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A vida secreta dos casais

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Não há tantas séries brasileiras. Elas estão aumentando de número – que bom -, mas não são muitas. Um canal que investe bastante em séries brasileiras, e foi, inclusive, onde assisti minha série nacional favorita (Alice), é a HBO, canal onde A vida secreta dos casais é exibida. Na verdade, foi exibida, já que passou no ano passado (mas continua lá na HBO GO, que agora pode ser assinada como um Netflix e tem até aplicativo). Porém, já sabemos que haverá uma segunda temporada da série, provavelmente no ano que vem, como disse Hugo Bonemer, um dos atores da série, nessa entrevista. E ainda bem que vai ter, porque a primeira temporada acaba de uma forma bem “misteriosa”.

Mas do que se trata a série? O foco de A vida secreta dos casais é em Sofia, vivida por Bruna Lombardi, que é também criadora (e roteirista) da série. Pra quem não lembra da Bruna, ela foi uma atriz bem famosinha por aqui nos anos 80 e 90, mas depois ela foi morar nos EUA e passou a se dedicar mais a cinema. Sofia é sexóloga e dona de um centro de terapias alterativas para casais especializado em tantra. Porém ela se vê no meio de uma investigação policial quando um de seus pacientes, Daniel, é morto logo depois de sair de sua casa, paciente esse que trabalhava em um grande banco, que é o foco da reportagem de Vicente, jornalista interpretado por Alejandro Claveaux que, coincidentemente, é sobrinho de um detetive particular que também está investigando a morte de Daniel.

A série intercala momentos dessas investigações (policial e jornalística) com as consultas no centro de terapias e a vida de alguns pacientes de Sofia que, pra mim, ficaram meio soltas no meio da história. Tudo bem que essas histórias servem pra dar alguma lições para os telespectadores, como aceitar as diferenças, diminuir o preconceito, e fazer o público enxergar o tantra como algo normal e desmistificá-lo um pouco (apesar de achar que eles falham nisso ao iluminar as cenas de tantra sempre com luz baixa e vermelha, que só deixa mais estereotipado), mas me parece que essas histórias ficam flutuando no pano geral da trama e deveriam ser contadas em outra série, parece que são duas séries em uma e as histórias não conversam. Até porque a história da investigação policial é bem interessante e toda vez que um dos pacientes de Sofia aparece na tela a gente só fica torcendo pra passar logo pra gente ver como o conflito vai ser resolvido (talvez seja essa a intenção mesmo, vai saber).

No geral, a série é bastante boa. Como eu disse, a investigação te deixa querendo saber o que vai acontecer logo e é meio impossível você não clicar logo pra ver o próximo quando um episódio acaba. A trama investigativa faz sentido e não fica devendo muito às séries policiais lá de fora, e olha que eu assisto MUITA série policial. Mas o foco aqui não é a parte técnica, como num CSI, por exemplo. É muito mais focado no entendimento dos personagens e qual deles poderia ter cometido aquele crime, personagens esses muito bem desenvolvidos. Ao contrário do que vemos nas novelas brasileiras, por exemplo, os personagens dessa série são densos, cheios de camadas e profundidade. Todos eles têm seus defeitos e qualidades e nenhum tem só um lado.

Infelizmente não temos somente atuações impecáveis, portanto os personagens acabam não chegando ao ápice que poderiam chegar por conta disso. Alguns porque os atores não são bons mesmo (como a própria Bruna Lombardi), e outros claramente por falta de boa direção (há alguns bons atores que não estão atuando na capacidade de seu talento, e isso é obra de má direção). Mas tem atores que, mesmo com a falta de direção (que é de Carlos Alberto Riccelli, marido da Bruna), retratam seus personagens com maestria, como Paulo Gorgulho, o presidente do banco, Alejandro Claveaux, o jornalista Vicente, e Letícia Colin, fotógrafa contratada pelo jornal onde Vicente trabalha. A Letícia eu posso estar sendo um pouco imparcial, porque acho ela fantástica. Eita menina pra atuar bem! Sou fãzoca dela desde que a vi, incrível e irreconhecível, no musical Hair. Mas ela está ótima como Renata, uma fotógrafa cheia de problemas passados. Acho que ela consegue equilibrar a força e impenetrabilidade que só uma pessoa que já sofreu muito nessa vida sabe como é, mas também com uma certa doçura “sem querer”, como alguém que não quer mostrar seu lado sensível. E ainda é uma mulher power inteligente pra caramba que sem ela o Vicente não conseguiria chegar a lugar nenhum. Sem contar que a química (nada amoroso, gente, só profissional mesmo) entre os dois atores é super aparente.

Pelos personagens serem cheios de camadas, a história vai seguindo por um caminho que muitas vezes surpreende, e isso deixa a série muito interessante de se ver. E ela toca em assuntos muito em voga no nosso mundo hoje em dia, como política, corrupção, e essas coisas que estamos mais do que acostumados (infelizmente) em ver. Mas algumas coisas me incomodaram, como a iluminação muito escura algumas vezes, alguns diálogos clichês e com frases de efeito, geralmente ditos pela Sofia (que só soam mais truncados ainda por causa da má atuação da Bruna), e alguns palavrões ditos por alguns personagens, que não pareciam naturais, não cabiam na boca dos atores, sabe? Teve também uma situação envolvendo a filha do detetive, que não vou falar o que é pra não dar spoiler, que eu não gostei nem um pouco da resolução, foi bem machista (quando vocês assistirem vocês vão entender). Mas eu prometo que vale a pena assistir a série, acho que Bruna criou um bom enredo e uma boa trama. Sem contar que é produto nacional, né gente. Vamos valorizar o que a gente faz! Ainda mais quando produto é bom.

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Letícia Colin como a fotógrafa Renata.

A vida secreta dos casais (2017)/ HBO.

Número de episódios: 12.

Criada por Bruna Lombardi.

Roteiro por Bruna Lombardi e Kim Riccelli.

Dirigida por Carlos Alberto Riccelli e Kim Riccelli.

 

 

 

Sharp Objects – a volta

Venho aqui por motivos de atualizações.

Meu último post foi sobre o primeiro episódio da série Sharp Objects, que estreou dia 08 de julho na HBO (se você não leu o post, pode clicar aqui). Eu disse que tinha gostado do episódio e que estava bem similar ao livro. Porém, exatamente por causa da série, eu voltei a ler o livro. Por quê, meu deus?

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Ontem estreou o quarto episódio, chamado Ripe (aqui no Brasil traduziram como Ranço, palavra que amo!). E eu já (re)li pouco mais que a metade do livro. E eu odiei esse quarto episódio exatamente por causa disso. Ok, odiar é um pouco forte e estou tentando parar de usar essa palavra, mas vamos dizer que foi um episódio que fiquei me contorcendo toda no sofá enquanto assistia.

Gente, eu sei que livro é um produto diferente de uma série. Sei que o meio é diferente (livro e tela), portanto mudanças são necessárias. Eu estudei isso, for God’s sake! Mas precisava mudar tanto? Precisava mudar nome de personagem (e um dos principais, inclusive)? Precisava mudar personalidade de personagem? Precisava aliviar o tom, quando a história toda foi feita exatamente pra te deixar angustiado e te fazer repensar a sociedade? Respondo: não precisava! Não vou entrar em mais detalhes porque pode ter gente que ainda não viu a série, que ainda não viu esse último episódio, mas me diz, pelo menos, por que mudaram o nome do detetive de Richard pra Casey? Qual a necessidade disso????

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Quando a gente adapta livros para as telas (seja de cinema, seja de casa), é óbvio que faremos mudanças, como eu disse acima. Eu mesma tô adaptando um livro que eu escrevi e tem algumas escolhas que faço que são necessárias pra obra funcionar na tela. Mas eu acho que tem escolhas que são feitas na série que não influenciariam em nada no entendimento e no funcionamento da obra (por que mudar o nome? Por quê??????????) e eu simplesmente não entendo por que foram feitas.

Por isso, uma recomendação: se você já leu o livro, não assista a série. Ou melhor, assista, porque tem coisas bem legais (como a atuação incrível da Amy Adams, mencionada por mim no último post), mas vá preparado pra se mexericar um pouco na cadeira por causa de mudanças feitas no seu livro que você tanto gostou (gente, é um dos meus livros preferidos da vida, imagina isso!).

E se você está vendo a série, uma sugestão também: LEIA O LIVRO! É muito melhor (Gillian Flynn rainha do suspense e das frases incríveis!)

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Print básico do meu story dessa madrugada do Instagram.

Sharp Objects

Em homenagem ao Dia do Escritor, que é hoje, venho falar de uma série que foi baseada em um livro. E não é qualquer livro não! É um dos meus livros favoritos de uma das minhas autoras favoritas: Objetos Cortantes, da Gillian Flynn (ou, no original, Sharp Objects). A série foi lançada no dia 08 de julho desse ano, ou seja, é super recente, e passa na HBO. Até agora já teve 3 episódios (e estão todinhos lá na HBO GO), mas vou falar somente do primeiro. A história é sobre uma repórter (Camille) que volta à sua cidade natal para cobrir o assassinato de uma adolescente e o desaparecimento de outra.

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Vou deixar pra falar mais sobre a equipe técnica da série quando for escrever sobre ela após o término da primeira temporada e vou focar mais no que uma pessoa sente quando vê um livro que ama representado na TV. E preciso dizer que quando fui assistir eu estava com medo. Até reproduzo aqui um trecho do que escrevi anos atrás, em 2015, quando tinha acabado de ler Objetos Cortantes e descobri que iriam fazer uma série baseada nele:

“Dizem por aí que Objetos Cortantes vai virar série. Eu não gostei da ideia. Acho que ele tem tudo pra ser um filme, mas série… Série é longa e precisa de mais material do que existe no livro (George R.R. Martin e suas centenas de páginas tudo bem, mas Objetos Cortantes não pede série). Vão acabar estragando o livro. Quero nem ver!”.

Portanto posso dizer que não era a pessoa mais animada ao colocar o primeiro episódio, intitulado Vanish (desaparecimento ou desaparecer, em português), pra ver. Porém, eu estava esperançosa, mais do que a Livia de 2015, ainda mais porque uma amiga que confio muito no gosto em séries, por ser parecido com o meu, já tinha visto e gostado. E tenho que dizer que gostei também.

A Gillian Flynn, como eu disse aqui no post sobre o livro, escreve MUITO BEM. E ela sabe passar imagens e sentimentos com suas palavras de forma primordial. E ela cria personagens que têm profundidade, que têm camadas, que têm humanidade. Fiquei com medo de não conseguirem transpor para a tela a personalidade da Camille tão bem quanto no livro. Mas, meu bem, eles escolheram a Amy Adams. E, deuses, como essa mulher é boa! Ela consegue passar, sem dizer nada, todos os conflitos internos da Camille, que é o aspecto mais interessante do livro. Só com o olhar dela, com o jeito como ela anda. Pra quem leu o livro fica ainda mais clara toda a personalidade dela, óbvio, e a gente se espanta em como a Amy está conseguindo retratar bem uma personagem tão densa.

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Amy Adams, como Camille.

Como Camille é a personagem principal, narradora do livro, ela é quem mais aparece nesse primeiro episódio e quem conseguimos conhecer melhor. Quanto aos outros personagens, só temos uma pequena mostra de quem é cada um, por isso não dá pra falar muito deles. A única coisa que me incomodou foi a irmã da Camille, Amma, que parece muito velha para a personagem. A Amma tem 13 anos (eu coloquei na cabeça que ela tinha 11, não sei por que) e a atriz que a interpreta, Eliza Scanlen, tem 19, então achei que não imprimiu a inocência e fragilidade física que a personagem do livro nos passa o tempo inteiro.

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Eliza Scanlen, a Amma.

O clima da série também está bastante condizente ao do livro. A tensão, a polaridade de uma cidade de interior, o contraste das cores, a iluminação, tudo está exatamente como a gente imagina enquanto lê. Eu li o livro em 2015, então não lembro com detalhes de tudo, mas enquanto a gente assiste, a imagem casa muito bem com a lembrança da história, então acho que eles acertaram nas escolhas. E eles parecem também estar revelando os mistérios aos poucos, e isso inclui a vida da Camille, o que aumenta o suspense, igualando mais ainda à atmosfera do livro.

Agora é esperar os próximos episódios e ver como vão conduzir a trama. Espero que eu continue sendo surpreendida positivamente!

Ah! Vale dizer que a criadora da série é uma mulher, Marti Noxon, que também escreve os roteiros.

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Gillian Flynn (esq) e Marti Noxon (dir).

E parabéns a todos os escritores pelo dia de hoje!

 

 

Oscar 2018 – Parte 2

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Oi pessoas! Como prometido, hoje vem a segunda parte sobre o Oscar, dessa vez falando sobre os atores. Ainda ficou faltando muita coisa sobre as categorias mais técnicas, mas como tem muito filme que eu não vi indicado para essas categorias, achei melhor não dar minha opinião. Só digo uma coisa: Em ritmo de fuga TEM QUE ganhar nas categorias de edição e mixagem de som e de melhor montagem, porque aquilo ali foi foda! A junção perfeita da música com a ação tá boa demais e não é qualquer um que faz aquilo não!

Melhor Atriz

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Uma foto da Meryl só pra gente admirar essa atriz sensacional mesmo.

Não pode haver Oscar sem Meryl Streep indicada, não é minha gente? E esse não é diferente: lá está ela, plena, maravilhosa, entre as indicadas ao Oscar de melhor atriz em 2018. Porém, não acredito que ganhe, até porque The Post não foi um filme muito comentado. Quem vai ganhar? Minha sugestão é a Frances McDormand, de Três anúncios para um crime. A personagem dela é muito densa, intensa, e a atriz ganhou no Globo de Ouro o prêmio de melhor atriz em filme de drama que, como sabemos, o Oscar geralmente dá preferência em relação aos filmes de outros estilos. Frances está maravilhosa nesse filme? Está. Se ela ganhar, ela vai merecer levar a estatueta pra casa? Vai. Mas eu estou torcendo pela Sally Hawkins, de A forma da água. Ela interpreta uma mulher muda, não fala durante o filme todo, ou seja, precisa passar toda a intenção de sua personagem no olhar, expressão, movimento do corpo, e ela consegue! Ela está perfeita! Se eu fosse escolher, dava o Oscar pra Sally sem pensar duas vezes!

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Frances McDormand em Três anúncios para um crime.

Indicadas:

  • Frances McDormand (Três anúncios para um crime)
  • Margot Robbie (Eu, Tonya)
  • Meryl Streep (The post)
  • Sally Hawkins (A forma da água)
  • Saoirse Ronan (Lady Bird)
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Sally Hawkins em A forma da água.

Melhor Ator

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Daniel Kaluuya em Corra!.

Lá vem uma categoria que não posso opinar muito, já que só vi dois filmes indicados (Corra! e Me chame pelo seu nome). Mas posso dizer que Timothée Chalamet, de Me chame pelo seu nome, está incrivelmente incrível nesse filme. O garoto é novo e faz um personagem super cheio de camadas e complicado – e arrasa! Porém, não acho que ele vá ganhar. Além de ser muito novo, temos Daniel Kaluuya na parada, que está muito, muito, muito bom em Corra!. Se eu fosse escolher, ganharia ele. E pode ser até que ganhe mesmo, já que recebeu um prêmio no Globo de Ouro. Porém, ainda temos Gary Oldman na disputa, por seu Churchill em O destino de uma nação, e aí é que a coisa complica. Primeiro porque o filme é um típico filme que americano gosta de premiar: sobre guerra, sobre a Segunda Guerra, tem uma ação contra nazistas. Pronto, prato cheio para o Oscar. Mas, além disso, Gary Oldman se transformou completamente fisicamente para o papel, que é algo que a Academia adorava premiar (vide Charlize Theron em Monster, Nicole Kidman em As horas, entre outros). Vamos ver se vão continuar seguindo essa linha. Por isso fico na dúvida de para quem vão dar a estátua dourada, mas meu coração está em Daniel (mas se Timothée ganhar também vou ficar bem feliz!).

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Acreditem, esse é o Gary Oldman em O destino de uma nação.

Indicados:

  • Daniel Day-Lewis (Trama fantasma)
  • Daniel Kaluuya (Corra!)
  • Denzel Washington (Roman J. Israel, Esq)
  • Gary Oldman (O destino de uma nação)
  • Timothée Chalamet (Me chame pelo seu nome)
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Não podia deixar de colocar meu fofo-mór, né, gente? Timothée Chalamet em Me chame pelo seu nome. Não dá vontade de apertar?

Melhor Atriz Coadjuvante

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Allison Janney em Eu, Tonya.

Nessa categoria, duas atrizes poderiam facilmente ganhar o Oscar e eu não faço ideia de quem a Academia vai escolher. Talvez eles tendam mais pra Laurie Metcalf, de Lady Bird, mas, sinceramente, eu tenderia mais pra Allison Janney, de Eu, Tonya. O papel da Laurie é mais significativo no filme, já que Lady Bird é praticamente sobre a relação da Lady Bird com a mãe, e ela aparece bem mais do que a Allison em Eu, Tonya. Mas a importância que a personagem da Allison tem é tão grande quanto a de Laurie, e a Allison arrasa nas poucas cenas em que aparece. Além desses dois filmes, só assisti A forma da água, e a Octavia Spencer está ótima como sempre, mas a personagem dela não tem tanta relevância (apesar de também ter) quanto às de Allison e Laurie, por isso acredito que fique entre as duas.

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Laurie Metcalf em Lady Bird.

Indicadas:

  • Allison Janney (Eu, Tonya)
  • Laurie Metcalf (Lady Bird)
  • Lesley Menville (Trama fantasma)
  • Mary J. Blidge (Mudbound)
  • Octavia Spencer (A forma da água)
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Octavia Spencer em A forma da água.

Melhor Ator Coadjuvante

É raro colocarem dois atores do mesmo filme disputando a mesma categoria, mas esse ano aconteceu com Sam Rockwell e Woody Harrelson, ambos de Três anúncios para um crime. E eu tenho quase certeza de que o primeiro leva o prêmio. No caso, se isso acontecer mesmo, eu concordo 100% com a escolha. O personagem do Sam é muito mais difícil que o personagem de Woody, e Sam interpreta com maestria. Ah, a vontade de socar a tela toda vez que ele aparecia! Não assisti Projeto Flórida (mas ouvi falar muito bem) nem Todo o dinheiro do mundo, mas não acho que os atores vão conseguir ganhar do Sam, não.

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Woody Harrelson em Três anúncios para um crime.

Indicados:

  • Christopher Plummer (Todo o dinheiro do mundo)
  • Richard Jenkins (A forma da água)
  • Sam Rockwell (Três anúncios para um crime)
  • Willem Dafoe (Projeto Flórida)
  • Woody Harrelson (Três anúncios para um crime)
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Sam Rockwell em Três anúncios para um crime.

 

Pronto. Essas são minhas apostas sobre as categorias que posso opinar. Tô louca pra chegar domingo logo pra ver se acertei ou não nos meus palpites (até porque participei de uma promoção pra ganhar cinema de graça de acordo com os acertos que eu fizer, então quero muito estar certa!). E vocês? Concordam com meus palpites? Discordam? Quem vocês acham que vai ganhar? Quem vocês querem que ganhe? Deixem as respostas aí nos comentários!

Lembrando que o Oscar é esse domingo, dia 04 de março, e será apresentado pelo Jimmy Kimmel, que já apresentou a premiação no ano passado. A TNT vai começar a exibir a chegada dos atores no tapete vermelho às 20:30, mas a cerimônia em si só começa às 22h (e sabe-se lá que horas acaba!). Se você é como eu e não suporta ouvir a tradução simultânea, dá pra colocar o áudio no original e ouvir em inglês!

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Jimmy Kimmel.

Beijos e até domingo!

PS. O pessoal do Choque de Cultura já disse, no último vídeo deles, que vai comentar o Oscar, mas ainda não informaram onde especificamente. Então fiquem ligados nas redes sociais deles e do Omelete, porque com certeza vai ser hilário! (Atualização: Saiu há umas horas uma notícia no Instagram do Omelete dizendo que a transmissão do Choque de Cultura será no canal do próprio Omelete.)

Oscar 2018

É uma tradição aqui no blog escrever sobre os filmes indicados ao Oscar. Porém, como há de se perceber, faz muito tempo que não escrevo nada aqui no blog. Portanto. em vez de falar sobre cada filme indicado, vou comentar quais são minhas apostas em cada categoria (as que eu tiver como inferir sobre), e mais tarde eu escrevo um pouquinho sobre cada filme. Então vamos lá, categoria por categoria.

Melhor Filme

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Essa é a categoria-mór, a mais esperada da noite. São 9 filmes indicados (já se foi a época que eram só 5 filme nessa categoria), e eu só assisti a 5, mas, pra falar a verdade, acho que só tem 2 (talvez 3) verdadeiramente no páreo. Os filmes são:

  • A forma da água
  • Corra!
  • Dunkirk
  • Lady Bird
  • Me chame pelo seu nome
  • O destino de uma nação
  • The post
  • Trama Fantasma
  • Três anúncios para um crime

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Se o Oscar dependesse da minha votação, ganharia Me chame pelo seu nome. Mas como não depende, eu tenho quase certeza que ganha A forma da água, que me deixaria bem feliz também, porque o filme maravilhoso. Só não dou certeza absoluta porque acho que talvez Três anúncios para um crime também pode ganhar, já que ele foi tão ovacionado no Globo de Ouro. O outro filme que acho que pode ser considerado também é Corra!, já que o Oscar anda combatendo preconceitos (ainda bem!), e o filme é realmente incrível! Tem gente falando de Dunkirk, por ser um filme bem ao estilo Oscar, de guerra e tal, mas não acho que leve a estatueta esse ano. Ainda bem. Esse é um filme que não tive a mínima vontade de assistir, chega de assistir americano vangloriando guerra.

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Melhor Diretor

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Greta Gerwig.

A categoria de melhor diretor já está praticamente ganha pelo Guillermo Del Toro, né gente? Eu queria muito que a Greta Gerwig ganhasse. Ela seria a segunda diretora, nos 90 anos de premiação, a ganhar a categoria (a única ganhadora, até hoje, foi Kathryn Bigelow, por Guerra ao terror, e ela é somente a 5a mulher a ser indicada a categoria em toda história do Oscar! Tá achando que o Oscar é justo? Não é, não! Mas não acho que Greta vá ganhar, porque, como eu disse, a estatueta já está praticamente nas mão de Del Toro. Se eu acho que ele merece? Pra caramba! A forma da água é uma obra-prima, tecnicamente perfeito, um filmão, e ainda é superoriginal e crítico. Mas que eu queria que a Greta ganhasse, ah, eu queria!

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Guillermo Del Toro

Indicados:

  • Christopher Nolan (Dunkirk)
  • Greta Gerwig (Lady Bird)
  • Guillermo Del Toro (A forma da água)
  • Jordan Peele (Corra!)
  • Paul Thomas Anderson (Trama Fantasma)

 

Melhor Roteiro Adaptado

Indicados:

  • A grande jogada (Aaron Sorkin)
  • Artista do desastre (Scott Neustadter e Michael H. Weber)
  • Logan (Scott Frank, James Mangold e Michael Green)
  • Me chame pelo seu nome (James Ivory)
  • Mudbound (Virgil Williams and Dee Rees)
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James Ivory, o roteirista de Me chame pelo seu nome.

Nessa categoria, não preciso nem pensar duas vezes: Me chame pelo seu nome VAI ganhar. “Ai Livia, como você pode dizer isso, se você nem viu os outros filmes?”. É verdade, não vi. Aliás, assisti Logan, mas, né, o filme é bom e tal, mas nem se compara. Eu queria ter conseguido ver Mudbound, porque é o único que acho que pode conseguir se equiparar um pouco ao Call me by your nome (no original) em questão de roteiro. Mas tirando ele, não tem pra ninguém. É um roteiro muito bem construído, sem nada fora do lugar, com diálogos incríveis, silêncios no lugar certo, também uma obra-prima (mas sem ser filmão, ou seja, é um filme independente, simples, e completamente maravilhoso). Já ganhou. E se não ganhar, é roubo!

Melhor Roteiro Original

Nessa categoria, assisti a quase todos os filmes; só deixei escapar Doentes de amor. Mas os outros quatro eu assisti e vou te dizer que é uma das categorias mais difíceis de escolher um candidato. Olha quem tá no páreo:

  • A forma da água (Guillermo Del Toro)
  • Corra! (Jordan Peele)
  • Doentes de amor (Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani)
  • Lady Bird (Greta Gerwig)
  • Três anúncios para um crime (Martin McDonagh)
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Jordan Peele, roteirista de Corra!.

Gente, se vocês viram esses filmes, vocês sabem que os roteiros são incríveis! Cada um de um jeito diferente, cada um de um estilo diferente, mas são todos igualmente bem construídos, assim como Me chame pelo seu nome. Eu, obviamente, mais uma vez, gostaria de ver a Greta vencedora, porque nunca se viu um filme sobre “coming of age” (algo como um adolescente virando um adulto) de uma mulher. Geralmente, nesses filmes, o personagem principal é sempre um garoto virando um homem. E, além disso, o roteiro é tão sutil, tão leve, e tão real e verdadeiro que já merecia o Oscar só por isso, por passar um período tão conturbado da vida de uma pessoa de uma maneira tão delicada. E cara, é o primeiro roteiro dela! Como ela conseguiu fazer um filme tão bom de primeira eu não sei! Mas, porém, contudo, não acho que ela ganhe. Eu tinha certeza que Guillermo Del Toro ia ganhar esse prêmio, até surgir a polêmica do plágio (o filho de um dramaturgo alega que a história do filme é copiada de uma peça de seu pai de 1969). Agora já não sei mais nada! Como os roteiros de Três anúncios para um crime e Corra! também são sensacionais, acho que qualquer um pode – e merece- levar esse prêmio.

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Martin McDonagh, roteirista de Três anúncios para um crime.

Melhor Fotografia

Indicados:

  • A forma da água (Dan Laustsen)
  • Blade Runner 2049 (Roger Deakins)
  • Dunkirk (Hoyte van Hoytema)
  • Mudbound (Rachel Morrison)
  • O destino de uma nação (Bruno Delbonnel)

Essa é outra categoria que não posso dar muita sugestão, já que só assisti a um filme indicado (A forma da água). Porém, acho válido, muito válido, informar que essa é a PRIMEIRA VEZ que uma mulher é indicada ao prêmio de melhor fotografia. Você acha que é porque não existe mulheres fotógrafas boas? Não. É pelo simples de que não dão oportunidade e, quando dão oportunidade, a Academia opta por escolher o seu grupinho de sempre. Agora começamos a ver nas indicações um grupo mais heterogêneo porque, depois de anos e anos, resolveram modificar os membros da Academia, adicionando pessoas mais variadas e retirando do poder os mesmo homens brancos de sempre, que tinham, em sua maioria, o mesmo gosto para filmes (por que vocês acham que filmes de guerra e que exaltavam o poderio americano sempre ganhavam?). E, aos poucos, vamos vendo o resultado dessa mudança. E que isso vá se ampliando cada vez mais.

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Rachel Morrison, fotógrafa de Mudbound.

Minha aposta? Ah, gente, não sou capaz de opinar (afinal, não posso opinar assistindo somente a um filme da categoria). Mas eu não ficaria triste se a Rachel ganhasse.

 

Como não quero fazer um post gigante (apesar de já estar), deixo para falar das categorias de melhor atriz/ator principal e coadjuvante em outro post. E também de outras categorias mais técnicas. Ah! Se você quiser que eu explique melhor alguma coisa relacionada ao Oscar, só me pedir. Mas também tenho alguns posts antigos que falam um pouquinho sobre o que é cada categoria, só clicar aqui.

Beijos e até a próxima!

Nostalgia

Tenho saudade da adolescência quando tudo era mais intenso e tudo ficava: toda música, todo filme; tudo perfurava a alma e pedia seu espaço. Pedia não, ordenava. E era lindo. Tipo essa música. Que significava. Tinha um por quê. Um sentido. E ainda tem, ainda significa. Significa adolescência. E esperança (que talvez sejam sinônimos).