O Incêndio|Festival do Rio

Não sei porque demorei tanto tempo pra escrever sobre o último filme que assisti no Festival do Rio (que, infelizmente, acabou dia 14 de outubro, me deixando com somente cinco filmes assistidos, o que achei muito pouco). Na verdade, sei. Primeiro porque não tive tempo (as horas foram tão escassas que nem postei nenhum vídeo no meu canal do You Tube na 4a passada, o que peço desculpas). E segundo porque foi um filme que mexeu tanto comigo que fiquei meio sem saber o que escrever dele. Prova disso é que ele nem foi o último filme que vi no festival, e ainda sim escrevi sobre o último mesmo que assisti (Schneider vc Bax), mas sobre ele… Não deu. Mas hoje vai dar de algum jeito, mesmo tendo que espremer sentimentos que eu não tava muito a fim de mexer.

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El incendio (no original) é o retrato fiel da maioria dos casais de hoje. Na verdade, acho que é o que acontece em todas as relações que temos hoje em dia. Se resume em um principal problema: falta de comunicação. É incrível como as coisas acontecem entre o casal protagonista e eles não se comunicam. Cada um tem um problema específico e não conversa sobre esse problema com o outro. E isso resulta em que? Em frustração, raiva, irritabilidade, e tudo isso é jogado para cima do outro, resultando em brigas, brigas e mais brigas. O que acontece é que eles estão juntos, mas não estão juntos. Estão presentes no mesmo lugar, mas a cabeça está longe, não está ali, eles não compartilham uma vida de verdade visto que não se comunicam, não expressam suas vontades, seus problemas. E quando não dá mais pra segurar tudo, vem tudo como numa explosão. Seria tão mais fácil se desde o começo as coisas tivessem sido conversadas, não é mesmo? E a vida é exatamente assim. A gente nunca fala, por diversos motivos, e no fim dá tudo errado por causa dessa falta de diálogo. Nós é que acabamos dificultando tudo, quando poderia ser mais fácil. Afinal, um problema compartilhado sempre é mais fácil de ser levado, certo? O peso fica menor.

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Logo na primeira cena, é clara a distância entre o casal principal, mesmo estando lado a lado.

É um tema super atual, essa não-comunicação entre casais. Esse amor sem amor, esse não amor do amor, e a dificuldade em lidar com tudo isso. Em lidar com a decepção com o par, hoje em dia tão idealizado nas nossas cabeças (por causa de filmes, livros, contos de fadas, histórias da Disney). Estamos preparados para viver uma vida adulta compartilhada e ao mesmo tempo não estamos. Queremos apoio, mas ao mesmo tempo não contamos o que acontece com a gente. Queremos compreensão, mas ao mesmo tempo não compreendemos o outro. E digo “queremos” porque faço parte dessa geração, da geração dos vinte e tantos, trinta anos. E é exatamente como se relaciona o casal principal de O Incêndio que nos relacionamos, sempre olhando pra nós mesmos primeiro, depois para o outro, sempre tentando achar um culpado quando, na verdade, não é nenhum ou os dois. Uma distância estando perto. E é incrível a identificação com eles. Tão incrível que nos faz olhar para a própria vida e pensar que tá na hora de mudar tudo.

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Claro que além de o tema ser tão tocante, há também toda a parte técnica do filme que nos faz sentir tudo aquilo que o casal está sentindo. Os silêncios, a câmera, as atuações, o roteiro. Tudo feito com maestria. Fiquei muito chateada quando vi que perdi o diretor do filme, Juan Schnitman, que estava no Festival e abriu uma sessão, falando um pouco sobre o filme, no exato dia e no exato cinema em que assisti O Incêndio, porém em outro horário. Se eu soubesse que o filme era tão bom ou se ao menos eu tivesse pesquisado antes para ver se teria presença de convidados, eu poderia ter trocado a hora da sessão e ter ido mais tarde, para ouvir um pouquinho do que o diretor quis passar, e talvez ele pudesse também falar onde roteirista Agustina Liendo quis tocar as pessoas, se eu acertei um pouco na minha análise. Ah! É um filme argentino, e ele só mostrou, mais uma vez, como os argentinos sabem fazer um bom filme. E como sabem!

O casal Lucía e Marcelo.
O casal Lucía e Marcelo.

E pra terminar, uma pequena sinopse do filme, que não diz nada da intensidade que ele realmente tem, mas que me fez ter vontade de assisti-lo, então quem sabe não te dá vontade também? (se você não quis assistir até agora com tudo que falei)

​Lucía e Marcelo estão sitiados entre caixas e malas. Eles estão prestes a deixar o apartamento alugado em que moraram nos últimos anos para viver em um novo imóvel recém-comprado. Sem grandes explicações, a mudança é cancelada, adiando os planos do casal para o dia seguinte. Esse inesperado contratempo os força a ponderar sobre suas vidas e o seu relacionamento – e o que parecia ser o início de um futuro compartilhado torna-se um pesadelo. Nessas 24 horas da vida do casal, constrói-se um retrato de uma sociedade neurótica prestes a explodir. (retirado do site do Festival)

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Roupa de Festival:

Vestidinho que herdei da minha tia (mas era uma blusa), tênis Imaginarium.
Vestidinho que herdei da minha tia (mas era uma blusa), tênis Imaginarium.
Bolsa claquete e chaveiro oficial do Festival do Rio.
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Schneider vs Bax| Festival do Rio

Esse, sem dúvida, foi o filme mais diferente que vi no Festival so far. O filme conta a história de um assassino de aluguel (Schneider) que recebe um telefonema  (de Mertens, seu cliente) com um novo trabalho. Ele recusa, pois é seu aniversário e ele havia prometido a Lucy, sua esposa, ajudar nos preparativos para a comemoração. Mertens insiste que essa é uma tarefa importante e diz a Schneider que o alvo é o escritor Ramon Bax, que vive em um local isolado e é infanticida. Schneider aceita a missão, acreditando que será fácil e que estará em casa por volta da hora do almoço. Mas, o que parecia simples, será bem mais do que ele esperava. Lendo assim, parece que será um filme tenso, cheio de ação e violência, não é mesmo? Pois você está redondamente enganado e acho que foi o filme mais engraçado que já no num festival.

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Esse não era o filme que eu tinha escolhido pra ver ontem (dia 12), mas foi um dos filmes que marquei pra assistir. Como fui com marido e um amigo nosso, escolhemos um filme que achamos que esse nosso amigo ia gostar (drama não é com ele, por exemplo, muito menos romance). E foi saldo positivo pra todo mundo, porque nós três adoramos! Com produção holandesa e belga, não sabíamos muito o que esperar do filme, porque como ele não é de um lugar que estamos acostumados de assistir filmes, não sabíamos o clima e estilo dos filmes holandeses/belga. E olha, me surpreendeu muito o humor deles. E me agradou demais! Lembra um pouco o humor inglês, mas mais contido um pouco. Porém, é sensacional! Você não espera a sequência de acontecimentos que vai sucedendo na sua frente, e cada coisa que acontece é uma surpresa. Não é nem um pouco previsível. Nem um pouco mesmo!

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Tem umas cenas que dão uma angustiazinha no coração, mas logo depois passa, até porque é bem merecido tudo o que acontece. E cada personagem que vai entrando na trama tem um impacto na história e um motivo para estar ali, nada é de graça, nada é não pensado – apesar de, às vezes, parecer que sim. Mas eu gostei mesmo por ter um clima totalmente diferente do que eu esperava, e bem diferente de tudo que vemos por aí. E por ser algo que não é costumeiro de assistirmos, nem nos cinemas mais cults. É uma pena que ontem tenha sido o último dia que ele passou no Festival. Mas, se conseguirem, procurem para ver, porque é muitíssimo interessante!

Amigo, marido e eu horrorosa na foto de má qualidade do celular. Adoro quando levo pessoas no festival e elas gostam do filme!
Amigo, marido e eu horrorosa na foto de má qualidade do celular. Adoro quando levo pessoas no festival e elas gostam do filme!

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Roupa de Festival:

Blusinha por dentro (da Marisa), blusinha por fora (da Opção), shortinho jeans (não faço ideia daonde) e sandália (da Pontapé). Look simples.
Blusinha por dentro (da Marisa), blusinha por fora (da Opção), shortinho jeans (não faço ideia daonde) e sandália (da Pontapé). Look simples.
Blusa de asas.
Blusa de asas.
Sandália com meu pé inchado de picada de formiga e a bolsa que minha prima que mora na Inglaterra mandou pra mim. Muito amor!
Sandália com meu pé inchado de picada de formiga e a bolsa que minha prima que mora na Inglaterra mandou pra mim. Muito amor!

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Mon Roi| Festival do Rio

Raiva. Foi isso que senti durante todo o tempo em que eu assistia Mon Roi (quer dizer, a maior parte do tempo). E eu pensava em como Tony, a personagem principal (Marie-Antoinette, na verdade, apelido Tony), é burra. Burra, idiota, imbecil, cega, auto destrutiva. Principalmente isso: auto destrutiva. E o filme mostra isso claramente: quando uma pessoa quer se auto destruir, não importa o que falem para ela ou o que aconteça com ela, ela nunca vai parar. E Tony é prova viva (ou pelo menos ficcional) disso.

Tony e seu roi, ou rei, Georgio.
Tony e seu roi, ou rei, Georgio.

Desde o princípio, Tony sabe que está se envolvendo com um cafajeste. Georgio deixa bem claro que é um cafajeste, ele até se autointitula “o rei dos cafajestes” (por isso o nome do filme). Mas ainda assim ela insiste porque, vocês sabem, às vezes a gente tem mania de pensar que vamos mudar o outro, que vai ser diferente com a gente. E Georgio até parece realmente amá-la. Mas depois dos primeiros sinais de que nada vai ser diferente, gente, é hora de sair correndo. Mas não, Tony fica, por motivos absurdamente idiotas e impostos pela sociedade, ah, a sociedade imbecil sempre nos fazendo cometer atos estúpidos. Mas dá pra perceber que é um padrão de Tony, já que ela diz, logo no princípio do filme, que tem um ex-marido que era bem horrível com ela (isso antes de Georgio). Ou seja, é um padrão. É um padrão da personagem procurar pessoas que a tratarão mal. Por que? Porque por algum motivo ela é autodestrutiva, ela se sabota (e psicólogos podem assistir ao filme e me contar qual é esse motivo, porque não ficou claro para mim). E nossa, como dá raiva e dá vontade de sacudi-la e gritar na cara dela: vai embora, mulher!!!!!!!!!!!

Louis Garrel e Vincent Cassel com a diretora Maïwenn.
Louis Garrel e Vincent Cassel com a diretora Maïwenn.

E com certeza essa também era a vontade do personagem de (amorzinho) Louis Garrel, irmão da personagem e também psicólogo, que é quem cata os pedaços da Tony quando ela se desespera por causa de Georgio. Todos os atores estão maravilhosos em seus papéis (principalmente Vincent Cassel no papel de Georgio), mas fiquei impressionada com Louis porque nunca havia visto nenhum filme com ele onde ele não era o principal ou o galã, e olha, o bichinho manda bem em qualquer situação. A bondade e preocupação em seu olhar eram de emocionar. Mas claro que não posso deixar de elogiar a atuação de Emmanuelle Bercot, a intérprete da personagem principal, porque não é um papel fácil, é um papel de cheio de camadas, e ela conseguiu chegar a todos os extremos que o papel exigia com muita naturalidade. Incrível.

Tony toda ferrada tomando banho na clínica.
Tony toda ferrada tomando banho na clínica.

Mon Roi é contado todo por meio de flashbacks. Logo no início, Tony chega a uma clínica de reabilitação para cuidar de seu joelho, machucado em uma queda enquanto ela esquiava. Durante todo o período em que está lá, pensa sobre a relação – além de sofrer horrores com a recuperação de sua lesão. E sinceramente, ainda bem que tem esses períodos passados na clínica, porque não sei se eu aguentaria assistir todo o terror psicológico que Georgio faz em Tony sem esses intervalos leves – sim, eu disse que ver uma pessoa recuperando um lesão grave no joelho é algo leve, para você ver como é conturbada a relação dos dois.

Tony em um momento de descontração na clínica.
Tony em um momento de descontração na clínica.

O filme também trata de outros temas além do principal, como preconceito, vício, o culto à beleza, e você não sente que esses temas estão ali só pra “cumprir um papel” ou que poderiam ser mais explorados. Não sente porque eles são tocados de uma maneira bem natural, como acontece na vida. Ando com uma tendência a gostar mais de filmes que agem em torno de um assunto como agimos com eles na vida, dando importância e sabendo que são temas importantes de serem tratados, mas não fazendo de tudo um bicho de sete cabeças e tratando de um jeito irreal. Ando cada vez mais realista. hahahaha E claro que o fato de a diretora ser mulher mostra uma visão bem diferente de todos os assuntos, principalmente do relacionamento do casal principal, porque geralmente vimos tudo pelos olhos dos homens, mesmo quando a personagem principal é uma mulher. Mas quando a história é contada por uma mulher é totalmente diferente porque ela sabe verdadeiramente como é aquilo porque ela passa por aquilo, não é mesmo? Mas de jeito nenhum estou falando que um homem não consegue tocar nesses assuntos com qualidade também, ok?

Bem, resumindo, assistam Mon Roi, é ótimo! Mas vão preparados para sentir muita raiva!

Próximas sessões:

11/10 – 16:30 – Cinépolis Lagoon 6

13/10 – 13:15 – Estação NET Ipanema 2

13/10 – 21:40 – Estação NET Ipanema 2

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Hoje não tem foto da minha roupa de festival (esqueci de tirar), mas tem vídeo sobre o Festival, com dicas de coisas para se levar quando for assistir um filme. E se você ainda não é inscrito no canal, se inscreve lá, faça uma amiguinha feliz! E assim você também é avisado sempre que tiver um vídeo novo!

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Cine Café & Bistrô

Fato: Festival do Rio é sinônimo de tomar muito café. Não pra ficar acordada, mas porque, geralmente, vejo mais de um filme em um dia e entre filmes sempre rola um tempinho livre que é gasto onde? Em uma cafeteria, tomando um café e lendo um bom livro (isso quando não estou desesperadamente lendo a programação para ter certeza de que os filmes escolhidos são os filmes certos para assistir). Então nada melhor do que falar sobre elas por aqui também nessas semanas de Festival, não é mesmo? E a primeira que fui foi a Cine Café, que fica na galeria do cinema São Luiz.

Logo de cara, tive uma experiência ruim. Não com o café, mas com a galeria. Ou melhor, com o segurança da galeria, que veio me falar que eu não podia tirar foto do letreiro sem permissão. Primeira vez que isso me acontece no Rio (já havia me acontecido em São Paulo uma vez e fiquei tão revoltada quanto desta) e achei a coisa mais idiota do mundo. Mas tudo bem, eu já tinha tirado duas fotos mesmo (uma delas, você vê abaixo). Mas, apesar da minha irritação, marido conseguiu me acalmar resolvi esquecer da situação pra eu aproveitar bem a refeição. E ajudou bastante o fato de eu saber de antemão que teria dez reais de desconto na conta final, porque ganhei cupom de desconto quando comprei meu ingresso pro filme do Festival, o que adorei!
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O café estava cheio, então demorou pra algum garçom reparar que estávamos chamando. Mas preciso dizer que fiquei sentada lá dentro esperando marido marido chegar por uns quinze minutos, e durante esse tempo fui atendida por uma garçonete sem ao menos chamar, então não podemos falar mal do atendimento, não é mesmo? Pelo menos, enquanto esperávamos, pudemos prestar atenção na decoração do local, que era super legal, com tema de cinema, claro, e vários quadrinhos relacionados a filmes. Queria ter conseguido tirar uma foto melhor, mas admito que depois da bronca que levei do segurança, fiquei com um certo receio de tirar qualquer outra foto que não fosse das comidas que pedimos.

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Estão vendo os quadrinhos ali do lado direito?

Falando em comida, as nossas estavam deliciosas. Pedi um panini no pão de queijo de queijo e tomate que estava to die for. Tostadinho no ponto, com queijo derretido… Sensacional, boca saliva só de pensar. Marido pediu torrada petrópolis, que veio com queijo parmesão em cima, que ele também falou que estava muito gostoso. Único problema, pra gente, foi o valor. Ele achou meu panini caro (foi $6,90, o que eu, particularmente, não acho caro) e eu achei a torrada dele cara (custou $8,90), o que eu não acharia se viesse ao menos duas torradas, mas veio uma só mesmo. Também pedi um croissant napolitano (queijo, presunto, tomate e azeitona) que estava no mostrador e fiquei namorando desde que cheguei. Como depois do panini continuei com fome, pedi ele também. Não lembro do valor, mas lembro que estava gostoso, porém menos do que eu esperava – mas só porque não sou tão fã de azeitona.

Panini que tava tão bonito que não consegui esperar pra tirar foto antes de comer.
Panini que tava tão bonito que não consegui esperar pra tirar foto antes de comer.
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A fatia única da torrada petrópolis do marido.
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O croissant que ficou me encarando até eu comê-lo.

O que realmente me decepcionou no café foi o próprio café. Pedi meu cappuccino de sempre e ele estava muito doce, até marido, que aguenta coisas mais doces do que eu (tudo eu acho muito doce), achou muito doce. Mas isso porque ele foi feito com pó de cappuccino, com certeza, e eu não sou nem um pouco feliz com pó anteriormente preparados que você só mistura com leite. Se for pra tomar cappuccino em pó, eu compro e faço em casa, não é mesmo? Mas no geral gostei de lá. E pretendo voltar pra provar as outras inúmeras coisas que eles tem no cardápio, como sanduíches, quiches, saladas e outras variedades de cafés (que espero não serem de pózinho!).

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Bonito, mas não tão gostoso quanto parece.

Endereço: Rua do Catete, 311, sala 110.
Cartões: todos.

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Os Exilados Românticos| Festival do Rio

Os Exilados Românticos é bem meu tipo de filme: cheio de diálogos e conversas filosóficas. É um filme sem muita coisa acontecendo de fato, mas muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. “Como assim, Livia?” Não tem muita coisa acontecendo em termos de ação: nenhuma explosão, nenhuma correria, os personagens nem andam tanto assim. Mas tem muita coisa acontecendo dentro dos personagens. Muitas questões a serem respondidas, muitas dúvidas, muitas resoluções a serem feitas, caminhos de vida a serem tomados. São três personagens expostos a caminhos que eles precisam escolher e seguir, e nem sempre são escolhas claras.

Os três personagens principais do filme: Luis, Vito e Francesco.
Os três personagens principais do filme: Luis, Vito e Francesco.

O filme começa com uma viagem, e uma viagem sempre é um começo que leva a pesquisas e descobertas. Nesse caso, a viagem, da Espanha à França, não tem um propósito definido: eles dizem estar a procura de um amigo que nunca encontram. Mas vão encontrando outras pessoas pelo caminho, e é só a partir da introdução dessas novas personagens que conhecemos mais a fundo a personalidade e a vida de cada um desses homens, que tem uma certa dificuldade em não serem mais meninos. Achei muito interessante esse fato, de só conhecermos mais detalhadamente cada um pelo relacionamento que eles tem com um novo personagem introduzido. Porque a vida é isso, só sabemos quem nós somos nas nossas relações. Podemos dizer que somos de um jeito, fingir que somos de outro, mas nos relacionamentos mais profundos é que mostramos quem realmente somos e todas as nossas fragilidades, não importa o quão durão ou relaxados fingimos ser. Em uma das minhas cenas favoritas, o integrante que parecia ser o mais bobalhão do grupo se mostra profundo, inteligente e totalmente frágil, talvez mais do que todos os outros. E tudo por causa de uma mulher por quem ele ficou apaixonado. E essa cena dá muito nervoso de ver, porque não estamos acostumado a observar uma pessoa sendo tão vulnerável e sincera. E olha, é lindo!

Prenuncio da minha cena favorita.
Prenúncio da minha cena favorita.

Outra coisa que me marcou muito também foi a questão de como a música envolve cada situação. Toda “resolução” (entre aspas porque nada foi muito resolvido de verdade) é embalada, ao final, por uma música, da mesma cantora, que passa a ser personagem também. Outra cena que gostei muito envolve exatamente essa cantora na estrada, lado a lado com nossos outros personagens. Eu tenho uma ligação muito forte com música, e acho que esse filme quis mostrar que todos nós temos.E algo muito interessante do filme também é o fato de ele ser falado em várias línguas. Os personagens são espanhóis que viajam para a França, onde encontram uma amiga de um deles que é italiana, depois encontram outra amiga de outro deles que fala alemão, e nessa mesma cena também tem um senhor americano que fala inglês, e tem uma cena que é toda falada em francês mais a frente, ou seja, essa junção de idiomas num filme só o torna universal, e achei isso o máximo. Meio que mostra que todos somos iguais, não importa de onde viemos, as questões são as mesmas. Adorei!

Minha segunda cena favorita, que envolve música.
Minha segunda cena favorita, que envolve música.

Só teve uma cena que não gostei, e foi a que antecede à cena final. As duas personagens femininas do filme (as que permanecem por mais tempo nele) conversam sobre a teoria que esqueci o nome de que mulheres em filmes não tem nomes, geralmente não conversam entre si e que, quando conversam, falam sobre homens. Só que está tão batido falar sobre essa teoria em filmes que achei muito forçado. Não soou natural. Então o filme foi quebrado quase na hora de acabar, o que me entristeceu um pouco. Mas achei o final bem legal, então pelo menos se redimiu nos últimos minutos.

E esse
E esse “cenário”, hein? Cada locação mais linda que a outra!

Infelizmente, ontem foi a última exibição do filme no Festival, mas aconselho a ficar de olho para ver quando vai estrear por aqui (procurando pela internet, achei que ele estreará “em breve”) ou então tentar achar outro jeito de assisti-lo, porque é um filme super bom. Se você gostar de filmes do estilo de Antes do Amanhecer, como eu, vai amar!

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Roupinha do dia:

Blusa que eu amo da Renner, calça da Opção, mas que comprei num brechó, e All Star mega velho, companheiro de Festivais.
Blusa que eu amo da Renner, calça da Opção, mas que comprei num brechó, e All Star mega velho, companheiro de Festivais.
Bolsa de gatinhos que minhas primas trouxeram pra mim do Japão (ou da Coreia, não lembro).
Bolsa de gatinhos que minhas primas trouxeram pra mim do Japão (ou da Coreia, não lembro).
E pra quem gosta de saber dessas coisas, batom Make B da Boticário.
E pra quem gosta de saber dessas coisas, batom Make B da Boticário (que eu ganhei de presente).

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Festival do Rio 2015

Hoje é dia primeiro de outubro, o que significa que hoje começa o Festival de Cinema do Rio 2015, também conhecida pelo evento mais esperado por mim no ano inteiro! Ano passado não consegui ir em nenhum filme, então esse ano vou aproveitar que estou desempregada e com tempo livre (única coisa boa de estar desempregada) e vou tentar ir no máximo de filmes que conseguir – e óbvio que contarei tudo aqui no blog!

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Mas pra quem não conhece, o Festival do Rio é um festival de cinema que acontece todo ano aqui no Rio de Janeiro e esse ano vai do dia 01/10 (hoje, que, na verdade, é mais para convidados, para o público começa mesmo amanhã, dia 02) até o dia 14/10. Por que ele é fantástico? Porque a produção do festival traz à cidade filmes que, normalmente, não estariam em cartaz nos cinemas da cidade e agora todo mundo pode assistir. Tem filmes de todos os lugares do mundo (olhando a programação do festival, achei filmes da Romênia, Coreia do Sul, Paquistão, República Tcheca, entre vários outros países), de todos os tipos e para todos os gostos. Durante festivais passados, já vi filme chinês, japonês, mexicano, francês, indiano, argentino, e até americano! (hehe) Além de conseguir achar filmes que em outras ocasiões não seriam encontrados nos cinemas, ainda tem filmes que serão lançados daqui a muito tempo por aqui. Por exemplo, amigos meus assistiram, no festival do ano passado, o filme Whiplash, que concorreu ao Oscar desse ano e só foi lançado por aqui no início de 2015. É uma oportunidade única de assistir filmes maravilhosos (e outros não tão bons também, não posso mentir e dizer que só tem filme bom) e ainda participar de encontros com atores, diretores, roteiristas, produtores e de vários cursos da área (fui num debate ontem que foi simplesmente divino!). Ah! Vale dizer que também rola uma premiação entre os filmes brasileiros e, ao final do festival, os prêmios são entregues. Também é muito legal que tem uma categoria que quem vota são as pessoas, e no ano que o filme Apenas o fim participou, ele foi o grande vencedor dessa categoria. Vencedor super merecido porque o filme é lindo demais! (outro dia falo sobre ele por aqui) 

Troféu Redentor, prêmio dado aos vencedores do festival.
Troféu Redentor, prêmio dado aos vencedores do festival.

Mas claro que eu não vou só ficar falando do cinema sem dar nenhuma dica de filme. Eu ainda não li a programação inteira (parei na letra “N” e já marquei mais de 20 filmes que quero ver!), mas escolhi três filmes que achei muito interessantes pra indicar pra vocês.

  1. Mon Roi

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O filme é francês, e se você leem sempre meu blog, sabem que sou apaixonada por filmes franceses. Mas no caso desse filme, minha indicação é totalmente baseada nos atores, porque um filme com Vincent Cassel E Louis Garrel não tem como não querer ver! E eu espero muito que eles estejam presentes em alguma exibição para eu conhecer os dois (e, quem sabe, se eu tiver cara de pau, tirar uma fotinho com ambos).

A história é sobre uma mulher, Tony, que está internada em um centro de reabilitação ortopédica desde que sofreu uma grave queda de esqui e vive à base de analgésicos. Ela passa a maior parte de seu tempo tentando relembrar detalhes de sua tumultuada e destrutiva história com George. Para Tony, esta difícil reconstrução começa agora, com um trabalho corporal que talvez permita a ela se libertar para sempre. (sinopse retirada do site do festival) Além de atores lindos bons, a história também é interessante, vai!

2. Escritório

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Escritório é um musical chinês. Pronto, só aí já me deu vontade de ver. Além disso, se passa no mundo corporativo. É tão diferente que não tem como não ficar curioso. Quero ver, quero ver demais! Mas vamos à história: em meio à crise global causada pelo colapso da Lehman Brothers, Miss Cheng, uma alta executiva temida e respeitada, se prepara para colocar sua empresa de um bilhão de dólares na bolsa. Ho Chung-ping, o presidente da empresa, que já foi seu mentor e agora é seu amante, prometeu-lhe uma gorda fatia das ações assim que o capital da companhia fosse aberto. Mas quando uma auditoria expõe anos de corrupção, a promessa de Chung-ping corre o risco de não se concretizar. (sinopse retirada do site do festival)

3. Nise – O coração da loucura

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Esse filme me foi indicado por uma amiga hoje, antes mesmo de eu ver que estava na programação do festival. É um filme brazuca, e eu amo apoiar coisas nossas, porque fazemos sim coisas boas, e nossos filmes são sensacionais (claro que não todos, mas temos obras maravilhosas). E esse filme tem tudo pra dar certo: uma história boa sobre uma pessoa muito importante, uma atriz que sabemos atuar bem, um tema interessantíssimo. Conta a história de uma psiquiatra brasileira que se recusou a tratar seus pacientes com eletrochoque e lobotomia e acreditava que a arte poderia ajudar em muito a recuperação de uma pessoa com problemas psicológicos. Minha amiga disse que ela também acreditava que os animais eram ótimas companhias para esses pacientes e também ajudavam em seus tratamentos. Ela foi revolucionária em sua profissão e segue sendo muito importante até hoje, após sua morte.

Vocês podem encontrar os horários e locais que esses filmes passarão no site do Festival do Rio, assim como todos os outros filmes do festival com suas sinopses, horários e datas. Há também uma página no Facebook, constantemente atualizada. E bora respirar cinema por duas semanas!

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Pra quem perdeu lá no canal, onde publiquei a parte 2 da conversa sobre processo criativo com meus amigos Marina e Daniel, agora você pode ver por aqui!

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Filmes franceses: uma obsessão

I have a thing for french movies. Na verdade, não é só a thing, eu sou totalmente apaixonada por filmes franceses. Não me pergunte nome de diretores, atores, isso eu não sei (só de alguns poucos). Mas acontece algo comigo quando vejo um filme francês que não sei explicar – e olha que eu nem sou fã da França, é um país que nunca tive vontade de visitar (a não ser pelos cafés). É tiro e queda e não tenho dúvida: coloco na sessão de filmes estrangeiros no Netflix (geralmente é onde busco os filmes pra assistir) e eu sempre acabo escolhendo um filme francês, mesmo sem saber que é francês – foi o que aconteceu hoje. Tem alguma coisa no jeito de contar uma história, e até no tipo de história que é contada, que me chama, que grita meu nome, e quando percebo, já tô com mais um francês na tela. Então, nada mais adequado do que indicar 5 filmes (e mais 1 extra) para assistir no Netflix. Não são meus filmes franceses favoritos de todos os tempos (esses eu deixarei para outro dia), mas são filmes que assisti recentemente (e outros há um tempinho já) e que gostei muito. Espero que vocês se interessem e gostem também.

1. Os nomes do amor

Esse foi o filme que assisti hoje e que eu não tinha ideia de que era francês quando li a sinopse no Netflix. Aliás, a sinopse lá tá bem tosca e não representa o filme em nada! Na verdade, Le nom des gens (no original) conta a história de um homem (Arthur Martin), o mais francês dos franceses, que conhece uma mulher (Bahia  Benmahmoud), que tem descendência argelina (pois é, esse Bahia do nome dela não tem nada a ver com o Brasil) e é radicalmente contra tudo que vem da direita política, tão contra que dorme com homens de direita com o intuito de transformá-los em esquerdistas. Sensacional, né? Quem é a pessoa que tem a ideia de fazer um filme com uma personagem assim? Achei fantástico! Arthur, apesar de não ser de direita, é o oposto de Bahia, que é super extrovertida e nada conservadora. Lembrei muito da briga PT x PSDB que tá enchendo o saco acontecendo aqui no Brasil e em como ficar com essa briga interminável é uma tremenda besteira. Perfeito para se assistir nos dias atuais.

Sara Forestier como Bahia (achei ela linda!) e Jacques Gamblin como Athur, em cena do filme.
Sara Forestier como Bahia (achei ela linda!) e Jacques Gamblin como Athur, em cena do filme.

2. Les Adoptés

Cena do filme Les Adoptés.
Mélanie Laurent e Marie Denarnaud, as irmãs de Les Adoptés.

Esse filme é pra ser visto com uma caixa imensa de lenço de papel do lado. Dirigido (e roteirizado e atuado) pela belíssima Mélanie Laurent (as francesas são lindas! os homens, charmosos), foca na história de duas irmãs, Marine e Lisa que, apesar de irmãs adotivas (Marine foi adotada pela família de Lisa quando criança), são como uma pessoa só. Vivem juntas, se ajudam (Lisa é mãe solteira de um filho pequeno que Marine ajuda a criar) e se falam todos os dias, mesmo tendo personalidades completamente diferentes (mas nada de irmã boa e irmã má, como Ruth e Raquel). Porém, Marine se apaixona por Alex, modificando a dinâmica entre as duas. E depois algo mais acontece (claaaaaaro que não vou contar o que) pra modificar ainda mais. É um filme sensível, diferente, bonito, delicado, simples, leve, e muito, muito triste. E um dos melhores, se não o melhor, dos que já vi no Netflix.

3. Até a eternidade

Personagens verdadeiros e reconhecíveis (e totalmente críveis), é o que você vai encontrar em Le petit mouchoirs (no original). E olha, são muuuuuuuuitos personagens, todos amigos de muitos anos que costumam fazer uma viagem anual para uma cidade de praia, para a casa de um deles. Porém, nesse ano, um deles sofreu um acidente e está internado em estado grave em um hospital em Paris, e sua ausência altera a dinâmica e a relação entre os amigos restantes.

Os personagens amigos de Até a eternidade.
Os personagens amigos de Até a eternidade.

O filme é longo, mas é muito bom e vale a pena ver todas as suas duas horas e trinta minutos. A forma como cada relação é retratada e vai sendo dissecada ao longo do filme é emocionante, e te faz pensar muito em tudo que não está sendo dito entre seu grupo de amigos. E pra completar, tem a Marion Cotillard, que é uma puta atriz!

4. Piaf

Marion Cotillard, irreconhecível como Édith Piaf.
Marion Cotillard, irreconhecível como Édith Piaf.

Falando em Marion Cotillard, lá vem o filme que fez a atriz ganhar o Oscar de melhor atriz em 2008, e olha que atriz não-americana ganhar Oscar é algo muito raro de acontecer. Francesa então! É porque ela arrasou muito, muito mesmo! Marion ficou incrivelmente, assustadoramente, parecida com a famosa e sofrida cantora francesa (louros para a equipe de maquiagem) e arrasou na performance. É um filme imperdível, tanto para se conhecer a vida de Édith Piaf (conhecida, principalmente, pelas músicas La vie en rose e Non, je ne regrette rien), que era fenomenal, quanto para ver a tremenda atuação de Marion, e também porque o filme é fantástico e ponto final.

5. Qual é o nome do bebê?

A premissa de Le prénom (no original) é uma das mais diferentes que já vi: o caos se instala numa família quando o nome do primeiro filho de um deles é revelado. Sério, alguém já viu um filme com uma ideia inicial tão diferente? Claro que tudo vai além de somente o nome da criança. Claro que existe um motivo real para acontecer uma confusão tão grande somente por causa do nome de uma criança, e logo no início se entende o motivo. Mas como qualquer reunião em família, esse fato é só o estopim inicial para uma jogação sem fim de merda no ventilador. É hilário, é metafórico, é super francês. E super bom.

Cartaz do filme.
Cartaz do filme.

Filme Extra

Eu não podia falar de filme francês, sem falar de:

O Fabuloso Destino de Amélia Poulain!
O Fabuloso Destino de Amélíe Poulaín!

Um dos filmes mais citados, mais referenciados, mais amado por culturetes e não culturetes do mundo inteiro – bem, pelo menos do Brasil. E com razão, porque ele é incrível. É um filme que mostrou uma história e um estilo de filmagem diferente do que existia no momento (o antigo ano de 2002) e impulsionou o cinema francês pelo mundo afora. Admito que não gostei da primeira vez que vi, mas eu era uma pessoa que não entendia de cinema e muito do contra, ou seja, não gostava do que todo mundo gostava e gostava do que ninguém gostava – ou pelo menos falava isso. Mas quando revi o filme, percebi, enfim, o motivo de ser tão adorado: é porque é muito bom. As cores, a delicadeza, a narrativa, as atuações, é tudo na medida certa e sensacional. Não podia de jeito nenhum ficar de fora dessa lista deliciosa! E tá lá, no Netflix, prontinho pra ser visto!

"São tempos difíceis para os sonhadores."
“São tempos difíceis para os sonhadores.”

E vocês? Costumam ver filmes franceses? Se sim, quais seus filmes favoritos? Se não, gostam de filmes de qual país? Contem-me! E até o próximo post!

Muah! (isso foi um beijo)

_________♥_____________♡________

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Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

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Sobre a necessidade dos filmes “ruins”

Eu já estou há 5 meses sem trabalhar, o que significa que fico muito tempo em casa, o que significa que eu fico angustiada e nervosa e ansiosa e deprê costumeiramente (porque uma coisa e você trabalhar e ter um tempo pra fazer nada, outra e esse tempo perdurar para sempre). E eu ainda tenho insônia, o que piora tudo ainda mais. E essa semana eu ainda estava doente, o que piorou minha insônia. Mas Livia, essa avalanche de coisas ruins vai ter um fim e tem um propósito ou, pelo menos, uma ligação com o tema do post?, você me pergunta. Vai sim, padawan, paciência tenha.

E numa noite dessas (mais exatamente, dois dias atrás) de insônia gripada e ansiedade extrema, eu percebi que não podia deixar isso tomar conta de mim e liguei a televisão (depois de varias tentativas frustradas de escrever algo). Como não tinha nada interessante passando e eu não tava a fim de ligar o videogame (para entrar no Netflix), procurei um filme pra ver no Now da Net (pra quem não tem, e tipo um Netflix da Net, de programas dos canais da Net, mas você paga por filme que assiste, porem, tem filmes grátis também, no caso, era entre esses filmes que eu procurava um). Eu tinha um objetivo em mente: encontrar um filme idiota que me fizesse rir e tirasse todos os problemas da minha cabeça. Encontrei o filme Vizinhos, que eu já tinha visto trailer um tempo atrás e sabia ser exatamente assim, e ainda tinha o plus de ter Seth Rogen, ator que adoro. Outro plus foi ter Zac Efron assim como esta na foto, mas isso só soube depois de já ter dado play.

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Hey-yo!!!!

O filme atingiu em cheio meu objetivo. Obviamente, não da pra esperar um filme super cheio de mensagens boas e que você sai pensando varias coisas sobre a vida, o universo e tudo mais. Mas consegue sim te fazer rir, e como era isso que eu queria, por mim a missão foi super bem cumprida.

So pra contextualizar, Neighbors (no original) conta a historia de um casal de 30 e poucos anos que tem uma filha pequena e acabou de comprar uma casa em um bairro legal. So que, pouquíssimo tempo de se mudarem, a casa ao lado e ocupada por uma fraternidade (olha que merda!) barulhenta. Como eles estão naquela fase da vida de tentar se afastar do rotulo de velhos (aquela fase horrorosa que você ainda se considera jovem, mas os jovens de verdade já te consideram velhos, e você quer se manter jovem, mas não tem mais atitudes de jovem e… ah! pra resumir, a faixa dos 30. I`m there!), se aproximam dos presidentes da fraternidade (Zac Effron e o adorável – adorável porque eu adoro ele – Dave Franco, sim, irmão de James Franco) pra mostrar que são cool, mas ao mesmo tempo querem pedir pra eles maneirarem na zoeira. A melhor cena pra mim e a dos dois treinando o jeito que vão chegar para falar com os garotos. Me escangalhei de rir! Ok que qualquer coisa que o Seth Rogen faz eu rio horrores (adoro o tipo de comédia que ele faz, e esse filme tem a cara dele, apesar do roteiro e da direção não serem dele).

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Poster do filme.

Enfim, pra resumir, eu adorei o filme, ri muito, e fui dormir muito mais tranquila e leve, mesmo tendo me identificado muito mais com o casal de 30 e blaus anos do que com os garotos da fraternidade, o que só indica que estou mesmo velha. Não que eu fosse me identificar com os caras de fraternidade quando era mais nova, porque sempre achei idiota essa ideia toda de fraternidade e de festas sem fim e de pessoas que só pensam em beber e em pegação. Se eu visse o filme há dez anos, me identificaria muito mais com o casal também, mesmo estando longe de ter filhos (o que continua sendo o caso hoje) e não tendo minha casa própria nem sendo casada.

Mas, voltando ao filme, exatamente por essa sensação de leveza que o filme me passou que filmes assim são necessários. Eles são os filmes que gosto mais de ver? Não. Eu escolheria esse filme num dia normal? Não. (se bem que como puxo sardinha pro Seth, eu veria sim, de qualquer jeito) Mas esse estilo de filme cabe exatamente em dias assim, quando tudo que você quer e precisa e rir e se divertir. Eu sou totalmente contra o movimento de que todos os filmes devem fazer você pensar e passarem uma lição e uma mensagem profundas. Eu acho que a maioria das pessoas só vê filme que não acrescenta muita coisa e deveria ver mais filmes que tem a qualidade melhor? Sim. Eu acho que, principalmente no Brasil, a maioria dos incentivos são dados a realizadores que produzem filmes de comédia e filmes que não tem uma qualidade técnica muito boa? Sim. Mas essa e uma discussão sobre a cultura no Brasil que não cabe discutir no momento. Mas isso não quer dizer que os filmes bobos não devam existir, porque as nossas mentes precisam descansar. Imagina se num dia como o que eu estava tendo quando vi Vizinhos eu buscasse um filme e só tivesse filmes que são considerados bons pela critica? Eu acho que não ia dormir com a mesma leveza. Sim, eu sei que também existem comédias excelentes e de melhor qualidade, como os filmes do Wes Andersen (falei um pouco sobre ele nesse post aqui), mas eu queria algo muito bobo e rapidinho, o que não e o caso. Então Vizinhos foi ideal pra minha cabeça e meu estado de espírito do momento. Esses filmes mais bobinhos são muito necessários!

Como eu disse uma vez sobre literatura, acho que deve haver um equilíbrio. Acho péssimo, como mencionei acima, pessoas que só assistem a esse tipo de filmes porque ficam muito limitados intelectualmente. Ha vários filmes maravilhosos que adicionam muito para nossa experiência de vida e o modo como enxergamos o mundo – e filmes como Vizinhos, sejamos sinceros, não estão incluídos nessa categoria. Mas eles tem sua função no mundo, que e divertir, distrair, fazer rir, e isso pode mudar pra melhor o dia de uma pessoa, exatamente como aconteceu comigo. Por isso, graças a todos os deuses existem esses filmes bobos pra inserir um pouco graça nas nossas vidas serias e colorir um pouco mais os dias.

Assim como ver Zac Efron também ajuda.

Gente, mudando um pouco de assunto, amanha tem aquele dia que gostamos de chamar de Dia dos Namorados, e se você ainda não sabe o que dar pro seu bo ou pra sua boo (alguém ainda usa essas expressões ridículas?), no meu canal no YouTube eu ensinei a fazer uma caixinha mega fácil e mega barata usando fotos de vocês dois. Super dica! Beijos!

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Filmes: Selma e Sniper AMericano

O Oscar é amanhã!!!!!!!!!!!!! Uhu!!!!! E enquanto procurava pratos deliciosos pra fazer na noite da festa mais importante do ano (festa, porque o evento é o Festival do Rio!), pra deixar a minha noite com marido igual a um evento de gala, lembrei que faltavam ainda dois filmes indicados ao prêmio de Melhor Filme que eu ainda não havia falado por aqui! #QueGafe Então vamos à eles!

Primeiro, uma pequena introdução a eles.

Selma

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Sinopse (do site Omelete): A trama segue a campanha real que tomou espaço na cidade de Selma, no Alabama, onde cidadãos negros tiveram seus direitos a voto negados sistematicamente. O caso chamou atenção e ganhou envolvimento de Martin Luther King Jr. (David Oyelowo).

Indicações: Além de Melhor Filme, está indicado somente para Melhor Música (Glory, de John Legend e o rapper Commom). O que acho bem injusto, pois pelo menos a diretora Ava DuVernay deveria ser indicada a Melhor Direção.

Sniper Americano

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Sinopse (pelo site Omelete): Clint Eastood dirige a adaptação ao cinema da autobiografia de Chris Kyle. Com cerca de 160 mortes no currículo, Kyle foi considerado “o mais letal atirador da história do exército dos EUA”.

Indicações: Além de prêmio de Melhor Filme, concorre aos prêmios de Melhor Ator (Bradley Cooper), Melhor Roteiro Adaptado (Jason Hall), Melhor Edição, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som (como todos os filmes de guerra, que são sempre indicados nas categorias de áudio por causa dos tiros e etc).

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Vi os dois filmes no mesmo dia, o que me deu um panorama legal e muito louco de como funciona o país do Oscar. Claro que essa é uma visão minha, portanto particular, o que não descreve como o país realmente é, e sim como eu enxerguei as coisas devido aos dois filmes. Mas o que me chocou foi como uma nação consegue enxergar em um homem que mata centenas de pessoas como profissão um herói, e condena um homem que só lutava pelos direitos de seres humanos. Claro que, hoje em dia, Martin Luther King, personagem principal de Selma (depois da cidade de Selma que, no filme, é apresentada como personagem e não tem nem como não enxergá-la como tal) também é considerado um herói. Ainda bem, porque ele foi, um dos maiores. Mas hoje em dia o tal sniper também é considerado herói, mesmo tendo matado não sei quantas pessoas, de criança a adulto. E não sei se todos eram culpados. Nunca saberei, na verdade. E o governo de lá aplaude pessoas como ele, enquanto na década de 60 o governo enxergava Dr. King como um arruaceiro, mesmo sua luta sendo pacífica. Mas enfim, não estou aqui para falar de política, né? Mas realmente achei irônico assistir os dois filmes no mesmo dia, um seguido do outro (com pausa para gordice no meio).

Bradley Cooper e o diretor do filme, Clint Eastwood, venerado por muitos (inclusive meu marido).
Bradley Cooper e o diretor do filme, Clint Eastwood, venerado por muitos (inclusive meu marido).

Eu não gostei de American Sniper (no original). Geralmente, não gosto mesmo de filmes de guerra, mas existem raras exceções, como Atrás das Linhas Inimigas, filme de 2001. Esse, porém, não foi uma delas (das exceções). Talvez eu ter visto o filme esperando que não gostaria foi um motivo para não ter gostado, ou talvez eu só tenha um bom sexto sentido mesmo (outro filme desse Oscar que eu sentia que ia ser ruim era Foxcatcher, e eu odiei como há muito tempo não odiava um filme). Mas era um filme indicado ao Oscar de Melhor Filme, e eu tinha que ver todos os filmes indicados a Melhor Filme. E assisti. E não gostei.

Eu até esperava ser surpreendida por Sniper Americano, já que o diretor é Clint Eastwood e ele costuma nos dar filmes muito bons, muito bem planejados e pensados. Mas o que eu vi foi só uma sequência de tiros e a vontade de um homem de continuar numa guerra atirando em pessoas. Claro que, além disso, há a vida de Chris Kyle, o personagem principal, e toda sua dificuldade em afastar sua mente do mundo da guerra e voltar à sua vida real, com sua esposa e seus filhos. Há, também, a amizade entre os soldados e o forte sentimento de vingança quando algo acontece com um dos seus. Mas achei uma parte pouco explorada. Veja bem, não foi mal explorada, pois acho que, quando apareciam, conseguíamos entender com facilidade o que o personagem e sua esposa e seus amigos de SEAL sentiam. Só foi pouco mostrada mesmo e, para mim, era a parte mais interessante. Mas como contar a história de um sniper sem mostrar ele atirando em pessoas de distâncias imensas, certo? E como não me anima ver guerras (odeio violência, odeio guerras, acho totalmente desnecessárias), eu não gostei do filme. Tiveram algumas partes que eu nem sequer olhei para a tela e fiquei muito mais entretida com meu celular (portanto, não posso nem mesmo criticar o aspecto técnico do filme porque não prestei atenção). Porém, teve uma cena que não teve como não prestar atenção. E foi, para mim e para todos os que assistiam o filme comigo (todos cinéfilos) a mais chocante do filme inteiro.

Cena mais chocante do filme.
Cena mais chocante do filme.

Percebam a imagem acima. Percebam a a criança no colo de Bradley Cooper. Percebam que é um f%*#ing BONECO!!! Não acreditamos quando vimos! Eu já tinha lido sobre essa cena e sobre como fica claro que aquela criança é falsa, mas ver é totalmente diferente. Porque quando você só lê sobre, você pensa: “Ah ser tão ruim, as pessoas estão exagerando”. Mas é MUITO ruim!!!!!!!!! É muito perceptível!!!! É muito ridículo!!!!! Esse filme foi indicado ao OSCAR e ele tem um erro tão simples e consertável desses! É lógico que sabemos que nem todos os bebês que aparecem em filmes são verdadeiros. Há uma grande quantidade de bonecos ou até computação gráfica. Mas a produção – e o diretor – tem que se certificar de que não vai dar pro espectador perceber que aquilo não é um bebê de verdade!!!!!! Porque tudo que quem assiste um filme menos quer é ser tirado de dentro daquela história de modo tão abrupto como esse! Porque é um modo abrupto, ninguém tem um filho boneco! Gente, é um filme do Clint Eastwood, o cara tem nome, e além do mais, é uma big produção. Como deixar passar um erro tão bobo e básico? Isso respondeu à pergunta que fizemos aqui em casa se o Mr. Eastwood ainda fica em set durante todo o processo do filme ou se deixa os assistentes fazerem seu trabalho por ele, dado sua idade avançada (ele está com 85 anos). Aí está a resposta. Ou então ele está tão caduquinho que nem percebeu essa “pequena” falha. Vai saber?

Sienna Miller, totalmente irreconhecível em Sniper Americano (mostrando como a cor de cabelo pode transformar uma pessoa), em uma das cenas mais angustiantes do filme.
Sienna Miller, totalmente irreconhecível em Sniper Americano (mostrando como a cor de cabelo pode transformar uma pessoa), em uma das cenas mais angustiantes do filme.

Selma é um filme lindíssimo. Emocionante. De arrepiar. Eu posso ser suspeita por ter gostado tanto desse filme porque sou muito sensível a filmes de injustiça, eles mexem muito comigo. E preconceito por causa de cor é uma das maiores injustiças que existem e me revolta. Todo o tema tratado no filme me é de interesse enorme e preciso, ainda, estudar muito mais sobre. Preciso me preparar antes, porém, porque sei que vou passar dias sofrendo de coração apertado. Tive uma crise de choro quando o filme acabou que não tenho desde 12 Anos de Escravidão (alguma semelhança no tema?). Porém, o que sofro vendo e endo sobre isso não é nada em comparação a tudo que os negros passaram nos Estados Unidos (e no mundo, pra falar a verdade). O que choca mais é saber que o filme se passa na década de 60, ou seja, muito pouco tempo atrás. Há 50 anos atrás, os negros americanos tinham que frequentar locais separados dos brancos POR LEI e nem sequer tinham o direito de votar. E é sobre esse último fato que o filme fala.

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Nos é mostrada a luta de Selma, uma cidade no sul dos Estados Unidos (sempre o sul, a parte mais preconceituosa dos Estados Unidos – até hoje, infelizmente), para que os negros possam votar. Essa luta chama a atenção de Martin Luther King, que há anos já praticava sua luta pacífica pelos direitos dos negros. No ano que o filme se passa, por exemplo, não havia mais segregação entre negros e brancos nos ônibus, por exemplo, e Martin foi essencial para que isso acontecesse (gente, não consigo imaginar isso, não entra na minha cabeça um ônibus separado pela cor da pessoa!!!!!). Então, ele vai até a cidade e se junta com pessoas que já estavam nessa luta. Fala com o presidente, organiza reuniões, marchas e estratégias para que consigam esse direito. E não vou falar mais para, como sempre, não dar spoilers (apesar de ser uma história real, muita gente não conhecia, como eu).

Martin Luther King, interpretado por David Oyelowo, e o então presidente Lydon Johnson, personagem de Tom Wilkinson.
Martin Luther King, interpretado por David Oyelowo, e o então presidente Lydon Johnson, personagem de Tom Wilkinson.

É revoltante ver como o prefeito da cidade de Selma pouco se importa com os direitos nos negros. Quando eles saem para reivindicar o que é deles por direito, o voto, e são confrontados, não pude deixar de pensar nos protestos aqui do Brasil e em como a polícia tratava os manifestantes. É a mesma violência, a mesma imposição do poder, a mesma vontade de calar os que estão ali para garantir algo que já deveria ser deles há muito tempo. É patético e covarde. O que fizeram com os manifestantes de Selma é covarde. É inumano. É absurdo. Não entendo como a diretora desse filme não foi indicada ao Oscar. Um filme é feito para nos transportar para dentro dele e para sentirmos na pele o que os personagens estão sentindo. Esse filme consegue o feito com maestria. É impossível não sentir o que eles sentem, não sofrer com sua dor, não querer estar lado a lado com eles na ponte e nas ruas. Isso só foi possível porque a diretora Ava DuVernay soube dirigir bem os atores e montar a atmosfera propícia para essas sensações. Acho, por exemplo, que ela merece muito mais estar na lista de indicados do que o diretor de Foxcatcher, Bennet Miller. O que só me faz pensar que a luta que vemos em Selma ainda não está terminada. Nem a luta começada pelas feministas. Tirando a diretora de A Hora Mais Escura, Kathryn Bigelow, há quanto tempo não vemos o nome de uma mulher na lista dos indicados a Melhor Direção do Oscar? #PraPensar

A diretora Ava DuVernay com Oprah Winfrey, produtora (e atriz) do filme, e o ator David Oyelowo.
A diretora Ava DuVernay com Oprah Winfrey, produtora (e atriz) do filme, e o ator David Oyelowo no set de filmagem.

Acho bem injusto um filme tão bom e tocante e bem feito como esse ter tão poucas indicações ao Oscar. Infelizmente, é quase certo que ele não ganhe como Melhor Filme, que deve ser proeza de Boyhood (na minha opinião), mas vamos para, pelo menos, ganhar na única outra categoria em que foi indicado (Melhor Canção), porque ele precisa ganhar algum prêmio para simbolizar sua importância. Porque ele é um filme muito importante. E quem viu com certeza concorda comigo.

Imagem real de Selma e dos que lutaram por seus direitos.
Imagem real de Selma e dos bravos que lutaram por seus direitos.

Filmes: Birdman (ou A Inesperada Virtude da Ignorância)

Antes de qualquer coisa, Birdman não é um filme de super-herói. Aviso isso porque eu achava que seria mais um filme de super herói, como todos esses que vimos por aí e eu gosto, não me entendam mal. Mas eu sei que muita gente pode estar esperando um filme grandioso e cheio de ação e aventura, como Os Vingadores, Superman e coisas do tipo, e não é. Estou avisando para ninguém assistir o filme desavisado e acabar tendo uma decepção porque ele não é nem um pouco cheio de ação e explosões. Nem um pouco mesmo!

Pôster do filme.
Pôster do filme.

Birdman conta a história de um ator que estourou interpretando um super-herói nos cinemas: o Birdman do título do filme. Porém, ele tenta ao máximo se livrar dessa imagem, como vários atores que conhecemos que ficam marcados por um personagem e não conseguem nunca mais ser lembrados por outra coisa – e nem conseguem fazer outro tipo de papel porque nem mesmo as pessoas do mercado do cinema conseguem pensar neles de forma diferente. No filme, o ator escreve (e dirige) uma peça de teatro para que as pessoas – e ele mesmo – possam desvencilhá-lo do papel que interpretou há tantos anos atrás. E o filme transcorre durante essa empreitada: mostra os dias antes da peça estrear, os ensaios fechados e abertos para o público, e a estreia em si.

O tema do filme é muito interessante e muito atual. Como a fama é algo rarefeito e tem muito menos a ver com o a qualidade de seu trabalho, mas sim com o que você representa. E isso inclui os críticos. Se existe uma coisa que sempre me incomodou foi a fala dos “supostos cultos”, ou “pseudo cults”. E eu não chamo de pseudo cult só aquela galera que fala que gosta de uma coisa só porque é considerado bom. Pseudo cult, pra mim, é todo aquele que diz que só um tipo de coisa é bom, geralmente o que é considerado bom pela elite intelectual. Eu não vou ser hipócrita e dizer que tem alguns produtos culturais que não me animam consumir por saber de antemão que não serão muito de meu agrado, como comédias muito bobas e coisas do tipo. Mas eu não deixo de ver tudo, e quando vejo, não digo que não gostei mesmo tendo gostado só porque aquele produto é considerado de baixa qualidade. Mas tem gente que é assim, e os críticos são assim (e são insuportáveis). E isso fica muito claro no filme. E não adianta: uma vez que você fez um produto considerado de baixa qualidade, não há nada de boa qualidade que você faça que vai tirar isso da cabeça pequena dessas pessoas (não vou falar mais senão darei spoiler). E isso fica bem claro no filme, o quanto, em ambos os lados (dos cultos e dos que não ligam pra essas coisas), o estigma e o preconceito impera.

Michael Keaton e Edward Norton em frente ao teatro onde será encenada a peça do ex-Birdman.
Michael Keaton e Edward Norton em frente ao teatro onde será encenada a peça do ex-Birdman.

A crítica ao próprio sistema e mercado cinematográfico é muito forte e aparente no filme, o que é uma das coisas mais legais. É muito interessante quando algo critica a si mesmo. Outro aspecto interessantíssimo do filme são os planos do filme. Eles são, em sua maioria, planos sequência. Planos sequência, pra quem não sabe, são aqueles planos sem corte, que a gravação não é interrompida e a câmera segue os atores, mesmo quando há mudança de cenário. A cena que colocarei abaixo é um plano sequência. Eles não saem do cenário em que estão, mas dá pra se perceber a falta de corte e que é uma cena contínua. É algo muito difícil de se fazer, tanto para a parte técnica quanto para os atores. Imagina o cameraman tendo que seguir o ator, às vezes, os atores, de cenário a cenário, e filmar do ângulo que foi combinado? E os atores tendo que acertar cada marca, cada fala, cada movimento? Porque um plano sequência costuma ser longo, portanto há mais falas, mais movimentos, mais marcas. E se, por acaso, alguém errar, terá que ser feito do começo, porque se repetir do meio deixa de ser plano sequência. Perceberam a complexidade?

Então eu fiquei fascinada com a parte técnica do filme. Os planos sequência, os takes próximos, que muitas vezes distorciam os atores, a falta de pudor e vaidade dos atores nesse filme, a edição perfeita, a direção mais perfeita ainda porque há de se dirigir muito bem para tudo isso dar certo. Tudo bem que eu sou uma fanática por Iñárritu (o diretor do filme), então talvez minha opinião não seja assim tão imparcial. hehe Ele, inclusive, está concorrendo ao Oscar de Melhor Direção por Birdman.

Atores sem vaidade no filme: Michael Keaton e Edward Norton de cueca e duas fotos da Emma porque mesmo feia ela é linda!
Atores sem vaidade no filme: Michael Keaton e Edward Norton de cueca e duas fotos da Emma porque mesmo feia ela é linda!

As outras nomeações do filme são de Melhor Ator (Michael Keaton, muito bom), Melhor Ator Coadjuvante (Edward Norton, fenomenal, como sempre), Melhor Atriz Coadjuvante (Emma Stone, minha queridinha mór), Melhor Roteiro Original (Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo), Melhor Fotografia, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som, e o prêmio mais importante da noite, Melhor Filme. No Globo de Ouro, Birdman levou os prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Ator em Comédia ou Musical. Agora, como não há separação entre comédia e drama na categoria de melhor ator, acho difícil Michael Keaton ganhar de Eddie Redmayne (vejam minha crítica sobre A teoria de tudo, filme que Eddie protagoniza, clicando aqui). Direção acho difícil alguém ganhar de Linklater, diretor de Boyhood (minha crítica sobre o filme aqui). Roteiro eu gostaria muito que Wes Anderson ganhasse com seu incrível O Grande Hote Budapeste, assim como Melhor Filme (mais uma vez, crítica sobre O Grande Hotel Budapeste aqui), mas acho difícil ele ganhar. Dos prêmio técnicos, eu nunca sei o que dizer, mas eu daria todos os de som pra Whiplash!  E fotografia vai fácil pra Grande Hotel Budapeste. Acho muito difícil a Emma ganhar melhor atriz coadjuvante e o Edward Norton só não ganha Melhor Ator Coadjuvante por causa do J.K. Simmons de Whiplash (adivinha! Crítica aqui). Ou seja, tá difícil pro Birdman (na minha opinião, claro).

Apaixonada por essas luzinhas de pimenta!
Apaixonada por essas luzinhas de pimenta!

Maaaaaaaaaaaaas, depois de tudo isso que falei, depois de ter amado a parte técnica do filme, de amar Iñárritu and all, preciso falar que não achei o filme fantástico. Quer dizer, sabe quando você consegue reconhecer a magistralidade de algo mesmo sem ter gostado muito? Pois é, foi o que aconteceu. Eu achei o filme cansativo, mas achei que ele deveria existir, entendem? Porque é um tema muito bom de ser discutido, foi passado de uma forma espetacular tecnicamente, eu só achei meio cansativo. Mas não deixem de ver por causa dessa minha opinião. Vejam e tirem suas próprias conclusões.

Beijos!

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