitarristas, que são geralmente os adorados pelo público. E nossa, como os bateristas são importantes! Sem eles (e sem os baixistas também, as a matter of fact), não haveria batida, e ficaria muito difícil para os guitarristas tocarem e os vocalistas cantarem. Eles dão o tempo da música. E como se esforçam pra fazer isso, ainda mais se for uma música mais rápida, que exige bem mais fisicamente. Porque eles tocam com o corpo todo, não sei se já perceberam. E foi isso que percebi vendo Taylor Hawkins tocar no domingo, e Whiplash com certeza me ajudou nessa clareza.

"Toca, desgraçado!"
“Toca, desgraçado!”

Ok, passado todo o aprendizado em relação a bateristas, vamos ao filme propriamente dito. É um filme muito bom. Não é um filme fantástico. Eu não achei, pelo menos (sei de muita gente que adorou!). Raphael (marido meu) nem entendeu a razão de ser indicado ao Oscar. Mas eu entendi. A edição é fenomenal. Não se vê por aí um filme com cortes como os desse. Como é um filme totalmente musical (o que significa que o tema é música, e não que os personagens saem cantando por aí), não tinha como não focar nessa questão. Por isso, vários cortes são no ritmo da música que está tocando no momento. Não sei se todos irão reparar nisso, eu já estou treinada para reparar porque Raphael (o mesmo marido que citei acima) faz exatamente isso com os vídeos que ele edita. Mas isso é fantástico. te deixa mais no clima da música e do filme, já que o tema do filme é música. Falando em música, que músicas maravilhosas que eles tocam! E não sei se todos os músicos do filme são músicos na “vida real” (provavelmente sim), mas eles são ótimos. Dei uma pesquisada e descobri que Miles Teller, o Andrew, realmente toca bateria, então minha admiração por ele cresceu mais um pouquinho (porque ele também é um bom ator).

A banda do filme.
A banda do filme.

J.K. Simmons, o carrasco Fletcher, está sensacional e te deixa com uma imensa raiva a cada cena. O jeito que ele interpreta o professor que exige, exige, exige e exige mais um pouquinho é absolutamente crível e nem um pouco caricato, e você sabe que existe gente como ele por aí. A criação dos personagens foi muito bem feita, porque nenhum dos dois é totalmente mau ou bom, cada um tem um lado que te dá vontade de dar um tapa na cara e também da abraçar o coraçãozinho deles. Ok, talvez o Fletcher um pouco menos.

A única coisa que me incomodou no filme foi a cor dele. Achei ele todo muito escuro. Sei que talvez seja a intenção, porque é um filme tenso e denso, e a cor escura te puxa pra esse lado da emoção, mas ainda assim me dava um certo desconforto olhar para a tela escura. Não sei se cinema a sensação seria diferente, pode muito bem ser a qualidade da tela da minha tv. Mas sei que não gostei. Ainda assim, não é um filme para se perder. Vejam, e me digam depois o que acharam.

Beijos e até o próximo filme!

Trailer oficial do filme: