45 anos

Enquanto aguardo a chuva passar pra poder ir pra casa, escreverei sobre um filme que, só depois de ver o Oscar, lembrei que não escrevi sobre ele. Absurdo. Você talvez pense que isso indique que ele não é um filme muito bom e que é esquecível. Não é verdade. É só que assisti tantos filmes antes do Oscar, que um outro que não ME marcaram tanto (veja bem, não me marcaram, o que não significa que não são bons) eu ia acabar esquecendo mesmo. Enfim, vamos a ele.

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Indicações: Melhor atriz (Charlotte Rampling).

Sinopse: Kate Mercer está planejando a festa de comemoração dos 45 anos de casada. Porém, cinco dias antes do evento, o marido recebe uma carta: o corpo de seu primeiro amor foi encontrado congelado no meio dos Alpes Suíços. A estrutura emocional dele é seriamente abalada e Kate já não sabe se vai ter o que comemorar durante a festa.

É um filme que te faz pensar. Muito, na vida, nos seus relacionamentos (principalmente amoroso), e em como tudo pode mudar por causa de um detalhe pequeno. E também em como você não conhece nunca uma pessoa totalmente, mesmo depois de 45 anos de casado. E como tudo depende de escolhas. Claro, todas essas são questões bastante superficiais, não dá pra falar tudo que um filme engloba em um post rápido e curto de blog. Mas vá preparado pra começar a analisar sua vida.

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Charlotte Rampling, a indicada ao Oscar, está sensacional. Eu confesso não me lembrar dela de nenhum outro filme, mas virei fã. A performance contida, porém que diz tudo. Tom Courtney, seu par na tela, também está impecável na atuação. Gente, dá nem pra acreditar que ambos estão na faixa dos 70 anos! E isso, na verdade, é mais legal. Muito raro fazerem filmes com personagens nessa faixa etária, o mundo do cinema parece ser dos jovens, o que é uma tristeza, visto que podem existir histórias tão ou até mais interessantes com personagens mais velhos.

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Ou seja, um filme muito bom com um tema diferente e interessante. Vejam! Sério mesmo! Porque além de ter atuações fortes e uma história muito legal, também tem paisagens lindíssimas – e um cachorro muito, hiper, super fofo!

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Joy + dia de Oscar!

Hoje é dia de Oscar! E hoje também é dia de falar do último filme que vi, Joy. Joy só está indicado a uma categoria – melhor atriz – e entendo totalmente o motivo: ele é ruim. Bem ruim.

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Indicações: Melhor atriz (Jennifer Lawrence).

Sinopse: Criativa desde a infância, Joy Mangano entrou na vida adulta conciliando a jornada de mãe solteira com a de inventora e tanto fez que tornou-se uma das empreendedoras de maior sucesso dos Estados Unidos. (sinopse do AdoroCinema)

Joy é um filme bem mal feito. A história, ok, é legal, como a menina que não tinha muito futuro conseguiu dar uma guinada e se fazer por conta própria. Legal (apesar de eu não gostar dessa mentalidade de vendas e tal). Mas o filme em si… É bem, bem ruim.

As coisas vão acontecendo numa rapidez que você até se perde, e as coisas não se explicam. Em determinado momento, Joy aparece com as mãos cortadas e não entendemos o motivo. A partir daí, ficamos grande parte do filme sem entender o motivo pelas quais as coisas vão acontecendo. Muito depois, quase no final do filme já, é explicado o por que das mãos cortadas, mas aí já faz tanto tempo, meu amigo, que não faz nem mais sentido explicar. Aquela cadeia de situações já saiu há muito tempo da cabeça das pessoas. E tudo vai acontecendo assim, do nada, sem explicação, como se Joy fosse tendo vários momentos eureka e, cara, a vida não é assim. Ok, ela é uma mulher criativa, mas não é assim que acontece, sabe? Não do jeito mostrado no filme. Aliás, mostrado com cortes horríveis! Marido, que percebe mais essas coisas que eu, disse que, em certo momento, Robert DeNiro (que imagino que só tenha feito esse filme porque é amigo do diretor, não é possível) sai de um cômodo falando, e quando cortam e mostram ele, ele não está falando, e é como se ele não tivesse falado em momento nenhum. Enfim, bem ruim.

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Enfim, achei um filme tão ruim, tão fraco, que não tem nem muito o que falar aqui. A própria indicação da Jennifer acredito que tenha sido só porque ela é a personagem central do filme, o filme é todo em torno dela, só por isso.  Mas se você assistiu e gostou, me diga os motivos, por favor.

 

E não se esqueça do Oscar hoje! Na TNT, que é geralmente onde assisto, a transmissão começa às 20:30, com a chegada dos atores no tapete vermelho. Mas a premiação em si começa às 22h. Bora torcer (mas não pra Joy, porque pelo amor).

Ah! E eu devo comentar a premiação pelo Snapchat de vez em quando, se quiserem dar uma olhadinha, é só me seguir!

Beijos e bom Oscar pra vocês!

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O menino e o mundo e a vez dos oprimidos

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Indicações: Melhor Animação.

Sinopse: Um garoto mora com o pai e a mãe, em uma pequena casa no campo. Diante da falta de trabalho, no entanto, o pai abandona o lar e parte para a cidade grande. Triste e desnorteado, o menino faz as malas, pega o trem e vai descobrir o novo mundo em que seu pai mora. Para a sua surpresa, a criança encontra uma sociedade marcada pela pobreza, exploração de trabalhadores e falta de perspectivas. (sinopse do site AdoroCinema)

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É quase certo que Divertida mente vai ganhar o prêmio de melhor animação do Oscar, o que é muito triste por dois motivos: 1) o filme (Divertida mente) é chato, previsível e muito infantil demais; 2) O menino e o mundo deveria ser o grande ganhador dessa categoria porque é um filme sensacional – apesar de eu não ter assistido aos outros indicados.

Fui ver O menino e o mundo sabendo que ele seria especial – críticas e as poucas pessoas que conheço que já tinham visto disseram que é um filme muito, muito bom. Mas eu não esperava que seria tão especial quanto foi. Pra vocês terem noção, depois que acabei de assisti-lo, fiquei uns bons muitos minutos sem conseguir me mexer – juro! -, de tanto que o filme toca a gente, de tanto que ele mexe com vários sentimentos e questões que temos. Pela sinopse acima, dá pra perceber que é um filme de denúncia. Denúncia da nossa sociedade que só enxerga uma parcela da população – e uma parcela do país, pois sabemos que quase todo mundo acha que o Brasil é somente o sudeste do país, fazendo todas as outras áreas, tão importantes quanto, ficarem esquecidas. É um filme que conta uma história que nós achamos que só acontecia há muito tempo atrás, mas que não, continua acontecendo. E isso nos obriga a olhar pras nossas próprias vidas, e ver o quanto somos abençoados e privilegiados por ter a vida que temos, apesar das dificuldades, e perceber que, na verdade, as nossas dificuldades e o nossos problemas são minúsculos se comparados aos problemas e dificuldades de grande parte da população brasileira. E isso mexe, e isso toca, e isso dói, e isso angustia, e por isso o filme é tão importante. Pra gente perceber que não dá pra ficar parado, que a gente tem que fazer algo pela gente e pelos outros também. Que a gente tem que lutar por um governo que enxergue a todos, e não só por uma parcela da população. Que a gente tem que fazer mais, muito mais. Sério, se você não se sentir mexido por esse filme, você não tem coração.

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Agora aos aspectos técnicos do filme: são impressionantes! O filme não tem falas, não falas que a gente consiga entender, pelo menos. As falas foram todas gravadas por atores, mas foram invertidas para soar como uma língua inventada. Exatamente pra gente não entender o que fala. E, ainda assim, mesmo sem entender as palavras, nós sabemos exatamente o que cada personagem quer dizer e como estão se sentindo. Mesmo sendo desenhos simples – eles não usaram 3D, foi tudo feito com canetinha, giz de cera e colagens-, com quase nenhum traço nos rostos. Ainda assim, é claro o sentimento. E é de uma sensibilidade o filme! E de uma beleza! Os desenhos todos, as músicas, os sons! Aliás, os sons foram feitos, em sua maioria, pelo grupo musical Barbatuques (que eu amo!) e do Grupo Experimental de Música, o GEM; Foram sons todos criados especialmente para o filme, pra representar como uma criança interpreta cada som que está na sua vida – só os sons de chuva e trovão não foram criados dessa forma. E todo esse preciosismo e detalhes que esse filme exibe o transformam num filme espetacular. Nenhum filme de animação me tocou tanto quanto esse, nenhum foi tão forte e encantador quanto O menino e o mundo.

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Os grupos Barbatuques (esq.) e GEM (dir.).

É um filme tão especial e único que não tem nem muito como explica-lo. O melhor é assisti-lo. Mas pra explicar um pouquinho melhor pra vocês, deixo um pequeno vídeo do making of, pra verem como foi incrível o processo de produção dele – ou uma partezinha mínima dele.

Deixo também uma entrevista com o diretor do filme, Alê Abreu, onde fala um pouco sobre o filme e sobre a indicação ao Oscar. Aliás, sabia que o filme ganhou o prêmio Annie Awards, na categoria melhor animação independente, no dia 06 de fevereiro desse ano, lá nos Estados Unidos? Vamos torcer pra seguir esse caminho e ganhar também o prêmio nesse domingo (sim, o Oscar já é nesse próximo domingo, dia 28!), pra que mais pessoas se interessem em assistir esse filme tão maravilhoso.

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Discutindo A garota dinamarquesa

Começarei esse post com a sinopse do filme, como forma de contextualização: O drama biográfico apresenta ao público a história de Lili Elbe – primeira mulher transgênero a se submeter a uma cirurgia de redesignação de sexo. Ao lado de Alicia Vikander – no papel da mulher de Lili, Gerda Wegener -, Eddie Redmayne dá vida à artista e traz para os cinemas os dramas pessoais, a vida profissional e a jornada de Lili até ser considerada pioneira transgênero. (sinopse retirada do site Cinepop)

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Pintura original de Gerda, que retrata a própria pintora e Lili Elbe.

Agora, ao post.

Li outro dia que algumas salas de cinema do Brasil estão se recusando a passar A garota dinamarquesa e percebi, mais ainda do que quando assisti ao filme, o quanto ele é importante. Se em pleno 2016 um filme lindo como esse sofre boicote somente porque conta a vida de uma pessoa transexual, então ele é, mais do que nunca, necessário. Aliás, esse preconceito não é visto somente no Brasil, em outros países o filme também encontrou dificuldade para ser exibido, sendo até proibido em alguns. Proibido! E acredito que por conta dessa polêmica e por causa do tema, A garota dinamarquesa não foi indicado em mais categorias, inclusive a de melhor filme, porque ele é melhor, não só pelo roteiro, mas pela direção, fotografia, e vários aspectos técnicos, do que a maioria dos filmes indicados – pra não dizer que é melhor que todos, que é a minha opinião. (a lista das categorias pelas quais o filme foi indicado está no final desse post)

Acho revoltante o modo como a Academia acha mais fácil esnobar um filme porque trata de um assunto polêmico (que não deveria ser polêmico, mas ok) do que fazer justiça à maestria que é esse filme. Começando pela fotografia (que agora é chamada de cinematografia pela Oscars Academy), feita por Danny Cohen (mesmo diretor de fotografia de O quarto e Jack, inclusive) que achei, de longe, a mais injustiçada. O que é a fotografia desse filme? Uma das melhores que já vi em muitos anos. Cada cena que aparece é um quadro. Um quadro! Como os personagens principais são pintores (acredito – tenho quase certeza – que é por isso), a maioria das cenas, seja de paisagem, seja de um grupo de pessoas em uma festa, se parece um quadro pintado. É um quadro pintado na tela do cinema! As cores, as texturas, tudo faz parecer um quadro, uma pintura. E isso é incrível! Fiquei tão abismada com esse fato que fiquei repetindo durante o filme inteiro, pra irritação do marido, que “meu Deus, parece um quadro!”. Como um detalhe incrível desse, e que foi tão bem feito, visto que é impossível não perceber a intenção, e você se sente transportado para dentro de uma pintura de verdade, não recebeu uma indicação ao Oscar de melhor cinematografia? Como?

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Percebam o que falei, gente. É um quadro! Uma pintura! E percebam também a Pixie, a cachorrinha no colo de Eddie Redmayne. Mas sobre ela falarei mais pra frente.

Assim como a roteirista Lucinda Coxon, que conseguiu transformar o livro de David Ebershoff em um filme lindíssimo, com um roteiro cheio de sutilezas. Tinha que ter sido indicada a melhor roteiro adaptado! E o diretor, Tom Hooper (que dirigiu os incríveis O discurso do rei e Os miseráveis), que fez um filme tão bonito e sensível, e conseguiu tirar de Alicia Vikander e Eddie Redmayne atuações no auge da excelência. Como um diretor desses não é indicado ao Oscar? Continuarei pra sempre sem entender, e principalmente sem entender o motivo de um grupo de pessoas que deveria estar preocupado com a qualidade de um filme se deixar influenciar por quanto um filme choca as pessoas.

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Sim, essa é uma captura do filme. De uma beleza ímpar! E essa é Alicia Vikander.

Bem, mas não é só de controvérsias e injustiças que esse filme é feito e tivemos indicações justíssimas para Alicia Vikander e Eddie Redmayne, os atores que interpretam de forma magistral os protagonistas do filme – inclusive, os dois são tão protagonistas que algumas pessoas até reclamaram por Alicia ser indicada somente como atriz coadjuvante, e não melhor atriz. Mas não há como negar que o tema central do filme é Lili/Einar, então vejo problema nessa questão. Até porque Alicia, sem sombra de dúvidas, vai ganhar. Não tem como não ganhar. Ela tem vencido todas as premiações até agora com esse filme, e o Oscar não será diferente. Isso porque, como eu já disse antes, ela está fenomenal. Gerda não é uma personagem fácil de ser interpretada. É forte, determinada, tem espírito livre e um jeito de ser que não era comumente visto nas mulheres da época (comecinho do século XX) – mas, sendo Gerda uma artista, e tendo os artistas, geralmente, cabeças e almas mais abertas, é possível entender o motivo de ser a mulher sensacional que era.

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A Gerda verdadeira.

É uma personagem cheia de camadas e nuances, e Alicia consegue interpretar todas, nos fazendo entender o motivo de cada decisão e ação – e nos fazendo sentir junto com ela. É uma atuação emocionante, mas o filme todo é assim. Só que é uma personagem tão boa, tão forte, tão sensível, que não é qualquer atriz que conseguiria dar vida a ela. E Alicia consegue, de forma incrível. E é mais incrível ainda pensar que aquela personagem existiu de verdade. Obviamente, ela não era, na vida real, exatamente igual à personagem do filme, mas por saber que deu força ao então marido e foi crucial na aceitação e transformação na vida dele, só por isso ela já é especial.

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Alicia como Gerda.

E então chegamos a Eddie Redmayne, intérprete de Einar/Lili. E olha, o Oscar que ele ganhou ano passado não é nada em comparação a sua atuação em A garota dinamarquesa. Aliás, a escolha de Eddie para interpretar uma transexual foi outro aspecto que causou rebuliço, porque muitos diziam que uma mulher trans deveria ter sido escalada. Porém, acho que a escolha do ator coube muito bem porque sua vida é mostrada desde antes de ele sequer pensar em fazer qualquer cirurgia, e Eddie conseguiu demonstrar muito bem toda a transformação ocorrida em seu corpo e em seu modo de agir – e até de se movimentar. Ele faz uma atuação minuciosa, impecável, delicada e sensível. E, claro, emocionante, palavra que se repete inúmeras ao falar desse filme.

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Eddie está frágil, forte, corajoso, verdadeiro, todas características de Lili que Eddie demonstra com perfeição. É um papel de total entrega, e foi o que o ator fez, se entregou totalmente. Podemos notar a urgência de Einar para ser Lili, sentimos seu desespero, e também sua felicidade quando consegue ser quem realmente sempre se sentiu ser: Lili. É lindo demais. É tocante. E cada detalhe da atuação de Eddie nos leva a sentir tudo que Lili está sentindo. É tão incrível que eu tenho até dificuldade em explicar – o que sempre acontece com coisas que gosto muito. E nossa, como eu gostei desse filme. Da parte técnica, da delicadeza com que o relacionamento de Lili e Gerda é tratado, do respeito que mostra para com pessoas que passam situações como as que Lili passa. É de uma beleza absoluta esse filme, é indescritível, é preciso assistir.

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Lili e Gerda.

Esse filme me tocou tanto, mas tanto, que, além de fazer esse post imenso sobre ele, eu estou até hoje, mais de duas semanas depois de assisti-lo, pensando sobre ele. Em como as pessoas tem dificuldade em sentir empatia pelos outros, principalmente quando é algo que não entendem ou não aconteceu com eles. E também pensando em como há tanta ignorância, ainda, em relação ao tema. Pensando em como Lili e Greta foram corajosas, em como deve ter sido sofrido para Lili, física e emocionalmente. E em como ainda é sofrido para tantas pessoas que nascem em corpos que não sentem serem seus, que sentem serem errados (eu só me acho feia e já é uma sofrência só), e ainda ter que aguentar o preconceito de pessoas que não conseguem entender e respeitar.

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Einar e Lili.

Como eu disse antes, é um tema muito importante de ser abordado. É preciso ser conversado com naturalidade, para o preconceito e a ignorância terem um fim. Por isso esse post imenso. Por isso as palavras emocionadas. Porque precisamos falar mais sobre isso. A garota dinamarquesa precisa ser vista, todas elas, todos eles.

Indicações: Melhor ator (Eddie Redmayne), Melhor atriz coadjuvante (Alicia Vikander), Melhor figurino (Paco Delgado), Melhor design de produção (Eve Stewart, Michael Standish).

Ah! Como eu havia prometido no início, vou falar agora da cadelinha da foto, que no filme acho que é macho, e é do casal protagonista do filme. Gente, que coisa mais linda que ela é! Ela é super boa atriz! Tem uma hora que estão todos tristes na cena – e ela também está! Gente, morri! Até marido, que gosta de animais, mas não é maluco por eles como eu, comentou sobre ela enquanto assistíamos. Pesquisando sobre ela (achei um vídeo que é uma fofura!), descobri que seu nome é Pixie, tem três anos e é a coisa mais linda do mundo! Ah não, isso a gente já sabia, né?

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Pixie. Olha essa carinha! Não dá vontade de apertar?

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Creed

Adivinha quem voltou? Acertou! Filme do Oscar! Parece que vocês gostaram do post de ontem (e eu também amei fazê-lo), obrigada pelos comentários! E terão mais aqui desse estilo (fotos mais a cidade que mais amo no mundo, como não repetir essa dupla perfeita?) Mas, por enquanto, vamos de Creed pra vocês poderem conhecer mais um filme indicado ao Oscar – isso se já não assistiram, claro! (e, se assistiram, me digam o que acharam!)

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Creed

Indicações: Melhor ator coadjuvante (Sylvester Stalone).

Sinopse: Adonis Johnson nunca conheceu o pai, Apollo Creed, que faleceu antes de seu nascimento. Ainda assim, a luta está em seu sangue e ele decide entrar no mundo das competições profissionais de boxe. Após muito insistir, Adonis consegue convencer Rocky Balboa a ser seu treinador e, enquanto um luta pela glória, o outro luta pela vida.  (sinopse por AdoroCinema)

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Preciso dizer que esperava muito menos de Creed. Não é um filme fantástico, mas é um filme bom. Eu gostei, e eu nem me lembro dos anteriores do Rocky – aliás, só vi o primeiro, mas não me lembrava de nada, tive que fazer uma retrospectiva com marido. Acredito que as pessoas que tenham os filmes anteriores mais frescos na memória ou os fãs de toda a saga Rocky se emocionem mais, principalmente em uma cena mais pro final – que não vou contar porque seria um mega spoiler. Mas é um filme legal e distrai – e a história não é imbecil, apesar de totalmente previsível. Eu sabia tudo que ia acontecer nas próximas cenas antes mesmo de acontecerem. Como quando Adonis (adorei o nome) se incomodou com a música alta do vizinho de baixo e foi reclamar e antes mesmo do tal vizinho abrir a porta eu já sabia que seria uma mulher e que seria seu par romântico. Aliás, totalmente desnecessário esse romance. Mas parece que quiseram seguir super à risca a fórmula dos filmes dos anos 80 e 90, onde SEMPRE tinha que ter um romancezinho, não importa o estilo. Não que não façam isso hoje em dia, mas pelo menos já perceberam que não é preciso colocar um romance besta e todo e qualquer filme.

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Adonis e Bianca.

Algumas questões sobre essa personagem, a Bianca (par do Adonis), são desnecessárias também, até porque não foram aprofundadas e nem resolvidas, e não tem significância nenhuma no enredo da história (só serviu pra juntar o casal mesmo, o que, pra mim, não é motivo suficiente pra existir). E o papel da mãe, que é uma das personagens mais legais, foi muito pouco desenvolvido e mostrado, e senti falta de mais cenas com ela. Pelo menos, o desfecho dela foi bom.

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A mãe maravilhosa!

Falando de Adonis, ele é um gato atua bem. Não é um mega ator, mas faz seu papel direitinho. Assim como Sylvester Stallone, que não sei por que foi indicado ao prêmio de melhor ator coadjuvante. Talvez marido esteja certo e esse prêmio seja por causa do conjunto de sua obra (que não é nada demais, ao meu ver, mas enfim), e não por esse papel específico, porque sabemos que a Academia faz isso de vez em quando. Mas admito que senti um carinho pelo personagem durante o filme, algo que nunca pensei que fosse acontecer em relação a Sylvester Stallone. Mas deve ser porque ele tá parecendo um vovozinho, e eu tenho muita simpatia por pessoas idosas.

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Vovô Stallone.

Gostei de algumas tomadas, como quando Adonis anda em direção ao ringue e a cena é toda filmada por trás, pegando as costas de Creed durante todo o percurso. Gostei bastante das cores do filme também, que me remetia, muitas vezes, a um filme antigo do Rocky, daquela época. Mas o filme não foi indicado a nenhuma outra categoria além de melhor ator coadjuvante, e esse espero que não leve.

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Mas, no final das contas, achei um filme divertido de ver (menos as cenas das lutas, que eu não conseguia olhar pra tela, exatamente como acontece quando assisto as lutas de MMA), e até me emocionou em algumas partes. Mais um filme que vou com zero expectativas e me surpreende. Muito melhor do que se acontecesse o contrário.

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Trumbo

Indicações: Melhor ator (Bryan Cranston).

Sinopse: O roteirista Dalton Trumbo tem uma história singular em Hollywood: apesar de ter escrito algumas das histórias de maior sucesso da época, como A Princesa e o Plebeu, ele se recusou a cooperar com o Comitê de Atividades Antiamericanas do congresso e acabou preso e proibido de trabalhar. Mesmo quando saiu da prisão, Trumbo demorou anos para vencer o boicote do governo, sofrendo com uma série de problemas envolvendo familiares e amigos próximos. (sinopse do filme Adorocinema)

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Trumbo é aquele filme que a gente sabe exatamente porque não foi indicado para mais categorias além de melhor ator: ele é uma denúncia e crítica ao próprio sistema de Hollywood. Não somos bobos de achar que arte e política não se misturam (apesar de os artistas tentarem ao máximo que isso não aconteça), ainda mais numa indústria endinheirada como Hollywood. Grande parte dos produtores, executivo e tal pensam mais nos lucros do filme do que na qualidade dele, e pra isso às vezes precisam ter dedinhos na política. Sem contar que pessoas que só pensam em dinheiro geralmente apoiam um lado da política que o outro lado dos artistas não apoiam. Pois bem, para muitos da época, o roteirista Dalton Trumbo tinha os dedinhos do lado errado da política: ele era comunista. E não escondia de ninguém. E por isso, ele e mais outros roteiristas, também comunistas, foram colocados na lista negra de Hollywood. E simplesmente por ser comunista, Trumbo foi preso. E simplesmente por serem comunistas, os dez da lista negra de Hollywood não conseguiam mais trabalho, mesmo a qualidade de seus trabalhos sendo reconhecida. Totalmente screwed up? Pois é.

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The Hollywood ten.

O filme conta sobre a vida de Trumbo, profissional e pessoal, e falando também dos outros roteiristas. Na verdade, mostra como esse boicote a eles afetou suas vidas. Aliás, falando em vida pessoal, Diane Lane foi totalmente injustiçada ao não ser indicada ao prêmio de melhor atriz coadjuvante porque ela está muito boa no papel da esposa de Trumbo, Cleo: forte, determinada, dedicada e alicerce de sua família. Diane Lane atua muito melhor que Rooney Mara, por exemplo, indicada ao prêmio por Carol, e seu papel é mais importante e significativo do que o de Rachel McAdams (outra indicada) em Spotlight. Também senti falta da indicação para melhor roteiro adaptado (o filme é adaptação da biografia do roteirista, escrita por Bruce Cook), mas essa ausência nós sabemos o motivo: o tema político denunciando a indústria de Hollywood, caso que, aliás, eu nem sabia haver acontecido (pra ver o quanto eles escondem de sua história pra não denegrir sua imagem).

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Bryan Cranston e Diane Lane.

Bryan Cranston está merecidamente no páreo para o prêmio de melhor ator, porque sua performance como o personagem principal desse filme está de arrasar. Desde Breaking Bad já sabemos o quanto ele pode ser bom, e no filme não é diferente. É claro que ele tenta ao máximo parecer o roteirista, pelo jeito de se movimentar, por seus gestos, pelo modo de falar e até na postura. Mas, além disso, sua performance é emocionante mesmo.

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Dalton Trumbo (esq.) e Bryan Cranston interpretando-o (dir.).

Ah! Preciso destacar minha surpresa ao ver Elle Fanning, a irmã mais nova da (diva) Dakota Fanning, all grown up! Tô tendo vários sustos em relação a idade das atrizes nesse Oscar. Isso quer dizer que tô ficando velha? (por favor, não responda) E pra mim também foi muito estranho ter raiva da Helen Mirren porque, for God’s sake, é a Helen *diva* Mirren! Mas a personagem dela… Odiosa!

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Elle Fanning (esq.) e Helen Mirren (dir.).

Enfim, é um filme muito bom, com uma história ótima que se desenrola de maneira a querer saber logo o que acontecerá em seguida (e olha, não é previsível). Um filme pra se discutir e pensar sobre o papel da arte e sobre a influência que a política deve ou não ter sobre ela. E se as crenças políticas de um artista deve ou não influenciar na escolha dele para um trabalho (para mim, a resposta é não). Amei o filme, e amei mais ainda por ser sobre um roteirista que além de eu me identificar pela profissão, me identifico mais ainda por ser considerado meio que rebelde.

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Steve Jobs

Indicações: Melhor ator (Michael Fassbender) e Melhor atriz coadjuvante (Kate Winslet).

Sinopse: Três momentos importantes da vida do inventor, empresário e magnata Steve Jobs: os bastidores do lançamento do computador Macintosh, em 1984; da empresa NeXT, doze anos depois e do iPod, no ano de 2001.  (Sinopse retirada do site Adorocinema)

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Achei o filme Steve Jobs uma coisa: cansativo. Achei chato, achei repetitivo. Não gostei da escolha das cenas e toda ação se passar sempre pré-palestras do Steve. Não gostei de sempre antes dessas palestras importantes alguém aparecer para limpar roupa suja com Steve – fato que foi até brincado no filme, talvez porque perceberam o quão inverossímil isso é. Não gostei, não gostei, simples assim. Não achei que Fassbender, apesar de sempre ótimo (em todos os outros filmes que já vi dele), convenceu como Jobs. Simplesmente não consegui engolir. Talvez por ser uma personagem a qual todos nós estamos acostumados, que sabemos como é fisicamente, o fato do ator não estar nada parecido com ele me “soou” estranho durante todo o filme, eu conseguia perceber que era um filme, e não é legal quando a gente não consegue entrar no filme a ponto de saber que tudo aquilo é uma interpretação, é falso, não é real. Porque pra mim o principal feito de um filme é te convencer que aquilo que você está vendo é real, apesar de saber que não é, e te convencer a tal ponto que você se envolve emocionalmente. E pra mim houve envolvimento zero.

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Michael Fassbender como Steve Jobs e Seth Rogen como Steve Wozniak.

Mas não posso dizer que tudo foi ruim no filme. Houve alguns pontos positivos, e um deles foi Kate Winslet. E ah, como eu adoro essa mulher! Como ela é boa atriz! Ela conseguiu me envolver, ela conseguiu me convencer que a vida dela era cuidar daquele homem que não era Steve Jobs, mas Michael Fassbender, mas ainda assim fazia aquilo bem. Ela é incrível e merece cada pedacinho de sua indicação (porém, não tem como ganhar de Alicia Vikander porque Alicia Vikander está incrível demais em A garota dinamarquesa, um dos melhores filmes, se não o melhor, que está concorrendo a algum prêmio nesse Oscar maluco desse ano – mas isso é outra história e já tá na hora de fechar parênteses).

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Personagem de Kate Winslet arrasando no corte não-linear décadas antes de virar moda.

Gostei também da história do Fassbender, que dizer, Steve Jobs com a filha, Lisa (aliás, coitada dessa garota, com uma mãe maluca e um pai narcisista), mas acho que se eles queriam focar nisso, tinham que ter focado nisso e pronto. Porque, pra mim, pareceu que era a parte mais importante da história, mas ficou tão no meio de todo o resto que não foi trabalhado e aprofundado o tanto quanto deveria ter sido. Teria sido um filme muito mais interessante se eles tivessem focado em pelo um aspecto da vida do Jobs, e não feito uma salada de fruta que ficou confusa e cansativa como eles fizeram. Ainda não vi o filme com Ashton Kutcher, mas por mais mal que tenham falado, acho que vou gostar bem mais do que desse.

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Jobs e a filha, Lisa.

E como de praxe, aqui vai o trailer do filme.

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Lá no meu canal do Youtube falei sobre quem eu quero que ganhe as categorias do Oscar. Dá uma olhadinha lá! E aproveita e segue o canal, pra você receber notificação dos vídeos, porque nem sempre coloco eles aqui. 😉

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O regresso

O regresso (The revenant)

Indicações: Melhor filme, Melhor ator (Leonardo DiCaprio), Melhor ator coadjuvante (Tom Hardy), Melhor direção (Alejandro Iñarritu), Melhor cinematografia (Emmanuel Lubezki), Melhor edição (Stephen Mirrione), Melhor figurino (Jacqueline West), Melhor cabelo e maquiagem (Sian Grigg, Duncan Jarman, Robert A. Pandini), Melhor edição de som (Martín Hernandéz, Lon Bender), Melhor mixagem de som (Jon Taylor, Frank. A. Montaño, Randy Thom, Chris Duesterdiek), Melhor design de produção (Jack Fish, Hamish Purdy) e Melhor efeitos visuais (Richard McBride, Matt Shumway, Jason Smith, Cameron Waldbauer).

Sinopse: Hugh Glass parte para o oeste americano disposto a ganhar dinheiro caçando. Atacado por um urso, fica seriamente ferido e é abandonado à própria sorte pelo parceiro John Fitzgerald. Entretanto, mesmo com toda adversidade, Glass consegue sobreviver e inicia uma árdua jornada em busca de vingança. (Sinopse do site Adorocinema)

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Se tem uma coisa que posso dizer sobre O regresso é: foi ótimo ter ido assistir sem expectativa nenhuma. Mais: foi ótimo assistir o filme achando que ele seria um saco. Por quê? Porque fui surpreendida por ele e acabei gostando. Ok, não é o meu preferido, nem de longe, mas é um filme com todas as caraterísticas de um indicado a melhor filme – e indicado com razão.

Primeiro, vamos dizer que se Leonardo DiCaprio não ganhar essa estatueta, a Academia claramente tem algo contra ele. Já achei absurdo ele não receber o prêmio por Lobo de WallStreet, onde ele fez uma atuação arrasadora, mas se com esse filme, onde seu personagem tem tudo que a Academia ama ao conceder o prêmio de melhor ator/atriz (esforço físico, mudança de aparência, sotaque, superação), ele não ganhar, acho que ele pode desistir e pensar que é pessoal. Ele está incrível, como sempre é (mas ainda acho que estava melhor em Lobo de WallStreet), porém uma coisa me chamou muito a atenção: seu jeito de falar. Leo (para os íntimos, e sou fã dele desde os 14 anos, então posso me considerar íntima) tem uma maneira muito peculiar de pronunciar as palavras que está presente em sua vida e em todos os seus papéis – menos nesse. E só por isso, por mudar tanto seu jeito de falar, já acho um mega desafio. E por todo o resto também, pela expressão de seu corpo, pelo seu olhar passar o que sente sem precisar falar nada, e também por todo o esforço físico que fez, por que não? Afinal, isso também conta (porém, não é SO isso). E é esforço físico sem afetar sua performance, ele não deixa de atuar bem porque tá se esforçando mais ( que acontece em muitos filmes de ação,  não é mesmo?).

THE REVENANT
Tom Hardy.

Outro que está incrivelmente incrível é o Tom Hardy, que também está totalmente irreconhecível. E eu, que tinha um preconceito contra ele não sei por que, perdi todo, porque ele está tão bom que até fiquei em dúvida se quem deve ganhar o prêmio de melhor ator coadjuvante é ele ou Mark Rylance, sendo que até então eu tinha certeza absoluta de que Mark Rylance deveria ganhar. Mas Tom Hardy está tão bem como Fitzpatrick, fazendo-nos sentir uma raiva tremenda de seu personagem, que a dúvida pairou. E falando em atores, é mais um filme com o ruivo favorito de todos no momento, Domhnall Gleeson. Yay!

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Domhnall Gleeson.

O diretor, não tenho muito o que falar. É meu diretor favorito! Apesar de que eu não acho que daria o prêmio para ele, e sim para Lenny Abrahamson (diretor de Room), mas, como sempre, ele faz um filme de diretor completamente. Filme de diretor, para quem não sabe, é um filme onde podemos encontrar características claras de um diretor e podemos enxergar o dedo do diretor durante todo o filme, ou seja, ele pensou em cada detalhe do filme (é mais ou menos isso). E Alejandro se dedicou bastante ao filme, pensando em cada detalhe e se esforçando ao máximo para fazer um filme de arte, mesmo sendo um filme com muita ação (a cena da luta de DiCaprio e a ursa, nossa, é de prender a respiração – e tapar os olhos, no meu caso). Marido me disse que eles filmaram o quanto puderam do filme em luz natural, o que só aumenta o tempo de filmagem, o que nesses dias de tempo é dinheiro, quem é que quer fazer? Então um diretor que se preocupa com a qualidade da imagem desse jeito é realmente muito especial. E imagina você ficar no meio daquele frio todo gravando o máximo que você conseguir com luz natural e tal? Isso que é dedicação!

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O diretor Alejandro Iñarritu com DiCaprio.

Os efeitos especiais tem nem o que dizer! Aquela ursa, gente! A ursa parece de verdade! Fico impressionada em como os efeitos especiais estão avançados hoje em dia, e vendo filmes como esse e como As aventuras de Pi, que tinha aquele tigre que era todo feito de computação gráfica, assim como essa ursa, só me deixam totalmente embasbacada com a evolução da tecnologia. Incrível! E falando em ursa, pra quem acha que tem um bando de bichinho morrendo e por isso estava temeroso de assistir o filme (como aconteceu comigo), pode ficar tranquilo que nem tem muita morte de animais, não (só tem uma cena um pouco chocante com um cavalo que não falarei mais sobre para não dar spoilers).

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A ursa, totalmente feita por computadores.

O filme traz a tona várias questões interessantes: como era difícil a vida antigamente (não sei em exato quando o filme se passa), se vingança realmente vale a pena (apesar de, no filme, eu não achar que o tema em si é realmente vingança, acho que vai muito além disso), na falta de respeito com a cultura do outro (no caso, o outro sendo o índio), na relação sociedade em que nasceu/família que você criou, na confiança entre amigos e colegas de trabalho, entre tantas outras (até porque essas citadas foram questões bastante simplificadas). E o fato de suscitar tantos questionamentos é um ponto muito positivo do filme porque, pra mim, produto cultural que se preze faz exatamente isso, ele te faz pensar.

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Leonardo DiCpario ganhando seus machucados feitos pela ursa. Maquiagem incrível!

Ah! Quase ia esquecendo! O trailer do filme!

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Perdido em Marte

Perdido em Marte (The martian)

Indicações: Melhor filme, Melhor ator (Matt Damon), Melhor roteiro adaptado (Drew Goddard), Melhor edição de som (Oliver Tarney), Melhor mixagem de som (Paul Massey, Mark Taylor, Mac Ruth), Melhor design de produção (Arthur Max, Celia Bobak), Melhor efeitos visuais (Richard Stammers, Anders Langlands, Chris Lawrence, Steven Warner).

Sinopse: O astronauta Mark Watney é enviado a uma missão em Marte. Após uma severa tempestade ele é dado como morto, abandonado pelos colegas e acorda sozinho no misterioso planeta com escassos suprimentos, sem saber como reencontrar os companheiros ou retornar à Terra. (sinopse do site AdoroCinema)

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Taí um filme que eu pensei: não vou gostar. Aí ouvi amigos falando sobre ele e pensei: ah, vai que eu gosto, pode até ser. Aí eu vi e pensei: é, eu estava certa desde o começo. Eu tenho me interessado mais pelo espaço e tal, coisa que eu nunca havia gostado, mas desde Doctor Who tenho dado mais chances, visto que amo o seriado e amei também a série de livros O guia do mochileiro das galáxias. Mas Perdido em Marte realmente não é pra mim. Achei o filme um saco. Eu estava com esperança de, pelo menos, dar umas risadas, afinal, meus amigos falaram que era engraçado, tinhas umas tiradas ótimas. Eu não abri nem mesmo um sorriso durante as excruciantes duas horas e vinte e quatro minutos de filme. Pra não dizer que não teve nenhum momento bom, eu gostei do final. Achei emocionantezinho (percebam o “zinho”) e até me tocou um pouquinho (novamente, percebam o “inho”). Mas, além disso, a única coisa impressionante do filme são os efeitos especiais (que são REALMENTE impressionantes).

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Pode-se perceber por que Matt Damon foi indicado ao prêmio de melhor filme, porém. Ele emagreceu, ele fica a maior parte do tempo sozinho, ou seja, contracenou sozinho, o que é bem difícil, porque não há ninguém para quem se reagir, ele faz um personagem que, apesar de não real, é um “herói” americano, e todos sabemos que americanos adoram heróis americanos e adoram exaltar que americanos são foda (vide o chatérrimo Sniper americano, sobre um cara que é herói porque matou milhões de pessoas, uhu, que super legal – só que não). Porém, não consigo entender como foi indicado a melhor filme, porque não tem as características necessárias para um filme dessa categoria. Ele não tem nada demais, nem mesmo o modo de filmar, nem a história. A única coisa interessante, como eu disse, são os efeitos especiais, e não acho que são motivo suficiente para uma indicação de melhor filme, porque nem inovador é nesse quesito (temos visto bastante filmes com efeitos especiais muito bons). Só consigo imaginar que foi indicado a melhor filme pelo mesmo motivo que dei acima do herói americano. Só pode ser.

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Pra resumir, é um filme blé com uma história até interessante, mas que não empolga e nem emociona. Mas, ainda assim, quero ler o livro. Deve ser mais interessante do que o filme e quero saber se realmente é bom como falam.

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A equipe de Matt Damon no espaço.

Ah! Todo mundo já deve ter visto o trailer, já que é um filme que estreou por aqui no ano passado, mas como é de praxe, segue o trailer para vocês, caso ainda não tenham assistido e queiram saber um pouquinho mais sobre esse (mediano) filme.

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Brooklyn

Hey peeps!

Ok, eu disse que voltaria aqui no meio carnaval para falar mais sobre os filmes indicados ao Oscar, mas cuidar de uma gatinha de 4 meses é mais trabalhoso do que eu imaginava – ainda mais uma gata pestinha (e linda!) como a Judith, gata da minha amiga. Mas foi maravilhoso mesmo assim (e como não seria? ela é uma gata e não tem como ser ruim ficar perto de um gato) e hoje estou de volta para falar de mais um filme indicado ao prêmio de melhor filme, Brooklyn.

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Indicações: Melhor filme, Melhor atriz (Saoirse Ronan), Melhor roteiro adaptado (Nick Hornby).

Sinopse: A jovem irlandesa Ellis Lacey se muda de sua terra natal e vai morar em Brooklyn em busca de uma vida melhor. No início de sua jornada nos Estados Unidos, ela sente falta de sua casa, mas ela vai tentando se ajustar aos poucos até que conhece e se apaixona por Tony. Logo, ela se encontra dividida entre dois países, entre o amor e o dever. (sinopse bem ruinzinha – e olha que dei uma melhorada -, mas foi a que encontrei no AdoroCinema)

Primeira coisa que preciso falar sobre esse filme: o figurino é impecável. Não sei como não está concorrendo ao prêmio de melhor figurino, sério, porque as roupas são super bem feitas e lindas – e olha que eu sou o tipo de pessoa que geralmente não repara nessas coisas. Mas sendo filme “de época” e sabendo que a produção teria que recriar toda uma paramentação, de roupas a acessórios e objetos da época, eu presto atenção para ver se foi bem feito. E em Brooklyn, meu deus, como foi bem feito! Só olhar as roupas lindas e que parecem que foram tiradas diretamente de um guarda-roupa da década de 50 (mais um filme que se passa na década de 50! Hollywood está fixada nessa década esse ano) nas fotos abaixo para ter certeza disso. Então começo afirmando: tremenda injustiça não estar concorrendo ao Oscar de melhor figurino E design de produção. Dito isso, ou seja, indignação colocada para fora, vamos continuar.

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Alguns dos figurinos lindos que estão no filme.

Já tendo assistido todos os filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme (só não vi Mad Max e nem verei), posso dizer que Brooklyn foi meu terceiro filme favorito (com Room em primeiro lugar e Spotlight em segundo). Gostei da história, gostei de forma como foi contada (sem muita “melosidade”), gostei das atuações, gostei da direção, gostei da fotografia, ou seja, gostei de tudo. Sobre a história, assim como muitos dos filmes que estão na premiação e são baseados em livros, fiquei com vontade de ler o original (ou seja, o livro de Colm Toibín), mas admito que somente para perceber as modificações feitas por Nick Hornby. Aliás, acabei de descobrir, pesquisando para escrever o post, que o roteiro é de Nick Hornby, que é somente um dos meus autores literários favoritos (e que já vem há um tempinho se arriscando na faceta de roteirista). Como achei um filme de história completa, com início, meio e fim e sem parecer ter buracos, não fiquei compelida de conhecer mais da história ou saber fatos que por ventura podiam estar faltando no filme, porque não parece estar faltando nada. Provavelmente por isso Nick tenha sido indicado com seu roteiro para o prêmio (e eu não poderia ter ficado mais feliz). Sei, porém, que ele não vai ganhar (o filme está concorrendo com Room, for Christ sake!). Mas, ainda assim, fico feliz com a indicação (ele, talvez, ficasse mais feliz se ganhasse, não é mesmo?).

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Meu queridíssimo Nick Hornby.

Sobre Saoirse (acho incrivelmente difícil lembrar como se escreve o nome dessa garota e sempre tenho que procurar, além de até hoje não saber como se pronuncia), continuo me surpreendendo toda vez que vejo a atriz em filmes atuais e percebo que ela não é mais a criança que era quando a “conheci” em Desejo e reparação (falou a tia velha). Até porque ela ficou muito diferente de quando era mais nova, nem parece a mesma pessoa. Ok que a gente muda quando envelhece, mas ela mudou demais! Olha só!

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Um minuto de silêncio para repararmos na incrível mudança da Saoirse. É outra pessoa, gente!

Enfim, passando pelo aspecto físico da menina, ela está mesmo muito bem e merece a indicação. Acho um papel forte para alguém tão novo quanto ela é (21 anos) e ela carrega toda a intensidade do papel sem esmorecer. Muito bom. Aliás, acho que todos atores estão muito bem no filme, das personagens coadjuvantes (como Tony e o padre que ajuda Ellis) a personagens bem pequenos, como as meninas (chatas toda vida) que moram na mesma pensão que Ellis. E preciso dar um viva especial pro ator que está se tornando meu novo queridinho, Domhnall Gleeson (outro que não sei pronunciar o nome), que além de ser ruivo e lindo, é ótimo ator e participou de nada mais nada menos do que quatro filmes indicados a esse Oscar (além de Brooklyn, também está em Ex Machina, O regresso e Star Wars). Acho que a carreira de alguém está deslanchando…

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Lindo, lindo, lindo. Ok, talvez não tanto com esse cabelinho certinho demais.

Agora vamos falar de um detalhe do qual não achei tão legal assim, pelo único motivo de achar um pouco cliché: as cores. Na verdade, um ponto específico em relação a elas. O que acontece é que, no filme, Ellis sai da Irlanda em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos (como dito na sinopse), ou seja, vai atrás do american way of life tão procurado e desejado até hoje pelas pessoas (e que, se hoje já sabemos que as coisas não melhoram tanto assim quando a gente vai pra lá, na época realmente havia uma melhora  – às vezes – e as pessoas acreditavam mais ainda na promessa de uma vida boa que os EUA vendiam). Só que nessa mudança de Irlanda para os EUA, as cores mudam. Pelo menos no início do filme (depois parei de perceber, o que significa que talvez tenham parado de fazer isso, talvez pela mudança de visão que Ellis tem em relação aos dois países com o passar do tempo), toda vez que aparece a Irlanda, a terra datal da personagem, as cores são mais pesadas, mais escuras, mais azuis. Já quando o EUA é mostrado, é imagem é sempre muito bem iluminada, cheia de vida, com cores mais puxadas para o vermelho e o amarelo, com mais intensidade. Seria legal se isso não fosse amplamente usado em filmes, o que me decepcionou um pouco, já que achei um filme de qualidade, até em relação a fotografia, mas pra isso pecaram nisso. Porém, os posicionamentos de câmera eram bem interessantes (segundo minhas anotações distorcidas que fiz enquanto assistia o filme, porque já não lembro mais. hahahahahaha). Resumindo, um filme muito legal, que retrata muito bem uma época e mostra como as pessoas realmente acreditavam que sua vida mudaria por completo nos EUA (e, no caso, não achei a glorificação que fazem dos EUA algo bobo e exaltante, porque esse era o pensamento das pessoas da época – ou assim eu acho). E como você pode fazer de uma terra que você não nasceu a sua casa.

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