Netflix me representa – Sense8

Um absurdo. Um absurdo eu ter falado que ia escrever sobre Sense8 aqui na 6a feira e ter me esquecido e só ter lembrado hoje de novo, ainda mais por ser uma das melhores séries do momento pra mim, se não A melhor! Mas cá estou hoje, pra contar pra vocês um pouquinho sobre essa série que acho que ainda não tem muita gente vendo, visto que estreou faz pouquinho tempo (mas eu sou uma tarada por séries e já terminei de ver).

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Então, eu tenho um problema. E o meu problema é que quando gosto muito de uma série, eu não consigo ver ela pingadinha, pelo menos não quando ela já está lá, inteirinha pra eu ver. Foi o que aconteceu com Sense8. Como ela é original do Netflix, quando foi disponibilizada, estava lá, toda a primeira temporada pra eu ver. E eu vi, tudinho, em uma semana. Porque a série é sensacional e totalmente viciante, mais ainda que Orphan Black. Quem soube de Sense8 primeiro foi marido, e quando ele me contou sobre ela eu não achei que fosse gostar tanto, porque ele disse que era meio ficção científica e tal, e eu nunca fui muito fã – mas, como já escrevi aqui antes, tenho percebido que ando gostando bastante desse estilo, vide as séries que estou fanática no momento (Sense8, Orphan Black, Doctor Who, pra citar algumas). Mas me interessou assistir porque os criadores dela são os irmãos Wachowskis, os mesmos que criaram Matrix, e Matrix é foda! Então, quando marido foi ver o primeiro episódio, vi com ele. E quando acabou, implorei: “Coloca logo o segundo, pelo amor de Deus!!!!!!!!!!!”

Lana e Andy Wachowskis, os criadores da série.
Lana e Andy Wachowskis, os criadores da série.

Vou tentar resumir a premissa do seriado sem dar muito spoiler, porque tem muita coisa na própria explicação do que é a série que pode tirar o impacto na hora de assistir. Então pra ser bem concisa, Sense8 é sobre um grupo de pessoas ao redor do mundo (são 8 pessoas) que, de repente, se vêem ligadas mentalmente. Se eu falar mais já vou dar spoiler e tirar a graça, então vou deixar só isso mesmo. Maaaaaaaaaaaaas, sendo algo vindo das mentes dos irmãos Wachowski, já dá pra saber que é uma parada complexa e que tem é preciso prestar atenção em cada detalhe para entender tudo, né? Tem algumas coisas que eu estou com dúvida, por exemplo, mas como conheço pouquíssimas pessoas que estão vendo a série e marido ainda não terminou a temporada (tô aqui de dedos cruzados pra ele assistir o último episódio, que é o único que falta pra ele, hoje), não tenho ninguém com quem comentar. Então espero conseguir fazer com que vocês se interessem pra poder conversar sobre a série com vocês! hahahahahaha O pior de tudo é que sou péssima falando de coisas que gosto muito, porque fico tão agitada e ansiosa que as palavras não me aparecem! Mas tenho dois pontos positivos para quem gostava de Lost e para quem gosta de Doctor Who: Sayid Naveen Andrews e Martha Jones Freema Agyeman! Fiquei tão feliz quando que os dois a série, vocês não tem noção!

Naveen Andrews como Jonas Maliki, e Freema Agyeman como Amanita.
Naveen Andrews como Jonas Maliki, e Freema Agyeman como Amanita.

Anyway, como tudo dos irmãos Wachowski (e com “tudo” quero dizer Matrix, porque foi a única coisa que vi deles), tudo em Sense8 tem um motivo. Tudo é ligado, tudo tem uma explicação, e todas as histórias, dos oito personagens principais, se interlaçam de maneira perfeita. O jeito como as coisas vão se revelando e vamos sabendo como tudo funciona é magistral. Cada pontinho vai se ligando a outro de maneira a criar uma imagem que conseguimos, depois, enxergar perfeitamente. É difícil explicar, é melhor assistir. Assistam! Tem cenas fantásticas, diálogos fantásticos, pensamentos dignos de serem seguidos pela população do mundo. Sério. E nossa, como eles trabalham bem a música! Acho que é de consenso geral entre as pessoas que já assistiram a primeira temporada da série que uma das melhores cenas (se não a melhor) se dá em torno de uma música (e que música!), e eles conseguem ligar todos os personagens só com essa música (sobre a qual falei um pouco nesse post), fazendo total sentido na história e ajudando a movimentar a história para frente, não é uma cena que está lá sem motivo, só para dar uma divertida na série, sabe? A cena final do episódio 10 também é sensacional, e também o é por causa de uma música. Eu fico assistindo a série e pensando como eles conseguem pensar em algo assim, porque é genial!

Como eu disse, são 8 personagens principais, e todos eles são desenvolvidos igualmente. E BEM desenvolvidos. Claro que eu tenho meus personagens favoritos (Wolfgang, Will), mas cada personagem é tão bem explicado e tem histórias tão bem desenvolvidas e reais, totalmente identificáveis, que você acaba gostando de todos, e entendendo o motivo para a ação de cada um. E você torce por todos, e ama cada um por sua particularidade. Tirando o Wolfgang e o Will, que estão lá no topo, cada dia me vejo gostando mais de um dos outros, mas, na verdade, amo todos, porque eles são todos fantásticos – e, o mais importante (pelo menos, pra mim), nenhum deles é perfeito!

Também gosto MUITO do jeito que as relações são mostradas na série. Todas as relações: pais e filhos, romances, de amizade. E o mais legal ainda é ter dois casais homossexuais, um composto por dois homens e outro por duas mulheres, sendo uma delas transsexual, o que, até hoje, é difícil de se ver em seriados, infelizmente. Então, além de tudo, Sense8 está quebrando barreiras.

Will (esquerda), Amanita e Nomi (centro), e Wolfgang. Não coloquei o casal de homens porque senão estaria dando spoiler.
Will (esquerda), Amanita e Nomi (centro), e Wolfgang. Não coloquei o casal de homens porque senão estaria dando spoiler.

Acredito que não tem muito mais que eu possa falar sem estragar as reviravoltas e surpresas do seriado pra vocês. Mas eu juro que é sensacional! Vejam e depois venham me contar que amaram!

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A força de uma música

Não sei quem por aí tá vendo Sense8, ótima nova série origina do Netflix, mas tem uma cena especial que a música What’s Up, da extinta banda 4 Non Blonds tem toda uma imensa relevância (sem mais pra não dar spoilers). Essa cena em particular não seria a mesma e não seria tão forte sem essa música, assim como a minha adolescência não seria a mesma sem essa música.

O lançamento de What’s up foi em 1993 (mais especificamente no dia 23 de junho de 1993), o que significa que eu só tinha 8 aninhos. Mas, naquela época, os produtos lá de fora demoram mais tempo pra chegar por aqui, e elas acabavam durando um pouco mais também, pela falta de diversidade. Mas essa música em especial virou meio que um clássico, todo mundo conhecia, e eu lembro de o clipe ainda passar na MTV (quando ela era boa) quando eu comecei a assistir o canal, lá com meus 12 anos (ou seja, em 1997). Não sei exatamente quando essa música grudou em mim – com certeza não foi quando eu tinha 12 anos, porque eu ainda não tinha crises existenciais com essa idade -, mas no momento em que grudou, não foi embora nunca mais.

Eu sempre fui uma adolescente meio revoltada. Quem me conhecesse na época nunca ia imaginar isso, porque eu era aquela menina tímida que não abria a boca e nunca era reparada em lugar nenhum. Mas na minha cabeça havia milhares de questões e eu me perguntava por que as coisas no mundo são como são – algo que me pergunto até hoje, na verdade. Me revoltava com injustiças, me revoltava por pessoas consideradas bonitas pela sociedade terem muito mais facilidade no mundo (eu via as menininhas bonitas conseguirem tudo – o que significa todos os garotos que ela queriam – e eu não conseguia nada), me revoltada contra as regras da sociedade e não entendia porque as coisas tinham que ser daquele jeito quando claramente aquele jeito estava errado. Ou seja, eu era uma revolucionária dentro da minha cabeça, só não agia como tal. Por isso essa música me tocou tão forte, porque cada palavra dela fazia um sentido imenso pra mim. E eu a ouvia trancada no meu quarto e gritava junto com a música, sentindo todo sentimento que ela passa fluir no meu corpo. Era bem catártico.

"E eu tento, oh meu deus, eu tento, eu tento o tempo todo nessa instituição. E eu rezo, oh meu deus, eu rezo, eu rezo todo dia por uma revolução!"
“E eu tento, oh meu deus, eu tento, eu tento o tempo todo nessa instituição. E eu rezo, oh meu deus, eu rezo, eu rezo todo dia por uma revolução!”

E ainda hoje essa música tem esse poder em mim, de invocar todas as sensações que eu tinha quando eu era adolescente, e a eu-revolucionária, que, na verdade, nunca saiu de dentro de mim, vem a tona novamente. Porque a música tem isso, ela mexe com seus sentimentos, com suas sensações, e é por isso que música é tão sensacional. Por isso que eu acredito que música tem sim o poder de mudar pensamentos e fazer as pessoas pensarem. O movimento hippie tá aí pra provar isso, né? Quer música que mais mexeu com as pessoas e fez pessoas modificarem seus pensamentos quanto as da geração flower-power? Tem o punk também como exemplo. Porque, na verdade, uma coisa leva à outra. São pessoas que pensam certo tipo de coisa que escrevem músicas de um certo jeito, e atingem pessoas com o mesmo tipo de pensamento, ou influenciam outras pessoas que talvez nunca tinham pensado assim antes, mas que enxergaram as coisas de outro jeito por causa da música, e aí agem de acordo com o novo pensamento, e por aí vai. E assim se cria um movimento. Aqui no Brasil temos a Tropicália como exemplo, né? E eu fico tão emocionada quando falo sobre isso porque acho que a cultura como um todo tem uma potência tão grande para modificar ações e pensamentos e vidas. É só ser bem utilizada. Cultura como forma de educação. Mas isso é outra história e eu tô fugindo do assunto.

"A música me mantém viva" (imagem retirada de http://m-u-s-i-c-a-s.tumblr.com/)
“A música me mantém viva” (imagem retirada de http://m-u-s-i-c-a-s.tumblr.com/)

O que eu quero dizer é que música pode modificar tudo. Uma música pode mudar seu humor em segundos. Uma música pode te fazer lembrar de momentos maravilhosos, te dar força, te relembrar quem você é de verdade. E foi isso que essa música fez pra mim. E eu agradeço cinquenta milhões de vezes à Linda Perry, autora de What’s up, por ter escrito essa música tão maravilhosa que me energiza de um jeito que talvez nenhuma outra consiga fazer. E obrigada aos irmãos Wachowski por inserirem essa música numa série igualmente maravilhosa e me darem um pouco mais de força pra enfrentar esse mundo maluco.

E viva a música!

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