A quase-morte da viva & Nina (episódio 2)

Eu não morri, mas foi quase! Meu Deus, que semana difícil essa que se passou! Fiquei doente de 4a a 6a feira, e depois no sábado fiquei com dor de velha no ciático que eu não conseguia ficar sentada nem deitada. Horrível! Ontem já tava melhorzinha, mas tava até com medo de sair de casa e ser atingida por um meteoro, dada as circunstâncias! Hoje continuo em casa, só por via das dúvidas, mas amanhã já coloco a cara pra fora de casa porque acho que o perigo já passou e mais nada pode me atingir – ou assim espero.

Mas esse post não veio ao mundo só pra eu ficar chorando pepinos (é essa a expressão?). Ele também veio pra Nina poder dar oi novamente pra vocês! Pra quem perdeu, toda 5a feira tô colocando aqui no blog uma história minha, inédita, especial pra quem lê o blog. E a personagem dessa história é Nina, que é… Ah! Vou deixar ela contar pra vocês. “Mas Livia, hoje não é 5a”. Eu sei! Mas é que como 5a passada eu estava doente, achei justo Nina dar um pulo aqui duas vezes essa semana. E o Projeto 52 em 5 faço amanhã ou na 3a, ok? Então, menos falação e mais história! Beijos!

-*-

Nina

Querida Vida,

Você deve estar se perguntando quem sou eu. Na verdade, você já deve saber, vide que você é minha. Mas pode ser que eu tenha me desviado do meu caminho, o caminho que você tinha traçado para que eu seguisse, e você se encontra confusa com a pessoa que sou agora. Afinal, não sou mais aquela que faz as coisas por serem as certas e as mais seguras. Não sou mais aquela que diz “sim” para um emprego qualquer, um que sei de antemão que não gostarei, só pra ter a tão sonhada – e também tão superestimada – estabilidade. Hoje, eu prefiro viver aos trancos e barrancos, me deprimindo tantas vezes, me desesperando algumas outras, mas sabendo que estou em busca de algo verdadeiro, algo que me emocione, me estimule, do que viver confortável fazendo o que não me satisfaz e, muitas vezes, vai contra o que sou. Ou, se for pra fazer algo assim, que, pelo menos, eu ganhe milhões!

Eu até continuo igual em alguns aspectos. Continuo chorando feito boba em cenas sentimentais de seriados, continuo amando animais mais do que gente, continuo 8 ou 80, continuo tendo emoções intensas e apaixonada por um bom livro, uma boa música, um bom filme, uma boa viagem. Mas hoje, Vida, hoje eu me respeito mais. Hoje eu sei que a culpa nem sempre é minha. Hoje eu sei que sou diferente de muitos, e que muitos não me entenderão, mas que também há outros tantos por aí que gostarão de mim do jeito que sou – e mais, exatamente por eu ser do jeito que sou. E são esses últimos que eu tenho que dar valor, e não continuar numa corrida desenfreada em busca da aceitação de quem não gosta do meu jeito de ser, por mais legal que eu os ache. Porque hoje eu sei que ser sozinha não é a mesma coisa que ser solitária e que a minha companhia é uma maravilha e, como diz o provérbio, “antes só do que mal acompanhada”.

Obviamente, isso tudo não quer dizer que eu não erre. Eu erro. E muito. E fico puta com meus erros. Mas, Vida, hoje eu tento aprender com esses erros, e não mais só ficar reclamando e chorando pelos cantos – por mais difícil que isso seja. Eu tento ver que caminhos posso trilhar a partir dos erros. Porque não tem como eles serem desfeitos, então que sejam reaproveitados. Porque hoje eu sei que você, Vida, foi feita pra se errar, e se xingar, e pra se jogar, e pra não querer, e pra falar palavrão, e pra pedir desculpa, e pra insistir, e pra ficar sem fazer nada sem culpa, e pra fazer tudo ao mesmo tempo, e pra aprender, e pra aceitar, e pra não aceitar também, e pra amar, e pra odiar, e pra ter raiva (porque os sentimentos negativos também ensinam), e pra jogar tudo pro alto, e pra desistir, e pra recomeçar. E, o mais importante, pra comer coisas gostosas!

Além disso, eu sou Nina, tenho quase 30 anos (mas não vamos falar sobre isso), moro sozinha, escrevo nas horas vagas (que é quase sempre, já que estou desempregada no momento), canto alto pela janela quando sinto que preciso berrar, tenho três ex-namorados e duas ex-amigas, e estou numa constante busca da minha felicidade. Quer saber mais alguma coisa?

Da sua,

Nina.

Novidade! Nina (episódio 1)

Oi pessoas bonitas e queridas!

Como alguns sabem e outros não, eu sou escritora (autora dos livros Queria Tanto e Coisas Não Ditas, tem nas livrarias, gente!). Isso significa que esse espaço singelo que chamo de meu blog também é para divulgar meus escritos e meus devaneios de escritas. Mas eu achava que estava faltando um pouco disso por aqui.

Por isso, resolvi criar uma história e postar aqui!

O que isso significa? Que toda 5a feira vocês acompanharão a vida de Nina. E espero que vocês acabem gostando dela como gostam dos amigos de vocês! Pra vocês saberem que é Nina quem está escrevendo, e não eu, sempre colocarei “Nina” ou “História” no título e nas tags, pra ninguém se confundir (nem eu, porque às vezes a gente se confunde com nossos personagens),

Bem, sem mais delongas, vamos ao primeiro (e curto) capítulo!

Beijos!

Das Coisas Simples da Vida

Querida Vida,

Por algum motivo, você resolveu ser boa comigo hoje. Não me deu chateações, não me fez ficar angustiada ou triste de repente, nem chuva você me deu, pra inundar minhas alegrias. Não, o dia foi agradável e eu até senti um certo calorzinho – que você sabe muito bem que me deixa bem feliz, frio e chuva nunca foram a minha praia.

Hoje eu vi amigos, uma eu não via há muito tempo e me deu uma sensação de tranquilidade ao vê-la, como se sente numa viagem de ônibus pela serra e fica vendo os morros e os animais passarem por você. É uma tranquilidade serena, e não entediante, sabe? Incrível como algumas pessoas podem te trazer sentimentos que há muito você não lembrava ter. E isso é realmente bom. Vi outros amigos que vejo mais constantemente, mas o encontro foi tão gostoso quanto. Bom lembrar ter amigos quando você se encontra numa época em que não lembra que tem amigos.

Hoje ganhei presentes, e todos relacionados a gostos meus. Gostos intensos, gostos que me definem. Gostos nos definem, certo? É aquilo que você gosta – e também o que você não gosta – que mostra para os outros quem você é. Uma pessoa que gosta de gatos é totalmente diferente de uma pessoa que idolatra cachorros. E uma pessoa que ama ouvir Mozart não pode ser igual a outra que passa o dia ouvindo Lady Gaga. Então sim, gostos nos definem, eles dizem quem somos. Bem, pelo menos uma parte de nós.

Hoje eu pude ser eu do jeitinho que sou, sem enganações ou fingimentos, e foi ok eu ser assim. Nem sempre é. Hoje foi. Por isso, Vida, digo que você foi boa hoje. Realmente boa. Diria até que caridosa. Parecia estar me fazendo agrados ao longo das horas, com cada situação sendo posta propositalmente no meu caminho, dos cachorros sorridentes no meio da rua ao fato de eu andar por quilômetros e quilômetros sem suar ou feder. Bem, talvez um pouco de suor tenha aparecido, mas nenhum cheirinho ruim foi sentido. Uhu! Ponto pra você, Vida. Ou ponto pra mim, você decide (tendo a escolher você).

É Vida, hoje foi calma, sossegada, mansa, zen. Hoje você foi legal. Vamos ver quanto tempo vai durar essa sua placidez.

Da sua,

Nina.

credits-cute-life-montains-person-www-ouredge-tumblr-com-favim-com-107196