Venha ver o pôr-do-sol & outros contos (Lygia Fagundes Telles) – LIVRO 24

Sim, eu assumo: na reta final do projeto, comecei a ler vários livros de contos porque eu estava com medo de não conseguir chegar aos 30 livros, que era meu objetivo final, e contos são mais rápidos de ler. Por isso, fiquei muito feliz e contente quando minha amiga me emprestou esse livro da Lygia Fagundes Telles, autora que ela adora e eu estava, na verdade, bem curiosa pra conhecer de tanto que ela falava (isso depois de eu parar de confundi-la com a Lygia Bojunga Nunes, autora de livros infantis que eu amava quando era criança). Eu li Venha ver o pôr do sol & outros contos muito rápido mesmo, já que os contos são curtos e fáceis de serem lidos – e interessantes. Bem, alguns. Não posso dizer que amei o livro. Achei o livro todo bem ok. São contos legaizinhos e bom de passar o tempo, mas não achei nada espetacular (desculpa, Marina!).

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Confesso que não sou muito fã de clássicos. Livros clássicos, autores clássicos, pele menos, não os brasileiros (tirando Machado de Assis, que sou apaixonada, e Monteiro Lobato). Gosto muito da literatura atual, de escritores jovens e com linguagem mais informal. Talvez por isso não tenha ficado tão fã assim do livro de Lygia, autora super de renome, ganhadora não só uma, mas duas vezes, do prêmio Jabuti. Lygia também é autora do famoso Ciranda de pedra, que depois foi transformado em novela. Mas não é de Lygia e muito menos de outros livros dela que estou aqui para falar, e sim desse livro específico de contos.

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Como o livro é de 1988, preferi colocar uma foto mais antiga de Lygia também.

O livro tem contos bem dark, clima não muito comum para mulheres escreverem, muito menos naquela época. É algo bem interessante e diferente, difícil de ser encontrado até na literatura aqui do país. Isso achei bem legal, essa peculiaridade e que torna sua escrita única. Porém, como todo livro de contos, alguns são mais legais e outros menos. Gostei, particularmente, de um intitulado Natal na barca. Foi o que mais me tocou e alguns trechos mexeram bastante comigo. Mas acho que nenhum outro me moveu internamente como esse. Por isso, não achei o livro sensacional, porque pra eu considerar um livro muito bom, ele tem que transformar ou tocar alguma coisa em mim, e esse, além do conto acima citado, não fez.

“Como não bastasse a pobreza que espiava pelos remendos da sua roupa, perdera o filhinho, o marido, e ainda via pairar uma sombra sobre o segundo filho que ninava nos braços. E ali estava sem a menor revolta, confiante. Intocável.Apatia? Não, não podiam ser de uma apática aqueles olhos vivíssimos e aquelas mãos enérgicas.”

Trecho do conto Natal na barca.

Ainda quero ler mais coisas da Lygia porque confio muito nas indicações da minha amiga que me emprestou o livro. Mas esse, infelizmente, não tocou o fundo do meu âmago. Ah! O livro saiu por aqui pela editora Ática, mas entrei no site de várias livrarias e ele se encontra indisponível. Se você tiver interesse de ler, acho que a solução vai ser catar em alguma biblioteca ou pegar emprestado de algum amigo, como eu fiz. 🙂

The Blurb (retirado do Skoob): Oito textos envolventes falam, com sensibilidade, de pessoas comuns, cujas vidas são abaladas por fatos insólitos ou dramáticos.

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Meus livros!

Queria Tanto (primeiro livro, publicado em 2011)

Coisas não ditas (segundo livro, publicado em 2013)

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30 Livros em 1 Ano – And so we were (Kelly Castle) – Livro 7

Cês sabiam que a amazon tem tipo uma editora? Ok, não é uma editora, mas você pode publicar seus livros pela amazon, o que é o máximo porque leva pouquíssimo tempo para o livro aparecer na loja (ou pelo menos é o que eles dizem aqui), seu livro aparece na loja mundial da amazon (o que significa que é muito mais interessante escrever em inglês, se você for fluente na língua) e você ainda ganha um dimdim pelo seu trabalho (segundo a própria amazon, você recebe até 70% por direitos autorais, enquanto em editoras comuns a média é somente 10%). Uma desvantagem é que você tem que escolher sua capa entre um catálogo de capas que estão disponíveis para o autor que vai publicar com a amazon publicar, o que é o único ponto negativo desse livro, porque a capa não tem nada a ver com o tema do livro. E essa é uma grande desvantagem porque, se o livro já não tivesse sido indicado para mim por amigos, eu provavelmente não compraria por causa da capa, porque pensaria que se trata de um livro sobre mulheres que adoram roupas e sapatos – e não poderia ser mais longe disso!

Capa de And so we were.
Capa de And so we were.

Iris é uma garota bem tomboy, na verdade. Não liga para estética e essas coisas (chatas) de mulher, como cabelo, roupas, sapatos, ou seja, ela prefere roupas confortáveis a se vestir com roupas e sapatos que apertam só pra ficar bonita “para os caras”. E ela também adora livros. E escrever. E um certo cara chamado Dean. Que é um babaca, mas the heart wants what the heart wants. E eu não conseguia entender porque o heart da Iris não podia querer o Jordan, melhor amigo do irmão mais velho da Iris, que sempre a viu como a irmã mais nova de seu melhor amigo, mas agora… Enfim, eough said porque senão darei spoilers!

Esse é o primeiro livro de Kelly Castle e, man, como ela escreve bem! Fiquei abismada! Eu, sendo também escritora, sei como é difícil tornar histórias em coisas que você não consegue mais parar de ler, e And so we were é assim, no momento que você começa a ler, você não quer mais parar. E isso tudo se dá pelo jeito fantástico e diferente da Kelly escrever. Sério, eu queria ser amiga dela e perguntar pra ela como ela consegue escrever desse jeito! Ainda mais nas cenas de sexo. Quem já escreveu cenas de sexo sabe o quanto você tem que se conter para não acabar virando um 50 tons de cinza da vida. Porque você quer dizer o que aconteceu, mas de um jeito natural, sem ficar vulgar demais, mas também sem adocicar muito e acabar virando trash (nada de “ela pegou seu instrumento”). E ela consegue! Já aviso, para as que adoram um romance sexual, que as partes sexuais são bem poucas, então não se empolguem tanto! hahahaha Mas se você decidir ler esse livro, vai passar horas bem tensa com toda a história. Porque, vou te falar, tinha horas que eu queria dar uns tapas na Iris, sacudir ela e gritar “minha filha, pelo amor de Deus!!!!!!!!!!!!”. Sério, de longe, um dos melhores romances que li nos últimos tempos.

Eu queria ter escrito sobre o livro aqui assim que acabei de ler, porque assim teria coisas mais substanciais para escrever. Porque esse livro merece todas as críticas positivas da vida. Mas como já faz um tempinho que li, ele não tá mais tão fresh na memória, mas a sensação que tive ao ler o livro está, e é “meu deus, que livro bom. e como essa autora escreve bem!”. Aliás, não achei foto dela, o que é uma pena. Mas posso garantir que é um livro muito bom, até meio angustiante, mesmo sendo um romance, e um bom exemplo como coisas do nosso cotidiano podem modificar aos nossos olhos só por causa de um momento ou pequenos acontecimentos. Ah! E todo o desenvolvimento é muito bem feito, nenhum personagem ou situação parece de forma forçada, tudo parece ocorrer naturalmente – o que não acontece em um outro livro que falarei aqui mais pra frente.

And so we were está à venda na amazon (mas acho que só na versão ebook) por 7 reais, baratinho! Corre lá agora pra comprar! Mas lembre-se de que o livro é em inglês! Depois que você ler, me diz o que achou!

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30 Livros em 1 Ano – The good luck of right now (Matthew Quick) – Livro 6

Mais do Matthew Quick, com a diferença que esse eu li na língua original (inglês), enquanto O lado bom da vida li a tradução. Assim como filmes dublados, eu sempre acho que livros traduzidos perdem um pouco da sua magia, não importa quão boa seja a tradução (quando a tradução é ruim então, nem se fala!). Quando se lê na língua que o autor escreveu, você fica sabendo quais foram suas escolhas de palavras, as coisas parecem fazer mais sentido. Claro que nem sempre isso é possível porque nem sempre entendemos o idioma original do livro. Eu, por exemplo, nunca poderei ler Dostoievski em russo! Mas quando é em inglês, sempre prefiro, apesar de nem sempre lembrar de comprar o livro nessa língua. Mas enfim… Vamos ao livro! (que por sinal, não tem versão traduzida, só em inglês mesmo

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Capa do livro.

The good luck of right now conta uma história super original, talvez a mais original (pelo menos uma das) que já li até hoje. O livro é sobre um homem (Bartholomew Neil) de 39 anos que perde a mãe inesperadamente e se vê totalmente perdido na vida, já que, até então, seu único trabalho era cuidar dessa mãe e ir à igreja com ela. Ele não tem amigos, não tem emprego, e não faz ideia do que será seu futuro. É até visto por muitos como um retardado – o que, infelizmente, às vezes ele acredita ser verdade (ai que ódio dos bullies dessa vida). Mas ele encontra uma carta de Richard Gere para sua mãe (daquelas escritas no computador e enviadas em milhares para as pessoas) e decide que Richard é sua resposta para tudo. Então, começa a escrever cartas para ele, como se o ator fosse seu confidente e melhor amigo que trará todas as respostas de que Bartholomew procura. E ainda tem na história um padre irlandês que bebe sem parar, uma estudante de psicologia que está ajudando Bartholomew a passar por toda essa situação e mais algumas pessoas que aparecem mais adiante e não quero contar pra não dar spoiler (sim, essa sempre será minha maior preocupação, não gosto de estragar as coisas para as pessoas).

Confesso que demorei pra engatar na história. Não sei se por estar sem ler um livro em inglês há muito tempo, ou pelo fato de todo capítulo ser uma nova carta (Matthew Quick super roubou minha ideia, porque eu pensei em fazer um livro todo de cartas ha pelo menos uns dez anos), ou pelo personagem principal ser totalmente diferente de qualquer outro personagem principal de qualquer livro que já li, o que levou a uma certa “acostumação” a ele. Só sei que no início, apesar de estar achando o livro em sua essência muito interessante (como eu já disse, muito original), eu não consegui entrar logo na história. Mas com o passar do tempo a história vai te pegando e você fica realmente interessado e curioso pra saber qual vai ser o próximo passo de Bart (meu apelido carinhoso para o personagem, apesar de em momento nenhum chamarem-no assim) na busca pelo seu caminho na vida. Não sei se por estar numa situação parecida com a dele, de descobrir quem eu sou e o que quero de verdade (algo que não acontece só na adolescência, como eu achava quando mais nova), mas me identifiquei muito com Bart e consegui entender de onde vinha toda a  sua motivação para praticamente tudo que ele fazia. Não sei se essa identificação vai acontecer com todos os leitores do livro (provavelmente não, já que é impossível um único personagem ser identificável a todas as pessoas) porque Bartholomew é um personagem bem diferente. Bem diferente mesmo. Mas temos que enxergar por trás da “estranheza” (por falta de melhor palavra) e buscar a essência dele. Acho que, fazendo isso, fica mais fácil entendê-lo. Sem contar que é um dos personagens mais puros que “conheci” ultimamente.

“Eu admiro sua disposição para ser gentil quase indiscriminadamente. Mas, infelizmente, é preciso muito mais que gentileza para sobreviver nesse mundo.
“Eu admiro sua disposição para ser gentil quase indiscriminadamente. Mas, infelizmente, é preciso muito mais que gentileza para sobreviver nesse mundo.” Eu entendi o que ela quis dizer, mas também entendia que a filosofia da mamãe era uma arma poderosa.” – trecho do livro em tradução livre. (foto tirada do site animals-pics.com)

Todos os outros personagens também são bem construídos, apesar de alguns sumirem meio sem explicação, o que achei um ponto negativo do livro. Mas é uma história muito legal do que é considerado normal e anormal, e como vendo as situações de outro ponto de vista, e conhecendo melhor as pessoas, conseguimos nos identificar com todo mundo e perceber que ninguém é estranho, ou errado, ou anormal, é só uma questão de conhecer a verdade da pessoa e de onde ela vem.

Gostei muito da abordagem de Matthew Quick, e o jeito que ele escreve é muito interessante, muito claro, normal, é uma escrita do cotidiano, sem muta formalidade. O fato de serem cartas é um dos motivos do estilo de escrita. E mais uma vez, assim como em O lado bom da vida, Matthew Quick fala sobre uma pessoa tentando se encontrar, e em uma personalidade que foge do que é considerado normal para a sociedade. Acho que sua preferência em escrever sobre os “outcasts” da sociedade é uma escolha muito acertada, pelo menos pra mim, que me considero totalmente outcast e prefiro mil vezes ler sobre personagens cheios de defeitos e incompreendidos do que personagens certinhos que todos amam. Gostei muito do livro.

Matthew Quick, livros e uma xícara de café. Escolhi essa foto totalmente pela xícara de café.
Matthew Quick, livros e uma xícara de café. Escolhi essa foto totalmente pela xícara de café.

Ah! Eu encontrei o livro na Saraiva, e por lá essa versão em inglês está numa base de R$35. O livro é em paperback (adoro!), tem duas capas diferentes e é da Editora Harper (EUA).

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30 Livros em 1 Ano – Objetos cortantes (Gillian Flynn) – Livro 5

Hello, is it me you’re looking for?

Hoje vou falar sobre o melhor livro da vida até agora nesse projeto de 30 livros em 1 ano e, quiçá, um dos melhores livros que já li na vida. Sério, fiquei embasbacada com a capacidade de escrita da Gillian Flynn que, antes de ler esse livro, eu só conhecia como a autora de Garota exemplar, que eu não li, mas vi o filme. O livro é Objetos cortantes, e saiu por aqui, assim como todos os outros livros da autora, pela Editora Intrínseca (minha editora queridinha que, um dia, será meu local de trabalho, se os deuses me ouvirem). Ele conta a história de Camille, que retorna à cidade onde nasceu para cobrir o caso de uma menina assassinada e outra misteriosamente desaparecida. Desde que deixou a pequena Wind Gap, no Missouri, oito anos antes, Camille quase não falou com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã, praticamente uma desconhecida. Mas, sem recursos para se hospedar na cidade, é obrigada a ficar na casa da família e lidar com todas as reminiscências de seu passado. Entrevistando velhos conhecidos e recém-chegados a fim de aprofundar as investigações e elaborar sua matéria, a jornalista relembra a infância e a adolescência conturbadas. (sinopse retirada do Skoob)

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Quem já leu Garota exemplar ou ao menos viu o filme, sabe que Gillian Flynn gosta de uma atmosfera sombria e personagens femininas fortes e problemáticas, características que eu me relaciono e me interesso bastante. Não sou fã de personagens certinhos, bonzinhos e que parecem não ter nenhum defeito. Em Objetos cortantes, personagens assim são muito difíceis de se encontrar. Ainda bem. Todos eles são reais e relacionáveis – na medida do possível.

Objetos cortantes é um livro forte, intrigante e totalmente viciante! Eu li o livro todo numa livraria (porque, infelizmente livros são caros e a pessoa aqui tá sem dindim) e isso foi muito difícil, porque eu não podia levá-lo pra casa! Me peguei várias no meio do fim de semana (sábado e domingo não ia pra lá) sedenta de história porque eu tinha que saber como o livro continuava!!!!!!! Aí quando chegava 2a feira, eu corria pra livraria, agarrava meu livro, pedia meu café e só parava de ler porque já tinha ficado tarde e eu tinha que ir embora. Se eu pudesse, dormia no shopping lendo! Sério, ele é muito envolvente, a Gillian usa as palavras dela de forma perfeita pra te agarrar e te fazer ter vontade de saber o que vai acontecer na próxima frase, e na próxima, e na próxima, e na próxima, até você ter lido até o final!

Trecho (incrível) do livro.
Trecho (incrível) do livro.

A personagem principal também é super bem construída. Na verdade, todos os personagens são muito bem construídos, o que é difícil de se encontrar por aí porque, geralmente, os autores costumam construir muito bem os personagens principais e esquecer que precisam desenvolver os secundários também. Mas em Objetos cortantes, todos possuem detalhes e características profundas, como toda pessoa real. E por mais horripilantes que eles sejam, você consegue entender o motivo de cada um ser do jeito que é – o que não significa que você vai gostar deles (eu mesma odiei várias personagens). Mas Camille é impossível de ser odiada. Ela tem tantos problemas que você sente pena dela, e se sente como ela, e se relaciona com ela (ou talvez isso só aconteça comigo). Mas dá pra sentir todas suas sensações e sentimentos a medida que ela vai descobrindo as coisas que andam acontecendo em sua cidade natal e enxergando a verdade por trás de cada personagem. É foda, desculpe o teor da palavra, mas realmente não tenho outra pra explicar melhor o desenvolver da história e o próprio livro. Eu amei muito, mesmo, e talvez seja o primeiro livro sem ser saga (Harry Potter, Jogos Vorazes) que eu tenha lido tão intensamente e que me envolvi tanto com a história. Acho que 5 estrelas é pouco, eu daria mil!

A autora Gillian Flynn e a capa original do livro.
A autora Gillian Flynn e a capa original do livro.

Ah! Dizem por aí que Objetos Cortantes vai virar série. Eu não gostei da ideia. Acho que ele tem tudo pra ser um filme, mas série… Série é longa e precisa de mais material do que existe no livro (George R.R. Martin e suas centenas de páginas tudo bem, mas Objetos Cortantes não pede série). Vão acabar estragando o livro. Quero nem ver! Mas se resolverem fazer um filme, serei a primeira no cinema! Assim como quero ver o filme de Dark Places (Lugares escuros), segundo livro de Gillian Flynn (e que eu estou lendo agora!) e que estreará ainda esse ano por aqui, protagonizado pela Charlie Theron.

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30 Livros em 1 Ano – Não sou uma dessas (Lena Dunham) – Livro 4

Alô alô, W Brasil!

Hoje vim aqui cedinho porque fui acompanhar meus pais na rodoviária, aí voltei e pensei “por que não escrever agora no blog?”, então cá estou! Estou com várias ideias nessa cabeça of mine pra escrever por aqui, mas colocarei todas em prática com o tempo. Aguardem… hahuahuahua

Hoje venho com mais um livro da minha lista dos livros que li nesse ano e, man, esse foi um dos melhores so far! (nossa, tô muito língua inglesa hoje!) Eu já escrevi neste post aqui sobre Girls e como sou apaixonada pela série. Pois o quarto livro que li é da criadora/roteirista/diretora de Girls, Lena Dunham, e só por ser de autoria dela eu já sabia que iria gostar, já que Lena despeja muito dela em tudo que faz. E sendo Girls = Lena, não teria como não gostar do livro já que Livro = Lena também. Porém, ainda assim eu fui totalmente surpreendida pelo livro. Com a incrível semelhança da Lena Dunham comigo. Senti que, finalmente, havia encontrado alguém que entendia minhas peculiaridades, sendo a obra uma não-ficção sobre sua vida, quase uma biografia mesmo, porém não escrita com estética de biografia. #NemSouConfusaImagina

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Dito isso, preciso dizer que não é qualquer um que vai gostar do livro. Alguns – muitos, eu diria -, ficarão negativamente surpresos com ele. Chocados seria a palavra mais certa. Pessoas que acham que qualquer coisa diferente é uma anormalidade ficarão chocadas. Talvez, até algumas pessoas que estão acostumadas com o que não segue um padrão podem ficar chocados. Confesso que até eu me choquei com uma coisa ou duas, mas depois vi que estava sendo ridícula e parei. Isso porque Lena é única, original e faz coisas bem distintas do que são chamadas “normais”. É possível que achem que ela tem problemas psicológicos e emocionais e que precisa se tratar. Não que ela não precise, porque a medida que lemos o livro vemos que ela desenvolveu algumas síndromes durante a vida que precisam sim ser tratadas. Mas esse motivo é bem díspare do motivo que alguns darão para seu tratamento.

Explicamentos mais extensos sobre o livro: Lena é subversiva. Não para chocar, mas naturalmente. É sua essência. Ela é diferente e não se culpa ou nega sua diferença. Nisso diferimos porque, infelizmente, muitas vezes eu gostaria de ser como os demais pra ser um pouco melhor aceita. É verdade que ela já foi assim como eu, mas hoje em dia… Se aceita totalmente. E isso é inspirador.

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O livro é despretensioso. É uma narrativa de acontecimentos de sua vida, de todos os aspectos: profissional, amoroso, pessoal, etc. Ela fala sobre o que aprendeu com cada situação que viveu, sem querer impôr seus pensamentos sobre ninguém. Apenas expõe os fatos e seus aprendizados e quem quiser tirar alguma lição de suas palavras, que tire. Mas não parece ser seu objetivo. O livro parece um diário onde expurga os acontecimentos negativos para poder esquecer deles ao mesmo tempo em que percebe que eles foram necessários para ela estar onde está hoje. E também um lugar para ela deixar registrado o que de bom aconteceu para não esquecer de nada. Claro que são suposições minhas, posso estar totalmente errada – como vários professores de literatura ao interpretar poemas e trechos de livros clássicos. Mas é um livro leve, de escrita fluida e informal (do jeitinho que eu gosto), cheio de referências culturais que faz a gente perceber que não estamos sozinhos nesse mundo – com “a gente” quero dizer “excluídos e fora dos padrões”. E que, um dia, chegará a nossa vez, assim como chegou a dela.

Marquei várias passagens com as quais me identifiquei no livro (nunca tinha feito isso antes), e vou colocar as 10 de que gostei mais.

1. Fico pensando em quantas pessoas queridas assistem à televisão procurando sinais da própria destruição.

2. A realidade cruel da ansiedade é que você nunca acha que é boa o bastante.

3. A questão subtendida, nesses casos, é definitivamente como tenho coragem suficiente para expor meu corpo imperfeito, pois duvido que a mesma pergunta fosse feita a Blake Lively.

4. Não sou inveja da maneira tradicional – de namorados, bebês ou contas bancárias -, mas cobiço o jeito de ser de outras mulheres.

5. Sinto inveja das características masculinas, embora nem tanto dos homens. (…) O fato de serem tão livres do instinto de agradar às pessoas, algo que considero uma maldição da minha condição feminina.

6. E, no nosso trabalho, criamos um universo melhor ou mais claro. Ou, pelo menos, que faz mais sentido. Um lugar onde desejaríamos viver ou que poderíamos ao menos entender.

7. Ele me disse que as crianças populares nunca se tornam adultos interessantes e que as crianças interessantes nunca eram populares.

8. Era ansiosa e faminta: por arte nova, amigos novos, por sexo.

9. Penso bastante sobre o fato de que todos nós vamos morrer. Penso nisso nos momentos mais inoportunos.

10. (…) existe algo dentro de você – grande, explosivo, pronto para surpreender o mundo de maneira ruim se as pessoas não souberem lidar com você, mas preparado para se tornar uma coisa linda se alguém simplesmente prestar atenção. 

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Ah! Preciso fazer um aparte para as ilustrações que são super simples e bem propícias ao texto e a livro. A ilustradora é uma amiga de Lena que, inclusive, é citada em um dos capítulos (para conhecer mais sobre o trabalho dela, clique aqui). Aliás, muitos amigos, familiares e pessoas conhecidas são citadas em Não sou uma dessas. Queria muito saber o que elas acham de terem suas vidas contadas ao público desse jeito, mas elas já devem estar acostumadas, já que Lena parece não conter sua vida à, bem, sua vida. Ela parece precisar jogar tudo em seus produtos culturais. Talvez uma maneira de expurgar demônios, como eu tinha falado antes. Eu sei que adoraria fazer o mesmo, seria mais fácil me entender vendo minha vida em telas de TV e páginas de livro. E, preciso dizer, virei fã incondicional de Lena depois desse livro, mais ainda do que era quando só assistir a Girls!

Ilustração do livro.
Ilustração do livro.

O livro, intitulado Not that kind of girl, no original, é da Editora Intrínseca e custa, em média, R$29,90. Pra quem tem e-reader, tá em torno de uns R$18. Baratinho, né? Corre lá pra ler! E depois me diz o que achou!


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Filmes: Selma e Sniper AMericano

O Oscar é amanhã!!!!!!!!!!!!! Uhu!!!!! E enquanto procurava pratos deliciosos pra fazer na noite da festa mais importante do ano (festa, porque o evento é o Festival do Rio!), pra deixar a minha noite com marido igual a um evento de gala, lembrei que faltavam ainda dois filmes indicados ao prêmio de Melhor Filme que eu ainda não havia falado por aqui! #QueGafe Então vamos à eles!

Primeiro, uma pequena introdução a eles.

Selma

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Sinopse (do site Omelete): A trama segue a campanha real que tomou espaço na cidade de Selma, no Alabama, onde cidadãos negros tiveram seus direitos a voto negados sistematicamente. O caso chamou atenção e ganhou envolvimento de Martin Luther King Jr. (David Oyelowo).

Indicações: Além de Melhor Filme, está indicado somente para Melhor Música (Glory, de John Legend e o rapper Commom). O que acho bem injusto, pois pelo menos a diretora Ava DuVernay deveria ser indicada a Melhor Direção.

Sniper Americano

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Sinopse (pelo site Omelete): Clint Eastood dirige a adaptação ao cinema da autobiografia de Chris Kyle. Com cerca de 160 mortes no currículo, Kyle foi considerado “o mais letal atirador da história do exército dos EUA”.

Indicações: Além de prêmio de Melhor Filme, concorre aos prêmios de Melhor Ator (Bradley Cooper), Melhor Roteiro Adaptado (Jason Hall), Melhor Edição, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som (como todos os filmes de guerra, que são sempre indicados nas categorias de áudio por causa dos tiros e etc).

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Vi os dois filmes no mesmo dia, o que me deu um panorama legal e muito louco de como funciona o país do Oscar. Claro que essa é uma visão minha, portanto particular, o que não descreve como o país realmente é, e sim como eu enxerguei as coisas devido aos dois filmes. Mas o que me chocou foi como uma nação consegue enxergar em um homem que mata centenas de pessoas como profissão um herói, e condena um homem que só lutava pelos direitos de seres humanos. Claro que, hoje em dia, Martin Luther King, personagem principal de Selma (depois da cidade de Selma que, no filme, é apresentada como personagem e não tem nem como não enxergá-la como tal) também é considerado um herói. Ainda bem, porque ele foi, um dos maiores. Mas hoje em dia o tal sniper também é considerado herói, mesmo tendo matado não sei quantas pessoas, de criança a adulto. E não sei se todos eram culpados. Nunca saberei, na verdade. E o governo de lá aplaude pessoas como ele, enquanto na década de 60 o governo enxergava Dr. King como um arruaceiro, mesmo sua luta sendo pacífica. Mas enfim, não estou aqui para falar de política, né? Mas realmente achei irônico assistir os dois filmes no mesmo dia, um seguido do outro (com pausa para gordice no meio).

Bradley Cooper e o diretor do filme, Clint Eastwood, venerado por muitos (inclusive meu marido).
Bradley Cooper e o diretor do filme, Clint Eastwood, venerado por muitos (inclusive meu marido).

Eu não gostei de American Sniper (no original). Geralmente, não gosto mesmo de filmes de guerra, mas existem raras exceções, como Atrás das Linhas Inimigas, filme de 2001. Esse, porém, não foi uma delas (das exceções). Talvez eu ter visto o filme esperando que não gostaria foi um motivo para não ter gostado, ou talvez eu só tenha um bom sexto sentido mesmo (outro filme desse Oscar que eu sentia que ia ser ruim era Foxcatcher, e eu odiei como há muito tempo não odiava um filme). Mas era um filme indicado ao Oscar de Melhor Filme, e eu tinha que ver todos os filmes indicados a Melhor Filme. E assisti. E não gostei.

Eu até esperava ser surpreendida por Sniper Americano, já que o diretor é Clint Eastwood e ele costuma nos dar filmes muito bons, muito bem planejados e pensados. Mas o que eu vi foi só uma sequência de tiros e a vontade de um homem de continuar numa guerra atirando em pessoas. Claro que, além disso, há a vida de Chris Kyle, o personagem principal, e toda sua dificuldade em afastar sua mente do mundo da guerra e voltar à sua vida real, com sua esposa e seus filhos. Há, também, a amizade entre os soldados e o forte sentimento de vingança quando algo acontece com um dos seus. Mas achei uma parte pouco explorada. Veja bem, não foi mal explorada, pois acho que, quando apareciam, conseguíamos entender com facilidade o que o personagem e sua esposa e seus amigos de SEAL sentiam. Só foi pouco mostrada mesmo e, para mim, era a parte mais interessante. Mas como contar a história de um sniper sem mostrar ele atirando em pessoas de distâncias imensas, certo? E como não me anima ver guerras (odeio violência, odeio guerras, acho totalmente desnecessárias), eu não gostei do filme. Tiveram algumas partes que eu nem sequer olhei para a tela e fiquei muito mais entretida com meu celular (portanto, não posso nem mesmo criticar o aspecto técnico do filme porque não prestei atenção). Porém, teve uma cena que não teve como não prestar atenção. E foi, para mim e para todos os que assistiam o filme comigo (todos cinéfilos) a mais chocante do filme inteiro.

Cena mais chocante do filme.
Cena mais chocante do filme.

Percebam a imagem acima. Percebam a a criança no colo de Bradley Cooper. Percebam que é um f%*#ing BONECO!!! Não acreditamos quando vimos! Eu já tinha lido sobre essa cena e sobre como fica claro que aquela criança é falsa, mas ver é totalmente diferente. Porque quando você só lê sobre, você pensa: “Ah ser tão ruim, as pessoas estão exagerando”. Mas é MUITO ruim!!!!!!!!! É muito perceptível!!!! É muito ridículo!!!!! Esse filme foi indicado ao OSCAR e ele tem um erro tão simples e consertável desses! É lógico que sabemos que nem todos os bebês que aparecem em filmes são verdadeiros. Há uma grande quantidade de bonecos ou até computação gráfica. Mas a produção – e o diretor – tem que se certificar de que não vai dar pro espectador perceber que aquilo não é um bebê de verdade!!!!!! Porque tudo que quem assiste um filme menos quer é ser tirado de dentro daquela história de modo tão abrupto como esse! Porque é um modo abrupto, ninguém tem um filho boneco! Gente, é um filme do Clint Eastwood, o cara tem nome, e além do mais, é uma big produção. Como deixar passar um erro tão bobo e básico? Isso respondeu à pergunta que fizemos aqui em casa se o Mr. Eastwood ainda fica em set durante todo o processo do filme ou se deixa os assistentes fazerem seu trabalho por ele, dado sua idade avançada (ele está com 85 anos). Aí está a resposta. Ou então ele está tão caduquinho que nem percebeu essa “pequena” falha. Vai saber?

Sienna Miller, totalmente irreconhecível em Sniper Americano (mostrando como a cor de cabelo pode transformar uma pessoa), em uma das cenas mais angustiantes do filme.
Sienna Miller, totalmente irreconhecível em Sniper Americano (mostrando como a cor de cabelo pode transformar uma pessoa), em uma das cenas mais angustiantes do filme.

Selma é um filme lindíssimo. Emocionante. De arrepiar. Eu posso ser suspeita por ter gostado tanto desse filme porque sou muito sensível a filmes de injustiça, eles mexem muito comigo. E preconceito por causa de cor é uma das maiores injustiças que existem e me revolta. Todo o tema tratado no filme me é de interesse enorme e preciso, ainda, estudar muito mais sobre. Preciso me preparar antes, porém, porque sei que vou passar dias sofrendo de coração apertado. Tive uma crise de choro quando o filme acabou que não tenho desde 12 Anos de Escravidão (alguma semelhança no tema?). Porém, o que sofro vendo e endo sobre isso não é nada em comparação a tudo que os negros passaram nos Estados Unidos (e no mundo, pra falar a verdade). O que choca mais é saber que o filme se passa na década de 60, ou seja, muito pouco tempo atrás. Há 50 anos atrás, os negros americanos tinham que frequentar locais separados dos brancos POR LEI e nem sequer tinham o direito de votar. E é sobre esse último fato que o filme fala.

HsaAk

Nos é mostrada a luta de Selma, uma cidade no sul dos Estados Unidos (sempre o sul, a parte mais preconceituosa dos Estados Unidos – até hoje, infelizmente), para que os negros possam votar. Essa luta chama a atenção de Martin Luther King, que há anos já praticava sua luta pacífica pelos direitos dos negros. No ano que o filme se passa, por exemplo, não havia mais segregação entre negros e brancos nos ônibus, por exemplo, e Martin foi essencial para que isso acontecesse (gente, não consigo imaginar isso, não entra na minha cabeça um ônibus separado pela cor da pessoa!!!!!). Então, ele vai até a cidade e se junta com pessoas que já estavam nessa luta. Fala com o presidente, organiza reuniões, marchas e estratégias para que consigam esse direito. E não vou falar mais para, como sempre, não dar spoilers (apesar de ser uma história real, muita gente não conhecia, como eu).

Martin Luther King, interpretado por David Oyelowo, e o então presidente Lydon Johnson, personagem de Tom Wilkinson.
Martin Luther King, interpretado por David Oyelowo, e o então presidente Lydon Johnson, personagem de Tom Wilkinson.

É revoltante ver como o prefeito da cidade de Selma pouco se importa com os direitos nos negros. Quando eles saem para reivindicar o que é deles por direito, o voto, e são confrontados, não pude deixar de pensar nos protestos aqui do Brasil e em como a polícia tratava os manifestantes. É a mesma violência, a mesma imposição do poder, a mesma vontade de calar os que estão ali para garantir algo que já deveria ser deles há muito tempo. É patético e covarde. O que fizeram com os manifestantes de Selma é covarde. É inumano. É absurdo. Não entendo como a diretora desse filme não foi indicada ao Oscar. Um filme é feito para nos transportar para dentro dele e para sentirmos na pele o que os personagens estão sentindo. Esse filme consegue o feito com maestria. É impossível não sentir o que eles sentem, não sofrer com sua dor, não querer estar lado a lado com eles na ponte e nas ruas. Isso só foi possível porque a diretora Ava DuVernay soube dirigir bem os atores e montar a atmosfera propícia para essas sensações. Acho, por exemplo, que ela merece muito mais estar na lista de indicados do que o diretor de Foxcatcher, Bennet Miller. O que só me faz pensar que a luta que vemos em Selma ainda não está terminada. Nem a luta começada pelas feministas. Tirando a diretora de A Hora Mais Escura, Kathryn Bigelow, há quanto tempo não vemos o nome de uma mulher na lista dos indicados a Melhor Direção do Oscar? #PraPensar

A diretora Ava DuVernay com Oprah Winfrey, produtora (e atriz) do filme, e o ator David Oyelowo.
A diretora Ava DuVernay com Oprah Winfrey, produtora (e atriz) do filme, e o ator David Oyelowo no set de filmagem.

Acho bem injusto um filme tão bom e tocante e bem feito como esse ter tão poucas indicações ao Oscar. Infelizmente, é quase certo que ele não ganhe como Melhor Filme, que deve ser proeza de Boyhood (na minha opinião), mas vamos para, pelo menos, ganhar na única outra categoria em que foi indicado (Melhor Canção), porque ele precisa ganhar algum prêmio para simbolizar sua importância. Porque ele é um filme muito importante. E quem viu com certeza concorda comigo.

Imagem real de Selma e dos que lutaram por seus direitos.
Imagem real de Selma e dos bravos que lutaram por seus direitos.