30 Livros em 1 Ano – Billy & Me/ You’re the One that I Want (Giovanna Fletcher) – Livros 12 e 13

Hoje falarei de dois livros da mesma autora, a Giovanna Fletcher (sim, esposa do Tom Fletcher, do McFly). O nome dela de solteira era Giovanna Falcone e eu achava tão bonito, bem mais do que o atual. Não entendo pessoas que trocam seus nomes quando se casam. Mas enfim, não é sobre isso que vim falar, né, e sim dos livros. E por que vou falar dos dois livros no mesmo dia? Porque achei eles bem parecidos e ambos meio meh. Explico.

Giovanna com o livro Billy and me, que foi lançado aqui no Brasil como Billy e eu.
Giovanna com o livro Billy and me, que foi lançado aqui no Brasil como Billy e eu.

Billy & Me foi o primeiro livro que ela lançou e também o primeiro que comecei. Comecei, porém não o primeiro que acabei de ler. E por que isso?, vocês me perguntam. Porque achei o livro muito chato. Assim que saiu, eu quis lê-lo, porque gosto muito da Giovanna (tanto que a sigo no Twitter, no instagram, assisto os vídeos dela no youtube). Então comprei no Kindle do marido (que na época nem era marido ainda), um pouco depois do lançamento lá na Inglaterra (que foi em junho de 2013). Mas nossa, era impossível de ler. Achei o ritmo arrastado, a personagem principal chata, as situações bem clichés e sem nada de especial. Como o livro é sobre uma menina de cidade pequena que começa a namorar um ator super famoso, achei que fosse ser mais dinâmico. Porém, do início até mais ou menos a metade, é um tédio só. Tanto que parei de ler e fiquei um bom tempo ser ler. Tanto tempo que Giovanna lançou seu segundo livro, eu li esse segundo livro inteiro, e só depois tive coragem de voltar para Billy & Me.  Mas deixa eu colocar a sinopse aqui pra vocês se situarem melhor na história.

The Blurb: Quando Sophie e Billy se conheceram e se apaixonaram, ela pensou que estava vivendo em um conto de fadas. Afinal de contas, Billy é um ator, um galã adorado por adolescentes em todo o mundo – e ele ama Sophie. Ela é a única garota para ele. Mas estar nos braços de Billy tem um preço. Este relacionamento tem deixado Sophie no centro dos holofotes, após anos mantendo-se afastada de atenção. Será que ela poderá lidar com todo o assédio resultante de estar com Billy? Mas acima de tudo, estaria ela preparada para que sua mágoa seja descoberta por toda a nação? (sinopse retirada do Skoob)

A fofa da Izzy Judd (outra que mudou o sobrenome. Por que???), esposa do Harry Judd, do Mcfly, com o livro.
A fofa da Izzy Judd (outra que mudou o sobrenome. Por que???), esposa do Harry Judd, do Mcfly, com o livro.

Agora que vocês já sabem a história do livro, digo mais minhas impressões sobre ele.

Quando finalmente consegui voltar ao livro, fiquei aliviada por Sophie e Billy chegarem à Londres (podem ficar tranquilos, isso não faz diferença nenhuma na história, não é um spoiler, já fica claro que isso vai acontecer). Porque aí a história começou a ficar um pouco interessante. Acho que Giovanna prolongou demais a parte em que os dois se conhecem e ficam de romancinho na cidade natal de Sophie, que é totalmente entediante. Mas essa é uma característica dela como autora, porque ela fez exatamente a mesma coisa em You’re the one that I want. Chegando em Londres, é interessante descobrir como funciona um set de filmagem (que Giovanna tem conhecimento por ter participado de um filme), como é feita toda a escolha das roupas dos atores e de seus acompanhantes para eventos de premiação (outra coisa que é bem familiar à Giovanna, dado que Tom já compareceu à inúmeras premiações), e como é a relação (muitas vezes interesseira) entre os ricos e famosos. Essa parte é legal e eu até gostei. Mas a história em si é sem graça, previsível e os personagens não tem nada de especial, somente Molly, a única personagem que pensei “ah, essa é legal!”. Sophie e Billy são totalmente insossos. E eu tive que me esforçar pra ler o livro até o final, apesar de o final ser mais fácil de digerir.

You’re the one that I want segue o mesmo caminho, passa pelos mesmos problemas e melhora do meio para o final, exatamente como Billy & Me. Mas dessa vez vou colocar a sinopse antes de dar qualquer outra opinião.

The Blurb: O livro conta a história de três melhores amigos desde a infância, Maddie, Rob e Ben. Maddie está na porta da igreja prestes a se casar com Rob, mas será que ela fez a escolha certa, ou seria melhor casar com Ben?

Giovanna com o You're the one that I want.
Giovanna com o You’re the one that I want.

You’re the one that I want é narrada por Maddie e Ben, e tem alguns poucos capítulos narrados por Rob. O livro começa com o dia do casamento de Maddie e Rob, mas volta para a infância dos três, quando se conheceram, e vai nos levando até chegar novamente ao dia do casamento. Achei a ideia interessante, mas, mais uma vez, o início, principalmente, é muito arrastado. Não sei vocês, mas eu não tenho muito interesse na vida de uma criança e de alguém muito novo – a não ser que essa pessoa seja Harry Potter. Ou que, pelo menos, a história tenha acontecimentos interessantes que tem façam querer ler mais. Não foi o que aconteceu no livro em questão. Entendo que Giovanna quis mostrar como a amizade entre os três personagens principais foi acontecendo, mas já deu pra entender a intensidade da relação e a personalidade de cada um nas primeiras páginas. As que vieram em seguida foram totalmente desnecessárias. O livro só foi começar a ficar interessante quando Ben (de longe, o melhor personagem), Maddie e Rob foram para a faculdade. Até porque é uma realidade muito diferente da vivida por aqui, com as pessoas saindo de suas cidades natais para estudarem fora e morarem sozinhos pela primeira vez, o que estamos acostumados de ver em filmes americanos, mas a vida dos ingleses é diferente, né.

A versão que eu li, no meu lindo Kindle (falo tanto de kindle por aqui que a amazon devia me patrocinar. hahahaha).
A versão que eu li, no meu lindo Kindle (falo tanto de kindle por aqui que a amazon devia me patrocinar. hahahaha).

Os fatos que vão acontecendo a partir da faculdade e como cada personagem vive cada situação deixa o livro um pouco mais legal. Achei You’re the one that I want mais fácil de ler que Billy & Me, mais gostosinho. Mas não posso falar que é um livro super legal e não indicaria para as amigas. Não que a Giovanna não tenha achado seu estilo de escrever, longe disso, ela achou sim. Mas é um estilo sem graça, previsível, e com personagens desinteressantes – apesar de Maddie e Ben serem bem mais interessantes que Sophie e Billy. Rob não, Rob é chato. Mas, na verdade, como Ben e Maddie são os narradores, só o conhecemos através dos olhos dos outros dois, então é mais difícil se identificar e sentir uma certa proximidade a ele. Maddie também não é a mais cativantes das personagens, mas entre ela e Sophie, ela ganha disparado. Já Ben, esse sim ganhou meu coração. Um ponto pra Giovanna, pelo menos!

Ah! Preciso dizer que achei ambos os livros, principalmente Billy & Me, bem anti-feminista. Então se você se irrita com submissão (como eu me irrito), passe bem longe deles! E também que li ambos os livros em sua versão original em inglês (o segundo, que foi lançado lá na Inglaterra em 2014, ainda não tem versão em português), então não posso opinar sobre a tradução.

Fico bem triste de falar mal dos livros da Gi (olha a intimidade!), mas se não gostei, não posso mentir, né? Queria saber opinião de pessoas que já leram eles e se gostaram, por que gostaram? Tell me!

Beijocas!

Billy e eu – Editora Phorte – R$39 (em média)

You’re the one that I want – Penguin – R$35 (na Amazon)

A (nem sempre) deliciosa vida de Nina – Episódio 9

(antes de ler esse episódio, leia o anterior, clicando aqui. eles são interligados)

Então Vida, segui os dois até o quarto. Não Vida, eu não sou vouyer, eu não ia assisti-los enquanto eles… Bem, você sabe. Mas minha curiosidade é maior do que qualquer bom senso, então fui atrás e espiaria até começarem as atitudes suspeitas.

Me senti ridícula do lado de fora da porta de Renato, ouvindo. Sim, ouvindo, porque ao contrário dos filmes, aqui é vida real, e ele fechou a porta. Sempre fiquei pensando quando via essas cenas em filmes, seriados, ou até quando lia em livros, como a pessoa tinha sido estúpida o suficiente para deixar a porta aberta. Renato não foi estúpido. Mas isso não me removeu do meu plano – se é que se pode chamar de plano uma ação realizada totalmente por impulso.

Tenho que dizer que nunca me senti tão não-eu quanto no momento. E na hora me veio a lembrança da ex do Renato que foi o motivo da nossa separação. Ficar ao lado de uma porta fechada, sabendo que lá dentro está rolando sexo e tentar ouvir qualquer fiapo de gemido (ou qualquer outro som) que pudesse vir a sair disso, e por um sutil ciúme era atitude dela, não minha. Será que agora que está morta ela entrou no meu corpo? Minutos depois de começar meu plano, o abortei e voltei para o meu quarto.

Percebi que estava sendo possessiva com uma pessoa que nem sequer era minha mais. Nunca foi, aliás. E me achei ridícula. Imatura. Imbecil. Idiota. Insensível. Ah não, insensível não. O que eu tinha que fazer era me recolher ao meu canto e aprender a lidar com um sentimento de solidão que eu vinha negando sentir. Sim, porque essa loucura toda por renato era isso, era solidão. Isso e o fato de que nosso término foi um péssimo término, sem o fim de um sentimento, mas por total indisponibilidade de estar numa situação complicada como era a minha com ele, sua mãe e sua ex. Eu não queria fazer o mesmo para essa garota nova que, aliás, era super simpática, caso eles começassem um relação mais duradoura. O problema não era com eles, era comigo. Eu que tinha que enfrentar sentimentos e pensamentos que eu fingia não ter fazia muito tempo já. Eu quero ter alguém, eu preciso de alguém, eu não gosto de ser sozinha – apesar de adorar fazer coisas sozinha e não depender de ninguém. Dúbio, né? Pois é, o ser humano é complexo mesmo.

Mas uma coisa foi boa nisso tudo. Eu percebi que estou mesmo mais madura – mesmo precisando ter uma atitude mega hiper super ultra infantil para perceber.

Nina.

A (nem sempre) deliciosa vida de Nina – Episódio 8

Vida, você não vai acreditar! Renato chegou em casa hoje com uma mulher. Com uma mulher, Vida! Como ele tem a pachorra de trazer uma mulher aqui nem uma semana depois da gente… Aaaaaargh, que raiva!

Será que eu não fui nada? Foi só uma transa de uma noite, um bootiecall (apesar de não ter tido call nenhuma)? Só mais uma? Depois de todos os anos de namoro e companheirismo e amizade, eu sou só mais uma pra passar a noite? E aí ele me vem com uma piranha mulherzinha de quinta na MINHA casa sem nem me avisar nada antes, sem nem pedir autorização? Que audácia!

Não Vida, eu não estou com ciúmes. Não sou igual aquela ex lá dele que me infernizava a vida e não conseguia aceitar que eles tinham acabado e ele estava namorando outra. Eu só achei total falta de consideração comigo. Não teve nem um conversa, uma troca de palavras, nada! Transamos e no dia seguinte ele já agia como se nada tivesse acontecido. Pode isso? Não, Vida, não pode! Não pode mesmo! Ele tinha que ter o mínimo de respeito em relação mim! Eu dei um teto pra ele morar, for God’s sake! (e o fato de eu ficar sem teto caso ele não estivesse dividindo as contas comigo não vem ao caso agora)

Aí eu fui ver como era a garota, né? Nada de mais, sem motivo, só curiosidade, como eu teria caso qualquer amigo chegasse com acompanhante em casa. Porque ele não levou a garota direto pro quarto, eles fizeram um pit-stop na cozinha, certeza que Renato ia preparar um dos seus famosos sanduíches pra ela, como ele sempre faz, “conquistar pelo estômago”, baita cliché do cacete. Daí apareci na cozinha pra beber um copo d’água (todo mundo sente sede) e eu estava certa: lá estava ele, com as armas do crime na mão: pão de forma, iogurte, atum, molho inglês e tomate seco, pronto pra fazer seu famoso sanduíche de pasta de atum com tomate seco (que é realmente uma delícia, ele fez pra mim no nosso quarto encontro).

“Oi Nina, vai sair?” ele me perguntou assim, normalmente, como se não estivesse fazendo nada de mais. Visualizei minha mão espalmada bem no meio da bochecha direita.

“Não, não, acabei de chegar.”

Mentira. Tinha ido a lugar nenhum – a não ser que a padaria conte. Mas eu não podia aparecer na sala de short de lycra e camiseta rasgada, então coloquei um short, uma blusa que deixava meu ombro – e minha tatuagem – à mostra, uma sapatilha e tasquei um batom vermelho na boca antes de ficar com muita sede e buscar minha água.

“Essa é a Nathalia. Nathalia, essa é a Nina, minha roommate.”

“Ah sim, prazer.” ela sorriu e esticou a mão de unhas imensas em minha direção.

Fiz o mesmo, mas segurei pra não dar um puxão e fazê-la cair do banco. Pelo visto, ele tinha contado pra ela sobre mim. Mas fiquei imaginando se tinha contado que dividimos uma cama quase todo dia por três anos ou da cama que dividimos dias atrás. E pelo visto fiquei imaginando isso por um longo tempo, já que, quando dei por mim, Nathalia e Renato, que já havia terminado de fazer os (mini) sanduíches, olhavam para mim meio confusos – quer dizer, para a minha mão, que não soltava a mão da garota.

“Ah, desculpa, é que sua pele é tão lisinha…”

Nathalia 1, Nina 0.

“A gente vai lá pra dentro ver um filme.” ele disse, e Nathalia se levantou do banco. Alta, magra, ruiva, linda. Que raiva!

“Ah, ok. Bom filme.” eu disse, me encaminhando para a geladeira. Eu tinha que fingir que ia pegar água, pelo menos.

“Tchau, prazer.” a garota respondeu, antes de seguir Renato em direção ao quarto dele.

E eu seguir os dois.

Nina

ps1. Semana que vem conto tudo que aconteceu a seguir.

ps2. Enquanto isso, pra você não morrer de curiosidade, você pode se distrair vendo o vídeo de uma menina que eu gosto muito! O nome dela é Livia Brazil, ela é escritora, tem um canal no Youtube (posta toda 4a) e essa semana fez um vídeo sobre as canecas lindas dela! Entra lá e se inscreve no canal! Eu me inscrevi e tô adorando!

A (nem sempre) deliciosa vida de Nina – Episódio 7

Vida, tenho que falar rápido e baixinho porque tô escondida. Escondida nas cobertas da minha cama. Bom que o tempo tenha esfriado, que o outono tá chegando de vez, porque me deu uma desculpa pra me enfiar debaixo das cobertas e não sair dali mais – pelo menos não enquanto Renato tá em casa.

Eu não sei como lidar. Não sei, não sei, não sei. A gente acha que o tempo passa, a gente cresce e amadurece e aprende a viver as situações complicadas, mas isso não é verdade! Mas a culpa é toda minha, não é Vida, que fui inventar de transar com um ex meu que mora somente no quarto ao lado! Ai Nina, e você aí, pensando que já era adulta, que estava sábia, que podia sair por aí espalhando ensinamentos. Vai ver isso aconteceu exatamente pra eu baixar um pouco minha bola. Eu aconteci, né, já que a atitude foi minha, a escolha foi minha de ir na porta vizinha e pedir um cantinho pra mim. Realmente não sei o que fazer. Eu não posso passar o resto da minha vida trancada no quarto em baixo do lençol. Ou posso?

gatinho-escondido

Eu saí, Vida. Aproveitei que escutei a porta bater e tirei meus pézinhos da cama, um de cada vez, suavemente. Devagar caminhei até a sala, nenhum sinal de viv’alma. Dei um suspiro, ainda bem, Vida, ainda bem! Eu, de camisolão e meia de bichinho, fui até a cozinha pra pegar um copo de leite quente. Morno, quente de verdade não gosto. Eu já estava voltando pro quarto quando dei de cara com ele. Susto. O copo quase foi ao chão.

– Leite morno? – ele perguntou, mostrando que ainda lembra. Dando sinais de que aquilo de noites passadas merece uma repetição, certeza que ele pensava isso.

– É. – respondi, já indo embora.

Mas ele parou na minha frente. Ou pelo menos pareceu. Ou pelo menos foi o que entendi. Parou na minha frente porque queria de novo, ia tirar o copo da minha mão, jogar no chão sem nem ligar para os cacos de vidro (apesar de saber que bagunça me enlouquece), me puxar pelo blusão e apertar minha bunda por baixo dele. Eu sabia, eu tinha certeza, meu coração até disparou por causa disso. Ai, mamãe santinha, não faz isso comigo!

Fechei os olhos, já esperando sua mão quentinha, já esperando seus lábios contra minha pele, já esperando aquele aperto que só ele sabe dar, já esperando…

– Sobrou leite? Tava a fim também. – ele disse, antes de passar por mim e ir em direção à geladeira.

Abri os olhos, vermelha por completo, ainda suando, ainda tremendo (o leite até respingou no chão).

– Aham, tá na porta. – foi o que respondi antes de correr de volta pro meu quarto.

Ai, Vida, como lidar? COMO?

Nina. 

A (nem sempre) deliciosa vida de Nina – Episódio 6

Mamãe do céu, Vida, você não sabe o que aconteceu! Vou te contar! Deixa eu te contar? Pois bem, te conto.

Lembra que semana passada eu tava falando que a gente tem que ser quem a gente quer ser, que tem que fazer o que a gente quer fazer, que tem que dizer um foda-se bem grandão pros outros (sem ser mal educada, tá) caso eles não consigam entender o que você tá a fim de fazer? Então, Vida, eu disse um foda-se bem grandão pra tudo – e até pra mim – e fiz vuco-vuco com Renato.

Eu sei, eu sei!!!!!!!!! Eu fiz exatamente o que pouquíssimos dias atrás eu disse que não faria, que eu tinha certeza ter aprendido com a vida (você) que era errado fazer, que eu sabia ser um erro. Mas pessoas sábias e evoluídas espiritualmente também tem vontades, e tá tão difícil sair pra conhecer alguém (sabe, sem emprego, sem grana), e ele tava logo ali no quarto ao lado e eu tinha visto um videozinho pornô na internet… Não me aguentei. Não deu. Ou melhor, dei.

Não, eu não estou orgulhosa de mim. Mas também não sei se estou arrependida. Pelo menos, não 100%. Talvez amanhã eu me arrependa. Talvez eu me arrependa quando Renato achar que isso vai ser algo constante e tente novamente – e eu não consiga dizer não aos seus pedidos. Mas hoje, hoje ainda não estou arrependida. Porque foi bom, né? E eu tava precisada. Ah Vida, muito tempo sem um tchaca na butchaca, sem um corpo junto do meu, sem um abraço, uma pegada mais forte, a gente sente falta. No começo é fácil. No começo, eu pensava “Ah, por que minhas amigas reclamam tanto de falta de sexo? Nem é tão necessário assim, dá pra passar sem tranquilamente”. Mas o tempo vai passando, meses, anos, você não conhece outro homem, pelo menos não um que você ache válido se entregar desse jeito ou que você conheça ou confie nos hábitos higiênicos. Aí vai dando aquela esquentada na piriquita (desculpa o termo, Vida, mas acho que podemos não ter frescuras porque, afinal, você é minha vida), e apesar de você ter seus truques para aliviar, não é a mesma coisa que ter um corpinho pra chamar de seu. Aí você acaba cedendo pro corpinho que você já chamou de seu um dia, que você conhece as fraquezas (carinho na coxa dá cosquinha) e as delícias (já a orelhinha…) e ele conhece os seus (bem, quase tudo), que já sabe como é seu corpo e não vai arregalar aquele olhão quando descobrir a manchinha ali, bem na saboneteira, e que ainda sabe fazer uma massagem daquelas. Desculpe Vida, mas não tem como resistir. Muito menos depois de assistir vídeo erótico!

Então Vida, me processe, me julgue, faça o que quiser, mas foi o que aconteceu. E tô me sentindo até mais leve, pra falar a verdade (também, depois de duas vezes seguidas chegando no clímax, como não?). E agora estamos aí… esperando pra ver qual vai ser o próximo passo. Que eu espero que ele entenda que seja continuar agindo do mesmo jeito que estávamos antes.

Mas eu tô desesperada achando que isso não vai acontecer.

Da sua,

Nina.

A (nem sempre) deliciosa vida de Nina – Episódio 5

Chérie Vie,

Já ouviu Zaz? Zaz diz que somos o universo, o mar, a terra, e fico me perguntando o que isso tudo quer dizer? Na verdade, não é muito difícil entender. Quer dizer que somos grandiosos, vastos, que podemos ser bem mais do que nos tentam fazer enxergar. Porque, Vida, se nós deixarmos, vão nos dizer que somos pequeninos, que não podemos nada, que nunca chegaremos a lugar nenhum. Quem vão dizer? Ora, eles. E quem são eles, afinal? Eles, que passamos a vida inteira ouvindo falar. Eles dizem isso, eles pensam aquilo, eles mandam pensar de tal jeito. Eles são aqueles que parecem reger nossas vidas, mas não regem! Sabe senso comum, maioria, sociedade, essas coisas que todos nós já concluímos que são burras? Pois é, esses são eles.

A incrível Zaz.
A incrível Zaz.

Cara, não é porque a maioria diz que uma coisa está errada que uma coisa está errada. Não é porque a sociedade impôs que não se pode fazer certa coisa que realmente não se pode fazer essa coisa. Se fosse assim, não teríamos tido avanço nenhum, nem tecnológico, nem psicológico, nem moral, nada! Então meu bem, Vida, não é porque um amigo (ou suposto amigo) implicou com seu jeito e disse que tudo que você faz, ou o jeito como você pensa, ou suas atitudes estão erradas que elas realmente estão! Cabe ao julgado questionar e pensar: “Isso que eu tô fazendo tá realmente incorreto ou a pessoa que tá me julgando que está falando merda porque não consegue me aceitar do jeito que sou? Não consegue entender o diferente?”. E aí você faz sua escolha. E na maioria das vezes, vou dizer, a pessoa que não sabe lidar com o que é diferente do que ela está acostumada.

Tudo isso, Vida, de uma música da Zaz. Porque Zaz é cultura e Zaz é esperta. Porque Zaz não pensa como a maioria. Porque Zaz, Vida, Zaz não segue os padrões e tenta pensar por si própria, algo tão raro nos dias de hoje.

Isso tudo, Vida, pra dizer que cansei de me importar com o que os outros pensam de mim. Cansei de abaixar a cabeça pra amigos que, como eu disse antes, não eram tão amigos assim se não me aceitavam do jeito que eu sou, e só sabiam criticar. Cansei de ter que não ser eu e fingir ser outras só pra agradar.

Renato diz que estou melhor assim. Renato diz que estou mais segura, que minha postura está até diferente, mais ereta. E ele presenciou uma situação dessas, dessas que, antigamente, eu diria “sim, senhor” e choraria no meu cantinho. Mas não disse “sim, senhor” e não fui chorar no meu cantinho, eu enfrentei e segui em frente. Gente, tão diferente do meu eu anterior. E Renato percebeu. E eu percebi um cantinho de admiração em seu olhar. Mas Vida, eu já disse, desse mato não sai coelho e nada vai rolar. Porque isso também aprendi, Vida, a não voltar pros mesmos erros. Porque ex é isso, é erro, uma vez que já acabou. Então vou continuar assim, dizendo sim pro que quero, não pro que não quero, e me mantendo longe da cama do meu ex. Porque, pra que, né?

Da sua,

Nina.

PS. Você concorda comigo?

E essa é a Zaz ao vivo, no Rio de Janeiro:

A (nem sempre) deliciosa vida de Nina – Episódio 3

Bom dia, amiguinhos, já estou aqui! *rola os olhos por ter feito tal referência*

Hoje, não vou ficar de delongas, vou direto pra mais um capítulo da vida de Nina. Não esqueçam de comentar sobre a história, sobre o que estão achando, se estão gostando de Nina etc e tal, ok?

Besos!


A volta dos que já tinham ido – e a ida de quem já devia ter ido faz tempo!

Vida,

Você lembra do Renato? Ele é um dos ex-namorados que falei da última vez que conversamos. Ah, claro que você lembra. Não tem como esquecer, não é mesmo? Pois bem, eu encontrei com ele e, adivinha!, agora somos roomates. Ele estava precisando de um lugar pra morar, eu tinha um quarto livre no meu apartamento e um leve (lê-se imenso) desespero em conseguir pagar minhas contas em dia (por falta de dinheiro), então eis que ele  foi minha solução.

Mas não pense, Vida, que por causa disso voltaremos a namorar ou que eu ao menos tentarei reconquistá-lo. Não vou mesmo. Hoje sei que não tínhamos nada a ver e foi realmente uma benção aquela cascavel que ele chamada de ex-namorada ter infernizado tanto a nossa vida, mesmo a distância, que a gente se separou. Aliás, lembra dela? Pois é, ela morreu. Não podia ter sido antes de eu e Renato namorarmos, ela continuar melhor amiga da mãe e falar comigo todo dia querendo saber dele? Mas enfim, ela morreu. Você imagina minha cara quando ele me contou isso?

Hm… Tell me about it.

Bem, que coisa, né? Bebeu tanto que morreu de cirrose aos 33 anos. Não que isso me surpreenda, de jeito nenhum, era de se esperar. Quando ele me contou, eu ri. Desculpa, mas eu ri. Eu, que nunca desejei a morte nem sequer de uma barata (ok, mau exemplo, de uma mosquinha), ri quando fiquei sabendo. Mas você sabe o infortúnio que ela era. Agora entendo ainda mais a lei de ação e reação. Você faz o mal para os outros, o mal um dia vai chegar até você. E, no caso dela, o mal chegou em forma de uma senhora de capa preta e foice nas mãos. Ou de uma interminável garrafa de cachaça.

Renato disse que não ligou muito para o fato, e eu acredito nele. Afinal, acho que ele deixou de ligar para aquela maluca quando os dois ainda estavam juntos. A mãe, porém, ficou triste.

Mas, como eu já disse, nem o fato da cascavel estar morta e nem o fato de morarmos juntos vai mudar o fato de que nosso tempo já passou (e eu nem quero que volte mesmo) e que, talvez, dê até pra nascer uma amizade daí. E vou poder mostrar pra falecida de que é possível ser uma ex-namorada suportável.

Da sua,

Nina.

Eu no momento, sem conseguir parar de sorrir. Sou má?

A quase-morte da viva & Nina (episódio 2)

Eu não morri, mas foi quase! Meu Deus, que semana difícil essa que se passou! Fiquei doente de 4a a 6a feira, e depois no sábado fiquei com dor de velha no ciático que eu não conseguia ficar sentada nem deitada. Horrível! Ontem já tava melhorzinha, mas tava até com medo de sair de casa e ser atingida por um meteoro, dada as circunstâncias! Hoje continuo em casa, só por via das dúvidas, mas amanhã já coloco a cara pra fora de casa porque acho que o perigo já passou e mais nada pode me atingir – ou assim espero.

Mas esse post não veio ao mundo só pra eu ficar chorando pepinos (é essa a expressão?). Ele também veio pra Nina poder dar oi novamente pra vocês! Pra quem perdeu, toda 5a feira tô colocando aqui no blog uma história minha, inédita, especial pra quem lê o blog. E a personagem dessa história é Nina, que é… Ah! Vou deixar ela contar pra vocês. “Mas Livia, hoje não é 5a”. Eu sei! Mas é que como 5a passada eu estava doente, achei justo Nina dar um pulo aqui duas vezes essa semana. E o Projeto 52 em 5 faço amanhã ou na 3a, ok? Então, menos falação e mais história! Beijos!

-*-

Nina

Querida Vida,

Você deve estar se perguntando quem sou eu. Na verdade, você já deve saber, vide que você é minha. Mas pode ser que eu tenha me desviado do meu caminho, o caminho que você tinha traçado para que eu seguisse, e você se encontra confusa com a pessoa que sou agora. Afinal, não sou mais aquela que faz as coisas por serem as certas e as mais seguras. Não sou mais aquela que diz “sim” para um emprego qualquer, um que sei de antemão que não gostarei, só pra ter a tão sonhada – e também tão superestimada – estabilidade. Hoje, eu prefiro viver aos trancos e barrancos, me deprimindo tantas vezes, me desesperando algumas outras, mas sabendo que estou em busca de algo verdadeiro, algo que me emocione, me estimule, do que viver confortável fazendo o que não me satisfaz e, muitas vezes, vai contra o que sou. Ou, se for pra fazer algo assim, que, pelo menos, eu ganhe milhões!

Eu até continuo igual em alguns aspectos. Continuo chorando feito boba em cenas sentimentais de seriados, continuo amando animais mais do que gente, continuo 8 ou 80, continuo tendo emoções intensas e apaixonada por um bom livro, uma boa música, um bom filme, uma boa viagem. Mas hoje, Vida, hoje eu me respeito mais. Hoje eu sei que a culpa nem sempre é minha. Hoje eu sei que sou diferente de muitos, e que muitos não me entenderão, mas que também há outros tantos por aí que gostarão de mim do jeito que sou – e mais, exatamente por eu ser do jeito que sou. E são esses últimos que eu tenho que dar valor, e não continuar numa corrida desenfreada em busca da aceitação de quem não gosta do meu jeito de ser, por mais legal que eu os ache. Porque hoje eu sei que ser sozinha não é a mesma coisa que ser solitária e que a minha companhia é uma maravilha e, como diz o provérbio, “antes só do que mal acompanhada”.

Obviamente, isso tudo não quer dizer que eu não erre. Eu erro. E muito. E fico puta com meus erros. Mas, Vida, hoje eu tento aprender com esses erros, e não mais só ficar reclamando e chorando pelos cantos – por mais difícil que isso seja. Eu tento ver que caminhos posso trilhar a partir dos erros. Porque não tem como eles serem desfeitos, então que sejam reaproveitados. Porque hoje eu sei que você, Vida, foi feita pra se errar, e se xingar, e pra se jogar, e pra não querer, e pra falar palavrão, e pra pedir desculpa, e pra insistir, e pra ficar sem fazer nada sem culpa, e pra fazer tudo ao mesmo tempo, e pra aprender, e pra aceitar, e pra não aceitar também, e pra amar, e pra odiar, e pra ter raiva (porque os sentimentos negativos também ensinam), e pra jogar tudo pro alto, e pra desistir, e pra recomeçar. E, o mais importante, pra comer coisas gostosas!

Além disso, eu sou Nina, tenho quase 30 anos (mas não vamos falar sobre isso), moro sozinha, escrevo nas horas vagas (que é quase sempre, já que estou desempregada no momento), canto alto pela janela quando sinto que preciso berrar, tenho três ex-namorados e duas ex-amigas, e estou numa constante busca da minha felicidade. Quer saber mais alguma coisa?

Da sua,

Nina.

Novidade! Nina (episódio 1)

Oi pessoas bonitas e queridas!

Como alguns sabem e outros não, eu sou escritora (autora dos livros Queria Tanto e Coisas Não Ditas, tem nas livrarias, gente!). Isso significa que esse espaço singelo que chamo de meu blog também é para divulgar meus escritos e meus devaneios de escritas. Mas eu achava que estava faltando um pouco disso por aqui.

Por isso, resolvi criar uma história e postar aqui!

O que isso significa? Que toda 5a feira vocês acompanharão a vida de Nina. E espero que vocês acabem gostando dela como gostam dos amigos de vocês! Pra vocês saberem que é Nina quem está escrevendo, e não eu, sempre colocarei “Nina” ou “História” no título e nas tags, pra ninguém se confundir (nem eu, porque às vezes a gente se confunde com nossos personagens),

Bem, sem mais delongas, vamos ao primeiro (e curto) capítulo!

Beijos!

Das Coisas Simples da Vida

Querida Vida,

Por algum motivo, você resolveu ser boa comigo hoje. Não me deu chateações, não me fez ficar angustiada ou triste de repente, nem chuva você me deu, pra inundar minhas alegrias. Não, o dia foi agradável e eu até senti um certo calorzinho – que você sabe muito bem que me deixa bem feliz, frio e chuva nunca foram a minha praia.

Hoje eu vi amigos, uma eu não via há muito tempo e me deu uma sensação de tranquilidade ao vê-la, como se sente numa viagem de ônibus pela serra e fica vendo os morros e os animais passarem por você. É uma tranquilidade serena, e não entediante, sabe? Incrível como algumas pessoas podem te trazer sentimentos que há muito você não lembrava ter. E isso é realmente bom. Vi outros amigos que vejo mais constantemente, mas o encontro foi tão gostoso quanto. Bom lembrar ter amigos quando você se encontra numa época em que não lembra que tem amigos.

Hoje ganhei presentes, e todos relacionados a gostos meus. Gostos intensos, gostos que me definem. Gostos nos definem, certo? É aquilo que você gosta – e também o que você não gosta – que mostra para os outros quem você é. Uma pessoa que gosta de gatos é totalmente diferente de uma pessoa que idolatra cachorros. E uma pessoa que ama ouvir Mozart não pode ser igual a outra que passa o dia ouvindo Lady Gaga. Então sim, gostos nos definem, eles dizem quem somos. Bem, pelo menos uma parte de nós.

Hoje eu pude ser eu do jeitinho que sou, sem enganações ou fingimentos, e foi ok eu ser assim. Nem sempre é. Hoje foi. Por isso, Vida, digo que você foi boa hoje. Realmente boa. Diria até que caridosa. Parecia estar me fazendo agrados ao longo das horas, com cada situação sendo posta propositalmente no meu caminho, dos cachorros sorridentes no meio da rua ao fato de eu andar por quilômetros e quilômetros sem suar ou feder. Bem, talvez um pouco de suor tenha aparecido, mas nenhum cheirinho ruim foi sentido. Uhu! Ponto pra você, Vida. Ou ponto pra mim, você decide (tendo a escolher você).

É Vida, hoje foi calma, sossegada, mansa, zen. Hoje você foi legal. Vamos ver quanto tempo vai durar essa sua placidez.

Da sua,

Nina.

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