30 Livros em 1 Ano – The good luck of right now (Matthew Quick) – Livro 6

Mais do Matthew Quick, com a diferença que esse eu li na língua original (inglês), enquanto O lado bom da vida li a tradução. Assim como filmes dublados, eu sempre acho que livros traduzidos perdem um pouco da sua magia, não importa quão boa seja a tradução (quando a tradução é ruim então, nem se fala!). Quando se lê na língua que o autor escreveu, você fica sabendo quais foram suas escolhas de palavras, as coisas parecem fazer mais sentido. Claro que nem sempre isso é possível porque nem sempre entendemos o idioma original do livro. Eu, por exemplo, nunca poderei ler Dostoievski em russo! Mas quando é em inglês, sempre prefiro, apesar de nem sempre lembrar de comprar o livro nessa língua. Mas enfim… Vamos ao livro! (que por sinal, não tem versão traduzida, só em inglês mesmo

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Capa do livro.

The good luck of right now conta uma história super original, talvez a mais original (pelo menos uma das) que já li até hoje. O livro é sobre um homem (Bartholomew Neil) de 39 anos que perde a mãe inesperadamente e se vê totalmente perdido na vida, já que, até então, seu único trabalho era cuidar dessa mãe e ir à igreja com ela. Ele não tem amigos, não tem emprego, e não faz ideia do que será seu futuro. É até visto por muitos como um retardado – o que, infelizmente, às vezes ele acredita ser verdade (ai que ódio dos bullies dessa vida). Mas ele encontra uma carta de Richard Gere para sua mãe (daquelas escritas no computador e enviadas em milhares para as pessoas) e decide que Richard é sua resposta para tudo. Então, começa a escrever cartas para ele, como se o ator fosse seu confidente e melhor amigo que trará todas as respostas de que Bartholomew procura. E ainda tem na história um padre irlandês que bebe sem parar, uma estudante de psicologia que está ajudando Bartholomew a passar por toda essa situação e mais algumas pessoas que aparecem mais adiante e não quero contar pra não dar spoiler (sim, essa sempre será minha maior preocupação, não gosto de estragar as coisas para as pessoas).

Confesso que demorei pra engatar na história. Não sei se por estar sem ler um livro em inglês há muito tempo, ou pelo fato de todo capítulo ser uma nova carta (Matthew Quick super roubou minha ideia, porque eu pensei em fazer um livro todo de cartas ha pelo menos uns dez anos), ou pelo personagem principal ser totalmente diferente de qualquer outro personagem principal de qualquer livro que já li, o que levou a uma certa “acostumação” a ele. Só sei que no início, apesar de estar achando o livro em sua essência muito interessante (como eu já disse, muito original), eu não consegui entrar logo na história. Mas com o passar do tempo a história vai te pegando e você fica realmente interessado e curioso pra saber qual vai ser o próximo passo de Bart (meu apelido carinhoso para o personagem, apesar de em momento nenhum chamarem-no assim) na busca pelo seu caminho na vida. Não sei se por estar numa situação parecida com a dele, de descobrir quem eu sou e o que quero de verdade (algo que não acontece só na adolescência, como eu achava quando mais nova), mas me identifiquei muito com Bart e consegui entender de onde vinha toda a  sua motivação para praticamente tudo que ele fazia. Não sei se essa identificação vai acontecer com todos os leitores do livro (provavelmente não, já que é impossível um único personagem ser identificável a todas as pessoas) porque Bartholomew é um personagem bem diferente. Bem diferente mesmo. Mas temos que enxergar por trás da “estranheza” (por falta de melhor palavra) e buscar a essência dele. Acho que, fazendo isso, fica mais fácil entendê-lo. Sem contar que é um dos personagens mais puros que “conheci” ultimamente.

“Eu admiro sua disposição para ser gentil quase indiscriminadamente. Mas, infelizmente, é preciso muito mais que gentileza para sobreviver nesse mundo.
“Eu admiro sua disposição para ser gentil quase indiscriminadamente. Mas, infelizmente, é preciso muito mais que gentileza para sobreviver nesse mundo.” Eu entendi o que ela quis dizer, mas também entendia que a filosofia da mamãe era uma arma poderosa.” – trecho do livro em tradução livre. (foto tirada do site animals-pics.com)

Todos os outros personagens também são bem construídos, apesar de alguns sumirem meio sem explicação, o que achei um ponto negativo do livro. Mas é uma história muito legal do que é considerado normal e anormal, e como vendo as situações de outro ponto de vista, e conhecendo melhor as pessoas, conseguimos nos identificar com todo mundo e perceber que ninguém é estranho, ou errado, ou anormal, é só uma questão de conhecer a verdade da pessoa e de onde ela vem.

Gostei muito da abordagem de Matthew Quick, e o jeito que ele escreve é muito interessante, muito claro, normal, é uma escrita do cotidiano, sem muta formalidade. O fato de serem cartas é um dos motivos do estilo de escrita. E mais uma vez, assim como em O lado bom da vida, Matthew Quick fala sobre uma pessoa tentando se encontrar, e em uma personalidade que foge do que é considerado normal para a sociedade. Acho que sua preferência em escrever sobre os “outcasts” da sociedade é uma escolha muito acertada, pelo menos pra mim, que me considero totalmente outcast e prefiro mil vezes ler sobre personagens cheios de defeitos e incompreendidos do que personagens certinhos que todos amam. Gostei muito do livro.

Matthew Quick, livros e uma xícara de café. Escolhi essa foto totalmente pela xícara de café.
Matthew Quick, livros e uma xícara de café. Escolhi essa foto totalmente pela xícara de café.

Ah! Eu encontrei o livro na Saraiva, e por lá essa versão em inglês está numa base de R$35. O livro é em paperback (adoro!), tem duas capas diferentes e é da Editora Harper (EUA).

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30 Livros em 1 Ano – O lado bom da vida (Matthew Quick) – Livro 2

Hey soul sister!

Estive meio sumida no final de semana porque fiquei sem computador! Meu marido foi reformatar porque eu não faço ideia de como se mexe nesse negócio Fui reformatar meu notebook e deu um problema e fiquei sem ele por três dias! Quase morri! Mas agora ele está de volta e cá estou eu, escrevendo de novo! Ufa, crise de abstinência over, graças!

Hoje falarei de mais um livro, livro esse de um autor que ando meio viciada no momento, o Matthew Quick. Já li dois livros dele esse ano (O lado bom da vida e The Good Luck of Right Now), hoje comecei o terceiro (Quase uma rock star) e estou muuuuuuuuuito sedenta por Perdão, Leonard Peacock. Mas, porém, contudo, todavia, hoje falarei do primeiro citado – e também mais conhecido -: O lado bom da vida.

Matthew Quick aí pra vocês darem uma conferida nele. Ele não tem cara de que seria aquele amigo fabuloso que fala milhares de coisas engraçadas pra você?
Matthew Quick aí pra vocês darem uma conferida nele. Ele não tem cara de que seria aquele amigo fabuloso que fala milhares de coisas engraçadas pra você?

Esse livro de 2008 (mas que só foi lido por mim 7 anos depois de seu lançamento, até porque só foi lançado no Brasil em 2013, pela editora Intrínseca) que teve um filme baseado em sua história (só baseado mesmo, porque o filme é todo diferente e, desculpe a expressão, cagado) em 2013, é um dos livros mais identificáveis por mim da face da Terra (adicione a ele Carta para alguém bem perto, da Fernanda Young, O apanhador no campo de centeio que, aliás, é citado no livro, de J.D. Salinger, e Eu sou o mensageiro, de *suspiro* Markus Zusak) . “Isso quer dizer que você é maluca, Livia?” (já que o personagem principal do livro tem probleminhas mentais) Sim, isso quer dizer, sim. O QUE VOCÊ TEM COM ISSO? TEM CERTEZA QUE QUER IR CONTRA ALGUÉM LEVEMENTE (BASTANTE) DESPIROCADO? Mentira, gente, nem tô gritando…

Enfim, voltando à resenha do livro. O livro é realmente muito bom. E eu sei que falo muito isso das coisas, mas eu só falo muito isso das coisas que eu gosto de verdade, porque o que não gosto, eu não tenho vergonha de deixar claro que não gosto (como o livro que tô lendo agora, o terceiro do projeto, que até agora tô achando bem chato, mas isso é assunto para outro post). Mas ele é bom. Muito. Por que?, vocês me perguntam. Porque sim! Mentira, vou explicar.

Algumas capas do livro Silver Linings Playbook.
Algumas capas do livro Silver Linings Playbook.

Bem, só pra fazer um resumo do livro para quem não leu (e nem adianta falar que viu o filme, porque a história é BEM diferente), O lado bom da vida conta a história de Pat Peoples (adorei o nome, by the way), um homem de 30 e meios anos, meio que recém separado (na cabeça dele) de sua mulher, e que acaba de sair de uma instituição mental (apelidado “carinhosamente” por ele de Lugar Ruim). O sentido da vida dele pós-Lugar Ruim é reconquistar sua esposa, que ele não vê desde que entrou na instituição e, para isso, faz tudo que ele considera que ela gostaria que ele fizesse: perde peso, lê livros clássicos da literatura (sendo Nikki, sua esposa, professora de inglês) e, o mais importante de tudo, decide ver o lado bom da vida (daí o nome do livro) sendo positivo e agradável (e não tendo que ter sempre a razão, como fazia antes. Aiai, tão eu esse Pat Peoples). Porém, como não vive sozinho no mundo (apesar de mundo ideal de Pat só existir ele e Nikki), Pat precisa lidar com seus pais, seu irmão, seu terapeuta e também com Tiffany, irmã recém-viúva da esposa de um de seus melhores amigos, que decide começar a seguir Pat e não largar mais dele. Obviamente, Tiffany é vista por todos como mulher-problema, visto que diz o que quer, faz o quer e estar claramente passando por um difícil momento depois da morte de seu marido, Tommy.

Como dá para perceber, tanto Pat quanto Tifffany não estão em seu melhor momento mental. Ambos estão deprimidos e mentalmente não saudáveis. Acho incrível como o autor, Matthew Quick, consegue mostrar facilmente que Pat criou um mundo próprio na cabeça dele. E não importa o que as outras pessoas a seu redor falem, ele não acredita porque o mundo que criou é muito real. Apesar de totalmente desconexo. Ele não lembra de várias partes da sua vida pré-Lugar Ruim, e não consegue nem lembrar quantos anos ficou na instituição. Achei, inclusive, essa uma das partes mais sensacionais do livro e da criação dos personagens. Imagina você ter que conversar com uma pessoa sem mencionar tempo! É muito difícil! E é isso que a mãe de Pat, sempre tão protetora, sempre tão linda, sempre tão carinhosa e verdadeira (e tão mal explorada no filme) obriga todos a seu redor a fazer. Às vezes, isso acaba sendo prejudicial para o próprio Pat, mas conseguimos entender de onde está vindo esse desejo totalmente protetor da mãe: ela não quer que o filho sofra e ponto final. Ela trata Pat como uma criança porque, no momento, ele é uma criança. E isso fica bem claro no jeito de Pat se expressar, algo que me incomodou muito no começo do livro e que até achei que fosse um erro de tradução, uma tradução mal feita. Mas depois percebi que era intencional, pois era assim que Pat estava naquele momento: sendo uma criança, frágil como uma. Talvez por isso a pessoa com quem ele se sinta melhor (além de Tiffany) seja a filha bebê de seu amigo Ronnie, porque ele se identifica com ela e consegue entendê-la. E talvez ele sinta que ela também consegue entendê-lo porque, naquele momento, mais ninguém consegue.

“A vida não é um filme água com açúcar. A vida real, com frequência, acaba mal. A literatura tenta documentar essa realidade, enquanto nos mostra que é possível suportar isso com nobreza.” Trecho do livro O lado bom da vida. (super me identificando com o primeiro trecho dessa frase no dia de hoje)
“A vida não é um filme água com açúcar. A vida real, com frequência, acaba mal. A literatura tenta documentar essa realidade, enquanto nos mostra que é possível suportar isso com nobreza.” Trecho do livro O lado bom da vida. (super me identificando com o primeiro trecho dessa frase no dia de hoje)

Achei muito bonita e delicada como toda essa questão da doença mental é tratada por todos os personagens que permeiam o livro: dos que entendem e tentam ajudar aos que fingem que não existe e não conseguem lidar, como o pai de Pat, um sujeito totalmente fechado e avesso à “emocionalidades”. É incrível ver como uma pessoa é guiada na vida por coisas aparentemente sem valor, como um time (no caso, de futebol americano), e como o amor por um time pode modificar relações. Gostei muito dese aspecto do livro e me fez enxergar os fanáticos por futebol de uma maneira completamente diferente (mas continuo achando os que batem – e às vezes até matam! – nos outros por causa de um time totalmente babacas e idiotas).

Ver Pat enxergar essa realidade real, e não a realidade da cabeça dele, aos poucos e ver como ele lida com tudo é muito interessante. Nos faz perceber como lidamos com a nossa vida também. E, claro, a compreender um pouco mais aqueles que tem um pouco mais de dificuldade em viver a vida, que são mais sensíveis, que tem problemas, e a perceber que coisas como depressão, bipolaridade,anorexia, ansiedade exacerbada, e toda essas doenças da mente não são brincadeira. Até mesmo pra mim, que já enfrentei algumas dessas doenças (depressão e anorexia), foi importante, porque você acaba achando que esses problemas são só seus e os outros não sofrem tanto quanto você, e acaba desvalorizando os sentimentos de algumas pessoas, quando elas podem estar sofrendo tanto ou até mais que você. E desvalorizá-las com certeza não as ajuda. Talvez esse livro tenha me tocado tanto exatamente por isso, porque eu sei o que Pat sente. E a relação que se forma entre Pat e Tiffany também tem a ver com isso, porque um sabe o que o outro está sentindo – apesar de Tiffany entender Pat muito mais do que ele a entende, já que ele está naquele mundo obcecado do Pat onde só enxerga uma coisa: Nikki.

Fico com medo de dizer mais coisa e acabar dando spoiler dimais. Sei que é um livro antigo, que até já saiu filme (que, repito, não tem nada a ver com o livro!), mas sei que muitas pessoas podem ainda não ter lido, como eu, e não quero estragar mais nada para essas pessoas. Acabo, então, dizendo que é um puta livro, delicado e sincero, muito bem escrito e com personagens muito bem delineados, com função exata para cada um. E nenhum fio fica solto no final, o que também é um grande ponto. Só não espere um final cliché porque, afinal, não é um filme água com açúcar. 😉

A capa do livro aqui. Acho tão chato quando mudam a capa por causa do filme, fica tão sem graça.
A capa do livro aqui. Acho tão chato quando mudam a capa por causa do filme, fica tão sem graça.

Ah! Se vocês quiserem me ver falando sobre esse livro, fiz um vídeo sobre  a diferença entre o livro e o filme e coloquei lá no canal. Na época, eu ainda tinha o outro blog sobre o projeto 30 livros em um ano, então falo do blog lá, mas é só ignorar. hahahahahaha

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