30 Livros em 1 Ano – Não sou uma dessas (Lena Dunham) – Livro 4

Alô alô, W Brasil!

Hoje vim aqui cedinho porque fui acompanhar meus pais na rodoviária, aí voltei e pensei “por que não escrever agora no blog?”, então cá estou! Estou com várias ideias nessa cabeça of mine pra escrever por aqui, mas colocarei todas em prática com o tempo. Aguardem… hahuahuahua

Hoje venho com mais um livro da minha lista dos livros que li nesse ano e, man, esse foi um dos melhores so far! (nossa, tô muito língua inglesa hoje!) Eu já escrevi neste post aqui sobre Girls e como sou apaixonada pela série. Pois o quarto livro que li é da criadora/roteirista/diretora de Girls, Lena Dunham, e só por ser de autoria dela eu já sabia que iria gostar, já que Lena despeja muito dela em tudo que faz. E sendo Girls = Lena, não teria como não gostar do livro já que Livro = Lena também. Porém, ainda assim eu fui totalmente surpreendida pelo livro. Com a incrível semelhança da Lena Dunham comigo. Senti que, finalmente, havia encontrado alguém que entendia minhas peculiaridades, sendo a obra uma não-ficção sobre sua vida, quase uma biografia mesmo, porém não escrita com estética de biografia. #NemSouConfusaImagina

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Dito isso, preciso dizer que não é qualquer um que vai gostar do livro. Alguns – muitos, eu diria -, ficarão negativamente surpresos com ele. Chocados seria a palavra mais certa. Pessoas que acham que qualquer coisa diferente é uma anormalidade ficarão chocadas. Talvez, até algumas pessoas que estão acostumadas com o que não segue um padrão podem ficar chocados. Confesso que até eu me choquei com uma coisa ou duas, mas depois vi que estava sendo ridícula e parei. Isso porque Lena é única, original e faz coisas bem distintas do que são chamadas “normais”. É possível que achem que ela tem problemas psicológicos e emocionais e que precisa se tratar. Não que ela não precise, porque a medida que lemos o livro vemos que ela desenvolveu algumas síndromes durante a vida que precisam sim ser tratadas. Mas esse motivo é bem díspare do motivo que alguns darão para seu tratamento.

Explicamentos mais extensos sobre o livro: Lena é subversiva. Não para chocar, mas naturalmente. É sua essência. Ela é diferente e não se culpa ou nega sua diferença. Nisso diferimos porque, infelizmente, muitas vezes eu gostaria de ser como os demais pra ser um pouco melhor aceita. É verdade que ela já foi assim como eu, mas hoje em dia… Se aceita totalmente. E isso é inspirador.

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O livro é despretensioso. É uma narrativa de acontecimentos de sua vida, de todos os aspectos: profissional, amoroso, pessoal, etc. Ela fala sobre o que aprendeu com cada situação que viveu, sem querer impôr seus pensamentos sobre ninguém. Apenas expõe os fatos e seus aprendizados e quem quiser tirar alguma lição de suas palavras, que tire. Mas não parece ser seu objetivo. O livro parece um diário onde expurga os acontecimentos negativos para poder esquecer deles ao mesmo tempo em que percebe que eles foram necessários para ela estar onde está hoje. E também um lugar para ela deixar registrado o que de bom aconteceu para não esquecer de nada. Claro que são suposições minhas, posso estar totalmente errada – como vários professores de literatura ao interpretar poemas e trechos de livros clássicos. Mas é um livro leve, de escrita fluida e informal (do jeitinho que eu gosto), cheio de referências culturais que faz a gente perceber que não estamos sozinhos nesse mundo – com “a gente” quero dizer “excluídos e fora dos padrões”. E que, um dia, chegará a nossa vez, assim como chegou a dela.

Marquei várias passagens com as quais me identifiquei no livro (nunca tinha feito isso antes), e vou colocar as 10 de que gostei mais.

1. Fico pensando em quantas pessoas queridas assistem à televisão procurando sinais da própria destruição.

2. A realidade cruel da ansiedade é que você nunca acha que é boa o bastante.

3. A questão subtendida, nesses casos, é definitivamente como tenho coragem suficiente para expor meu corpo imperfeito, pois duvido que a mesma pergunta fosse feita a Blake Lively.

4. Não sou inveja da maneira tradicional – de namorados, bebês ou contas bancárias -, mas cobiço o jeito de ser de outras mulheres.

5. Sinto inveja das características masculinas, embora nem tanto dos homens. (…) O fato de serem tão livres do instinto de agradar às pessoas, algo que considero uma maldição da minha condição feminina.

6. E, no nosso trabalho, criamos um universo melhor ou mais claro. Ou, pelo menos, que faz mais sentido. Um lugar onde desejaríamos viver ou que poderíamos ao menos entender.

7. Ele me disse que as crianças populares nunca se tornam adultos interessantes e que as crianças interessantes nunca eram populares.

8. Era ansiosa e faminta: por arte nova, amigos novos, por sexo.

9. Penso bastante sobre o fato de que todos nós vamos morrer. Penso nisso nos momentos mais inoportunos.

10. (…) existe algo dentro de você – grande, explosivo, pronto para surpreender o mundo de maneira ruim se as pessoas não souberem lidar com você, mas preparado para se tornar uma coisa linda se alguém simplesmente prestar atenção. 

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Ah! Preciso fazer um aparte para as ilustrações que são super simples e bem propícias ao texto e a livro. A ilustradora é uma amiga de Lena que, inclusive, é citada em um dos capítulos (para conhecer mais sobre o trabalho dela, clique aqui). Aliás, muitos amigos, familiares e pessoas conhecidas são citadas em Não sou uma dessas. Queria muito saber o que elas acham de terem suas vidas contadas ao público desse jeito, mas elas já devem estar acostumadas, já que Lena parece não conter sua vida à, bem, sua vida. Ela parece precisar jogar tudo em seus produtos culturais. Talvez uma maneira de expurgar demônios, como eu tinha falado antes. Eu sei que adoraria fazer o mesmo, seria mais fácil me entender vendo minha vida em telas de TV e páginas de livro. E, preciso dizer, virei fã incondicional de Lena depois desse livro, mais ainda do que era quando só assistir a Girls!

Ilustração do livro.
Ilustração do livro.

O livro, intitulado Not that kind of girl, no original, é da Editora Intrínseca e custa, em média, R$29,90. Pra quem tem e-reader, tá em torno de uns R$18. Baratinho, né? Corre lá pra ler! E depois me diz o que achou!


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Pra ver: Girls

Como falei sobre o livro da Lena Dunham, Não sou uma dessas, no meu blog literário (pra ler o post, clique aqui), achei que nada mais justo e propício do que falar de Girls por aqui. girls-for-real- Eu demorei pra assistir Girls pela primeira vez e, quando finalmente assisti, demorei para engrenar. Mas uma gloriosa noite de insônia me fez ver praticamente uma temporada inteira de uma vez só e viciei. E uma vez viciada, impossível largar o vício! E pelo mesmo motivo que amei o livro da Lena, também adorei Girls: me identifiquei totalmente com a personagem “mais principal”, a Hannah, interpretada pela própria Lena. Obviamente, como todos que tem uma certa intimidade com o trabalho de Lena Dunham sabem, Hannah tem muito da própria atriz, já que ela tem o costume de jogar sua vida pessoal nas telas (e páginas de livro). Por isso seus personagens acabam sendo um pouco parecidos, pois tem muito dela, e uma vez que você se identifica com um, se identifica com todos. Os que ela interpreta, pelo menos. Mas isso não é algo negativo porque, ainda assim, o resultado é muito bom. Pra mim, é muito difícil falar de algo que gostei muito, porque fico achando que tudo que eu escrever não vai ser bom o suficiente e não vai demonstrar o quanto aquilo é bom. E quando eu gosto de uma coisa, eu quero que todos vejam/leiam/ouçam também porque quero que todos experienciem a mesma sensação boa que eu tive ao ver/ler/ouvir. Mas vou tentar. E, por favor, mesmo que esse post saia uma merda bela porcaria, por favor, me jurem que vão assistir Girls!!!!!!!!!!

Só tá faltando a Marnie na foto pra completar as 4 principais da série. Mas tudo bem, ela é a mais chata mesmo.
Só tá faltando a Marnie na foto pra completar as 4 principais da série. Mas tudo bem, ela é a mais chata mesmo.

Bem, a série, que é original da HBO (ou seja, pode esperar bastante sexo, mas todos tem um motivo, não são dispensáveis), é escrita e dirigida (alguns episódios, nem todos) pela Lena Dunham e foca na vida de 4 jovens mulheres: Hannah (Lena Dunham), Marnie (Allison Wiliams), Jessa (Jemina Kirke) e Shoshana (Zosia Mamet). Há pouquíssimo tempo, percebi que as quatro tem seus sobrenomes iniciados com a mesma letra de seus nomes, portanto seus nomes completos são Hannah Horvat, Marnie Michaels, Jessa Johansson e Shoshana Shapiro. Informação inútil? Sim. Mas eu adoro essas curiosidades e detalhes e achei legal compartilhar com vocês. Tudo começa quando Hannah, uma aspirante a escritora, é informada pelos pais de que terá o dinheiro que recebe deles cortado, como forma de estímulo para que comece de verdade sua vida e veja que precisa andar com os próprios pés para chegar a algum lugar. Não dá muito certo, mas não posso falar muito mais, caso alguém aqui ainda não tenha visto. Eu ficaria desesperada no lugar de Hannah (assim como fiquei quando saí de casa). Hannah divide o apartamento com Marnie, uma garota chata pra cacete cheia de problemas, apesar de linda, e que trabalha em uma galeria de arte. Além disso também temos Jessa, mulher livre e rebelde que não segue ordens ou regras e que está voando pela vida e sua prima Shoshana, o oposto de Jessa, super inocente e não vivida – e virgem. Isso tudo, claro, no início da série. Depois, tudo muda. Ou quase tudo. Algumas coisas permanecem iguais porque não dá pra se mudar a essência de uma pessoa, né? Tem também os meninos. No começo da série, Adam (Adam Driver), Charlie (Christopher Abbots) e Ray (Alex Karpovsky). Agora, na quarta (e atual) temporada, já não temos mais Charlie (ainda bem, porque ele era tão sem sal quanto a namorada, Marnie), mas temos Desi, interpretado pelo gato ator Ebon Moss-Bachrach (outro chato. adivinha com quem ele faz par?). Tem também o Elijah (Andrew Rannells), melhor amigo e ex-namorado (porém, agora descoberto gay) de Hannah, totalmente pirado. E alguns outros personagens que aparecem vez ou outra, mas igualmente interessantes.

Os homens:  Ray, Adam e Charlie na foto de cima; Elijah do lado esquerdo e Desi do lado direito.
Os homens: Ray, Adam e Charlie na foto de cima; Elijah do lado esquerdo e Desi do lado direito.

Contada a sinopse, acho que é hora de dizer o motivo de eu gostar tanto de Girls, né? Eu gosto porque é real. Eu gosto porque nada soa falso. Eu gosto porque todas as situações são completamente relacionáveis. Eu gosto porque eles tem problemas. Eu gosto porque tocam em assuntos, muitas vezes problemáticos, como parte do cotidiano, e não como algo de outro mundo. Eu estava lendo uma crítica de Girls e me deparei com esse fato e concordei totalmente. Em outros seriados, assuntos mais sérios, como aborto ou TOC, seriam tratados em um episódio que se falaria somente disso, o foco todo seria nesse aspecto e provavelmente todos as outras situações da série levariam e teria alguma relação com esse ponto específico. Viraria um circo. (claro que aqui estamos falando de dramas, já que o estilo principal de Girls é drama, apesar de ser engraçado também) Em Girls, isso não acontece, o que torna tudo mais real e relacionável. A vida não é assim. Todos a sua volta não param para tratar de certo ponto especial. Não, você tem que se virar e aprender a lidar com esse problema, senão sua vida vira um inferno e você não anda. E isso fica muito claro em Girls: o mundo não gira ao seu redor (apesar das personagens quererem que sim, sim elas são extremamente egocêntricas, mas quem não é?). Girls é muito mais relacionável do que Sex and the city, por exemplo. Eu, particularmente, não gosto da série da cara de cavalo Sarah Jessica Parker porque é uma realidade muito diferente da minha. Mulheres ricas, que adoram roupas, e que moram em um lado da cidade de NY que eu acho que me sentiria desconfortável só de colocar o pé. Já em Girls, é todo mundo real, todo mundo ferrado de grana, todo mundo cheio de problemas, todo mundo tentando viver a vida dia a dia do melhor jeito que dá.

Ray, Hannah e Adam no café que Ray trabalha e Hannah trabalhou por um tempo.
Ray, Hannah e Adam no café que Ray trabalha e Hannah trabalhou por um tempo.

Lena toca em várias questões interessantes na série também, o feminismo sendo o principal. A atriz é uma feminista de carteirinha, todos sabem disso, e em vários episódios deixa bem claro os direitos das mulheres e sua indignação por pensamentos machistas. E também por pensamentos não-liberais, sendo abertamente democrata. Outro fato que eu sempre gostei em Girls era de Lena sempre aparecer nua em cena. Ela não tem o corpo que é considerado padrão, e pra mim ela fazia questão de ter cenas em que seu corpo aparecia exatamente para quebrar essas padrões estéticos na televisão, o que eu achava o máximo. Porém, lendo o livro dela (que eu citei na primeira frase no post), percebi que não é beeeeeeem isso. Ela diz que há sexo na série porque essa é a realidade dos jovens e não poderia fazer uma série sobre jovens sem sexo porque os jovens fazem muito sexo. E como consequência disso, ela aparece sem roupa. Tem até uma frase do livro que marquei que mostra bem o que Lena pensa sobre essa questão: “A questão subtendida, nesses casos, é definitivamente como tenho coragem suficiente para expor meu corpo imperfeito, pois duvido que a mesma pergunta fosse feita a Blake Lively.” Ainda assim, é bom vermos outros padrões estéticos na tela da tv para não acharmos que o certo é sermos mega magras, até porque essa é uma porcentagem muito pequena das mulheres, ainda mais aqui no Brasil, onde o biotipo é todo curvilíneo.

Vamos todas cair na piscina sem medo!
Vamos todas cair na piscina sem medo! Foda-se os padrões!

Girls também tem um aspecto legal que eu, particularmente, não ligo, mas sei que muitas gostam, que são as roupas. Muitas delas são da boutique da mãe da Jemina Kirke (intérprete da Jessa), que também emprestava suas roupas para a série Sex and the city. Então são super bonitas e estilosas. Falando em estilo, cada personagem tem um, então dá pra se deleitar com diversas roupas e penteados de cabelo diferentes. Eu gosto muito das roupas usadas pela Hannah, mesmo tendo algumas que eu nunca colocaria na vida! Hahahahahaha E falando em cabelo, eu fiquei completamente apaixonada pelo corte de cabelo da Zosia Mamet (que faz a Shoshana) nessa quarta temporada. Pra vocês terem ideia, eu achava a atriz bem feinha até ela aparecer com esse novo corte. Agora a acho linda! E a Shoshana é, sem duvida, minha personagem favorita das meninas. Dos meninos, fico entre o Adam e o Ray, mas o Ray é tão problemático que acho que escolherei ele! Já a personagem que menos gosto acho que nem preciso falar, né? (mas é a Marnie, Ô garota sem sal!!!!!!!!!! e chata!!!!!!!!)

O cabelo novo da Zosia/Shoshana, que eu tô apaixonada!
O cabelo novo da Zosia/Shoshana, que eu tô apaixonada!

A trilha sonora também é bem legal. Claro que não vou lembrar de nenhuma música em particular agora, mas sei que volta e meia eu penso “putz, que música boa!”. Do mais, preciso falar que Girls já foi confirmada para mais uma temporada (yay!), ou seja, ano que vem tem mais Girls por aí! Mas por enquanto vamos todos desfrutar da quarta temporada, que está passando ainda na HBO, aos domingos, meia-noite (de domingo para segunda). Ou então, se você tem NET, pode esperar e ver no Now, como eu faço. O episódio novo sempre no meio da semana, na 3a ou 4a feira. Ou então baixar, né? Com certeza tem disponível por aí. E depois, por favor, venham aqui me dizer o que acharam porque eu quero que todo mundo ame tanto quanto eu!!!!!!!

Essa foto é só porque eu percebi que desgosto tanto da Marnie que não tinha colocado nenhuma foto em que ela aparece antes. Só a de biquíni, mas não dá pra ver seu rosto.
Essa foto é só porque eu percebi que desgosto tanto da Marnie que não tinha colocado nenhuma foto em que ela aparece antes. Só a de biquíni, mas não dá pra ver seu rosto. Ela é a que tá sentada na cadeira da mesinha.