Alice Maria (cap. 4)

(e às 23:46 de uma 5a feira, ela surge de volta. com vocês, Alice Maria)

*

Faltam dois dias pro ano novo, estamos todos no apartamento de Ulisses e Elisa, decidindo como será o ano novo. Na verdade, como vamos para o ano novo, que esse ano não será no apartamento de Ulisses (e Elisa), como todo ano, e sim na casa de Fausto em Búzios (“Foi um ano difícil, a gente tem que pelo menos terminar ele com uma festa de arromba”, disse alguém que não lembro quem foi). Não consigo parar de olhar pra Bernardo, sentado ao lado de Daniela, batendo altos papos. Como pode Bernardo, sabendo que somos todos inimigos declarados de Daniela (a garota quase expulsou Elisa da própria casa por ciúmes do Ulisses!), ter ficado amigo dela? “Ela não é tão ruim quando se conhece melhor”, disse ele. Não importa! Você não devia sequer ter querido conhece-la, pra começo de conversa, eu disse. Ou não disse, talvez tenha ficado somente na minha cabeça. Não, eu provavelmente disse. Mas ainda assim Bernardo não me ouviu e agora fica aí, de amizade com o inimigo. Traidor! Tô com tanta raiva que nem escuto quando Elisa pergunta se minha irmã vai mesmo com a gente pra Búzios, como ela tinha dito da última vez que encontrou a galera. Só reparo quando Elisa enfia a cabeça bem na minha frente e grita:

“Aliceeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!”

Dou uma breve golfada para dentro da boca devido ao susto. Os outros riem. Daniela também. Ah, eu quebro todos os seus dentinhos , um a um, e faço você engolir! Os outros são meus melhores amigos desde sempre, já você…

“Sua irmã vai com a gente?” Elisa repete, provavelmente mais enfática que da última vez.

“Vai, cruzes.” Respondo, soltando a perna de Rodrigo, que agarrei automaticamente quando Elisa berrou na minha cara. Logo depois, ele puxa a perna pra cima da cadeira que está sentado. Será que tem alguma ligação?

“Então somos onze.”

“Doze.” Diz Valentina de sua cadeira. “Meu irmão também vai porque meus pais vão pra uma festa de adultos.

Todos reparamos na irritação na voz de Valentina, mas decidimos ignorar para não deixar a situação ainda pior. A gente sabe que Valentina odeia a pouca atenção que seus pais dão ao Lucca e ela tá super certa – se é pra ter filho, é pra cuidar (ai meu deus, se é pra ter filho, é pra cuidar!!!!!!!!!!!!!!!) – , mas melhor não incentivar pra ela não se entristecer mais ainda.

“Mais alguém que não tinha avisado antes que ia e agora decidiu que vai, mesmo a gente já tendo comprado tudo pro ano novo?”

Tenho até medo de levantar o dedo pra falar que meu irmão vai com a namorada, mas tenho que fazer, mesmo tendo que enfrentar o olhar fuzilante de Elisa.

“Mas ele vai de carro, então, na verdade, mais ajuda do que atrapalha.” Adiciono.

Não adianta. Elisa bufa. Me lembrou alguém…

Portanto, assim vamos no dia 31: Valentina, Estevão e Lucca no carro do Ulisses;  Bernardo e a namorada (Érika) no carro da recém bff do Bernardo (ew!); Amanda e Julia, minha “cunhada”, no carro do Alan; e eu, Rodrigo e Elisa com Fausto. Eu só rezava pro Fausto e pra Elisa não darem com a língua nos dentes no caminho, e nem ninguém falar NADA durante a estada em Búzios.

 

Magicamente, conseguimos todos acordar cedo para a viagem no dia 31. Saímos um pouco mais tarde que o esperado (às sete, em vez de cinco, como Estevão sugeriu), mas ainda cedo. Não sei como consegui acordar às seis da manhã depois de ter dormido às quatro, isso porque Rodrigo dormiu em casa e quis fazer coisas e eu não quis (pois é, nunca achei que isso fosse possível) porque senão, bem, ele iria ver minha barriga. E com isso fiquei pensando que eu teria que contar logo, antes que eu pareça uma grávida de verdade – e antes também de ouvir algum telefonema da minha mãe, que desde que soube, me liga todo dia, perguntando como estou me sentindo e com várias dicas de como passar uma gravidez tranquila – e com isso a insônia imperou, claro. Não sei mais que desculpa dar, não sei mais como agir, e isso está me dando nos nervos. Talvez tenha sido por isso que passei tão mal durante o caminho até Búzios porque, até então, eu não tinha ficado nem enjoada. Fausto e Elisa se entreolhavam toda vez que eu pedia pra parar o carro pra vomitar (ODEIO vomitar em saquinhos, só me faz querer vomitar mais ainda, com aquela gosma tão perto do meu nariz e o cheiro que fica impregnado ali dentro), mas Rodrigo não desconfiou de nada. Achou só que eu tinha comido alguma coisa estragada – ainda bem.

Por causa dessas paradas, chegamos mais tarde que o resto das pessoas. O que foi bom, porque escapamos de pelo menos duas horas de arrumação, já que eles acharam que “se Fausto chegar e as coisas não estiverem em ordem, ele vai dar um chilique”. O que era verdade. Porém, fui liberada da arrumação. Fausto disse que depois de fazer tanto esforço pra colocar tanta coisa pra fora, eu precisava de um tempo pra recalibrar. Não me opus, obviamente. Por isso, deixei minhas coisas no quarto que eu dividiria com Rodrigo, meus irmãos e Julia (a casa era grande, mas não infinita), e fui pegar um ar na beira da piscina.

*

“De onde você acha que surgiu o vento?”

“A gente já teve essa conversa, Alice.”

Olho para o céu. E então para Fausto. E tento outra conversa.

“Você acha que a gente vai confundir estrela com fogos de novo?”

“Isso não vai colar dessa vez, Alice.”

Cara confusa da minha parte.

“Você não vai ficar falando de assuntos aleatórios pra fugir dos seus problemas, ainda mais quando eles são in-fugíveis.”

Cara irritada da minha parte.

“Não é mais fácil resolver tudo logo?”

Cara de ódio da minha parte.

Levanto e vou ajudar a arrumar a casa. Melhor do que ouvir o sermão de Fausto. Decepção.

 

Depois disso, passo o dia emburrada. Entristecida. Amuada. Como você quiser chamar. Finjo escutar conversas que, na verdade, estão passando batidas por mim. Me concentro em atividades que só faço para fugir de qualquer contato humano. Não quero conversar. Não quero estar na presença de outras pessoas, nem de Lucca, que afasto com peso no coração quando vem me chamar pra jogar videogame. Eu amo essa criança, mas não tô conseguindo lidar. E eu não quero lidar com porra nenhuma. Por que Fausto foi falar isso? Logo ele, cheio dos problemas pra resolver e só empurra com a barriga. Barriga… Melhor pensar em outra coisa.

 

Alice Maria é personagem do livro Queria tanto, de minha autoria, publicado em 2011 pela editora Benvirá. Porém, a história que aparecerá aqui no blog de vez em quando não é a mesma do livro, é uma história totalmente nova, uma continuação, feita somente para vocês.

_________♥_____________♡________

Segue eu!

Facebook * Twitter * Instagram * YouTube

Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

para o blog

Alice Maria (cap. 3)

Gente, eu até tentei escrever sobre outra coisa aqui no blog hoje, mas Alice tá muito afoita aqui pra saber a opinião de vocês sobre a vida dela, então eu fui obrigada a postar mais um capítulo. Tô adorando o feedback de vocês! Não parem de comentar não, please! 😉

Beijocas!

_________________*________________________*___________

Cena 3, interna, noite. Alice Maria, 26, caminha em seu apartamento extremamente bagunçado, só ela e seu gato amarelo Snoopy, que ronrona sem parar pelos seus pés enquanto ela quase chuta o gato por ele não parar de andar pelos seus pés. O espectador não sabe, mas Alice está tendo uma imensa batalha interna e seus órgãos não param de revirar porque 1)ela está grávida, o que, incrivelmente, é o que menos conta para a situação atual de seus órgãos, ou seja, o fato de eles estarem se revirando, e 2) ela não faz ideia de como contar para o pai da criança que essa criança é sua filha. Ou filho. Porque ela ainda não sabe. E ainda tem um motivo 3) para a “reviração” dos órgãos: ela não sabe se quer menino ou menina. O que não deveria ser uma preocupação tão grande, mas devido o estado em que ela se encontra, é a preocupação que resolve  se concentrar, dada que as outras preocupações são de um grau muito maior e Alice, ou seja, eu, não quer pensar nelas.

Vamos lá: nomes. Se for menino, pode ser… Não, vamos começar com os que não podem ser. Não pode ser Alan nem Álvaro, meus irmão e pai respectivamente, porque é total falta de criatividade uma criança ter o mesmo nome que outro alguém da família. Portanto, também não pode se chamar Rodrigo nem Miguel, pai e avô paterno da criança em questão. Também não tem como se chamar Bernardo, ou Fausto, ou Ulisses ou Estevão, porque, bem, são os nomes dos meus melhores amigos e eles estarão com ele o tempo todo. Sem contar que se eu colocar o nome de um, os outros três reclamarão pro resto da vida – principalmente se eu não colocar Fausto. Também não dá pra ser Gabriel. Não posso colocar no meu filho o nome do cara que eu fui apaixonada antes do pai dele. E Felipe é o nome do melhor beijo que dei até hoje, também não dá pra ser. Ok, vamos torcer pra ser menina, não é mesmo? Porque se for homem a criança vai ficar sem nome. Tá bom, nomes de meninas. Não pra Alice (por razões óbvias), não pra Amanda e Ana Maria (apesar de que tanto minha irmã quanto minha mãe iam amar serem “homenageadas”), e não pros nomes das minhas sisters from another misses, Elisa e Valentina. Também não pode ser Larissa (irmã do Rodrigo), nem Mônica (mãe). Não sei porque tô pensando nisso, tem que ser Elis. Sempre teve que ser Elis. E não importa o que Rodrigo vai dizer.

Ai meu Deus, o Rodrigo vai dizer algo. Pro Rodrigo dizer algo, ele tem que saber. E pra ele saber, eu tenho que contar.

Onde eu deixei minha bombinha de asma mesmo?

Ah é, eu não tenho asma.

Por quê????????????????????

 

“Mas Alice, você não disse que seus pais foram super compreensivos?” Valentina pergunta, me entregando um super chá gelado com um canudinho colorido cor de laranja.

“Uhum.” Respondo, dando um super gole no canudinho cor de laranja.

“E você não achava que eles não seriam?”

“Ela achava que seria um ‘tremendo desastre’” Elisa tenta imitar minha voz nas duas últimas palavras, mas essa voz aguda de taquara rachada que ela faz não tem nada a ver com a minha. Paro de tomar meu chá e bufo.

“Então…”

Valentina deixa a frase solta no ar e percebo que ela quer que eu complete de algum jeito. Mas eu não sei como ela quer que eu complete. Não de uma maneira que não termine com uma catástrofe no final.

“Então…” a imito, entonação de dúvida na voz.

“Pode ser que aconteça a mesma coisa com Rodrigo.”

A frase foi de Valentina, mas bufei mesmo assim. Elisa também.

“Você é tão inocente, Valentina… Ele vai ficar maluco!”

“Claro que não, Elisa! Rodrigo é tão legal. Eu tenho certeza que ele vai levar numa boa.”

Quase derrubo meu chá no tapete novo – e lindo – da Valentina depois dessa. Como ele pode levar numa boa a namorada grávida no meio de uma crise econômica no país? Como ele pode levar numa boa quando ele acabou de começar num trabalho novo e não tem estabilidade financeira nenhuma? E quando eu tenho que ter três empregos ao mesmo tempo só pra conseguir pagar as contas? Como ele pode levar numa boa? Digo tudo isso aos gritos pra Valentina antes de sair do apartamento dela, batendo a porta atrás de mim.

 

Subi andares e bati na porta. Fausto abriu, cara de sono, tinha acabado de acordar, fato, mesmo sendo duas horas da tarde. Esse é Fausto. E era dele que eu precisava.

“Não aguento mais a bondade de conto de fadas da Valentina, nem a super sinceridade da Elisa.” Eu disse, sentando na cama. Sim, Fausto tem uma cama na sala. Na verdade, ele tem tudo da sala, já que o apartamento dele é daqueles de um cômodo só. Dono do apartamento derrubou as paredes pra dar um clima mais único e descontraído ao lugar e blábláblá. Ficou a cara do Fausto. “Preciso de uma cerveja.”

“Você não bebe, Alice.” Ele disse, monocórdico.

“E daí?”

“Você tá grávida, Alice.” Mesmo tom de voz de antes.

“Dá pra todo mundo parar de me lembrar disso?”

E ele parou. E ficamos por duas horas assistindo um filme bobo, comendo pipoca e bebendo guaraná, e por essas duas horas eu fui somente Alice Maria, amiga de Fausto, cenógrafa de 26 anos que mora sozinha e não tem preocupações. Eu não disse que era de Fausto que eu precisava?

Alice Maria é personagem do livro Queria tanto, de minha autoria, publicado em 2011 pela editora Benvirá. Porém, a história que aparecerá aqui no blog de vez em quando não é a mesma do livro, é uma história totalmente nova, uma continuação, feita somente para vocês.

_________♥_____________♡________

Segue eu!

Facebook * Twitter * Instagram * YouTube

Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

para o blog

Alice Maria (cap. 2)

Se tem uma coisa que não sei fazer é disfarçar. E fui a pessoa mais ridícula do mundo tentando disfarçar pros meus pais que não, nada estava errado. Ansiosa, eu? Imagina! Tô super normal, feliz, olha, hoje é Natal, quanta comida, vamos comer e não falar mais nada? Mas claro, não consegui esconder nada dos meus irmãos. Sabe-se lá como – nem foi pelos meus dedos tremendo de nervoso, nem minha expressão constantemente alerta -, eles me questionaram, ou melhor, me interrogaram para saber o que diabos estava acontecendo que eu parecia o demônio da tasmânia, ou seja, não parava quieta. E claro, claro, que eu tive que chorar. Ridícula mania de chorar a cada percalço no caminho. Eu tenho 26 anos na cara, pelo amor de Deus, já tinha que ter aprendido a controlar esse choro compulsivo. Se eu não consigo me controlar, como vou conseguir criar uma criança. Ai meu santo cristinho, mais choro de soluçar.

Amanda fechou a porta do nosso ex-quarto (ex meu, ainda dela) enquanto Alan segurava meus braços com as duas mãos, tentando me acalmar. Só faltou balançar, igual em filme. Filme ruim, né, mas ainda assim, filme. Mas ele não me balançou, ele só olhou diretamente nos meus olhos e esperou que eu parasse com “essa palhaçada”, segundo as palavras de Amanda. Ah é, quando eu tô chorando é palhaçada, mas quando ela me liga desesperada aos prantos porque Rafael, namorado dela, queria transar menos porque estava precisando estudar mais, aí tudo bem, né?

“Alice, pelo amor de Deus, fala logo o que tá acontecendo senão eu vou achar que você tá morrendo.”

Desde que sofreu um acidente que deixou ele gravemente ferido, alguns anos atrás, Alan tá assim, dramático. Ok que ele ficou mais próximo da gente, se tornou bem mais carinhoso, mais presente, mas podia ter maneirado na dose de dramaticidade. Bem, eu não posso falar nada, vide a situação em que nos encontramos no momento.

Mas resolvo cooperar. Ou ao menos tento. Experimento colocar em prática o que li sobre a “respiração cachorrinho” – acho que preciso intensificar minhas leituras sobre gravidez porque não posso continuar chamando tudo de nome de animais – e aos poucos consigo me acalmar.

“Agora que parou esse escândalo, dá pra falar?” Amanda pergunta. No que começo a chorar tudo outra vez.

*

Alguns (muitos) minutos – e uma ida de Alan à sala para garantir aos meus pais que está tudo bem, só estamos tendo um “papo de irmãos” (só ele pra fazer com que acreditassem nessa frase estúpida mesmo) -, consigo, enfim, parar de verter lágrimas  suficiente pra contar o que está acontecendo. Explico, pausadamente, mais para meu benefício do que para o deles, já que não sei como reagiria caso contasse tudo de uma vez, que a irmã estúpida deles esqueceu de tomar pílula e aí…

“Você tá grávida??????”

“Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!” meu shhh é quase tão enfático quanto a exclamação de Amanda, então meus pais poderiam muito bem ter ouvido ambos lá da sala. Mas como sabemos que depois da ceia do Natal meu pai sempre dorme e minha mãe aproveita pra ver algum filme na tv sem a interrupção de seu amado esposo, fico mais tranquila. Por dois segundos.

“O que você vai fazer?” Amanda pergunta.

“O que eu vou fazer?” hiperventilo. “O que eu vou fazer, gente?” repito, as lágrima a beira de saírem de novo.

Alan e Amanda ficam me olhando com a mesma cara de interrogação, cara de duas pessoas que não sabem como reagir a uma pessoa desesperada que eles sabiam que não poderia ficar prenha no momento porque, bem, a grana é curta, não é mesmo? Mas que também não vai tirar a criança porque, bem, aborto não é uma opção pra mim, a criança já tá aqui dentro, já é uma pessoa, e como tirar uma pessoa minha? A solução é mesmo me curvar num cantinho e nunca mais sair dali. Mas como não é possível, o que me resta é chorar. E é o que faço, mais uma vez, enquanto os dois continuam me olhando sem saber o que fazer, talvez pelo fato de saberem que odeio ser consolada com abraços. Mas tem horas que é necessário.

“Dá pra vocês dois me abraçarem logo?”

Meu pedido é prontamente atendido.

Alice Maria é personagem do livro Queria tanto, de minha autoria, publicado em 2011 pela editora Benvirá. Porém, a história que aparecerá aqui no blog de vez em quando não é a mesma do livro, é uma história totalmente nova, uma continuação, feita somente para vocês.

_________♥_____________♡________

Segue eu!

Facebook * Twitter * Instagram * YouTube

Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

para o blog

30 Livros em 1 Ano – Fangirl (Rainbow Rowell) – Livro 16

Percebi que meu blog está virando um blog cultural, and I like it! hahahaha E hoje falarei de mais um livro que li nesse meu projeto de 30 livros em 1 ano, que percebi, mais uma vez, que se não escrever logo por aqui sobre os livros o ano acabará e eu não vou ter falado de todos eles! (e nem lido todos, mas isso é outro assunto)

Vou falar de um livro hoje que é um sucesso, todo mundo adora, e eu achei bem chato e ruim. Aliás, é o segundo livro que leio da Rainbow Rowell (o primeiro foi Eleanor & Park e nem consegui acabar de ler de tão chatinho que achei) e não consigo entender todo o alvoroço que fazem quando mencionam seu nome. Mas ok, gosto é gosto e cada um tem o seu, né? Enfim, começarei contando a sinopse do livro.

The blurb: Cath é fã da série de livros Simon Snow. Ok. Todo mundo é fã de Simon Snow, mas para Cath, ser fã é sua vida – e ela é realmente boa nisso. Vive lendo e relendo a série; está sempre antenada aos fóruns; escreve uma fanfic de sucesso; e até se veste igual aos personagens na estreia de cada filme. Diferente de sua irmã gêmea, Wren, que ao crescer deixou o fandom de lado, Cath simplesmente não consegue se desapegar. Ela não quer isso. Em sua fanfiction, um verdadeiro refúgio, Cath sempre sabe exatamente o que dizer, e pode escrever um romance muito mais intenso do que qualquer coisa que já experimentou na vida real. Mas agora que as duas estão indo para a faculdade, e Wren diz que não a quer como companheira de quarto, Cath se vê sozinha e completamente fora de sua zona de conforto. Uma nova realidade pode parecer assustadora para uma garota demasiadamente tímida. Mas ela terá de decidir se finalmente está preparada para abrir seu coração para novas pessoas e novas experiências. Será que Cath está pronta para começar a viver sua própria vida? Escrever suas próprias histórias? (retirada do Skoob)

DSC_0147

Pode ser que eu esteja muito longe da minha adolescência (ai, como é triste isso, 10 anos se param a Livia adolescente da adulta, ai que velhice!), mas achei os dilemas e conflitos da Cath, personagem principal, insuportáveis. Toda hora eu falava alto, “ai garota, para de frescura e age logo”. Não adianta, não consegui me identificar em nada com ela. E olha que eu era uma adolescente tímida e que me sentia sozinha no mundo. Mas a Cath é tão parada e fora da realidade que não dá pra aguentar. Eu só conseguia pensar que os problemas dela eram muito idiotas se comparados aos problemas da vida real de adulto (falta de dinheiro pra pagar as contas, escassez de empregos, violência sem fim que encontramos aqui no Rio de Janeiro, etc etc etc). Aí não conseguia me comover com as questões dela. Aliás, achei todos os personagens meio chatinhos e sem graça. Ok, todos não, porque Levi é totalmente gostável (pra não dizer apaixonante). E eu queria um amigo como ele. E por que ele é mais legal? Porque ele é mais velho e não fica reclamando das besteiras que adolescentes reclamam como se fosse acabar o mundo e, na verdade, depois verão, quando crescerem mais um pouco, que aquele problema não era nada se comparado à vida real. E eu fui uma adolescente assim também, que reclamava das coisas sem saber que tudo ia piorar. Talvez por isso a Cath tenha me irritado tanto. Mas eu não era tão paralisada e chata quanto ela, não. E a fanfic que Cath escreve no livro era tão cópia de Harry Potter (provavelmente a autora é fã de HP e quis homenagear o livro, sei lá) que eu não conseguia ler. Pulava todas as partes que tinha a fanfic de Cath e, quando eu lia, achava beeeeeeeeeeeeem ruim.

Rainbow Rowell e seu livro.
Rainbow Rowell e seu livro.

Não vou dizer que não tenha nada de bom no livro, afinal, eu até já disse que Levi é um personagem foda. E o estilo de escrita da Rainbow é bem legal também, informal e com sacadas inteligentes. Mas a história não me cativou nem um pouco, por tudo que já falei acima. Pra mim, eram personagens fracos com problemas bobos (tirando o problema com a mãe), e até mal desenvolvidos (os problemas). Mas como eu disse, gosto é gosto e muita gente adorou esse livro, então vai que você gosta? Mas admito que agora tô com bastante medo de ler qualquer outra coisa da Rainbow, já que me decepcionei com dois livros dela até agora, e nem a indicação da minha prima de outra história dela está me animando a ler, e olha que confio bastante no gosto da minha prima.

Ah! Fangirl foi lançado por aqui pela editora Novo Século e custa, em média, R$30 (ainda bem que comprei a versão digital pela Amazon e não gastei essa grana toda no livro, senão eu teria ficado bem p da vida).

_________♥_____________♡________

Segue eu!

Facebook * Twitter * Instagram * YouTube

Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

1535031_10202135446521247_1053149576_n1

30 LIVROS EM 1 ANO – Como eu era antes de você (Jojo Moyes) – LIVRO 15

Só digo uma coisa sobre esse livro: não leia se estiver passando por momentos difíceis na sua vida, emocionalmente falando. Porém, se mesmo depois dessa dica, você resolver ler, não esqueça de deixar a caixa de lenços do seu lado porque, olha, eita livro triste! E eita livro bom também!

DSC_0079

The Blurb: Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã que é mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Além disso, trabalha como garçonete num café, um emprego que ela adora e que, apesar de não pagar muito, ajuda nas despesas. E namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe. Quando o café fecha as portas, Lou se vê obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, a ex-garçonete consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. (sinopse retirada do Skoob)

Você pode ler essa sinopse e pensar “ah, que coisa chata e melosa”, mas você se engana, amiguinho! A escrita de Jojo Moyes não tem nada de melosa e é bastante vivaz, cheia de referências (algumas bem inglesas, que talvez a gente não entenda direito) e muito identificável. Falando em referências, quase explodi de emoção quando ela citou um Dalek, inimigo número um do Doctor na série que eu sou completamente apaixonada, Doctor Who. Já ganhou um ponto (um não, mil) só aí. E os pontos só iam aumentando a medida que eu lia o livro. É uma história comumente vista por aí em livros de drama? Pode até ser. Mas o jeito que é desenvolvido faz toda a diferença.

DSC_0090

A personagem principal, Louisa, é tudo que algumas personagens de alguns livros ruins que li (e depois comentarei por aqui) também são, mas muito melhor descrita e escrita. Ela tem camadas, ela não é uma coisa só (só atrapalhada, ou só tímida, ou só loser). Ela sofreu um evento traumático (não vou dizer qual é, óbvio!), mas a vida dela não é guiada por isso (o que não significa que não a afeta), como acontece na vida real. Ela é uma boa pessoa, mas isso não significa que não deixa de se irritar com fatos de sua vida que não tem como não se irritar – ela não é uma Pollyanna, o que é maravilhoso! É uma personagem 100% real, que poderia estar aqui do nosso lado. E eu acho até que conheço pessoas bem parecidas com ela (eu sendo uma delas. hahahaha).

Yes, Lou, yes! Obrigada por não ser perfeita.
Yes, Lou, yes! Obrigada por não ser perfeita.

Já Will é um pouco mais caricato. Caricato nem seria a palavra correta, mas sim o que se espera de uma pessoa que era super ativa e, de repente, se vê preso a uma cadeira de rodas, sem poder fazer nada sozinho. Mas, pense bem, não tem nada muito diferente que se possa fazer com esse personagem. Se Jojo inventasse um personagem todo feliz, os leitores iam achá-lo falso, porque ninguém fica super feliz por estar tetraplégico. E para muitos (imagino que para a maioria) é bem difícil aceitar essa realidade, não importa quanto tempo se passe. Então o personagem é tudo que ele poderia ser. E com um ar de ironia que faz qualquer um se apaixonar (sim, eu adoro pessoas irônicas e sarcásticas). E caro que tem toda aquela coisa de salvadora da pátria que eu tenho que quer salvar todo mundo e me atrai pessoas que precisam ser “salvas”, mas isso vocês não precisam saber, não é mesmo?

DSC_0088

Os outros personagens também são muito bem trabalhados e descritos, desde o sobrinho de Lou, que é apenas uma criança, passando pelo avô dela, que nem interage direito, ao enfermeiro de Will e seus pais, e até sua irmã (de Will), Georgina, que aparece bem pouco no livro. É possível entender a motivação e os sentimentos de cada um deles, até dos bêbados que só aparecem em uma cena!

Esse livro também faz você pensar muito em diversos assuntos, inclusive em assuntos que você não gostaria de pensar. E quebra paradigmas e certezas que antes tínhamos e que depois de ler o livro começamos a nos questionar se aquilo é mesmo o certo. Aliás, faz muito pensar se existe mesmo um certo e um errado. Muito vago? Eu sei, mas não posso ser mais direta senão estragaria todo o livro pra vocês. E eu não quero fazer isso, porque foi exatamente o que mais me chocou – e tocou – no livro.

Jojo Moyes e sua cara da santinha, mas que na verdade fez um livro pra botar muito marmanjo pensando - e chorando - por aí.
Jojo Moyes e sua cara da santinha, mas que na verdade fez um livro pra botar muito marmanjo pensando – e chorando – por aí.

Como eu era antes de você é, de longe, um dos melhores livros que li nesse ano. Em questão de romance/drama, é O melhor. Porque, pra mim, livro bom é aquele que te deixa pensando por muito tempo sobre ele, e sobre as questões propostas por ele, e esse livro fez isso comigo. E como! Indico muito!!!!!!!

I know the feeling...
I know the feeling…

Aaaaaaaaaaaaaah! E foi gravada a versão cinematográfica do livro, com Emilia Clarke (a Khalisi, de Game of Thrones) no papel principal, o delícia Sam Claflin (Finnick Odair, de Jogos Vorazes) como Will Traynor, e ainda Neville Longbottom Matthew Lewis como o chatérrimo namorado de Lou, Patrick. Se eu gostei da escalação? Em se tratando de Sam Claflin, hell yeah! Não importa o que ele faça, contanto que apareça na tela, eu já fico feliz. Já Lou, não sei se Emilia foi a escolha certa porque imaginava a personagem como alguém um pouco mais desengonçada, e Emilia é muito bonita para o papel. Mas vamos esperar pra ver, né? Vai que ela surpreende? O filme está marcado para estrear somente em 2016, então teremos que esperar bastante ainda pra chorar litros no cinema.

Emilia com Sam (à esquerda) e com um Matt todo malhadinho à direita. Pra mim, sempre será estranho ver Matthew Lewis crescido e com corpinho bonitinho desse jeito.
Emilia com Sam (à esquerda) e com um Matt todo malhadinho à direita. Pra mim, sempre será estranho ver Matthew Lewis crescido e com corpinho bonitinho desse jeito.

E vocês? Leram o livro? O que acharam? Estão ansiosos pra ver o livro no cinema? Me contem tudo!!!!!!! Os comentários estão aí pra isso, pra eu saber a opinião de vocês. Adoro saber o que pensam. 🙂

E até outro dia!

Muah!

DSC_0086

_________♥_____________♡________

Segue eu!

Facebook * Twitter * Instagram * YouTube

Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

1535031_10202135446521247_1053149576_n1

Como você escreve?

Olá pessoas!

Lembra que eu falei que esse mês eu ia falar um pouco mais sobre literatura? Então, hoje é um desses dias.

Se você sempre se perguntou como escritores escrevem, o que os faz escrever, como eles escrevem, como eles tem que estar se sentindo pra escrever, agora você descobrirá! Conversei um pouco com dois amigos meus, Daniel e Marina, que, assim como eu, escrevem (e eles escrevem muito bem) sobre escrita e nossos jeitos de escrever. Só dar play no vídeo aí abaixo pra descobrir. Esse é o só o primeiro de uma série de vídeos assim porque, obviamente, falamos demais e não coube tudo num só vídeo. hehehe E, por favor, se você também escreve, me diga nos comentários como vocês precisam estar pra escrever e tudo que envolve a sua escrita.

_________♡_____________♥________

Quero pedir desculpas por estar meio sumida e escrevendo pouco, mas tô enlouquecida aqui com uns projetos paralelos e sem tempo de passar por aqui. 😦 Mas em breve estarei de volta!

_________♥_____________♡________

Segue eu!

Facebook * Twitter * Instagram * YouTube

Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

1535031_10202135446521247_1053149576_n1

Bienal do Livro do Rio e Setembro Literário

Pessoas, você não curtiram o Louis Garrel?????? Ah, que maldade, deixaram o menino triste!

tumblr_me1bum8sPL1ro8bfdo1_500

Não sei como puderam ignorar a belezinha mór, maaaaas ok, entendo (na verdade, não, mas tudo bem).

Mas hoje não falarei de beldades masculinas, e sim de Bienal. Quem é do Rio sabe que tá rolando aqui a XVII Bienal do Livro. Começou no dia 03 de setembro e vai até o dia 13 desse mês. Terão inúmeros debates, manhãs/tardes/noites de autógrafos, presença de autores famosos, bate-papos e muitas, muitas editoras do Brasil inteiro vendendo seus livrinhos. Como eu não estava contando ir, eu não fiz minha listinha de livros que quero comprar, mas vi um livro que estará às vendas no estande da Senac que é a coisa mais linda do mundo e eu super quero ele pra mim agora. É o Caderno de receitas da Magali. Sim, a Magali da queridíssima Turma da Mônica. Olha que lindeza!

11949386_703794533085347_8137428316458417974_n

Como não ter vontade de colocar dentro do carrinho pra levar? Não dá!!!!!! E como esse livro é lançamento, sabe quem vai estar na Bienal para assiná-lo? Maurício de Sousa!!!!!! Ah, que sonho ter uma foto com ele ou algo autografado por ele, o homem que fez mais feliz as minhas tardes de criança com seus gibis que eu devorava! Mas como todo mundo ama Maurício tanto quanto eu, é sempre impossível conseguir uma senha para pegar um autógrafo dele, então acho que esse sonho vai ficar pra uma próxima encarnação – ou pra um esbarrão casual no meio da rua que teremos um dia (o que? uma garota pode sonhar!). Mas pra quem quiser enfrentar uma filinha básica pra tentar um tet-a-têt com o criador da Mônica, ele estará na Bienal na próxima 2a feira (07/09), às 11h no Auditório Madureira (Pavilhão 4 – Verde) e a distribuição de senhas começa às 10h,  na Central de Distribuição de Senhas, localizada entre a Praça Copacabana e o Espaço Maracanã, ao lado da Praça Central, na área externa do pavilhão.

Estande da Argentina. Foto tirada da página da Bienal do Livro no Facebook.
Estande da Argentina. Foto tirada da página da Bienal do Livro no Facebook.

Outra coisa legal dessa Bienal é que o país homenageado é a Argentina e eu pago o maior pau sou apaixonada pelo país. Então, tem um estande especial do país (foto) e uma programação exclusiva com e sobre autores argentinos, o máximo!

E, como homenagem à Bienal e porque percebi que sou uma escritora que fala muito pouco sobre livro, esse mês inteirinho, lá no meu canal no You Tube, falarei sobre livros e o mundo literário. Ou seja, setembro será um mês literário lá no canal. Quarta-feira passada já coloquei um vídeo falando um pouquinho sobre a Bienal e toda quarta-feira desse mês terá um vídeo novo sobre esse universo dos livros. Se você ainda não está inscrito no canal, dá um pulinho lá e se inscreva pra saber sempre que eu postar um vídeo novo. Ah! E também se tiver alguma dúvida (ou alguma sugestão de assunto) sobre livros, vida de escritor, vida de editora ou qualquer coisa relacionada ao tema, deixa nos comentários que respondo e um vídeo, ok? Espero que tenham gostado dessa novidade do canal! E preparem-se para encontrarem mais posts sobre literatura por aqui também este mês. 😉

E que, quem for à Bienal, se divirta muito e volte carregado de livros!

_________♥_____________♡________

Segue eu!

Facebook * Twitter * Instagram * YouTube

Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

1535031_10202135446521247_1053149576_n1