O regresso

O regresso (The revenant)

Indicações: Melhor filme, Melhor ator (Leonardo DiCaprio), Melhor ator coadjuvante (Tom Hardy), Melhor direção (Alejandro Iñarritu), Melhor cinematografia (Emmanuel Lubezki), Melhor edição (Stephen Mirrione), Melhor figurino (Jacqueline West), Melhor cabelo e maquiagem (Sian Grigg, Duncan Jarman, Robert A. Pandini), Melhor edição de som (Martín Hernandéz, Lon Bender), Melhor mixagem de som (Jon Taylor, Frank. A. Montaño, Randy Thom, Chris Duesterdiek), Melhor design de produção (Jack Fish, Hamish Purdy) e Melhor efeitos visuais (Richard McBride, Matt Shumway, Jason Smith, Cameron Waldbauer).

Sinopse: Hugh Glass parte para o oeste americano disposto a ganhar dinheiro caçando. Atacado por um urso, fica seriamente ferido e é abandonado à própria sorte pelo parceiro John Fitzgerald. Entretanto, mesmo com toda adversidade, Glass consegue sobreviver e inicia uma árdua jornada em busca de vingança. (Sinopse do site Adorocinema)

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Se tem uma coisa que posso dizer sobre O regresso é: foi ótimo ter ido assistir sem expectativa nenhuma. Mais: foi ótimo assistir o filme achando que ele seria um saco. Por quê? Porque fui surpreendida por ele e acabei gostando. Ok, não é o meu preferido, nem de longe, mas é um filme com todas as caraterísticas de um indicado a melhor filme – e indicado com razão.

Primeiro, vamos dizer que se Leonardo DiCaprio não ganhar essa estatueta, a Academia claramente tem algo contra ele. Já achei absurdo ele não receber o prêmio por Lobo de WallStreet, onde ele fez uma atuação arrasadora, mas se com esse filme, onde seu personagem tem tudo que a Academia ama ao conceder o prêmio de melhor ator/atriz (esforço físico, mudança de aparência, sotaque, superação), ele não ganhar, acho que ele pode desistir e pensar que é pessoal. Ele está incrível, como sempre é (mas ainda acho que estava melhor em Lobo de WallStreet), porém uma coisa me chamou muito a atenção: seu jeito de falar. Leo (para os íntimos, e sou fã dele desde os 14 anos, então posso me considerar íntima) tem uma maneira muito peculiar de pronunciar as palavras que está presente em sua vida e em todos os seus papéis – menos nesse. E só por isso, por mudar tanto seu jeito de falar, já acho um mega desafio. E por todo o resto também, pela expressão de seu corpo, pelo seu olhar passar o que sente sem precisar falar nada, e também por todo o esforço físico que fez, por que não? Afinal, isso também conta (porém, não é SO isso). E é esforço físico sem afetar sua performance, ele não deixa de atuar bem porque tá se esforçando mais ( que acontece em muitos filmes de ação,  não é mesmo?).

THE REVENANT
Tom Hardy.

Outro que está incrivelmente incrível é o Tom Hardy, que também está totalmente irreconhecível. E eu, que tinha um preconceito contra ele não sei por que, perdi todo, porque ele está tão bom que até fiquei em dúvida se quem deve ganhar o prêmio de melhor ator coadjuvante é ele ou Mark Rylance, sendo que até então eu tinha certeza absoluta de que Mark Rylance deveria ganhar. Mas Tom Hardy está tão bem como Fitzpatrick, fazendo-nos sentir uma raiva tremenda de seu personagem, que a dúvida pairou. E falando em atores, é mais um filme com o ruivo favorito de todos no momento, Domhnall Gleeson. Yay!

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Domhnall Gleeson.

O diretor, não tenho muito o que falar. É meu diretor favorito! Apesar de que eu não acho que daria o prêmio para ele, e sim para Lenny Abrahamson (diretor de Room), mas, como sempre, ele faz um filme de diretor completamente. Filme de diretor, para quem não sabe, é um filme onde podemos encontrar características claras de um diretor e podemos enxergar o dedo do diretor durante todo o filme, ou seja, ele pensou em cada detalhe do filme (é mais ou menos isso). E Alejandro se dedicou bastante ao filme, pensando em cada detalhe e se esforçando ao máximo para fazer um filme de arte, mesmo sendo um filme com muita ação (a cena da luta de DiCaprio e a ursa, nossa, é de prender a respiração – e tapar os olhos, no meu caso). Marido me disse que eles filmaram o quanto puderam do filme em luz natural, o que só aumenta o tempo de filmagem, o que nesses dias de tempo é dinheiro, quem é que quer fazer? Então um diretor que se preocupa com a qualidade da imagem desse jeito é realmente muito especial. E imagina você ficar no meio daquele frio todo gravando o máximo que você conseguir com luz natural e tal? Isso que é dedicação!

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O diretor Alejandro Iñarritu com DiCaprio.

Os efeitos especiais tem nem o que dizer! Aquela ursa, gente! A ursa parece de verdade! Fico impressionada em como os efeitos especiais estão avançados hoje em dia, e vendo filmes como esse e como As aventuras de Pi, que tinha aquele tigre que era todo feito de computação gráfica, assim como essa ursa, só me deixam totalmente embasbacada com a evolução da tecnologia. Incrível! E falando em ursa, pra quem acha que tem um bando de bichinho morrendo e por isso estava temeroso de assistir o filme (como aconteceu comigo), pode ficar tranquilo que nem tem muita morte de animais, não (só tem uma cena um pouco chocante com um cavalo que não falarei mais sobre para não dar spoilers).

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A ursa, totalmente feita por computadores.

O filme traz a tona várias questões interessantes: como era difícil a vida antigamente (não sei em exato quando o filme se passa), se vingança realmente vale a pena (apesar de, no filme, eu não achar que o tema em si é realmente vingança, acho que vai muito além disso), na falta de respeito com a cultura do outro (no caso, o outro sendo o índio), na relação sociedade em que nasceu/família que você criou, na confiança entre amigos e colegas de trabalho, entre tantas outras (até porque essas citadas foram questões bastante simplificadas). E o fato de suscitar tantos questionamentos é um ponto muito positivo do filme porque, pra mim, produto cultural que se preze faz exatamente isso, ele te faz pensar.

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Leonardo DiCpario ganhando seus machucados feitos pela ursa. Maquiagem incrível!

Ah! Quase ia esquecendo! O trailer do filme!

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Perdido em Marte

Perdido em Marte (The martian)

Indicações: Melhor filme, Melhor ator (Matt Damon), Melhor roteiro adaptado (Drew Goddard), Melhor edição de som (Oliver Tarney), Melhor mixagem de som (Paul Massey, Mark Taylor, Mac Ruth), Melhor design de produção (Arthur Max, Celia Bobak), Melhor efeitos visuais (Richard Stammers, Anders Langlands, Chris Lawrence, Steven Warner).

Sinopse: O astronauta Mark Watney é enviado a uma missão em Marte. Após uma severa tempestade ele é dado como morto, abandonado pelos colegas e acorda sozinho no misterioso planeta com escassos suprimentos, sem saber como reencontrar os companheiros ou retornar à Terra. (sinopse do site AdoroCinema)

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Taí um filme que eu pensei: não vou gostar. Aí ouvi amigos falando sobre ele e pensei: ah, vai que eu gosto, pode até ser. Aí eu vi e pensei: é, eu estava certa desde o começo. Eu tenho me interessado mais pelo espaço e tal, coisa que eu nunca havia gostado, mas desde Doctor Who tenho dado mais chances, visto que amo o seriado e amei também a série de livros O guia do mochileiro das galáxias. Mas Perdido em Marte realmente não é pra mim. Achei o filme um saco. Eu estava com esperança de, pelo menos, dar umas risadas, afinal, meus amigos falaram que era engraçado, tinhas umas tiradas ótimas. Eu não abri nem mesmo um sorriso durante as excruciantes duas horas e vinte e quatro minutos de filme. Pra não dizer que não teve nenhum momento bom, eu gostei do final. Achei emocionantezinho (percebam o “zinho”) e até me tocou um pouquinho (novamente, percebam o “inho”). Mas, além disso, a única coisa impressionante do filme são os efeitos especiais (que são REALMENTE impressionantes).

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Pode-se perceber por que Matt Damon foi indicado ao prêmio de melhor filme, porém. Ele emagreceu, ele fica a maior parte do tempo sozinho, ou seja, contracenou sozinho, o que é bem difícil, porque não há ninguém para quem se reagir, ele faz um personagem que, apesar de não real, é um “herói” americano, e todos sabemos que americanos adoram heróis americanos e adoram exaltar que americanos são foda (vide o chatérrimo Sniper americano, sobre um cara que é herói porque matou milhões de pessoas, uhu, que super legal – só que não). Porém, não consigo entender como foi indicado a melhor filme, porque não tem as características necessárias para um filme dessa categoria. Ele não tem nada demais, nem mesmo o modo de filmar, nem a história. A única coisa interessante, como eu disse, são os efeitos especiais, e não acho que são motivo suficiente para uma indicação de melhor filme, porque nem inovador é nesse quesito (temos visto bastante filmes com efeitos especiais muito bons). Só consigo imaginar que foi indicado a melhor filme pelo mesmo motivo que dei acima do herói americano. Só pode ser.

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Pra resumir, é um filme blé com uma história até interessante, mas que não empolga e nem emociona. Mas, ainda assim, quero ler o livro. Deve ser mais interessante do que o filme e quero saber se realmente é bom como falam.

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A equipe de Matt Damon no espaço.

Ah! Todo mundo já deve ter visto o trailer, já que é um filme que estreou por aqui no ano passado, mas como é de praxe, segue o trailer para vocês, caso ainda não tenham assistido e queiram saber um pouquinho mais sobre esse (mediano) filme.

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Brooklyn

Hey peeps!

Ok, eu disse que voltaria aqui no meio carnaval para falar mais sobre os filmes indicados ao Oscar, mas cuidar de uma gatinha de 4 meses é mais trabalhoso do que eu imaginava – ainda mais uma gata pestinha (e linda!) como a Judith, gata da minha amiga. Mas foi maravilhoso mesmo assim (e como não seria? ela é uma gata e não tem como ser ruim ficar perto de um gato) e hoje estou de volta para falar de mais um filme indicado ao prêmio de melhor filme, Brooklyn.

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Indicações: Melhor filme, Melhor atriz (Saoirse Ronan), Melhor roteiro adaptado (Nick Hornby).

Sinopse: A jovem irlandesa Ellis Lacey se muda de sua terra natal e vai morar em Brooklyn em busca de uma vida melhor. No início de sua jornada nos Estados Unidos, ela sente falta de sua casa, mas ela vai tentando se ajustar aos poucos até que conhece e se apaixona por Tony. Logo, ela se encontra dividida entre dois países, entre o amor e o dever. (sinopse bem ruinzinha – e olha que dei uma melhorada -, mas foi a que encontrei no AdoroCinema)

Primeira coisa que preciso falar sobre esse filme: o figurino é impecável. Não sei como não está concorrendo ao prêmio de melhor figurino, sério, porque as roupas são super bem feitas e lindas – e olha que eu sou o tipo de pessoa que geralmente não repara nessas coisas. Mas sendo filme “de época” e sabendo que a produção teria que recriar toda uma paramentação, de roupas a acessórios e objetos da época, eu presto atenção para ver se foi bem feito. E em Brooklyn, meu deus, como foi bem feito! Só olhar as roupas lindas e que parecem que foram tiradas diretamente de um guarda-roupa da década de 50 (mais um filme que se passa na década de 50! Hollywood está fixada nessa década esse ano) nas fotos abaixo para ter certeza disso. Então começo afirmando: tremenda injustiça não estar concorrendo ao Oscar de melhor figurino E design de produção. Dito isso, ou seja, indignação colocada para fora, vamos continuar.

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Alguns dos figurinos lindos que estão no filme.

Já tendo assistido todos os filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme (só não vi Mad Max e nem verei), posso dizer que Brooklyn foi meu terceiro filme favorito (com Room em primeiro lugar e Spotlight em segundo). Gostei da história, gostei de forma como foi contada (sem muita “melosidade”), gostei das atuações, gostei da direção, gostei da fotografia, ou seja, gostei de tudo. Sobre a história, assim como muitos dos filmes que estão na premiação e são baseados em livros, fiquei com vontade de ler o original (ou seja, o livro de Colm Toibín), mas admito que somente para perceber as modificações feitas por Nick Hornby. Aliás, acabei de descobrir, pesquisando para escrever o post, que o roteiro é de Nick Hornby, que é somente um dos meus autores literários favoritos (e que já vem há um tempinho se arriscando na faceta de roteirista). Como achei um filme de história completa, com início, meio e fim e sem parecer ter buracos, não fiquei compelida de conhecer mais da história ou saber fatos que por ventura podiam estar faltando no filme, porque não parece estar faltando nada. Provavelmente por isso Nick tenha sido indicado com seu roteiro para o prêmio (e eu não poderia ter ficado mais feliz). Sei, porém, que ele não vai ganhar (o filme está concorrendo com Room, for Christ sake!). Mas, ainda assim, fico feliz com a indicação (ele, talvez, ficasse mais feliz se ganhasse, não é mesmo?).

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Meu queridíssimo Nick Hornby.

Sobre Saoirse (acho incrivelmente difícil lembrar como se escreve o nome dessa garota e sempre tenho que procurar, além de até hoje não saber como se pronuncia), continuo me surpreendendo toda vez que vejo a atriz em filmes atuais e percebo que ela não é mais a criança que era quando a “conheci” em Desejo e reparação (falou a tia velha). Até porque ela ficou muito diferente de quando era mais nova, nem parece a mesma pessoa. Ok que a gente muda quando envelhece, mas ela mudou demais! Olha só!

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Um minuto de silêncio para repararmos na incrível mudança da Saoirse. É outra pessoa, gente!

Enfim, passando pelo aspecto físico da menina, ela está mesmo muito bem e merece a indicação. Acho um papel forte para alguém tão novo quanto ela é (21 anos) e ela carrega toda a intensidade do papel sem esmorecer. Muito bom. Aliás, acho que todos atores estão muito bem no filme, das personagens coadjuvantes (como Tony e o padre que ajuda Ellis) a personagens bem pequenos, como as meninas (chatas toda vida) que moram na mesma pensão que Ellis. E preciso dar um viva especial pro ator que está se tornando meu novo queridinho, Domhnall Gleeson (outro que não sei pronunciar o nome), que além de ser ruivo e lindo, é ótimo ator e participou de nada mais nada menos do que quatro filmes indicados a esse Oscar (além de Brooklyn, também está em Ex Machina, O regresso e Star Wars). Acho que a carreira de alguém está deslanchando…

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Lindo, lindo, lindo. Ok, talvez não tanto com esse cabelinho certinho demais.

Agora vamos falar de um detalhe do qual não achei tão legal assim, pelo único motivo de achar um pouco cliché: as cores. Na verdade, um ponto específico em relação a elas. O que acontece é que, no filme, Ellis sai da Irlanda em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos (como dito na sinopse), ou seja, vai atrás do american way of life tão procurado e desejado até hoje pelas pessoas (e que, se hoje já sabemos que as coisas não melhoram tanto assim quando a gente vai pra lá, na época realmente havia uma melhora  – às vezes – e as pessoas acreditavam mais ainda na promessa de uma vida boa que os EUA vendiam). Só que nessa mudança de Irlanda para os EUA, as cores mudam. Pelo menos no início do filme (depois parei de perceber, o que significa que talvez tenham parado de fazer isso, talvez pela mudança de visão que Ellis tem em relação aos dois países com o passar do tempo), toda vez que aparece a Irlanda, a terra datal da personagem, as cores são mais pesadas, mais escuras, mais azuis. Já quando o EUA é mostrado, é imagem é sempre muito bem iluminada, cheia de vida, com cores mais puxadas para o vermelho e o amarelo, com mais intensidade. Seria legal se isso não fosse amplamente usado em filmes, o que me decepcionou um pouco, já que achei um filme de qualidade, até em relação a fotografia, mas pra isso pecaram nisso. Porém, os posicionamentos de câmera eram bem interessantes (segundo minhas anotações distorcidas que fiz enquanto assistia o filme, porque já não lembro mais. hahahahahaha). Resumindo, um filme muito legal, que retrata muito bem uma época e mostra como as pessoas realmente acreditavam que sua vida mudaria por completo nos EUA (e, no caso, não achei a glorificação que fazem dos EUA algo bobo e exaltante, porque esse era o pensamento das pessoas da época – ou assim eu acho). E como você pode fazer de uma terra que você não nasceu a sua casa.

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O quarto de Jack

O quarto de Jack (Room)

Indicações: Melhor filme, Melhor atriz (Brie Larson), Melhor direção (Lenny Abrahamson), Melhor roteiro adaptado (Emma Donoghue).

Sinopse: O longa conta a história de Jack, um menino de cinco anos que é criado por sua mãe, Ma. Como toda boa mãe, Ma se dedica a manter Jack feliz e seguro e a criar uma relação de confiança com ele através de brincadeiras e histórias antes de dormir. Contudo, a vida dos dois não é nada normal: eles estão presos em um espaço de 10m². (retirado do site Filmow)

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Pôster do filme.

Room é um filme intenso. Não é pesado, é intenso. Tenso. Dá nervoso – não o filme inteiro, mas algumas partes cruciais. Alguns críticos estão dizendo que é um filme claustrofóbico. Discordo. Apesar de mãe e filho estarem em um quarto (o tal “room”) minúsculo, não dá sensação de claustrofobia. Mas isso tem um motivo. E o motivo se chama Jack. Jack nasceu no Quarto. Jack não conhece nada além do Quarto. Portanto, para Jack, Quarto não é claustrofóbico, não é pequeno, e como o filme é contado a partir da visão de Jack, não, não nos sentimos apertados num cubículo. Para nós, o quarto é o mundo, assim como para Jack. E Quarto acaba sendo também um personagem, por isso o nome do filme é Room em inglês, assim, sem artigo, porque ninguém chama ninguém de The Jack, The Joy, etc. Room, ou Quarto, é personagem, não é abstrato, e também não seria pra você se tudo que você conhecesse fosse ele e os objetos contidos nele – Cama, Armário, TV, Mesa.

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Room (desculpa, gente, simplesmente não consigo chamar o filme de O quarto de Jack, não combina, não tem a mesma força que seu título original) é o que é por causa de Jack, ou seja, Jacob Tremblay, que na época das gravações tinha somente sete anos de idade. Mas atuando tem a responsabilidade e a seriedade de um ator com anos de experiência nas costas. O garoto arrasa. Ele é bom demais. Mas tudo foi feito, nas gravações, para que ele pudesse dar o melhor de si. Porque o diretor (e todos da equipe) sabia que, apesar de ele ser ótimo ator e ser responsável como um adulto, ele ainda era uma criança. E, portanto, chegaria a limites. Por isso, o filme foi gravado cronologicamente, porque ele já não é um filme fácil, e pra uma criança gravar fora de ordem seria muito confuso (para Jacob, no caso). O contato entre Jacob e Brie Larson, sua mãe no filme, também foi outro aspecto pensado pelo diretor, que queria que houvesse uma intimidade e um afeto grande entre os dois e que Jacob se sentisse confortável com ela, o que era super importante, já que no filme a mãe é a única pessoa com quem Jack tem contato. Pra isso, Brie e Jacob se conheceram três semanas antes das gravações, para já irem criando laços. A escolha de Brie (que foi feita antes da escolha da criança) também foi essencial, pois o diretor sentiu que ela era uma pessoa calorosa, então deixaria qualquer criança confortável. Sem contar os percalços encontrados durante as gravações, que eram sempre ultrapassados pensando sempre, em primeiro lugar, no bem-estar de Jacob, como, por exemplo, em uma cena em que Jack teria que berrar com a mãe e Jacob estava envergonhado de fazer. O diretor pediu para que todos no set começassem a berrar para que Jacob percebesse que ele não estava sendo “ridículo” ao berrar também. E assim conseguiu que Jacob se sentisse confortável para fazer a cena. Por isso tudo, eu já daria o troféu de melhor direção para Lenny Abrahamson. E o fato de tratar de assunto tão pesado (o sequestro de uma adolescente que acaba tendo um filho de seu sequestrador/estuprador) de forma tão leve (porém intensa, como eu disse no começo). A própria autora do livro em que o filme é adaptado (e também roteirista do filme) disse que só aceitou fazer o filme porque percebeu que Lenny entendeu de verdade o livro e estava focando o que era verdadeiramente importante na história: o amor entre mãe e filho, e não focando no crime (ela havia recebido várias outras propostas pra transformar seu livro em filme antes da de Lenny e havia recusado todas). E é exatamente isso que o filme mostra, como o amor de uma mãe é imenso e transformador, mesmo em situação tão adversa. E é somente por causa do amor de Joy (ou Ma, como Jack a chama) que o menino age com a naturalidade que ele age naquele cubículo, porque Joy não quis passar para ele o pavor, o ódio e todos os sentimentos ruins que ela sente. É uma verdadeira história de amor.

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Jacob fofíssimo!

Brie também está estupendamente bem e merece a estatueta que irá ganhar – porque ela VAI ganhar o prêmio de melhor atriz, não tem como ir para outra pessoa. Lenny provavelmente não ganhará o prêmio de melhor direção por causa de Iñarritu e seu O regresso, mas, pra mim, ele é o verdadeiro vencedor. Assim como o pequeno Jacob, que nem sequer foi indicado, mas que merecia o Oscar, porque atuar na intensidade que ele atua em idade tão pouca não é pra qualquer um!

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Brie Larson em cena.

Trailer do filme procês!

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Carol

Carol

Indicações: Melhor atriz (Cate Blanchet), Melhor atriz coadjuvante (Rooney Mara), Melhor roteiro adaptado (Phyllis Nagy), Melhor fotografia (Edward Lachman), Melhor figurino (Sandy Powell), Melhor trilha sonora (Carter Burwell).

Sinopse: A jovem Therese Belivet tem um emprego entediante na seção de brinquedos de uma loja de departamentos. Um dia, ela conhece a elegante Carol Aird, uma cliente que busca um presente de Natal para a sua filha. Carol, que está se divorciando, também não está contente com a sua vida. As duas se aproximam cada vez mais e, quando Harge a impede de passar o Natal com a filha, Carol convida Therese a fazer uma viagem pelos Estados Unidos. (retirado do site Adoro Cinema).

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Pôster do filme.

Assisti Carol com duas amigas e marido e só eu gostei do filme. Os outros acharam devagar e fraco. Bem, eu não concordo com eles. Sim, o filme realmente demorou a engatar. O começo parecia cenas aleatórias da vida de Therese, personagem de Rooney Mara (esse nome me incomodou TANTO! Por que não TheresA?), que se apaixona aos poucos por Carol, personagem de Cate Blanchet, diva como sempre (já a atuação de Rooney não me agradou tanto, achei sem sal). Eu disse que Therese (por que, meu deus, por que?) se apaixonada aos poucos por Carol, mas acho que, na verdade, ela se apaixonou logo na primeira vez que a viu, mas não tinha coragem de assumir sua sexualidade nem para ela mesma, visto a época em que a história se passa (na década de 50). E, pra mim, o tema principal do filme é esse, a diferença entre a segurança de Carol e a insegurança de Therese. Carol é totalmente segura de seus amores, sua sexualidade e de como quer viver sua vida. Já Therese, que só está descobrindo agora sua sexualidade, ainda não é segura como Carol – na verdade, Therese não tem certeza de nada na sua vida. Em um momento em que eu adorei do filme (porque me identifiquei bastante), ela diz que ela é a pessoa que só diz sim, ou seja, ela vai fazendo as coisas que aparecem na vida dela, sem escolher, mas só porque essas coisas aparecem, mas ela não tem muita certeza de que ela quer realmente aquilo. E com Carol acredito ser a primeira vez que ela realmente percebe que é aquilo mesmo que ela quer, é uma escolha que ela finalmente consegue fazer. E imagino o quão difícil deve ser se assumir homossexual em uma época tão repleta de preconceitos e ignorância. Por isso também acho que o filme tem uma importância imensa, retratar esse romance, algo que vemos tão pouco nas telas dos cinemas.

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Rooney Mara como a personagem com o nome mais incomodativo do mundo!

Esses opostos que Carol e Therese representam vão sendo mostrados o tempo todo no filme, e o engraçado  é que a medida que Therese vai se tornando mais segura de si, Carol é obrigada a desfazer todas as certezas que teve em sua vida e a fingir ser quem não é por um motivo externo a ela. E achei isso muito interessante. Todas as mudanças das personagens foram bastante sutis, não foram de forma abrupta, e acho que isso conta como positivo no filme, porque há uma explicação, você entende o motivo daquilo acontecer (apesar dos meus colegas de filme não concordarem comigo, porque eles às vezes reclamavam que elas estavam lentas demais e outras que estavam rápidas demais, o que eu não concordo). Pra mim, tudo aconteceu no tempo certo. Entre elas duas. Porque o desenvolvimento da história, principalmente no final, achei muito corrido e não aprofundou tanto quanto eu gostaria. Mas entendo que é difícil transpor um livro para as telas do cinema, ainda mais um tão complexo quanto sobre o relacionamento entre duas mulheres com idades tão díspares na década de 50.

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Cate Blanchet e toda a elegância de carol.

Quanto às indicações, eu não daria o prêmio para Cate Blanchet, muito menos para Rooney Mara, e também acho que existem roteiros adaptados melhores (O quarto de Jack, por exemplo, tá ganhando em disparado na minha listinha), mas o Oscar de figurino já é dele. Que roupas maravilhosas, com um detalhamento incrível! A trilha sonora é fantástica também, guiando nossas emoções exatamente como eles querem, a música nos dá a sensação exata de cada momento do filme e parece que estamos lá, sentindo o mesmo que os personagens. A fotografia tá impecável também, mas tem outros filmes com fotografia melhor (como A ponte dos espiões). Porém, se ganhar o prêmio, eu não ficaria chateada.

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Mais um pouquinho desse figurino e cenografia super detalhistas do filme.

No geral, é um filme bem bom. Só não é excepcional.

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Spotlight

Spotlight

Indicações: Melhor filme, Melhor ator coadjuvante (Mark Ruffalo), Melhor atriz coadjuvante (Rachel McAdams), Melhor direção (Tom McCarthy), Melhor roteiro original (Josh Singer e Tom McCarthy), Melhor edição (Tom McArdle).

Sinopse: Baseado em uma história real, o drama mostra um grupo de jornalistas em Boston que reúne milhares de documentos capazes de provar diversos casos de abuso de crianças, causados por padres católicos. Durante anos, líderes religiosos ocultaram o caso transferindo os padres de região, ao invés de puni-los pelo caso. (retirada do site Adoro cinema)

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Pôster do filme.

Tem duas frases que acho que resumem esse filme pra mim. Uma está no pôster aí de cima: “Break the story, break the silence”, ou “Desvenda a história, quebre o silêncio“, em tradução livre. A outra vem do discurso do Mark Ruffalo quando o filme ganhou o prêmio de melhor elenco no Sag Awards, que ocorreu no sábado e premia os atores de filmes e seriados, quando ele disse, agradecendo aos roteiristas do filme “que aproveitaram a oportunidade para contar a verdade, não aceitaram desvios, contaram sempre a verdade, e honraram essas pessoas, as vítimas que morreram e as sobreviventes de uma das coisas mais horríveis que nossa cultura permitiu que acontecesse.” E é exatamente isso, a cultura, a sociedade e a imensa politicagem que ocorre dentro da Igreja (veja bem, estou falando da Igreja como instituição, e não da religião, são coisas totalmente diferentes) que permite que seus padres e outros funcionários (desculpa gente, por não ser católica, não sei o nome dos cargos dentro de uma igreja) façam coisas horríveis e escondem seus atos, e não são punidos, por mera politicagem e pela instituição não poder perder sua fama, seu status. E isso me revolta tanto, que permitam que pessoas inocentes percam suas vidas por causa de pessoas que nem sequer são punidas por isso. É injusto, e a justiça é algo que mexe muito comigo. E a verdade, e os valores morais que são totalmente hipócritas, uma vez que não são seguidos por uma parcela da sociedade que prega exatamente isso. Foi por isso que me afastei da religião (qualquer uma), por ver pessoas que pregavam várias coisas bonitas fazerem exatamente o contrário daquilo que diziam (e vejo isso até hoje, em várias escalas), e por isso esse filme me pegou em cheio. Por isso gostei tanto dele. Por isso ele foi tão importante pra mim, ver pessoas fazendo seu trabalho tão bem feito que eles ajudam outras pessoas, ver pessoas, no caso, os jornalistas, tentando achar justiça para outras que foram tão abusadas. É lindo isso, um trabalho desse, que é o contrario do trabalho dos economistas retratados em A grande virada.

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O time do jornal, vencedores do prêmio de melhor elenco no Sag Awards: Michael Keaton, Liev Schreiber, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, John Slattery, e Brian D’Arcy James. 

Não acho que o filme ganhará algum dos prêmios pelos quais foi indicado. Talvez o de melhor roteiro, o que eu ficaria muito feliz porque é muito bem escrito e, como eu disse, desmascara todos os atos feitos para esconder tais feitos dos padres católicos. Eu já vi a maioria dos filmes indicados na mesma categoria (Ponte dos espiões, Ex-Machina, Divertida mente, só faltando assistir a Straight Outta Compton) e Spotlight ganha em disparado, pelo tema abordado, pela maneira de abordar o tema, como tudo vai sendo destrinchado de forma a compreendermos cada passo do que a equipe estava passando e todos os envolvidos nessa empreitada, que não é só mérito da equipe do jornal, mas de advogados e sobreviventes dos abusos. E em como ele envolve a gente na vida de cada um e no drama das crianças abusadas, muitas já adultas (a maioria mostrada no filme) e, ainda assim, com as repercussões do que passaram ainda presentes em suas vidas. É um filme incrível, mesmo, de verdade. Fica páreo a páreo com O quarto de Jack, este talvez estando um pouco acima de Spotlight pela maneira que o Jack do filme atua (mas isso comentarei em post sobre o filme).

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Tom McCarthy e Josh Singer, roteiristas do filme.

Eu fiquei tão envolvida na história do filme e ele se comunicou tanto comigo (ele sendo o filme) que é muito difícil pra mim falar mais dele. Mas continuo dizendo que achei sensacional trazerem a tona temática tão importante, e que realmente aconteceu (como diz a sinopse, foi um caso real), e acho mais sensacional ainda os repórteres que tiveram coragem de fazer essa reportagem (e os advogados que os ajudaram), sabendo de todos os riscos que corriam. Eles também merecem palmas, assim como os sobreviventes que lutaram para suas histórias serem ouvidas e seus agressores serem punidos.

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Os repórteres retratados no filme, o real time Spotlight.

Dessa vez não falarei muito do aspecto técnico porque o que mais importou pra mim foi o que o filme me fez sentir, e isso que tentei passar pra vocês. Espero que tenha feito um bom trabalho e que vocês tenham sentido vontade de assistir ao filme. Se ainda não ficaram convencidos, segue o trailer para adicionar a tudo que já falei.

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A grande aposta

A grande aposta tem um pequeno e sutil problema: o tema. Mercado financeiro/imobiliário realmente é um assunto de extremo tédio pra mim, e é sobre isso que o filme fala. Portanto, vocês já devem saber o que achei dele, né? Mas antes de eu explicar detalhadamente o que achei dele, vamos aos dados do filme.

A grande aposta (The big short)

Indicações: Melhor filme, Melhor ator coadjuvante (Christian Bale), Melhor direção (Adam McKay), Melhor roteiro adaptado (Adam McKay, Charles Randolph), Melhor edição.

Sinopse: O filme, adaptação do livro The Big Short: Inside the Doomsday Machine, conta a história de quatro homens que anteciparam a crise imobiliária e econômica dos Estados Unidos em 2008. Eles resolvem fazer um investimento, mas acabam no “mercado negro” bancário onde precisam questionar a tudo e a todos. (retirada do Omelete)

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Cartaz do filme.

Ok, como já era de se esperar pelo que falei acima, eu achei o filme excruciante. Passei as duas horas e dez minutos de duração torcendo pra que acabasse logo (ok, não tudo isso, porque no começo eu não sabia que seria tão chato). Tema entediante, cheio de jargões próprios que não importa a quantidade de pessoas famosas que eles coloquem pra explicar sobre o assunto, continuam sendo impossíveis de se entender. Mas, confesso, achei genial colocarem Selena Gomez (minha long lost little sister), Margot Robbie (homens pirarão com essa mulher linda dentro de uma banheira de espuma) e mais algumas pessoas conhecidas (mais por americanos do que por nós, brasileiros) para explicar um linguajar específico de uma área de forma simples – ou menos difícil (e que não adiantou muito pra mim porque, bem, quando não me interesso por um assunto é muito difícil manter o foco). Mas, apesar disso, não gostei do filme e achei extremamente cansativo assisti-lo até o fim, mesmo sendo um longa com Ryan Gosling, meu amorzinho (bem, um dos) – apesar de terem conseguido enfeiar bastante Ryanzinho (kudos pra equipe de maquiagem e cabelo, porque é uma tarefa bem difícil).

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Ryan Gosling feioso no filme VS Ryan Gosling lindo da vida real. Ainda bem que não é o contrário, né?

Porém, há harmonia no caos, o que significa que é possível ver aspectos positivos num filme de assunto tão zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. E todos os aspectos positivos estão concorrendo ao Oscar, porque sim, haveria de ter um motivo para essas indicações, não é mesmo? Vamos comentá-los um por um.

  1. Melhor Filme

Yes, baby, o filme realmente merecia indicação por ser um filme pensado detalhadamente, o que é algo que eu me importo muito. Cada corte, cada ângulo de câmera, cada piada inserida, tudo tem seu timing exato e tudo está ali por um motivo, não são somente cenas jogadas que parecem não ter a ver com o todo e você fica pensando “tá, mas e daí?”. O que nos leva à segunda indicação.

2. Melhor direção

Se o filme está tão tecnicamente perfeito, é porque tem a mão do diretor aí. Foi ele que pensou nos detalhes do filme (claro, em conjunto com sua equipe) e o fez ficar tão fenomenal. “Mas Livia, se você achou o filme um saco, como pode dizer que ele é fenomenal?” Tecnicamente falando, pequeno gafanhoto, tecnicamente falando (eu nunca daria um prêmio pra esse roteiro, por isso nem comentarei sobre essa indicação). As inserções das cenas dos famosos, como falei anteriormente, que além de deixarem mais fluidas cenas que poderiam ser explicativas e chatas, foram uma ótima solução que outro diretor poderia não ter pensado. Há também os momentos engraçados, como quando os personagens falam diretamente para a câmera, o que me lembrou MUITO O Lobo de WallStreet,  e descontraem o filme de temática pesada. Os cortes rápidos me incomodaram um pouco (o que significa que também não concordo totalmente com a indicação de melhor edição), fiquei um pouco tonta (se você tiver problema de labirinto, não assista ao filme, ou vire para o outro lado, como eu fiz), mas tirando isso, acho que o diretor fez escolhas muito boas, como na apresentação de todos os personagens. Além do fato dos atores estarem atuando tão bem (alguns melhores que outros, como todo filme), o que também mostra que tem dedo do diretor aí. Sem contar que antes desse filme, Adam McKay havia feito, em sua maioria, filmes de comédia (que, todos sabemos, acabam sendo ignorados pela Academia, que adora um drama), então foi um belo início nos longas mais “maduros”, digamos assim.

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Adam McKay dirigindo Christian Bale no filme.

3. Melhor ator coadjuvante

Vou te dizer que discordo e concordo ao mesmo tempo dessa indicação do Christian Bale. Acho sim que ele está ótimo no filme, interpretando no ponto o cara excêntrico que tem ideias geniais e todo mundo vai contra e acha que ele é maluco (juro que não consegui entender como um cara desses pode ser casado, ele só pensa em trabalho!). As expressões faciais, o jeito de falar e até como se movimenta não escrachadas, são maneiras únicas de uma pessoa com personalidade tão única se portar no mundo, ele interpretou de um jeito que não ficou ridículo e nem estereotipado. Então sim, é uma atuação digna de Oscar. Mas eu queria muito, muito mesmo, que o indicado fosse Steve Carrel, porque pra mim ele está maravilhoso no papel do único cara que tem coração nesse mundo horroroso da economia. A maioria das pessoas está acostumado a ver Steve em papéis cômicos (tanto que todos pra quem eu falei que ele está ótimo no filme me perguntaram se era um papel sério), então esquecemos como ele pode ser maravilhoso como um personagem que não faz piadas. E ele arrasa. Eu sou muito fã do Steve, então talvez não seja a melhor pessoa pra opinar, mas acho que ele merecia sim a indicação de melhor ator coadjuvante, até porque acho o personagem dele mais importante que o de Christian (e ele aparece bem mais). E agora Carrel se redimiu, ao meu ver, depois do insuportável Foxcacther do ano passado (não importa que ele foi indicado por esse filme nem 2015, o filme era um saco!).

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Carrel em cena.

Do mais, os outros atores também estão ótimos, dos mais conhecidos aos mais desconhecidos (apesar de Brad Pitt estar meio nhé pra mim, nem fede, nem cheira). E tem cenas que até as pessoas que não suportam esse mercado (tipo eu) dão umas risadas. Mas eu não veria esse filme de novo. Nunca mais, na verdade. Tá achando que tô exagerando na chatice? É porque você não viu que o filme é TODO sobre o mercado financeiro, sem focar nem um tico na vida particular desses caras e em como seus trabalhos influenciam na vida deles (ok, fala um pouco disso, mas é bem superficialmente), o que seria bem mais interessante. Ainda sem acreditar? Então saca só!

Viu?

Ah! A grande aposta já tá nos cinemas por aqui (e foi onde eu vi, sim, eu gastei horrores de dinheiro pra ver esse filme chato), então se você quiser ter a experiência da telona, corre antes que ele saia de cartaz! E até o próximo filme! (o que? O Oscar tá chegando eu não vou saber falar de outro assunto por aqui!)

@thebigshort-Its-about-to-get-even-hotter-with-@SelenaGomez
Seleninha querida em ação! Acharam que eu tava de sacanagem, né? Não! Ela tá lá mesmo, ensinando o que é uma… O que era mesmo?

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