O Incêndio|Festival do Rio

Não sei porque demorei tanto tempo pra escrever sobre o último filme que assisti no Festival do Rio (que, infelizmente, acabou dia 14 de outubro, me deixando com somente cinco filmes assistidos, o que achei muito pouco). Na verdade, sei. Primeiro porque não tive tempo (as horas foram tão escassas que nem postei nenhum vídeo no meu canal do You Tube na 4a passada, o que peço desculpas). E segundo porque foi um filme que mexeu tanto comigo que fiquei meio sem saber o que escrever dele. Prova disso é que ele nem foi o último filme que vi no festival, e ainda sim escrevi sobre o último mesmo que assisti (Schneider vc Bax), mas sobre ele… Não deu. Mas hoje vai dar de algum jeito, mesmo tendo que espremer sentimentos que eu não tava muito a fim de mexer.

incendio3

El incendio (no original) é o retrato fiel da maioria dos casais de hoje. Na verdade, acho que é o que acontece em todas as relações que temos hoje em dia. Se resume em um principal problema: falta de comunicação. É incrível como as coisas acontecem entre o casal protagonista e eles não se comunicam. Cada um tem um problema específico e não conversa sobre esse problema com o outro. E isso resulta em que? Em frustração, raiva, irritabilidade, e tudo isso é jogado para cima do outro, resultando em brigas, brigas e mais brigas. O que acontece é que eles estão juntos, mas não estão juntos. Estão presentes no mesmo lugar, mas a cabeça está longe, não está ali, eles não compartilham uma vida de verdade visto que não se comunicam, não expressam suas vontades, seus problemas. E quando não dá mais pra segurar tudo, vem tudo como numa explosão. Seria tão mais fácil se desde o começo as coisas tivessem sido conversadas, não é mesmo? E a vida é exatamente assim. A gente nunca fala, por diversos motivos, e no fim dá tudo errado por causa dessa falta de diálogo. Nós é que acabamos dificultando tudo, quando poderia ser mais fácil. Afinal, um problema compartilhado sempre é mais fácil de ser levado, certo? O peso fica menor.

el incendio pelicula
Logo na primeira cena, é clara a distância entre o casal principal, mesmo estando lado a lado.

É um tema super atual, essa não-comunicação entre casais. Esse amor sem amor, esse não amor do amor, e a dificuldade em lidar com tudo isso. Em lidar com a decepção com o par, hoje em dia tão idealizado nas nossas cabeças (por causa de filmes, livros, contos de fadas, histórias da Disney). Estamos preparados para viver uma vida adulta compartilhada e ao mesmo tempo não estamos. Queremos apoio, mas ao mesmo tempo não contamos o que acontece com a gente. Queremos compreensão, mas ao mesmo tempo não compreendemos o outro. E digo “queremos” porque faço parte dessa geração, da geração dos vinte e tantos, trinta anos. E é exatamente como se relaciona o casal principal de O Incêndio que nos relacionamos, sempre olhando pra nós mesmos primeiro, depois para o outro, sempre tentando achar um culpado quando, na verdade, não é nenhum ou os dois. Uma distância estando perto. E é incrível a identificação com eles. Tão incrível que nos faz olhar para a própria vida e pensar que tá na hora de mudar tudo.

20150929-el-incendio-juan-schnitman-escena

Claro que além de o tema ser tão tocante, há também toda a parte técnica do filme que nos faz sentir tudo aquilo que o casal está sentindo. Os silêncios, a câmera, as atuações, o roteiro. Tudo feito com maestria. Fiquei muito chateada quando vi que perdi o diretor do filme, Juan Schnitman, que estava no Festival e abriu uma sessão, falando um pouco sobre o filme, no exato dia e no exato cinema em que assisti O Incêndio, porém em outro horário. Se eu soubesse que o filme era tão bom ou se ao menos eu tivesse pesquisado antes para ver se teria presença de convidados, eu poderia ter trocado a hora da sessão e ter ido mais tarde, para ouvir um pouquinho do que o diretor quis passar, e talvez ele pudesse também falar onde roteirista Agustina Liendo quis tocar as pessoas, se eu acertei um pouco na minha análise. Ah! É um filme argentino, e ele só mostrou, mais uma vez, como os argentinos sabem fazer um bom filme. E como sabem!

O casal Lucía e Marcelo.
O casal Lucía e Marcelo.

E pra terminar, uma pequena sinopse do filme, que não diz nada da intensidade que ele realmente tem, mas que me fez ter vontade de assisti-lo, então quem sabe não te dá vontade também? (se você não quis assistir até agora com tudo que falei)

​Lucía e Marcelo estão sitiados entre caixas e malas. Eles estão prestes a deixar o apartamento alugado em que moraram nos últimos anos para viver em um novo imóvel recém-comprado. Sem grandes explicações, a mudança é cancelada, adiando os planos do casal para o dia seguinte. Esse inesperado contratempo os força a ponderar sobre suas vidas e o seu relacionamento – e o que parecia ser o início de um futuro compartilhado torna-se um pesadelo. Nessas 24 horas da vida do casal, constrói-se um retrato de uma sociedade neurótica prestes a explodir. (retirado do site do Festival)

_________♡_____________♥________

Roupa de Festival:

Vestidinho que herdei da minha tia (mas era uma blusa), tênis Imaginarium.
Vestidinho que herdei da minha tia (mas era uma blusa), tênis Imaginarium.
Bolsa claquete e chaveiro oficial do Festival do Rio.
Bolsa claquete e chaveiro oficial do Festival do Rio.

_________♥_____________♡________

Segue eu!

Facebook * Twitter * Instagram * YouTube

Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

1535031_10202135446521247_1053149576_n1

Tradicional Bolos Caseiros

Chegar cedo pra ver um filme do Festival e ter uma hora pra fazer nada é mesmo uma ótima estratégia pra encontrar lugares novos pra se tomar um cafézinho. E o Tradicional Bolos Caseiros foi uma das melhores descobertas que fiz nessas incursões em busca de lugares pra passar o tempo. Meu filme (Mon Roi, que falei nesse post aqui) era no Roxy e obviamente cheguei cedo pra conseguir comprar (o medo de faltar ingresso sempre está presente durante o Festival do Rio). Como sei que o café do Roxy não é legal, fui atrás de um lugarzinho ali por perto pra tomar meu tradicional cappuccino. E aí dei de cara com essa lojinha amarelinha, linda, que eu não conhecia, e fui obrigada a entrar. Juro, foi como um imã, eu não consegui ir embora!

11705376_856123267828193_1082953175625591876_n
Foto tirada da página do café.

Gente, vou dizer, dá água na boca entrar e ver a quantidade de bolos que eles tem. E a variedade. E não é só bolo doce não, tem bolo salgado também! Eu não sei vocês, mas eu sou muito mais fã de bolo do que de torta, e muito mais fã de salgado do que de doce, por isso esse lugar é o paraíso pra mim. Mas como eu tinha acabado de almoçar, não consegui provar nem um pedacinho sequer de bolo, nem mesmo os salgadinhos que eles também produzem eu não consegui comer. O que foi uma baita tristeza e também me deu certeza de que vou voltar lá um dia pra provar bolos vários! Mas meu cappuccino querido, meu companheirinho, estava uma delicinha. E foi cinco reais, a média de valor que se encontra por aí mesmo.

Cappuccino e a programação do Festival, lado a lado.
Cappuccino e a programação do Festival, lado a lado.

O lugar em si também é uma fofura e dá vontade de ficar lá dentro por muito tempo, só dá peninha de ficar porque é pequetito e aí parece que você tá segurando lugar de outras pessoas que querem entrar também – isso quando tá cheio, porque quando fui eu era a segunda de duas pessoas. O café é todo lindamente decorado e o que me chamou atenção principalmente foram as formas de bolo penduradas na parede e o relógio lindo.

Detalhes na decoração que fazem toda a diferença.
Detalhes na decoração que fazem toda a diferença.

O atendimento também foi muito bom, cheio de sorrisos. Adoro pessoas simpáticas! Sem dúvidas que voltarei brevemente levando familiares que adoram um bolo com café tanto quanto eu!

Os vários bolos!
Os vários bolos!

Endereços:

Av. Nossa Senhora de Copacabana, 959, loja C – Copacabana

Av. Afonso Arinos de Melo Franco, 222, bloco 2, loja 127 – Barra da Tijuca

Site: http://www.tradicionalboloscaseiros.com.br/

Belezinha de lugar!
Belezinha de lugar!

_________♥_____________♡________

Segue eu!

Facebook * Twitter * Instagram * YouTube

Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

1535031_10202135446521247_1053149576_n1

Cine Café & Bistrô

Fato: Festival do Rio é sinônimo de tomar muito café. Não pra ficar acordada, mas porque, geralmente, vejo mais de um filme em um dia e entre filmes sempre rola um tempinho livre que é gasto onde? Em uma cafeteria, tomando um café e lendo um bom livro (isso quando não estou desesperadamente lendo a programação para ter certeza de que os filmes escolhidos são os filmes certos para assistir). Então nada melhor do que falar sobre elas por aqui também nessas semanas de Festival, não é mesmo? E a primeira que fui foi a Cine Café, que fica na galeria do cinema São Luiz.

Logo de cara, tive uma experiência ruim. Não com o café, mas com a galeria. Ou melhor, com o segurança da galeria, que veio me falar que eu não podia tirar foto do letreiro sem permissão. Primeira vez que isso me acontece no Rio (já havia me acontecido em São Paulo uma vez e fiquei tão revoltada quanto desta) e achei a coisa mais idiota do mundo. Mas tudo bem, eu já tinha tirado duas fotos mesmo (uma delas, você vê abaixo). Mas, apesar da minha irritação, marido conseguiu me acalmar resolvi esquecer da situação pra eu aproveitar bem a refeição. E ajudou bastante o fato de eu saber de antemão que teria dez reais de desconto na conta final, porque ganhei cupom de desconto quando comprei meu ingresso pro filme do Festival, o que adorei!
image

O café estava cheio, então demorou pra algum garçom reparar que estávamos chamando. Mas preciso dizer que fiquei sentada lá dentro esperando marido marido chegar por uns quinze minutos, e durante esse tempo fui atendida por uma garçonete sem ao menos chamar, então não podemos falar mal do atendimento, não é mesmo? Pelo menos, enquanto esperávamos, pudemos prestar atenção na decoração do local, que era super legal, com tema de cinema, claro, e vários quadrinhos relacionados a filmes. Queria ter conseguido tirar uma foto melhor, mas admito que depois da bronca que levei do segurança, fiquei com um certo receio de tirar qualquer outra foto que não fosse das comidas que pedimos.

image
Estão vendo os quadrinhos ali do lado direito?

Falando em comida, as nossas estavam deliciosas. Pedi um panini no pão de queijo de queijo e tomate que estava to die for. Tostadinho no ponto, com queijo derretido… Sensacional, boca saliva só de pensar. Marido pediu torrada petrópolis, que veio com queijo parmesão em cima, que ele também falou que estava muito gostoso. Único problema, pra gente, foi o valor. Ele achou meu panini caro (foi $6,90, o que eu, particularmente, não acho caro) e eu achei a torrada dele cara (custou $8,90), o que eu não acharia se viesse ao menos duas torradas, mas veio uma só mesmo. Também pedi um croissant napolitano (queijo, presunto, tomate e azeitona) que estava no mostrador e fiquei namorando desde que cheguei. Como depois do panini continuei com fome, pedi ele também. Não lembro do valor, mas lembro que estava gostoso, porém menos do que eu esperava – mas só porque não sou tão fã de azeitona.

Panini que tava tão bonito que não consegui esperar pra tirar foto antes de comer.
Panini que tava tão bonito que não consegui esperar pra tirar foto antes de comer.
image
A fatia única da torrada petrópolis do marido.
image
O croissant que ficou me encarando até eu comê-lo.

O que realmente me decepcionou no café foi o próprio café. Pedi meu cappuccino de sempre e ele estava muito doce, até marido, que aguenta coisas mais doces do que eu (tudo eu acho muito doce), achou muito doce. Mas isso porque ele foi feito com pó de cappuccino, com certeza, e eu não sou nem um pouco feliz com pó anteriormente preparados que você só mistura com leite. Se for pra tomar cappuccino em pó, eu compro e faço em casa, não é mesmo? Mas no geral gostei de lá. E pretendo voltar pra provar as outras inúmeras coisas que eles tem no cardápio, como sanduíches, quiches, saladas e outras variedades de cafés (que espero não serem de pózinho!).

image
Bonito, mas não tão gostoso quanto parece.

Endereço: Rua do Catete, 311, sala 110.
Cartões: todos.

_________♥_____________♡________

Segue eu!

Facebook * Twitter * Instagram * YouTube

Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

1535031_10202135446521247_1053149576_n1