Zoom (o do Pedro Morelli, não o de super heróis)

Eu e marido fomos ver Zoom. Sim, eu esperava muito do filme, afinal, era um filme produzido pela O2, do Fernando Meirelles (de quem sou fã enlouquecida), com Gael García Bernal (outro que amo) no elenco (mesmo ele sendo somente uma animação). Eu também havia lido e visto algumas coisas sobre o filme que me deixaram mega empolgada. E como sabemos (se você não sabe, tá sabendo agora), a expectativa sempre estraga tudo. Porém, esse foi um dos raros casos em que ela (a expectativa) não estragou NADA! Porque ele me surpreendeu positivamente e, apesar de eu já saber mais ou menos como o filme seria, várias coisas aconteceram que eu não estava esperando, em relação a história e ao estilo do filme.

cartaz_zoom
Cartaz do filme.

O filme é uma co-produção brasileira e canadense, ou seja, a produção é do Brasil e do Canadá (quando falamos em produção, geralmente estamos falando em quem dá o dinheiro para o filme ser feito). O roteiro é de Matt Hansen, mas o filme foi dirigido por Pedro Morelli, diretor da O2. Ele (o filme) é falado majoritariamente em inglês, mas também tem diálogos em português. O filme tem três histórias principais: a de Emma (Alison Pill), a de Eddie (Gael García Bernal) e a de Michelle (Mariana Ximenes), sendo a última a única com falas em português e que tem cenas rodadas no Brasil (quer dizer, o personagem de Gael também aparece no Brasil, mas ele é um desenho). Uma coisa incrível, que não acho que estrague de jeito nenhum o filme (ou seja, não é spoiler), tanto que eu já sabia disso quando fui assisti-lo e em momento nenhum deixei de ficar encantada com ele, é que as histórias se ligam de uma maneira super original. Explico. Emma é uma desenhista que está fazendo uma história em quadrinhos que tem Eddie como personagem. Eddie é um diretor de cinema que dirige um filme com Michelle como protagonista. E Michelle está escrevendo um livro cujo Emma é a personagem principal. Foda, né? Pois é.

168651
Alison Pill como Emma.

Além da originalidade do enredo, o desenvolvimento das três histórias também se dá de forma original e sem deixar a peteca cair em nenhuma delas. Tudo faz sentido, até quando não faz (vocês vão entender o que quero dizer quando assistirem ao filme). E o jeito em que uma história passa para a outra também é bem coeso e fluido, ou seja, palmas para a edição! Palmas para tudo, porque está tudo tão espetacular nesse filme que é difícil até dizer o que é melhor – e fica mais difícil ainda falar sobre ele porque, como vocês sabem, tenho muito mais dificuldade de escrever sobre algo que gostei muito.

zoom-quadrinhos-cinema-e-literatura-sob-um-olhar-diferente8
Gael como o diretor Eddie.

Mas preciso falar sobre a animação. Não sei quem fez a parte da animação do filme (podia ter pesquisado melhor, não é mesmo, Livia?), mas ela é incrível! O jeito como as imagens vão mudando a medida que a desenhista vai criando ou mudando de ideia, e como é bem história em quadrinhos mesmo (um estilo de quadrinhos), com os cabelos e roupas mudando de cor a cada quadro… Eu fiquei embasbacada e boquiaberta (literalmente) com isso. Era como se eu tivesse assistindo alguém criar uma história em quadrinho na minha frente mesmo, e não um filme. Sério, me impressionou a qualidade. Do filme inteiro, mas especialmente da história focada em Gael, quer dizer, Eddie. O estilo de animação me lembrou muito Waking Life (um filme fantástico que todos DEVEM ver, algum dia falo dele por aqui) e A scanner darkly, mas marido falou que não é o mesmo estilo, não. Acredito porque ele entende muito mais de animação do que eu.

12321359_1003351686408085_8675052753081214652_n
Jason Priestley, Claudia Ohana e Mariana Ximenes, atores do filme, e o diretor Pedro Morelli.

Sim, senhoras e senhores, esse aí de cima da foto é Jason Priestley, o eterno Brandon de Barrados no Baile (se você for tão velho quanto eu), que atua no filme, e faz par com nossa Mariana Ximenes. É, eu também me surpreendi com a presença dele porque eu nem sabia que ele ainda atuava! Mas a escalação dele para o papel foi perfeita, combinou direitinho! E com isso dou início ao comentário sobre as atuações. Não posso falar muito de Claudia Ohana porque ela aparece muito pouco, mas Mariana Ximenes está bastante bem, o que me fez parar de ver com o preconceito que eu tinha contra ela. Sabe aquelas birras que a gente tem com uma pessoa? Eu tinha com ela. Achava ela super sem graça nas novelas que ela fazia por aqui. Mas então a vi em Muito gelo e dois dedos d’água e já comecei a mudar um pouco minha visão sobre ela (aliás, filme ótimo da Fernanda Young com Paloma Duarte e Laura Cardoso no elenco que precisa ser visto!). Depois, na FLIP (Feira Literária Internacional de Paraty), ela foi em um dos debates que fui na Casa do Autor Roteirista e leu ali na nossa frente uma ceninha e arrasou! Além de ter sido mega simpática. Meu preconceito já caiu mais um pouco. Agora, com esse filme, desisti de vez de implicar com ela e fica muito claro que tudo depende da direção e do personagem (porque, coitada, difícil ter algum personagem interessante nessas novelas, não é mesmo?). A personagem dela no filme – e a história – é a menos empolgante das três, mas ainda assim é melhor do que novela, né? (desculpa aí se você é fã de novelas, mas eu pessoalmente as acho insuportáveis)

mariana3
Mariana e Jason num cenário pouco paradisíaco.

Não tenho muito o que falar de Gael, mas Alison Pill está sensacional como Emma. Até porque é a história mais legal de todas (a do Gael também é bem engraçada). E ela se encaixou perfeitamente na personagem (o que não acho que aconteceu na personagem que interpreta no seriado The Family, que tá passando na Sony, mas essa é outra história). Gostei muito do jeito da personagens e as tiradas são sensacionais, e digo isso porque eu nunca seria capaz de pensar rápido como ela pensa, e eu tenho muito inveja dessa capacidade! hahahahaha Mas sério, vocês PRECISAM assistir esse filme porque ele é sensacional, incrível, maravilhoso, impressionante e todos os adjetivos positivos que vocês podem imaginar. Só espero não ter aumentando demais as expectativas de vocês e que o filme acabe decepcionando por causa disso. Se for esse o caso, esqueçam tudo o que falei e vão assistir pensando que ele vai ser um fracasso. Vocês vão se surpreender. 😉

_________♥_____________♡________

Segue eu!

Facebook * Twitter * Instagram * YouTube

Snapchat: liviabrazil

Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

para-o-blog

30 Livros em 1 Ano – Não sou uma dessas (Lena Dunham) – Livro 4

Alô alô, W Brasil!

Hoje vim aqui cedinho porque fui acompanhar meus pais na rodoviária, aí voltei e pensei “por que não escrever agora no blog?”, então cá estou! Estou com várias ideias nessa cabeça of mine pra escrever por aqui, mas colocarei todas em prática com o tempo. Aguardem… hahuahuahua

Hoje venho com mais um livro da minha lista dos livros que li nesse ano e, man, esse foi um dos melhores so far! (nossa, tô muito língua inglesa hoje!) Eu já escrevi neste post aqui sobre Girls e como sou apaixonada pela série. Pois o quarto livro que li é da criadora/roteirista/diretora de Girls, Lena Dunham, e só por ser de autoria dela eu já sabia que iria gostar, já que Lena despeja muito dela em tudo que faz. E sendo Girls = Lena, não teria como não gostar do livro já que Livro = Lena também. Porém, ainda assim eu fui totalmente surpreendida pelo livro. Com a incrível semelhança da Lena Dunham comigo. Senti que, finalmente, havia encontrado alguém que entendia minhas peculiaridades, sendo a obra uma não-ficção sobre sua vida, quase uma biografia mesmo, porém não escrita com estética de biografia. #NemSouConfusaImagina

11021048_10205061383667847_1149057404529874142_n

Dito isso, preciso dizer que não é qualquer um que vai gostar do livro. Alguns – muitos, eu diria -, ficarão negativamente surpresos com ele. Chocados seria a palavra mais certa. Pessoas que acham que qualquer coisa diferente é uma anormalidade ficarão chocadas. Talvez, até algumas pessoas que estão acostumadas com o que não segue um padrão podem ficar chocados. Confesso que até eu me choquei com uma coisa ou duas, mas depois vi que estava sendo ridícula e parei. Isso porque Lena é única, original e faz coisas bem distintas do que são chamadas “normais”. É possível que achem que ela tem problemas psicológicos e emocionais e que precisa se tratar. Não que ela não precise, porque a medida que lemos o livro vemos que ela desenvolveu algumas síndromes durante a vida que precisam sim ser tratadas. Mas esse motivo é bem díspare do motivo que alguns darão para seu tratamento.

Explicamentos mais extensos sobre o livro: Lena é subversiva. Não para chocar, mas naturalmente. É sua essência. Ela é diferente e não se culpa ou nega sua diferença. Nisso diferimos porque, infelizmente, muitas vezes eu gostaria de ser como os demais pra ser um pouco melhor aceita. É verdade que ela já foi assim como eu, mas hoje em dia… Se aceita totalmente. E isso é inspirador.

dunham6f-2-web

O livro é despretensioso. É uma narrativa de acontecimentos de sua vida, de todos os aspectos: profissional, amoroso, pessoal, etc. Ela fala sobre o que aprendeu com cada situação que viveu, sem querer impôr seus pensamentos sobre ninguém. Apenas expõe os fatos e seus aprendizados e quem quiser tirar alguma lição de suas palavras, que tire. Mas não parece ser seu objetivo. O livro parece um diário onde expurga os acontecimentos negativos para poder esquecer deles ao mesmo tempo em que percebe que eles foram necessários para ela estar onde está hoje. E também um lugar para ela deixar registrado o que de bom aconteceu para não esquecer de nada. Claro que são suposições minhas, posso estar totalmente errada – como vários professores de literatura ao interpretar poemas e trechos de livros clássicos. Mas é um livro leve, de escrita fluida e informal (do jeitinho que eu gosto), cheio de referências culturais que faz a gente perceber que não estamos sozinhos nesse mundo – com “a gente” quero dizer “excluídos e fora dos padrões”. E que, um dia, chegará a nossa vez, assim como chegou a dela.

Marquei várias passagens com as quais me identifiquei no livro (nunca tinha feito isso antes), e vou colocar as 10 de que gostei mais.

1. Fico pensando em quantas pessoas queridas assistem à televisão procurando sinais da própria destruição.

2. A realidade cruel da ansiedade é que você nunca acha que é boa o bastante.

3. A questão subtendida, nesses casos, é definitivamente como tenho coragem suficiente para expor meu corpo imperfeito, pois duvido que a mesma pergunta fosse feita a Blake Lively.

4. Não sou inveja da maneira tradicional – de namorados, bebês ou contas bancárias -, mas cobiço o jeito de ser de outras mulheres.

5. Sinto inveja das características masculinas, embora nem tanto dos homens. (…) O fato de serem tão livres do instinto de agradar às pessoas, algo que considero uma maldição da minha condição feminina.

6. E, no nosso trabalho, criamos um universo melhor ou mais claro. Ou, pelo menos, que faz mais sentido. Um lugar onde desejaríamos viver ou que poderíamos ao menos entender.

7. Ele me disse que as crianças populares nunca se tornam adultos interessantes e que as crianças interessantes nunca eram populares.

8. Era ansiosa e faminta: por arte nova, amigos novos, por sexo.

9. Penso bastante sobre o fato de que todos nós vamos morrer. Penso nisso nos momentos mais inoportunos.

10. (…) existe algo dentro de você – grande, explosivo, pronto para surpreender o mundo de maneira ruim se as pessoas não souberem lidar com você, mas preparado para se tornar uma coisa linda se alguém simplesmente prestar atenção. 

10999615_10205040741631809_6009071227309535941_n

Ah! Preciso fazer um aparte para as ilustrações que são super simples e bem propícias ao texto e a livro. A ilustradora é uma amiga de Lena que, inclusive, é citada em um dos capítulos (para conhecer mais sobre o trabalho dela, clique aqui). Aliás, muitos amigos, familiares e pessoas conhecidas são citadas em Não sou uma dessas. Queria muito saber o que elas acham de terem suas vidas contadas ao público desse jeito, mas elas já devem estar acostumadas, já que Lena parece não conter sua vida à, bem, sua vida. Ela parece precisar jogar tudo em seus produtos culturais. Talvez uma maneira de expurgar demônios, como eu tinha falado antes. Eu sei que adoraria fazer o mesmo, seria mais fácil me entender vendo minha vida em telas de TV e páginas de livro. E, preciso dizer, virei fã incondicional de Lena depois desse livro, mais ainda do que era quando só assistir a Girls!

Ilustração do livro.
Ilustração do livro.

O livro, intitulado Not that kind of girl, no original, é da Editora Intrínseca e custa, em média, R$29,90. Pra quem tem e-reader, tá em torno de uns R$18. Baratinho, né? Corre lá pra ler! E depois me diz o que achou!


Segue eu!

Facebook * Twitter * Instagram * YouTube

1535031_10202135446521247_1053149576_n