Quer parar o tempo?

Eu fui aquela criança viciada em Sandy & Junior. Sabia todas as músicas, todas as coreografias, enchia o saco dos meus pais de tanto que escutava os discos. Sou 1 ano mais nova que Junior, 2 que Sandy, então posso dizer que crescemos juntos. Porém, na adolescência, comecei a rejeitar algumas coisas da infância (como todo adolescente), e Sandy & Junior foi uma dessas coisas, principalmente porque achava Sandy muito certinha e isso me incomodava. Perdi contato com eles. Passei a não conhecer mais o que cantavam. E então fiquei sabendo que se separaram, Junior se interessou mais pelo lado musicista e passou a fazer projetos diferentíssimos, o que eu achei o máximo, apesar de não ser minha vibe, e Sandy fez carreira solo. Tentei ouvir o primeiro cd. Achei chatíssimo. Deixei pra lá.

Eis que semana passada, do nada, nem lembro como, o YouTube me indicou um vídeo com ela pra assistir. Era entrevista que alguém fez com ela, um muito conhecido do YouTube, mas que eu nem costumo assistir, mas tinha uma headline que me chamou a atenção, cliquei. Na entrevista, ela falava de um novo projeto onde mostrava os bastidores de seu novo álbum. Disse que o filho, Theo, aparecia. Fiquei curiosa, fui catar o tal do projeto no YouTube. Achei. Assisti um, dois, três. Adorei.

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O projeto se chama “Nós VOZ Eles”, e é uma websérie de 8 episódios mostrando os bastidores das gravações do novo CD de Sandy, que é todo feito de participações. Toda 3a feira sai, no canal da Sandy no YouTube, um vídeo com o making of de uma música, e depois, durante a semana, o vídeo com o clipe dessa mesma música é colocado no ar.  Até agora já saíram 3 vídeos (ou 6, contando making of + clipe): o primeiro foi da música No Escuro, com participação de Maria Gadú; o segundo foi de Areia, com Lucas Lima, marido de Sandy; e o terceiro foi com Mateus Asato, que toca guitarra na música Grito Mudo. Amanhã sai novo vídeo de bastidores, mas não sei que música nem que convidado participará (ainda estão pra vir Anavitória, Iza, Melim, Thiaguinho e Xororó, pai de Sandy).

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Pra quem gosta da Sandy ou de algum dos participantes do disco ou pra quem simplesmente gosta de música a série é muito legal. Além de dar pra ver um pouco da vida particular dos artistas e de como eles se relacionam, ver o processo de fazer uma música é muito interessante. E as músicas são lindas. Diferentes das antigas de Sandy (pelo menos, as que eu ouvi), bem trabalhadas, com arranjos lindos e mudanças de tom que adorei. A minha favorita foi Areia, com Lucas, pela poesia da letra (achei muito estilo Los Hermanos, grupo pela qual sou apaixonada). E o vídeo dos bastidores é a coisa mais fofa! Lucas é muito engraçado e o relacionamento deles é daquele tipo que dá vontade de ter um igual.

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Também gostei muito de conhecer Mateus Asato, que é um guitarrista fodão que tocou com Jessie J e Tori Kelly, e Bruno Mars foi até ele dizer que admirava seu trabalho (história que ele conta aqui)! E o episódio de Maria Gadú só me fez achar a voz dela ainda mais maravilhosa! Gente, adoro!

Então, galera, aproveita que amanhã sai vídeo novo e vai lá no canal da Sandy conhecer esse novo projeto que tá arrasani!

      “Espera o tempo certo e vem.
       Não deixa passar.
      E assim…”

 

Errata: o novo vídeo não saiu na 3a feira, dia 11. Ele só sairá na 3a feira que vem, dia 18, pois será lançado um vídeo a cada duas semana, e não uma, como eu havia dito anteriormente.

Séries não americanas no Netflix

Oi pessoas!

Se você é tão seriemaníaco como eu, já viu milhares de séries no Netflix e pode ser que faltem  poucas pra acabar sua lista (se bem que entraram umas novas por lá que parecem bem legais). Mas a gente tem o costume de ver muita série americana e esquece que tem várias outras nacionalidades disponíveis. Então, pra conhecer um pouco de algumas outras nacionalidades, hoje vou dar dica de 3 séries não americanas muito boas pra vocês assistirem.

1.Club de Cuervos (México)

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Série original da Netflix que conta a história de dois irmãos que assumem o clube de futebol do pai (os “Cuervos” do título da série) quando este morre. É comédia e é mesmo hilária! Eu, que não sou nem um pouco fã de futebol, AMEI a série e não vejo a hora de sair a próxima temporada (já tem 3 temporadas disponíveis). Os protagonistas da série, Mariana Treviño e Luis Gerardo Mendéz, que interpretam os irmãos Isabel e Salvador Iglesias, são incríveis e têm um timing perfeito pra comédia. É de cair do sofá de tanto rir.

2. Rita (Dinamarca)

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Essa definitivamente não é comédia, apesar de ter partes em que a gente solta uma risada. Rita conta a história de uma professora bem fora dos padrões, nem um pouco certinha, mas totalmente dedicada em sua função como educadora. Ela luta por seus alunos e pelo colégio como ninguém, apesar de seu jeito de fazer isso gerar bastante polêmica. É bom pra gente tirar aquela visão de que na Europa tudo é lindo e maravilhoso e perceber que eles também têm problemas. Não são iguais aos nossos, mas também existem. E é maravilhoso pra você ficar completamente confusa com a língua dinamarquesa e pensar que é impossível aprendê-la! Eita língua difícil! Mas chega um hora que a gente até já consegue reconhecer uma palavras e fica se achando mega inteligente! hahahahaha Rita tem 4 temporadas disponíveis no Netflix e provavelmente não terá uma nova (choro eterno).

3. Bem-vindo à família (Espanha)

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Essa série tem um humor bem peculiar, e por isso é tão boa! Conta a história de Ângela, uma mãe sola com 3 filhos e um cunhado (sim, ele é importante), que é despejada do apartamento em que mora. Pra conseguir reaver sua casa, ela pede dinheiro emprestado para o pai, que não vê há 20 anos. Só que o pai morre (sim, é ele enrolado nesse tapete aí da foto), e a partir daí é uma loucura só. Além da família da Ângela, aparecem também a atual esposa de seu pai e a filha dela (todos na foto acima). E cada personagem tem papel primordial dentro da trama, fazendo a história ir pra frente – uns mais que outros, claro. É uma comédia com pingos de fofura e às vezes pode até rolar uma lagriminha, mas prometo que as gargalhadas reinam nessa série. Ah! E se você acha que vai ser fácil de entender a língua e tá pensando até em tirar a legenda, pode esquecer! A série é toda em catalão, e se você já viu Merlí (série que merece um post inteirinho aqui, de tão maravilhosa que é), sabe como é difícil entender! É uma mistura doida de espanhol com francês e português e você fica se achando um estúpido por não estar entendendo um pingo de nada de uma série gravada na Espanha. Mas não se sinta mal, todos ficam da mesma forma!

Se você tem alguma outra dica de série que não seja dos Estados Unidos, deixe nos comentários! Porque assim posso assistir e falar sobre ela em um próximo post.

Beijos e até a próxima!

Chez Lalu – Café

Fui num café tão maravilhosinho que tive que escrever sobre ele. Sabe um lugar tão fofo que você fica embasbacado, olhando todos os detalhes, de tão encantada? Foi o que aconteceu comigo no Chez Lalu, que fica em Ipanema.

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Apesar da decoração lindinha, toda em madeira, que dá uma sensação confortável e de aconchego ao lugar (e olha esse balanço que tinha dentro do café!), o que me chamou a atenção mesmo foram os produtos que eles vendem lá. Tem muita coisa! O que primeiro captou meu olhar foram as geleias – e olha que nem gosto de geleia! Os vidros eram as coisas mais fofas e dava muita vontade de levar pra casa só pra servir de decoração pra minha cozinha. Também tinha várias camponatas,a maioria de abobrinha, mas a que levei (pra dar de presente) foi a de beringela, que parece que estava muito boa, já que acabou rapidinho quando foi aberta! Elas têm 170g e custam, em média, 22 reais, que eu sei que não é barato, mas são artesanais, então valem o preço. Continuando com o tema “coisas em vidro”, também vi azeites especiais vendendo, granolas e vinhos orgânicos, esses últimos fiquei com muita vontade de comprar! Custavam 36 reais, e eu, como conhecedora nula de vinhos, achei um preço bom pra um vinho orgânico. Além disso, eles têm pães, congelados, cafés e até flores vendendo lá! É bem variado.

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Quanto as comidinhas pra consumir lá, tinha várias opções, e todas saudáveis. Pelo que percebi, o café privilegia alimentos mais naturais e artesanais. Os pães de queijo que pedi (R$6 a porção com 5), por exemplo, são feitos sem corantes e sem conservantes (e estavam uma delícia!). O cappuccino é feito numa prensa especial (que, infelizmente, não consegui tirar foto), que dá um gosto diferente (e maravilhoso) à bebida e vem numa louça que dá vontade de levar pra casa de tão linda. Não acredita? Olha só!

Se eu tivesse passado lá com mais fome, teria comida muito mais, porque era cada coisa no cardápio que dava vontade de pedir! Como, por exemplo, o queijo quente com queijo canastra, o pão de queijo recheado com tomate marinado, pesto e queijo canastra (R$10,50), ou a coxinha de cogumelo (R$8). E mais um bando de bebida gostosa. Ou seja, se você for lá, vá de estômago beeeeeeeeeeeem vazio!

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Único problema de lá é que é pequetito, mas até que a questão do espaço foi bem resolvida. As mesinhas ficam do lado de fora (o café fica numa galeria), mas dentro tem dois balcões (fiquei em um deles) bem grandes, onde dá pra se comer tranquilamente e com conforto. O atendimento também é muito bom, as duas atendentes que anotaram e entregaram meu pedidos foram muito simpáticas. Um lugar pra se voltar sempre. Ah! Eles também fazem entregas de cestas orgânicas, é só programar antes.

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Chez Lalu

R. Visconde de Pirajá, 444, loja 127 – Ipanema

Horários: 2a à 6a, de 10h às 19h/ Sábado, de 10h às 15h.

Serviço

Você tem um amigo escritor que tá precisando de ajuda? Diz que a amiga aqui faz esse serviço! Revisão de texto, copidesque, leitura crítica. Diz que já trabalhei em editora e sou escritora. E fala pra mandar e-mail para liviagbrazil@yahoo.com.br pra pedir orçamento. Grata!

A vida secreta dos casais

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Não há tantas séries brasileiras. Elas estão aumentando de número – que bom -, mas não são muitas. Um canal que investe bastante em séries brasileiras, e foi, inclusive, onde assisti minha série nacional favorita (Alice), é a HBO, canal onde A vida secreta dos casais é exibida. Na verdade, foi exibida, já que passou no ano passado (mas continua lá na HBO GO, que agora pode ser assinada como um Netflix e tem até aplicativo). Porém, já sabemos que haverá uma segunda temporada da série, provavelmente no ano que vem, como disse Hugo Bonemer, um dos atores da série, nessa entrevista. E ainda bem que vai ter, porque a primeira temporada acaba de uma forma bem “misteriosa”.

Mas do que se trata a série? O foco de A vida secreta dos casais é em Sofia, vivida por Bruna Lombardi, que é também criadora (e roteirista) da série. Pra quem não lembra da Bruna, ela foi uma atriz bem famosinha por aqui nos anos 80 e 90, mas depois ela foi morar nos EUA e passou a se dedicar mais a cinema. Sofia é sexóloga e dona de um centro de terapias alterativas para casais especializado em tantra. Porém ela se vê no meio de uma investigação policial quando um de seus pacientes, Daniel, é morto logo depois de sair de sua casa, paciente esse que trabalhava em um grande banco, que é o foco da reportagem de Vicente, jornalista interpretado por Alejandro Claveaux que, coincidentemente, é sobrinho de um detetive particular que também está investigando a morte de Daniel.

A série intercala momentos dessas investigações (policial e jornalística) com as consultas no centro de terapias e a vida de alguns pacientes de Sofia que, pra mim, ficaram meio soltas no meio da história. Tudo bem que essas histórias servem pra dar alguma lições para os telespectadores, como aceitar as diferenças, diminuir o preconceito, e fazer o público enxergar o tantra como algo normal e desmistificá-lo um pouco (apesar de achar que eles falham nisso ao iluminar as cenas de tantra sempre com luz baixa e vermelha, que só deixa mais estereotipado), mas me parece que essas histórias ficam flutuando no pano geral da trama e deveriam ser contadas em outra série, parece que são duas séries em uma e as histórias não conversam. Até porque a história da investigação policial é bem interessante e toda vez que um dos pacientes de Sofia aparece na tela a gente só fica torcendo pra passar logo pra gente ver como o conflito vai ser resolvido (talvez seja essa a intenção mesmo, vai saber).

No geral, a série é bastante boa. Como eu disse, a investigação te deixa querendo saber o que vai acontecer logo e é meio impossível você não clicar logo pra ver o próximo quando um episódio acaba. A trama investigativa faz sentido e não fica devendo muito às séries policiais lá de fora, e olha que eu assisto MUITA série policial. Mas o foco aqui não é a parte técnica, como num CSI, por exemplo. É muito mais focado no entendimento dos personagens e qual deles poderia ter cometido aquele crime, personagens esses muito bem desenvolvidos. Ao contrário do que vemos nas novelas brasileiras, por exemplo, os personagens dessa série são densos, cheios de camadas e profundidade. Todos eles têm seus defeitos e qualidades e nenhum tem só um lado.

Infelizmente não temos somente atuações impecáveis, portanto os personagens acabam não chegando ao ápice que poderiam chegar por conta disso. Alguns porque os atores não são bons mesmo (como a própria Bruna Lombardi), e outros claramente por falta de boa direção (há alguns bons atores que não estão atuando na capacidade de seu talento, e isso é obra de má direção). Mas tem atores que, mesmo com a falta de direção (que é de Carlos Alberto Riccelli, marido da Bruna), retratam seus personagens com maestria, como Paulo Gorgulho, o presidente do banco, Alejandro Claveaux, o jornalista Vicente, e Letícia Colin, fotógrafa contratada pelo jornal onde Vicente trabalha. A Letícia eu posso estar sendo um pouco imparcial, porque acho ela fantástica. Eita menina pra atuar bem! Sou fãzoca dela desde que a vi, incrível e irreconhecível, no musical Hair. Mas ela está ótima como Renata, uma fotógrafa cheia de problemas passados. Acho que ela consegue equilibrar a força e impenetrabilidade que só uma pessoa que já sofreu muito nessa vida sabe como é, mas também com uma certa doçura “sem querer”, como alguém que não quer mostrar seu lado sensível. E ainda é uma mulher power inteligente pra caramba que sem ela o Vicente não conseguiria chegar a lugar nenhum. Sem contar que a química (nada amoroso, gente, só profissional mesmo) entre os dois atores é super aparente.

Pelos personagens serem cheios de camadas, a história vai seguindo por um caminho que muitas vezes surpreende, e isso deixa a série muito interessante de se ver. E ela toca em assuntos muito em voga no nosso mundo hoje em dia, como política, corrupção, e essas coisas que estamos mais do que acostumados (infelizmente) em ver. Mas algumas coisas me incomodaram, como a iluminação muito escura algumas vezes, alguns diálogos clichês e com frases de efeito, geralmente ditos pela Sofia (que só soam mais truncados ainda por causa da má atuação da Bruna), e alguns palavrões ditos por alguns personagens, que não pareciam naturais, não cabiam na boca dos atores, sabe? Teve também uma situação envolvendo a filha do detetive, que não vou falar o que é pra não dar spoiler, que eu não gostei nem um pouco da resolução, foi bem machista (quando vocês assistirem vocês vão entender). Mas eu prometo que vale a pena assistir a série, acho que Bruna criou um bom enredo e uma boa trama. Sem contar que é produto nacional, né gente. Vamos valorizar o que a gente faz! Ainda mais quando produto é bom.

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Letícia Colin como a fotógrafa Renata.

A vida secreta dos casais (2017)/ HBO.

Número de episódios: 12.

Criada por Bruna Lombardi.

Roteiro por Bruna Lombardi e Kim Riccelli.

Dirigida por Carlos Alberto Riccelli e Kim Riccelli.

 

 

 

Sharp Objects – a volta

Venho aqui por motivos de atualizações.

Meu último post foi sobre o primeiro episódio da série Sharp Objects, que estreou dia 08 de julho na HBO (se você não leu o post, pode clicar aqui). Eu disse que tinha gostado do episódio e que estava bem similar ao livro. Porém, exatamente por causa da série, eu voltei a ler o livro. Por quê, meu deus?

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Ontem estreou o quarto episódio, chamado Ripe (aqui no Brasil traduziram como Ranço, palavra que amo!). E eu já (re)li pouco mais que a metade do livro. E eu odiei esse quarto episódio exatamente por causa disso. Ok, odiar é um pouco forte e estou tentando parar de usar essa palavra, mas vamos dizer que foi um episódio que fiquei me contorcendo toda no sofá enquanto assistia.

Gente, eu sei que livro é um produto diferente de uma série. Sei que o meio é diferente (livro e tela), portanto mudanças são necessárias. Eu estudei isso, for God’s sake! Mas precisava mudar tanto? Precisava mudar nome de personagem (e um dos principais, inclusive)? Precisava mudar personalidade de personagem? Precisava aliviar o tom, quando a história toda foi feita exatamente pra te deixar angustiado e te fazer repensar a sociedade? Respondo: não precisava! Não vou entrar em mais detalhes porque pode ter gente que ainda não viu a série, que ainda não viu esse último episódio, mas me diz, pelo menos, por que mudaram o nome do detetive de Richard pra Casey? Qual a necessidade disso????

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Quando a gente adapta livros para as telas (seja de cinema, seja de casa), é óbvio que faremos mudanças, como eu disse acima. Eu mesma tô adaptando um livro que eu escrevi e tem algumas escolhas que faço que são necessárias pra obra funcionar na tela. Mas eu acho que tem escolhas que são feitas na série que não influenciariam em nada no entendimento e no funcionamento da obra (por que mudar o nome? Por quê??????????) e eu simplesmente não entendo por que foram feitas.

Por isso, uma recomendação: se você já leu o livro, não assista a série. Ou melhor, assista, porque tem coisas bem legais (como a atuação incrível da Amy Adams, mencionada por mim no último post), mas vá preparado pra se mexericar um pouco na cadeira por causa de mudanças feitas no seu livro que você tanto gostou (gente, é um dos meus livros preferidos da vida, imagina isso!).

E se você está vendo a série, uma sugestão também: LEIA O LIVRO! É muito melhor (Gillian Flynn rainha do suspense e das frases incríveis!)

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Print básico do meu story dessa madrugada do Instagram.

Sharp Objects

Em homenagem ao Dia do Escritor, que é hoje, venho falar de uma série que foi baseada em um livro. E não é qualquer livro não! É um dos meus livros favoritos de uma das minhas autoras favoritas: Objetos Cortantes, da Gillian Flynn (ou, no original, Sharp Objects). A série foi lançada no dia 08 de julho desse ano, ou seja, é super recente, e passa na HBO. Até agora já teve 3 episódios (e estão todinhos lá na HBO GO), mas vou falar somente do primeiro. A história é sobre uma repórter (Camille) que volta à sua cidade natal para cobrir o assassinato de uma adolescente e o desaparecimento de outra.

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Vou deixar pra falar mais sobre a equipe técnica da série quando for escrever sobre ela após o término da primeira temporada e vou focar mais no que uma pessoa sente quando vê um livro que ama representado na TV. E preciso dizer que quando fui assistir eu estava com medo. Até reproduzo aqui um trecho do que escrevi anos atrás, em 2015, quando tinha acabado de ler Objetos Cortantes e descobri que iriam fazer uma série baseada nele:

“Dizem por aí que Objetos Cortantes vai virar série. Eu não gostei da ideia. Acho que ele tem tudo pra ser um filme, mas série… Série é longa e precisa de mais material do que existe no livro (George R.R. Martin e suas centenas de páginas tudo bem, mas Objetos Cortantes não pede série). Vão acabar estragando o livro. Quero nem ver!”.

Portanto posso dizer que não era a pessoa mais animada ao colocar o primeiro episódio, intitulado Vanish (desaparecimento ou desaparecer, em português), pra ver. Porém, eu estava esperançosa, mais do que a Livia de 2015, ainda mais porque uma amiga que confio muito no gosto em séries, por ser parecido com o meu, já tinha visto e gostado. E tenho que dizer que gostei também.

A Gillian Flynn, como eu disse aqui no post sobre o livro, escreve MUITO BEM. E ela sabe passar imagens e sentimentos com suas palavras de forma primordial. E ela cria personagens que têm profundidade, que têm camadas, que têm humanidade. Fiquei com medo de não conseguirem transpor para a tela a personalidade da Camille tão bem quanto no livro. Mas, meu bem, eles escolheram a Amy Adams. E, deuses, como essa mulher é boa! Ela consegue passar, sem dizer nada, todos os conflitos internos da Camille, que é o aspecto mais interessante do livro. Só com o olhar dela, com o jeito como ela anda. Pra quem leu o livro fica ainda mais clara toda a personalidade dela, óbvio, e a gente se espanta em como a Amy está conseguindo retratar bem uma personagem tão densa.

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Amy Adams, como Camille.

Como Camille é a personagem principal, narradora do livro, ela é quem mais aparece nesse primeiro episódio e quem conseguimos conhecer melhor. Quanto aos outros personagens, só temos uma pequena mostra de quem é cada um, por isso não dá pra falar muito deles. A única coisa que me incomodou foi a irmã da Camille, Amma, que parece muito velha para a personagem. A Amma tem 13 anos (eu coloquei na cabeça que ela tinha 11, não sei por que) e a atriz que a interpreta, Eliza Scanlen, tem 19, então achei que não imprimiu a inocência e fragilidade física que a personagem do livro nos passa o tempo inteiro.

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Eliza Scanlen, a Amma.

O clima da série também está bastante condizente ao do livro. A tensão, a polaridade de uma cidade de interior, o contraste das cores, a iluminação, tudo está exatamente como a gente imagina enquanto lê. Eu li o livro em 2015, então não lembro com detalhes de tudo, mas enquanto a gente assiste, a imagem casa muito bem com a lembrança da história, então acho que eles acertaram nas escolhas. E eles parecem também estar revelando os mistérios aos poucos, e isso inclui a vida da Camille, o que aumenta o suspense, igualando mais ainda à atmosfera do livro.

Agora é esperar os próximos episódios e ver como vão conduzir a trama. Espero que eu continue sendo surpreendida positivamente!

Ah! Vale dizer que a criadora da série é uma mulher, Marti Noxon, que também escreve os roteiros.

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Gillian Flynn (esq) e Marti Noxon (dir).

E parabéns a todos os escritores pelo dia de hoje!