Mon Roi| Festival do Rio

Raiva. Foi isso que senti durante todo o tempo em que eu assistia Mon Roi (quer dizer, a maior parte do tempo). E eu pensava em como Tony, a personagem principal (Marie-Antoinette, na verdade, apelido Tony), é burra. Burra, idiota, imbecil, cega, auto destrutiva. Principalmente isso: auto destrutiva. E o filme mostra isso claramente: quando uma pessoa quer se auto destruir, não importa o que falem para ela ou o que aconteça com ela, ela nunca vai parar. E Tony é prova viva (ou pelo menos ficcional) disso.

Tony e seu roi, ou rei, Georgio.
Tony e seu roi, ou rei, Georgio.

Desde o princípio, Tony sabe que está se envolvendo com um cafajeste. Georgio deixa bem claro que é um cafajeste, ele até se autointitula “o rei dos cafajestes” (por isso o nome do filme). Mas ainda assim ela insiste porque, vocês sabem, às vezes a gente tem mania de pensar que vamos mudar o outro, que vai ser diferente com a gente. E Georgio até parece realmente amá-la. Mas depois dos primeiros sinais de que nada vai ser diferente, gente, é hora de sair correndo. Mas não, Tony fica, por motivos absurdamente idiotas e impostos pela sociedade, ah, a sociedade imbecil sempre nos fazendo cometer atos estúpidos. Mas dá pra perceber que é um padrão de Tony, já que ela diz, logo no princípio do filme, que tem um ex-marido que era bem horrível com ela (isso antes de Georgio). Ou seja, é um padrão. É um padrão da personagem procurar pessoas que a tratarão mal. Por que? Porque por algum motivo ela é autodestrutiva, ela se sabota (e psicólogos podem assistir ao filme e me contar qual é esse motivo, porque não ficou claro para mim). E nossa, como dá raiva e dá vontade de sacudi-la e gritar na cara dela: vai embora, mulher!!!!!!!!!!!

Louis Garrel e Vincent Cassel com a diretora Maïwenn.
Louis Garrel e Vincent Cassel com a diretora Maïwenn.

E com certeza essa também era a vontade do personagem de (amorzinho) Louis Garrel, irmão da personagem e também psicólogo, que é quem cata os pedaços da Tony quando ela se desespera por causa de Georgio. Todos os atores estão maravilhosos em seus papéis (principalmente Vincent Cassel no papel de Georgio), mas fiquei impressionada com Louis porque nunca havia visto nenhum filme com ele onde ele não era o principal ou o galã, e olha, o bichinho manda bem em qualquer situação. A bondade e preocupação em seu olhar eram de emocionar. Mas claro que não posso deixar de elogiar a atuação de Emmanuelle Bercot, a intérprete da personagem principal, porque não é um papel fácil, é um papel de cheio de camadas, e ela conseguiu chegar a todos os extremos que o papel exigia com muita naturalidade. Incrível.

Tony toda ferrada tomando banho na clínica.
Tony toda ferrada tomando banho na clínica.

Mon Roi é contado todo por meio de flashbacks. Logo no início, Tony chega a uma clínica de reabilitação para cuidar de seu joelho, machucado em uma queda enquanto ela esquiava. Durante todo o período em que está lá, pensa sobre a relação – além de sofrer horrores com a recuperação de sua lesão. E sinceramente, ainda bem que tem esses períodos passados na clínica, porque não sei se eu aguentaria assistir todo o terror psicológico que Georgio faz em Tony sem esses intervalos leves – sim, eu disse que ver uma pessoa recuperando um lesão grave no joelho é algo leve, para você ver como é conturbada a relação dos dois.

Tony em um momento de descontração na clínica.
Tony em um momento de descontração na clínica.

O filme também trata de outros temas além do principal, como preconceito, vício, o culto à beleza, e você não sente que esses temas estão ali só pra “cumprir um papel” ou que poderiam ser mais explorados. Não sente porque eles são tocados de uma maneira bem natural, como acontece na vida. Ando com uma tendência a gostar mais de filmes que agem em torno de um assunto como agimos com eles na vida, dando importância e sabendo que são temas importantes de serem tratados, mas não fazendo de tudo um bicho de sete cabeças e tratando de um jeito irreal. Ando cada vez mais realista. hahahaha E claro que o fato de a diretora ser mulher mostra uma visão bem diferente de todos os assuntos, principalmente do relacionamento do casal principal, porque geralmente vimos tudo pelos olhos dos homens, mesmo quando a personagem principal é uma mulher. Mas quando a história é contada por uma mulher é totalmente diferente porque ela sabe verdadeiramente como é aquilo porque ela passa por aquilo, não é mesmo? Mas de jeito nenhum estou falando que um homem não consegue tocar nesses assuntos com qualidade também, ok?

Bem, resumindo, assistam Mon Roi, é ótimo! Mas vão preparados para sentir muita raiva!

Próximas sessões:

11/10 – 16:30 – Cinépolis Lagoon 6

13/10 – 13:15 – Estação NET Ipanema 2

13/10 – 21:40 – Estação NET Ipanema 2

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Hoje não tem foto da minha roupa de festival (esqueci de tirar), mas tem vídeo sobre o Festival, com dicas de coisas para se levar quando for assistir um filme. E se você ainda não é inscrito no canal, se inscreve lá, faça uma amiguinha feliz! E assim você também é avisado sempre que tiver um vídeo novo!

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Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

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“Pa vê ou pa comê?” Porque não tá dando pra fazer as duas coisas, não!

Eu amo os cinemas do grupo Estação. Amo mesmo, com todas as minhas forças e coração (você pode entender melhor a intensidade do meu amor nesse post aqui). Mas, infelizmente, hoje em dia está muito difícil ir aos cinemas do grupo Estação. Pelo menos, pra uma pessoa desempregada sem renda nenhuma – e sem nenhuma forma de meia entrada.

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Semana passada, li no Facebook a indicação de um amigo sobre o novo filme do diretor francês François Ozon. Fingi que lembrava quem era o diretor (apesar de reconhecer o nome, não lembrava seus outros filmes, mas agora procurando por ele, vi que fez 8 Mulheres, filme que amei!) e fui. Na verdade, pra mim, tanto faz o diretor, o que importa é que o filme é francês. Sim, sou obcecada por cinema francês (obsessão que, um dia, ainda rendará um post), e esse ainda tinha o plus de ter meu queridinho Romain Duris. Achei o filme passando no Estação Net Botafogo e fui, no impulso, sem nem ver se estava passando em outro cinema – eu já estava feliz por poder ir em algum cinema do Estação e fingi que as outras salas de cinema não existiam (depois vi que também estava passando no Itaú Arteplex, ou seja lá o nome que aquele complexo de cinemas em Botafogo tem agora).

Eu esperando pelo filme - e não muito feliz com tudo que tive que pagar.
Eu esperando pelo filme – e não muito feliz com tudo que tive que pagar. (desculpa pela qualidade da foto, a câmera do meu celular não é boa)

E lá fui eu, feliz, contente e pobre – pois não se deixa de ser pobre quando se sai de casa, mesmo o destino sendo a zona sul (pra quem não é do Rio, a zona sul aqui é a parte mais cara da cidade) – assistir Uma nova amiga. Cheguei, entrei na fila, disse o nome do filme e horário que queria. Depois da bilheteira perguntar “meia entrada de que?”, apesar de eu já ter falado que a minha era inteira, repeti que não tinha meia entrada e, então, depois de escolher meu lugar, ela me falou o quanto eu tinha que pagar: TRINTA REAIS! Meu queixo caiu e eu travei. Eu não estava esperando algo tão caro at all! Mesmo sabendo que tinha escolhido um dos piores dias da semana pra se ir ao cinema (6a feira), eu achava que o ingresso seria, no máximo, uns vinte e poucos reais, valor que paguei da última vez que fui no mesmo cinema, alguns poucos meses atrás. E pra piorar tudo: só aceitava débito e dinheiro. Visto que minha conta está quase zerada – só não está zerada por bondade da minha mãe -, paguei em dinheiro porque, por sorte, tinha o suficiente (dinheiro que “ganhei” no brechó).

Parte fofa em frente à sala maior - e meus pés no espelho, porque esse chão quadriculado é super fotografável!
Parte fofa em frente à sala maior – e meus pés no espelho, porque esse chão quadriculado é super fotografável!

Quem conhece esse cinema do grupo Estação em particular sabe que as instalações e estrutura não são lá as melhores. Tem mosquitinho, tem sala congelante, tem sala pequenina que de tão pequena você se sente meio claustrofóbica. Mas sendo grupo Estação, ou seja, você sabe que a qualidade do filme é sempre boa, você ignora esses pequenos detalhes. Mas não por esse preço, né? Pelo menos, meu filme estava passando na maior e melhor sala de lá (são três, se não me engano), então até que não foi desconfortável e consegui assistir o filme de uma distância boa (não gosto de ficar muito perto da tela). Há um tempo atrás, eu até evitava ir nessas salas no Estação porque eu sabia que não eram as melhores e eu achava muito pequenas as salas (tirando essa que fui, mas sempre esquecia de sua existência). Só que o meu queridinho Espaço de cinema (ou seja lá como ele se chama agora – Estação Net Rio, na verdade) entrou em reforma e só me restou o Estação Net Botafogo (ok, sei que tem na Gávea e em Ipanema, mas Botafogo é muito mais fácil de chegar). Sem contar que lá é onde todos os filmes que já saíram de todos os outros cinemas ficam passando por mais tempo, então, às vezes, não tem nem opção.

A sala que estava passando o filme era a maior que tem por lá - ainda bem!
A sala que estava passando o filme era a maior que tem por lá – ainda bem!

Ok, não tem como negar que a qualidade dos filmes que passam nos Estações é maravilhosa. Em nenhum outro lugar aqui no Rio conseguimos encontrar filmes que não são blockbusters comerciais porque, além das salas de cinema do Estação (e as do Itaú, que já mencionei antes), só temos os Kinoplex e Cinemarks da vida nos shopping e, como todos sabem, passam o mesmo filme em várias salas, e sempre esses mais comerciais, pra ganharem bastante grana. (ai, como sinto falta de mais cinemas de rua…) E sei que as salas do Estação quase fecharam as portas há um tempo por falta de verba e, agora que foram compradas por grandes empresas e tudo está sendo reformado e melhorado, o valor do ingresso aumentaria (sem contar toda essa polêmica da meia entrada que, inevitavelmente, faz todos esses lugares aumentarem seus preços). E sei também que as salas do Estação são frequentadas pela elite intelectual do Rio de Janeiro que, em sua maioria, também é a elite econômica/financeira. Mas, ainda assim, é caro demais pra uma simples desempregada como eu – e também pra galera que trabalha com cultura e que não ganha bem e que, com certeza, também frequenta esses lugares. O que me deixa bem triste porque, provavelmente, não poderei ir ao cinema por bastante tempo – porque me recuso a fazer carteirinha falsa.

Pipoca do cinema e pipoca do lado de fora.
Pipoca do cinema e pipoca do lado de fora.

O pior é que até o café é caro, então não dá pra ver filme e comer, você tem que escolher um dos dois. Pra vocês terem ideia, nesse dia, como cheguei cedo pro filme e ia esperar mais de uma hora pra ele começar, resolvi fazer um lanche. Não queria ir muito longe e os lugares ali por perto estavam cheios, então resolvi comer algo ali no café do Estação mesmo. Comi um pastelzinho pequeno de peito de peru (que, ok, estava uma delícia) e uma xícara pequena (do tamanho de uma xícara de cafézinho) de cappuccino e gastei 11 reais. Aí você pensa: “Vou comer uma pipoca então”. Não adianta, queridos, porque até o pipoqueiro que fica em frente ao cinema é caro – os saquinhos vão de 8 a 12 reais! Complicado.

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Tá difícil ter cultura de qualidade aqui no Rio de Janeiro… (Ou vai ver eu que tenho que escolher uma profissão qualquer que pague muito bem em vez de tentar fazer o que eu amo – que, no momento, nem vaga tem! Sim, eu tô frustrada!)

PS. Aliás, o filme é maravilhoso! Super recomendo, faz pensar pra caramba e todos os atores estão fantásticos! Vejam! Só não num cinema do Estação – a não ser que não ligue de pagar 30 reais.

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30 Livros em 1 Ano – Se só me restasse uma hora de vida (Roger-Pol Droit) – Livro 9

Hey people!

Sabe quanto tempo faz que escrevi sobre um livro por aqui? Eu também não, mas faz muito tempo! Muito! Por isso tô aqui pra falar do nono livro que eu li, que foi um pequeno soquinho no estômago porque te faz pensar bastante, a lot, very very much. Durante e depois. Pero é muito bom livros que te fazem pensar, não é? Sobre a vida, sobre o universo, sobre tudo!

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Se só me restasse uma hora de vida é é escrito pelo filósofo francês Roger-Pol Droit e nele o autor discorre sobre várias possibilidades de o que faria se só restasse a ele uma hora de vida. Porém, é mais do que isso, porque ele acaba discorrendo sobre vários aspectos da vida, que nos servem mesmo quando não estamos a um passo da morte. São vários assuntos interessantes para pensarmos durante nossa vida, e na verdade é melhor pensarmos sobre esses assuntos ao longo da vida mesmo, para, no leito de morte, não termos arrependimentos.

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Eu realmente acho que não tem muito que posso falar sobre o livro porque um livro cheio de pensamentos, filosofias e maneiras de ver a vida não foi feito para e ficar aqui falando sozinha, e sim para ser discutidos com pessoas. Por isso peço para que todos leiam, para que eu não fique maluca sozinha aqui falando sobre ele, e sim para que possamos conversar e opinar sobre os aspectos que constituem uma vida plena, e o que cada um acha disso. E é por isso que deixarei mais fotos com fragmentos do livro aqui do que palavras minhas, porque são as frases do livro que realmente importam. E não sei vocês, mas eu adoro algo que nos faz parar e pensar.

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Tem mais algo muito legal nesse livro: sua estética. Como dá pra ver pelas fotos, ele não é escrito de maneira normal, suas frases não começam em letra maiúscula, não há ponto final no término de cada frase (e, ainda assim, entende-se sem dificuldade onde termina e onde começa uma ideia).  Essa maneira de se expôr as palavras no papel parece muito com o fluxo de pensamento, como se o autor estivesse pensando tudo isso nessa hora que tem antes de morrer, e isso, para mim, é muito interessante. Gosto quando os autores brincam com a formalidade do texto, com seu padrão, e quando fogem do que tem que ser, mas com um motivo. Quando fazem por fazer, só para mostrar que são diferentes, aí não tem graça e fica até ridículo. Mas aqui tem significado, aqui você entende a rapidez do pensamento de uma pessoa que está prestes a morrer, então não tem tempo de ficar escrevendo direitinho ou bonitinho, ele só quer dizer o que acha, só quer dar sua opinião, não importa como. E o pensamento flui assim, não é mesmo, solto, sem ponto final ou letra maiúscula.

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Mais outra coisa que achei legal nesse livro: o fato de Roger-Pol (olha minha intimidade!), apesar de filósofo, contradizer e duvidar de filósofos. Quer mais filósofo que isso? Porque, segundo o dicionário, o filósofo é aquele “que ou quem investiga os princípios, fundamentos ou essências da realidade circundante, seja numa perspectiva imanente, seja propugnando causas e explicações transcendentes, transcendentais ou metafísicas.” E quer maior investigação do que a não aceitação simples e clara do que a própria classe diz? Não não não, você tem que pensar por si próprio, investigar a fundo o que aquele pensamento quer dizer para, só então, aceitar ou não aquilo. E não é sempre que ele aceta. Ou seja, fantástico. Filósofo. Ou não-filósofo, já que ele contaria filósofos. Too much? (desculpem, a minha natureza é essa, de pensar sem parar e ir contra os pensamentos ditos padrões e comuns e normais)

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Anyway, já falei demais sobre esse livro que já havia mencionado ser impossível falar sobre porque é preciso lê-lo. Então tá esperando o que? E depois não esquece de vir aqui me falar o que achou pra gente poder discutir sobre esses assuntos da vida, universo e tudo mais (não em canso de fazer essa referência, apesar de nunca ter lido O Guia do Mochileiro das Galáxias). Ah! O livro foi lançado por aqui pela Bertrand (selo da Record) e custa uma média de R$17.

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