Micróbio & Gasolina| Festival do Rio

E foi dada a largada para os filmes do Festival do Rio! Ontem eu vi o primeiro filme – de muitos, se tudo der certo. E foi ótimo, lindo, gostoso, fofo, leve, e eu amei! (acho que já tinha dado pra perceber, né?) O filme escolhido foi Micróbio & Gasolina, um filme francês que eu nunca escolheria assistir lendo a sinopse (Micróbio recebeu este apelido por conta de seu tamanho, já Gasolina, por seu amor por tudo que é mecânico. Jovens e desajustados, os dois logo ficam amigos. A fim de fugir de seus problemas em casa, eles decidem construir um lar sobre rodas e seguir juntos para um acampamento onde Micróbio esteve quando era criança e que desde então tem papel fundamental em sua memória afetiva.). E de fato não fui eu quem escolheu o filme, e sim marido. Mas como Festival do Rio é Festival do Rio e topo qualquer filme, topei. E tive uma grata e deliciosa surpresa.

Daniel, ou Micróbio (o loiro), e Gasolina, ou Theo (moreno).
Daniel, ou Micróbio (o loiro), e Gasolina, ou Theo (moreno).

Como disse pro marido ontem quando saímos do cinema, o filme é todo na medida certa. Ele é engraçado na medida certa, é fofo na medida certa, é delicado na medida certa. É um filme que você sai mais leve do cinema, mesmo se tiver entrado nele um pouco pra baixo, porque ele te põe pra cima. É a história de dois garotos de 14 anos que não parecem ter 14 anos pelas coisas que falam. Mas eles não são aqueles inteligentes chatos, porque tudo que eles falam vem com um tom de humor e você acaba rindo. E, ao mesmo tempo, trata de temas típicos da adolescência (amor, sexo, independência, identidade) de uma forma que não fica chata para não-adolescentes e de maneira, adivinha!, inteligente. Acreditem, não é um filme para adolescentes. Não é aquela coisa estereotipada com piadas bobas e momentos presentes em todo filme de adolescente que você já sabe o que vai acontecer. Não, é um filme que atinge a todos porque você se identifica com aqueles garotos, mesmo eles sendo anos mais novos que você. E você lembra de como era quando tinha aquela idade também, e eu era bem como eles, deslocada, diferente e me sentindo diferente, deixada de lado. A única coisa que me difere deles é que minha família é e sempre foi maravilhosa. Já a deles… Mas pinta direitinho o quadro das famílias de hoje em dia, principalmente as que tem filhos só para seguir um padrão social.

Microbio e gasolina

Eu me impressionei com a qualidade da atuação dos dois garotos (Ange Dargent e Théophile Baquet) também. Eles tem uma força muito grande em tão tenra idade (falei bonito agora, hein). E representam muito bem seus papéis que, vou dizer, não são tão fáceis assim não. Mas mesmo sem ser papéis super fáceis, eles conseguiram levar leveza e esperteza que o filme carrega. É um filme gostoso de assistir, sem aquele besterol todo que costumamos ver em filme americanos e que preza pela inteligência e criatividade – o que os dois fazem juntos é coisa de gênio (gênio maluco), e claro que não falar aqui o que é pra não dar spoiler! Ah! Vale (muito) dizer também que esse filme é do diretor Michel Gondry, que também dirigiu (e escreveu) o divertidíssimo filme Rebobine, por favor, o fofo A espuma dos dias e o maravilhoso Brilho eterno de uma mente sem lembranças (agora deu vontade de ver, né?).

O diretor (e também roteirista) Michel Gondry.
O diretor (e também roteirista) Michel Gondry.

Próximas sessões:

03/10 – 21h – Cinépolis Lagoon 5

08/10 – 17h – Estação NET Ipanema 1

14/10 – 16:14 – Cine Odeon

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Vocês devem perceber que não sou muito ligada no mundo da moda e da beleza, vide que não posto quase nada aqui sobre esse assunto. Porém, todo Festival do Rio eu coloco aqui as roupas que vou assistir os filmes (só que fazia isso no meu outro blog). Não sei o motivo de ter feito isso pela primeira vez, mas agora virou tradição. Acho que acabo fazendo isso pra mostrar pra galera que não existe uma moda só, um estilo só de roupa que você tem que usar, que você pode fazer seu próprio estilo do jeito que quiser – e é uma coisa que fica muito clara quando se vai nesses eventos de cinema, onde me sinto totalmente no meu mundo, com pessoas que se vestem e se portam de um jeito muito mais parecido com o meu. É o meu mundo, e nada mais perfeito do que você se sentir inserido em um lugar, e não um peixe fora d’água (como em sinto na maioria dos lugares). Porém, ontem eu coloquei uma roupa que nunca colocaria para assistir um filme, só que como estava comemorando um ano de casada, fui com esse vestido porque foi o que usei no dia do meu casamento. Cês gostaram?

Vestido comprado na C&A (no ano passado) e sapatilha da Pontapé (adquirido de minha amiga Marina).
Vestido comprado na C&A (no ano passado) e sapatilha da Pontapé (adquirido de minha amiga Marina).

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Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

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30 Livros em 1 Ano – Dark Places (Gillian Flynn) – Livro 11

Gente, eu esqueço tanto de escrever de escrever sobre os livros que tô lendo esse ano por aqui, que daqui a pouco 2015 acaba e eu ainda não falei sobre nem metade dos livros! Mas também, vou ver se faço uma semana inteira só falando de livros pra ver se não me perco nesse meu projeto! hahahaha

Enfim, o livro de hoje é de uma autora que descobri esse ano ser espetacular e já falei sobre um livro dela por aqui. E sim, sei que ela tá famosinha por causa de Gone Girl, mas eu não ligo se falarem que eu gosto dela só por ser modinha, porque sei que não é! Eu nem li Garota Exemplar! Mas como fiquei absolutamente fascinada quando li Objetos Cortantes, saí correndo em busca de um próximo livro dela, ela sendo a Gillian Flynn, e encontrei Dark Places – sim, em inglês porque ainda não tinha sido lançado aqui no Brasil, então li na língua original mesmo que, como eu já disse aqui antes, acho bem melhor.

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Percebam como meu kindle está sujinho. Isso significa muito uso! 😉

Antes de qualquer opinião da minha parte, vamos ao blurb do livro, tirada do SkoobLibby tinha sete anos quando a mãe e as duas irmãs foram assassinadas pelo irmão mais velho, Ben. Passados vinte e cinco anos, Ben encontra-se na prisão e Libby vive com o pouco dinheiro de um fundo criado por pessoas caridosas que há muito se esqueceram dela. Localizada pelo Kill Club, uma sociedade secreta obcecada por crimes extraordinários, o grupo tenta sacar os pormenores do crime (provas que esperam vir a libertar Ben), e Libby engendra um plano para lucrar com a sua história trágica. Por uma determinada quantia, estabelecerá contato com os envolvidos naquela noite e contará as suas descobertas ao clube… e talvez venha a admitir que afinal o seu testemunho não era assim tão sólido.

Algumas capas do livro Dark Places, inclusive a da versão espanhola.
Algumas capas do livro Dark Places, inclusive a da versão espanhola.

Dark Places foi lançado nos Estados Unidos no dia 05 de maio de 2009 (no dia do meu aniversário!), mas aqui a editora Intrínseca só o publicou esse ano, talvez pelo sucesso que Garota exemplar fez e pelo filme já lançado, com Charlize Theron interpretando a personagem principal Libby. E olha, esse é um filme que vou ter que assistir com alguém do meu lado porque eu tenho certeza absoluta que vou morrer de medo! Sério, eu me cagava (desculpe a palavra) lendo o livro. Não tive problema nenhum lendo Objetos cortantes, mas enquanto eu lia esse livro, e muitas vezes eu lia com marido dormindo ao meu lado porque eu simplesmente não conseguia parar de ler, eu tive que deixar pelo menos a televisão ligada quando finalmente decidia largar o livro de lado e dormir porque eu ficava com muuuuuuuuuuuito medo!

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O livro conta a história de uma chacina, o que já te faz ficar pensando que aquilo podia acontecer com você – uma pessoa entrar na sua casa e te matar com um machado. E eu, que sou uma pessoa muito impressionável, e já fico achando que tudo que vejo e leio pode acontecer comigo, imagina ler sobre um assassinato tão brutal como é o do livro? Foram noites e noites sem conseguir dormir direito! Mas sabe por que isso aconteceu? Porque o livro é muito bem escrito! Se não fosse, não daria pra pensar que tudo aquilo é real e que pode mesmo acontecer. E é totalmente intrigante, você fica querendo saber o que vai acontecer, qual será  novo mistério que será desvendado – e que vai levar pra várias outras perguntas e criação de novos mistérios.

Nicholas Hault, que interpreta Lyle, o líder do grupo do Kill Club que
Nicholas Hault, que interpreta Lyle, o líder do grupo do Kill Club que “estuda” o caso da chacina da família de Libby, e Charlize Theron, a Libby.

Dark Places se diferencia de Objetos Cortantes por ter algumas características de terror também, enquanto Objetos cortantes é muito mais mistério com muita ênfase na personalidade e relacionamento entre as pessoas. Apesar de Lugares escuros (como ficou traduzido por aqui) também mostrar a personalidade forte e introvertida (e, muitas vezes, super egoísta) de Libby, o foco se deu mais mesmo em desvendar o mistério que circundava o assassinato, principalmente em saber se Ben é ou não o verdadeiro culpado (o que, obviamente, não falarei pra vocês e deixarei vocês descobrirem lendo o livro).

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Uma coisa que gostei muito do livro é o fato de ter três narradores: Libby, Ben e Patty, a mãe de Libby (e de Ben, e das outras duas meninas assassinadas). Cada um tem seu estilo próprio de contar a história e a junção de todas elas é o que vai fazer o leitor conhecer a verdade sobre aquele fato chocante que aconteceu 25 anos atrás. É bem interessante, mas isso também deixa você em duvida o tempo todo de quem é o verdadeiro culpado. É bem estressante – não leia se tiver o coração fraco.

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Mas o estilo de escrita de Gillian Flynn já me cativou, não tem jeito, principalmente por sempre criar personagens fora do lugar comum e problemáticos, com sua carga de bagagem emocional ferrada e psicologicamente mexidos. Adoro! Amo! E já quero ler o próximo livro de personagem com probleminhas na cabeça dela! Me identifico tanto! hahahahaha (agora vocês estão todos com medo de mim) Mas admito que com a Libby não me identifiquei muito, não. Já com o Ben… (risada de psicopata)

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Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, baseado numa fanfic que escrevi de Mcfly, publicado em 2013)

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“Pa vê ou pa comê?” Porque não tá dando pra fazer as duas coisas, não!

Eu amo os cinemas do grupo Estação. Amo mesmo, com todas as minhas forças e coração (você pode entender melhor a intensidade do meu amor nesse post aqui). Mas, infelizmente, hoje em dia está muito difícil ir aos cinemas do grupo Estação. Pelo menos, pra uma pessoa desempregada sem renda nenhuma – e sem nenhuma forma de meia entrada.

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Semana passada, li no Facebook a indicação de um amigo sobre o novo filme do diretor francês François Ozon. Fingi que lembrava quem era o diretor (apesar de reconhecer o nome, não lembrava seus outros filmes, mas agora procurando por ele, vi que fez 8 Mulheres, filme que amei!) e fui. Na verdade, pra mim, tanto faz o diretor, o que importa é que o filme é francês. Sim, sou obcecada por cinema francês (obsessão que, um dia, ainda rendará um post), e esse ainda tinha o plus de ter meu queridinho Romain Duris. Achei o filme passando no Estação Net Botafogo e fui, no impulso, sem nem ver se estava passando em outro cinema – eu já estava feliz por poder ir em algum cinema do Estação e fingi que as outras salas de cinema não existiam (depois vi que também estava passando no Itaú Arteplex, ou seja lá o nome que aquele complexo de cinemas em Botafogo tem agora).

Eu esperando pelo filme - e não muito feliz com tudo que tive que pagar.
Eu esperando pelo filme – e não muito feliz com tudo que tive que pagar. (desculpa pela qualidade da foto, a câmera do meu celular não é boa)

E lá fui eu, feliz, contente e pobre – pois não se deixa de ser pobre quando se sai de casa, mesmo o destino sendo a zona sul (pra quem não é do Rio, a zona sul aqui é a parte mais cara da cidade) – assistir Uma nova amiga. Cheguei, entrei na fila, disse o nome do filme e horário que queria. Depois da bilheteira perguntar “meia entrada de que?”, apesar de eu já ter falado que a minha era inteira, repeti que não tinha meia entrada e, então, depois de escolher meu lugar, ela me falou o quanto eu tinha que pagar: TRINTA REAIS! Meu queixo caiu e eu travei. Eu não estava esperando algo tão caro at all! Mesmo sabendo que tinha escolhido um dos piores dias da semana pra se ir ao cinema (6a feira), eu achava que o ingresso seria, no máximo, uns vinte e poucos reais, valor que paguei da última vez que fui no mesmo cinema, alguns poucos meses atrás. E pra piorar tudo: só aceitava débito e dinheiro. Visto que minha conta está quase zerada – só não está zerada por bondade da minha mãe -, paguei em dinheiro porque, por sorte, tinha o suficiente (dinheiro que “ganhei” no brechó).

Parte fofa em frente à sala maior - e meus pés no espelho, porque esse chão quadriculado é super fotografável!
Parte fofa em frente à sala maior – e meus pés no espelho, porque esse chão quadriculado é super fotografável!

Quem conhece esse cinema do grupo Estação em particular sabe que as instalações e estrutura não são lá as melhores. Tem mosquitinho, tem sala congelante, tem sala pequenina que de tão pequena você se sente meio claustrofóbica. Mas sendo grupo Estação, ou seja, você sabe que a qualidade do filme é sempre boa, você ignora esses pequenos detalhes. Mas não por esse preço, né? Pelo menos, meu filme estava passando na maior e melhor sala de lá (são três, se não me engano), então até que não foi desconfortável e consegui assistir o filme de uma distância boa (não gosto de ficar muito perto da tela). Há um tempo atrás, eu até evitava ir nessas salas no Estação porque eu sabia que não eram as melhores e eu achava muito pequenas as salas (tirando essa que fui, mas sempre esquecia de sua existência). Só que o meu queridinho Espaço de cinema (ou seja lá como ele se chama agora – Estação Net Rio, na verdade) entrou em reforma e só me restou o Estação Net Botafogo (ok, sei que tem na Gávea e em Ipanema, mas Botafogo é muito mais fácil de chegar). Sem contar que lá é onde todos os filmes que já saíram de todos os outros cinemas ficam passando por mais tempo, então, às vezes, não tem nem opção.

A sala que estava passando o filme era a maior que tem por lá - ainda bem!
A sala que estava passando o filme era a maior que tem por lá – ainda bem!

Ok, não tem como negar que a qualidade dos filmes que passam nos Estações é maravilhosa. Em nenhum outro lugar aqui no Rio conseguimos encontrar filmes que não são blockbusters comerciais porque, além das salas de cinema do Estação (e as do Itaú, que já mencionei antes), só temos os Kinoplex e Cinemarks da vida nos shopping e, como todos sabem, passam o mesmo filme em várias salas, e sempre esses mais comerciais, pra ganharem bastante grana. (ai, como sinto falta de mais cinemas de rua…) E sei que as salas do Estação quase fecharam as portas há um tempo por falta de verba e, agora que foram compradas por grandes empresas e tudo está sendo reformado e melhorado, o valor do ingresso aumentaria (sem contar toda essa polêmica da meia entrada que, inevitavelmente, faz todos esses lugares aumentarem seus preços). E sei também que as salas do Estação são frequentadas pela elite intelectual do Rio de Janeiro que, em sua maioria, também é a elite econômica/financeira. Mas, ainda assim, é caro demais pra uma simples desempregada como eu – e também pra galera que trabalha com cultura e que não ganha bem e que, com certeza, também frequenta esses lugares. O que me deixa bem triste porque, provavelmente, não poderei ir ao cinema por bastante tempo – porque me recuso a fazer carteirinha falsa.

Pipoca do cinema e pipoca do lado de fora.
Pipoca do cinema e pipoca do lado de fora.

O pior é que até o café é caro, então não dá pra ver filme e comer, você tem que escolher um dos dois. Pra vocês terem ideia, nesse dia, como cheguei cedo pro filme e ia esperar mais de uma hora pra ele começar, resolvi fazer um lanche. Não queria ir muito longe e os lugares ali por perto estavam cheios, então resolvi comer algo ali no café do Estação mesmo. Comi um pastelzinho pequeno de peito de peru (que, ok, estava uma delícia) e uma xícara pequena (do tamanho de uma xícara de cafézinho) de cappuccino e gastei 11 reais. Aí você pensa: “Vou comer uma pipoca então”. Não adianta, queridos, porque até o pipoqueiro que fica em frente ao cinema é caro – os saquinhos vão de 8 a 12 reais! Complicado.

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Tá difícil ter cultura de qualidade aqui no Rio de Janeiro… (Ou vai ver eu que tenho que escolher uma profissão qualquer que pague muito bem em vez de tentar fazer o que eu amo – que, no momento, nem vaga tem! Sim, eu tô frustrada!)

PS. Aliás, o filme é maravilhoso! Super recomendo, faz pensar pra caramba e todos os atores estão fantásticos! Vejam! Só não num cinema do Estação – a não ser que não ligue de pagar 30 reais.

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Sobre a vida, o universo e tudo mais

Acabei de ver um filme muito ruim chamado Casi Treinta (quase trinta, em espanhol). Pois se ele é muito ruim, por que você está falando dele aqui?, você pode estar pensando. Porque apesar de o roteiro ser ruim, os diálogos serem péssimos e os atores não saberem atuar, ele passa uma mensagem no final que, apesar de cliché, me atingiu certeiro por eu estar passando por um momento bem parecido, e eu sou daquelas que acha que tudo acontece por um motivo. Ou seja, eu não escolhi assistir esse filme, entre centenas de filmes que existem no Netflix, à toa.

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O filme (que está representado pelo cartaz aí de cima, só pra vocês saberem qual é e nunca ver, ou então ver só pra ter certeza por conta própria que é ruim) fala sobre um cara que tem uma vida de merda que ele não gosta muito por razões pessoais, faz uma viagem para sua cidade natal (seu amigo vai casar) e se dá conta de que está fazendo tudo errado porque não está seguindo seu sonho, e só seguindo seu sonho ele será feliz (sim, eu acabei de estragar o final pra vocês, mas falando sério, não valia a pena assistir anyway). E foi isso que me pegou, o detalhe que nossa geração (pelo menos a minha, dos “casi treinta” – ou, no meu caso, treinta) vive ouvindo desde que se entende por gente: você tem que seguir seus sonhos. Mas será que dá?

No caso do personagem principal (o filme é tão bom que nem me lembro do nome dele. ah! lembrei! Emilio), ele pôde viver seu sonho no final das contas porque tinha trabalhado muitos anos num emprego que ele odiava, mas que ele ganhava muito muito muito muito bem para fazer. Então é sim possível passar um ano sabático só escrevendo (no caso, o sonho dele era ser escritor), mesmo num país não muito bem financeiramente como o México, onde o filme se passa. Mas e se você não tem esse luxo? E se você não vem de família abastada, nem conseguiu juntar seu primeiro milhão, e provavelmente nunca conseguirá? Será que dá pra seguir seu sonho?

Eu sempre fui a primeira a repetir sem parar a premissa maior mais difundida por filmes, livros, séries, novelas e todas essas coisas que servem para nos entreter. Eu tinha um sonho – na verdade, eu tinha vários -, e eu tinha certeza de que iria realizá-los. Porque eu lutaria por eles e, obviamente, se a gente luta por algo, a gente consegue. Só que eu vivia no mundo da fantasia, e quando percebi que no mundo real não é bem assim, eu caí do cavalo bonito. E foi uma bela queda.

Um dos problemas para mim foi perceber qual era meu verdadeiro sonho um pouco tarde demais. Eu já estava fazendo faculdade de produção cultural (na verdade, estava mais perto do final do que do começo) quando percebi que meu sonho era trabalhar com cinema. Escrever para cinema. Mas por vários motivos, um deles sendo falta de informação, outro sendo falta de confiança em mim mesma, decidi terminar a faculdade que eu estava fazendo e só fazer cursos de roteiro. E eu fiz, vários, inúmeros – que não me levaram a lugar algum. Sabe, é muito difícil se inserir no mercado audiovisual, ainda mais quando se é apenas uma roteirista. Quando você quer dirigir ou produzir é um pouco mais fácil – veja bem, eu disse um pouco, porque continua sendo difícil. Fica ainda mais difícil quando você não frequentou uma faculdade de cinema e não fez contatos. Cinema é total movido por QI (quem indica), pelo menos é o que eu vejo (se você é de cinema e teve uma experiência diferente, me desculpe pela abobrinha que eu disse, e me conte sua experiência!) e se eu não conheço ninguém (nesses cursos que eu fazia eu quase não falava com as pessoas devido minha timidez), como entrar? Só que só percebi isso muito mais tarde, quando eu já estava formada em produção cultural e praticamente casada, ou seja, começando a montar uma vida a dois, ou seja, não dá mais pra ser egoísta e pensar só nos meus sonhos. Quando a gente vai morar sozinho, a gente precisa ganhar dinheiro. E todo mundo sabe que quando você está começando em algo o dinheiro é pouquíssimo, isso quando existe. Na área de audiovisual, é muito comum se trabalhar, no início, por nada, só pra ganhar experiência e começar a conhecer pessoas. E isso não era algo que eu podia fazer porque tinha uma casa para bancar. Ou seja, nesse caso, não dá pra seguir o sonho não, galera.

A realidade é muito diferente da expectativa, e às vezes só só percebe isso quando está lá, cara a cara com a realidade. Claro que muito vai das escolhas que você faz. Eu podia escolher dar adeus ao Raphael, ou segurar um pouco a ansiedade e casar com ele mais tarde. Mas, pra mim, ter a minha casa e morar com ele era mais importante – e continua sendo. Na verdade, foi muito bom eu ter saído de casa. Apesar de ficar longe dos meus gatos, melhorou muito a relação com minha mãe, aprendi a ser mais responsável (não totalmente ainda, mas tô caminhando), aprendi a enxergar mais a realidade das outras pessoas, já que só depois de ter que bancar uma casa sozinha (com Raphael) e ver o quanto isso é difícil me fez perceber que nem todo mundo tem a vida fácil que eu tinha antes de sair da casa dos meus pais. Amadureci muito casando, e tô aprendendo muito com essa experiência, tanto com Raphael quanto comigo mesma. Aliás, tô aprendendo e descobrindo mais coisas sobre mim que nunca seria possível se eu ainda fosse bancada por mãe e pai. Mas isso também significa frear os sonhos, colocar a cara inteira na realidade e perceber que nem tudo é do jeito que a gente quer, às vezes temos que fazer o que é preciso fazer, e não o que nossa cabecinha sonhadora sempre pensou que fosse seu futuro.

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Grafite do artista plástico (e brilhante) Banksy.

Mas como um dos personagens diz no final do filme (é, eu estraguei o filme totalmente pra vocês mesmo), nunca é tarde para tentar, então quem sabe, quando eu tiver mais estabilizada financeiramente, quando tiver pelo menos um pouquinho para dar uma chance ao sonho, eu não possa voltar para ele? Mesmo tendo bem mais do que casi treinta!

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Filmes: Whiplash

Pareceu timing perfeito eu ter visto Whiplash na mesma semana que assisti o show do Foo Fighter chorando porque não estava lá pela TV. Porque eu nunca reparei tanto em um baterista quanto nesse show (mas, se tratando de Foo Fighters, eu prestaria atenção de qualquer jeito, porque o Taylor Hawkins… aiai…). E isso se deveu totalmente a Whiplash. Não que eu ignorasse os bateristas antes, eu até já fui apaixonada por um baterista de uma banda (beijo, Ben Gillies, do Silverchair). Mas reparei detalhes nesse show que eu nunca perceberia se não houvesse assistido Whiplash.

Ok, começaremos pela sinopse, mais uma vez tirada do site Omelete (sim, eu adoro eles): Milles Teller vive um baterista de jazz que frequenta uma das melhores escolas de música do mundo. Apaixonado pelo instrumento e desejando ser “grande”, ele abraça na primeira oportunidade a chance de trabalhar ao lado do temido maestro Fletcher (J.K. Simmons) em sua prestigiada banda. O professor, porém, tem métodos peculiares, especialmente aos olhos super protetores do mundo de hoje. E não tarda para que sangue e suor, literalmente, comecem a encharcar a bateria enquanto o novato é humilhado de inúmeras maneiras em prol da virtuose.

Poster oficial (e sensacional) do filme.
Poster oficial (e sensacional) do filme.

Pode parecer que o filme foca mais na relação entre aluno e professor, e até foca, mas acho que esse não é o essencial do filme. Pelo menos, não foi o que eu tirei dele. O que mais me tocou nesse filme foi a perseverança e a imensa força de vontade e determinação que esse moleque (porque ele tem apenas 19 anos) tem de ser o melhor do mundo. Porque, nas palavras do Fletcher, eles estão em NY, o que significa que são os melhores da América, e estão nos EUA, o que significa que são os melhores do mundo.

É incrível ver o quanto Andrew (o personagem principal) é apaixonado pelo instrumento que toca e por música, e como ele batalha pra superar suas dificuldades na bateria, chegando até a, como diz a sinopse, ter as mãos sangrando – e nem assim ele para! Isso me fez perceber o quanto os bateristas sofrem lá atrás do palco, e ninguém nem sequer vê, porque estão exaltando os vocalistas e guitarristas, que são geralmente os adorados pelo público. E nossa, como os bateristas são importantes! Sem eles (e sem os baixistas também, as a matter of fact), não haveria batida, e ficaria muito difícil para os guitarristas tocarem e os vocalistas cantarem. Eles dão o tempo da música. E como se esforçam pra fazer isso, ainda mais se for uma música mais rápida, que exige bem mais fisicamente. Porque eles tocam com o corpo todo, não sei se já perceberam. E foi isso que percebi vendo Taylor Hawkins tocar no domingo, e Whiplash com certeza me ajudou nessa clareza.

"Toca, desgraçado!"
“Toca, desgraçado!”

Ok, passado todo o aprendizado em relação a bateristas, vamos ao filme propriamente dito. É um filme muito bom. Não é um filme fantástico. Eu não achei, pelo menos (sei de muita gente que adorou!). Raphael (marido meu) nem entendeu a razão de ser indicado ao Oscar. Mas eu entendi. A edição é fenomenal. Não se vê por aí um filme com cortes como os desse. Como é um filme totalmente musical (o que significa que o tema é música, e não que os personagens saem cantando por aí), não tinha como não focar nessa questão. Por isso, vários cortes são no ritmo da música que está tocando no momento. Não sei se todos irão reparar nisso, eu já estou treinada para reparar porque Raphael (o mesmo marido que citei acima) faz exatamente isso com os vídeos que ele edita. Mas isso é fantástico. te deixa mais no clima da música e do filme, já que o tema do filme é música. Falando em música, que músicas maravilhosas que eles tocam! E não sei se todos os músicos do filme são músicos na “vida real” (provavelmente sim), mas eles são ótimos. Dei uma pesquisada e descobri que Miles Teller, o Andrew, realmente toca bateria, então minha admiração por ele cresceu mais um pouquinho (porque ele também é um bom ator).

A banda do filme.
A banda do filme.

J.K. Simmons, o carrasco Fletcher, está sensacional e te deixa com uma imensa raiva a cada cena. O jeito que ele interpreta o professor que exige, exige, exige e exige mais um pouquinho é absolutamente crível e nem um pouco caricato, e você sabe que existe gente como ele por aí. A criação dos personagens foi muito bem feita, porque nenhum dos dois é totalmente mau ou bom, cada um tem um lado que te dá vontade de dar um tapa na cara e também da abraçar o coraçãozinho deles. Ok, talvez o Fletcher um pouco menos.

A única coisa que me incomodou no filme foi a cor dele. Achei ele todo muito escuro. Sei que talvez seja a intenção, porque é um filme tenso e denso, e a cor escura te puxa pra esse lado da emoção, mas ainda assim me dava um certo desconforto olhar para a tela escura. Não sei se cinema a sensação seria diferente, pode muito bem ser a qualidade da tela da minha tv. Mas sei que não gostei. Ainda assim, não é um filme para se perder. Vejam, e me digam depois o que acharam.

Beijos e até o próximo filme!

Trailer oficial do filme: