Viagens: Paraty – Parte I

Vamos falar hoje de algo que estou pra falar por aqui há MUITO tempo, mas sempre acabo deixando para depois que é Paraty. Esse post é somente um post introdutório, porque não tenho lá taaaaaanta coisa pra falar de Paraty em si. “Mas por que, Livia?” Porque todas as vezes que fui pra Paraty, fui para ir na FLIP – ou Feira Literária Internacional de Paraty – e só fiquei por ali, pelo centro histórico, indo para eventos relacionados a feira, portanto, não posso falar sobre praias, passeios de barco e coisas do tipo. (uma vez, muito tempo atrás, fui pra Paraty sem ser durante a FLIP, mas a colega que foi comigo passou mal e não aproveitei nada da cidade, ou seja, é como se eu não tivesse ido) Mas tem coisas que todo mundo que vai a Paraty deve saber, seja durante a época da FLIP ou não, e é sobre elas que falarei hoje.

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Bem, primeiro, dados básicos. Paraty é uma cidade que fica dentro do estado do Rio de Janeiro, porém, bastante perto de São Paulo: ela fica a 258 km do Rio e a 305 km da cidade de São Paulo, ou seja, a diferença é bem pouca. Do Rio até Paraty, de ônibus, são  em torno de quatro horas e meia de viagem, e a única viação que faz esse percurso é a Costa Verde. Tem vários horários de ônibus saindo de cá (RJ) para lá, mas de Paraty para o Rio os horários já são mais escassos, então sugiro já dar uma olhadinha nas passagens quando chegar lá (ou até antes de sair do Rio, ou da cidade que for). O valor da passagem, por enquanto, está a R$77 (não se esqueça, estou falando saindo do Rio de Janeiro, não sei o valor se for sair das outras cidades). Mas se você tiver carro, aproveita, porque o trajeto não é ruim, não (disse um amigo meu que acabou de ir – e voltar – pra lá dirigindo).

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Centro histórico de Paraty bem cedinho.

Sobre lugares para ficar: a melhor escolha é se hospedar no centro histórico (o que não dá pra fazer caso você vá de carro porque não entra carro no centro histórico) ou perto dele. Qualquer lugar mais afastado vai demandar muita caminhada, já que os principais pontos ficam no centro (centro de informações para turistas, restaurantes, e até boates), principalmente se você for especificamente para a FLIP, como eu fiz, onde TUDO é dentro do centro histórico. Na primeira vez que fui, fiquei em uma pousada, até bem legal, mas que ficava bem longe do centro, inclusive, ficava fora dos “portões da cidade” (sabe, aqueles portais que dizem “bem-vindo a cidade tal”?), totalmente por falta de pesquisa e por deixar pra procurar pousada muito em cima da data da FLIP. Era horrível voltar para a pousada à noite, porque tínhamos que passar por lugares mal iluminados e com circulação frequente de veículos, além do fato de não podermos dar uma descansadinha no meio da tarde, caso ficássemos cansados e tivéssemos uns minutinhos para matar, porque a pousada era muito longe. Já da segunda vez, aprendemos a lição e nos hospedamos em uma pousada dentro do centro histórico (a foto acima foi tirada da janela do nosso quarto), a Pousada do Careca. Foi ótimo. Apesar de ter uma boate bem na frente e à noite ficar um barulhinho alto, nada que fechar a janela não melhorasse. Porém, se você é daquelas pessoas que gostam de um mega conforto, não é o melhor lugar para você. É uma pousada limpa, gostosinha, com café da manha incluso na diária e banheiro dentro do quarto, e não é cara, porém, ela é bem simples. Então, se você quiser um lugar mais chiquezinho e não se importar em pagar um pouco mais caro, melhor procurar algo na Av. Otávio Gama,que fica tipo na orla do centro histórico (meus pais ficaram na pousada Villas de Paraty e amaram, e realmente é uma gracinha lá, eu visitei).

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A orla do centro histórico -mas não do lado onde ficam as pousadas.

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Agora, sobre o que fazer. Como eu disse anteriormente, só fui pra lá na época da feira literária, portanto fiz programas relacionados à feira e não saí do centro histórico. Porém, dicas que posso dar por ali que nada tem a ver com a FLIP são as comidas, e quem não gosta de uma gordice, não é mesmo? O centro histórico é repleto de restaurantes, cafés, sorveterias e barzinhos, esses principalmente pela Praça Matriz, praça principal do centro. Tenho duas sugestões de restaurantes ótimas, uma de comida japonesa e outra de hambúrgueres, ambos na Rua do Comércio, perto da praça Matriz e da ponte. O japonês se chama Disk Japa e, apesar do nome, não faz só entregas. E é maravilhoso! Uma pena eu não ter foto para mostrar aqui, mas olha, vale a pena comer lá um dia. E a hamburgueria é a Dona Maricota, onde comi uma das batatas fritas mais deliciosas da vida (vem temperada com alho e alecrim!) e um hambúrguer de fazer dar pulinhos no banco. Sem contar que o lugar era todo fofo. Porém, não era muito grande,portanto talvez você tenha que ter um pouco de paciência pra esperar um pouquinho (apesar de que nós esperamos quase nada, e olha que era bem no meio da ferveção da FLIP). Dele eu tenho fotos pra vocês babarem!

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A batata frita imensa e o hambúrguer delícia que pedi, ambos do Dona Maricota.

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Outro lugar de comida que fui até me encher foi o Café Pingado (da foto acima). Como boa viciada em café que sou e péssima em localização, era o único café que eu conseguir chegar sem ter que ficar pesquisando no mapa (até porque olhar no mapa e não olhar é a mesma coisa pra mim porque não consigo entender aquelas linhas, gente, tenho problemas!). Mas mesmo se eu conseguisse chegar em outro, teria dificuldade em deixar de lado meu Café Pingado, porque me apaixonei pelo lugar. Não é barato, mas é tudo muito gostoso e super bonitinho! E claro, um lugar super típico de Paraty e que você não pode sair de lá sem ir é o Pastelonni, uma casa de pastéis (ó!) que vende pastéis IMENSOS (têm 30 cm!) e de sabores super diversos, inclusive doces. Eles (os pastéis) são tão grandes que dá até pra comer de almoço! Sério! O único ponto não muito positivo de lá é que os atendentes não são as pessoas mais simpáticas do mundo. Mas nada que respirar fundo não adiante, porque não dá pra sair de lá sem pelo menos um pastelzinho deles. E tem também, claro, as sorveterias. Nesse quesito, não tem muito erro, não. Qualquer uma você sai ganhando!

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Dá pra ver a enormidade desses pastéis?

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Paraty tem alguns centros culturais, como a Casa da Cultura, a Casa Azul e o Museu de Arte Sacra, além do Sesc, que tem programação cultural também. Não sei como é em épocas normais, mas na FLIP tem muitos shows na praça também. Paraty também é muito marcada por eventos culturais. Além da FLIP (29/06 a 03/07), a cidade abriga vários outros festivais, como o Bourbon Fest (festival de jazz, de 20 a 22 de maio), o Festival da Cachaça (11 a 14 de agosto), o Paraty em Foco (de fotografia, de 14 a 18 de setembro), o MIMO (festival de música, de 14 a 16 de outubro), entre vários outros. O que achei muito inteligente da cidade que, apesar de uma cidade pequena, investiu pesado no turismo e está fazendo vários eventos como esses pra animar. Se eu pudesse, ia em todos, menos o do cachaça, que não me desperta o mínimo interesse. Aliás, falando em cachaça, essa é uma das “iguarias” típicas da cidade, tendo várias lojinhas vendendo variados tipos de cachaça.

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Praça Matriz lotada durante a FLIP.

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Como dá pra ver na foto acima, o centro de Paraty é todo feito de pedras, portanto, evite sapatos com salto e prefira sempre os fechados e confortáveis, porque imagina andar de salto nesse chão aí! Falando em o que colocar no pé, vamos falar no que colocar no restante do corpinho. A FLIP costuma ser em meados de julho, portanto, em pleno inverno, e na cidade faz bastante frio, principalmente à noite. Então pode tirar aquele casacão do armário porque você vai usar – se for friorento como eu, aí que não vai ficar sem ele! Mas durante o dia, até no inverno, faz um calorzinho, então dá pra andar por lá de blusa de manga curta sem problemas – mas sempre carregue um casaco com você! No restante do ano, não sei como fica a temperatura, mas acredito que no verão faça um calorzinho safado, então dá pra levar roupas mais frescas. Mas veja bem, isso é apenas uma suposição, porque nunca fui a Paraty sem ser no inverno, então só segue a dica da tia Livia pro inverno mesmo, pras outras estações, pergunta pra alguém que tenha ido lá durante a época que você vai e aí não vai ter erro!  😉

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Roupinha básica de uma noite em Paraty.

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Todo mundo mega agasalhado por causa do frio.

Paraty só tem duas coisas ruins. Uma é que tem muitos cachorros na rua, e são muitos mesmo, principalmente quando você compara a quantidade de cachorros que vê com o tamanico da cidade. Porém, já me disseram que vários donos de doguinhos deixam seus bichinhos passearem pelas ruas, retornando às suas casas à noite. Eu espero encarecidamente que isso seja verdade porque, pelo menos, diminui o número de cachorros que não tem onde morar.

Outra coisa negativa é a quantidade de crianças indígenas pedindo dinheiro nas ruas. Não sei se elas só são exploradas por seus pais na época de festivais e tal, mas na FLIP sempre fica cheio de criança indígena pedindo dinheiro e cantando (em língua indígena) pra ganhar um trocado. Não sei direito como foi a ocupação da cidade e a expulsão desses indígenas de lá, mas sei que ainda há alguns indígenas morando por lá, lutando para manter suas tradições e, infelizmente, em condições não muito boas. O que faz com que seus pais mandem seus filhos para a cidade pedir dinheiro, e é algo bem triste.

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Crianças indígenas cantando na rua.

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Em cima: Negão, cachorro de estimação de uma loa do centro (esq.) e eu tentando conversar com um gatinho (dir.)/ Abaixo: Amigo que fiz que ficava nos seguindo (esq.) e um cachorro de boas pegando sol numa loja (não é o Negão!).

Ah! Tem outra coisa ruim. Eu sou mega contra transportes puxados por cavalos porque acho que não faz sentido eles ficarem levando pessoas e se esforçando enormemente pra que pessoas preguiçosas fiquem confortáveis. E Paraty é uma cidade que tem muita charrete ainda. E nossa, como isso me revolta. Os cavalos parecem ser bem tratados, pelo menos os que vi, mas ainda assim, não gosto e não fiquei feliz de ver.

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Os cavalos esperando na praça.

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Mas Paraty tem muitos mais pontos positivos do que negativos, como já deu pra perceber nesse post enoooooooorme! (espero que vocês leiam todo) É super segura (eu andei por lá com minha câmera pendurada e nada aconteceu), linda e perfeita pra quem gosta de fotografia. Ah! Também têm muito comércio de rua, artesãos e artistas vendendo seus produtos em feirinhas que ocorrem, geralmente, na praça Matriz. O símbolo do comércio de feirinhas de Paraty, o que mais se encontra lá, são uns balãozinhos coloridos para decorar a casa e pendurar onde você quiser. Acho muito difícil sair de lá sem um porque são a coisa mais fofa do mundo! Eu tenho o meu. Do mais, é uma cidade muito tranquila, pra você passar uns dias relaxando – se não for pra FLIP e passar todos os dias correndo pra não chegar atrasado na palestra que quer ir! Falando em FLIP, o próximo post será inteirinho dedicado a ela, então se você quer conhecer um pouquinho mais sobre essa feira literária maravilhosa, fica ligado! (depois farei também um post só com fotos de Paraty, já que, fazendo esse post, percebi que tirei mais fotos meio “artísticas” por lá do que mostrando a cidade em si. hahahahahaha)

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As barraquinhas do lado de lá! Tão vendo?

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Artista com suas obras.

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Schneider vs Bax| Festival do Rio

Esse, sem dúvida, foi o filme mais diferente que vi no Festival so far. O filme conta a história de um assassino de aluguel (Schneider) que recebe um telefonema  (de Mertens, seu cliente) com um novo trabalho. Ele recusa, pois é seu aniversário e ele havia prometido a Lucy, sua esposa, ajudar nos preparativos para a comemoração. Mertens insiste que essa é uma tarefa importante e diz a Schneider que o alvo é o escritor Ramon Bax, que vive em um local isolado e é infanticida. Schneider aceita a missão, acreditando que será fácil e que estará em casa por volta da hora do almoço. Mas, o que parecia simples, será bem mais do que ele esperava. Lendo assim, parece que será um filme tenso, cheio de ação e violência, não é mesmo? Pois você está redondamente enganado e acho que foi o filme mais engraçado que já no num festival.

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Esse não era o filme que eu tinha escolhido pra ver ontem (dia 12), mas foi um dos filmes que marquei pra assistir. Como fui com marido e um amigo nosso, escolhemos um filme que achamos que esse nosso amigo ia gostar (drama não é com ele, por exemplo, muito menos romance). E foi saldo positivo pra todo mundo, porque nós três adoramos! Com produção holandesa e belga, não sabíamos muito o que esperar do filme, porque como ele não é de um lugar que estamos acostumados de assistir filmes, não sabíamos o clima e estilo dos filmes holandeses/belga. E olha, me surpreendeu muito o humor deles. E me agradou demais! Lembra um pouco o humor inglês, mas mais contido um pouco. Porém, é sensacional! Você não espera a sequência de acontecimentos que vai sucedendo na sua frente, e cada coisa que acontece é uma surpresa. Não é nem um pouco previsível. Nem um pouco mesmo!

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Tem umas cenas que dão uma angustiazinha no coração, mas logo depois passa, até porque é bem merecido tudo o que acontece. E cada personagem que vai entrando na trama tem um impacto na história e um motivo para estar ali, nada é de graça, nada é não pensado – apesar de, às vezes, parecer que sim. Mas eu gostei mesmo por ter um clima totalmente diferente do que eu esperava, e bem diferente de tudo que vemos por aí. E por ser algo que não é costumeiro de assistirmos, nem nos cinemas mais cults. É uma pena que ontem tenha sido o último dia que ele passou no Festival. Mas, se conseguirem, procurem para ver, porque é muitíssimo interessante!

Amigo, marido e eu horrorosa na foto de má qualidade do celular. Adoro quando levo pessoas no festival e elas gostam do filme!

Amigo, marido e eu horrorosa na foto de má qualidade do celular. Adoro quando levo pessoas no festival e elas gostam do filme!

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Roupa de Festival:

Blusinha por dentro (da Marisa), blusinha por fora (da Opção), shortinho jeans (não faço ideia daonde) e sandália (da Pontapé). Look simples.

Blusinha por dentro (da Marisa), blusinha por fora (da Opção), shortinho jeans (não faço ideia daonde) e sandália (da Pontapé). Look simples.

Blusa de asas.

Blusa de asas.

Sandália com meu pé inchado de picada de formiga e a bolsa que minha prima que mora na Inglaterra mandou pra mim. Muito amor!

Sandália com meu pé inchado de picada de formiga e a bolsa que minha prima que mora na Inglaterra mandou pra mim. Muito amor!

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Os Exilados Românticos| Festival do Rio

Os Exilados Românticos é bem meu tipo de filme: cheio de diálogos e conversas filosóficas. É um filme sem muita coisa acontecendo de fato, mas muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. “Como assim, Livia?” Não tem muita coisa acontecendo em termos de ação: nenhuma explosão, nenhuma correria, os personagens nem andam tanto assim. Mas tem muita coisa acontecendo dentro dos personagens. Muitas questões a serem respondidas, muitas dúvidas, muitas resoluções a serem feitas, caminhos de vida a serem tomados. São três personagens expostos a caminhos que eles precisam escolher e seguir, e nem sempre são escolhas claras.

Os três personagens principais do filme: Luis, Vito e Francesco.

Os três personagens principais do filme: Luis, Vito e Francesco.

O filme começa com uma viagem, e uma viagem sempre é um começo que leva a pesquisas e descobertas. Nesse caso, a viagem, da Espanha à França, não tem um propósito definido: eles dizem estar a procura de um amigo que nunca encontram. Mas vão encontrando outras pessoas pelo caminho, e é só a partir da introdução dessas novas personagens que conhecemos mais a fundo a personalidade e a vida de cada um desses homens, que tem uma certa dificuldade em não serem mais meninos. Achei muito interessante esse fato, de só conhecermos mais detalhadamente cada um pelo relacionamento que eles tem com um novo personagem introduzido. Porque a vida é isso, só sabemos quem nós somos nas nossas relações. Podemos dizer que somos de um jeito, fingir que somos de outro, mas nos relacionamentos mais profundos é que mostramos quem realmente somos e todas as nossas fragilidades, não importa o quão durão ou relaxados fingimos ser. Em uma das minhas cenas favoritas, o integrante que parecia ser o mais bobalhão do grupo se mostra profundo, inteligente e totalmente frágil, talvez mais do que todos os outros. E tudo por causa de uma mulher por quem ele ficou apaixonado. E essa cena dá muito nervoso de ver, porque não estamos acostumado a observar uma pessoa sendo tão vulnerável e sincera. E olha, é lindo!

Prenuncio da minha cena favorita.

Prenúncio da minha cena favorita.

Outra coisa que me marcou muito também foi a questão de como a música envolve cada situação. Toda “resolução” (entre aspas porque nada foi muito resolvido de verdade) é embalada, ao final, por uma música, da mesma cantora, que passa a ser personagem também. Outra cena que gostei muito envolve exatamente essa cantora na estrada, lado a lado com nossos outros personagens. Eu tenho uma ligação muito forte com música, e acho que esse filme quis mostrar que todos nós temos.E algo muito interessante do filme também é o fato de ele ser falado em várias línguas. Os personagens são espanhóis que viajam para a França, onde encontram uma amiga de um deles que é italiana, depois encontram outra amiga de outro deles que fala alemão, e nessa mesma cena também tem um senhor americano que fala inglês, e tem uma cena que é toda falada em francês mais a frente, ou seja, essa junção de idiomas num filme só o torna universal, e achei isso o máximo. Meio que mostra que todos somos iguais, não importa de onde viemos, as questões são as mesmas. Adorei!

Minha segunda cena favorita, que envolve música.

Minha segunda cena favorita, que envolve música.

Só teve uma cena que não gostei, e foi a que antecede à cena final. As duas personagens femininas do filme (as que permanecem por mais tempo nele) conversam sobre a teoria que esqueci o nome de que mulheres em filmes não tem nomes, geralmente não conversam entre si e que, quando conversam, falam sobre homens. Só que está tão batido falar sobre essa teoria em filmes que achei muito forçado. Não soou natural. Então o filme foi quebrado quase na hora de acabar, o que me entristeceu um pouco. Mas achei o final bem legal, então pelo menos se redimiu nos últimos minutos.

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E esse “cenário”, hein? Cada locação mais linda que a outra!

Infelizmente, ontem foi a última exibição do filme no Festival, mas aconselho a ficar de olho para ver quando vai estrear por aqui (procurando pela internet, achei que ele estreará “em breve”) ou então tentar achar outro jeito de assisti-lo, porque é um filme super bom. Se você gostar de filmes do estilo de Antes do Amanhecer, como eu, vai amar!

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Roupinha do dia:

Blusa que eu amo da Renner, calça da Opção, mas que comprei num brechó, e All Star mega velho, companheiro de Festivais.

Blusa que eu amo da Renner, calça da Opção, mas que comprei num brechó, e All Star mega velho, companheiro de Festivais.

Bolsa de gatinhos que minhas primas trouxeram pra mim do Japão (ou da Coreia, não lembro).

Bolsa de gatinhos que minhas primas trouxeram pra mim do Japão (ou da Coreia, não lembro).

E pra quem gosta de saber dessas coisas, batom Make B da Boticário.

E pra quem gosta de saber dessas coisas, batom Make B da Boticário (que eu ganhei de presente).

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A força de uma música

Não sei quem por aí tá vendo Sense8, ótima nova série origina do Netflix, mas tem uma cena especial que a música What’s Up, da extinta banda 4 Non Blonds tem toda uma imensa relevância (sem mais pra não dar spoilers). Essa cena em particular não seria a mesma e não seria tão forte sem essa música, assim como a minha adolescência não seria a mesma sem essa música.

O lançamento de What’s up foi em 1993 (mais especificamente no dia 23 de junho de 1993), o que significa que eu só tinha 8 aninhos. Mas, naquela época, os produtos lá de fora demoram mais tempo pra chegar por aqui, e elas acabavam durando um pouco mais também, pela falta de diversidade. Mas essa música em especial virou meio que um clássico, todo mundo conhecia, e eu lembro de o clipe ainda passar na MTV (quando ela era boa) quando eu comecei a assistir o canal, lá com meus 12 anos (ou seja, em 1997). Não sei exatamente quando essa música grudou em mim – com certeza não foi quando eu tinha 12 anos, porque eu ainda não tinha crises existenciais com essa idade -, mas no momento em que grudou, não foi embora nunca mais.

Eu sempre fui uma adolescente meio revoltada. Quem me conhecesse na época nunca ia imaginar isso, porque eu era aquela menina tímida que não abria a boca e nunca era reparada em lugar nenhum. Mas na minha cabeça havia milhares de questões e eu me perguntava por que as coisas no mundo são como são – algo que me pergunto até hoje, na verdade. Me revoltava com injustiças, me revoltava por pessoas consideradas bonitas pela sociedade terem muito mais facilidade no mundo (eu via as menininhas bonitas conseguirem tudo – o que significa todos os garotos que ela queriam – e eu não conseguia nada), me revoltada contra as regras da sociedade e não entendia porque as coisas tinham que ser daquele jeito quando claramente aquele jeito estava errado. Ou seja, eu era uma revolucionária dentro da minha cabeça, só não agia como tal. Por isso essa música me tocou tão forte, porque cada palavra dela fazia um sentido imenso pra mim. E eu a ouvia trancada no meu quarto e gritava junto com a música, sentindo todo sentimento que ela passa fluir no meu corpo. Era bem catártico.

"E eu tento, oh meu deus, eu tento, eu tento o tempo todo nessa instituição. E eu rezo, oh meu deus, eu rezo, eu rezo todo dia por uma revolução!"

“E eu tento, oh meu deus, eu tento, eu tento o tempo todo nessa instituição. E eu rezo, oh meu deus, eu rezo, eu rezo todo dia por uma revolução!”

E ainda hoje essa música tem esse poder em mim, de invocar todas as sensações que eu tinha quando eu era adolescente, e a eu-revolucionária, que, na verdade, nunca saiu de dentro de mim, vem a tona novamente. Porque a música tem isso, ela mexe com seus sentimentos, com suas sensações, e é por isso que música é tão sensacional. Por isso que eu acredito que música tem sim o poder de mudar pensamentos e fazer as pessoas pensarem. O movimento hippie tá aí pra provar isso, né? Quer música que mais mexeu com as pessoas e fez pessoas modificarem seus pensamentos quanto as da geração flower-power? Tem o punk também como exemplo. Porque, na verdade, uma coisa leva à outra. São pessoas que pensam certo tipo de coisa que escrevem músicas de um certo jeito, e atingem pessoas com o mesmo tipo de pensamento, ou influenciam outras pessoas que talvez nunca tinham pensado assim antes, mas que enxergaram as coisas de outro jeito por causa da música, e aí agem de acordo com o novo pensamento, e por aí vai. E assim se cria um movimento. Aqui no Brasil temos a Tropicália como exemplo, né? E eu fico tão emocionada quando falo sobre isso porque acho que a cultura como um todo tem uma potência tão grande para modificar ações e pensamentos e vidas. É só ser bem utilizada. Cultura como forma de educação. Mas isso é outra história e eu tô fugindo do assunto.

"A música me mantém viva" (imagem retirada de http://m-u-s-i-c-a-s.tumblr.com/)

“A música me mantém viva” (imagem retirada de http://m-u-s-i-c-a-s.tumblr.com/)

O que eu quero dizer é que música pode modificar tudo. Uma música pode mudar seu humor em segundos. Uma música pode te fazer lembrar de momentos maravilhosos, te dar força, te relembrar quem você é de verdade. E foi isso que essa música fez pra mim. E eu agradeço cinquenta milhões de vezes à Linda Perry, autora de What’s up, por ter escrito essa música tão maravilhosa que me energiza de um jeito que talvez nenhuma outra consiga fazer. E obrigada aos irmãos Wachowski por inserirem essa música numa série igualmente maravilhosa e me darem um pouco mais de força pra enfrentar esse mundo maluco.

E viva a música!

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Filmes: Whiplash

Pareceu timing perfeito eu ter visto Whiplash na mesma semana que assisti o show do Foo Fighter chorando porque não estava lá pela TV. Porque eu nunca reparei tanto em um baterista quanto nesse show (mas, se tratando de Foo Fighters, eu prestaria atenção de qualquer jeito, porque o Taylor Hawkins… aiai…). E isso se deveu totalmente a Whiplash. Não que eu ignorasse os bateristas antes, eu até já fui apaixonada por um baterista de uma banda (beijo, Ben Gillies, do Silverchair). Mas reparei detalhes nesse show que eu nunca perceberia se não houvesse assistido Whiplash.

Ok, começaremos pela sinopse, mais uma vez tirada do site Omelete (sim, eu adoro eles): Milles Teller vive um baterista de jazz que frequenta uma das melhores escolas de música do mundo. Apaixonado pelo instrumento e desejando ser “grande”, ele abraça na primeira oportunidade a chance de trabalhar ao lado do temido maestro Fletcher (J.K. Simmons) em sua prestigiada banda. O professor, porém, tem métodos peculiares, especialmente aos olhos super protetores do mundo de hoje. E não tarda para que sangue e suor, literalmente, comecem a encharcar a bateria enquanto o novato é humilhado de inúmeras maneiras em prol da virtuose.

Poster oficial (e sensacional) do filme.

Poster oficial (e sensacional) do filme.

Pode parecer que o filme foca mais na relação entre aluno e professor, e até foca, mas acho que esse não é o essencial do filme. Pelo menos, não foi o que eu tirei dele. O que mais me tocou nesse filme foi a perseverança e a imensa força de vontade e determinação que esse moleque (porque ele tem apenas 19 anos) tem de ser o melhor do mundo. Porque, nas palavras do Fletcher, eles estão em NY, o que significa que são os melhores da América, e estão nos EUA, o que significa que são os melhores do mundo.

É incrível ver o quanto Andrew (o personagem principal) é apaixonado pelo instrumento que toca e por música, e como ele batalha pra superar suas dificuldades na bateria, chegando até a, como diz a sinopse, ter as mãos sangrando – e nem assim ele para! Isso me fez perceber o quanto os bateristas sofrem lá atrás do palco, e ninguém nem sequer vê, porque estão exaltando os vocalistas e guitarristas, que são geralmente os adorados pelo público. E nossa, como os bateristas são importantes! Sem eles (e sem os baixistas também, as a matter of fact), não haveria batida, e ficaria muito difícil para os guitarristas tocarem e os vocalistas cantarem. Eles dão o tempo da música. E como se esforçam pra fazer isso, ainda mais se for uma música mais rápida, que exige bem mais fisicamente. Porque eles tocam com o corpo todo, não sei se já perceberam. E foi isso que percebi vendo Taylor Hawkins tocar no domingo, e Whiplash com certeza me ajudou nessa clareza.

"Toca, desgraçado!"

“Toca, desgraçado!”

Ok, passado todo o aprendizado em relação a bateristas, vamos ao filme propriamente dito. É um filme muito bom. Não é um filme fantástico. Eu não achei, pelo menos (sei de muita gente que adorou!). Raphael (marido meu) nem entendeu a razão de ser indicado ao Oscar. Mas eu entendi. A edição é fenomenal. Não se vê por aí um filme com cortes como os desse. Como é um filme totalmente musical (o que significa que o tema é música, e não que os personagens saem cantando por aí), não tinha como não focar nessa questão. Por isso, vários cortes são no ritmo da música que está tocando no momento. Não sei se todos irão reparar nisso, eu já estou treinada para reparar porque Raphael (o mesmo marido que citei acima) faz exatamente isso com os vídeos que ele edita. Mas isso é fantástico. te deixa mais no clima da música e do filme, já que o tema do filme é música. Falando em música, que músicas maravilhosas que eles tocam! E não sei se todos os músicos do filme são músicos na “vida real” (provavelmente sim), mas eles são ótimos. Dei uma pesquisada e descobri que Miles Teller, o Andrew, realmente toca bateria, então minha admiração por ele cresceu mais um pouquinho (porque ele também é um bom ator).

A banda do filme.

A banda do filme.

J.K. Simmons, o carrasco Fletcher, está sensacional e te deixa com uma imensa raiva a cada cena. O jeito que ele interpreta o professor que exige, exige, exige e exige mais um pouquinho é absolutamente crível e nem um pouco caricato, e você sabe que existe gente como ele por aí. A criação dos personagens foi muito bem feita, porque nenhum dos dois é totalmente mau ou bom, cada um tem um lado que te dá vontade de dar um tapa na cara e também da abraçar o coraçãozinho deles. Ok, talvez o Fletcher um pouco menos.

A única coisa que me incomodou no filme foi a cor dele. Achei ele todo muito escuro. Sei que talvez seja a intenção, porque é um filme tenso e denso, e a cor escura te puxa pra esse lado da emoção, mas ainda assim me dava um certo desconforto olhar para a tela escura. Não sei se cinema a sensação seria diferente, pode muito bem ser a qualidade da tela da minha tv. Mas sei que não gostei. Ainda assim, não é um filme para se perder. Vejam, e me digam depois o que acharam.

Beijos e até o próximo filme!

Trailer oficial do filme: