Venha ver o pôr-do-sol & outros contos (Lygia Fagundes Telles) – LIVRO 24

Sim, eu assumo: na reta final do projeto, comecei a ler vários livros de contos porque eu estava com medo de não conseguir chegar aos 30 livros, que era meu objetivo final, e contos são mais rápidos de ler. Por isso, fiquei muito feliz e contente quando minha amiga me emprestou esse livro da Lygia Fagundes Telles, autora que ela adora e eu estava, na verdade, bem curiosa pra conhecer de tanto que ela falava (isso depois de eu parar de confundi-la com a Lygia Bojunga Nunes, autora de livros infantis que eu amava quando era criança). Eu li Venha ver o pôr do sol & outros contos muito rápido mesmo, já que os contos são curtos e fáceis de serem lidos – e interessantes. Bem, alguns. Não posso dizer que amei o livro. Achei o livro todo bem ok. São contos legaizinhos e bom de passar o tempo, mas não achei nada espetacular (desculpa, Marina!).

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Confesso que não sou muito fã de clássicos. Livros clássicos, autores clássicos, pele menos, não os brasileiros (tirando Machado de Assis, que sou apaixonada, e Monteiro Lobato). Gosto muito da literatura atual, de escritores jovens e com linguagem mais informal. Talvez por isso não tenha ficado tão fã assim do livro de Lygia, autora super de renome, ganhadora não só uma, mas duas vezes, do prêmio Jabuti. Lygia também é autora do famoso Ciranda de pedra, que depois foi transformado em novela. Mas não é de Lygia e muito menos de outros livros dela que estou aqui para falar, e sim desse livro específico de contos.

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Como o livro é de 1988, preferi colocar uma foto mais antiga de Lygia também.

O livro tem contos bem dark, clima não muito comum para mulheres escreverem, muito menos naquela época. É algo bem interessante e diferente, difícil de ser encontrado até na literatura aqui do país. Isso achei bem legal, essa peculiaridade e que torna sua escrita única. Porém, como todo livro de contos, alguns são mais legais e outros menos. Gostei, particularmente, de um intitulado Natal na barca. Foi o que mais me tocou e alguns trechos mexeram bastante comigo. Mas acho que nenhum outro me moveu internamente como esse. Por isso, não achei o livro sensacional, porque pra eu considerar um livro muito bom, ele tem que transformar ou tocar alguma coisa em mim, e esse, além do conto acima citado, não fez.

“Como não bastasse a pobreza que espiava pelos remendos da sua roupa, perdera o filhinho, o marido, e ainda via pairar uma sombra sobre o segundo filho que ninava nos braços. E ali estava sem a menor revolta, confiante. Intocável.Apatia? Não, não podiam ser de uma apática aqueles olhos vivíssimos e aquelas mãos enérgicas.”

Trecho do conto Natal na barca.

Ainda quero ler mais coisas da Lygia porque confio muito nas indicações da minha amiga que me emprestou o livro. Mas esse, infelizmente, não tocou o fundo do meu âmago. Ah! O livro saiu por aqui pela editora Ática, mas entrei no site de várias livrarias e ele se encontra indisponível. Se você tiver interesse de ler, acho que a solução vai ser catar em alguma biblioteca ou pegar emprestado de algum amigo, como eu fiz. 🙂

The Blurb (retirado do Skoob): Oito textos envolventes falam, com sensibilidade, de pessoas comuns, cujas vidas são abaladas por fatos insólitos ou dramáticos.

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Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

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30 Livros em 1 Ano – O lado bom da vida (Matthew Quick) – Livro 2

Hey soul sister!

Estive meio sumida no final de semana porque fiquei sem computador! Meu marido foi reformatar porque eu não faço ideia de como se mexe nesse negócio Fui reformatar meu notebook e deu um problema e fiquei sem ele por três dias! Quase morri! Mas agora ele está de volta e cá estou eu, escrevendo de novo! Ufa, crise de abstinência over, graças!

Hoje falarei de mais um livro, livro esse de um autor que ando meio viciada no momento, o Matthew Quick. Já li dois livros dele esse ano (O lado bom da vida e The Good Luck of Right Now), hoje comecei o terceiro (Quase uma rock star) e estou muuuuuuuuuito sedenta por Perdão, Leonard Peacock. Mas, porém, contudo, todavia, hoje falarei do primeiro citado – e também mais conhecido -: O lado bom da vida.

Matthew Quick aí pra vocês darem uma conferida nele. Ele não tem cara de que seria aquele amigo fabuloso que fala milhares de coisas engraçadas pra você?
Matthew Quick aí pra vocês darem uma conferida nele. Ele não tem cara de que seria aquele amigo fabuloso que fala milhares de coisas engraçadas pra você?

Esse livro de 2008 (mas que só foi lido por mim 7 anos depois de seu lançamento, até porque só foi lançado no Brasil em 2013, pela editora Intrínseca) que teve um filme baseado em sua história (só baseado mesmo, porque o filme é todo diferente e, desculpe a expressão, cagado) em 2013, é um dos livros mais identificáveis por mim da face da Terra (adicione a ele Carta para alguém bem perto, da Fernanda Young, O apanhador no campo de centeio que, aliás, é citado no livro, de J.D. Salinger, e Eu sou o mensageiro, de *suspiro* Markus Zusak) . “Isso quer dizer que você é maluca, Livia?” (já que o personagem principal do livro tem probleminhas mentais) Sim, isso quer dizer, sim. O QUE VOCÊ TEM COM ISSO? TEM CERTEZA QUE QUER IR CONTRA ALGUÉM LEVEMENTE (BASTANTE) DESPIROCADO? Mentira, gente, nem tô gritando…

Enfim, voltando à resenha do livro. O livro é realmente muito bom. E eu sei que falo muito isso das coisas, mas eu só falo muito isso das coisas que eu gosto de verdade, porque o que não gosto, eu não tenho vergonha de deixar claro que não gosto (como o livro que tô lendo agora, o terceiro do projeto, que até agora tô achando bem chato, mas isso é assunto para outro post). Mas ele é bom. Muito. Por que?, vocês me perguntam. Porque sim! Mentira, vou explicar.

Algumas capas do livro Silver Linings Playbook.
Algumas capas do livro Silver Linings Playbook.

Bem, só pra fazer um resumo do livro para quem não leu (e nem adianta falar que viu o filme, porque a história é BEM diferente), O lado bom da vida conta a história de Pat Peoples (adorei o nome, by the way), um homem de 30 e meios anos, meio que recém separado (na cabeça dele) de sua mulher, e que acaba de sair de uma instituição mental (apelidado “carinhosamente” por ele de Lugar Ruim). O sentido da vida dele pós-Lugar Ruim é reconquistar sua esposa, que ele não vê desde que entrou na instituição e, para isso, faz tudo que ele considera que ela gostaria que ele fizesse: perde peso, lê livros clássicos da literatura (sendo Nikki, sua esposa, professora de inglês) e, o mais importante de tudo, decide ver o lado bom da vida (daí o nome do livro) sendo positivo e agradável (e não tendo que ter sempre a razão, como fazia antes. Aiai, tão eu esse Pat Peoples). Porém, como não vive sozinho no mundo (apesar de mundo ideal de Pat só existir ele e Nikki), Pat precisa lidar com seus pais, seu irmão, seu terapeuta e também com Tiffany, irmã recém-viúva da esposa de um de seus melhores amigos, que decide começar a seguir Pat e não largar mais dele. Obviamente, Tiffany é vista por todos como mulher-problema, visto que diz o que quer, faz o quer e estar claramente passando por um difícil momento depois da morte de seu marido, Tommy.

Como dá para perceber, tanto Pat quanto Tifffany não estão em seu melhor momento mental. Ambos estão deprimidos e mentalmente não saudáveis. Acho incrível como o autor, Matthew Quick, consegue mostrar facilmente que Pat criou um mundo próprio na cabeça dele. E não importa o que as outras pessoas a seu redor falem, ele não acredita porque o mundo que criou é muito real. Apesar de totalmente desconexo. Ele não lembra de várias partes da sua vida pré-Lugar Ruim, e não consegue nem lembrar quantos anos ficou na instituição. Achei, inclusive, essa uma das partes mais sensacionais do livro e da criação dos personagens. Imagina você ter que conversar com uma pessoa sem mencionar tempo! É muito difícil! E é isso que a mãe de Pat, sempre tão protetora, sempre tão linda, sempre tão carinhosa e verdadeira (e tão mal explorada no filme) obriga todos a seu redor a fazer. Às vezes, isso acaba sendo prejudicial para o próprio Pat, mas conseguimos entender de onde está vindo esse desejo totalmente protetor da mãe: ela não quer que o filho sofra e ponto final. Ela trata Pat como uma criança porque, no momento, ele é uma criança. E isso fica bem claro no jeito de Pat se expressar, algo que me incomodou muito no começo do livro e que até achei que fosse um erro de tradução, uma tradução mal feita. Mas depois percebi que era intencional, pois era assim que Pat estava naquele momento: sendo uma criança, frágil como uma. Talvez por isso a pessoa com quem ele se sinta melhor (além de Tiffany) seja a filha bebê de seu amigo Ronnie, porque ele se identifica com ela e consegue entendê-la. E talvez ele sinta que ela também consegue entendê-lo porque, naquele momento, mais ninguém consegue.

“A vida não é um filme água com açúcar. A vida real, com frequência, acaba mal. A literatura tenta documentar essa realidade, enquanto nos mostra que é possível suportar isso com nobreza.” Trecho do livro O lado bom da vida. (super me identificando com o primeiro trecho dessa frase no dia de hoje)
“A vida não é um filme água com açúcar. A vida real, com frequência, acaba mal. A literatura tenta documentar essa realidade, enquanto nos mostra que é possível suportar isso com nobreza.” Trecho do livro O lado bom da vida. (super me identificando com o primeiro trecho dessa frase no dia de hoje)

Achei muito bonita e delicada como toda essa questão da doença mental é tratada por todos os personagens que permeiam o livro: dos que entendem e tentam ajudar aos que fingem que não existe e não conseguem lidar, como o pai de Pat, um sujeito totalmente fechado e avesso à “emocionalidades”. É incrível ver como uma pessoa é guiada na vida por coisas aparentemente sem valor, como um time (no caso, de futebol americano), e como o amor por um time pode modificar relações. Gostei muito dese aspecto do livro e me fez enxergar os fanáticos por futebol de uma maneira completamente diferente (mas continuo achando os que batem – e às vezes até matam! – nos outros por causa de um time totalmente babacas e idiotas).

Ver Pat enxergar essa realidade real, e não a realidade da cabeça dele, aos poucos e ver como ele lida com tudo é muito interessante. Nos faz perceber como lidamos com a nossa vida também. E, claro, a compreender um pouco mais aqueles que tem um pouco mais de dificuldade em viver a vida, que são mais sensíveis, que tem problemas, e a perceber que coisas como depressão, bipolaridade,anorexia, ansiedade exacerbada, e toda essas doenças da mente não são brincadeira. Até mesmo pra mim, que já enfrentei algumas dessas doenças (depressão e anorexia), foi importante, porque você acaba achando que esses problemas são só seus e os outros não sofrem tanto quanto você, e acaba desvalorizando os sentimentos de algumas pessoas, quando elas podem estar sofrendo tanto ou até mais que você. E desvalorizá-las com certeza não as ajuda. Talvez esse livro tenha me tocado tanto exatamente por isso, porque eu sei o que Pat sente. E a relação que se forma entre Pat e Tiffany também tem a ver com isso, porque um sabe o que o outro está sentindo – apesar de Tiffany entender Pat muito mais do que ele a entende, já que ele está naquele mundo obcecado do Pat onde só enxerga uma coisa: Nikki.

Fico com medo de dizer mais coisa e acabar dando spoiler dimais. Sei que é um livro antigo, que até já saiu filme (que, repito, não tem nada a ver com o livro!), mas sei que muitas pessoas podem ainda não ter lido, como eu, e não quero estragar mais nada para essas pessoas. Acabo, então, dizendo que é um puta livro, delicado e sincero, muito bem escrito e com personagens muito bem delineados, com função exata para cada um. E nenhum fio fica solto no final, o que também é um grande ponto. Só não espere um final cliché porque, afinal, não é um filme água com açúcar. 😉

A capa do livro aqui. Acho tão chato quando mudam a capa por causa do filme, fica tão sem graça.
A capa do livro aqui. Acho tão chato quando mudam a capa por causa do filme, fica tão sem graça.

Ah! Se vocês quiserem me ver falando sobre esse livro, fiz um vídeo sobre  a diferença entre o livro e o filme e coloquei lá no canal. Na época, eu ainda tinha o outro blog sobre o projeto 30 livros em um ano, então falo do blog lá, mas é só ignorar. hahahahahaha

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Pra ver: Girls

Como falei sobre o livro da Lena Dunham, Não sou uma dessas, no meu blog literário (pra ler o post, clique aqui), achei que nada mais justo e propício do que falar de Girls por aqui. girls-for-real- Eu demorei pra assistir Girls pela primeira vez e, quando finalmente assisti, demorei para engrenar. Mas uma gloriosa noite de insônia me fez ver praticamente uma temporada inteira de uma vez só e viciei. E uma vez viciada, impossível largar o vício! E pelo mesmo motivo que amei o livro da Lena, também adorei Girls: me identifiquei totalmente com a personagem “mais principal”, a Hannah, interpretada pela própria Lena. Obviamente, como todos que tem uma certa intimidade com o trabalho de Lena Dunham sabem, Hannah tem muito da própria atriz, já que ela tem o costume de jogar sua vida pessoal nas telas (e páginas de livro). Por isso seus personagens acabam sendo um pouco parecidos, pois tem muito dela, e uma vez que você se identifica com um, se identifica com todos. Os que ela interpreta, pelo menos. Mas isso não é algo negativo porque, ainda assim, o resultado é muito bom. Pra mim, é muito difícil falar de algo que gostei muito, porque fico achando que tudo que eu escrever não vai ser bom o suficiente e não vai demonstrar o quanto aquilo é bom. E quando eu gosto de uma coisa, eu quero que todos vejam/leiam/ouçam também porque quero que todos experienciem a mesma sensação boa que eu tive ao ver/ler/ouvir. Mas vou tentar. E, por favor, mesmo que esse post saia uma merda bela porcaria, por favor, me jurem que vão assistir Girls!!!!!!!!!!

Só tá faltando a Marnie na foto pra completar as 4 principais da série. Mas tudo bem, ela é a mais chata mesmo.
Só tá faltando a Marnie na foto pra completar as 4 principais da série. Mas tudo bem, ela é a mais chata mesmo.

Bem, a série, que é original da HBO (ou seja, pode esperar bastante sexo, mas todos tem um motivo, não são dispensáveis), é escrita e dirigida (alguns episódios, nem todos) pela Lena Dunham e foca na vida de 4 jovens mulheres: Hannah (Lena Dunham), Marnie (Allison Wiliams), Jessa (Jemina Kirke) e Shoshana (Zosia Mamet). Há pouquíssimo tempo, percebi que as quatro tem seus sobrenomes iniciados com a mesma letra de seus nomes, portanto seus nomes completos são Hannah Horvat, Marnie Michaels, Jessa Johansson e Shoshana Shapiro. Informação inútil? Sim. Mas eu adoro essas curiosidades e detalhes e achei legal compartilhar com vocês. Tudo começa quando Hannah, uma aspirante a escritora, é informada pelos pais de que terá o dinheiro que recebe deles cortado, como forma de estímulo para que comece de verdade sua vida e veja que precisa andar com os próprios pés para chegar a algum lugar. Não dá muito certo, mas não posso falar muito mais, caso alguém aqui ainda não tenha visto. Eu ficaria desesperada no lugar de Hannah (assim como fiquei quando saí de casa). Hannah divide o apartamento com Marnie, uma garota chata pra cacete cheia de problemas, apesar de linda, e que trabalha em uma galeria de arte. Além disso também temos Jessa, mulher livre e rebelde que não segue ordens ou regras e que está voando pela vida e sua prima Shoshana, o oposto de Jessa, super inocente e não vivida – e virgem. Isso tudo, claro, no início da série. Depois, tudo muda. Ou quase tudo. Algumas coisas permanecem iguais porque não dá pra se mudar a essência de uma pessoa, né? Tem também os meninos. No começo da série, Adam (Adam Driver), Charlie (Christopher Abbots) e Ray (Alex Karpovsky). Agora, na quarta (e atual) temporada, já não temos mais Charlie (ainda bem, porque ele era tão sem sal quanto a namorada, Marnie), mas temos Desi, interpretado pelo gato ator Ebon Moss-Bachrach (outro chato. adivinha com quem ele faz par?). Tem também o Elijah (Andrew Rannells), melhor amigo e ex-namorado (porém, agora descoberto gay) de Hannah, totalmente pirado. E alguns outros personagens que aparecem vez ou outra, mas igualmente interessantes.

Os homens:  Ray, Adam e Charlie na foto de cima; Elijah do lado esquerdo e Desi do lado direito.
Os homens: Ray, Adam e Charlie na foto de cima; Elijah do lado esquerdo e Desi do lado direito.

Contada a sinopse, acho que é hora de dizer o motivo de eu gostar tanto de Girls, né? Eu gosto porque é real. Eu gosto porque nada soa falso. Eu gosto porque todas as situações são completamente relacionáveis. Eu gosto porque eles tem problemas. Eu gosto porque tocam em assuntos, muitas vezes problemáticos, como parte do cotidiano, e não como algo de outro mundo. Eu estava lendo uma crítica de Girls e me deparei com esse fato e concordei totalmente. Em outros seriados, assuntos mais sérios, como aborto ou TOC, seriam tratados em um episódio que se falaria somente disso, o foco todo seria nesse aspecto e provavelmente todos as outras situações da série levariam e teria alguma relação com esse ponto específico. Viraria um circo. (claro que aqui estamos falando de dramas, já que o estilo principal de Girls é drama, apesar de ser engraçado também) Em Girls, isso não acontece, o que torna tudo mais real e relacionável. A vida não é assim. Todos a sua volta não param para tratar de certo ponto especial. Não, você tem que se virar e aprender a lidar com esse problema, senão sua vida vira um inferno e você não anda. E isso fica muito claro em Girls: o mundo não gira ao seu redor (apesar das personagens quererem que sim, sim elas são extremamente egocêntricas, mas quem não é?). Girls é muito mais relacionável do que Sex and the city, por exemplo. Eu, particularmente, não gosto da série da cara de cavalo Sarah Jessica Parker porque é uma realidade muito diferente da minha. Mulheres ricas, que adoram roupas, e que moram em um lado da cidade de NY que eu acho que me sentiria desconfortável só de colocar o pé. Já em Girls, é todo mundo real, todo mundo ferrado de grana, todo mundo cheio de problemas, todo mundo tentando viver a vida dia a dia do melhor jeito que dá.

Ray, Hannah e Adam no café que Ray trabalha e Hannah trabalhou por um tempo.
Ray, Hannah e Adam no café que Ray trabalha e Hannah trabalhou por um tempo.

Lena toca em várias questões interessantes na série também, o feminismo sendo o principal. A atriz é uma feminista de carteirinha, todos sabem disso, e em vários episódios deixa bem claro os direitos das mulheres e sua indignação por pensamentos machistas. E também por pensamentos não-liberais, sendo abertamente democrata. Outro fato que eu sempre gostei em Girls era de Lena sempre aparecer nua em cena. Ela não tem o corpo que é considerado padrão, e pra mim ela fazia questão de ter cenas em que seu corpo aparecia exatamente para quebrar essas padrões estéticos na televisão, o que eu achava o máximo. Porém, lendo o livro dela (que eu citei na primeira frase no post), percebi que não é beeeeeeem isso. Ela diz que há sexo na série porque essa é a realidade dos jovens e não poderia fazer uma série sobre jovens sem sexo porque os jovens fazem muito sexo. E como consequência disso, ela aparece sem roupa. Tem até uma frase do livro que marquei que mostra bem o que Lena pensa sobre essa questão: “A questão subtendida, nesses casos, é definitivamente como tenho coragem suficiente para expor meu corpo imperfeito, pois duvido que a mesma pergunta fosse feita a Blake Lively.” Ainda assim, é bom vermos outros padrões estéticos na tela da tv para não acharmos que o certo é sermos mega magras, até porque essa é uma porcentagem muito pequena das mulheres, ainda mais aqui no Brasil, onde o biotipo é todo curvilíneo.

Vamos todas cair na piscina sem medo!
Vamos todas cair na piscina sem medo! Foda-se os padrões!

Girls também tem um aspecto legal que eu, particularmente, não ligo, mas sei que muitas gostam, que são as roupas. Muitas delas são da boutique da mãe da Jemina Kirke (intérprete da Jessa), que também emprestava suas roupas para a série Sex and the city. Então são super bonitas e estilosas. Falando em estilo, cada personagem tem um, então dá pra se deleitar com diversas roupas e penteados de cabelo diferentes. Eu gosto muito das roupas usadas pela Hannah, mesmo tendo algumas que eu nunca colocaria na vida! Hahahahahaha E falando em cabelo, eu fiquei completamente apaixonada pelo corte de cabelo da Zosia Mamet (que faz a Shoshana) nessa quarta temporada. Pra vocês terem ideia, eu achava a atriz bem feinha até ela aparecer com esse novo corte. Agora a acho linda! E a Shoshana é, sem duvida, minha personagem favorita das meninas. Dos meninos, fico entre o Adam e o Ray, mas o Ray é tão problemático que acho que escolherei ele! Já a personagem que menos gosto acho que nem preciso falar, né? (mas é a Marnie, Ô garota sem sal!!!!!!!!!! e chata!!!!!!!!)

O cabelo novo da Zosia/Shoshana, que eu tô apaixonada!
O cabelo novo da Zosia/Shoshana, que eu tô apaixonada!

A trilha sonora também é bem legal. Claro que não vou lembrar de nenhuma música em particular agora, mas sei que volta e meia eu penso “putz, que música boa!”. Do mais, preciso falar que Girls já foi confirmada para mais uma temporada (yay!), ou seja, ano que vem tem mais Girls por aí! Mas por enquanto vamos todos desfrutar da quarta temporada, que está passando ainda na HBO, aos domingos, meia-noite (de domingo para segunda). Ou então, se você tem NET, pode esperar e ver no Now, como eu faço. O episódio novo sempre no meio da semana, na 3a ou 4a feira. Ou então baixar, né? Com certeza tem disponível por aí. E depois, por favor, venham aqui me dizer o que acharam porque eu quero que todo mundo ame tanto quanto eu!!!!!!!

Essa foto é só porque eu percebi que desgosto tanto da Marnie que não tinha colocado nenhuma foto em que ela aparece antes. Só a de biquíni, mas não dá pra ver seu rosto.
Essa foto é só porque eu percebi que desgosto tanto da Marnie que não tinha colocado nenhuma foto em que ela aparece antes. Só a de biquíni, mas não dá pra ver seu rosto. Ela é a que tá sentada na cadeira da mesinha.

Filmes: Selma e Sniper AMericano

O Oscar é amanhã!!!!!!!!!!!!! Uhu!!!!! E enquanto procurava pratos deliciosos pra fazer na noite da festa mais importante do ano (festa, porque o evento é o Festival do Rio!), pra deixar a minha noite com marido igual a um evento de gala, lembrei que faltavam ainda dois filmes indicados ao prêmio de Melhor Filme que eu ainda não havia falado por aqui! #QueGafe Então vamos à eles!

Primeiro, uma pequena introdução a eles.

Selma

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Sinopse (do site Omelete): A trama segue a campanha real que tomou espaço na cidade de Selma, no Alabama, onde cidadãos negros tiveram seus direitos a voto negados sistematicamente. O caso chamou atenção e ganhou envolvimento de Martin Luther King Jr. (David Oyelowo).

Indicações: Além de Melhor Filme, está indicado somente para Melhor Música (Glory, de John Legend e o rapper Commom). O que acho bem injusto, pois pelo menos a diretora Ava DuVernay deveria ser indicada a Melhor Direção.

Sniper Americano

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Sinopse (pelo site Omelete): Clint Eastood dirige a adaptação ao cinema da autobiografia de Chris Kyle. Com cerca de 160 mortes no currículo, Kyle foi considerado “o mais letal atirador da história do exército dos EUA”.

Indicações: Além de prêmio de Melhor Filme, concorre aos prêmios de Melhor Ator (Bradley Cooper), Melhor Roteiro Adaptado (Jason Hall), Melhor Edição, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som (como todos os filmes de guerra, que são sempre indicados nas categorias de áudio por causa dos tiros e etc).

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Vi os dois filmes no mesmo dia, o que me deu um panorama legal e muito louco de como funciona o país do Oscar. Claro que essa é uma visão minha, portanto particular, o que não descreve como o país realmente é, e sim como eu enxerguei as coisas devido aos dois filmes. Mas o que me chocou foi como uma nação consegue enxergar em um homem que mata centenas de pessoas como profissão um herói, e condena um homem que só lutava pelos direitos de seres humanos. Claro que, hoje em dia, Martin Luther King, personagem principal de Selma (depois da cidade de Selma que, no filme, é apresentada como personagem e não tem nem como não enxergá-la como tal) também é considerado um herói. Ainda bem, porque ele foi, um dos maiores. Mas hoje em dia o tal sniper também é considerado herói, mesmo tendo matado não sei quantas pessoas, de criança a adulto. E não sei se todos eram culpados. Nunca saberei, na verdade. E o governo de lá aplaude pessoas como ele, enquanto na década de 60 o governo enxergava Dr. King como um arruaceiro, mesmo sua luta sendo pacífica. Mas enfim, não estou aqui para falar de política, né? Mas realmente achei irônico assistir os dois filmes no mesmo dia, um seguido do outro (com pausa para gordice no meio).

Bradley Cooper e o diretor do filme, Clint Eastwood, venerado por muitos (inclusive meu marido).
Bradley Cooper e o diretor do filme, Clint Eastwood, venerado por muitos (inclusive meu marido).

Eu não gostei de American Sniper (no original). Geralmente, não gosto mesmo de filmes de guerra, mas existem raras exceções, como Atrás das Linhas Inimigas, filme de 2001. Esse, porém, não foi uma delas (das exceções). Talvez eu ter visto o filme esperando que não gostaria foi um motivo para não ter gostado, ou talvez eu só tenha um bom sexto sentido mesmo (outro filme desse Oscar que eu sentia que ia ser ruim era Foxcatcher, e eu odiei como há muito tempo não odiava um filme). Mas era um filme indicado ao Oscar de Melhor Filme, e eu tinha que ver todos os filmes indicados a Melhor Filme. E assisti. E não gostei.

Eu até esperava ser surpreendida por Sniper Americano, já que o diretor é Clint Eastwood e ele costuma nos dar filmes muito bons, muito bem planejados e pensados. Mas o que eu vi foi só uma sequência de tiros e a vontade de um homem de continuar numa guerra atirando em pessoas. Claro que, além disso, há a vida de Chris Kyle, o personagem principal, e toda sua dificuldade em afastar sua mente do mundo da guerra e voltar à sua vida real, com sua esposa e seus filhos. Há, também, a amizade entre os soldados e o forte sentimento de vingança quando algo acontece com um dos seus. Mas achei uma parte pouco explorada. Veja bem, não foi mal explorada, pois acho que, quando apareciam, conseguíamos entender com facilidade o que o personagem e sua esposa e seus amigos de SEAL sentiam. Só foi pouco mostrada mesmo e, para mim, era a parte mais interessante. Mas como contar a história de um sniper sem mostrar ele atirando em pessoas de distâncias imensas, certo? E como não me anima ver guerras (odeio violência, odeio guerras, acho totalmente desnecessárias), eu não gostei do filme. Tiveram algumas partes que eu nem sequer olhei para a tela e fiquei muito mais entretida com meu celular (portanto, não posso nem mesmo criticar o aspecto técnico do filme porque não prestei atenção). Porém, teve uma cena que não teve como não prestar atenção. E foi, para mim e para todos os que assistiam o filme comigo (todos cinéfilos) a mais chocante do filme inteiro.

Cena mais chocante do filme.
Cena mais chocante do filme.

Percebam a imagem acima. Percebam a a criança no colo de Bradley Cooper. Percebam que é um f%*#ing BONECO!!! Não acreditamos quando vimos! Eu já tinha lido sobre essa cena e sobre como fica claro que aquela criança é falsa, mas ver é totalmente diferente. Porque quando você só lê sobre, você pensa: “Ah ser tão ruim, as pessoas estão exagerando”. Mas é MUITO ruim!!!!!!!!! É muito perceptível!!!! É muito ridículo!!!!! Esse filme foi indicado ao OSCAR e ele tem um erro tão simples e consertável desses! É lógico que sabemos que nem todos os bebês que aparecem em filmes são verdadeiros. Há uma grande quantidade de bonecos ou até computação gráfica. Mas a produção – e o diretor – tem que se certificar de que não vai dar pro espectador perceber que aquilo não é um bebê de verdade!!!!!! Porque tudo que quem assiste um filme menos quer é ser tirado de dentro daquela história de modo tão abrupto como esse! Porque é um modo abrupto, ninguém tem um filho boneco! Gente, é um filme do Clint Eastwood, o cara tem nome, e além do mais, é uma big produção. Como deixar passar um erro tão bobo e básico? Isso respondeu à pergunta que fizemos aqui em casa se o Mr. Eastwood ainda fica em set durante todo o processo do filme ou se deixa os assistentes fazerem seu trabalho por ele, dado sua idade avançada (ele está com 85 anos). Aí está a resposta. Ou então ele está tão caduquinho que nem percebeu essa “pequena” falha. Vai saber?

Sienna Miller, totalmente irreconhecível em Sniper Americano (mostrando como a cor de cabelo pode transformar uma pessoa), em uma das cenas mais angustiantes do filme.
Sienna Miller, totalmente irreconhecível em Sniper Americano (mostrando como a cor de cabelo pode transformar uma pessoa), em uma das cenas mais angustiantes do filme.

Selma é um filme lindíssimo. Emocionante. De arrepiar. Eu posso ser suspeita por ter gostado tanto desse filme porque sou muito sensível a filmes de injustiça, eles mexem muito comigo. E preconceito por causa de cor é uma das maiores injustiças que existem e me revolta. Todo o tema tratado no filme me é de interesse enorme e preciso, ainda, estudar muito mais sobre. Preciso me preparar antes, porém, porque sei que vou passar dias sofrendo de coração apertado. Tive uma crise de choro quando o filme acabou que não tenho desde 12 Anos de Escravidão (alguma semelhança no tema?). Porém, o que sofro vendo e endo sobre isso não é nada em comparação a tudo que os negros passaram nos Estados Unidos (e no mundo, pra falar a verdade). O que choca mais é saber que o filme se passa na década de 60, ou seja, muito pouco tempo atrás. Há 50 anos atrás, os negros americanos tinham que frequentar locais separados dos brancos POR LEI e nem sequer tinham o direito de votar. E é sobre esse último fato que o filme fala.

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Nos é mostrada a luta de Selma, uma cidade no sul dos Estados Unidos (sempre o sul, a parte mais preconceituosa dos Estados Unidos – até hoje, infelizmente), para que os negros possam votar. Essa luta chama a atenção de Martin Luther King, que há anos já praticava sua luta pacífica pelos direitos dos negros. No ano que o filme se passa, por exemplo, não havia mais segregação entre negros e brancos nos ônibus, por exemplo, e Martin foi essencial para que isso acontecesse (gente, não consigo imaginar isso, não entra na minha cabeça um ônibus separado pela cor da pessoa!!!!!). Então, ele vai até a cidade e se junta com pessoas que já estavam nessa luta. Fala com o presidente, organiza reuniões, marchas e estratégias para que consigam esse direito. E não vou falar mais para, como sempre, não dar spoilers (apesar de ser uma história real, muita gente não conhecia, como eu).

Martin Luther King, interpretado por David Oyelowo, e o então presidente Lydon Johnson, personagem de Tom Wilkinson.
Martin Luther King, interpretado por David Oyelowo, e o então presidente Lydon Johnson, personagem de Tom Wilkinson.

É revoltante ver como o prefeito da cidade de Selma pouco se importa com os direitos nos negros. Quando eles saem para reivindicar o que é deles por direito, o voto, e são confrontados, não pude deixar de pensar nos protestos aqui do Brasil e em como a polícia tratava os manifestantes. É a mesma violência, a mesma imposição do poder, a mesma vontade de calar os que estão ali para garantir algo que já deveria ser deles há muito tempo. É patético e covarde. O que fizeram com os manifestantes de Selma é covarde. É inumano. É absurdo. Não entendo como a diretora desse filme não foi indicada ao Oscar. Um filme é feito para nos transportar para dentro dele e para sentirmos na pele o que os personagens estão sentindo. Esse filme consegue o feito com maestria. É impossível não sentir o que eles sentem, não sofrer com sua dor, não querer estar lado a lado com eles na ponte e nas ruas. Isso só foi possível porque a diretora Ava DuVernay soube dirigir bem os atores e montar a atmosfera propícia para essas sensações. Acho, por exemplo, que ela merece muito mais estar na lista de indicados do que o diretor de Foxcatcher, Bennet Miller. O que só me faz pensar que a luta que vemos em Selma ainda não está terminada. Nem a luta começada pelas feministas. Tirando a diretora de A Hora Mais Escura, Kathryn Bigelow, há quanto tempo não vemos o nome de uma mulher na lista dos indicados a Melhor Direção do Oscar? #PraPensar

A diretora Ava DuVernay com Oprah Winfrey, produtora (e atriz) do filme, e o ator David Oyelowo.
A diretora Ava DuVernay com Oprah Winfrey, produtora (e atriz) do filme, e o ator David Oyelowo no set de filmagem.

Acho bem injusto um filme tão bom e tocante e bem feito como esse ter tão poucas indicações ao Oscar. Infelizmente, é quase certo que ele não ganhe como Melhor Filme, que deve ser proeza de Boyhood (na minha opinião), mas vamos para, pelo menos, ganhar na única outra categoria em que foi indicado (Melhor Canção), porque ele precisa ganhar algum prêmio para simbolizar sua importância. Porque ele é um filme muito importante. E quem viu com certeza concorda comigo.

Imagem real de Selma e dos que lutaram por seus direitos.
Imagem real de Selma e dos bravos que lutaram por seus direitos.

Filmes: Birdman (ou A Inesperada Virtude da Ignorância)

Antes de qualquer coisa, Birdman não é um filme de super-herói. Aviso isso porque eu achava que seria mais um filme de super herói, como todos esses que vimos por aí e eu gosto, não me entendam mal. Mas eu sei que muita gente pode estar esperando um filme grandioso e cheio de ação e aventura, como Os Vingadores, Superman e coisas do tipo, e não é. Estou avisando para ninguém assistir o filme desavisado e acabar tendo uma decepção porque ele não é nem um pouco cheio de ação e explosões. Nem um pouco mesmo!

Pôster do filme.
Pôster do filme.

Birdman conta a história de um ator que estourou interpretando um super-herói nos cinemas: o Birdman do título do filme. Porém, ele tenta ao máximo se livrar dessa imagem, como vários atores que conhecemos que ficam marcados por um personagem e não conseguem nunca mais ser lembrados por outra coisa – e nem conseguem fazer outro tipo de papel porque nem mesmo as pessoas do mercado do cinema conseguem pensar neles de forma diferente. No filme, o ator escreve (e dirige) uma peça de teatro para que as pessoas – e ele mesmo – possam desvencilhá-lo do papel que interpretou há tantos anos atrás. E o filme transcorre durante essa empreitada: mostra os dias antes da peça estrear, os ensaios fechados e abertos para o público, e a estreia em si.

O tema do filme é muito interessante e muito atual. Como a fama é algo rarefeito e tem muito menos a ver com o a qualidade de seu trabalho, mas sim com o que você representa. E isso inclui os críticos. Se existe uma coisa que sempre me incomodou foi a fala dos “supostos cultos”, ou “pseudo cults”. E eu não chamo de pseudo cult só aquela galera que fala que gosta de uma coisa só porque é considerado bom. Pseudo cult, pra mim, é todo aquele que diz que só um tipo de coisa é bom, geralmente o que é considerado bom pela elite intelectual. Eu não vou ser hipócrita e dizer que tem alguns produtos culturais que não me animam consumir por saber de antemão que não serão muito de meu agrado, como comédias muito bobas e coisas do tipo. Mas eu não deixo de ver tudo, e quando vejo, não digo que não gostei mesmo tendo gostado só porque aquele produto é considerado de baixa qualidade. Mas tem gente que é assim, e os críticos são assim (e são insuportáveis). E isso fica muito claro no filme. E não adianta: uma vez que você fez um produto considerado de baixa qualidade, não há nada de boa qualidade que você faça que vai tirar isso da cabeça pequena dessas pessoas (não vou falar mais senão darei spoiler). E isso fica bem claro no filme, o quanto, em ambos os lados (dos cultos e dos que não ligam pra essas coisas), o estigma e o preconceito impera.

Michael Keaton e Edward Norton em frente ao teatro onde será encenada a peça do ex-Birdman.
Michael Keaton e Edward Norton em frente ao teatro onde será encenada a peça do ex-Birdman.

A crítica ao próprio sistema e mercado cinematográfico é muito forte e aparente no filme, o que é uma das coisas mais legais. É muito interessante quando algo critica a si mesmo. Outro aspecto interessantíssimo do filme são os planos do filme. Eles são, em sua maioria, planos sequência. Planos sequência, pra quem não sabe, são aqueles planos sem corte, que a gravação não é interrompida e a câmera segue os atores, mesmo quando há mudança de cenário. A cena que colocarei abaixo é um plano sequência. Eles não saem do cenário em que estão, mas dá pra se perceber a falta de corte e que é uma cena contínua. É algo muito difícil de se fazer, tanto para a parte técnica quanto para os atores. Imagina o cameraman tendo que seguir o ator, às vezes, os atores, de cenário a cenário, e filmar do ângulo que foi combinado? E os atores tendo que acertar cada marca, cada fala, cada movimento? Porque um plano sequência costuma ser longo, portanto há mais falas, mais movimentos, mais marcas. E se, por acaso, alguém errar, terá que ser feito do começo, porque se repetir do meio deixa de ser plano sequência. Perceberam a complexidade?

Então eu fiquei fascinada com a parte técnica do filme. Os planos sequência, os takes próximos, que muitas vezes distorciam os atores, a falta de pudor e vaidade dos atores nesse filme, a edição perfeita, a direção mais perfeita ainda porque há de se dirigir muito bem para tudo isso dar certo. Tudo bem que eu sou uma fanática por Iñárritu (o diretor do filme), então talvez minha opinião não seja assim tão imparcial. hehe Ele, inclusive, está concorrendo ao Oscar de Melhor Direção por Birdman.

Atores sem vaidade no filme: Michael Keaton e Edward Norton de cueca e duas fotos da Emma porque mesmo feia ela é linda!
Atores sem vaidade no filme: Michael Keaton e Edward Norton de cueca e duas fotos da Emma porque mesmo feia ela é linda!

As outras nomeações do filme são de Melhor Ator (Michael Keaton, muito bom), Melhor Ator Coadjuvante (Edward Norton, fenomenal, como sempre), Melhor Atriz Coadjuvante (Emma Stone, minha queridinha mór), Melhor Roteiro Original (Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo), Melhor Fotografia, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som, e o prêmio mais importante da noite, Melhor Filme. No Globo de Ouro, Birdman levou os prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Ator em Comédia ou Musical. Agora, como não há separação entre comédia e drama na categoria de melhor ator, acho difícil Michael Keaton ganhar de Eddie Redmayne (vejam minha crítica sobre A teoria de tudo, filme que Eddie protagoniza, clicando aqui). Direção acho difícil alguém ganhar de Linklater, diretor de Boyhood (minha crítica sobre o filme aqui). Roteiro eu gostaria muito que Wes Anderson ganhasse com seu incrível O Grande Hote Budapeste, assim como Melhor Filme (mais uma vez, crítica sobre O Grande Hotel Budapeste aqui), mas acho difícil ele ganhar. Dos prêmio técnicos, eu nunca sei o que dizer, mas eu daria todos os de som pra Whiplash!  E fotografia vai fácil pra Grande Hotel Budapeste. Acho muito difícil a Emma ganhar melhor atriz coadjuvante e o Edward Norton só não ganha Melhor Ator Coadjuvante por causa do J.K. Simmons de Whiplash (adivinha! Crítica aqui). Ou seja, tá difícil pro Birdman (na minha opinião, claro).

Apaixonada por essas luzinhas de pimenta!
Apaixonada por essas luzinhas de pimenta!

Maaaaaaaaaaaaas, depois de tudo isso que falei, depois de ter amado a parte técnica do filme, de amar Iñárritu and all, preciso falar que não achei o filme fantástico. Quer dizer, sabe quando você consegue reconhecer a magistralidade de algo mesmo sem ter gostado muito? Pois é, foi o que aconteceu. Eu achei o filme cansativo, mas achei que ele deveria existir, entendem? Porque é um tema muito bom de ser discutido, foi passado de uma forma espetacular tecnicamente, eu só achei meio cansativo. Mas não deixem de ver por causa dessa minha opinião. Vejam e tirem suas próprias conclusões.

Beijos!

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Filmes: A Teoria de Tudo e O Jogo da Imitação

Olá pessoas bonitas!

Vim hoje falar não só de um filme, mas de dois filmes indicados ao Oscar: A Teoria de Tudo e O Jogo da Imitação. Ambos estão indicados ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Ator (Benedict Cumberbatch, por O Jogo da Imitação, e Eddie Redmayne por A Teoria de Tudo que, com toda certeza, ganhará o prêmio), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora. A Teoria de Tudo também concorre na categoria de Melhor Atriz (Felicity Jones), e O Jogo da Imitação nas categorias Melhor Diretor (Morten Tyldum), Melhor Atriz Coadjuvante (Kiera Knightley), Melhor Edição e Melhor Design de Produção (antigamente conhecida como melhor direção de arte).

Resolvi falar dos dois filmes em um só post pois ambos retratam a vida de uma pessoa real, mas, principalmente, para mostrar o poder da expectativa. Explico.

Pôster do filme "A Teoria de Tudo".
Pôster do filme “A Teoria de Tudo”.

Muitos amigos meus viram A Teoria de Tudo antes de mim. E todos eles tiveram a mesma opinião: o filme é foda. Além disso, havia visto trechos do filme e gostei bastante do que vi. E, claro, um filme sobre a vida do gênio Stephen Hawking, tão famoso e festejado – apareceu até em The Big Bang Theory! – haveria de ser muito interessante. Do outro lado, tínhamos O Jogo da Imitação, filme que eu não tinha ouvido falar nada a respeito, que eu não vi trecho nenhum antes (só um cartaz imenso no Estação Rio), sobre uma pessoa que eu até conhecia o nome, mas não fazia ideia de quem era! Único fator positivo desse filme pra mim era o fato de ser protagonizado pelo Sherlock Benedict Cumberbatch. Ou seja, eu estava esperando muito de A Teoria de Tudo e nada de O Jogo da Imitação. E o que aconteceu depois que assisti os dois? Amei o segundo, achei o primeiro super bleh.

Sim, eu culpo a expectativa por esse resultado. Não totalmente, mas culpo. Se meus amigos não tivessem falado tão bem do filme sobre Hawking e não estivesse esperando nada dele, como antes de começarem a elogiá-lo, eu talvez tivesse gostado mais. E o contrário também vale: talvez, se eu conhecesse pessoas que tivessem assistido O Jogo da Imitação antes de mim e tivessem falado muuuuuuuuuito bem dele (só uma amiga já tinha visto e disse que era bom, a mesma que disse que até chorou em A Teoria de Tudo), meu coração não teria batido tão forte por ele. Vai saber! Só sei que foi assim.

Pôster do filme "O Jogo da Imitação".
Pôster do filme “O Jogo da Imitação”.

E agora eu tenho um filme que amei e outro que achei legalzinho. Sim, porque não desgostei de A Teoria de Tudo, só achei comum. E creio só ter sido indicado ao Oscar por falar sobre Stephen Hawking e pela atuação maravilhosa de Eddie Redmayne, um desconhecido até então (porém, não para os que gostam de musicais, como eu, e já tinham visto ele sing his heart out cantar lindamente em Les Miserables) que vem papando todos os prêmio pelos quais foi indicado até então (Globo de Ouro, BAFTA, SAG Awards, só para citar os mais conhecidos) e, como eu já disse acima, vai ganhar o Oscar. Se ele não ganhar, eu pago uma prenda. Juro! Imagine você interpretar uma pessoa que vai perdendo os movimentos do corpo com o tempo, inclusive a capacidade de falar. Ele atuou de uma maneira esplendorosa, sem ficar forçado ou falso. Parecia de verdade que ele tinha aquela (horrorosa) doença. E não é isso que atores tem que fazer, nos fazer acreditar que eles são aquilo que nos mostram na tela, por mais difícil que seja o papel? Sabemos também que muitos atores não conseguem (Malhação tá aí pra nos mostrar isso), mas Mr. Redmayne alcançou o objetivo com perfeição! Virei fã dele depois de vê-lo atuar nesse filme – mas claro que ele ser um inglês ruivo fofucho que dá vontade de apertar também influencia um pouco! (Ruivos unidos jamais serão vencido! Eu posso gritar isso porque sou uma ex-ruiva! hahahahaha)

Ai, se eu agarro!
Ai, se eu agarro!

Do mais, além de Eddie e seu brilhantismo, o filme é meio morno. Primeiro, porque pensei que fosse focar na vida de Stephen Hawking e em sua batalha para vencer a doença que lhe deu somente dois anos de vida (spoiler! sorry! mas nem faz tanta diferença essa informação) e continuar trabalhando, mas o filme é totalmente centrado na relação entre Stephen e sua primeira esposa, Jane. Só depois de assisti-lo que descobri que ele foi baseado na biografia da esposa, ou seja, a doença e a vida de Stephen pelos olhos dessa mulher que tanto sofreu, é verdade, e foi mega injustiçada (com certeza, machistas terão raiva dela). Mas mesmo ela tendo sido uma mulher mega forte que lidou com uma doença tão devastadora por tanto tempo, o romance entre os dois não é o mais interessante na vida de Stephen, e muito menos o jeito meloso como foi passado – e olha que eu gosto de romances, choro e tudo (ok que ultimamente não tenho gostado muito deles porque são todos iguais). Então, pela fato de que poderia ser mais interessante, não gostei muito e achei um filme normal, sem nenhum fator tchan (exceto, repito, Eddie).

Capa da biografia de Jane Wilde, primeira esposa de Stephen Hawking, livro em que o filme foi inspirado.
Capa da biografia de Jane Wilde, primeira esposa de Stephen Hawking, livro em que o filme foi inspirado.

O Jogo da Imitação, ah, esse sim é um filme com um assunto empolgante! E olha que eu odeio matemática! O filme conta a história do matemático e físico (para citar algumas de suas formações) Alan Turing no período da II Guerra Mundial, quando trabalhou para a Coroa Britânica (aka A Rainha)  tentando descobrir o código por trás de uma famosa e até então indecifrável máquina utilizada pelos nazistas. Confesso que o assunto é de extrema importância para mim, o assunto sendo ver os nazistas se ferrarem. Sendo de família judaica, tudo relacionado ao tema me toca profundamente (ainda mais por ter membros da família que fugiram de seus países por causa da guerra). E ver um grupo de pessoas dedicado em decifrar um código e, fazendo isso, eles ferrariam os nazistas, foi emocionante. Mas, além disso, poder assistir a mente brilhante de Alan Turing funcionar foi  estimulante.

Benedict Cumberbatch (ótimo, como sempre, e com sua voz grossa deliciosa, como sempre), em cena como Alan Turing.
Benedict Cumberbatch (ótimo, como sempre, e com sua voz grossa deliciosa, como sempre), em cena como Alan Turing.

O cara (o cara sendo Alan Turing) foi uma das pessoas mais importantes para o fim da II Guerra e ninguém sabe quem ele é. Pior, ele teve uma vida de merda, mesmo fazendo o que fez. E está tudo lá, no filme, e você entra totalmente na vida de um gênio e nas atividades de uma Guerra que nem experienciou (graças a Deus!). E é um filme que, com certeza, te faz refletir várias coisas, sobre a vida, sobre a política, sobre como a moral da sociedade é uma grande porcaria para quem vive nela, enfim… Não quero falar mais porque senão vou dar spoilers imensos, mas quem viu sabe do que estou falando, e quem vai ver entenderá depois.

Propositalmente, não quero falar dos aspectos técnicos dos filmes porque queria focar mais no que o filme passa pra gente e em como uma história pode tocar. E em relação a isso, creio que ambos conseguem, mas O Jogo da Imitação ultrapassa qualquer expectativa e emociona muito, muito mesmo. É a história acontecendo na frente dos seus olhos, cara!!!!!

Os atores da equipe de Alan Turing, todos atuando muito bem, aliás - até a Kiera Knightley!
Os atores da equipe de Alan Turing, todos atuando muito bem, aliás – até a Kiera Knightley!

Gostaram da resenha? Não gostaram? Deixem suas opiniões sobre os filmes nos comentários. Eu gosto de saber o que estão pensando! E lembrem-se: o Oscar está chegando, faltam só 12 dias!

Beijos!

Ah! Aí vão os trailers dos dois filmes, pra vocês poderem decidir se querem ver ou não! Eu não deixaria passar se fosse vocês, pelo menos não O Jogo da Imitação! 😉